Na festa de São João Bosco: “Assim fizeram todos os Santos fundadores de Ordens”.

Caros amigos, este excelente excerto da biografia de Dom Bosco, escrita pelo Padre Auffray (que recebeu seu primeiro imprimatur no Brasil em 1946), mostra-nos como os sofrimentos de nossos mais valorosos padres atualmente são, na realidade, graças que Nosso Senhor concede a seus mais diletos filhos. Procuremos aplicar essas palavras e o exemplo de Dom Bosco à situação atual da Igreja.

Dom BoscoFazia oito anos que vinha rezando fervorosamente para que Deus Nosso Senhor pusesse termo, não já aos seus sofrimentos, mas a uma provação que estava embaraçando a marcha de sua Congregação, desorientando as pessoas de bem e escandalizando o povo. Era um problema que se criara desde o dia em que fora nomeado para Arcebispo de Turim S. Excia. Dom Lourenço Gastaldi, bispo de Saluzzo. Tinha sido essa uma nomeação promovida pelo próprio Dom Bosco; pois o novo Arcebispo que sucedia a Mons. Riccardi de Netro, era um dos nomes que o Santo colocara na lista de quarenta candidatos que apresentara a Pio IX em 1871, a fim de prover de novos pastores as dioceses da Itália. O Papa não compartilhava da simpatia de Dom Bosco para com o bispo de Saluzzo. “Vós o desejais – teria ele dito a Dom Bosco – e o tereis”. Mas dado o conhecimento que tinha do prelado, já previa mais um trágico conflito. Dom Lourenço Gastaldi tinha sido sempre grande amigo de Dom Bosco e durante trinta anos essa amizade se manifestara com vários préstimos valiosos. […] O próprio Dom Bosco declarara que ele tinha sido um de seus melhores conselheiros. E para mostrar sua gratidão, o apóstolo se tinha empenhado em fazê-lo nomear primeiro bispo de Saluzzo e depois Arcebispo de Turim. Um só ponto negro havia naquela amizade: as idéias filosóficas do prelado. Quando era ainda cônego de Turim, Gastaldi se tinha filiado entre os primeiros discípulos do Abade Rosmini, fundador do Instituto da Caridade. Após o noviciado tinha sido mandado à Inglaterra; mas depois, voltando à Itália, tinha deixado a jovem Congregação, por motivos os mais louváveis; no entanto continuara a estudar e propagar as teorias do filósofo, teorias que iam produzindo então a mais lamentável cisão no campo católico.

Retrato de Gastaldi.

No novo Arcebispo de Turim os dotes do coração e do caráter não igualavam os altos dotes da inteligência. Era de temperamento assaz impulsivo, violento, às vezes colérico. Dificilmente tolerava que alguém pensasse de modo diverso do seu. Cioso de sua autoridade, era facilmente levado a suspeitar que alguém quisesse usurpá-la ou censurá-la.

Centralizava tudo e queria que todos dependessem dele ao mesmo tempo que se ingeria facilmente e sem ser rogado nos negócios de outrem. Além disso, era um homem que vivia muito ao sabor das impressões, fácil em ceder ao primeiro impulso e pronto a castigar. Mais de um de seus atos e mais de uma de suas decisões tiveram quase sempre estas três explicações: havia, segundo escreveu uma pessoa que o conheceu profundamente, algo de anormal em sua compleição; sofria além disso de uma afecção hepática muito forte; e, o que era pior, estava rodeado de perigosos elementos. Os três conselheiros nos quais confiava ingenuamente sua boa alma e dos quais ouvia muito freqüentemente conselhos e intrigas, eram três cônegos da Catedral, de quem preferimos não dizer coisa nenhuma. […]

Inícios da luta.

Quando Mons. Gastaldi tomou conta da Sé de São Máximo, Dom Bosco sentiu viva alegria. Mas foi uma alegria que durou pouco tempo. Apenas se passaram seis meses e já o Arcebispo mudava inesperadamente de atitude, mostrando certa frieza para com o Santo e para com sua obra. O pérfido veneno da insinuação e da calúnia que lhe tinham feito sorver gota a gota, tinha-lhe penetrado até o coração. “Mas este Dom Bosco! Sempre ele! Quando é que desistirá de abrir seminário contra seminário?… Agora se dedica à obra das vocações tardias. Mas com que finalidade? Seria muito melhor que cuidasse da educação de seus moleques. Que modos os dos seus clérigos! Jogam no meio dos meninos, deixando às vezes perceber os míseros trapos que vestem por baixo da batina!… E depois sempre com a história dos privilégios, que são como o fio que o liga diretamente a Roma! Seria curioso saber que raça de estudos eclesiásticos se fazem em Valdocco. Segundo dizem é uma coisa muito divertida!… Parece que há também um noviciado no Oratório de Dom Bosco. Engraçado! Um noviciado cujos alunos se ocupam de todos os serviços de casa e portanto não têm muito que empalidecer sobre o livro das regras. E essas regras! Dizem que é o que se pode encontrar de mais mesquinho. Basta imaginar que estes pretensos religiosos conservam a propriedade dos próprios bens!!!” E as murmurações continuavam. Seria preciso um cérebro muito sólido para resistir vitoriosamente a essa estratégia traiçoeira que ia mudando dia por dia as posições de suas baterias para sondar a praça em todos os seus pontos fracos. O Arcebispo não foi capaz de resistir. Acabou por ver as coisas através do mesmo prisma com que as viam esses senhores que o rodeavam. E assim começou a luta que devia durar dez anos. Não nos é possível contar-lhes todos os episódios; e por isso nos contentaremos de alguns principais que serão suficientes para fazer compreender ao leitor o duro Calvário que o Santo teve que escalar. É a mais heróica página de santidade de sua vida. No depoimento a respeito destes dez anos de sofrimentos indizíveis, perante a Comissão pontifícia encarregada de instruir o processo sobre as virtudes heróicas de Dom Bosco, assim concluía o Cardeal Cagliero o seu testemunho:

“Esta cruz que Deus pôs sobre os ombros de Dom Bosco não lhe arrancou jamais um lamento, um gesto de impaciência, um ato de represália. E no entanto só Deus sabe o tempo que ele perdeu em defender-se. Levou este fardo com coragem, serenidade e humildade, sem interromper nem um minuto de seu trabalho de apostolado. Esta alegria de espírito e esta inalterável união com Deus, no meio das piores provações, é a marca que distingue os Santos”.

[…]

Mas vamos finalmente conhecer os dois incidentes mais graves que alimentaram nos últimos cinco anos a desagradável divergência. Nos anos de 1878 e 1879 saíram a lume na Tipografia Bruno de Turim quatro opúsculos: Lembranças para o clero; Ensaio das doutrinas de Dom Lourenço Gastaldi; o Arcebispo de Turim; Dom Bosco e o Padre Oddenino. Eram opúsculos anônimos; porém na capa do primeiro e do segundo declarava-se que eram escritos respectivamente por “um Capelão” e por “um Cooperador Salesiano”. Todos os quatro atacavam o Arcebispo, o primeiro pelas suas injustiças para com Dom Bosco; o segundo e o terceiro pelos seus princípios rosminianos; o quarto pela parcialidade com que o Arcebispo tinha resolvido uma questão que surgira em Chiere entre o Pároco e o Diretor do Oratório Feminino. Imediatamente suspeitou-se que os autores eram Dom Bosco e seus salesianos, ao passo que eles eram absolutamente inocentes. Mais tarde, muito tarde, dezessete anos depois – em 1895 – um dos culpados revelou os nomes de três autores dos opúsculos: o primeiro tinha sido composto pelo Padre Turchi, ex-aluno e ex-professor do Oratório de Valdocco; o segundo pelo Padre Ballerini, jesuíta; o terceiro pelo Cônego Anfossi, que tinha sido clérigo no Oratório. Do quarto até hoje não se soube quem é o autor.

Obstinado em sua acusação, o Arcebispo exigia que Dom Bosco apresentasse uma declaração dizendo que condenava formalmente o conteúdo daqueles livrinhos. Mas podia Dom Bosco fazer tal declaração? As teorias filosóficas expostas em dois dos opúsculos eram muitíssimo combatidas como errôneas, e os fatos narrados nos outros dois eram autenticamente verídicos. Portanto não se podiam desdizer nem a doutrina de uns nem os fatos dos outros. Numa carta cheia de dignidade o Santo se limitou a afirmar que nem ele nem nenhum de seus filhos tinha tido parte na redação dos opúsculos e que desaprovavam energicamente o tom irreverente que usavam para com a pessoa sagrada do Arcebispo.

Dom Bosco e seus filhosMais não podia fazer. Entretanto isso não bastou para desfazer a persuasão de que ele era, senão o autor, pelo menos o inspirador dos libelos. O pretexto para tal persuasão era que certa vez Dom Bosco prestando ouvidos a uma das queixas do Padre Pellicani, da Companhia de Jesus, a respeito do modo de governar do Arcebispo, tinha achado oportuno aconselhá-lo a escrever a Pio IX sobre o assunto.

Em fins de 1878 um segundo fato veio agravar as relações entre Dom Bosco e o Arcebispo; foi o caso do Padre Bonetti. Quatro anos ia durar a questão e ia fazer sofrer atrozmente o coração do Santo e de um de seus melhores filhos, o Padre Bonetti, religioso modelo, apóstolo infatigável e escritor primoroso. Vamos aos fatos. Em 1878, no mês de junho, Dom Bosco abiu em Chieri, cidade que contava então seus 15.000 habitantes, um oratório para meninas, com capela pública. Pôs na direção do Oratório o Padre Bonetti. Dentro de brevíssimo tempo surgiram gravíssimas dificuldades entre o oratório e a paróquia. São coisas muito freqüentes na vida pastoral: de um lado a paróquia reclama suas crianças, e é uma reivindicação legítima, porque ela um dia deverá mesmo acolhê-las e no seio dela se desenrolará o resto da existência dessas almas hoje pequeninas; de outro lado, a instrução e a educação da juventude constituem uma tarefa propriamente técnica que os padres da paróquia, mesmo que tivessem preparação suficiente, não estariam em condições de acrescentar aos outros trabalhos que já têm. É portanto necessário procurar uma fórmula de mútua compreensão; e ordinariamente, se há boa vontade recíproca e se ambas as partes desejam igualmente a paz, tal fórmula não é difícil encontrar. Em Chieri, porém, não puseram todo empenho em procurá-la. O Arcipreste, Padre Oddenino, tomou posição contra a florescente obra que já contava com 500 meninas e fez compreender que com seu horário, com o barulho que fazia e com sua vida à margem da paróquia era uma concorrente desleal. O Diretor continuou a seguir seu caminho sem se perturbar com as queixas do Arcipreste; este se obstinou em considerar o Oratório como um baluarte inimigo e continuou a protestar.

Seu protesto chegou até o Arcebispo e este interveio rigorosamente. Segundo escreveu o próprio Mons. Gastaldi, a fim de prevenir todo o escândalo, o chefe da diocese julgou que não havia outro remédio senão trocar o Diretor. E para obrigar Dom Bosco a essa troca, retirou ao Padre Bonetti a faculdade de ouvir confissões, primeiro em Chieri, depois em toda a diocese. Tal suspensão foi dada autoritariamente, sem os três avisos prévios exigidos pelo Direito Canônico e sem prevenir o Superior Geral. Um sacerdote dos mais dignos era portanto assim atingido publicamente e ferido em sua honra sacerdotal sem que tivesse podido defender-se de modo nenhum.

Dom Bosco tomou então sua defesa. Levaram a questão a Roma, onde recebeu solução satisfatória, três anos mais tarde. O Cardeal Nina, Prefeito da Sagrada Congregação do Concílio, em carta de 22 de dezembro de 1881, reprovava em nome desse altíssimo Tribunal, o excesso de rigor do Arcebispo. Em 1883, depois da morte de Mons. Gastaldi, o Padre Bonetti readquiriu o exercício completo de sua liberdade sacerdotal. Não nos é possível entrar em pormenores desse processo interminável, do qual disse Dom Bosco: “A maior parte dos aborrecimentos que tivemos naqueles anos de 1869 a 1881 dependiam desse assunto”.

Esse conjunto de fatos prova suficientemente – como escreveu Mons. Vitelleschi, secretário da Congregação dos Bispos e Regulares – que a oposição do Arcebispo contra Dom Bosco era algo de sistemático. Quantas vezes procuraram fazê-la desaparecer! O próprio Dom Bosco por meio de pessoas amigas – o Arcipreste de Lanzo e o Conge Castagnetto – tentou solucionar amigavelmente as desavenças. Foram tentativas inúteis! Já em 1875 o próprio Santo Padre tinha pedido a Mons. Fissore, Arcebispo de Vercelli, e íntimo amigo de Gastaldi, que interpusesse seu melhor empenho, para conseguir a cessação de uma contenda que estava sendo a delícia dos inimigos da religião. Mas nem sequer a iniciativa do Sumo Pontífice pôde obter resultado. E Dom Bosco continuou a levar dolorosamente sua cruz.

Leão XIII pessoalmente tenta resolver a questão.

Mas um dia Dom Bosco não pôde tolerar mais. Soube que em Roma estava na Cúria um processo contra ele. E compreendeu que se se calasse ficariam comprometidos os interesses supremos de suas duas congregações religiosas. Por isso, servindo-se da pena do Padre Bonetti e do Padre Berto, preparou uma “Exposição aos Eminentíssimos Cardeais da Congregação do Concílio”, encarregados de informar sobre o processo. O documento – que os adversários consideraram um quinto libelo de Dom Bosco – era um relatório objetivo e desapaixonado de todas as provocações a que Dom Bosco fora submetido ano por ano, desde 1872 a 1881, nas suas relações com a Administração Diocesana. Instruiam o relatório as respectivas peças demonstrativas e no final se suplicava a autoridade eclesiástica que viesse em auxílio de Dom Bosco para impedir que se repetissem semelhantes incidentes, os quais, como bem exprimia o Santo, subtraíam ao serviço das almas tempo precioso, forças vivas e até dinheiro.

Ao ler o longo memorial, Leão XIII, que até então só tinha ouvido os sinos de um dos lados, ficou extremamente surpreendido. O vigor da linguagem desses papéis e a sinceridade que neles se percebia comoveram o coração do grande Pontífice, o qual avocou a si a causa. Contando com a humildade do Santo, ditou um projeto de acordo em sete artigos, com o que esperava pôr ponto final à questão. O Cardeal Nina, Prefeito da Congregação do Concílio, teve um sobressalto quando leu o primeiro artigo do texto que lhe foi entregue: “Ao receber estas instruções, Dom Bosco deverá escrever uma carta a Mons. Gastaldi, manifestando quanto desgosto sente pelo fato de incidentes dolorosos terem nestes últimos anos conseguido alterar suas boas relações e causar certa mágoa ao coração do Arcebispo. Se Sua Excelência julgar que Dom Bosco ou qualquer membro de seu Instituto tenha sido a causa desse fato, Dom Bosco pedirá perdão e suplicará ao Arcebispo que ponha uma pedra sobre o passado”.

— Mas esta cláusula me parece injusta, ousou comentar o Cardeal.

— Sei o que estou fazendo, respondeu Leão XIII. Conto com a virtude desse homem de Deus. Dom Bosco, nós o conhecemos, é um santo…

E o gesto do Pontífice parecia completar o pensamento dizendo: “Por amor da paz este servo bom passará sob as terríveis forcas caudinas e tudo se harmonizará”.

Quando se leu o projeto de acordo na presença do Capítulo Superior da Congregação [dos Salesianos], teve a mesma acolhida que lhe fizera o Cardeal Nina: “Não podemos aceitar, disseram todos os membros do Conselho, menos um. O primeiro artigo parece dizer que a razão não está conosco”.

— E tu, Cagliero, que achas? Disse Dom Bosco, dirigindo-se ao capitular que até então se mantivera calado…

— Penso que o Papa, precisamente porque conhece Dom Bosco, suas obras e suas virtudes, espera conseguir desse modo uma acomodação. Dá a impressão de estar impondo um peso injusto sobre os ombros de um inocente, mas faz isto para conseguir mais garantidamente o fim que deseja.

O Santo concordou com esse filho cheio de bom senso e executou escrupulosamente as instruções do documento pontifício.

Só a morte do Arcebispo põe fim a todas as questões.

E conseguiu-se mesmo a paz? E uma paz durável?… Infelizmente não! Bastou um fatozinho insignificante para que se suspeitasse de novo que Dom Bosco estava querendo usurpar a autoridade episcopal. Foi o que aconteceu por exemplo quando Dom Bosco pediu licença de benzer ele próprio a Igreja de São João Evangelista para podê-la abrir ao culto, uma vez que o Arcebispo não podia consagrá-la por se achar nos Alpes desfrutando o repouso a que sua saúde o obrigava nos meses quentes de verão. […]

Só a morte pôde resolver definitivamente a questão. E foi o que se deu um ano mais tarde, no dia 25 de março de 1883.

Um dia – em 1872 – quando o Arcebispo ainda era amigo de Dom Bosco, lhe tinha dado este conselho: “Quando em sua vida vir surgirem-lhe na frente contradições dos homens, não se impressione, pelo menos externamente; nem permita a nenhum de seus filhos, que dê mostras de ressentimento a quem quer que seja. Creia que ter paciência, rezar e humilhar-se diante de Deus e dos homens ainda é o meio melhor para superar o obstáculo. Assim fizeram todos os Santos fundadores de Ordens”.

Parece-nos que o conselho foi seguido ao pé da letra!

Dom Bosco, A. Auffray, S.D.B., 4ª edição, Tradução de Dom João Resende Costa, arcebispo de Belo Horizonte – Editorial Dom Bosco, 1969, pág. 352-362

4 Comentários to “Na festa de São João Bosco: “Assim fizeram todos os Santos fundadores de Ordens”.”

  1. Desconhecia esses fatos da vida de São João Bosco, mas não pude deixar de lembrar de um bispo francês e um brasileiro que passaram por situações semelhantes, mas só que no caso destes o Santo Padre também tinha conselheiros dos quais também prefiro não dizer coisa nenhuma e a injustiça só foi desfeita muito tempo depois e mesmo assim foram novamente tachados de “hereges de fato”.

  2. Só posso dizer:magnífico !

  3. Caríssimos,

    Homens veneráveis e santos a exemplo de Dom Bosco e Leão XIII muita falta fazem hoje. Certeza temos, porém, que rogam continuamente a Deus por todas as vítimas das injustas intrigas contemporâneas nos bastidores da Igreja.

    Passemos também por todas as vicissitudes seguindo o exemplo do santo:

    “Esta cruz que Deus pôs sobre os ombros de Dom Bosco não lhe arrancou jamais um lamento”.

    Um abençoado final de semana a todos.
    Per christum Dóminum nostrum.

  4. O importante livro escrito pelo Padre Auffray desvenda ocorrências que são omitidas na também excelente biografia que, faz anos, li. Nesta se relatam mais as maravilhas que foram constantes na sua vida: seus sonhos, suas predições, milagres etc., e as perseguições da parte dos inimigos da Igreja, e tentativas para matá-lo. No livro ora comentado, porém, se vê como as provações oriundas das próprias autoridades da Igreja o tornaram um verdadeiro mártir, cujos sofrimentos, aliados aos seus fatigantes trabalhos, o consumiram como uma vela acesa até o fim no Altar de Deus. Na sua biografia consta que ele não tinha nenhuma doença e que morreu de simples exaustão.