“Este ministério deve ser cumprido igualmente sofrendo e rezando!”

O vaticanista alemão Andreas Englisch ressalta episódios e fatos que reforçam o sentimento de que Bento XVI teve um pontificado boicotado. 

Por Hermes Rodrigues Nery

Fratres in Unum.com – Foi numa segunda-feira de Carnaval, dia de Nossa Senhora de Lourdes. Marcelo Novaes me ligou para dizer: “Bento XVI renunciou, acaba de renunciar”. Aquilo foi uma bomba, parei tudo o que estava fazendo e liguei a tevê, na Globo News, ao vivo, todos atônitos, anunciavam: “Bento XVI renunciou”. Pensei, de imediato, que se tratasse de um boato. Não. Não acreditei mesmo, apesar de todos os canais não falarem de outra coisa. Durante todo o dia repetiram as imagens do breve pronunciamento:

bentoCaríssimos Irmãos, convoquei-vos para este Consistório não só por causa das três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idôneas para exercer adequadamente o ministério petrino. Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor quer do corpo quer do espírito; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado. Por isso, bem consciente da gravidade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20,00 horas, a sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice. Caríssimos Irmãos, verdadeiramente de coração vos agradeço por todo o amor e a fadiga com que carregastes comigo o peso do meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos. Agora confiemos a Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo, e peçamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista, com a sua bondade materna, os Padres Cardeais na eleição do novo Sumo Pontífice. Pelo que me diz respeito, nomeadamente no futuro, quero servir de todo o coração, com uma vida consagrada à oração, a Santa Igreja de Deus. Vaticano, 10 de fevereiro de 2013.”

Um ano depois, de tantos acontecimentos tão de acordo com as “rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé”, ecoam as palavras mais expressivas de seu pronunciamento de renúncia: “Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando.”

Há um ano, de modo especial depois de 28 de fevereiro de 2013, sabemos que Sua Santidade Bento XVI continua cumprindo seu ministério de essência espiritual, “sofrendo e rezando”. “Dei este passo na plena consciência de sua gravidade e também da sua novidade, mas com uma profunda serenidade de espírito. Amar a Igreja significa também ter a coragem de fazer escolhas difíceis, sofridas, tendo sempre diante de nós o bem da Igreja e não de nós mesmos”, ressaltou em seu discurso de despedida. Não se trata de uma aposentadoria, ele próprio enfatizou: “Sempre – quem assume o ministério petrino não tem mais nenhuma privacy. Ele pertencerá sempre e totalmente a todos, a toda a Igreja.” E mais:

“Sempre” significa também “para sempre” – não há mais como voltar à vida privada. Minha decisão de renunciar ao exercício ativo do ministério não revoga isto. Não voltarei à vida privada, a uma vida de viagens, encontros, recepções, conferências. Não abandonarei a cruz, mas permanecerei de uma maneira nova perto do Senhor Crucificado. Não carregarei mais o poder do ofício no governo da Igreja, mas no serviço da oração permanecerei, por assim dizer, no recinto de São Pedro. São Bento, cujo nome carrego como Papa, me servirá de grande exemplo nisto.

Ele nos mostrou o caminho para uma vida, que, ativa ou passiva, pertence totalmente à obra de Deus”.

O impacto da renúncia foi muito forte e agradou a muitos, mesmo entre os católicos, de modo especial aos progressistas, que se sentiram aliviados, pois já não suportam mais a sã doutrina católica e fazem pressão por todos os lados, de todas as formas, com todas as astúcias e ardilosidades, para que um número cada vez maior de pessoas, inclusive os fiéis, leigos e religiosos, aceitem a necessidade de transformação da Igreja, de alargamento ainda mais de aggiornamento, de flexibilização da moral católica, de menos restrições e mais condescendência, pois muitos até duvidam da eternidade e querem mesmo uma Igreja adaptada às novidades do mundo, para aqui e agora, dar conta de uma felicidade possível, apenas possível, com a mais ampla liberdade. Bento XVI então recolheu-se ao silêncio e à oração, e muitos comemoraram o alívio, e puderam se mover com mais desenvoltura para despojar ainda mais a Igreja de sua rica Tradição. Ao contrário do que se pensa, enquanto Bento XVI sofre e reza no Mosteiro Matter Ecclesia, ainda de vestes brancas, acompanha e aguarda os desdobramentos de mudanças anunciadas e tão almejadas principalmente por aqueles que mais agiram contra o seu pontificado.

O vaticanista alemão Andreas Englisch – que não é pró-Bento XVI – em seu volumoso livro “Benedikt XVI”, traduzido aqui por “O Homem que Não Queria Ser Papa (Ed. Universo dos Livros), ressalta muitos episódios e fatos que reforçam o sentimento de que Bento XVI teve um pontificado boicotado. Ele chegou a esta conclusão já logo no início de seus relatos, quando narra os dissabores enfrentados por Ratzinger na Jornada Mundial da Juventude, em Colônia. “Começou-se a especular que certos grupos, alguns dentro da própria Igreja, queriam prejudicar o papa e por isso haviam boicotado a Jornada Mundial da Juventude”. (p. 132) Depois daquela Jornada, “Bento XVI cancelou todas as viagens dos nove meses seguintes”. (p. 133) Ratzinger não era um ator, nem um político, mas apenas um teólogo. E muitos se aproveitaram disso para lhe criar vários embaraços durante seu pontificado, para desgastá-lo principalmente junto a opinião pública, pessoas próximas a ele, que estavam lá para ajudá-lo e preferiram humilhá-lo em público, para que ele, aos poucos, fosse se dando conta de que era frágil demais. “Bento XVI nunca quis representar um papa, mas ser um papa” (p. 111), afirma Englisch: “Joseph Ratzinger queria escrever, desenvolver conceitos teológicos que explicassem a religião, ele não queria ganhar a simpatia das pessoas como um ator. Ele queria convencer as pessoas pelo que ele pensava e escrevia, e não por como ele aparecia em cena. Ele se importava com o conteúdo e não a aparência”.(p. 111) O caso de Regensburg foi um massacre midiático, do qual Bento XVI se viu mais isolado ainda. “Os políticos experientes dos Estados Unidos estão certos de que alguém preparou deliberadamente uma armadilha para o papa, em Regensburg” (p. 223). A instrumentalização do caso pela mídia internacional foi crudelíssima, e muitos, inclusive próximos dele, se deliciaram em ver como ele sofria com tudo aquilo, e nada fizeram para lhe aliviar a dor. Pior ainda: usavam aqueles dardos lançados contra ele, para justificar, entre muitos altos prelados, de que ele era incompetente para o cargo. Disso sou testemunha in loco. Eu estava, em 2007, durante um jantar na CNBB, em Brasília, quando alguns assessores da CNBB riam de tudo aquilo, e disseram: “Coitado do Bentinho!” Aquilo doeu, fundo, em meu coração. Naquela mesma noite, enquanto conversava com um amigo, no 1º andar, era possível ver a recepção, de onde alguém me disse: “Veja! É o José Dirceu!” Ao que ele entrou, abraçou um bispo e adentrou para as dependências da Casa.

“Joseph Ratzinger escreveu durante toda a sua vida, explicando sempre sobre a doutrina da Igreja Católica” (p. 143), mas muitos não queriam mais saber de doutrina. Um seminarista havia me procurado para dizer que estava deixando o seminário. Com tristeza falei que ele era um talento promissor, e lhe indaguei; “Você chegou a ler, a estudar, a fundo, o Catecismo da Igreja Católica?” Ao que ele me respondeu: “Não li, acho muito complicado. A Igreja precisa de menos doutrina e ser mais povo!” Até hoje, sinceramente, nunca entendi essa resposta. Semanas depois ele estava comissionado no gabinete de um parlamentar do PT.

Não foram poucos também que se incomodaram com o brilhantismo intelectual de Ratzinger, afinal não era ele o “Beckenbauer da teologia?” E a inveja corroeu o coração de muitos, que se insurgiram em articulações para criar mais situações de embaraço, e algumas de impasse, para eclipsar a luz de Bento XVI. Ratzinger tinha uma profunda experiência de Deus, mas não da política dos homens. Agiu de boa fé para com muitos, e muitos se aproveitaram disso para lhe causar desgostos e contrariedades quase cotidianas. Michael Fitzgerald, por exemplo, não o perdoou por ele não lhe ter feito cardeal. Conta Englisch: “Fitzgerald era um sujeito mais prático, um homem de ação. Não me lembro de jamais ter visto Fitzgerald em uma batina elegante de arcebispo, ele sempre usa uma camisa simples e um suéter com o colarinho clerical, mesmo em ocasiões formais, como coletivas de imprensa”. Simpatizante do new age, Fitzgerald não recebeu o barrete vermelho. Como também Walter Kasper teve de recuar diante de posicionamentos muito liberais, por exigência de Bento XVI. Esses e outros foram se avolumando até o ponto em que perceberam que só havia um jeito de agirem mais livremente: aprisionando Bento XVI. Não queriam um papa preocupado em escrever sobre “Jesus de Nazaré”, para que o cristão possa voltar a ser compreendido, mas que o papa fosse mais espetacular para agradar mais ao mundo. E então, Englisch, em seu livro “Francisco – O Papa dos Humildes”, na página 99, reconhece que diante de toda pressão sofrida por Bento XVI, em seu pontificado, pelas forças progressistas que tudo fizeram para debelar todo esforço pela Tradição, de que “só havia uma possibilidade: Joseph Ratzinger tinha que se acostumar à ideia de que seu pesadelo se cumpriria, ou seja, que seria obrigado a passar o resto de seus dias numa prisão, porque só assim, com a destruição de todas as suas esperanças, com o abandono de todos os seus sonhos e abrindo mão do último resquício de consolo, ele podia  garantir a seu sucessor que jamais se intrometeria. Ele tinha que se tornar um prisioneiro”.

Um ano depois, o que se sabe concretamente é que os progressistas se sentem hoje mais a vontade para impor a Igreja que querem, como na resposta do ex-seminarista: “A Igreja precisa de menos doutrina e ser mais povo!” Enquanto isso, Sua Santidade Bento XVI, acompanhando tudo, vai cumprindo o seu ministério – como disse em seu pronunciamento de renúncia – sofrendo e rezando.

38 Responses to ““Este ministério deve ser cumprido igualmente sofrendo e rezando!””

  1. Também nós, ao lado de Sua Santidade, sofremos. Ainda mais do que rezamos.

  2. A situação atual é inédita. Não é impossível que Bento XVI ainda seja o verdadeiro papa, especialmente no caso de se confirmarem os desvios doutrinais do papa Francisco.

  3. É um texto inteligente, mas eu discordo de muita coisa… não considero, por exemplo, Ratzinger um grande teólogo. E nele como Papa, tanto em seus gestos como em suas palavras, existia todos os desvios que se podem aplicar aos papas do CV II… Não nos esqueçamos que ele repetiu Assis… só para citar um exemplo… Grandes Papas, os que resistirão a analise severa dos críticos e ao juízo da história (no seio da própria Igreja), foram Pio XII e Pio X… Esses sim foram grandes, de virtudes heroicas, permanecendo até o fim, combatendo o erro e defendendo a sã doutrina… Não há um só jota em que se possa questionar o ensino desses dois papas santos… uma acusação de alguma ambiguidade intencional pelo temor de ofender os ‘irmãos separados’… um gesto como o de Assis que rompa com a tradição católica… sinto dizer isso, mas é a mais pura verdade… Além do simples fato de que a renúncia ao pontificado e a permanência da vestimenta branca, aparecendo ao lado do ‘papa oficial’, demonstra uma atitude de uma enorme insensatez, de alguém que não tem noção de que tal imagem pode transmitir uma ideia totalmente equivocada sobre a doutrina católica… Isso representa muito e nos mostra uma pessoa que talvez tenha um enorme coração, mas uma formação intelectual defeituosa…

    Apesar disso foi um papa que fez um enorme bem para a Igreja… o debate sobre o CV II ocorria sem problema no seio da própria Igreja, com objeções feitas sem que os objetores sofressem qualquer tipo de importunação (esse é o tipo de coisa que só ocorre com permissão do Papa. Foi Bergoglio ser eleito para comprovarmos isso)… O decoro litúrgico vinha se espalhando pelas dioceses… congressos vinham ocorrendo com pessoas acima de qualquer suspeita… onde se analisava com juízo crítico a reforma sobre a liturgia do CV II. Isso sem falar no levantamento das excomunhões dos bispos da sspx, o SP, a criação de uma academia pontificia para a lingua latina… resumindo, embora sendo um papa conciliar, teve muitas ações que beneficiaram a Igreja. Mas não terá lugar entre os grandes Papas… isso seria equiparar Pio ix, Pio x, só para citar dois exemplos a Bento XVI… E os papas citados foram muito, muito grandes…

  4. Gente, me encheram os olhos de lágrimas. Meu Deus, como esses homens serão envergonhados e confundidos no dia do juízo.

  5. É a Dialética também na Igreja. Entre tons claros e escuros, chega-se à síntese daquilo que não é mais com aquilo que nunca será. Eis o eterno Limbo da dissolução pretendida por algumas “forças”!

  6. Ainda sinto muita falta de Bento XVI, que procuro amenizar lendo e relendo as preciosidades que ele nos legou por escrito.

    ** Aproveito a oportunidade para fazer um pedido: o antigo blog “Voz da Igreja”, agora sob a direção do Revmo. Pe. Michelino Roberto, da Paróquia Nª Sª do Brasil, mudou para “O Fiel Católico”. Por gentileza, peço que atualizem o link: http://www.ofielcatolico.blogspot.com

    O Fratres in Unum, evidentemente, já figura em nossa lista de indicados. Agradeço antecipadamente pela atenção e carinho fraterno.

    Henrique Sebastião
    Apostolado Fiel Católico
    http://www.ofielcatolico.blogspot.com

  7. O escrito é tão edificante e nos deixa a proposta saudável da constante reflexão! Não gosto dos adjetivos grandiosos como: O melhor teólogo do mundo… O maior… De fato, ele é tremendo!!!!!!!!!!!!!!! E ainda que não fosse o melhor, os anseios de comparação não me apetecem. A pedagogia que muito me ajudou a discernir sobre questões internas, subjetivas… Foi a sua renúncia. Na dialética do despojamento e humildade. Inclusive diante de uma vocação específica que eu discernia…

  8. Comparando os comentários de outrora e da atualidade, acho engraçado que antes Bento XVI era muito criticado por seu “Modernismo”. Mas agora, nos comentários, ele é um bastião da autêntica fé católica.

  9. Tenho muita admiração por Bento XVI, porém já não mais vejo esperança na hermenêutica da continuidade. Ela somente é seguida por pessoas de boa vontade, enquanto que os filhos das trevas ficam livres para iludir e destruir os filhos de Deus, e isto é o que todos podem ver.

    Eu nunca dei muita importância ao Antigo Testamento, acho que por más influências que tive, e sei que no Antigo Testamento nada pode ser seguido igual hoje, porque a Lei mosaica era uma professora que preparava para a plenitude da Lei de Deus, portanto não pode ser seguida como naquele tempo, mas de um modo perfeito, como Cristo, cumprindo a Lei, mostrou, e é isto que a Igreja sempre fez, como Corpo de Cristo.

    Por isso agora penso que a história se repete, de um outro modo, próprio, mas se repete. Parece que os Santos Papas formaram um corpo, como de um Profeta, e este entrou em êxtase e está ouvindo Deus, e os papas que ficaram o substituindo formam um outro corpo. Pecadores terríveis e mentirosos exigiram um ídolo para o povo adorar, e o povo não aguentou a ausência do Profeta, e, fraco, o substituto fez o ídolo, se esqueceu do que Deus falava pelo Profeta, e o povo o adorou.

    Faço alusão ao desaparecimento de grandes Papas desde Pio XII, em que depois os papas perante exigências de grupos fizeram um concílio que atendia o que eles queriam e que rompia com o que Deus havia mostrado como certo, e o povo, inclinado para o mal e sem um Pastor santo, se esqueceu da verdade e adorou a mentira, como no tempo de Moisés, que enquanto estava falando com Deus no monte Sinai, Arão fez um bezerro de ouro para satisfazer as turbas dominantes.

    A solução teve que ser dura, porque o povo se prostituiu, Moisés teve que quebrar as Tábuas em que a Lei fora escrita pelo próprio Deus, porque o povo rompeu com ela. Moisés “pegando no bezerro que tinham feito, queimou-o e triturou-o até o reduzir a pó, que espalhou na água, e deu a beber dele aos filhos de Israel.”

    “Quem é pelo Senhor junte-se a mim”, disse Moisés. “E ajuntaram-se a ele todos os filhos de Levi. Ele disse-lhes: Eis o que diz o Senhor Deus de Israel: Cada um cinja a sua espada ao seu lado; passai e tornai a passar de porta em porta através dos acampamentos e cada qual mate o seu irmão, o seu amigo e o seu vizinho. Os filhos de Levi fizeram o que Moisés tinha ordenado, e cerca de três mil homens caíram naquele dia. Moisés disse-lhes: Consagrastes hoje as vossas mãos ao Senhor, cada um em seu filho e em seu irmão, para vos ser dada a bênção.” (Êxodo 32, 26-29) Aí Moisés agia com justiça, não com violência como os muçulmanos. Aquele povo foi tirado do Egito por Deus, devia sua liberdade a Deus; e traiu Deus, mesmo vendo todos os prodígios que Deus realizava? Moisés agiu com justiça, estava no direito, pois a Lei, então como mestra, havia sido anunciada e punia de morte os infiéis, o povo sabia e ainda sim se prostituiu com outros deuses, lucrando a morte.

    A solução é esta: matar os infiéis, isto é, hoje, expulsar todos os modernistas da Igreja, excomungá-los, para ninguém mais cair em pecado tão terrível como o que trocar Deus por falsos deuses. Nossa Senhora do Bom Sucesso disse que viria alguém restaurar a Igreja, e em Fátima que Seu Imaculado Coração irá triunfar.

    A prova que a hermenêutica da continuidade não funciona foi dada nos últimos meses e a opinião dos católicos sobre a Doutrina deixa patente. Os maus continuam livres para espalhar a adoração ao bezerro de ouro do Vaticano II, e o povo, sem Pastor que fale alto como Moisés ou como os Papas antes do concílio, cai em pecado, e fecha seu coração não mais aceitando Deus. Bento XVI foi como Arão.

    • Este comentário faz-me lembrar os fariseus do tempo de Cristo, apegados á letra da lei. Sinto muito, sei que estou a ser duro e talvez exagerado, mas nenhum Papa pós concílio, tem pregado nada de diferente da mensagem de Cristo nomeadamente Amor a Deus e Amor ao próximo. O problema está no mundo que escolhe o mal e recusa a mensagem de Jesus Cristo e a autoridade da Igreja. Esse é que é o mal, independente de regimes políticos, Papas e padres e opiniões pessoais.

    • Pedro Leitão, o concílio, na prática, só trouxe facilidades, uma salvação para todos, mesmo para os infiéis, é o que exigiam os modernistas parta seguir. Grupos pressionaram e o papa João XXIII preparou um concílio, e os papas depois dele fizeram o concílio, e condescenderam com os grupos modernistas, e o povo, sem orientação, adorou o novo concílio e esqueceu a Doutrina de sempre, a Missa, a disciplina. Os papas desde o concílio Vaticano II fazem como Arão, deixam o povo pecar e ainda permitiram que o povo pecasse, atendendo ao que os modernistas pediram; é o que os fatos dizem.

      Arão não devia ter feito o bezerro de ouro que pediram, mas fez, e o povo pecou porque ele permitiu. Moisés, quando voltou, foi quem corrigiu tudo. Os papas depois do concílio, depois do bezerro de ouro, fazem o mesmo que Arão, permitindo que o povo peque. Ou você viu algum papa corrigir todos os erros e proibi-los com toda a força depois do Vaticano II?

      O Beato Pio IX, o Papa Leão XIII, São Pio X e todos os Papas anteriores ao Vaticano II, falando por Cristo, condenaram do modo mais claro todo o tipo de modernismo, como Moisés, falando por Deus, condenou repetidas vezes a idolatria. E o que aconteceu? Os papas não tão santos como os seus antecessores fizeram o que o mundo pedia, o concílio Vaticano II, modernismo sutil, já denunciado por São Pio X; o que lembra Arão fazendo o bezerro de ouro que lhe pediam, uma idolatria com imagem de escultura e tudo, o que Moisés, no decálogo, falando o que Deus lhe tinha dito, condenou expressamente. E Pedro Leitão ainda vê semelhança?

    • Corrigindo: E Pedro Leitão ainda não vê semelhança?

    • Como dizem na gíria, Pedro Leitão gosta de “causar”.

  10. O que foi exatamente a “armadilha de Regensburg”? Deixar que o Santo Padre se portasse como tal e enfurecesse os filhos das trevas para posterior execração pela mídia politicamente correta?

  11. Parabenizamos o ilustre prof. Hermes por mais este artigo, que nos deu algumas pistas sobre os motivos que levaram Bento XVI a renunciar ao papado. Resta-nos apenas agarrar na última tábua de salvação da humanidade: a Misericórdia Divina (divulgada amplamente pela santa polonesa Faustina Kowalska).

    Aliás, para punir a humanidade e os membros da Igreja, Deus possui toda a ETERNIDADE (Inferno ou Purgatório). É por isso que a Santíssima Trindade suporta tantos delitos e pecados cometidos e não nos castiga imediatamente. Jamais vigorará a lei de Talião (olho por olho, dente por dente). Mais. Segundo os Salmos, “Deus não nos pune na mesma proporção de nossas faltas”. Mas ai daqueles que não reconhecem o tempo da Misericórdia, pois na sequência, virá o tema da Justiça divina.

    Segundo santo Tomás de Aquino e santo Agostinho, quanto ao sofrimento, “as penas do Purgatório são análogas às do Inferno”. A propósito, Madre Francisca do Santíssimo Sacramento, uma santa carmelita que teve em vida mais de 200 aparições de almas do Purgatório, nos revela que viu papas, cardeais, arcebispos, bispos e padres e uma multidão de religiosos que sofriam, no Purgatório, por negligências no serviço de Deus: um bispo, a título de exemplo, gemia dizendo:
    “Meu Deus! Antes eu nunca o tivesse sido… Que responsabilidade!”

    Os homens pensam que basta ser padre, bispo ou papa para ser um dignatário eclesiástico. Trata-se de um ledo engano, pois a vida religiosa requer um estado que exige uma grande pureza de vida. Penso que o purgatório das almas consagradas a Deus deva ser terrível, visto que tiveram mais facilidades e muitos meios para evitar ou abreviar o seu purgatório, mas não souberam aproveitar.

    Só o tempo, senhor da história, nos revelará os bastidores desse fato histórico e terrível que consistiu na renúncia de Bento XVI.

  12. O Pe. Ratzinger foi um dos chamados peritos que ajudou a fazer no que deu o CV II.

    E o Cardeal Ratzinger declarou: eu nunca mudei!!!!!

  13. Cristo reza e sua sangue no horto = Papa Bento XVI.

    Aguardem o beijo de Judas, os falsos amigos de Cristo, para a paixão da Igreja começar…

  14. Caro G. Moreno,
    Mas segundo o próprio papa Bento XVI, no seu último discurso de despedida (14/02/13), fez uma avaliação muito precisa do Concílio Vaticano II (1962 a 1965). Senão, vejamos:
    Há muita interpretação distorcida das reuniões da igreja na época, influenciada pela Mídia, que resultaram em muitas das “calamidades” que afligem a igreja católica nos dias atuais. Isso se seguiu a “muitas calamidades, tantos problemas, a vários tormentos. Seminários fecharam, conventos fecharam, a liturgia foi banalizada”.

    Moral da história: “pelos frutos, se conhece a árvore” (Jesus).

  15. É o tal princípio de que a cor cinza perto do negro é considerado branco… Mas o cinza perto do branco é considerado negro… O Cardeal Ratzinger perto de Bergoglio está sendo considerado branco… Mas o Cardeal Ratzinger perto de São Pio X é considerado negro. (digo “negro” num sentido doutrinário, no sentido metafórico, assim como as demais cores aqui mencionadas).

  16. Eu acho no mínimo interessante quando algumas pessoas bradam a acusação: “fulano participou do Concílio” como se apenas liberais, progressistas e traidores tivessem participado do mesmo!
    Participaram desse Concílio todos os Bispos da Igreja, inclusive os mais conservadores que formaram o Coetus Internationalis Patrum (Gruppo Internazionale di Padri [Conciliari]).
    O Coetus era um bloco que visava frear a locomotiva do bloco progressista. Os membros mais influentes desse grupo foram o Cardeal Alfredo Ottaviani e Antonio Bacci, Benedetto Aloisi Masella, Francis Spellman, Ernesto Ruffini, Michael Browne, Arcadio María Larraona, Fernando Quiroga y Palacios, José María Bueno y Monreal, Rufino Joao Santos, Arcebispo Marcel Lefebvre, Arcebispo de Madrid Casimiro Morcillo González, o Bispo de Campos Antônio de Castro Mayer, Arcebispo de Diamantina-MG Dom Geraldo de Proença Sigaud, o Bispo de Segni Luigi Maria Carli, o Arcebispo de Firenze Ermenegildo Florit e o Arcebispo de Colombo Thomas Benjamin Cooray.
    O Cardeal Siri apesar de não ter tomado parte oficialmente do grupo, endossava o mesmo posicionamento.
    Graças à ação do Coetus Internationalis Patrum muitos esquemas e documentos tiveram que ser revisados e até rejeitados pelo próprio Papa que buscava unanimidade. Eles conseguiram por exemplo, adiar por 5 vezes a votação do Documento sobre Liberdade Religiosa. Dom Lefebvre chegou a bater de frente com o próprio Bispo Achille Lienart que o havia ordenado, na hora de votar no Documento sobre a Colegialidade. Infelizmente, como estamos cansados de saber, os modernistas e sua locomotiva de destruição da Igreja triunfaram.
    Terminado o Concílio, os mesmos Bispos conservadores começaram a aplicar muitas das diretrizes do Concílio em suas Dioceses porque acreditavam que sua aplicação seria dirigida diretamente por Roma. Ou seja, já naquela época alguns deles acreditavam na “ermeneutica della continuità” segundo a qual o Concilio Vaticano II deveria ser interpretado à luz da Tradição e do Magistério precedente da Igreja.
    Quando viram a arapuca em que haviam se metido, reagiram.
    Em suma, muitos reagiram cedo e pagaram um preço alto por isso. Os que só agora perceberam a catástrofe e resolveram esboçar alguma reação, já estão pagando um preço alto pela descoberta.
    Se o Cardeal Ratzinger realmente não tivesse mudado de alguma forma, podem ter certeza de que ele não só não teria sido forçado a renunciar como seria defendido e amado pelos inimigos da Igreja.
    .

  17. Desculpe-me, Pedro. Mas nem perdi tempo em ler seu comentário. Pois, ao iniciá-lo, o senhor comete um grave erro de ignorância ou inveja. Ratzinger é, sem dúvidas, um dos maiores (senão o único) TEÓLOGO CATÓLICO APOSTÓLICO ROMANO da atualidade.

  18. Bento XVI foi o papa mais odiado dos últimos tempos. Isto nos leva a crer que é, também, o mais santo dos últimos tempos.

    Odiado não só pelos altos escalões da Igreja, mas também pelos padres de paróquia por esse mundo afora, preocupados só em celebrar missas a Mamon. Eu mesmo presenciei um deles dizer para um grupo de leigos, sobre Bento XVI: “Essa velha desgraçada (sic!!!), fica lá em Roma coberta de ouro e a gente aqui, contanto moedinhas!”

    Estou certo de que Nosso Senhor reserva um lugar gloriosíssimo para Bento XVI, no alto céu.

  19. Desculpe-me, Pedro. Mas nem perdi tempo em ler seu comentário. Pois, ao iniciá-lo, o senhor comete um grave erro de ignorância ou inveja. Ratzinger é, sem dúvidas, um dos maiores (senão o único) TEÓLOGO CATÓLICO APOSTÓLICO ROMANO da atualidade.

    O sr. não apenas afirma que Ratzinger é um grande teólogo como o eleva a patamares da inquestionabilidade, dizendo que quem ousa contestá-lo ou afirmar o contrário seja movido por ignorância ou inveja.

    O sr. afirma que Ratzinger seja o único grande teólogo da atualidade. Parece-me que o sr. se esqueceu de Brunero Gherardini, esse sim um dos últimos grandes teólogos da escola romana, que escreveu livros questionando passagens do CV II e mostrando suas dificuldades em compreender a hermenêutica da reforma na continuidade de Ratzinger. Gherardini fez isso apresentando PROVAS e ARGUMENTOS. Enquanto Ratzinger apenas apresenta a sua tese considerando-a como certa, mas sem demonstrar nenhum argumento em favor dela… ou como os textos que apresentam ruptura com o magistério anterior estariam em conformidade com a Tradição.

    Esse é o grande teólogo… Cadê as provas de sua tão grande certeza? Grandes teólogos são e foram Brunero Gherardini, Royo Marin, Feridnand Prat, José Maria Bover, Garrigou-lagrange, Alastruey, Juan Gonzalez Arintero, Isidro Gomá, dentre tantos outros que deram sua contribuição para teologia e para compreensão dos dogmas católicas no último século, como por ex. a mariologia, cristologia, soteriologia, eucaristia, etc…

    Aonde estão as grandes contribuições de Ratzinger? Por acaso já lestes a crítica que Patrick de la Rocque fez a encíclica Spe Salvi? Nem mesmo como Papa ele foi capaz de deixar uma grande encíclica como legado, como JP II com a veritatis splendor e a evangelium vitae. Nenhuma de suas encíclicas passam pelo crivo das mais severas análises, tornado-as grandes documentos do magistério, o que se esperaria se ele fosse um grande teólogo. Ao contrário, só serviu para trazer ainda mais confusão quanto a natureza do magistério eclesiástico, caso não desejemos cair no sedevacantismo…

    Quem conhece um pouco da história da teologia sabe que as críticas, muitas das vezes até ásperas, fazem parte da vida da Igreja. O desenvolvimento da teologia espiritual em relação a contemplação infusa no começo do século XX ocorreu não sem muitas polêmicas… Saudreau, Arintero, Lagrange de um lado… Poulain, Billot, De Guibert de outro… só para citar um exemplo… Parece-me que o primeiro grupo saiu triunfante…

    Parece-me que nem são Tomás de Aquino ficou livre das críticas e as recebe até hoje (principalmente por uma quadrilha de inovadores, o neo-modernismo, condenado por Pio XII em meados do s.ec xx). A grande questão é que sua teologia ultrapassa gerações e alcança a eternidade enquanto seus opositores vão caindo mortos pela história. Um sobrevive por sua doutrina celestial… outros são subjugados pela história, sendo postos em seus devidos lugares, embora enquanto vivos aparentam triunfar momentaneamente. Esse é o mistério da Igreja.

    Deixe de ser preconceituoso… Parece-me que o sr. só lê aquilo com o que concorda… Leia até o final e verá que Bento XVI, apesar de merecer críticas por algumas de suas ações como Assis, também foi dito que foi um Papa que fez um bem enorme para a Igreja…

    Foi Bento transformar-se em Ratzinger novamente para que seus livros ficassem encalhados nas livrarias. Bento Emprestou a Ratzinger o que ele nunca possuiu.

  20. Gostava do Papa Bento, mas agora tenho compaixão por ele também. Não olhem pros pecados de quem o maltratou, mas pra força e fé do homem.

    Um conselho espiritual, a quem couber: Ao invés de reclamar dos inimigos, devemos agradecer a Deus por ter tido um papa como o Papa Bento. Amem e confiem na justiça divina.

  21. Só um esclarecimento: dizer que Ratzinger não foi um grande teólogo não é o mesmo que dizer que ele foi um mau teólogo… essa deixo a nível pessoal… e pessoas mais competentes e capacitadas é que devem julgar… Mas não é difícil conhecer os verdadeiros grandes teólogos e ter um parâmetro…

  22. Pergunto-me se neste momento nosso olhar deve-se voltar para a Teologia… Será que estamos “limpos” o suficiente para análises tão determinantes? Se a Hermenêutica da Continuidade foi um erro, se esta proposta foi subvertida, adulterada ou simplesmente já nasceu como um equívoco fatal, não creio que neste momento tenhamos a capacidade para realizar tal julgamento, apesar de crer que nunca a Igreja deveria ter esquecido a direção de Nosso Senhor quanto ao “Sim, sim, não, não”.
    Porém, creio com todas as minhas forças que hoje nossos olhos devem-se voltar para a espiritualidade e para os sinais, eis aí a mais pura pedagogia e misericórdia de Nosso Pai – que sabe, como nosso Criador, o quanto estamos perdidos e sofrendo. Concluo, compartilhando com os amigos leitores, que o sofrimento do Papa Bento XVI é um sinal, uma luz fortíssima do Céu, sim. Se ele cometeu erros, grandes ou pequenos, não será agora que teremos a graça de compreender plenamente. Nos unamos em sofrimento ao Nosso Vigário de Cristo, que evidentemente foi levado a abdicar de seu pontificado. O momento é de exercício de humildade, morte de toda a vanglória, oração, súplica e penitência.
    Professor Hermes, estamos juntos! Parabéns pela coragem. Que Nossa Mãe, Santa Maria lhe cubra com as graças de Seu Imaculado Coração.

  23. Pedro Henrique, também não perdi tempo em ler seu comentário, pois desconhece completamente as obras, os discursos e as encíclicas do papa Bento XVI. Como diria meu avô: “a ignorância é abusada!”
    Leia, pelo menos, o discurso de Bento XVI no Parlamento Alemão (22/set/2011), que representa uma verdadeira Aula de Direito, minha formação universitária. E depois tente descobrir a crítica sobre a Maçonaria.
    Aliás, esse discurso histórico (boicotado pelo partido verde alemão…) deveria ser divulgado entre todos os cursos de Direito, bem como nos Parlamentos, nos Tribunais de Justiça etc.
    Basta acessar o link abaixo;
    http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/speeches/2011/september/documents/hf_ben-xvi_spe_20110922_reichstag-berlin_po.html

  24. Temos um caso notável de pessoas que não leem os comentários de outros leitores e ainda desejam debater. É até impossível refutar alguma coisa, já que não se encontra argumento algum. Por isso se torna irrelevante a afirmação de que eu desconheça completamente a obra de Ratzinger… isso baseado em que? Por acaso me conhece? Trata-se apenas de uma tentativa de desqualificar o oponente e fazer com que a própria tese prevaleça, apresentando no mínimo um simples discurso ao parlamento alemão, este apresentado como se fosse suficiente para vencer um debate. Não é…

    Não disse que Ratzinger é um mal teólogo. Isso é foro privado… seria irresponsabilidade minha fazer tal afirmação… Como é daqueles que dizem o contrário, já que assim sua teologia é colocada como modelo a ser seguida pelas futuras gerações de teólogos… Não… mil vezes não… Sigam Billot, Franzelin, Lagrange, Royo Marin… entre tantos outros que são inquestionavelmente grandes teólogos…

    E em relação a sua atuação como pontífice, por acaso sustentas que Bento XVI tenha tido um pontificado puro e isento de falhas? Ah, mas outros pontífices também tiveram… Uma coisa são falhas humanas, da fraqueza humana… outras são falhas de natureza teológica que se transformam em ações… Assis é o maior exemplo disso… Há um fundamento teológico para sustentar esses encontros inter-religiosos…

    Ah, mas ainda assim Bento XVI foi um grande Papa…

    Quando se perde a noção de que a máxima autoridade da verdadeira religião deve ter um comportamento íntegro e irrepreensível, cujas palavras não devem revelar o menor sinal de ambiguidade que levem as pessoas ao erro, é sinal de que talvez estejamos nos acostumando com a mediocridade.

    Parece que estamos diante de uma falsa dicotomia. Se um papa não é grande, então ele é pequeno ou insignificante… Bem, temos ilustrar tudo direitinho, porque muitos podem não entender… Não estou dizendo que Bento foi pequeno ou insignificante.

    Mas afirmo que algumas de suas ações impedem-me de considerá-lo um grande Papa, do porte de um são Pio X ou são Pio V.

    Grandes papas são papas irrepreensíveis no agir e no falar. São papas reformadores… são papas que defenderam a sã doutrina e combateram os erros de modo claro e inequívoco. Não vemos nada disso em Bento XVI. Ele terá seu lugar na história, talvez até de destaque… mas não por sua teologia, não por seu magistério, não por suas ações… mas sim pela sua renúncia, pelo SP, pelo levantamento das excomunhões dos bispos da sspx, pelas discussões teológicas com a sspx, pela participação no novo movimento litúrgico etc… todos esses fatos são relevantes…

    Histórico mesmo é a pascendi, é a rerum novarum, a mystici corporis e a humani generis, a mortalium animos… esses sim são documentos que em mil, dois mil, cinco mil anos ainda estarão sendo citados como uma barreira para impedir a heresia de se instalar no seio da Igreja… não um simples discurso ao parlamento europeu…

    A simples afirmação de que Bento XVI foi um grande Papa e um grande teólogo não tem força transformadora da realidade.

  25. Como gostei e gosto do Papa Bento XVI, mas não querendo ser leviano e duvidar do auxílio do Espírito Santo na escolha do sucessor de Pedro, mas se a Igreja fosse um instituição totalmente mundana o que não é. Eu diria que houve um acordo político na eleição de bento XVI/Francisco tipo esses acordos de partidos políticos de interior onde não há eleição e um candidato fica dois anos e o outro fica os outros dois, sinceramente eu ainda não entendi essa renuncia do querido Bento. Mas tenho certeza que estou errado sou um mero mortal que não entendi nada nessa guerra entre as trevas e a igreja de cristo, que Deus tenha pena de minha alma

  26. Talvez Leonardo Boff não concorde inteiramente com Gutierrez, talvez frei Beto não concorde inteiramente com Jon Sobrino, talvez os grandes expoentes da apostasia e da heresia não sejam tão concordes em tudo, mas eles não se acusam mutuamente, a não ser com respeito e reverência. Já entre os tradicionalistas…
    Olha só progressistas! venham aqui no Fratres ver como voces podem adquirir munição contra Bento XVI e seus apoiadores. Vejam só que lindo! voces nem precisam lutar contra os tradicionalistas, eles se degladiam e auto destroem sozinhos. Um deles tá na cruz, derramando as últimas gotas de sangue, e os outros que também lutam pelos mesmos princípios, estão, como o mau ladrão, desafiando e xingando sem nenhum temor.

  27. Pedro Henrique, vou mais além, Sua Santidade o papa Bento XVI é o maior teólogo vivo da atualidade. Sua teologia supera todos os santos e santas da Igreja. Ele consegue resolver questões aparentemente insolúveis, com argumentos da razão e da fé. Não preciso seguir “Billot, Franzelin, Lagrange, Royo Marin… entre tantos outros que são inquestionavelmente grandes teólogos”. Bento XVI me basta! É como comparar o Céu com o Purgatório. Aliás, tempo é questão de prioridade, não vou gastá-lo com obras medíocres, combinado?!?

    Repito, Pedro Henrique, “A IGNORÂNCIA É ATREVIDA!”.

    PS.: Vc descobriu a crítica que Bento VI que fez à Maçonaria (conhecida como o “Governo da Sombra” ou “Senhores do Mundo” ou “a Nobreza Negra”) no seu discurso ao Parlamento Alemão? Parece que não. Aliás, sugiro que leia esse discurso o mais rápido possível, bem como a seguinte obra:
    “Revolução dos Bichos”, de George Orwell.

    • Concordo totalmente! Um dos melhores comentários que li aqui até hoje, de um verdadeiro católico, e não daqueles que só falam mal dos Papas e do Concílio Vaticano II.

  28. Bem, caro Renato, sua última postagem é mais reveladora do que qualquer contestação que alguém possa expor. Cada um leia e chegue as próprias conclusões:

    “Sua teologia supera todos os santos e santas da Igreja”

    Mera afirmação… nem me preocuparei em rebatê-la, como outras coisas ditas como a resolução de questões aparentemente insolúveis…

    Se a ignorância é atrevida, a arrogância é cega.

    Vejam que qualquer contestação a Ratzinger é visto como fruto da ignorância. Ou seja, se conhecêssemos sua teologia, a única conclusão que seriamos obrigados a chegar é a de que se trata do maior teólogo vivo da atualidade, cuja teologia supera todos os santos e santas da Igreja.

    E quem ousa contestar ou pensar diferente ou é um ignorante atrevido ou o faz movido por inveja.

  29. o papa acendeu uma vela …..iniciou o movimento de reforma litúrgica… e ele sabe que a igreja vai colher os frutos da reforma no futuro ……..ele cumpriu seu papel ……e se retirou .

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