Novo abuso de poder: bispo de Fort Worth proíbe a Missa Tradicional.

Por Corrispondenza Romana | Tradução: Teresa Maria Freixinho – Fratres in Unum.com – Continua a repressão à Missa celebrada segundo a Forma Extraordinária. O site “Rorate Caeli”, sempre bem informado, relata o último episódio surpreendente e preocupante envolvendo Michael Olson, o jovem bispo, recém-nomeado, da diocese de “Fort Worth”, no Texas, que, de uma hora para outra e de forma arbitrária, proibiu a celebração da Missa segundo o antigo rito romano na capela da Faculdade Fisher-More, onde a celebração vinha sendo realizada há três anos com grande sucesso e participação dos alunos.

“Rorate Caeli” teve acesso à carta original, que pode ser vista aqui e que reproduzimos abaixo. Nela, o Bispo Olson formaliza, sem meias palavras, aquilo que já havia sido comunicado verbalmente ao reitor da instituição, Sr. Michael King, ou seja, sua decisão de proibir completamente e com efeito imediato, a celebração da Missa segundo a Forma Extraordinária, incluindo domingos e dias de semana, na capela do campus estudantil, enfatizando que a Missa tradicional já é celebrada aos domingos em outra paróquia da diocese. O texto conclui com a afirmação paradoxal de que essa decisão pastoral visa proteger os alunos do “Fisher More College”, bem como preservar a alma do Sr. King.

O site americano publica também um parecer canônico interessante e autorrevelador do “Centro de Direito Canônico”, que comprova, de maneira clara e irrepreensível, como, após a promulgação do motu proprio “Summorum Pontificum”, de Bento XVI, não compete mais a uma autoridade eclesiástica, ainda que se trate de um bispo, permitir ou proibir a celebração da Missa segundo o usus antiquior. Na realidade, os fiéis têm o direito, sancionado por lei eclesiástica, de poder assistir à missa e receber os sacramentos de acordo com o Vetus Ordo.

Portanto, a decisão do bispo Michael Olson é ilegítima, pois contraria a norma eclesiástica superior representada pelo motu proprio e, por isso, unimo-nos ao apelo do site “Rorate Caeli” de difundir e divulgar ao máximo possível a notícia desse novo abuso contra a Missa tradicional (Lupo Glori)

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A carta de Monsenhor Olson

DIOCESE DE FORT WORTH

GABINETE EPISCOPAL

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24 de fevereiro de 2014

Sr. Michael King

Fisher-More College

801 West Shaw Street

Fort Worth, Texas 76110

Prezado Sr. King,

Agradeço sua visita nesta data. Escrevo-lhe para afirmar formalmente o que lhe disse durante nosso encontro. Essas normas passam a vigorar imediatamente.

  1. O senhor não tem permissão para a celebração pública da Forma Extraordinária da Missa na Capela da Faculdade Fisher More. Isso inclui domingos e dias de semana. A celebração semanal da Forma Extraordinária é disponibilizada aos fiéis todos os domingos na Igreja Católica Santa Maria da Assunção, em Fort Worth.
  2. Vocês podem participar da Missa na Forma Ordinária celebrada por padres que explicitamente tenham faculdades para essa celebração, conforme garantido por mim na qualidade de bispo de Fort Worth.
  3. A falta de cumprimento das normas supracitadas resultará no cancelamento de minha permissão para a celebração da Eucaristia em sua capela, bem como o cancelamento da permissão para a guarda do Santíssimo Sacramento na Capela.

Promulgo essas normas por solicitude e zelo pastoral pelos alunos da Faculdade Fisher More, bem como pela sua própria alma. Exorto-vos a cumpri-las. Por favor, transmita aos seus alunos minha gratidão pelo presente do buquê espiritual. Por favor, diga-lhes que estão em minhas orações.

Atenciosamente, em Cristo,

+ Michael F Olson

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Comentário do Fratres: Talvez as fotos do Fisher More College que apresentamos abaixo expliquem por si o porquê da proibição episcopal.  Admiramos, no entanto, a franqueza de Dom Olson, que reafirmou por escrito o que dissera pessoalmente ao reitor e que alguns de seus pares no episcopado, até mesmo brasileiros, falam ao pé do ouvido de seus padres sem, contudo, terem a virilidade de assinar embaixo. Segundo o site Rorate Caeli, a Santa Missa na Forma Extraordinária até então era celebrada diariamente por capelães aprovados pelo bispo anterior. Esse golpe acontece depois que os alunos da faculdade levantaram a quantia de US$300.000,00 em cerca de uma semana para manter a faculdade aberta durante o semestre de verão.

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Carta do Centro de Direito Canônico: Canon Law Centre

Parecer Canônico

REf.: Carta do Reverendíssimo [Arcebispo] Michael Olson ao Sr. Michael King (Fisher-More College), datada de 24 de fevereiro de 2014

Após a promulgação do Summorum Pontificum, o bispo diocesano não tem mais a autoridade para permitir ou restringir a celebração da Missa de acordo com o usus antiquior, uma prerrogativa de que anteriormente desfrutava. Assim, nenhum bispo tem o poder de restringir arbitrariamente a celebração da Missa de acordo com o Rito Romano Tradicional. Enquanto o bispo diocesano tem “todo o poder ordinário, próprio e imediato, necessário para o exercício de sua função pastoral” (CIC/83, c. 381, §1), a sua autoridade não é absoluta.

Os fiéis tem o direito, embasado no direito eclesiástico, de acesso à Missa e aos sacramentos celebrados de acordo com o usus antiquior. A celebração da liturgia romana tradicional não é mais um privilégio estendido aos fiéis individualmente, mas sim um direito que pode ser propriamente reivindicado se as solicitações para essas celebrações não forem atendidas (cf. SP, art. 7). O Prof. Winfried Haunerland, Chefe do Departamento de Estudos Litúrgicos na Ludwig-Maximilians Universität, de Monique, argumenta que não há outro documento na história da Igreja, além do Summorum Pontificum, que tenha feito valer direitos em questões litúrgicas de maneira tão bem articulada para os fiéis. (cf. W. Haunerland, “Ein ritus in zwei ausdrucksformen? Hintergrunde und Perspektiven zur Liturgiefeier nach dem Motu proprio ‘summorum Pontificum’”, em Liturgisches Jarhbuch, 58 (2008) p. 185).

Há vários anos após a promulgação do Summorum, os mecanismos legais para a reivindicação de direitos relativos à implementação adequada do motu proprio tem deixado muito a desejar. Com a promulgação da Instrução Universae Ecclesiae, em 30 de abril de 2011, a lei universal do Summorum efetivamente ganhou eficácia: o processo de recurso hierárquico agora poderá ser utilizado pelos fiéis que acreditarem que seus direitos tenham sido violados por decisão de um Ordinário que lhes pareça ser contrária ao motu proprio (cf. EU, 10 § 1).

A recente carta de Dom Olson ao Fisher-More College certamente parece representar uma decisão desse tipo.  Na medida em que ela restringiu ilegalmente os direitos dos fiéis, o ato administrativo do bispo pode e deve ser questionado. O tempo está correndo: as partes agravadas no Fisher-More College têm 10 dias a partir da data de notificação judicial da decisão do bispo para ajuizar uma remonstratio, o pedido preliminar para a revogação ou reconsideração (cf. CIC/83, c. 1734), que inicia o processo de recurso hierárquico à Comissão Pontifícia Ecclesia Dei, de acordo com a norma legal (cf. CIC/83, cc. 1732-1739; EU, 10 § 1).

13 Comentários to “Novo abuso de poder: bispo de Fort Worth proíbe a Missa Tradicional.”

  1. Se o bispo decidisse por encerrar as atividades litúrgicas na Universidade, estaria correto, pois tem jurisdição para isso. O problema foi ter restringido apenas a Missa tradicional.

    O processo tem condições de ser aberto, a menos que se entenda não terem sido preenchidos todos os requisitos mínimos para a possibilidade de celebração conforme o missal de 62.

  2. Sem sensacionalismos: as coisas começam a se esclarecer. O próprio Fr. Z., nos updates ao final do post sobre o caso, vai acrescentando novos dados que deixam a questão “menos maniqueísta”:

    http://wdtprs.com/blog/2014/03/fr-zs-first-reaction-to-bp-olson-banning-extraordinary-form-at-fort-worths-fisher-more-college/

  3. Quase chorei vendo a foto dessas garotas vestidas dignamente para a santa missa e de véu… nesses dias de carnaval isso é um consolo sem tamanho.

  4. Que raiva que vem quando vejo CABEÇAS BAIXAS ante os milhares de assassinatos de cristãos por islâmicos e tanta ARROGÂNCIA em impor a todo custo a mediocridade à Sociedade…

  5. Deve estar tentando proteger as almas dos fiéis de entrarem no céu…

  6. Corrigir o erro, erradicar o mal… Será isso que o bispo entende estar fazendo ao proibir a celebração da missa tradicional? Só quero lembrar o que disse a Mãe da Igreja, em La Salette: Ai dos príncipes da Igreja que se tenham apenas dedicado a acumular riquezas e salvaguardar a sua autoridade, a dominar com orgulho.” Certamente, é por isso que, ultimamente, Nossa Senhora, em suas aparições em Medjugorje, sempre recomenda: “rezem pelos seus pastores”.

  7. Não entendo esta resistência a Missa que é afinal a missa católica. Às vezes parece roçar o ódio. No fundo vemos que a própria Igreja persegue a ela própria. Um suicídio que não se entende.

  8. Francamente, e com todo o respeito ao Sr. Arcebispo do Texas, mas nada justifica tal proibição. De quem ele quer defender as pobres almas dos fieis com tal resolução? Ao exemplo de milhares de santos que morreram, lutaram, participaram, comungaram e contemplaram o Cristo Sacramentado e também centenas de milagres na Missa de Sempre? Dos santos anjos que zelam pela santidade aparente eficazmente alimentada por este santo rito? Da fome do sagrado suprida com maestria nessa bi milenar celebração, os fortalecendo contra terríveis ataques a castidade e inflamações de orgulho proporcionados tantas vezes no Rito Novo, pernicioso e promovedor de falsas alegrias, dos quais cegam os leigos para real caráter da Missa, digo, o sacrifício do Nosso Senhor? Que Nossa Senhora e São Leonardo de Porto Mauricio abra os olhos desse arcebispo e lhes mostre contra o que ele deve realmente se levantar!

  9. O pior é que talvez não se possa mais pedir pedir ajuda à Comissão Ecclesia Dei, que faz parte da Congregação para a Doutrina da Fé, hoje sob a condução do Cardeal Müller.
    Se antes a Comissão pouco podia fazer, agora a coisa parece ter-se tornado mais difícil, e não vai parar por aí. Os ventos são contrários e, infelizmente, vão açoitar com mais força.
    A Missa Romana Tradicional não se espalhou pelo mundo porque os Bispos não quiseram. Se no pontificado de Bento XVI eles faziam de tudo para restringir a celebração nesse rito, que dirá agora, que vivemos “novos tempos”? Essa proibição audaciosa, expressa pelo Bispo de Fort Wort, será o prenúncio de outras no mesmo teor feitas por outros Bispos ao redor do mundo?
    Rezemos a São José, protetor da Santa Igreja, neste mês que lhe é dedicado. “Ite ad Joseph”.

  10. A “igreja” conciliar tem o mesmo ódio que a “igreja” luterana tem por tudo que é santo e católico!!
    A Santa Missa lembra a esses hereges que a Igreja de Cristo é a Santa Igreja Católica, portanto, proibindo a Santa Missa e promovendo a “missa” conciliar isso lembra ao hereges ecumenicos que a Igreja de Cristo SUBSIST na Igreja Católica.

    Maldito sois vós hereges modernistas!!!

  11. Eu li em sites neoconservadores que a proibição da Missa Tradicional se deve à aproximação da faculdade com a posição da FSSPX. Então, para evitar um “cisma”, o bispo optou pela proibição da Missa Tradicional que formou tantos santos, pois ela, de acordo com o bispo, é um “perigo para a alma de todos”.

    Se a Missa de Sempre é “perigosa e induz ao pecado do cisma”, como dizem os neoconservadores e os liberais, e por isso deve ser proibida, por que também não proíbem a missa nova, que, como os fatos dos últimos 50 anos mostram, aproxima os católicos do protestantismo e do total paganismo, a ponto de fazê-los mesmo discordar dos dogmas e descumprir preceitos da Igreja publicamente?

    Será que se aproximar da FSSPX, que sempre transmitiu o que a Igreja sempre ensinou, é pior que se aproximar do protestantismo, que nega os dogmas e os sacramentos, e do paganismo, que nega até a divindade de Cristo e o poder do único Deus? É claro que se trata de mais uma perseguição à Tradição Católica, pois se não fosse isto, o bispo também teria que proibir a celebração da missa nova por esta missa sem tudo o que é próprio da Igreja induzir a heresias e apostasia, o que o bispo não fez. Também quem defende o bispo, dizendo que ele agiu legitimamente, por que também não cobra desse bispo e dos outros punição para os que usam a missa nova para espalhar erros graves? A resposta é a mesma: você pode ser tudo, menos um católico. Pode ser um budista, um muçulmano, um adventista, um luterano, um assembleiano, um satanista, um hindu, menos um Católico que segue o que a Igreja de Cristo ensina, porque sendo um católico, você seria um leproso, um fundamentalista irracional, um fariseu nazista, um terrorista…

  12. Por que o bispo não utiliza dos seu poderes e prerrogativas para que os progressistas sigam o CVII e acabem com os abusos e desvios sejam da liturgia seja da doutrina católica.

  13. O bispo citado poderia ter evitado tamanho constrangimento e Apelação internacional pelo que fez. Acho que ele quer mídia. Poderia evitar tal processo junto a Santa Sé.