A polêmica intervenção de Kasper no Consistório. Roberto de Mattei responde. Aumenta a divisão no Colégio Cardinalício.

Kasper muda o paradigma. Bergoglio aplaude

IHU – O texto da conferência-bomba que abriu o Consistório sobre a família já não é um segredo. Indica dois caminhos para readmitir à comunhão os divorciados recasados, seguindo o exemplo da Igreja antiga.

Fonte: http://bit.ly/1eIQkCu

A reportagem é de Sandro Magister e publicada no sítioChiesa, 01-03-2014. A tradução é de André Langer.

A conferência introdutória do cardeal Walter Kasper no Consistório da semana passada já não está fechada a sete chaves. Tornou-a pública, com um furo jornalístico magistral, o jornal italiano Il Foglio, dirigido por Giuliano Ferrara, que se antecipou em muito à saída da mesma conferência em forma de livro, pela editora Queriniana.

Mas, que esta conferência tivesse que ser mantida em segredo é um contrassenso, depois das palavras com que oPapa Francisco a elogiou, no dia 21 de fevereiro, ao final dos dois dias do Consistório dedicados à questão da família.

“Ontem, antes de dormir, mas para não dormir, li – reli – o trabalho do cardeal Kasper e queria agradecer-lhe porque li uma teologia profunda, também um pensamento sereno na teologia. É agradável ler uma teologia serena. E também encontrei isso que Santo Inácio nos dizia, esse ‘sensus Ecclesiae’, o amor pela Mãe Igreja. Fez-me bem e me deu uma ideia – desculpe-me, eminência, se o faço corar –, mas a ideia é que isto se chama ‘fazer teologia de joelhos’. Obrigado. Obrigado.”

Em sua conferência, Kasper disse que queria “colocar apenas algumas perguntas” porque “uma resposta será tarefa do Sínodo em sintonia com o Papa”. Mas lendo o que disse aos cardeais, as suas são muito mais do que perguntas, são propostas de solução já solidamente assentadas, às quais o Papa Francisco parece que quer aderir.

E são propostas fortes, uma verdadeira “mudança de paradigma”. Em particular, sobre o que Kasper considera o problema dos problemas, a comunhão aos divorciados recasados, ao qual dedica mais da metade das duas horas de seu discurso.

Como Chiesa.it havia antecipado em dois artigos, a pedra de toque das propostas de Kasper foi a Igreja dos primeiros séculos, também ela “confrontada com conceitos e modelos de matrimônio e de família muito diferentes daqueles que Jesus pregou”.

Diante do desafio do presente, Kasper declarou que “nossa postura hoje não pode ser uma adaptação liberal ao ‘status quo’, mas uma posição radical que vai à raiz, que vai ao Evangelho”.

Para comprovar se isto é verdade ou não – para muitos cardeais que intervieram no debate não é –, seguem as passagens cruciais da conferência.

O problema dos divorciados recasados, de Walter Kasper

[…] Não basta considerar o problema apenas do ponto de vista e da perspectiva da Igreja como instituição sacramental. Precisamos de uma mudança de paradigma e devemos – como fez o bom samaritano – considerar a situação também a partir da perspectiva de quem sofre e pede ajuda.

Todos sabemos que a questão dos casamentos de pessoas divorciadas e recasadas é um problema complexo e espinhoso. […] O que a Igreja pode fazer nestas situações? Não pode propor uma solução diferente ou contrária às palavras de Jesus. A indissolubilidade de um matrimônio sacramental e a impossibilidade de um novo matrimônio durante a vida do outro cônjuge fazem parte da tradição da fé vinculante da Igreja, que não pode ser abandonada ou dissolvida baseando-se em uma compreensão superficial da misericórdia a preço baixo. […] A pergunta é, portanto, como pode a Igreja corresponder a este binômio indissolúvel de fidelidade e misericórdia de Deus em sua ação pastoral em relação aos divorciados recasados no civil. […]

Hoje, encontramo-nos diante de uma situação similar à do último Concílio. Também naquela época existiam, sobre a questão do ecumenismo ou da liberdade religiosa, por exemplo, encíclicas e decisões do Santo Ofício que pareciam excluir outros caminhos. O Concílio, sem violar a tradição dogmática vinculante, abriu as portas. Podemos nos perguntar: não é talvez possível um desenvolvimento posterior também na presente questão? […]

Limito-me a duas situações, para as quais em alguns documentos oficiais já se mencionam algumas soluções. Desejo colocar apenas algumas perguntas, limitando-me a indicar a direção das respostas possíveis. Porém, dar uma resposta será tarefa do Sínodo em sintonia com o Papa.

Primeira situação

Familiaris Consortio afirma que alguns divorciados recasados estão convencidos subjetivamente, em consciência, que seu precedente casamento, irremediavelmente desfeito, nunca foi válido. […] Segundo o Direito Canônico, a avaliação é tarefa dos Tribunais Eclesiásticos. Ao não serem estes “iure divino”, mas que se desenvolveram historicamente, às vezes, nos perguntamos se a via judicial deve ser a única via para resolver o problema ou se não seriam possíveis outros procedimentos mais pastorais ou espirituais.

Como alternativa, se poderia pensar que o bispo possa confiar esta tarefa a um sacerdote com experiência espiritual e pastoral, como o penitenciário ou o vigário episcopal.

Independentemente da resposta que é preciso dar a esta pergunta, recordemos o discurso do Papa Francisco aos oficiais do Tribunal da Rota Romana de 24 de janeiro de 2014, no qual afirma que a dimensão jurídica e a dimensão pastoral não estão em contraposição. […] A pastoral e a misericórdia não se contrapõem à justiça, mas, por assim dizer, são a justiça suprema, porque por trás de cada causa eles não vislumbram apenas um caso que é preciso examinar na ótica de uma regra geral, mas uma pessoa humana que, como tal, não representa apenas um caso e que tem sempre uma dignidade única. […] Realmente, é possível decidir sobre o bem ou o mal das pessoas em segunda e terceira instância apenas sobre a base de atos, ou seja, de documentos, sem conhecer nunca a pessoa e sua situação?

Segunda situação

Será equivocado buscar a solução do problema apenas em uma generosa ampliação do procedimento de nulidade do matrimônio. Assim se criaria a perigosa impressão de que a Igreja procede de maneira desonesta concedendo o que na realidade são divórcios. […] Portanto, devemos levar em consideração também a questão mais difícil da situação do matrimônio ratificado e consumado entre batizados onde a comunhão matrimonial se desfez irremediavelmente e onde um ou ambos os cônjuges contraíram um segundo casamento civil.

Em 1994, a Congregação para a Doutrina da Fé nos fez uma advertência quando estabeleceu – e o Papa Bento XVIo confirmou durante o Encontro Internacional das Famílias, em Milão, em 2012 – que os divorciados recasados não podem receber a comunhão sacramental, mas podem receber a espiritual. […]

Muitos estarão agradecidos por esta resposta, que é uma verdadeira abertura. Mas também coloca várias perguntas. Efetivamente, quem recebe a comunhão espiritual é uma só coisa com Jesus Cristo. […] Por que, então, não pode receber também a comunhão sacramental? […] Alguns defendem que precisamente a não participação na comunhão é um sinal da sacralidade do sacramento. A pergunta que se coloca é: não é, talvez, uma instrumentalização da pessoa que sofre e pede a ajuda se fazemos dela um sinal e uma advertência para os outros? Deixamos que morra sacramentalmente de fome para que outros vivam?

A Igreja das origens nos dá uma indicação que pode servir como caminho de solução do dilema, à qual o professorJoseph Ratzinger havia já feito menção em 1972. […] Nas Igrejas locais individuais existia o direito consuetudinário em base ao qual os cristãos que viviam um segundo vínculo, embora estivesse vivo o primeiro cônjuge, depois de um tempo de penitência tinham à disposição […] não um segundo matrimônio, mas através da participação na comunhão, uma tábua de salvação. […] A pergunta é: esta via além do rigorismo e do laxismo, a via da conversão, é também o caminho que podemos percorrer na presente questão?

A um divorciado recasado:

1. se se arrepende de seu fracasso no primeiro matrimônio,

2. se esclareceu as obrigações do primeiro matrimônio e se excluiu de maneira definitiva voltar atrás,

3. se não pode abandonar sem outras culpas os compromissos assumidos com o novo casamento civil,

4. se se esforça para viver ao máximo de suas possibilidades o segundo matrimônio a partir da fé e educar seus filhos na fé,

5. se deseja os sacramentos como fonte de força em sua situação, devemos ou podemos negar-lhe, depois de um tempo de nova orientação, de “metanoia”, o sacramento da penitência e depois o da comunhão?

Esta possível via não seria uma solução geral. Não é o caminho largo da grande massa, mas o estreito da parte provavelmente menor dos divorciados recasados, sinceramente interessada nos sacramentos. Não é necessário talvez evitar o pior precisamente aqui? Efetivamente, quando os filhos dos divorciados recasados não veem seus pais aproximarem-se dos sacramentos, normalmente também eles não encontram o caminho para a confissão e a comunhão. Não teremos em conta que perderemos também a próxima geração e, talvez, também a seguinte? A nossa práxis consumada, não demonstra ser contraproducente? […]

A prática da Igreja das origens

Segundo o Novo Testamento, o adultério e a fornicação são comportamentos em fundamental contraste com o ser cristão. Do mesmo modo, na Igreja antiga, junto com a apostasia e o homicídio, entre os pecados capitais que excluíam da Igreja, estava também o adultério. […] Sobre as correspondentes questões exegéticas e históricas existe uma ampla literatura, entre a qual é quase impossível orientar-se, e interpretações diferentes. Podem-se citar, por exemplo, por um lado, G. Cereti, Divorzio, nuove nozze e penitenza nella Chiesa primitiva, Boloña 1977, 2013, e, por outro lado, H. CrouzelL’Eglise primitive face au divorce, Paris 1971, e J. Ratzinger, […] 1972, [reproduzido] no L’Osservatore Romano 30 de novembro de 2011.

Não pode haver, contudo, dúvida alguma sobre o fato de que na Igreja das origens, em muitas Igrejas locais, por direito consuetudinário havia, depois de um tempo de arrependimento, a prática da tolerância pastoral, da clemência e da indulgência.

No contexto desta prática entende-se também, talvez, o cânon 8 do Concílio de Niceia (325), dirigido contra o rigorismo de Novaciano. Este direito consuetudinário está expressamente testemunhado por Orígenes, que o considera não irrazoável. Também Basílio o GrandeGregório Nazianzeno e alguns outros fazem referência a ele. Explicam o “não irrazoável” com a intenção pastoral de “evitar o pior”. Na Igreja latina, por meio da autoridade deAgostinho, esta prática foi abandonada em favor de uma prática mais rigorosa. Também Agostinho, no entanto, em uma passagem fala de pecado venial. Não parece, portanto, ter excluído toda solução pastoral.

Seguidamente, a Igreja do Ocidente, nas situações difíceis, para as decisões dos sínodos e similares sempre buscou, e também encontrou, soluções concretas. O Concílio de Trento […] condenou a posição de Lutero, mas não a prática da Igreja do Oriente. […]

As Igrejas ortodoxas conservaram, conforme o ponto de vista pastoral da tradição da Igreja das origens, o princípio para eles válido da oikonomia. A partir do século VI, no entanto, fazendo referência ao direito imperial bizantino, foram além da posição da tolerância pastoral, da clemência e da indulgência, reconhecendo, junto com as cláusulas do adultério, também outros motivos de divórcio, que partem da morte moral e não apenas física do vínculo matrimonial.

A Igreja do Ocidente seguiu outro percurso. Exclui a dissolução do matrimônio sacramental ratificado e consumado entre os batizados; conhece, contudo, o divórcio para o matrimônio não consumado, assim como, pelo privilégio paulino e petrino, para os matrimônios não sacramentais. Junto com este estão as declarações de nulidade por vício de forma; a este propósito poderíamos nos perguntar, no entanto, se não se situam em primeiro plano, de maneira unilateral, pontos de vista jurídicos historicamente muito tardios.

J. Ratzinger sugeriu retomar de maneira nova a posição de Basílio. Pareceria ser uma solução apropriada, solução que está na base das minhas reflexões. Não podemos fazer referência a uma ou outra interpretação histórica, que segue sendo controvertida, e nem sequer repetir simplesmente as soluções das Igrejas das origens em nossa situação, que é completamente diferente. Na mudada situação atual podemos, não obstante, retomar os conceitos de base e tentar realizá-los no presente, na forma que é justa e adequada à luz do Evangelho.

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O que Deus uniu. O comentário de Roberto de Mattei ao discurso do cardeal Kasper

IHU Kasper não pode cancelar história e doutrina com “uma clamorosa revolução cultural e de práxis”, como fez em seudiscurso ao recente consistório. Como disse Pio XII, “O matrimônio entre batizados validamente contraído e consumado não pode ser dissolvido por nenhum poder sobre a terra, nem mesmo pela Suprema Autoridade eclesiástica”. Ou seja, nem mesmo pelo papa e muito menos pelo cardeal Kasper.

A opinião é do historiador italiano Roberto de Mattei, professor da Universidade Europeia de Roma e presidente daFundação Lepanto. O artigo foi publicado no jornal Il Foglio, 01-03-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eis o texto.

“A doutrina não muda, a novidade diz respeito apenas à práxis pastoral”. O slogan, já repetido há um ano, de um lado, tranquiliza aqueles conservadores que medem tudo em termos de enunciações doutrinais; de outro, encoraja aqueles progressistas que atribuem à doutrina pouco valor e confiam tudo ao primado da práxis. Um clamoroso exemplo de revolução cultural proposta em nome da práxis nos é oferecido pela palestra dedicada a “O Evangelho da família”, com a qual o cardeal Walter Kasper abriu, no dia 20 de fevereiro, os trabalhos do Consistório extraordinário sobre a família. O texto, definido pelo padre Federico Lombardi como “em grande sintonia” com o pensamento do Papa Francisco, merece, também por isso, ser avaliado em todo o seu porte.

O ponto de partida do cardeal Kasper é a constatação de que “entre a doutrina da Igreja sobre o matrimônio e sobre a família e as convicções vividas por muitos cristãos criou-se um abismo”. O cardeal, porém, evita formular um juízo negativo sobre essas “convicções”, antitéticas à fé cristã, evitando a pergunta de fundo: por que existe esse abismo entre a doutrina da Igreja e a filosofia de vida dos cristãos contemporâneos? Qual é a natureza, quais são as causas do processo de dissolução da família? Em parte alguma da sua palestra diz-se que a crise da família é a consequência de um ataque programado contra a família, fruto de uma concepção do mundo laicista que a ela se opõe. E isso apesar do recente documento sobre os Padrões para a Educação Sexual da Organização Mundial da Saúde (OMS), da aprovação do “relatório Lunacek” por parte do Parlamento europeu, da legalização dos casamentos homossexuais e do crime de homofobia por parte de tantos governos ocidentais. Mas nos perguntamos ainda: é possível em 2014 dedicar 25 páginas ao tema da família, ignorando a agressão objetiva que a família, não apenas cristã, mas também natural, sofre em todo o mundo? Quais podem ser as razões desse silêncio, senão uma subordinação psicológica e cultural àqueles poderes mundanos que são os promotores do ataque contra a família?

Na parte fundamental da sua palestra, dedicada ao problema dos divorciados em segunda união, o cardeal Kasper não exprime uma única palavra de condenação sobre o divórcio e sobre as suas desastrosas consequências sobre a sociedade ocidental. Mas não chegou o momento de dizer que grande parte da crise da família remonta justamente à introdução do divórcio e que os fatos demonstram como a Igreja tinha razão de combatê-lo? Quem deveria dizer isso senão um cardeal da Santa Igreja Romana? Mas ao cardeal parece interessar apenas a “mudança de paradigma” que a situação dos divorciados em segunda união exige hoje.

Quase prevenindo as imediatas objeções, o cardeal logo coloca às mãos à frente: a Igreja “não pode propor uma solução diferente ou contrária às palavras de Jesus“. A indissolubilidade de um matrimônio sacramental e a impossibilidade de um novo matrimônio durante a vida do outro parceiro “faz parte da tradição de fé vinculante da Igreja, que não pode ser abandonada ou dissolvida, remetendo-se a uma compreensão superficial da misericórdia a baixo preço”. Mas, imediatamente depois de ter proclamado a necessidade de permanecer fiéis à Tradição, o cardeal Kasper avança duas devastadoras propostas para contornar o perene magistério da Igreja em matéria de família e de matrimônio.

O método a ser adotado, segundo Kasper, é o seguido pelo Concílio Vaticano II sobre a questão do ecumenismo ou da liberdade religiosa: mudar a doutrina, sem mostrar que se está modificando-a. “O Concílio – afirma –, sem violar a tradição dogmática vinculante, abriu portas”. Abriu portas a quê? À violação sistemática, no plano da práxis, daquela tradição dogmática da qual, com palavras, se afirma a irrefutabilidade.

O primeiro caminho para esvaziar a Tradição ganha impulso a partir da exortação apostólica Familiaris consortio, de João Paulo II, onde se diz que alguns divorciados em segunda união “estão subjetivamente certos em consciência de que o precedente matrimônio irreparavelmente destruído nunca tinha sido válido” (n. 84). A Familiaris consortioespecifica, porém, que a decisão da validade do matrimônio não pode ser deixada à avaliação subjetiva da pessoa, mas sim aos tribunais eclesiásticos, instituídos pela Igreja para defender o sacramento do matrimônio.

Justamente referindo-se a esses tribunais, o cardeal afunda o golpe: “Como eles não são iure divino, mas se desenvolveram historicamente, perguntamo-nos, às vezes, se a via judiciária deve ser a única via para resolver o problema ou se não seriam possíveis outros procedimentos mais pastorais e espirituais. Como alternativa, se poderia pensar que o bispo possa confiar essa tarefa a um sacerdote com experiência espiritual e pastoral como penitenciário ou vigário episcopal”.

A proposta é explosiva. Os tribunais eclesiásticos são os órgãos aos quais normalmente é confiado o exercício do poder judiciário da Igreja. Os três tribunais são a Penitenciaria Apostólica, que julga os casos de foro interno, a Rota Romana, que recebe em apelo as sentenças de qualquer outro tribunal eclesiástico, e a Signatura Apostólica, que é o supremo órgão judiciário, com alguma analogia com à Corte de Cassação [Supremo Tribunal] com relação aos tribunais italianos.

Bento XVI [nota do Fratres – na realidade, foi Bento XIV], com a sua célebre constituição Dei Miseratione, introduziu no julgamento matrimonial o princípio da dupla decisão judiciária conforme. Essa práxis protege a busca da verdade, garante um resultado processual justo e demonstra a importância que a Igreja atribui ao sacramento do matrimônio e à sua indissolubilidade. A proposta deKasper põe em causa o julgamento objetivo do tribunal eclesiástico, que deveria ser substituído por um simples sacerdote, chamado não mais a salvaguardar o bem do matrimônio, mas sim a satisfazer as exigências da consciência dos indivíduos.

Remetendo-se ao discurso do dia 24 de janeiro de 2014 aos oficiais do Tribunal da Rota Romana, no qual o Papa Francisco afirma que a atividade judiciária eclesial tem uma conotação profundamente pastoral, Kasper absorve a dimensão judiciária na pastoral, afirmando a necessidade de uma nova “hermenêutica jurídica e pastoral”, que veja, por trás de cada causa, a “pessoa humana”. “Realmente é possível – pergunta-se – que se decida pelo bem e pelo mal das pessoas em segunda e terceira instância somente com base em atos, isto é, em papéis, mas sem conhecer a pessoa e a sua situação?”. Essas palavras são ofensivas com relação aos tribunais eclesiásticos e à própria Igreja, cujos atos de governo e de magistério são fundamentados em papéis, declarações, atos jurídicos e doutrinais, todos finalizados à“salus animarum”. Pode-se facilmente imaginar como as nulidades matrimoniais transbordariam, introduzindo o divórcio católico de fato, senão de direito, com um dano devastador justamente ao bem das pessoas humanas.

O cardeal Kasper parece consciente disso, porque acrescenta: “Seria errado buscar a solução do problema só em uma generosa ampliação do procedimento de nulidade do matrimônio”. É preciso “levar em consideração também a questão mais difícil da situação do matrimônio ratificado e consumado entre batizados, em que a comunhão de vida matrimonial se despedaçou irremediavelmente e um ou ambos os cônjuges contraíram um segundo casamento civil”. Kasper cita nesse ponto uma declaração para a Doutrina da Fé de 1994, segundo a qual os divorciados em segunda união não podem receber a comunhão sacramental, mas podem receber a espiritual. Trata-se de uma declaração alinhada com a Tradição da Igreja. Mas o cardeal dá um salto, fazendo esta pergunta: “quem recebe a comunhão espiritual é uma coisa só com Jesus Cristo; como pode, portanto, estar em contradição com o mandamento de Cristo? Por que, portanto, não pode receber também a comunhão sacramental? Se excluímos dos sacramentos os cristãos divorciados em segunda união (…) talvez não colocamos em discussão a estrutura fundamental sacramental da Igreja?”.

Na realidade, não há nenhuma contradição na práxis plurissecular da Igreja. Os divorciados em segunda união não são dispensados dos seus deveres religiosos. Como cristãos batizados, devem sempre observar os mandamentos de Deus e da Igreja. Portanto, eles não têm só o direito, mas também o dever de ir à missa, de observar os preceitos da Igreja e de educar cristãmente os filhos. Não podem receber a comunhão sacramental porque se encontram em pecado mortal, mas podem fazer a comunhão espiritual porque mesmo quem se encontra em condição de pecado grave deve rezar para obter a graça de sair do pecado. Mas a palavra pecado não entra no vocabulário do cardeal Kasper e nunca aflora na sua palestra no Consistório. Como se admirar se, como o próprio Papa Francisco declarou no último dia 31 de janeiro, hoje “se perdeu o sentido do pecado”?

A Igreja dos primórdios, segundo o cardeal Kasper, “indicação que pode servir como via de saída” daquilo que ele define como “dilema”. O cardeal afirma que, nos primeiros séculos, existia a práxis pela qual alguns cristãos, mesmo com o primeiro parceiro ainda vivo, depois de um tempo de penitência, viviam um segundo laço. “Orígenes – afirma – fala desse costume definindo-o como ‘não irrazoável’. Basílio, o Grande, e Gregório Nazianzeno – dois padres da Igreja ainda indivisa! – também fazem referência a tal prática. O próprio Agostinho, caso contrário bastante severo sobre a questão, ao menos em um ponto, parece não ter excluído toda solução pastoral. Esses Padres queriam, por razões pastorais, a fim de ‘evitar o pior’, tolerar o que, por si só, é impossível aceitar.”

É uma pena que o cardeal não dê as suas referências patrísticas, porque a realidade histórica é bem diferente de como ele descreve. O padre George H. Joyce, no seu estudo histórico-doutrinal sobre o matrimônio cristão (1948), demonstrou que, durante os primeiros séculos da era cristã, não se pode encontrar nenhum decreto de um concílio, nem alguma declaração de um Padre da Igreja que defenda a possibilidade de dissolução do vínculo matrimonial. No segundo século, quando JustinoAtenágorasTeófilo de Antioquia acenam à proibição evangélica do divórcio, eles não dão nenhuma indicação de exceção. Clemente de Alexandria e Tertuliano são ainda mais explícitos. E Orígenes, embora buscando alguma justificação para a práxis adotada por alguns bispos, especifica que ela contradiz a Escritura e a Tradição da Igreja (Comment. In Matt,, XIV, c. 23, in Patrologia Greca, vol. 13, col. 1.245). Dois dos primeiros concílios da Igreja, o de Elvira (306) e o de Arles (314) reiteram isso claramente. Em todas as partes do mundo, a Igreja considerava a dissolução do vínculo como impossível, e o divórcio com direito a segundas núpcias era totalmente desconhecido.

Aquele que, entre os Padres, tratou a questão da indissolubilidade mais amplamente foi Santo Agostinho, em muitas de suas obras, da De diversis Quaestionibus (390) a De Coniugijs adulterinis (419). Ele refuta quem se lamentava da severidade da Igreja em matéria matrimonial e é sempre indestrutivelmente firme sobre a indissolubilidade do matrimônio, demonstrando que ele, uma vez contraído, não pode ser rompido por nenhuma razão ou circunstância. É a ele que se deve a célebre distinção entre os três bens do matrimônio: prolesfides e sacramentum.

Igualmente falsa é a tese de uma dupla posição, latina e oriental, diante do divórcio nos primeiros séculos da Igreja. Foi apenas depois de Justiniano que a Igreja do Oriente começou a ceder ao cesaropapismo, adequando-se às leis bizantinas que toleravam o divórcio, enquanto a Igreja de Roma afirmava a verdade e a independência da sua doutrina diante do poder civil. No que se refere a São Basílio, convidamos o cardeal Kasper a ler as suas cartas e a encontrar nelas uma passagem que autorize explicitamente o segundo matrimônio. O seu pensamento está resumido pelo que ele escreve na Ethica: “Não é lícito a um homem devolver a sua mulher e desposar outra. Também não é permitido que um homem se case com uma mulher que tenha sido divorciada pelo seu marido” (Etica, Regula 73, c. 2, in Patrologia Greca, vol. 31, col. 852). O mesmo pode ser dito sobre o outro autor citado pelo cardeal, São Gregório Nazianzeno, que, com clareza, escreve: “O divórcio é absolutamente contrário às nossas leis, embora as leis dos romano julguem de modo diverso” (Epistola 144, in Patrologia Greca, vol. 37, col. 248).

A “prática penitencial canônica” que o cardeal Kasper propõe como via de saída do “dilema” tinha, nos primeiros séculos, um significado exatamente oposto ao que ele parece querer atribuir. Ela não era realizada para expiar o primeiro matrimônio, mas sim para reparar o pecado do segundo e exigia obviamente o arrependimento desse pecado. O 11º Concílio de Cartago (407), por exemplo, emitiu um cânone concebido desta forma: “Decretamos que, segundo a disciplina evangélica e apostólica, a lei não permite nem que um homem divorciado da mulher, nem que uma mulher repudiada pelo marido, passem a outras núpcias; mas que tais pessoas devem permanecer sozinhas, ou se reconciliem mutuamente; e que, se violarem essa lei, devem fazer penitência” (Hefele-Leclercq, “Histoire des Conciles”, vol. II [I], p. 158).

A posição do cardeal se torna aqui paradoxal. Ao invés de se arrepender da situação de pecado em que se encontra, o cristão recasado deveria se arrepender do primeiro matrimônio, ou no mínimo do seu fracasso, do qual ele é totalmente inculpável. Além disso, uma vez admitida a legitimidade das convivências pós-matrimoniais, não se vê por que não deveriam ser permitidas as convivências pré-matrimoniais, se estáveis e sinceras. Caem os “absolutos morais” que a encíclica de João Paulo II Veritatis splendor havia reiterado com tanta força.

Mas o cardeal Kasper continua tranquilo no seu raciocínio. “Um divorciado em segunda união: 1) se se arrepende do seu fracasso no primeiro matrimônio; 2) se esclareceu as obrigações do primeiro matrimônio, se definitivamente excluiu que volte atrás; 3) se não pode abandonar sem outras culpas os compromissos assumidos com o novo matrimônio civil;4) se, porém, se esforça para viver no melhor das suas possibilidades o segundo matrimônio a partir da fé e para educar os próprios filhos na fé; 5) se tem o desejo dos sacramentos como fonte de força na sua situação, devemos ou podemos negar-lhe, depois de um tempo de nova orientação (metanoia), o sacramento da penitência e depois da comunhão?”.

A essas perguntas, o cardeal Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, já respondeu (La forza della graziaL’Osservatore Romano, 23 de outubro de 2013), referindo-se à Familiaris consortio, que, no número 84, fornece precisas indicações de caráter pastoral coerentes com o ensinamento dogmático da Igreja sobre o matrimônio: “Juntamente com o Sínodo, exorto vivamente os pastores e a inteira comunidade dos fiéis a ajudar os divorciados, promovendo com caridade solícita que eles não se considerem separados da Igreja, podendo e, melhor, devendo, enquanto batizados, participar na sua vida. Sejam exortados a ouvir a Palavra de Deus, a frequentar o Sacrifício da Missa, a perseverar na oração, a incrementar as obras de caridade e as iniciativas da comunidade em favor da justiça, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitência para assim implorarem, dia a dia, a graça de Deus. Reze por eles a Igreja, encoraje-os, mostre-se mãe misericordiosa e sustente-os na fé e na esperança. A Igreja, contudo, reafirma a sua práxis, fundada na Sagrada Escritura, de não admitir à comunhão eucarística os divorciados que contraíram nova união. Não podem ser admitidos, a partir do momento em que o seu estado e condições de vida contradizem objetivamente aquela união de amor entre Cristo e a Igreja, significada e atuada na Eucaristia”.

A posição da Igreja é inequívoca. A comunhão aos divorciados em segunda união é negada porque o matrimônio é indissolúvel, e nenhuma das razões adotadas pelo cardeal Kasper permite a celebração de um novo matrimônio ou a bênção de uma união pseudomatrimonial. A Igreja não o permite desde Henrique VIII, perdendo o Reino da Inglaterra, e nunca o permitirá, porque, como lembrou Pio XII aos párocos da Roma no dia 16 de março de 1946: “O matrimônio entre batizados validamente contraído e consumado não pode ser dissolvido por nenhum poder sobre a terra, nem mesmo pela Suprema Autoridade eclesiástica”. Ou seja, nem mesmo pelo papa e muito menos pelo cardeal Kasper.

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Divórcio e Igreja: as razões do cardeal Marx para a publicação do texto de Kasper

IHU – Para o bispo de Munique e Freising, na Alemanha, há uma “prudência incompreensível” com relação à palestraque o jornal Il Foglio divulgou nesse sábado.

A reportagem é de Matteo Matzuzzi, publicada no jornal Il Foglio, 01-03-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

“O fundamento teológico da palestra do cardeal Walter Kasper na abertura do consistório extraordinário sobre a família não pode ser contestado”. A afirmação é do arcebispo de Munique e Freising, o cardeal Reinhard Marx, que há poucos dias voltou novamente para a Bavieradepois dos intensos eventos romanos que concluíram com a entrega das púrpuras aos 19 novos cardeais.

O purpurado progressista que se senta na cátedra que foi também de Joseph Ratzinger nos anos 1970 se diz estupefato pelo fato de que os cardeais decidiram manter em segredo o texto do discurso de Kasper. Prudência incompreensível, acrescenta, em virtude do fato de que não foi o papa que decidiu pôr sob chaves a longa palestra lida pelo presidente emérito do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

Se, oficialmente, o clima do debate foi sereno e fraterno – como foi destacado pela Sala de Imprensa e por vários purpurados presentes nas reuniões –, também é verdade que alguns (principalmente no início da discussão, na quinta-feira, 20 de fevereiro) tinham muito a dizer sobre as palavras de Kasper, acrescenta Marx, que esclarece que no centro do debate estava a questão dos divorciados em segunda união. Não a maternidade de aluguel ou a questão de gênero, embora no dia seguinte a gama de intervenções tenha sido muito mais ampla.

É sobre o tema da aproximação à comunhão os divorciados em segunda união – questão dilacerante em torno da qual eminentes purpurados já fizeram ouvir a sua voz (e nem sempre com tons próprios da diplomacia) – que os dois dias de consistório se desenvolveram. De Kasper, não veio nenhuma resposta a esse respeito, até porque Francisco lhe pedira para fazer perguntas, para manter uma espécie de abertura em vista do Sínodo de outubro.

Mas debater perspectivas pastorais para os divorciados é algo que tem “uma importância fundamental”, observa o arcebispo de Munique, e seria oportuno que “outros teólogos também participassem da discussão”. A esperança, portanto, é a de mudar de método, de abrir as portas e de abordar publicamente as questões que têm a ver com a pastoral familiar.

Não é por acaso, portanto, que, depois da “oposição” às palavras de Kasper mostrada por diversos cardeais na Aula Nova do Sínodo, o papa quis intervir pessoalmente para agradecer o purpurado alemão pelo conteúdo da palestra, exemplo do que se chama de “fazer teologia de joelhos”, disse Francisco, que voltou ao tema também nessa sexta-feira, em Santa Marta.

“Quando Paulo precisa explicar o mistério de Cristo, ele o faz também em relação à sua esposa. Porque Cristo é casado com a Igreja. Essa é a história do amor. E, diante desse percurso de amor, a casuística cai e se torna dor”, destacou o pontífice durante a homilia proferida de manhã de sexta-feira na pequena capela da residência em que ele escolheu para morar depois da eleição.

Bergoglio acrescentou que, “quando esse amor fracassa – porque muitas vezes fracassa – devemos sentir a dor do fracasso, acompanhar essas pessoas que tiveram esse fracasso no próprio amor. Não condenar! Caminhar com eles! E não fazer casuística com a sua situação”.

Alguns cardeais, explicou ainda Marx, não entenderam por que o papa não só permitiu, mas “também promoveu” um debate sobre o tema dos divorciados em segunda união, enquanto outros prefeririam evitar as demoras e ir diretamente a uma decisão a respeito, sem ter que esperar pelo desenvolvimento do Sínodo de outubro e o ordinário de 2015.

Em todo caso – observou o arcebispo de Munique – nada é óbvio sobre o resultado da cúpula sinodal: “A discussão está em aberto”, e as posições são as mais diversas entre si. Se o coordenador da consulta chamada para reformar aCúria Romana, o cardeal Oscar Maradiaga, convidava a olhar com atenção para as “questões inéditas” não abordadas pela exortação Familiaris consortio do Papa João Paulo II, o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o cardeal Gerhard Ludwig Müller, está no fronte oposto.

Apenas alguns dias atrás, interpelado sobre a questão, ele reiterou que “está em jogo o matrimônio como instituição divina” e que, “se o matrimônio é indissolúvel, não pode ser dissolvido”. Sobre isso, acrescentava, “a doutrina católica é clara”. O problema, no máximo, é outro, explicava ele: para muitos fiéis, “o matrimônio nada mais é do que uma bela festa a ser celebrada na Igreja”, o que leva a diminuir o porte sacramental.

Certamente, explica Marx – que já tinha polemizado com Müller sobre as questões do Sínodo –, “mas os sacramentos não deveriam ser mal entendidos, fazendo-os se tornar uma espécie de instrumento disciplinar”. Quando falamos de sacramentos, acrescentou o arcebispo de Munique, é preciso sempre ter em mente que eles são “meios de cura”.

A íntegra da conferência pode ser lida, em português, aqui.

32 Comentários to “A polêmica intervenção de Kasper no Consistório. Roberto de Mattei responde. Aumenta a divisão no Colégio Cardinalício.”

  1. Será que a providencia divina não colocou Muller na SCDF por ser alguém pode se opor corajosamente a toda essa destruição que os progressistas estão querendo promover ?

  2. A aprovação da proposta segundo o parecer de Kasper será a gota d’água para o divórcio definitivo entre os liberais e os que desejam ser católicos.Quem for neoconservador que prepare o coração, porque precisará de toda lábia possivel para explicar como uma autorização à profanação sacramental esteja de acordo com os ensinamentos constantes da Igreja.

  3. Embora o texto em português do artigo do Prof. De Mattei seja do Humanitas-Unisinos, merece ele reparo na sua transcrição aqui no Fratres.

    É que foi o Papa Bento XIV e não XVI quem escreveu a Dei Miseratione (1741) que incluiu a regra da observância da “dupla sentença conforme” nos processos de nulidade matrimonial, também instituindo por essa Bula a figura jurídica do defensor do vínculo.

  4. Cardeal Gerhard Ludwig Müller? Aquele que é amigo de Gustavo Gutierrez e defensor da Teologia da Libertação? Estamos falando do mesmo Cardeal Gerhard Ludwig Müller que nega a virgindade perpétua de Nossa Senhora? Ou o Cardeal Gerhard Ludwig Müller protetor de pedófilo?
    http://www.podles.org/case-studies/files/Kramer-Case-Study.pdf
    Qualquer um que resolver dar um google no caso do Padre Peter Kramer fatalmente encontrará o Cardeal Gerhard Ludwig Müller envolvido até o pescoço no caso desse padre que foi ordenado em 1997 e enviado a uma paróquia da cidade de Viechtach na Bavária. Dois anos mais tarde foi removido por ter abusado sexualmente de dois menores.
    O incidente foi encoberto até o ano 2000 quando o pai dos garotos resolveu denunciar o crime e Padre Kramer acabou sentenciado a 3 anos em regime aberto sob a condição de que fosse submetido à terapia e durante esse tempo permaneceria impedido de trabalhar com crianças.
    Inicialmente o padre foi enviado pra servir como capelão de uma Casa de Idosos. Mas logo logo a Diocese permitiu que ele servisse na paróquia de Riefoken onde celebrava missas com a ajuda de coroinhas em clara violação da ordem judicial.
    Em 2002 Bispo Gerhard Muller foi apontado como Bispo de Regensburg, ou seja, a mesma Diocese onde Padre Kramer exercia seu ministério.
    Cumprido o tempo de prisão, o juiz determinou que Padre Kramer poderia retomar suas atividades paroquiais sob supervisão e continuaria impedido de trabalhar com menores.
    Bispo Muller na época telefonava esporadicamente pra o padre Kramer pra se certificar de que ele não havia tido nenhuma recaída. Assim no ano 2003, Bispo Gerhard Muller apontou Padre Kramer para pároco de Riekofen omitindo dos paroquianos seus antecedentes criminais e pra piorar, sem nenhum tipo de supervisão, numa clara violação das próprias diretrizes da Conferência de Bispos da Alemanha referente a membros do clero condenados por abuso sexual.
    Padre Kramer logo se tornou popular entre os rapazes da paróquia, onde além de confessor, tratava-os com intimidade promovendo festinhas regadas a vinho e cigarros. Não demorou muito pra que o pai das vítimas que haviam sofrido abuso anteriormente, tomasse conhecimento e alertasse a paróquia e a mídia.
    Foi então que começaram a surgir novas denúncias de abuso.
    Em 2007, Padre Peter Kramer foi novamente preso e um psicólogo foi enviado ao vilarejo pra aconselhar as mais recentes vítimas do padre.
    Os paroquianos furiosos exigiam explicações do Bispo Muller por ter omitido o passado criminoso de padre Kramer. O prefeito da cidade acusou Muller de ter acobertado os crimes do padre Kramer e os pais dos jovens reclamavam que a rápida reabilitação do padre Kramer foi um “experimento cruel com as almas de seus filhos”.
    Apesar de ter fingido solidariedade pelas vitimas numa Conferência em setembro de 2007, o atual Cardeal Muller continuava afirmando sua inocência fazendo declarações à imprensa: “ o culpado é o único responsável pelo crime. Eu não posso ser responsabilizado por tudo que os membros do clero e funcionários da Diocese fazem”.
    Além de tentar se isentar de responsabilidade pelas ações dos padres de sua diocese, Muller culpou também o terapista que havia lhe assegurado que padre Kramer estava curado de suas más inclinações.
    Como o clamor do povo continuava, Bispo Muller ameaçou mover ação judicial contra alguns paroquianos pelo que ele considerava como calúnias contra sua reputação. Ele alegava que estava sendo vítima de uma campanha orquestrada para desacreditá-lo e ainda comparava sua atitude com a do próprio Cristo ao declarar: “Se até Jesus perdoou o pior dos pecadores, quem sou eu pra negar a um pastor uma segunda chance?”
    É claro que essa segunda chance ele nunca deu nem aos Bispos da SSPX. e nem ao Padre Stefano Manelli dos Franciscanos da Imaculada. Esse, coitado! Está até hoje esperando sua segunda chance.
    Em março de 2008, padre Kramer confessou ter abusado sexualmente de menores pelo menos 22 vezes num periodo entre 2004 e 2006 e foi sentenciado a cumprir regime de prisão fechada numa facilidade psiquiátrica. Quanto ao Bispo Muller, esse parece ter tido melhor sorte que o Cardeal Bernard Law de Boston, pois sua carreira apenas alcançou vôos mais altos.
    Eu só posso concluir que o lobby dos pederastas e dos que os acobertam realmente é muito forte dentro do Vaticano, pois além de derrubar até pontífices ainda consegue elevar alguns desses usurpadores aos postos mais altos da Cúria Romana.

  5. ” Também naquela época existiam, sobre a questão do ecumenismo ou da liberdade religiosa, por exemplo, encíclicas e decisões do Santo Ofício que pareciam excluir outros caminhos. O Concílio, sem violar a tradição dogmática vinculante, abriu as portas.”

    Alguém diz para esse clérigo conciliar que mentir pecado gravíssimo e que um dia eles todoas darão contas dessas mentiras ao Absoluto Juíz.

  6. Parei em “mudança de paradigma”. Soa como piada se não fosse um everest de afronta ao Senhor. Quem pode dar outro paradigma ao Verbo do Pai? Quem pode ser seu conselheiro? Onde está o sábio deste mundo? Para mim é piada suja. São Pio X disse para a gente não ler o liberal, porque o liberal joga uma premissa maior verdadeira, seguida de uma premissa menor falsa para dar numa conclusão herética e falsamente apoiada desde um início mal intencionado, porque escondeu seu ponto de partida equivocado. Mas esse tal de Kasper ou Caspa do chifre do demônio nem se preocupa de enganar com uma premissa maior que pareça verdade, ele já se faz de um novo cristo ao dizer “mudança de paradigma”. Foi como fez Lutero, mas Lutero ainda foi mais sutil. É de uma arrogância (presunção) sem tamanho. Lê só quem não leva o Senhor a sério. Santo Tomás ensina que o Pai expressa um Amor tão intenso, sendo a própria Justiça, que só o Filho pode assimilá-lo de modo a posteriormente traduzí-lo em Palavra (Verbo) para as criaturas. O próprio Senhor diz em João que só o Filho viu o Pai e O conhece, assim como disse a Moisés que se Moisés O visse morreria, mas vem o Caspa do demônio e diz que precisamos de “mudança de paradigma”. Parem por aí senhores!

    • Prezado Leonardo, esse pessoal do Sodano na cùria e essas intervenções de teologia profunda para mudança de paradigma vão causar um estrago enorme na Igreja. A gerações futuras, ainda que sejam catòlicas, farão uso de um instrumento bem estragado.

      “Ontem, antes de dormir, mas para não dormir, li – reli – o trabalho do cardeal Kasper e queria agradecer-lhe porque li uma teologia profunda, também um pensamento sereno na teologia. É agradável ler uma teologia serena. E também encontrei isso que Santo Inácio nos dizia, esse ‘sensus Ecclesiae’, o amor pela Mãe Igreja. Fez-me bem e me deu uma ideia – desculpe-me, eminência, se o faço corar –, mas a ideia é que isto se chama ‘fazer teologia de joelhos’. Obrigado. Obrigado.”

  7. Absolutamente tudo nessa “igreja” conciliar é ambíguo.Tudo que esses clérigos conciliares falam e escrevem é herético mas pelo fato deles escreverem e falarem de maneira ambígua eles conseguem enganar a muitos.

    Já notaram, que além de dizerem heresias de maneira ambíguas eles revestem com o discurso sentimentalista de “misericórdia” e todo tipo de slgonas políticamente correto marxistas as suas heresias contra a Sã Doutrina?

    Cristo só foi misericordioso com os pecadores arrependidos e não quem queria permanecer no erro e no pecado.

    E depois tem católico morno dizendo que o conciliábulo de metz é continuação da Sagrada Tradição.

    A única tradição que vejo o conciliábulo de metz dar continuidade é com a tradição dos anticatólicos que tentam por séculos destruir a ÚNICA IGREJA DE CRISTO QUE É A SANTA IMACULADA IGREJA CATÓLICA!!

    Claro que os anticatólicos e os hereges modernistas não vão conseguir destruir a Santa Imaculada Igreja mas milhões de almas vão seguir esses malditos rumo ao geena.Temos que combater esses hereges modernistas que construiram essa falsa igreja que quer de qualquer jeito conciliar Cristo com belial, Lutero, Calvino, Maomé, ateus comunistas.

  8. Li o texto com muita atenção e o fico chocado com a situação da Igreja. O roberto de Mattei corta as pernas do sofisma modernista do Cardeal Kasper, o mesmo que pressionou o Beato João Paulo II a não proclamar o 5° Dogma Mariano da mediação universal de Maria santíssima para “não prejudicar o ecumênismo”.

    Não sei o que acontecerá. Tenho medo, confesso, está insuportável.

  9. Vou dar minha solução pro problema: pessoalmente eu acho que a segunda (terceira, quarta quinta…)união, deve ser decidida pela pessoa no foro intimo de sua consciência. Assim, se a pessoa está verdadeiramente convicta que seu casamento anterior não teve valor sacramental, pode casar de novo. Se estiver mentindo, comete pecado. Se o novo (a) conjuge for conivente com a mentira, comete também, se não, não comete. Ponto e basta. Pra completar, eu proibiria a cerimônia festiva, o que ia desanimar do sacramento a todos os que não dão a mínima pra ele. Casamento na Igreja, só de roupa comum, sem fotos, sem filmagem, e na sacristia. Essa é minha opinião pessoal.

    E que peso ela tem? Nenhum, claro. Por isso sempre a desprezei. Pensar o que a gente faria se fosse Papa, não é pecado, né? Mas no concreto da vida o que eu fiz e ensinei a fazer não foi o que eu achava, mas o que a Igreja ensinava.
    Agora parece que ela vai mudar de opinião. E com que cara eu fico? Eu, que desprezei minha opinião pessoal esdrúxula pra seguir a sábia e divinamente autorizada opinião da Igreja, que agora vai mudar de opinião. Estranho, não?

    Imaginemos também uma pobre mulher, abandonada ainda jovem por seu marido e trocada por uma piriguete qualquer. Fiel ao sacramento ficou sozinha, ainda sem filhos e sem aceitar outro com quem poderia ter obtido ajuda, afeto e construído um novo lar e tido os filhos que desejava. Agora, depois de anos de solidão dolorosa e fiel, ela vai a Igreja e vê seu maridinho casando com a tal piriguete. Com que cara ela fica, eminentíssimo, sapientíssimo, misericordiosíssimo, cardeal Kasper? E São Tomas Morus que perdeu a cabeça pra não ser misericordioso com Henrique VIII, com que cara vai ficar, cardeal Kasper?

    E os outros assuntos “dolorosos”, “desafiadores” que hoje a Igreja diz “A” e amanhã vai dizer “B”? será que devo ainda defender suas posições? ou é melhor defender as minhas? eu também tenho ótimas ideias de como resolver o problema do controle da natalidade, da inseminação artificial, do aborto, da eutanásia, da união homossexual…Se é pra seguir opiniões falíveis e mutantes, eu tenho minha própria cabeça, não preciso seguir a de ninguem nem a de nenhuma instituição humana.
    Ah, mas a Igreja é instituição humano-divina. Então, que os humanos que a representam clamem a Deus pra se manifestar sobre o assunto. Se Ele já o fez não precisam perguntar de novo. Se Ele ainda não o fez, em nome de quem voces falavam antes?

    Agora, sinceramente, não sei porque tanta discussão quando na prática padre nenhum fala que é pecado separar e casar com outra(o). Ninguem mais sabe disso. Padre nenhum fala mais pra confessar. E em praticamente todas as igrejas (pelo menos na serra gaucha), na hora da comunhão não fica um no banco. Nunca é feita qualquer exortação sobre o cuidado que se deve ter para aproximar-se da comunhão. Pelo contrário, os padres enfatizam bem o convite a TODOS para que venham comungar. Parece até que é pecado não ir. E, quer saber? se vão sem condições, a maioria não tem a menor idéia. Até porque do que se trata realmente a Eucaristia? presença real? há 30 anos que nem ouço essa expressão. Não se fala dela nem na catequese, nem na missa, nem em nenhum lugar. O respeito que é incutido no povo ao sacramento é o de respeito a um sinal, a um símbolo, a um ícone. Pra quê então tanta discussão quanto a comunhão dos recasados? deixa pra lá. Se o que importa é a práxis, já tá rolando faz tempo. Esquenta mais não.

    Os que se importam com isso são só os que ainda acreditam na doutrina divina da Igreja e na Presença Real de Cristo na Eucaristia (uma minoria insignificante).
    Falar nisso, o senhor já acredita na ressurreição de Jesus, cardeal Kasper?

    • Cara Teresa, infelizmente sou obrigado a concordar com tudo o que você escreveu… a que ponto chegamos?

    • Pegou o ponto principal, a meu ver. Se o que antes valia hoje não vale mais, por que deveríamos seguir o que é dito hoje? Esse é o pensamento de uma pessoa normal, o pensamento de que a verdade é imutável e a Igreja sempre a anunciou, até mesmo o pensamento de um hipotético observador externo que simplesmente usa a lógica e a capacidade de raciocínio que Deus lhe deu e cobra coerência dos discursos.
      Os neoconservadores defendem a bizarra ideia de que é para “sentir com a igreja”, “estar em comunhão”; ou seja, se uma é regra é anunciada de maneira diferente a cada dia, sinal de fé e catolicismo é mudar de posição todo dia também, e que se dane a lógica. Os tolos pensam que isso confere alguma lógica à defesa de sua fé e que pode segurar a sangria (maior do que já ocorre) de fiéis que um pensamento desses provocaria.
      Os liberais nem se preocupam, querem mais é reduzir a Igreja a instituição meramente humana, que muda de posição conforme a maré muda; nunca tiveram preocupação em dar razões da própria fé, até porque não tem fé mesmo.

  10. “Efetivamente, quando os filhos dos divorciados recasados não veem seus pais aproximarem-se dos sacramentos, normalmente também eles não encontram o caminho para a confissão e a comunhão. Não teremos em conta que perderemos também a próxima geração e, talvez, também a seguinte? A nossa práxis consumada, não demonstra ser contraproducente?”

    Isso é cinismo. Eles mesmos, os modernistas, forjaram o Vaticano II com sua pastoral fraquíssima e perniciosa, fizeram as normas da Igreja ficarem como ultrapassadas e sem sentido, o que faz as novas gerações não se aproximarem da Igreja, como a história nos deixa bastante claro, o que agora sim é contraproducente; e como o cardeal Kasper é tão astuto para saber que negar a comunhão sacramental aos divorciados recasados vai afastar as novas gerações, mas não o é suficientemente para enxergar que a Doutrina e a Liturgia mitigadas como as do Vaticano II afastam os jovens, deixando-os morrerem na fé?

    Antes de São Pio X era raro alguém comungar com frequência, ou seja, as crianças não viam seus pais comungarem todo domingo, por exemplo, e nem por isso a Igreja as perdeu para as seitas protestantes ou para os cismáticos ou ateus. Por outro lado, o que se vê hoje é que a comunhão é incentivada a ser frequente e não há catequese séria, sendo poucos os que comungam (pois somente 10% dos católicos do Brasil vão à missa regularmente e 90% não), o que só cria ignorantes, os quais muitas vezes, os que comungam, recebem indignamente o Corpo de Cristo sem se darem conta. E o cardeal Kasper acha que negar a comunhão aos pais é que afastará as próximas gerações?

    Mas para os modernistas é melhor dizer que a Igreja sempre errou condenando as segundas uniões, porque Deus, assim, errou. É mais fácil contrariar Deus e a Igreja de Deus dizendo que não contraria, do que dizer que os homens que fizeram o CVII erraram. Deus e a Igreja erram, estiveram errados por milênios, segundo a lógica dos modernistas, mas o homem é o infalível, e os frutos do concílio que os homens fizeram deixaram a Igreja tão bem como nunca, para eles!

  11. Destaco a seguinte parte:

    “O texto, definido pelo padre Federico Lombardi como “em grande sintonia” com o pensamento do Papa Francisco, merece, também por isso, ser avaliado em todo o seu porte.”

    Claro que o texto a que Lombardi se refere trata-se do discurso do Cardeal Kasper, único convidado pelo Papa a conferir um discurso no pré-consistório. Nenhuma voz discordante teve o mesmo direito para mostrar a doutrina da Igreja, fundamentada nas Sagradas Escrituras, como ensinaram os últimos papas. Parece-me que o Papa também considera o discurso do cardeal uma ‘teologia profunda e pensamento sereno’. Nós, que somos simplesmente católicos, consideramos o discurso do cardeal herético e revolucionário.

    Para pesquisa, sito uma fonte em espanhol, que é tradução de uma publicação do Rorate Caeli:

    http://trilobitedisidente.blogspot.com.br/2014/03/tiempos-dramaticos-para-el-dogma-del.html

    Mas uma coisa é certa e já deve ter sido citada, embora agora esteja com preguiça de ler todos os comentários: Se a Mortalium Animos, o Syllabus, a Quanta Cura, dentre outras doutrinas contidas no magistério pré CV II puderam ser contraditas pelos Papas posteriores, quer pelo silêncio relegando-os a um deplorável esquecimento, quer por suas práticas fazerem o que estava condenado e censurado em tais documentos e até mesmo por ensinarem com suas palavras e documentos (trazendo confusão quanto a natureza do magistério eclesiástico) o contrário do que ali se encontrava, por que o cardeal Kasper também não poderia contradizer o ensino da familiaris consortio ou da sacramentum caritatis? Tal deve ser o pensamento de Kasper. Não menos condenável do que seu discurso herético.

  12. Como já imaginava, os modernistas repetirão o modus operandi utilizado com sucesso no Concílio Vaticano II, esperando que saia um texto final ambíguo para ludibriar os católicos e com “furos” a serem exploraros pelos demolidores da Igreja.

    “Pouco resta-nos finalmente dizer a respeito das pretensões do modernista como reformador. Já pelo que está exposto fica mais que patente a mania de inovação que move estes homens; mania esta que não poupa absolutamente nada ao catolicismo. Querem a inovação da filosofia, particularmente nos seminários; de tal sorte que, desterrada a filosofia dos escolásticos para a história da filosofia, entre os sistemas já obsoletos, seja ensinada aos moços a moderna filosofia, que é a única verdadeira correspondente aos nossos tempos. Para a reforma da teologia, querem que aquela teologia que chamamos racional, seja fundamentada na filosofia moderna. Desejam, além disto, que a teologia positiva se baseie na história dos dogmas. Querem também que a história seja escrita e ensinada pelos seus métodos e com preceitos novos. Dizem que os dogmas e a sua evolução devem entrar em acordo com a ciência e a história.” (São Pio X, in Pascendi Dominici Gregis)

  13. Afinal, o que justifica a própria existência desse Consistório? Por acaso, duvidam das palavras de Cristo? “Todo aquele que repudia sua mulher e se casa com outra é um adúltero; como também é adúltero aquele que se casa com uma repudiada” (Lc 16, 18). Ora, o julgamento de cada caso pertence a Deus. A polêmica é inútil, além de estar cuidando mais das situações desta vida terrena, querendo salvá-la, enquanto Jesus disse que “quem quiser salvar a sua vida (ou seja, cuidar só da vida terrena, sem Deus) perde-la-á. Já é bastante misericórdia da Igreja que os casais e questão possam participar da Santa Missa.

  14. Essa disputa, da parte dos divorciados, parece briga de criança que vai na festa e não pode sair sem um pedaço de bolo. Tal como qualquer um em pecado, vá a Missa e não comungue. Simples assim.

  15. Romano Amerio no Iota Unum explica no capítulo 89 que contrapondo-se a todas as civilizações que mantinham a mulher sujeita ao despotismo masculino, quer seja através da prostituição sagrada ou do divórcio por qualquer motivo banal (como se vê nas sociedades islâmicas), podemos dizer que somente a religião Católica libertou a mulher dessa deplorável servidão ao santificar o matrimônio e declará-lo indissolúvel.
    Somente o Cristianismo ensina a supernatural equidade entre o homem e a mulher ao elevar o status tanto do casamento como da virgindade e finalmente por elevar a raça humana a um nível jamais antes imaginado quando proclamou uma mulher como sendo a Mãe de Deus. Um dogma considerado blasfêmia em qualquer outra religião.
    O permanente e inviolável direito da mulher contra o despotismo masculino foi defendido por vários Pontífices Romanos em várias ocasiões históricas. O exemplo mais famoso foi o que provocou a ruptura entre Roma e a Coroa Inglesa. A Igreja preferiu perder a Inglaterra do que adulterar a Doutrina da Indissolubilidade.
    Entre os anos 1530-1534, Henrique VIII fez o que podia pra tentar obter a permissão do Papa para se divorciar de Catarina de Aragona, primeiramente ameaçando o clero e depois desafiando o poder do Papa na Inglaterra. Mesmo sob pressão o Papa não concordou e assim Henrique clamou jurisdição sobre a Igreja na Inglaterra e o resto todos nós sabemos: perseguição aos Católicos ingleses, apropriação dos bens e propriedades da Igreja, martírio, guerras…etc.
    Hoje esse bando de impostores da Igreja Conciliar fingem esquecer a história, pisoteiam o sangue dos mártires e tudo isso pra quê? Pra levar mais pessoas pra Deus? Claro que não!
    Assim como na parábola do administrador desonesto, eles querem juntar mais pecadores distribuindo de modo sacrílego bens que não lhes pertencem, para que quando esses lhes faltem eles tenham mais amigos pra lhes fazer companhia no inferno.

    • Gercione Lima, meus parabéns pelo seu comentário!!

      Bravo!!Bravíssimo!!

      Vejam senhoras e senhores, estudando a história da Santa Imaculada Igreja católica nós vemos que não existe nada no mundo que se compare a nossa Madre Igreja!!

      Quando passei estudar a história da Santa Madre Igreja sem os óculos do ódio anticatólico eu abandonei na hora o posto da Santíssima Mãe Igreja.O que esses malditos clérigos conciliares fazem é um crime hediondo com a Fé católica.

      Mais uma vez muito obrigado Gercione Lima para mim é um prazer inenarrável conhecer mais e mais da história da Santa Madre Igreja.Enquanto os blogs progressistas dizia para os católicos curtirem o carnaval do príncipe desse mundo, eu segui o conselho dos santos (as) e da Santa Igreja e passei o carnaval estudando a Sã Doutrina e a História de nossa Santa Mãe Igreja!!

      In Corde Jesu, semper.

    • Ps: abandonei o posto de inimigo da Santíssima Mãe Igreja!

    • Cara Gercione, em poucas linhas você demonstrou como estão equivocados aqueles que acusam de “machismo” ou de “não valorizar a mulher” a Santa Igreja e a tradicional moral e costumes por Ela ensinados. Infelizmente a maior parte da moderna e “iluminada” sociedade repete slogans previamente criados pelos inimigos da Igreja quando na verdade são completos ignorantes. Peço permissão para usar este vosso comentário em meu blog.

  16. Não sofram por antecipação. Deus nos guardará.

  17. O que o clero modernista/progressista quer é legitimar e legalizar o adultério entre os católicos levando-os a perdição.

  18. São especulações teológicas – trabalho de quem segue o ramo das ciências divinas. Quando vêm a público, ocasionam essa onda de comentários furibundos, como se a Igreja estivesse prestes a mudar a prática de tantos anos.

    Duvido que alguém tenha lido os textos na íntegra. E aí, de certo não viram a afirmação do Cardeal de que “A indissolubilidade de um matrimônio sacramental e a impossibilidade de um novo matrimônio durante a vida do outro cônjuge fazem parte da tradição da fé vinculante da Igreja, que não pode ser abandonada ou dissolvida baseando-se em uma compreensão superficial da misericórdia a preço baixo.”

    Essa gente que quer ser tradicionalista sem estudar (excluo aqui a maioria de intenção reta) está minando a Igreja, igualzinho os outros grupos que aqueles tanto criticam…

    • Depois dessa parte que você citou, o cardeal diz o seguinte:

      “Hoje, encontramo-nos diante de uma situação similar à do último Concílio. Também naquela época existiam, sobre a questão do ecumenismo ou da liberdade religiosa, por exemplo, encíclicas e decisões do Santo Ofício que pareciam excluir outros caminhos. O Concílio, sem violar a tradição dogmática vinculante, abriu as portas. Podemos nos perguntar: não é talvez possível um desenvolvimento posterior também na presente questão?”

      E prossegue:

      “Nas Igrejas locais individuais existia o direito consuetudinário em base ao qual os cristãos que viviam um segundo vínculo, embora estivesse vivo o primeiro cônjuge, depois de um tempo de penitência tinham à disposição […] não um segundo matrimônio, mas através da participação na comunhão, uma tábua de salvação. […] A pergunta é: esta via além do rigorismo e do laxismo, a via da conversão, é também o caminho que podemos percorrer na presente questão?

      A um divorciado recasado:

      1. se se arrepende de seu fracasso no primeiro matrimônio,

      2. se esclareceu as obrigações do primeiro matrimônio e se excluiu de maneira definitiva voltar atrás,

      3. se não pode abandonar sem outras culpas os compromissos assumidos com o novo casamento civil,

      4. se se esforça para viver ao máximo de suas possibilidades o segundo matrimônio a partir da fé e educar seus filhos na fé,

      5. se deseja os sacramentos como fonte de força em sua situação, devemos ou podemos negar-lhe, depois de um tempo de nova orientação, de “metanoia”, o sacramento da penitência e depois o da comunhão?”

      Roberto de Mattei, um historiador, desmente que na Igreja primitiva permitia tal como diz o cardeal Kasper.

      Os modernistas querem mitigar a verdade de que o matrimônio é indissolúvel e dar a oportunidade para quem é divorciado se aproximar da Eucaristia. Fizeram isso, que é uma clara contradição com o que a Igreja sempre disse sendo fiel a Deus, com a Liturgia e com o ecumenismo, no último Concílio… Só estão dando continuidade com seu plano, sem mistério algum!

  19. Vinícius, um “tradicionalista” atirando antes de ler o faz algo por amor à Igreja de forma errada, enquanto um modernista defende ideias condenadas pela Igreja.

    Quanto à documentos escritos, os modernistas não se importam com isso assim como os petistas não se importam com leis. Ambos são filhos do pai da mentira.

    • “um “tradicionalista” atirando antes de ler o faz algo por amor à Igreja de forma errada”

      Ou seja, um peca por falta de prudência e outro por heresia. Simples: ambos errados.

      “Quanto à documentos escritos, os modernistas não se importam com isso” Ambos são filhos do pai da mentira”

      Os tradicionalistas tampouco se importam (veja como rasgam documentos do Vaticano II). A conclusão, por silogismo, é que “ambos são filhos do pai da mentira”, citando suas palavras a respeito dos modernistas e petistas.

  20. Adendo – Acho necessário esclarecer o seguinte, em relação ao meu comentário de 06-03-14: “A polêmica é inútil, etc.” – É claro que os debates de alto nível são úteis e preciosos, para aqueles que buscam a verdade, completando e aperfeiçoando os conhecimentos da sã doutrina. Porém, é inútil, nos seguintes sentidos: 1) – Não se discutem nem se interpretam racionalmente as claras palavras de Jesus. Ou se diz FIAT ou NON SERVIAN. 2) – O Consistório é um jogo de cartas marcadas: “Roma locuta est, causa finita est. O parecer elogioso do Papa Francisco ao pronunciamento de Kasper já delineou o resultado fina, que será meticulosamente implementado e aprovado como sendo um consenso.l

  21. Kasper deu o tom do que esta´ para acontecer em breve. E´ com pesar que constatamos isso. E o Papa elogiou seu discurso (portanto, Francisco concorda com ele) O plano ja´ esta´ traçado. E Marx, o Cardeal de Munique, o apoiou (o mesmo Marx que, em 2012, defendeu o sacerdocio para as mulheres).
    Infelizmente, irão fazê-lo (a comunhão aos divorciados recasados). So´ estão esperando o Sinodo de outubro. Ja se sabe disso ha algum tempo.
    Assim como no Pontificado de Bento XVI começaram a circular rumores de que ele iria liberar a Missa Romana Tradicional e iria retirar a excomunhão dada aos Bispos da Fraternidade São Pio X (e isso bem antes dessas coisas acontecerem), tambem no Pontificado de Francisco I, varios rumores começaram a circular sobre mudanças que o mesmo ira´ promover.
    Por isso, os modernistas, desde o ano passado, dão pulos de alegria e dizem que o Papa ira´ mudar muita coisa (o paroco do meu bairro, por exemplo, vive dizendo isso nos sermoes dominicais). Ate´ a Rede Vida ja mostrou uma propaganda em que Francisco e´ apresentado como “o Papa que mudou a Historia da Igreja”. E agora o Santo Padre elogia o texto (e, por extensao, as propostas) do LOBO Cardeal Kasper.
    Porque e´ realmente isso que Kasper e´: LOBO.
    Tinha que ser esse conhecido Cardeal modernista, inimigo da Cruz de Cristo. Tinha que ser ele!
    E talvez não seja esse ainda o seu “canto de cisne”.
    Infelizmente.
    Outros “cantos” ainda virão dessa mesma fonte turva, contaminada do modernismo da pior especie, antes que o Senhor o chame a prestar contas de sua administração como Bispo e Principe Cardeal da Santa Igreja Romana.
    Altissima dignidade, que não lhe tira sua verdadeira natureza: a de LOBO.
    Bento XVI, no seu sermão inaugural, pediu aos fieis que rezassem para que ele não recuasse diante dos lobos. E agora, parece cumprir-se o que diz a Escritura: ferirei o Pastor, e as ovelhas se dispersarão.
    Mas, engana-se quem pensa que as mudancas irão parar por ai´. O modernismo quer mais, sempre mais, ate´ a destruição completa do seu inimigo: “A Igreja de Cristo”. Claro que a Igreja e´ indestrutivel (e eles sabem disso), mas as almas não são (elas podem morrer de morte eterna). E as consequências, como lembra o Professor De Mattei na sua resposta, serão devastadoras. Estas terão como resultado a perdição de muitas almas e ainda corre-se o risco de um cisma no catolicismo do Ocidente. Em todo caso, a Igreja se enfraquecera´. O inferno so´ tem a ganhar com isso.
    Uma vez efetivado o primeiro passo, que e´ a permissão de dar a comunhão aos divorciados em segundas nupcias, ou, em outras palavras, a permissão de receber a comunhão em estado de pecado mortal, sem se exigir que se renuncie a ele (solução que esta´ so´ aguardando o proximo Sinodo dos Bispos), se passara´ tranquilamente a outro, e a outro, e a outro…
    O imperio modernista (do mal) contra-ataca, recuperando não so´ o pouco terreno perdido por ele durante o Pontificado de Bento XVI (liberação da Missa de sempre, condenação do espirito do Vaticano II, retirada das excomunhões aos Bispos da FSSPX…) mas, indo alem. Quem sabe, depois da liberação da comunhão aos divorciados em segundas nupcias teremos a abolição do celibato obrigatorio para os padres, e a admissão das mulheres para receberem o diaconato, primeiro grau do sacramento da Ordem (alguem ja disse que o Papa iria fazer isso tambem), o que seria o primeiro passo para dar-lhes o grau do presbiterado (que seria invalido) e… mais, mais, mais. Muito mais.

  22. CREDO! Cada vez que leio uns certos comentários no FRATES….de pessoas, que penso serem mesmo , muito sábias sobre Teologia e temas vaticanos….. Nossa! eu, …fico surpresa, com as “revelações”!!! Já tenho um pouco de receio,quando vejo…… religiosos, padres, freiras e etc!!!

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  23. muito bons textos. obrigado uma vez mais pela postagem e o cuidado na tradução.