Encontro com Francisco.

Uma conversa com o Papa sobre as Comunidades Eclesiais de Base e a reabilitação de Giordano Bruno e Mestre Eckhart

Por Frei Betto – O Globo: Em 13 de janeiro deste ano, já prevista minha ida à Itália, em abril, para uma série de conferências pastorais, escrevi ao papa Francisco solicitando um contato. Encaminhei a mesma carta por quatro vias diferentes. Talvez todas tenham ajudado, mas sei que deu resultado a remetida via meu amigo Antonio Vermigli, um dos coordenadores da Rete Radié Resch, ONG operária italiana solidária com movimentos sociais em países da periferia do mundo.

O encontro se deu por intervenção de Raffaele Luise, vaticanista da TV italiana, na audiência pública da manhã de quarta, 9 de abril, à porta da Basílica de São Pedro, na área reservada às autoridades e aos convidados especiais. Após percorrer, a bordo do papamóvel, a multidão que lotava a praça de São Pedro, Francisco veio na direção em que eu me encontrava.

Falei-lhe da carta que remeteu, em janeiro deste ano, ao 13º encontro das Comunidades Eclesiais de Base, em Juazeiro do Norte (CE), na qual se refere às CEBs como “movimento” na Igreja. Tudo indica que a carta, assinada por Francisco, foi redigida no Brasil, contrariando a visão de Igreja das CEBs:

— Santo Padre — disse eu —, as Comunidades Eclesiais de Base estão muito agradecidas pela carta que o senhor enviou em janeiro. Elas não querem ser consideradas um movimento na Igreja, e sim o próprio modo de a Igreja ser na base popular e de a base popular ser na Igreja.

Segurando a minha mão, Francisco sorriu. Prossegui:

— Como pai amoroso, dialogue sempre com a Teologia da Libertação, que é uma filha fiel à Igreja. E tenha sempre presente a defesa dos povos indígenas.

Assediado por tanta gente que o rodeava, o Papa continuou atento. Completei:

— Como frade dominicano, ponho em suas mãos a reabilitação de Giordano Bruno e Mestre Eckhart.

Poucos meses após a morte de Eckhart, em 1328, e como resultado das tensas polêmicas entre dominicanos e franciscanos da época, quinze de seus artigos foram condenados por Roma. Eckhart, em si, nunca foi condenado. Como no caso de Tomás de Aquino e outros, seus escritos superaram vários séculos de investigação escrupulosa e, hoje, são considerados aporte fundamental da teologia mística alemã medieval. A Ordem dos Dominicanos, em seu Capítulo Geral de 1980, iniciou um processo oficial para estudar e avaliar de novo os escritos, dando atenção especial aos artigos que foram condenados na bula de 1329.

Giordano Bruno tinha uma visão panteísta do mundo. Via na abóbada celeste o infinito cósmico. Foi um humanista, integrante da corrente filosófica do Renascimento, cujo principal representante é Erasmo. A filosofia do seu tempo estava baseada nos clássicos antigos, principalmente Aristóteles, e Bruno teorizou contrariamente a eles. Defendia a tese do astrônomo alemão Johannes Kepler (1571–1630) de que a Terra girava em torno do Sol, o que lhe custou a condenação. Tinha caráter místico e proclamou a seus algozes, que em 1600 o queimaram vivo no Campo dei Fiori, em Roma: “Vocês pronunciam esta sentença contra mim com um medo maior do que eu sinto ao recebê-la.”

Francisco reagiu à minha solicitação:

— Ore por isso.

Ao final, me dirigi a ele, primeiro em latim, e logo traduzi para o espanhol:

— Extra pauperes nulla salus. Fora dos pobres não há salvação.

Francisco sorriu:

— Estou de acordo — disse ao se afastar.

31 Comentários to “Encontro com Francisco.”

  1. Nunca imaginei que concordaria com Frei beto, Extra pauperes nulla salus, mas cade os párocos?

    Quanto a Giordano Bruno sou a favor de mandar queimar aquela estátua que foi erigida a ele em Roma quando as forças maçônicas de Garibaldi e o rei vitor emauel tomaram a cidade na unificação italiana.

  2. Caros fraternos, paz e bem!

    Hoje, gostaria de fazer uma confissão, que denuncia minha contradição interior. Tenho dois gurus e penso que são infalíveis.

    Chesterton redigiu a biografia de dois santos, propostos como antídotos para os séculos XIX e XX: um franciscano, na verdade, o primeiro deles; e um dominicano bastante corpulento.

    Pois bem. Os meus dois gurus são um ex-franciscano (Leonardo Boff), que realmente deixou a batina, e um ex-dominicano, que ainda “usa” o hábito de São Domingos (Betto).

    Não sei se você, caro leitor, que está do outro lado deste texto já teve a experiência do discernimento dos espíritos. Posso dizer que já a fiz e a faço quase a todo tempo, não tanto na modalidade de um dom sobrenatural, mas na forma de um exercício da inteligência, de um treino do intelecto. Descobri que há pessoas que emprestam a boca, os braços e os cotovelos ao demônio. Há outras que os entregam a Deus.

    Refiro-me agora principalmente ao empréstimo da língua. Quando leio ou ouço algumas pessoas tenho a certeza de estar ouvindo o diabo (Boff, Betto, JB Libânio, D. Pedro Casaldáliga…), que se serve das mãos, da inteligência e da língua daquelas, muitas vezes sem que se deem conta disso.

    Por outro lado, quando ouço ou leio alguns outros (site fratresinunum, Pe. Paulo Ricardo, Prof. Hermes, Prof. Felipe Aquino, papa Bento XVI, santos e doutores da Igreja), autenticados com o selo da retidão e da prática das virtudes, é como se ouvisse o próprio Deus.

    De que lado estamos?

  3. Estive em Roma há duas semanas, e ao passar pela praça de São Pedro, eis que vejo o Papa Francisco sobre uma das colunas me chamando para conversar.
    Voei até lá e perguntei ao Papa o que poderíamos fazer pela Igreja, na crise em que se encontra, ao que me respondeu:

    – ore muito e trabalhe pela restauração da Santa Tradição!
    – mas Santo Padre, não devo pensar primeiro nos pobres?
    – levemos aos pobres o melhor presente que podemos, um presente às suas almas: a Santa Missa Gregoriana!
    – tens razão, Santidade. Que Deus nos ajude!

    Esse diálogo tive com o Papa de forma informal, no topo de uma das colunas no Vaticano. Já que qualquer um anda afirmando que conversou com o Papa, aí está o meu relato.

  4. Isso é verdade o apenas uma brincadeira????

  5. “Ao final, me dirigi a ele, primeiro em latim, e logo traduzi para o espanhol:

    — Extra pauperes nulla salus. Fora dos pobres não há salvação.

    Francisco sorriu:

    — Estou de acordo — disse ao se afastar.”

    “Porque por tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras serás condenado.” (São Mateus XII,36-37.)

    Excelentíssimo Senhor Juiz (Cristo o católico centro de tudo), a promotoria encerra as suas deliberações e seguindo os ensinamentos do Vosso Apostolo São quando diz “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema”, rogamos Senhor dos exércitos que a “igreja” conciliar e o conciliábulo modernista de Metz seja anamatizado!!

    Quero ver como os papolatras conciliares vão conseguir fazer uma leitura da “Extra pauperes nulla salus” , á luz da Tradição com “Extra ecclesiam nulla salus”!

    Será que eu estou vendo teoria da conspiração e modernismo em tudo mais uma vez?(ironic mode on)

  6. Primeiro, eu não considero que o relato desse apostata e mentiroso possa ser verdadeiro. Refiro-me a frei Betto, evidentemente.

    Se o encontro ocorreu mesmo, esse é verdadeiro problema… não o conteúdo em si… O fato de um Papa encontrar um desqualificado e por esse seu encontro legitimá-lo e consequentemente tomar parte em suas obras:

    (II São João 1)
    9. Todo aquele que caminha sem rumo e não permanece na doutrina de Cristo, não tem Deus. Quem permanece na doutrina, este possui o Pai e o Filho.
    10. Se alguém vier a vós sem trazer esta doutrina, não o recebais em vossa casa, nem o saudeis.
    11. Porque quem o saúda toma parte em suas obras más.

    A Palavra, meus irmãos, é clara e condenatória. A quem vem até nós sem a doutrina de Cristo não devemos recebê-lo em nossa casa, não devemos sequer saudá-lo, para não tomarmos parte em suas obras más.

    O problema é o encontro em si mesmo, independente do conteúdo.

    É muita cordialidade para inimigos da Igreja nesse primeiro ano de pontificado. E muitas palavras agressivas para os fieis ao magistério e à Tradição da Igreja.

    Já que o frei apostata resolveu usar o latim, permito-me a mesma licença:

    Vade retro Satana… Refiro-me a frei Betto, evidentemente.

  7. Realmente Israel, só pode ser brincadeira de mau gosto do Frei Betto. Reabilitar Mestre Eckhart? Compará-lo a Santo Tomás? Imagina! O Papa Francisco seria incapaz de cometer atos contra a Tradição, inimaginável. Francisco, Magno em vida! Devemos nossa adesão incondicional ao Papa, incondicional. Isso num universo paralelo, pois nesse aqui, Francisco é o que é!

    Preciso da salvação, vou ali na esquina procurar um “pobre” e ver se ele morre na Cruz por mim para me salvar. Francisco progressista? Imagina!

  8. FRATRES;
    São “tutti buona gente!”
    Rir, para não chorar.

  9. a presunção – melhor diria – a presumpção fradesca e be(s)tial é tanta e tamanha, é tão deslumbrada, bombástica e ridícula q ele, o frade chinelinho, dignou-se traduzir latim para o próprio papa (o qual deve ter sido obrigado a rapar a gamela de Cícero antes de a mesa virar nos malsinados idos de 1960).

  10. Pode ser invenção do Frei Beto.

    Mas, mesmo que seja invenção, será que as palavras atribuídas ao Papa Francisco são assim tão diferentes do que ele diz todos os dias ?

  11. Eu nunca pensei que eu,que sou pobre,seria o caminho a verdade e a vida.Ninguém vai ao Pai a não ser por mim!!

    Esses hereges modernistas e marxistas como diz,Felipe Leão, são “tutti buona gente!”

    Rir, para não chorar!(2)

    Será que eu estou vendo teoria da conspiração e modernismo em tudo mais uma vez?(ironic mode on)

  12. Isso aí é obra do Barão de Münchhausen ou do Pinocchio ? Ah… Não importa, dá tudo na mesma : UM EMBUSTE SÓ… , … , … Mais uma do “FREI LOROTA”, personalidade delirante, sabem como é…

  13. Não se pense q eles querem reabilitar alguém por zelo, por amor à verdade, suposto q essas duas figuras sinistras pudessem ser reabilitadas ainda q em efígie… eles querem, sim, é DESMORALIZAR a Igreja (q os condenou). Nem se venha falar de Joana D´Arc e de Tomás de Aquino: ambos eram santos também na doutrina… São Tomás teria sido censurado por mera birra entre intelectuais que não aceitavam algumas de suas opções *filosóficas* por julgá-las “perigosas” e nada mais.

  14. TL , filha fiel da Igreja? Só se for da Sinagoga de Satanás!
    Fora dos pobres não há salvação? ” Os pobres, sempre os tereis.” Nem Igreja, nem Deus? Religião do homem, a egolatria!
    CIMI? Subversão comunista!
    Pura heresia!
    ” Esse é o nosso Papa ” , dizem os inimigos da Igreja.

  15. Pois é, hoje existem dois grupos, muito diferentes, que olham para Francisco com satisfação, balançam a cabeça e falam:

    Olha só! eu não disse? eu avisei e ninguém quis acreditar!!!

    O seguidores da Teologia da Libertação e os Sedevacantistas, ambos se sentem justificados por esse Papa!

  16. Lendo os comentários desta matéria posso dizer: é uma escola. Aprendo muito com estes sábios comentários, diferente de outros sites que é um monte de “baboseira”. A Teologia da libertação vive nas nuvens com seus sonhos e utopias, mas com os pés plantados nas “prefundas” do inferno.

  17. Por que o Fratres publicou esse “causo” tão inexpressivo? O do Israel parece mais verossímil e interessante.

  18. Peço licença ao frater Francisco e repito, com toda força da minha alma seu comentário, pois contra esses energúmenos pestilentos e cancerosos da maldita e horripilante “teologia” da MALDIÇÃO, não acho palavras mais cabíveis a essa trupe infernal…

    “Quando leio ou ouço algumas pessoas tenho a certeza de estar ouvindo o diabo (Boff, Betto, JB
    Libânio, D. Pedro Casaldáliga…), que se serve das mãos, da inteligência e da língua daquelas, muitas vezes sem que se deem conta disso.

    Só um acréscimo: essas hostes infernais que pululam a Igreja, no fundo, no fundo, estão decepcionadas com o Papa, afinal, ele incentiva justamente o que esses diabos odeiam, a CONFISSÃO, a existência do diabo, o NÃO, já dado de forma definitiva à ordenação de mulheres pelo Beato João Paulo, a reverência que o Papa tem na Santa Missa,…

    Não é a toa que um dos corifeus, o tal Casaldáliga, escondido na sua bat caverna que quase ninguém sabe onde, ( ele não quer ser mártir da libertação???) respondeu quando um jornalista perguntou o que ele achava do Papa Francisco: “esperemos primeiro pra ver o que ele vai fazer na prática; ele não foi de verdade,como Bispo e cardeal comprometido com a “igreja libertadora”. ( as aspas são minhas )…

    Rezemos e confiemos da Providência divina e maternal…

  19. Extra pauperis!?, até onde sei, isto é pauperismo, oras.
    Extra Ecclesia nulla salus.

  20. Só mesmo um frei Betto para propor: “Como pai amoroso, dialogue sempre com a Teologia da Libertação, que é uma filha fiel à Igreja. E tenha sempre presente a defesa dos povos indígenas”.
    Não é que ele tem razão? A Teologia da Libertação é fidelissima com a Igreja dos pobres, do mesmo estilo do PT, de Fidel Castro etc., e uma das provas disso é que depois de quase 12 anos de PT as favelas brasileiras desapareceram do cenário nacional e os dirigentes do PT, como Lula, estão na quase total miséria por renunciarem aos bens em favor dos desvalidos!!
    Quanto a pertencer à Igreja é outro fato: sim, faz parte da igreja de Karl Marx cuja doutrina está na sua cartilha e num dos capítulos pede que promovam as lutas de classes e instituam o ódio generalizado contra pessoas e grupos.
    Tudo isso sob a proteção da estrela de 5 pontas, cujos 2 vértices superiores simbolizam Baphomet!

  21. É muita cara de pau desse discípulo de Judas e ex-assessor especial da Presidência da República do Brasil no Governo Lula, frei Betto, que pertence à Associação Patriótica Católica Chinesa, uma ONG que não aceita as tradições católicas nem a autoridade papal (qtas críticas aos papas anteriores: Bento XVI, João Paulo III….), tem seus próprios padres e bispos, é financiada pelo Estado, filia-se a teses comunistas: luta de classes (MST, CPT…), religiosos filiados a partidos de esquerda (PT, Psol, PcdoB…), sindicatos (CUT) e até eleitos parlamentares, prefeitos e até presidentes: Paraguai… (padres deputados federais, estaduais e até assessor especial da Presidência da República, governo Lula, frei Betto), favoráveis a cultura da Morte (homossexualismo, aborto, eutanásia, política do filho único, divórcio, células troncos embrionárias…), ideal do Socialismo, reino de Deus na Terra…
    Qdo aluno da Unb, participei de um seminário sobre escravidão, cujo um dos palestrantes era esse herege frade dominicano (vulgo: frei Betto).
    Esse frei só falou asneira, tais como:

    – Na Igreja católica do Brasil não há bispos negros. Detalhe: D. José Maria Pires já era bispo na Paraíba, ligado à Teologia da Libertação (não reconhece nem seus amigos da TdL);

    – Que Jesus não frequentou seminários. Ora bolas, Jesus embora seja Deus, frequentava assiduamente as Sinagogas judaicas.

    Moral: frei betto trata-se de um herege, teólogo da Corte que ajudou a fundar o PT, assessorando este partido político filiado à Cultura da Morte. Na teologia, ele que comete um GRAVE ERRO ao priorizar o POBRE ao invés de Jesus, o proletário ao invés do POVO DE DEUS (ricos, pobres, doentes, viúvas, órfãos, trabalhadores, desempregados, assalariados, donas-de-casa, religiosos… ). Piores, são os seus superiores religiosos que são subservientes aos seus caprichos mundanos (sede pelo poder temporal, não uso de hábito religioso, livros e artigos pífios, palestras contratadas a preços absurdos (para a esquerda, é cortesia).

    O joio ainda está misturado com o trigo (Jesus Cristo).

    Haja paciência do papa Francisco para ouvir tantas bobagens, pois a IGNORÂNCIA é ATREVIDA!

    Frei Betto, onde você fez o seu curso de teologia? Ou será que faltou as aulas para participar de uma reunião com esquerdistas ou sindicalistas?

    Corrigindo: Fora de Cristo não há salvação. Quem salva é Jesus, jamais o pobre.

    Aliás, pobreza constitui uma Virtude cristã. Não é demérito, mas privilégio. Não é humilhação, mas exaltação. Não é escravidão, mas libertação. Não é vergonha, mas mérito, honra, glória, respeito…

    Atualize-se na sua pobre e pequena teologia. Deixe a sua Ideologia da Libertação, seus preconceitos com relação ao pobre, a Igreja Católica Apostólica Romana agradece.

    Só Cristo salva!

  22. kkkkkkkkkkk. Esta do Frei Betto foi ótima! O que marxista mais sabe é mentir. Se ele realmente se encontrou com o Papa e teve a ousadia de traduzir o latim para ele…Frei Betto é demais!!!!!! Ajudou em muito o Santo Padre…com certeza ele não conhecia o latim. “Fora do pobre não há salvação”, isto é que é idolatria!!! Vai aqui uma fala do irmão do Boff, Clodovis (que antes apoiava a TL e agora reconheceu seu erro), sobre a Teologia da Libertação:

    “Entrevista concedida nesta segunda (08/03/13) pelo teólogo e frei Clodovis Boff (foto), que é irmão do buliçoso Leonardo. Os dois já estiveram juntos em algumas jornadas da chamada “Teologia da Libertação”. Clodovis , no entanto, se deu conta de que alguns de seus pares haviam se desviado do caminho da Igreja. Em 2007, ele escreveu um artigo que deixou furiosos seus antigos parceiros de jornada — inclusive o irmão. Antes que volte à entrevista desta segunda, destaco alguns trechos daquele texto.
    (…)
    Que acontece então na prática teórica da Teologia da Libertação (TdL)? Acontece uma “inversão” de primado epistemológico. Não é mais Deus, mas o pobre, o primeiro princípio operativo da teologia. Mas, uma inversão dessas é um erro de prioridade; por outras, é um erro de princípio e, por isso, de perspectiva. E isso é grave, para não dizer fatal. Que o pobre seja um princípio da teologia ou uma perspectiva (ótica ou enfoque), é possível, legítimo e mesmo oportuno. Mas apenas como princípio segundo, como prioridade relativa. Se assim é, a teologia que arranca daí, como é a TdL, só pode ser um “discurso de segunda ordem”, que supõe em sua base uma “teologia primeira”. Contudo, não parece que a TdL tenha essa consciência, pois se pensa, para todos os efeitos, como uma teologia inteira à parte, substituindo ou dispensando a “teologia primeira” e fundindo ou, melhor, confundindo o nível “transcendental” com o “categorial”. Em sua prática teórica, continua a pôr o “pobre” como seu princípio, centro e fim. E ainda que não o faça com plena consciência e consentimento epistemológico, o resultado, na prática, é o mesmo, e isso, como dissemos, por causa da ambiguidade com que esta questão essencial é aí tratada. Ora, quando o pobre adquire o estatuto de primum epistemológico, o que acontece com a fé e sua doutrina no nível da teologia e também da pastoral? Acontece a instrumentalização da fé em função do pobre. Cai-se no utilitarismo ou funcionalismo em relação à Palavra de Deus e à teologia em geral. Que a fé seja útil, isso é certo, mas essa não é sua parte maior nem a mais importante. Uma fé usada principalmente de modo instrumental, sofre fatalmente uma capitis diminutio: é submetida a uma seleção e a uma interpretação de acordo com o que interessa à “ótica do pobre”. Sem dúvida, a fé preenche plenamente também esta ótica, mas também dela transborda por todos os lados, infinitamente. Contra as críticas de que estaria usando “olheiras ideológicas”, a TdL apela para ideias como “margens de gratuidade” e “reserva escatológica” para afirmar seu respeito à transcendência da fé. Na verdade, a parte da transcendência é, nesta teologia, a parte menor e menos relevante, a “parte de leão” cabendo, como sempre, à “leitura libertadora” da fé. O resultado inevitável é a redução da fé e, em especial, sua politização. Fala? aqui também, criticamente, da transformação da fé em ideologia. Isso procede toda a vez que se dá à ideologia o sentido preciso que lhe dá o Magistério: o de uma fé que decai de seu nível transcendente para a imanência da política.

  23. Contrariamente a quanto pubblicato ieri, 10 aprile, da alcuni organi d’informazione non c’è stata a Santa Marta alcuna udienza di Papa Francesco a Frei Betto ma, al termine del consueto appuntamento del mercoledì con i fedeli, soltanto un brevissimo incontro sul sagrato di piazza San Pietro durante il quale il Pontefice si è limitato ad ascoltarlo e a salutarlo.
    L’Osservatore Romano, 12 aprile 2014.

    • Gilvan, é exatamente o que o Frei Betto diz neste artigo que publicamos…

    • G.M. Ferretti, parece que não exatamente: “Francisco veio na direção em que eu me encontrava.

      Falei-lhe da carta que remeteu, em janeiro deste ano, ao 13º encontro das Comunidades Eclesiais de Base, em Juazeiro do Norte (CE), na qual se refere às CEBs como “movimento” na Igreja. Tudo indica que a carta, assinada por Francisco, foi redigida no Brasil, contrariando a visão de Igreja das CEBs:

      — Santo Padre — disse eu —, as Comunidades Eclesiais de Base estão muito agradecidas pela carta que o senhor enviou em janeiro. Elas não querem ser consideradas um movimento na Igreja, e sim o próprio modo de a Igreja ser na base popular e de a base popular ser na Igreja.

      Segurando a minha mão, Francisco sorriu. Prossegui: … “

  24. Realmente…..estamos ….no Fim!

    A cada dia que passa, cada vez que leio os artigos e comentarios deste site….fico admiradíssima, com a..”qualidade” dos “religiosos” de hoje em dia! Parecem que esqueceram-se de todos os Ensinamentos Biblicos, os mais Fundamentais…….!!!!! O queserá que acontece, com a cabeça deles????……..
    Meu DEUS!

    Sim nossa MADRE IGREJA CATOLICA sofre uma grandiosa tribulação…! Terrível! Meu DEUS!
    O SENHOR JESUS tem que voltar….logo! se demorar mais um pouquinho,…..penso que nem o “pequeno resto”…ELE encontrará de pé. Terrivel! OREMOS. Oremos pela CONVERSÃO mundial!!!

    Socorro, SAO JOSE! SALVE RAINHA!

    MARANATHA!

  25. “Francisco reagiu à minha solicitação:

    — Ore por isso.”

    hahahahhahaha

    Se o Papa souber de quem se trata, ou aproveitou para dar um conselho ou então ironizou o comuna, senão não mandaria o ateu orar.

  26. Acredito na veracidade do relato de Frei Beto. Porém, se verdadeiro, é uma péssima referência ao Papa.

  27. Eu disse na minha primeira postagem que o relato de frei Betto podia não ser verdadeiro. E de fato, parece que não é:

    http://www.ihu.unisinos.br/noticias/530250-aqueles-dois-minutos-do-frei-betto-com-o-papa

    http://www.ihu.unisinos.br/noticias/530245-encontro-de-frei-betto-com-o-papa-se-deu-entre-os-peregrinos-afirma-vaticano

    É sempre um risco e um perigo trazer informações baseadas nos relatos desses embusteiros. São mentirosos profissionais.

    E parece que foi um simples encontro entre os peregrinos, com as respostas de Francisco sendo tão triviais e superficiais quanto a que ele deu àquele casal, pais de seis filhos religiosos consagrados nos Franciscanos da Imaculada.

    O que disse na postagem anterior talvez não sirva para esse caso, mas é completamente compatível com muitos dos encontros de Francisco nesse primeiro ano de pontificado.

    • Caro Pedro Henrique,

      Esclareceu o Pe. Lombardi: “O papa não recebeu Frei Betto em Santa Marta, não se tratou de uma conversa articulada.”

      Alguns jornais italianos sugeriram que Betto teria sido recebido em audiência em Santa Marta e, por isso, o esclarecimento de Pe. Lombardi. Não é o caso desse relato na coluna de Betto no Globo, que publicamos acima. Nele se diz:

      “O encontro se deu por intervenção de Raffaele Luise, vaticanista da TV italiana, na audiência pública da manhã de quarta, 9 de abril, à porta da Basílica de São Pedro, na área reservada às autoridades e aos convidados especiais…”

      Pe. Lombardi continuou: “Tratou-se apenas de uma saudação de passagem, no âmbito do chamado ‘beija-mão’ ao término da audiência de quarta-feira, e não de uma conversa articulada ou de uma audiência, e, portanto, não deve ser transformado em algo que não é. O papa se deteve por alguns instantes, ouviu e no fim concluiu, como sempre faz, convidando a rezar”.

      Ora, a coluna de Betto não permite pensar de modo diferente: o pseudo frade diz ter direcionado ao Papa apenas 4 frases, recebendo apenas 2 respostas curtas. Algo breve, portanto.

      Novamente, o esclarecimento de Pe. Lombardi é direcionado a jornais que noticiaram uma audiência privada concedida a Betto. Ele pode ter mentido quanto ao conteúdo de suas falas ou das do Papa, mas o relato no Globo, no que diz respeito ao local e a forma como se desenvolveu o encontro, coincide com o esclarecimento do Pe. Lombardi.