Entrevista do Prof. Roberto de Mattei ao mensário “Catholic Family News” dos EUA.

Por Catholic Family News | Tradução: Fratres in Unum.com

Professor de Mattei, as iminentes canonizações de João XXIII e de João Paulo II suscitam, por vários motivos, dúvidas e perplexidades. Como católico e como historiador, qual é o seu juízo?

Posso exprimir uma opinião pessoal, sem pretender resolver um problema que se apresenta complexo. Estou em primeiro lugar perplexo, em linha geral, pela facilidade com a qual nos últimos anos se iniciaram e concluíram os processos de canonização. O Concílio Vaticano I definiu o primado de jurisdição do Papa e a infalibilidade de seu Magistério segundo determinadas condições, mas de nenhum modo a impecabilidade pessoal dos Soberanos Pontífices. Na história da Igreja houve bons e maus Papas e é reduzido o número daqueles elevados solenemente aos altares. Hoje tem-se a impressão de que se quer substituir o princípio da infalibilidade dos Papas por aquele de sua impecabilidade. Todos os Papas, ou melhor, todos os últimos Papas, começando com o Concílio Vaticano II, são apresentados como santos. Não é por acaso que a canonização do Papa João XXIII e de João Paulo II tenha deixado para trás a canonização de Pio IX e a beatificação de Pio XII, enquanto avança o processo de Paulo VI. Como se um halo de santidade devesse envolver a era do Concílio e do pós-Concílio, para “infalibilizar” uma época histórica que introduziu na Igreja a primazia da prática pastoral sobre a doutrina.

O senhor pensa, pelo contrário, que os recentes Papas não foram santos? 

Permita-me exprimir sobre um Papa que, como historiador, conheço melhor: João XXIII. Tendo estudado o Concílio Vaticano II, aprofundei-me em sua biografia e consultei os atos de seu processo de beatificação. Quando a Igreja canoniza um fiel, não quer apenas assegurar que o falecido está na glória do Céu, mas também o propõe como modelo de virtude heróica. Dependendo do caso, tratar-se-á de um perfeito religioso, pároco, pai de família, etc. No caso de um Papa, para ser considerado santo ele deve ter praticado virtude heróica no cumprimento de sua missão de Papa, como fizeram, por exemplo, São Pio V ou São Pio X. Bem, quanto a João XXIII, nutro a meditada convicção de que seu pontificado representou um dano objetivo para a Igreja e que, portanto, é impossível falar de santidade quanto a ele. Declarou-o antes de mim, em um célebre artigo na “Rivista di Ascetica e Mistica”, alguém que entendia de santidade, o padre dominicano Inocêncio Colosio, considerado um dos maiores historiadores da espiritualidade nos tempos modernos.

Se, como o senhor pensa, João XXIII não foi um papa santo, e se, como parece, as canonizações são um ato infalível dos pontífices, estamos diante de uma contradição. Não se corre o risco de cair no sedevacantismo?

Os sedevacantistas atribuem um caráter hipertrofiado à infalibilidade pontifícia. O raciocínio deles é simplista: se o Papa é infalível e faz algo de ruim, isso significa que a sede está vacante. A realidade é muito mais complexa e é errada a premissa de que cada ato, ou quase, do Papa é infalível. Na realidade, se as próximas canonizações apresentam problemas, o sedevacantismo coloca problemas de consciência infinitamente maiores.

No entanto, a maioria dos teólogos, e especialmente os mais seguros, os da chamada “escola romana”, sustentam a infalibilidade das canonizações…

A infalibilidade das canonizações não é um dogma de fé: é a opinião da maioria dos teólogos, especialmente depois de Bento XIV, que a expressou, além disso, como doutor privado e não como Sumo Pontífice. Quanto à “Escola Romana”, o maior expoente vivo desta escola de teologia é hoje Mons. Brunero Gherardini. E Mons. Gherardini exprimiu na revista Divinitas, dirigida por ele, todas as suas dúvidas sobre a infalibilidade das canonizações. Conheço em Roma ilustres teólogos e canonistas, discípulos de outro ilustre representante da escola romana, Mons. Antonio Piolanti, que nutrem as mesmas dúvidas de Mons. Gherardini. Eles sustentam que as canonizações não preenchem as condições exigidas pelo Concílio Vaticano I para garantir a infalibilidade de um ato pontifício. A sentença da canonização não é em si infalível, porque lhe faltam as condições da infalibilidade, a começar pelo fato de que a canonização não tem como objeto direto ou explícito uma verdade de fé ou de moral, contida na Revelação, mas apenas um fato indiretamente ligado ao dogma, sem ser propriamente um “fato dogmático”. O campo da fé e da moral é amplo, pois inclui toda a doutrina cristã, especulativa e prática, o crer e o agir humano; mas um esclarecimento é necessário: uma definição dogmática não pode jamais implicar a definição de uma nova doutrina no campo da fé e da moral. O Papa só pode explicitar aquilo que está implícito em matéria de fé e de moral e que é transmitido pela Tradição da Igreja. O que os Papas definem deve estar contido na Escritura e na Tradição e é isso que assegura a infalibilidade ao ato. Tal não é certamente o caso das canonizações. Não é por acaso  que nem o Código de Direito Canônico de 1917 e 1983, nem os Catecismos, antigos e novos, da Igreja Católica, falam da doutrina da Igreja sobre as canonizações. Quanto a este tema, além do estudo de Mons. Gherardini acima mencionado, remeto para o excelente artigo de José Antonio Ureta no número de março de 2014 da revista Catolicismo. 

Considera que as canonizações perderam seu caráter infalível após a mudança no procedimento do processo das canonizações,  desejado por João Paulo II em 1983?

Esta tese é defendida no Courrier de Rome por um grande teólogo, o padre Jean-Michel Gleize. De resto, um dos argumentos nos quais o padre Low, no verbete Canonizações da Enciclopedia cattolica, baseia sua tese da infalibilidade, é a existência de um enorme conjunto de investigações e conclusões, seguido de dois milagres, antes da canonização. Não há dúvida de que, após a reforma do processo desejada por João Paulo II em 1983, este sistema de apuração da verdade tornou-se muito mais frágil e tem havido uma mudança no próprio conceito de santidade. O argumento, no entanto, não me parece decisivo, porque o procedimento das canonizações mudou profundamente ao longo História. A proclamação da santidade de Ulrich de Augsburg pelo Papa João XV em 993, considerada como a primeira canonização papal da História, foi realizada sem qualquer investigação por parte da Santa Sé. O processo minucioso de investigação remonta principalmente a Bento XIV, a quem se deve, por exemplo, a distinção entre canonização formal – de acordo com todas as regras canônicas – e canonização equipolente (ou equivalente), quando um Servo de Deus é declarado santo em virtude de uma veneração secular. A Igreja não exige um ato formal e solene de beatificação para qualificar um santo. Santa Hildegarda de Bingen recebeu após sua morte o título de santa, e o Papa Gregório IX iniciou, no final de 1233, uma investigação com vistas à sua canonização. No entanto, nunca houve uma canonização formal. Nem mesmo Santa Catarina da Suécia, filha de Santa Brígida, nunca foi canonizada. Seu processo desenvolveu-se entre 1446 e 1489, mas nunca foi concluído. Ela era venerada como uma santa sem ter sido canonizada.

O que o senhor acha da tese de São Tomás, retomada ainda no verbete Canonizações do Dictionnaire de Théologie catholique, segunda a qual  se o Papa não fosse infalível numa declaração solene como a canonização, ele enganaria a si mesmo e à Igreja? 

Cumpre primeiro dissipar um equívoco semântico: um ato não infalível não é um ato errado, que necessariamente induz ao erro, mas apenas um ato sujeito à possibilidade de erro. Na verdade, esse erro pode ser raríssimo, ou nunca acontecer. São Tomás, como sempre equilibrado em seu julgamento, não é um infalibilista excessivo. Ele está justamente preocupado em salvaguardar a infalibilidade da Igreja e o faz com um argumento teológico negativo, a contrario. Seu argumento pode ser aceito num sentido amplo, mas admitindo a possibilidade de exceções. Concordo com ele no fato de que a Igreja no seu conjunto não pode errar quando canoniza. Isso não quer dizer que cada ato da Igreja, como um ato de canonização, seja em si necessariamente infalível. O assentimento que se dá aos atos de canonização é de fé eclesiástica, e não divina. Isso significa que o fiel acredita porque aceita o princípio segundo o qual a Igreja normalmente não erra. A exceção não exclui a regra. Um autorizado teólogo alemão, Bernhard Bartmann, em seu Manual de Teologia Dogmática (1962), compara o culto prestado a um falso santo à homenagem prestada ao falso embaixador de um rei. O erro não prejudica o princípio segundo o qual o rei tem verdadeiros embaixadores e a Igreja canoniza verdadeiros santos.

Em que sentido, então, podemos falar de infalibilidade da Igreja nas canonizações?

Estou convencido de que seria um grave erro reduzir a infalibilidade da Igreja ao Magistério extraordinário do Romano Pontífice. A Igreja não é infalível apenas quando ensina de uma forma extraordinária, mas também em seu Magistério ordinário. Mas assim como existem condições de infalibilidade para o Magistério extraordinário, existem condições de infalibilidade para o Magistério ordinário. E a primeira delas é a sua universalidade, que ocorre quando uma verdade de fé ou moral é ensinada de forma consistente ao longo do tempo. O Magistério pode ensinar infalivelmente uma doutrina por um ato definitório do Papa, ou por um ato não-definitório do Magistério ordinário, desde que esta doutrina seja constantemente mantida e transmitida pela Tradição e pelo Magistério ordinário e universal. A instrução Ad Tuendam Fidem, da Congregação para a Doutrina da Fé, em 18 de Maio de 1998 (n.º 2), confirmao. Por analogia, pode-se argumentar que a Igreja não pode errar quando confirma com constância ao longo do tempo verdades relacionadas com a fé, fatos dogmáticos, usos litúrgicos. Mesmo as canonizações podem pertencer a esse grupo de verdades afins. Pode-se ter certeza que Santa Hildegarda de Bingen está na glória dos santos e pode ser proposta como modelo, não por ter sido solenemente canonizada por um Papa, porque no seu caso nunca houve uma canonização formal, mas porque a Igreja reconheceu seu culto, sem interrupção, desde a sua morte. Com maior razão os santos para os quais tenha havido canonização formal, como São Francisco ou São Domingos, a certeza infalível da sua glória deriva do culto universal, em sentido diacrônico, que a Igreja lhes concedeu, e não pelo julgamento da canonização em si. A Igreja não erra em seu magistério universal, mas pode-se admitir um erro da autoridade eclesiástica circunscrito no tempo e no espaço.

Gostaria de resumir a sua opinião?

A canonização do Papa João XXIII é um ato solene do Soberano Pontífice, que emana da autoridade suprema da Igreja e deve ser acolhido com o devido respeito, mas não é uma declaração em si infalível. Para usar linguagem teológica, é uma doutrina não de tenenda fidei, mas de pietate fidei. Não sendo a canonização um dogma de fé, não existe para os católicos uma obrigação positiva de dar-lhe assentimento. O exercício da razão, apoiado por um exame cuidadoso dos fatos, mostra claramente que o pontificado de João XXIII não foi vantajoso para a Igreja. Se eu devesse admitir que o Papa João XXIII praticou de modo heroico a virtude desempenhando seu papel de Pontífice, minaria pela base os pressupostos racionais de minha fé. Na dúvida, atenho-me ao dogma de fé estabelecido pelo Concílio Vaticano I, segundo o qual não pode haver contradição entre fé e razão. A fé transcende a razão e a eleva, mas não a contradiz, porque Deus, a Verdade por essência, não é contraditório. Em consciência, creio que posso manter todas as minhas reservas sobre este ato de canonização.

61 Responses to “Entrevista do Prof. Roberto de Mattei ao mensário “Catholic Family News” dos EUA.”

  1. Quando o Papa João XXIII abriu o CVII dizendo que era melhor usar a pseudo misericórdia do que condenar, contrariou e muito Santa Faustina Kowalska e só por isso ele não deve ser considerado santo.

    Além do mais, quando um santo reinava as pessoas se convertiam ao catolicismo e depois do CVII os católicos se convertem em massa a outras religiões, seja ao protestantismo e o espiritismo no Brasil, como o ateísmo na Europa e a invasão muçulmana, como também a adesão de católicos ao socialismo.

    • Parabéns, sr. Lucas, disse tudo em poucas linhas. São pelos frutos que se conhece a árvore. As consequências do CVII são clarividentes até mesmo para um simples leigo.

  2. A canonização de João XXIII de certo não será infalível, pois o mesmo já em vida tinha um histórico de maus bocados com o Santo Ofício. Já em 1925, quando bispo, foi denunciado por modernismo à cúpula de são Pedro. Sem deixar de lembrar o desastre que causou, mesmo que talvez tenha sido com boas intenções, com a convocação do famigerado concílio Vaticano II.

    • Gostaria de infos sobre esta história reiteradamente palavreada de q João XXIII atritou-se c/ o S Ofício pois o q eu sei de leituras é q uma das principais motivações p/ ele entrar no Seminário foi desejar combater o Modernismo, q no Seminário e como jovem padre João XXIII era caçoado pelos colegas por ser fã de SPX em demasia, venerar o Papa com fervor extremado!

  3. Em 1998, bem depois portanto das mudanças no processo de canonização introduzidas pelo Beato João Paulo II, o Cardeal Ratzinger, como Prefeito da Doutrina Fidei, já esclareceu que

    “No que se refere às verdades em conexão com a revelação por necessidade histórica, e que devem admitir-se de modo definitivo sem contudo poderem ser declaradas como divinamente reveladas, podem servir de exemplo a legitimidade da eleição do Sumo Pontífice ou da celebração de um Concílio ecuménico, as canonizações dos santos (factos dogmáticos); a declaração de Leão XIII na Carta Apostólica Apostolicae Curae sobre a invalidade das ordenações anglicanas…” (http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_1998_professio-fidei_po.html)

    Assim sendo, com todo o respeito que merece Roberto de Mattei, o que devemos fazer é ouvir a voz da Igreja e acatar o que Ela ensina. Negar uma canonização é gravíssimo. São Vicente Ferrer apoiava um antipapa e, no entanto, é modelo a ser imitado por nós. De Mattei é contra sua canonização também? Canonizações devem ser obedecidas — essa é a doutrina tradicional. Que os Beatos João Paulo II, João XXIII e Pio IX nos ajudem todos a fugir da soberba.

  4. Só esquecem de colocar o São José de Anchieta, que também entrou nesta leva de canonizações. Portanto, nem todos são “santos pós-conciliares”.
    Além de outros inclusive de séculos passados que este papa reinante canonizou…
    Ahhhh cuidado…

  5. Entre a doutrina de Bento XVI, teologo e pontifice romano, exposta acima pelo colega José Maria Renato, e a do sr. De Mattei, hagiografo da TFP, que já assumiu não entender de teologia e apenas de historia, com quem vocês acham que fico?

    • Sem dúvida que superar Bento XVI é difícil,até por que considero ele um homem que tem sobre si os olhos de Deus e por mais estudioso que alguém seja a sabedoria e a inspiração divina prevalece sempre.

    • Coluna do meio????

  6. Tem gente aqui querendo saber mais que o professor Roberto de Mattei a respeito das canonizações…
    Prefiro seguir o BOM SENSO do professor Roberto de Mattei.

  7. Parece-me que depois dessas canonizações (de João XXIII e J. Paulo II), não haverá mais volta na questão do Concílio Vaticano II e do novo rito, nem em certas novidades no “modo de agir” da Igreja nas últimas décadas. Serão mudanças irreversíveis, a serem explicadas pelo princípio do “desenvolvimento da doutrina” de Newman. A intenção dessas canonizações parece ser esta, até pelas declarações de Francisco.

    Os tradicionalistas estão lentamente entrando em um distanciamento definitivo da hierarquia oficial, semelhante ao que ocorreu com os jansenistas no século 17, ou com os grupos que negavam a infalibilidade papal no século 19. São os “conservadores” que não adaptaram-se aos novos desenvolvimentos doutrinários.

    • Acontece, João Gabriel, que não existem “desenvolvimentos doutrinários”, a doutrina é imutável, e deve permanecer como os santos apóstolos e santos nos ensinaram. Nada deve ser mudado para tolerar atrocidades e os erros da civilização moderna.

  8. Gente, alguém saberia dizer o que exatamente o papa João XIII desejava quando pensou em um “aggiornamento” da Igreja? Ele não viu o CV2 concluído, mas o que exatamente ele ansiava quando o convocou? Era uma mudança na liturgia? Na doutrina? No Direito Canônico? Ou em tudo? Vejam bem, não estou fazendo nenhum juízo de valor sobre ele, quem sou eu para questionar o papa bom, muito pelo contrário, acho que ele foi um exemplo de humildade. Mas já li várias biografias dele e não encontro as respostas para estas perguntas. E essa era uma coisa que eu gostaria muito de entender, pois hoje, 50 anos após o Concílio, é possível ver que algumas mudanças foram muito mais negativas do que positivas.

  9. Os mais entendidos que me corrijam, mas se o critério das canonizações for afrouxado assim como certos fatos foram colocados debaixo do tapete fica mas fácil canonizar. Se alguém é só canonizado levando em conta só a parte fofa de sua história qualquer Zé da esquina subirá nos altares das igrejas.
    Quando alguém é canonizado é posto como exemplo. E é exemplar ter desobedecido Nossa Senhora como fez João XXIII, quando se negou a revelar o terceiro segredo de Fátima em 1960?(e aí vão falar que não era dogma de fé e tão somente mais uma aparição privada ué. Se o segredo não era tudo isso, porquê não revela-ló? As versões alternativas soltas na net causaram muito mais histeria em quem leu do que o provável segredo em si)?
    E é por acauso exemplo de santidadeas abominações praticadas nos encontros de Assis sob o crivo de JPII, o mesmo que outrora beijou o corão e que só permitia a missa Tridentina debaixo de um indulto(como se o que é verdadeiro precisasse de permissão para ser pŕaticado)? Sem falar nas peripécias ecumenicistas e quase sincretistas do mesmo.
    O problema é, se falta uma ampla consideração dos fatos fica mais fácil canonizar. Na suposta Igreja pré-CVII nenhum dos dois papas seriam tido santos, pois os critérios eram outros. Hoje o que era impensável na postura de um papa já não é mais visto como impensável e até mesmo errado, principalmente pelo fato de terem rebaixado o conceito de santidade e o que era antes altamente censurável, tipo os Encontros de Assis, serem hoje vistos como uma iniciatica louvável e graciosa.
    Dentro da Igreja pós-CVII essas canonizações são provas da infalibilidade do CVII e de sua práxis, mas na Igreja de sempre, não passariam de uma piada de mal gosto.
    Em resumo, essas canonizações parecem ser mais bandeiras ideológicas para sacralizar o CVII, onde depois de se esquivarem da verdade objetiva e a ignorarem, olhando só o que há de bom e louvável na vida destes dois papas os apresentam como santos mesmos a vida deles dando provas claras de que apesar de bons em determinados aspectos, não eram por fim, santos.

  10. Muito confuso… Pois se eu posso me dar o direito de “negar culto” a um santo declarado pela Igreja é um passo para desobedecer uma disciplina, como o celibato por exemplo, afinal não é dogma…

    Prefiro errar com a Igreja, do que acertar sozinho.

  11. Respeito a opinião do eminente Professor Roberto De Mattei.Todavia, gostaria de saber se ele seria tão cuidadoso se tratasse da canonização de Plínio Correa de Oliveira e de Dona Lucília Correa de Oliveira.

  12. O Beato João XXIII ainda estava em uma época em que, tenho certeza, poderia ser ortodoxo e aberto a novidades – não isento de polêmicas -, mas mas seguro, digamos assim. Sejamos intelectualmente honesto: era impossível para ele saber o desastre que seria o CV II e as mudanças na Igreja. Se contassem para ele, ninguém em sã consciência acreditaria. Na minha consciência, não vejo dificuldades em aceitar a santidade desse Papa.

    Mas meu medo é o Paulo VI. Esse viu de perto! Esse estava no olho do furacão. Esse foi avisado ainda em tempo e viu as consequências diretas e indiretas do Concílio, ainda em vida! Ainda enquanto Papa! E mesmo assim não fez nada de mais sólido para reverter o triste quadro.

    João Paulo II é Santo. A veneração universal à ele, ainda em vida, demostra a universalidade da sua doutrina. Houve o escândalo de Assis I, II? Sim, houve. Mas nesse sentido, não estávamos na consciência dele.

    • Prezado Heitor,
      Paulo VI foi um dos primeiros a apontar a “autodestruição da Igreja” que começou no Concílio, e ele próprio viu “a fumaça de satanás” lá no Vaticano. Estudando a fundo a história do seu pontificado, se vê claramente que o problema dele foi estar cercado de más influências (ex: cardeal Suenens) que tiravam dele toda a sua força de ação, problema que se agravou na década de 1970, quando a sua velhice e doença avançaram impressionantemente.
      Ele foi enganado por muitas pessoas. Em alguns casos tentou agir para impedir a desgraça (como com Annibale Bugnini, que 1976 foi mandado por ele para bem longe de Roma), mas já era tarde. Ele tentou sim de alguma forma reverter o quadro, como em 1968, quando peitou Suenens e vários padres conciliares e publicou a Humanae Vitae.
      Paulo VI tentou ainda conter a onda modernista que atingiu os jesuítas, mas também já era tarde e não teve forças (leia o livro Os Jesuítas, de Malachi Martin que você entenderá o que estou falando).
      Paulo foi um homem santo. Depois de se estudar a fundo a história de seu pontificado se verá que ele foi vítima e não “réu”. Ele merece o nosso abraço.
      Em Cristo,
      Carlos

  13. Gosto muito do professor Roberto de Mattei, mas quando li sua opinião, sinceramente não me “desceu bem”. Sabe a impressão de uma pessoa que está se embaralhando muito em teorias e esquecendo que a graça de Deus age sobrenaturalmente?

    Tenho certeza que ele é um homem de Deus e ama a Igreja, disso não tenho dúvidas pelo o que acompanho os seus artigos, mas ele está se perdendo muito em teorias, em hipóteses. Me desculpem, mas foi a impressão que tive. Não me caiu bem.

    Por que cargas d´água cada um não guarda a opinião dessas canonizações para si ao invés de expor a fé católica e os católicos ao ridículo, colocando em cheque a validade das canonizações? Que coisa grotesca pra quem não é da Igreja ler uma coisa dessas, é causa de zombaria à fé católica. Fico pensando um não católico lendo isso e falando: “Olha aí, nem eles acreditam em quem a Igreja diz que é santo”.

    Cada um guarde pra si se quer ou não cultuar os santos que a Igreja propõe. Mas honestamente, acho desnecessário esse tipo de comentário tornado público. Ora, não foi o próprio professor De Mattei que disse que ninguém é obrigado a dar assentimento a uma canonização? Então pronto!

  14. FRATRES;
    Não sei se nosso Moderador permitirá esse meu comentário.
    Mas inicio do seguinte raciocínio: o Papa Roncalli tomou o nome de um antipapa, o que já me parece suspeito e dúbio.
    Ademais, pesam sobre ele inúmeras acusações, entre as quais de pertencer às “loggia”, que não sabemos até que ponto podem ser inverídicas…
    Porém, sua proximidade com os bispos da KGB é evidente, a começar pela não mencionada excomunhão do comunismo, tal como foi pedida pelo Arcebispo D. Sigaud, brasileiro e de saudosa memória.
    Acredito que o pior deste Romano Pontífice é justamente o que gerou o seu “Concílio Pastoral”, a começar de sua tendência a deixar o grupo do Reno tomar a frente nas discussões, o que é claro, principalmente quando se lê o texto ” O Reno deságua no Tibre”, de Ralph Wiltgen, que esteve pessoalmente no evento.
    Ademais, para concluir, o Papa Roncali, “João XXIII”, foi a origem de todas as desventuras originadas pelo seu concílio pastoral.
    Como disse Nosso Senhor:
    “Pelos frutos conhecereis a árvore”
    Então, se este senhor será colocado no altar como modelo a ser seguido, como alguém que amou a Deus e à Sua Santa Igreja, o que mais virá pela frente?
    Depois da canonização deste Pontífice, nada mais me espanta, vindo da Roma Apóstata.
    Ou será que alguém em sã consciência, conhecendo o mínimo de doutrina, ainda que seja apenas o Catecismo da Primeira Comunhão, (nem ouso dizer o Catecismo Maior de S. Pio X, mas apenas o básico do básico), conseguirá ver continuidade entre a Igreja de dois milênios e essa “nova igreja”, iniciada no concílio do Papa João?
    O que se está a propor?
    A leitura deste texto, impecável e extremamente profundo do Prof. de Mattei possibilita essa e mais candentes reflexões.
    Concluo lembrando a todos os FRATRES da Profecia de la Salette:
    “E Roma perderá a fé e tornar-se-á a sede do anticristo.”
    Rezemos, FRATRES, rezemos muito, pois, como sempre digo, coisas piores, muito piores, impensavelmente piores, virão…
    Kyrie Eleison!
    Nossa Senhora de la Salette, rogai por nós! Rogai pela Igreja… ou melhor, pelo que resta da Igreja…
    Uma boa Páscoa a todos!
    Felipe Leão.

    • Vcs. contam com os dedos este dia…é impressionante. Que podemos estar caminhando neste sentido, infelizmente e com todo pesar e temor, pode ser. Mas as pontificias afirmações são impressionantes. Ninguém contraria?!?!?!
      Desta vez não teve chacota com nomes e tipos, bem no estilo Fedeliano (que até dá saudades, mas fez mal a muita gente, portanto, melhor não querer). Já é algum sinal de amadurecimento.
      Melhor eu rezar por mais um…

  15. Parece-me que enquanto Bergoglio for o “Pontífice em exercício”, não haverá mesmo mais volta dos Católicos à Tradição da Igreja. Daqui pra frente é só ladeira abaixo com o bonde da demolição cantando “kumbaya” no novo rito e com certas novidades no “modo de agir” da Igreja nas últimas décadas.
    De fato, as mudanças não serão irreversíveis, mas até que a Providência resolva por um fim a tanto descalabro, vai ser grande a perda das almas. É óbvio que a intenção dessas canonizações é canonizar o Vaticano II, mas se é sobre essa estrutura podre que estas canonizações estão sendo erguidas, grande vai ser o estrago quando todo o edifício for demolido. E com certeza será, com o triunfo do Coração Imaculado de Maria e quando tudo for restaurado em Cristo.
    Finalizando, não são os Tradicionalistas que estão se afastando da Igreja. Basta que permaneçamos de pé sem mover um centímetro nem pra esquerda e nem pra direita.
    A hierarquia oficial é que está lentamente entrando num distanciamento definitivo da Tradição da Igreja, pois a cada dia que passa, mais eles se aproximam dos “jansenistas” do século XXI: ou seja, daqueles grupos que negam abertamente a infalibilidade papal como protestantes e cismáticos Ortodoxos, Judeus, muçulmanos e toda sorte de hereges do nosso século.
    É com esses “novos irmãos bem amados da pseudo-unidade” que pessoas como o João Gabriel deveriam se preocupar e não com os Católicos fiéis à Tradição e à Doutrina, afinal quando se fala em diálogo ecumênico, a palavra HEREGE deveria ser a primeira a ser riscada do vocabulário de um Católico Conciliarista.
    Por outro lado, quando os verdadeiros “jansenistas” estiverem ocupando Catedrais e igrejas Católicas como fizeram aqueles judeus na Catedral de Buenos Aires com as bênçãos do atual Pontífice, eu quero ver onde os neo-conservadores irão enfiar a língua afiada que tanto usam pra descer o pau nos Tradicionalistas. Ou pau que dá em Chico não dá também em Francisco?

  16. Penso que, por trás da canonização do papa João XXIII, há muito mais motivação ideológica que teológica. Ao que tudo indica, importa muito mais dar legitimidade à ruptura radical com o passado glorioso da Igreja, imposta pelos modernistas por meio do CV II, que averiguar se, de fato, há ou não sinais de santidade na vida do “papa bom”.
    Pelo menos, não minha singela visão de leigo, não consigo vislumbrar algum sinal extraordinário de santidade do “papa bom”, ao ponto de justificar a sua canonização. Digo isso, apoiado nas sábias palavras de Nosso Senhor, quando nos alertou: “é pelos frutos que se conhece a árvore”.
    Ora, os frutos amargos das inovações desejadas e iniciadas pelo “papa bom” fez mergulhar a Igreja num mar de trevas, de heresias, de cismas, de dessacralização, desmoralização, rebeliões, apostasias sem fim, escândalos sem precedentes, esvaziamento, perda da fé, confusões, abusos litúrgicos sacrílegos, e tantas outras mazelas que, só de pensar, deixa paralisado qualquer um que tenha o mínimo de discernimento da sã doutrina. Só não enxerga isso quem realmente não quer ver, e quem não está disposto a viver na santidade.
    É óbvio que para muitos, tudo está muito bem. Tudo vai muito bem como nunca antes.
    Mas, os maus frutos do “papa bom”, ao meu ver, não páram por aí. O que mais me deixa perplexo é o fato de ele ter ignorado totalmente o aviso do céu a respeito das perigosas inovações que ele mesmo estava decidido a levar a diante.
    Quando tomou conhecimento do terceiro segredo de Fátima (ainda não divulgado), que alerta justamente sobre a grande apostasia da Igreja, a partir de seu vértice, simplesmente ignorou os apelos do céu, afirmando que aquilo não tinha nada a ver com o seu pontificado. E para piorar, caberia a ele tornar público o conteúdo do terceiro segredo em 1960, conforme a Virgem Santíssima havia pedido. Porém, além de não atender a esse amoroso pedido da Virgem Santíssima, determinou, naquele mesmo ano, o silêncio total de Irmã Lúcia. A partir de então, ninguém mais poderia dela se aproximar, salvo se por expressa autorização do Vaticano, e desde que não se falasse sobre Fátima. Eis que, a partir daquele momento, a mensagem de Fátima tornou-se totalmente incompatível com o novo rumo que o “papa bom” e os modernistas iriam impor à Igreja, como, de fato, o fizeram.
    Eis algumas incompatibilidades: 1) a Virgem de Fátima não só falou do Inferno, como também mostrou-o às crianças; já o CV II silenciou-se totalmente sobre o inferno (coisa que não mais combina com a vida de pecado do homem moderno); 2) a Virgem afirmou que Deus quer estabelecer no mundo a devoção ao Imaculado Coração para salvar muitas almas do Inferno. Entretanto, para ter devoção à Virgem Maria, rezar o terço todos os dias, confessar e comungar, é preciso ser católico, logo, quem não é católico, e desejar se salvar, deve se converter. Ocorre, porém, que tudo isso tornou-se totalmente incompatível com o ecumenismo do CV II, pois são práticas que escandalizam os irmãos separados e os pagãos, afinal, ninguém mais precisa ser católico para se salvar; 3) a Virgem alertou que os erros da Rússia (comunismo) iriam se espalhar pelo mundo e, como consequência, nações inteiras iriam ser aniquiladas. Nesse caso, sendo o comunismo um erro gravíssimo, deveria ser solenemente condenado pela Igreja. Porém, o CV II não o condenou, mas antes buscou “dialogar” com as trevas, fechando os olhos para as atrocidades que até hoje os seguidores dessa seita diabólica praticam mundo a fora.
    E assim o mundo caminha a passos largos para a grande tribulação. Os castigos estão vindo a galope. Quem viver, verá.
    Bom, emerge dessas realidades fáticas o grande questionamento: como poderia ser santo uma autoridade eclesiástica que ignorou um aviso do céu?
    Enfim, estou convencido de que a canonização do “papa bom” é, no mínimo, bastante controvertida, e isso, por si só, é suficiente para consolidar mais ainda a tese defendida pelo ilustre prof. De Mattei e outros.
    Paz e bem a todos!

  17. É simples assim: se o processo de canonização é sumaríssimo e não busca a verdade real exaustivamente, inclusive com o “advogado do diabo”, o resultado é sujeito a erros e não é infalível, e sujeito a anulações e revisões.

    O “magistério conciliar e pós-conciliar” está tentando bagunçar essa noção de infalibilidade papal: quaisquer coisas que um papa ou bispo (e até um padre) disserem se tornam infalíveis pelo simples argumento da autoridade sem as condições básicas e mínimas necessárias para tal infalibilidade (claro, válido apenas para o magistério do Vaticano II em diante).

  18. Perguntem a esses “teólogos de internet” o que conhecem da doutrina canônica e teológica acerca das canonizações… Qual a resposta? Nada… Quantos livros leram de Gherardini, Piolanti, De Mattei, Gleize, entre outros… Nada.

  19. Como eu conheci de perto o Prof. de Mattei creio ser necessário tecer alguns comentários:

    1-) A exemplo de Santa Faustina que se dizia uma miserável, um nada, e o próprio Cristo disse que realmente ela era uma miserável; a exemplo de São Luis Maria Grignon de Montfort, que disse que nós somos vermes e miseráveis pecadores – o Prof. De Mattei nunca tratou de sua propria canonização e nem os membros fieis da TFP estão pucos preocupados com canonização do prof. Plínio e de sua mãe.

    2-) Tem gente que disse que os católicos tradicionais estão chegando ao nivel dos jansenistas, ora, e os modernistas que estão destruindo a fé de dentro da igreja são os fiéis queridos de Maria?

    3-) Quem agora neste exato tempo está fazendo uma manifestação contra peça blásfema Jesus Cristo super star?

  20. Quanto malabarismo faz o De Mattei para explicar a contradição: canonização de um não santo, pelo menos na opinião de muitos. Tanto que o repórter pede para resumir, mas continua contraditório. O fato é que ele tem grande chance de virar santo, e assim como os casos de São Escrivá e Santa Benedita da Cruz (Edith Stein).

  21. José Maria Renato,

    Por que todo questionamento, ainda que formulado com respeito, tem necessariamente que ser visto como ‘soberba’?

    Rodrigo R. Pedroso, você disse:

    “Entre a doutrina de Bento XVI, teologo e pontifice romano, exposta acima pelo colega José Maria Renato, e a do sr. De Mattei, hagiografo da TFP, que já assumiu não entender de teologia e apenas de historia, com quem vocês acham que fico?”

    Não é melhor e mais honesto cada um falar mais profusamente de sua área de formação ou especialização? Se o Professor de Mattei é especialista em História, o mais natural é que ele fale com enfoque principal em História, embora em sua recente obra lançada no Brasil ele demonstre profundo conhecimento de teologia. E entre a doutrina perene da Igreja e a doutrina pós-conciliar, com quem você acha que eu fico?

    O professor de Mattei não está contestando o destino da alma de João XXIII, mas apenas indagando sobre a necessidade dessas canonizações. Muitas pessoas viveram ou morreram santamente, foram virtuosas até o último momento, mas não necessariamente tiveram virtudes em grau heróico, isso não quer dizer que elas não estejam em plena visão beatífica. As canonizações, além do atestado de santidade, querem apresentar um modelo para o mundo segundo as necessidades da época. A canonização não é simplesmente um atestado de que a pessoa está no Céu, mas de que praticou virtudes em grau heróico e, portanto, é um modelo a ser seguido. Então, o que ele faz como historiador é apresentar fatos. Se você leu o “Concílio Vaticano II: Uma história nunca escrita” poderá aprender mais. Talvez lhe ajude também o livro do Monsenhor Brunero Gerardini, se você prefere um enfoque teológico, obra aliás bastante recomendada pelo próprio de Mattei.

    • Maria, se você acha que a Igreja renunciou à sua doutrina perene, necessariamente está errada. Porque, se a Igreja é verdadeira, não pode mudar de doutrina. Assim sendo, se de fato a Igreja mudou de doutrina, também não adianta se apegar à doutrina antiga, porque esta seria tão falsa quanto a nova. Não há salvação para a fé fora da hermeneutica da continuidade. Para se afirmar que o Vaticano II representou uma ruptura doutrinaria com os dogmas do passado é preciso, para ser coerente e consequente, afirmar também que Jesus não é Deus e que o catolicismo é uma grande mentira.

  22. Culpam o Beato João XXIII pelos desvios do CV II , mas ele iniciou o Concilio com as melhores intenções e veio a falecer em meio ao Concilio, Ele não tem culpa de nada. Era um Papa Santo, uma Ovelha no meio de Lobos. O concilio foi bombardeado pela mídia da época e pelas elites globalistas e satanistas que promoveram a revolução sexual dos anos 60 para destruírem a Moral sexual da Igreja que ficou relegada ao ostracismo pelos rigoristas e tradicionalistas engessados da época. Sob este aspecto certos tradicionalistas também tiveram sua parcela de culpa por causa de um puritanismo latente.

  23. Pesa sobre João XXIII a desobediência às ordens do céu de revelar o Terceiro Segredo de Fátima até o ano 1960, como expressamente dito por Lúcia.

  24. Rodrigo R. Raposo,

    Faz tempo que não leio algo tão sem sentido. Que conclusão simplista!!!

  25. Quando foram beatificados (no mesmo dia) os Papas Pio IX e João XXIII, o “Corriere della Sera” publicou uma matéria com a manchete: CANONIZADOS O BEM E O MAL… (Mas o jornal milanês não diz quem era o BOM e quem era o MAL. Claro, pois como o pensamento de João XXIII era oposto ao de Pio IX, se este foi bom, conclui-se que João XXIII era péssimo… E se este foi bom, Pio IX foi péssimo. É a pura lógica…

  26. Rodrigo,

    Eu não disse que a Igreja renunciou a sua fé. Uma coisa é a Igreja e outra são os homens da Igreja. Como você bem disse “se a Igreja é verdadeira, não pode mudar de doutrina”.

    A “hermenêutica da continuidade” é apenas uma teoria de interpretação para o que aconteceu no Concílio. Ela não é dogma de fé. Creio que ela até foi formulada de boa fé. Ela diz que o importante é interpretar o concílio à luz da Tradição, menos mal. Todavia, ela acaba confirmando o óbvio: Um evento que suscita tantas hermenêuticas certamente é um evento ambíguo. Você já viu hermenêuticas e conflito de hermenêuticas para interpretar Trento?

    A interpretação do professor de Mattei é do concílio como evento histórico, como um todo, e não apenas como seus documentos. Pergunto-mo se você leu totalmente os dois últimos livros do professor de Mattei “Concílio Vaticano II: Uma história nunca escrita” e “Apologia à Tradição”. Talvez eles possam te ajudar a refazer sua ideia sobre essas linhas de interpretação.

    A hermenêutica da continuidade por mais boa vontade que tenha não consegue explicar como podemos olhar para uma Unitatis Redintegratio e dizer que ela está em plena continuidade com a Mortalium Animus. Ela não consegue explicar como vários conceitos não são mais entendidos da mesma forma pelos prelados da ala “conservadora”. O curioso é que os mesmos que defendem a “hermenêutica da continuidade” são aqueles que em suas dioceses promovem o irenismo, o falso ecumenismo, a visão deturpada do papel do leigo na Igreja e etc. Ou seja, nem os defensores da tal hermenêutica sabem defendê-la na prática.

    Não vivemos de hermenêuticas, vivemos da nossa Fé.

    • 1. Se a senhora concorda que “se a Igreja é verdadeira, não pode mudar sua doutrina”, deve necessaria e obrigatoriamente concordar com a hermeneutica da continuidade. “Tertium non datur”.

      2. A hermeneutica da continuidade não é uma “teoria de interpretação”. É a unica interpretação possivel desde que se admita que é impossivel haver rupturas doutrinarias na unica religião verdadeira. É certo que não é dogma de fé. Mas é a unica interpretação coerente com os dogmas da fé.

      3. « Um evento que suscita tantas hermenêuticas certamente é um evento ambíguo.» Tantas hermeneuticas? Só existem duas hermeneuticas possiveis para o Vaticano II: a hermeneutica da continuidade, defendida por todos os papas pós-conciliares (como já o foi exaustivamente demonstrado por diversos autores), e a hermeneutica da ruptura, defendida por Leonardo Boff e Roberto de Mattei, entre outros. Entre uma hermeneutica esposada por Boff e De Mattei e outra adotada pelos papas, um bom catolico não tem duvidas com qual ficar. Até porque a hermeneutica da ruptura, dos srs. Boff e De Mattei, destrói a credibilidade da Igreja.

      4. «Você já viu hermenêuticas e conflito de hermenêuticas para interpretar Trento?» Estudar historia faz bem antes de emitir opiniões dessa gravidade. Basta citar as controversias teologicas sobre a graça que logo se seguiram ao Concilio Tridentino, as quais acabaram desaguando na polemica jansenista.

      5. «A interpretação do professor de Mattei é do concílio como evento histórico». Se é uma investigação historica, não é licito dela tirar conclusões teologicas, até porque a teologia é uma disciplina de hierarquia mais elevada que a historia — a teologia pode julgar a historia, mas não vice-versa. Pior: se o sr. De Mattei primeiro diz fazer apenas pesquisa historica e não teologica, para depois insinuar conclusões teologicas, isso já é má-fé e desonestidade intelectual.

      6. «A hermenêutica da continuidade por mais boa vontade que tenha não consegue explicar como podemos olhar para uma Unitatis Redintegratio e dizer que ela está em plena continuidade com a Mortalium Animus.» Quem tem o onus de provar a descontinuidade entre esses dois documentos é você, que a afirma.

      7. «O curioso é que os mesmos que defendem a “hermenêutica da continuidade” são aqueles que em suas dioceses promovem o irenismo, o falso ecumenismo, a visão deturpada do papel do leigo na Igreja e etc. Ou seja, nem os defensores da tal hermenêutica sabem defendê-la na prática.» Uma vez que você faz essa acusação aos defensores da hermeneutica da continuidade, entre os quais você sabe que eu me incluo, então disso você me acusa também. Peço a gentileza de provar essas acusações contra minha pessoa ou então gentilmente pedir desculpas.

  27. Rodrigo,

    Você não respondeu se leu ou não leu inteiramente os dois livros do professor de Mattei que mencionei.

    Quanto ao número 1 seu raciocínio é confuso. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Dizer que a Igreja é verdadeira e imaculada é dogma de fé; dizer que uma hermenêutica específica é a única maneira de se enterpretar um fato histórico é outra coisa bem diferente. Não precisamos dizer que houve ruptura, se isso lhe incomoda (ainda que na prática a ruptura é generalizada), mas podemos pedir respeitosamente, como faz o próprio professor ao final de sua obra, que o papa promova uma análise profunda do CVII para verificar a sua continuidade com os vinte concílios anteriores. Sobre as fragildades dessa hermenêutica você poderá encontrar ponderações muito bem formuldas no Apologia à Tradição.

    Quanto ao número 2,3, 4 e 5, é preciso ler as obras dele.

    Quanto ao número 6, provar o quê para quem? Basta ler uma e outra. Raro são os bons padres conservadores que utilizam a primeira em suas homilias para falar do verdadeiro ecumenismo. A grande maioria cita somente a segunda e ensina o ecumenismo como “esforços para a paz e convivência harmoniosa entre os povos ou, quando muito, a liberdade de se expor a fé católica, mas não falam publicamente que o ecumenismo é “trazer os protestantes de volta ao redil”.

    Quanto ao número 7 eu não me referia à sua pessoa como leigo. Não somos nós leigos que determinamos as ações pastorais, mas os bispos, que são as pessoas responsáveis pelo pastoreio de maneira ampla e, em escala mais direta e mais reduzida geograficamente, os padres. Para comprovar, basta abrir os olhos e ouvidos e ver as notícias amplamente disseminadas do que ocorre nas paróquias e dioceses. Se na sua diocese as coisas não são assim, ótimo! Porém, essa não é a realidade do restante do país.

    Colocar o professor de Mattei no mesmo balaio de Leonardo Boff é realmente misturar alhos com bugalhos. O professor de Mattei, assim como Romano Amerio (será que você já ouviu falar nesse especialista e sua obra Iota Unum e também o coloca no mesmo balaio do Boff?) apresentam uma visão realista do que aconteceu no Concílio e Pós-concílio sem endossar de maneira alguma uma mudança na doutrina perene da Igreja. Quem vem com o papo da evolução do dogma sãos os progressistas, não o professor de Mattei.

    Além do Professor de Mattei, do Romano Amerio, você já ouviu falar também no Michael Davis? Este último era leigo, mas escreveu extensamente sobre as mudanças na liturgia e na prática religiosa a partir justamente do que aconteceu no Concílio. Ele era um especialista e foi respeitado inclusive pelo papa Emérito Bento XVI. Você também o colocaria no mesmo balaio de Leonardo Boff? E o monsenhor Brunero Gerardini, ainda que com estilo mais generalista e enfoque teológico, também estaria no mesmo balaio de Leonardo Boff?

    Ora, francamente!!! O melhor a fazer é ler esses autores antes de igualá-los a um herege do quilate de Leonardo Boff. Isso sim é desonestidade intelectual.

    • 1. «Você não respondeu se leu ou não leu inteiramente os dois livros do professor de Mattei que mencionei». Só respondo isso se você me responder se leu inteiramente todos os documentos do Vaticano II. Mas já lhe adianto que o sr. De Mattei não apresentou em seus livros um unico fato historico novo, que já não fosse sabido. Como historiador o trabalho dele é uma nulidade. Se não concorda, prove o contrario.

      2. « Dizer que a Igreja é verdadeira e imaculada é dogma de fé; dizer que uma hermenêutica específica é a única maneira de se enterpretar um fato histórico é outra coisa bem diferente.» E onde eu disse que é a mesma coisa? Aliás, hermeneutica diz respeito à interpretação de textos, não de fatos. A hermeneutica da continuidade diz respeito à doutrina contida nos TEXTOS do Concilio. A sua recepção historica é teologicamente irrelevante. Aliás, foram progressistas como o Boff que primeiro lançaram a tese de que o Concilio importa mais como fato historico que pela doutrina que consignou em seus documentos. Mais uma vez De Mattei concorda com Leonardo Boff.

      3. «podemos pedir respeitosamente, como faz o próprio professor ao final de sua obra, que o papa promova uma análise profunda do CVII para verificar a sua continuidade com os vinte concílios anteriores.» Bom, modestamente eu mesmo fiz essa apreciação para meu proprio uso e cheguei à mesma conclusão dos papas.

      4. «A grande maioria cita somente a segunda e ensina o ecumenismo como “esforços para a paz e convivência harmoniosa entre os povos ou, quando muito, a liberdade de se expor a fé católica, mas não falam publicamente que o ecumenismo é “trazer os protestantes de volta ao redil”.» Bom, mas isso que os padres falam não é o que está escrito nos textos do Concilio.

      5. «Quanto ao número 7 eu não me referia à sua pessoa como leigo. Não somos nós leigos que determinamos as ações pastorais, mas os bispos, que são as pessoas responsáveis pelo pastoreio de maneira ampla e, em escala mais direta e mais reduzida geograficamente, os padres. Para comprovar, basta abrir os olhos e ouvidos e ver as notícias amplamente disseminadas do que ocorre nas paróquias e dioceses. Se na sua diocese as coisas não são assim, ótimo! Porém, essa não é a realidade do restante do país.» Bom, se a afirmação diz respeito aos prelados, vou logo citar o papa Bento XVI, que era defensor da hermeneutica da continuidade e — pelo menos não me parece que se possa dizer o contrario — não caiu nos erros que você citou. Não podemos generalizar, se quisermos fazer justiça.

      6. «Colocar o professor de Mattei no mesmo balaio de Leonardo Boff é realmente misturar alhos com bugalhos.» Independentemente do balaio, Boff e De Mattei fazem o mesmo juizo de fato a respeito do Concilio: foi uma ruptura. Divergem, no entanto, no juizo de valor. Até que posso dizer que não divirjo do prof. De Mattei no que tange ao juizo de valor — mas não posso aceitar as suas conclusões de fato.

      7. «O professor de Mattei, assim como Romano Amerio (será que você já ouviu falar nesse especialista e sua obra Iota Unum e também o coloca no mesmo balaio do Boff?)» Antes que você me pergunte, já li inteiramente o primeiro volume do “Iota Unum”. Ao contrario do prof. De Mattei, Amerio é teologo e se apresenta como tal. E, pelo que vi nesse livro, apresenta suas perplexidades com o maximo de prudencia, sempre evitando contestar a autoridade da Igreja. Não me parece que Amerio coloque em questão o Concilio mesmo, mas a recepção que bispos e sacerdotes fizeram dele. Aliás, é curioso o apego de Romano Amerio ao pensamento do pe. Antonio Rosmini, que teve 40 de suas teses teologicas condenadas pelo papa Leão XIII.

      8. De Michael Davis nunca ouvi falar.

      9. Mons. Gherardini é teologo e também se apresenta como tal. Posso não concordar com algumas das teses dele, mas pelo menos ele não chega dizendo que vai fazer historia para depois insinuar conclusões teologicas. É esse tipo de atitude que chamo de desonestidade intelectual.

  28. Por favor fratres, eu sempre indiquei artigos, muitos deles chegaram ao blog, talvez pelo simples fato de já estarem programados serem publicados.

    Mas é a primeira vez que eu suplico um publicação, talvez já até esteja na lista de espera. Por favor, publiquem a homilia da missa de sufrágio em benefício da alma de Mário Palmaro. É belíssima e totalmente merecida. Pena que meu italiano é fraquissimo e depende muito do tradutor do google. Nm escrito em homenagem ao valente, eu levei um tempo enorme para traduzir um pequeno elogio de monsenhor Luigi Negri ao valente.

    Pelo fato de ser um off topic, peço que não deixem de publicá-lo a minha postagem.

    A homilia pode ser encontrada no site riscossa cristiana.

    Na tum texto de bem enorme, mas homilia, propriamente, encontra-se no final e tem APENAS TRÊS PARÁGRAFOS
    .

    Quanto as questões das canonizações, eu acredito que no futuro, assim como há anulações matrimônios reconhecidamente nulos, acredito que verdadeiramente possa existir um novo tribunal para julgar as ‘canonizações’ do peripdo do pós-concílio. Isso não significa que todas essas canonizações sejam nulas.

    Mas um tribunal poderia ser criada para anular algumas, desde que cumpridas algumas exigências, dentre elas:

    – A exclusão do advogado do diabo, que não não exerceu seu papel de censura conta o futuro santo.
    – a notoriedade e perfeita claridade e conhecimento de escândalos públicos pela pessoa canonizada.
    – em virtude da falta do advogado do diabo, a não examinação perfeita da ortodoxia do novo santo.
    – Canonizações por pressão popular
    – Canonizações desobedecendo as regras pré-estabelecidas

    Não obstante, vemos quase tudo isso em JP II, que mereceria ser muito defendido nos ataques sofridos pelos modernistas genuínos e demais progressistas naquilo em que ele defendeu a ortodoxia católica, como são os caos da veritatis splendor, evangelium vitae, ecclesia de eucharistia, dentre outris documentos que são perfeitamente ortodoxos.

    Mas quando o homem é colocado como modelo de santidade e virtudes heróicas, isso é um acinte. João XXXIII já é beato e será santo, Paulo VI irá pelo mesmo caminho. Francisco não tenham dúvida, a depender do próximo papa, também será santo. Não importam o que digam.

    Somos Tradicionalistas…. Não somos legalistas…. Todos nós sabemos que essas canonizações visa consagrar o CV II, aqueles de natureza confusa, de linguagem ambígua e que trouxe a maior confusão para a Igreja,

    Defenderíamos JP II em sua ortodoxia, pois foi verdadeiro Papa, mas jamais sua canonização, pois seus muits escândalos e atitudes imprudentes chocaram a igreja e causaram um sem número de sacrilégios.

    Não nos esqueçemos de assis e do beijo do alcorão. Sei que muitos neo-conservadores tem uma resposta na ponta da língua para cada ‘escândalo’ (ainda que não fosse escândalo de fato) para os fatos de JP II. Mas o que não negar, pois conta fatos não há argumentos, é que esse pontífice teve muitas atitudes estranhas que chocaram e continuam chocando a Igreja,

    Que a Igreja não afirma que ninguém possa estar no inferno, a não ser por uma revelação especial e como muitos institutos ecclesia dei mantém fotos de Marcel Lefebvre em seus seminários…. E como todos que estão no céu podem ser chamados de santos;

    Marcel Lefebvre, rogai por nós tradicionalistas e fazer com que a verdadeira tradição da Igreja retorne o mais rapidamente possível.

    Pio XII, que escreveu a mais bela encíclica sobre a Igreja e que jamais hove qualquer gesto ou palavra ambígua em suas açõe e palavras, rogai por nós e fazei com a verdadeira natureza da Igreja seja novamente exposta, sem essas essas ambiguidades infernais do CV I.

    São Pio X, destruí o modernismo reinante em nossas paróquias. Vós que previu que os inimigos da Igreja não mais a abandonariam, mas que ficariam infiltrados nela, para pudessem destrui-la por dentro.

    Infelizmente, sua profecia se concretizou.

    Mas o Sagrado coraçao de Maria tirunfará, tenham certeza,

    Mantenha a comunão hirárquica, pos dificil que seja. Há um texto de bossuet em relação a isto, que já cansei de postar. Mais pra frente volto a postá-lo.

  29. Rodrigo R. Pedroso, eu já pensei como você e hoje eu já não me auto-engano por excessiva confiança e medo de meus superiores. “Minha ficha caiu de vez” quando li a encíclica “Pascendi Dominici Gregis” de São Pio X, sendo que a hermenêutica da continuidade é uma desonestidade intelectual que não faz jus sequer aos fatos, pois foi o próprio, à época, Joseph Ratzinger que chamou a “Gaudium et Spes” de “anti-Syllabus”.

    A hermenêutica da continuidade não passa de uma “muleta ética”,algo no qual a pessoa se escora para se justificar, algo típico de esquerdistas. Inconscientemente ou não, comparar Frei Betto a de Mattei foi uma aplicação desse método similar aos socialistas de nossas universidades, que jogam na “direita”, sem o menor respeito à verdade, Mussolini (ateu rompido com o partido comunista italiano), Hitler (nacional-socialista) e o próprio Santo Padre Pio XII.

    Depois da reiterada desobediência ao rito de Lava-pés este ano perpetrada pelo Santo Padre o Papa Francisco (novamente lavou os pés de mulheres), não tenho mais como me iludir com o modernismo.

    • Eu gostaria de saber por que foi censurada a minha resposta ao sr. Pedro Rocha. Não me referi a ele com palavras que ele mesmo não tenha usado contra mim. Se começam a censurar as respostas, o dono do blogue mostra a impossibilidade de se fazer aqui uma discussão honesta. E revela, igualmente, medo das respostas que aqui são dadas. Como diria o papa São Pio X, «Se a erudição e o acerto de quem os refuta os atemoriza, procuram descartá-lo, recorrendo ao silêncio».

    • Nobre dr. Rodrigo, não foi sua mui modesta erudição a razão da censura, tenha certeza. Como dito anteriormente, o senhor envolveu na discussão um terceiro totalmente alheio ao debate. Ademais, para além de sua já recordada modesta erudição e desconcertante acerto, supomos sempre que aquele que comenta está ciente das regras ao ler antes o “Leia Antes”. De toda forma, segue para recordação de todos:

      LEIA ANTES: os comentários devem ser respeitosos e relacionados estritamente ao assunto do post. Toda polêmica desnecessária será prontamente banida. Todos os comentários são de inteira responsabilidade de seus autores e não representam, de maneira alguma, a posição de Fratres in Unum.com. Não serão aprovados os comentários escritos integralmente em letras maiúsculas. A edição deste blog se reserva o direito de excluir qualquer comentário que julgar oportuno, sem demais explicações. O espaço para comentários é encerrado automaticamente após quinze dias de publicação do post.

  30. Rodrigo,

    Se você não admite que leu as obras do Professor de Mattei, como é que tem a cara de pau de refutá-las?

    Sobre o CVII li, reli e tenho aqui vários docs do Concílio, especialmente, aqueles que ensejaram os pontos controversos [ecumenismo, ligerdade religiosa, a Igreja]. Ninguém está dizendo que todas as palavras de todos os documentos estão erradas do início ao fim, mas que há sim documentos e trechos de documentos muito ambíguos e problemáticos, que servem de base ao tal espírito do concílio e que uma simples hermenêutica da continuidade parece não dar conta de resolver.

    Mas, além disso, é preciso ver o Concílio não apenas no documentos que produziu, mas no que ele resultou para a Igreja, no espírito que o moveu, nos agentes que mais o influenciaram. Essa é a visão global proposta pelo professor de Mattei.

    A conclusão a que ele chega é de que se algo (o concíio VII) tem olhos de ruptura, orelhas de ruptura, boca ruptura, mas não é uma ruptura, então que se explique afinal o que é? Trata-se de uma honesta indagação. É a indagação da perplexidade a qual todos nós temos direito de expressar.

    Todavia, ele não se aproveita do caos para proclamar “uma Nova Igreja em sintonia com a mentalidade moderna!” como os modernistas. Ele lamenta profundamente e adere ao ensinamento perene da Igreja, ao mesmo tempo que indaga sobre o grau de fé católica que devemos dar aos acontecimenos e se esses fatos são realmente compatíveis com a fé de sempre.

    E mesmo olhando apenas aos documentos, como você tanto insiste, muitos trechos dos referidos documentos entram em choque com os do magistério anterior. Eles servem de base para os desvios, ainda que grande parte do que se vê não esteja obviamente ratificada nesses documentos e que liberais manipuladores tiram proveito disso. Mas como diz o ditado: “o povo aumenta, mas não inventa”. Os próprios modernistas admitiram que a redação flexível dos documentos daria ensejo a interpretações conforme suas vontades.

    Dizer que “nunca ouviu falar no escritor Michael Davis” é realmente sintomático. Não digo que tenha que ter lido, mas “nunca ter ouvido falar” de um expoente como ele é estranho. A propósito, o padre Paulo Ricardo gravou um vídeo recentemente em que ele descreve sua mudança de mentalidade sobre a Missa Tridentina justamente após ter lido esse autor. Procure no site dele que você acha.

    Você diz “se a afirmação diz respeito aos prelados, vou logo citar o papa Bento XVI, que era defensor da hermeneutica da continuidade e — pelo menos não me parece que se possa dizer o contrario — não caiu nos erros que você citou.”

    Sim, Bento XIV tem sido um grande defensor da hermenêutica da continuidade. E, como você concorda com essa afirmação, podemos tomá-lo como modelo justamente do que estou tentando dizer. O papa emérito, a quem muito amamos e respeitamos, sempre expressou sua visão ecumênica de acordo com a Unitatis Redintegratio, enfatizando tão somente o conceito de “unidade” mas não exatamente com a mema concepção da Mortalium. [Pode-se até dizer que não há clima no mundo atual, isso seria outra questão.] Então, como dizer que uma não apresenta uma visão bem diferente da outra? Vários de seus atos (Assis, Taizé, Discurso Ecumênico na JMJ da Alemanha) vão na direção da Unitatis, que nesses aspectos não guardam semelhança alguma com o espírito da Mortalium.

    Você diz “Não me parece que Amerio coloque em questão o Concilio mesmo, mas a recepção que bispos e sacerdotes fizeram dele.”?

    Sério mesmo? Pelo contrário, me parece que ele vai até mais fundo e desestimule a leitura devido a tanta riqueza de detalhes. Poucos são os corajosos que conseguem enfrentar o tijolaço.

    Lembre-se que antes do professor de Mattei, o próprio padre Ralph Wiltigen no Reno se Lança no Tibre já narrava toda a problemática da redação dos documentos conciliares, os conchavos, as reações dos conservadores e modernistas e etc. Ele narrou até mesmo os pontos positivos dos teólogos da ala progressista, com uma visão bem imparcial dos fatos. Talvez a leitura te ajude.

    Você acrescenta: “E, pelo que vi nesse livro, apresenta suas perplexidades com o maximo de prudência, sempre evitando contestar a autoridade da Igreja. Não me parece que Amerio coloque em questão o Concilio mesmo, mas a recepção que bispos e sacerdotes fizeram dele.”

    Eu não vi em lugar algum o professor contestar a autoridade da Igreja ou negar a autoridade dos sumos pontifíces, mas trazer indagações e fatos históricos para explicar que nem tudo que se crê infalível realmente é com base no próprio ensinamento da Igreja. A conclusão é óbvia: se 95% (inclusive os que escreveram os documentos ou estiveram presentes às sessões) entenderam errado, como é que se pode dizer que esses docs não estão bombados ou que há algo muito estranho?

    Acho estranho você mencionar o suposto apego do Amerio a um autor de teses condenadas. É melhor então nem falarmos do apego dos papas conciliares a autores de testes condenadas. A esse respeito o professor de Mattei no Concílio Vaticano II: uma história nunca escrita fornece abundantes notas de rodapé sobre autores com teses condenadas que viriam a influenciar grandemente os papas pós conciliares. Ele cita e ainda explica.

    Sinceramente não vejo o fato de um especialista adentrar em outra especialidade como uma desonestidade intelectual. Muitos teólogos fazem isso com relação à História, pois as duas disciplinas muitas vezes se complementam. O importante é que deixem claro quando algo é opinião e quando é fato histórico ou verdade de fé.

    • «Se você não admite que leu as obras do Professor de Mattei, como é que tem a cara de pau de refutá-las?»

      É engraçado que o dono do blogue censura as minhas respostas mas não censura esse tipo de agressão verbal contra a minha pessoa.

      «Sobre o CVII li, reli e tenho aqui vários docs do Concílio»

      Varios ou todos?

      «Sobre o CVII li, reli e tenho aqui vários docs do Concílio, especialmente, aqueles que ensejaram os pontos controversos [ecumenismo, ligerdade religiosa, a Igreja]. Ninguém está dizendo que todas as palavras de todos os documentos estão erradas do início ao fim, mas que há sim documentos e trechos de documentos muito ambíguos e problemáticos, que servem de base ao tal espírito do concílio e que uma simples hermenêutica da continuidade parece não dar conta de resolver.»

      Se é ambiguo como você pode cravar com tanta segurança que houve ruptura? Uma ruptura é sempre inequivoca. Se não se pode afirmar inequivocamente que houve ruptura, a continuidade é a conclusão que se impõe. A suposta ambiguidade dos textos do Concilio não é um argumento contra a hermeneutica da continuidade; antes, pelo contrario, vai a favor dela.

      «Mas, além disso, é preciso ver o Concílio não apenas no documentos que produziu, mas no que ele resultou para a Igreja, no espírito que o moveu, nos agentes que mais o influenciaram. Essa é a visão global proposta pelo professor de Mattei.»

      Mas isso não altera o sentido dos textos. E é no sentido dos textos que é preciso ver a continuidade ou ruptura.

      «A conclusão a que ele chega é de que se algo (o concíio VII) tem olhos de ruptura, orelhas de ruptura, boca ruptura, mas não é uma ruptura, então que se explique afinal o que é? Trata-se de uma honesta indagação. É a indagação da perplexidade a qual todos nós temos direito de expressar.»

      Então me explique: o problema do Concilio é ambiguidade ou ruptura? Pois eu já disse: se o problema do Concilio é que “alguns trechos” são “ambiguos”, o que você está falando agora está em contradição com o que você mesma disse acima.

      «Dizer que “nunca ouviu falar no escritor Michael Davis” é realmente sintomático. Não digo que tenha que ter lido, mas “nunca ter ouvido falar” de um expoente como ele é estranho.»

      Puxa vida, agora é pecado mortal ignorar quem seja Michael Davis… Mas se o argumento dele é tão bom por que você mesma não o apresenta aqui? Simplesmente citar o nome de ilustres desconhecidos que compartilham da sua mesma opinião não a demonstra. Além disso, se for pra citar gente desconhecida que tem a mesma opinião que a minha, você estará em nitida desvantagem. Aliás, você sabe quem foi Antonio Rosmini?

      «A propósito, o padre Paulo Ricardo gravou um vídeo recentemente em que ele descreve sua mudança de mentalidade sobre a Missa Tridentina justamente após ter lido esse autor. Procure no site dele que você acha.»

      Desconfio que você não vai assistir a TV Canção Nova simplesmente pela opinião favoravel que o pe. Paulo Ricardo tem desse orgão de midia…

      «Sim, Bento XIV tem sido um grande defensor da hermenêutica da continuidade. E, como você concorda com essa afirmação, podemos tomá-lo como modelo justamente do que estou tentando dizer. O papa emérito, a quem muito amamos e respeitamos, sempre expressou sua visão ecumênica de acordo com a Unitatis Redintegratio, enfatizando tão somente o conceito de “unidade” mas não exatamente com a mema concepção da Mortalium. [Pode-se até dizer que não há clima no mundo atual, isso seria outra questão.] Então, como dizer que uma não apresenta uma visão bem diferente da outra? Vários de seus atos (Assis, Taizé, Discurso Ecumênico na JMJ da Alemanha) vão na direção da Unitatis, que nesses aspectos não guardam semelhança alguma com o espírito da Mortalium.»

      Agora temos o “espirito” da Mortalium… Esse “espiritismo” hermeneutico é que só leva a confusões. Eu leio o que está no texto, não faço da interpretação um trabalho de invocação de espiritos.

      «Sério mesmo? Pelo contrário, me parece que ele vai até mais fundo e desestimule a leitura devido a tanta riqueza de detalhes. Poucos são os corajosos que conseguem enfrentar o tijolaço.»

      É, pois eu enfrentei.

      «Lembre-se que antes do professor de Mattei, o próprio padre Ralph Wiltigen no Reno se Lança no Tibre já narrava toda a problemática da redação dos documentos conciliares, os conchavos, as reações dos conservadores e modernistas e etc. Ele narrou até mesmo os pontos positivos dos teólogos da ala progressista, com uma visão bem imparcial dos fatos. Talvez a leitura te ajude. »

      Sim, eu li “O Reno se Lança no Tibre”, entre outros livros. Por isso mesmo disse que De Mattei, como historiador, não trouxe nenhum fato novo. Se eu estou errado, mostre-me as descobertas ineditas desse grande historiador.

      «Eu não vi em lugar algum o professor contestar a autoridade da Igreja ou negar a autoridade dos sumos pontifíces»

      Pois eu vi. Aí em cima. Contestando a autoridade da Igreja e dos sumos pontifices na canonização dos santos.

      «Acho estranho você mencionar o suposto apego do Amerio a um autor de teses condenadas.»

      Estranho por quê? Não é fato? Ele cita abundantemente Rosmini em “Iota Unum”. Vai me dizer que você não leu o catatau do teologo suíço?

      «É melhor então nem falarmos do apego dos papas conciliares a autores de testes condenadas».

      Entre eles Rosmini, beatificado por Bento XVI. Será que Romano Amerio se insurgiria contra a beatificação de um de seus teologos preferidos?

    • Sr. Pedroso, removemos um único comentário seu (e não “as minhas respostas”) por envolver um terceiro totalmente alheio à discussão. Sem vitimismo, por favor.

  31. O Magistério da Igreja está acima de qualquer teólogo ou do achismo de seja quem for.
    Eu não queria a canonização de João XXIII e João Paulo II, mas o meu querer virará lixo depois dessa afirmação solene do papa gloriosamente reinante no próximo dia 27.

  32. Santo Tomás de Aquino ensinou perfeitamente:

    Dado que a honra que professamos aos santos é em certo sentido, uma profissão de fé, isto é, uma crença na glória dos santos, devemos piamente crer que, neste assunto, também o juízo da Igreja está livre de erro.

  33. Rodrigo,

    Não lhe fiz nenhuma agressão verbal. Chamei-o de cara de pau porque ao que parece você confunde o pensamento do professor de Mattei. Quem leu atentamente seus dois últimos livros não o compararia ao herege Leonardo Boff.

    Se disse “vários”, tinha em mente vários. Caso contrário teria dito “todos”. Ou você não sabe a diferença entre vários e todos? “Quase todos” não significa todos. Revendo a lista de TODOS os documentos do Concílio não tenho memória de ter lido algumas das INSTRUÇÕES, porém, isso em nada diminui o que penso sobre esse evento. Os pontos mais controversos relacionam-se, sobretudo, à liturgia, à colegialidade, ao ecumenismo, ao diálogo inter-religioso e ao papel dos leigos na Igreja. E sobre esses pontos controversos li os documentos pertinentes. Caso contrário não me pronunciaria sobre essas questões.

    Se você quer analisar o Concílio apenas nos documentos que produziu, faça-o. É uma escolha sua. Contudo, o que disse acima é que há outras linhas de interpretação. E elas são representadas por expoentes como o Professor de Mattei, que tentam analisá-lo como um evento global, incluindo os documentos. Ele corrobora o livro do padre Wiltigen e de outros autores. Vi em sua obra coisas repetidas, como você menciona, mas também muitos fatos que desconhecia. E não é assim com todas as obras sérias, seja de História ou Teologia? Sempre teremos fatos repetidos, embora enriquecidos ou mais explicados. Para isso as obras são guarnecidas de bibliografia ao final.
    Veja por exemplo no caso do relato do padre Wiltgen. Ele descreve claramente a reação do Cardeal Ottaviani à missa nova – provavelmente rezada nos conformes -, assim como as sugestões dos bispos progressistas para mudanças na liturgia. Essas mudanças, que na época causaram a perplexidade de alguns viriam a ser largamente implementadas mais tarde. Então, é nesse sentido que se fala do evento como um todo, porque mesmo o que não se deixou consignado por escrito foi sugerido antes e durante e, finalmente implementado na prática depois ou não combatido em nível diocesano pelos defensores da hermenêutica da continuidade. Como disse acima, há de fato muitos abusos que não estão consignados nos docs conciliares, mas o fato é que a coisa escapou ao controle. Alguns falam até em “sequestro do concílio pela ala progressista”, o que faz bastante sentido. Mas seja de uma forma ou de outra isso só corrobora com a visão do “evento global”.

    “Desconfio que você não vai assistir a TV Canção Nova simplesmente pela opinião favorável que o pe. Paulo Ricardo tem desse órgão de midia… ”

    Aqui você desvia totalmente do que eu disse para fazer uma suposição infantil. Não só não vejo CN (o que não significa que nunca tenha assistido algum programa) como também não concordo com as visões do Padre Paulo Ricardo sobre o Concilio. Ele mudou muito sua visão sobre a Missa Tradicional e hoje expressa claramente seu respeito pela liturgia tradicional e afirma ter procedido a essa mudança graças à obra do Michael Davis (foi o primeiro presidente da Una Voce). Ele teve a honestidade de afirmar que expressava o que havia aprendido no seminário. Quando citei o padre Paulo Ricardo foi para exemplificar o quanto uma pessoa de boa vontade é capaz de sair da zona de conforto e reformular suas ideias, pela graça de Deus, esforço pessoal e bons autores. Encontrei essa boa vontade no padre Paulo Ricardo. Creio inclusive que ele pode avançar mais nessa compreensão da problemática do concílio. Talvez já tenha avançado mais ainda. Se ele exporá publicamente seu progresso nesse sentido só o tempo dirá, pois além de ter que enfrentar os muitos progressistas que o perseguem devido a sua exposição fiel da doutrina moral da Igreja e do marxismo cultural (inclusive dentre padres e bispos) ainda teria que enfrentar os conservadores que resistem a qualquer discussão franca sobre o evento Concílio e liturgia. Esses então poderiam lhe causar até mais problemas do que os progressistas.
    Todavia, não disse que quem nunca ouviu falar em Michael Davis estava cometendo pecado mortal, disse apenas que achava estranho, uma vez que ele foi um escritor prolífico e presidente da Una Voce. Seus escritos sobre os problemas do Concílio, especialmente, a reforma litúrgica antecederam em muito o trabalho do professor de Mattei e do Monsenhor Gerardini.

    E, finalmente, Rodrigo, você usa tom de briga para quem não partilha de sua visão. E isso cansa os interlocutores. Sugiro que você simplesmente apresente suas ideias e as corrobore, mas sem esse tom de briga. Uma caixa de comentários não deve ser um ring de box, onde se queira vencer pelo grito ao invés da apresentação de ideias. Encero minha participação de comentários sobre esta postagem, pois tenho outras atividades a serem realizadas e não vejo fruto nesse tipo de interação.

    PAX!

    • «Não lhe fiz nenhuma agressão verbal. Chamei-o de cara de pau porque ao que parece você confunde o pensamento do professor de Mattei. Quem leu atentamente seus dois últimos livros não o compararia ao herege Leonardo Boff.»

      Maria,

      É verdade. Realmente “cara de pau” é tratamento carinhoso, né?

      E mais: não estou confundindo nada. Eu não comparei o De Mattei com o Boff por ser herege. O que eu disse é que tanto De Mattei (cujas declarações publicas cada dia mais o aproximam do cisma) e o herege Leonardo Boff compartilham do mesmissimo juizo de fato global sobre o Vaticano II: ambos insistem que foi uma ruptura na Igreja, ambos insistem que o Concilio como evento historico é muito maior e mais importante que seus proprios textos (tese esta que o italiano claramente chupinhou dos progressistas, que já a vinham sustentando há mais tempo, desde o proprio Concilio). No que os dois divergem é no juizo de valor que fazem sobre os acontecimentos, não no juizo de fato. A senhora não soube demonstrar por que estou errado ao afirmá-lo; pelo contrario, me xingou de “cara de pau” como se isso provasse alguma coisa (a não ser a falta de argumentos).

      «Se disse “vários”, tinha em mente vários. Caso contrário teria dito “todos”. Ou você não sabe a diferença entre vários e todos?»

      Sim, eu sei. Mas preferi me certificar antes de tecer comentario. Quanto à sua pergunta, li a “Storia mai scritta” do sr. De Mattei. Dispensei-me de ler Apologia da Tradição. A primeira obra me pareceu o parto da montanha (“parturiunt montes, nascetur ridiculus mus”): prometia muito, mas de fato não trouxe nada de novo. Senti-me enganado, se pudesse obteria meu dinheiro de volta. Dispensei-me de ler também “Il crociato del secolo XX”.

      «Se você quer analisar o Concílio apenas nos documentos que produziu, faça-o. É uma escolha sua. Contudo, o que disse acima é que há outras linhas de interpretação. E elas são representadas por expoentes como o Professor de Mattei, que tentam analisá-lo como um evento global, incluindo os documentos.»

      Ocorre que uma disciplina inferior (como a historia) não pode julgar outra superior (como a teologia). E fazer isso subrepticiamente é escamoteação.

      «Aqui você desvia totalmente do que eu disse para fazer uma suposição infantil. Não só não vejo CN (o que não significa que nunca tenha assistido algum programa) como também não concordo com as visões do Padre Paulo Ricardo sobre o Concilio.»

      Mas era exatamente isso o que eu queria que você entendesse: eu não tenho de conhecer ou gostar de um autor, só porque o pe. Paulo Ricardo também gostou.

      «Ele mudou muito sua visão sobre a Missa Tradicional e hoje expressa claramente seu respeito pela liturgia tradicional e afirma ter procedido a essa mudança graças à obra do Michael Davis (foi o primeiro presidente da Una Voce).»

      Bom, eu nunca deixei de ter respeito pela liturgia tradicional. Pelo contrario, entendo até que a liturgia romana tradicional é, do ponto de vista estritamente liturgico, superior à romana reformada, hoje sua forma ordinaria. Mas o fato de preferir a liturgia tradicional não me autoriza a dizer que a liturgia reformada contenha erro de fé ou moral, seja heretica, heretizante, inválida ou incitar os catolicos que não a assistam. Uma coisa é o plano dogmatico-moral, outra o plano liturgico-disciplinar. A fé e a moral são de instituição divina (como as palavras da consagração e a natureza sacrifical da missa). A liturgia, a disciplina e a pastoral, naquilo que não é determinado diretamente pela fé e pela moral, são de instituição humana e dependem de um juizo prudencial da autoridade eclesiastica.

      «ainda teria que enfrentar os conservadores que resistem a qualquer discussão franca sobre o evento Concílio e liturgia»

      Bom, eu não sou conservador. Eu sou catolico apostolico romano, e não quero ser nada mais além disso. E é falso que eu resista “a qualquer discussão franca sobre o Concilio e liturgia”, pois senão eu não estaria aqui discutindo — e sendo censurado por aqueles que querem julgar o Concilio por seus frutos quando apresento um fruto legitimo da hermeneutica da ruptura, supostamente tradicionalista.

      «Todavia, não disse que quem nunca ouviu falar em Michael Davis estava cometendo pecado mortal, disse apenas que achava estranho, uma vez que ele foi um escritor prolífico e presidente da Una Voce»

      Talvez eu já tenha de fato lido alguma coisa do Michael Davis, pois me lembro de ter lido coisas da Una Voce. Entretanto, francamente não me lembro do nome dele pois, em geral quando eu leio, preocupo-me mais com o que está escrito do que com quem o escreve.

      «E, finalmente, Rodrigo, você usa tom de briga para quem não partilha de sua visão. E isso cansa os interlocutores. Sugiro que você simplesmente apresente suas ideias e as corrobore, mas sem esse tom de briga. Uma caixa de comentários não deve ser um ring de box, onde se queira vencer pelo grito ao invés da apresentação de ideias.»

      Eu sempre procurei me manter no terreno dos argumentos. Em compensação fui mimoseado com palavras mui amistosas como “cara-de-pau”, que vivo em “auto-engano” e que sustento minhas teses não por convicção mas por medo de meus superiores… Todo o mundo sabe que os supostos tradicionalistas tratam que nem cachorro (ou pior, como herege modernista) quem, em vez de simplesmente ignorá-los, ousa lhes dirigir a palavra para manifestar sua discordancia. Você, apesar do “cara de pau”, ainda me tratou com uma gentileza acima da media da sua grei. Mas se eu quis vencer no grito, ou transformar o box de comentarios em ringue de boxe, creio que deve ter ficado evidente para quem se deu ao trabalho de acompanhar a discussão.

      Desejo a você a paz também, porque não quis brigar com ninguém.

  34. Até este momento, a propósito da entrevista do prof. Roberto de Mattei publicada pelo mensário “National Catholic News” dos EUA, foram postados cerca de cinqüenta comentários de leitores. Todas as perguntas da entrevista giraram em torno do tema da incidência ou não da infalibilidade papal nas canonizações, e foram respondidas com objetividade por ele. Já nos comentários dos leitores, nota-se que, enquanto alguns se limitaram ao tema proposto, outros derivaram para questões diversas.
    Podem os leitores concordar ou discordar das respostas do prof. De Mattei. Tanto num quanto noutro caso, as razões apresentadas devem situar-se no elevado plano doutrinário. Deu-nos o exemplo da polêmica de elevado nível o scholar norte-americano Donald S. Prudlo, escritor e professor de História Antiga e Medieval numa universidade do Alabama, e de Teologia e História da Igreja noutro lugar. Com efeito, publicou o artigo “Are canonizations based on Papal Infallibility?, no qual apresenta concordâncias e também objeções ao prof. De Mattei, e que pode ser lido neste endereço:
    http://www.crisismagazine.com/2014/are-canonizations-based-on-papal-infallibility
    Prudlo realça o entendimento da corrente teológica majoritária, que sustenta a infalibilidade papal nas canonizações, e rebate o ponto de vista histórico-teológico do Prof. De Mattei, que adota o posicionamento da corrente minoritária. A rigor, tanto um quanto outro pontificam apenas no terreno histórico, e não na matéria propriamente teológica. Não seria oportuno agora apresentar uma tradução do referido artigo. Limito-me a destacar alguns pontos, tanto no sentido das afinidades quanto das contrariedades entre ambos os eruditos.
    Prudlo, com elegância, começa por reconhecer a defesa que o prof. De Mattei faz das raízes cristãs da Europa, e mostra-se particularmente grato por isto. Concorda com muitas das suas avaliações sobre mudanças introduzidas no processo de canonização que prejudicaram o rigor que antes se observava. A pressão que vem sendo feita para a acelerada canonização dos pontífices do pós-Concílio Vaticano II, contrasta com tão poucos pontífices elevados à honra dos altares nos últimos setecentos anos, e foi apontada na entrevista, e também notada por Prudlo. Este reconhece que são questões relevantes e válidas, levantadas pelo professor De Mattei.
    Na matéria histórica onde surgem divergências entre ambos, Prudlo lamenta que De Mattei comece a “minar o consenso teológico sobre a infalibilidade do Papa na canonização, uma opinião comum desde Tomás e Boaventura”. Em seu clássico estudo “Die Unfehlbarkeit des Papstes in der Heiligsprechung”, Max Schenk aponta essa quase unanimidade alcançada entre os teólogos até 1965. Entre o final dos anos 1300 e 1600, houve apenas quatro pensadores dissidentes do ensino majoritário. Depois da publicação da obra monumental em sete volumes sobre as beatificações e canonizações, do futuro Papa Bento XIV (1740-1758), a tese da infalibilidade nas canonizações tocou as raias da unanimidade total. Prudlo reconhece que De Mattei está certo quando considera que Bento XIV ensinou como teólogo privado sobre o assunto; no entanto, ele até hoje é a maior autoridade sobre o assunto. Na verdade, pode-se até mesmo chamar Bento XIV de “o Tomás de Aquino das canonizações”, tal a sua ciência e a aceitação universal de seu ensinamento.
    Os que quiserem conhecer mais a fundo o pensamento do prof. Prudlo podem ir à fonte, que já indiquei. Quero agora fazer notar aos leitores a gravidade do momento presente. Amanhã haverá a canonização de João XXIII e de João Paulo II. Isto pode trazer um grave problema para os católicos. Os da corrente minoritária que negam a infalibilidade papal nas canonizações, ao afirmarem sua posição, sentem-se à vontade para, no início do mês, dizerem: São José de Anchieta, rogai por nós”. E, ao final do mês, para não dizerem “São João Paulo II, rogai por nós” e emudecerem. Ou seja, reservam-se o direito de aceitarem uns como santos, e de não aceitarem outros. Com isto, tanto os santos do passado quanto os do futuro perdem a certeza absoluta, que até agora gozaram perante os fiéis, de estarem na glória celeste e serem modelos de santidade. Todos podem ser questionados! E isto é gravíssimo! Poderemos ver no futuro “tribunais da verdade” que se encarregarão de fazer a revisão dos processos dos santos.
    Mas quem se posicione na corrente majoritária, que reconhece a infalibilidade pontifícia nas canonizações, também poderá se encontrar numa situação de gravíssima questão de consciência, se questionar e não reconhecer como santos os Papas João XXIII e João Paulo II, e logo mais, Paulo VI. Com efeito, muitos já levantaram um elenco de razões ou de fatos que não recomendam tais canonizações. Se contudo forem feitas, o Espírito Santo transforma o preto em branco, e o branco em preto? Não. A solene canonização, por Soberano Pontífice, de pessoas que não foram verdadeiros modelos de santidade, abre dolorosa chaga na Santa Igreja e deixa exposta dramática situação: o Pontífice que canonizou, já não era verdadeiro Papa, e a canonização foi nula.
    Os que prefiram não considerar a gravíssima situação que pode se colocar, e decidam fechar os olhos para a tormentosa questão, não vão ficar sossegados por muito tempo. Pois não poderia vir, logo mais, a canonização de protestantes martirizados ou de suposta virtude, como Martin Luther King e outros? Não chegariam as canonizações “ecumênicas” até Lutero, para lhe fazer reparação?
    Amanhã, dia 27, buscarei refúgio no Imaculado Coração de Maria, pedindo para fazer cessar, o quanto antes, dias tão confusos, tormentosos e trágicos para a Santa Igreja. Estarei unido com os que também se recolham para padecer, junto com Cristo, a Paixão da Santa Igreja.

  35. Sr. Rodrigo Pedroso,

    Se por acaso sentiu-se ofendido com meu comentário, peço desculpas. Minha intenção aqui é aprender e ajudar na medida de meus parcos conhecimentos. Digo que já pensei como você mas a “auto-enganação” e o “medo” citados diziam respeito a mim, não a Vsa. Sa..

  36. I. O prof. Roberto de Mattei está errado. A infalibilidade do Magistério não está somente no objeto direto (verdades reveladas), mas também no objeto indireto ou secundário (verdades que estão intimamente ligadas com a revelação, sem as quais as próprias verdades reveladas não poderiam permanecer incólumes). Os que negaram o objeto indireto da infalibilidade foram os modernistas, racionalistas e jansenistas. Todos os teólogos católicos anteriores ao Concílio reconheciam a infalibilidade disto, isto é, que a Igreja não é só infalível nas questões reveladas sobre a fé e a moral, mas também nas questões que estão em estreita relação com a Revelação.

    Isso foi QUASE definido pelo Concílio Vaticano I, logo tese próxima a ser definida !

    «Si alguno dijere que la infalibilidad de la Iglesia queda restringida solamente a aquellas verdades, que están contenidas en la divina revelación, y que no se extiende también a otras verdades que se requieren necesariamente, a fin de custodiar íntegramente el depósito de la revelación, sea anatema». (esquema 1 cn.9)

    Também se deve recordar que o Concílio usa uma expressão genérica sobre a infalibilidade do Papa: quando ele define uma doutrina “a ser aceita” (tenenda) e não “a ser crida com fé divina” (fide divina credenda), abrangendo assim mais do que o objeto direto. Pelo menos é essa a explicação de Dom Gasser em suas intervenções e Kleutgen comentando seu projeto. Neste link há todos os trechos: http://wp.me/pw2MJ-2hS

    II. Quanto a forma do processo, sua diligente análise, seu tempo, etc. Uma citação teológica refuta claramente:

    Mons. Philip E. HALLETT (1884-1948)

    “[…] Os processos que acabamos de descrever são os prescritos no Código de Direito Canônico [1917]. É preciso lembrar-se, contudo, de que o Papa, tal como o Rei na lei inglesa, é a fonte de toda a autoridade na lei puramente eclesiástica e pode, portanto, suspender ou modificar o procedimento, se ele quiser. Na plenitude de seu poder, ele poderia canonizar santos sem absolutamente nenhuma preliminar, embora, é claro, ele nunca faria isso.”

    Pronotário Apostólico. The Canonization of Saints (A Canonização dos Santos). Londres: Catholic Truth Society, 1952. Grifo do tradutor.
    Cfr. trancrição em: “ewtn.com/library/mary/canonize.htm”.]

    II. Quanto o ponto de vista histórico dele sobre João Paulo II e João XXIII.
    Uma beatificação já o superaria, que dirá a certeza infalível !

    Cardeal Journet:

    “Isto significa que no momento atual as coisas parecem sob tal luz que ela certamente não peca contra a prudência. Que a pessoa em questão esteja no céu contudo, e definitivamente digna de culto está, não há dúvida, e já certo, mas só com uma certeza prudencial e reformável, mas de forma absoluta e irrevogável. [789] Essa certeza é muito maior do que a de um historiador que a obtém pela pesquisa puramente científica.” ((THE CHURCH OF THE WORD INCARNATE (Chapter VII), II, B 1))

  37. Só uma correção se G. M. Ferretti, por gentileza, me permitir:

    Na citação de Card. Journet sobre beatificação a tradução do final da segunda frase está errada, evidentemente. O correto não é “mas de forma absoluta e irrevogável”, mas “não, contudo, de forma absoluta e irrevogável”.

  38. O Nelson Sarmento adora “forçar a barra”!!! Veja: “questões que estão em estreita relação com a Revelação. Isso foi QUASE definido pelo Concílio Vaticano I, logo tese próxima a ser definida !” Ora, o que está próxima de ser não é!!! E uma coisa não pode ser “próxima da verdade” em matéria de doutrina… Isto parece ser relativismo! Além disto, adora citar teólogos de caráter sedevacantistas: (talvez seja pelo fato deles neocons e sedevacantistas serem bem parecidos no que diz respeito a que “papa de modo algum pode errar!”…) “Pelo menos é essa a explicação de Dom Gasser em suas intervenções e Kleutgen comentando seu projeto.” E olha olha o que ele diz: ” Na plenitude de seu poder, ele poderia canonizar santos sem absolutamente nenhuma preliminar, embora, é claro, ele nunca faria isso.” Caramba!!!!!! Mas e o que o papa Francisco fez ao dispensar o milagre de João XXIII???? E o mais escandaloso desta história toda: a supressão do advogado do diabo para deixar bem claro, insofismável e categórico que a pessoa canonizada é de fato santa???????

  39. Prezado Marco, salve Maria!

    Que não seja tese definida singularmente isso todos nós sabemos. Mas que dentro da definição da infalibilidade papal se inclui as verdades conexas não me parece crível negar tendo em conta da expressão “a ser aceita”. As intervenções de Dom Gasser, em nome da Deputação da Fé do Concílio Vaticano I, defendem isso. Dom Senestrey, que foi um dos iniciadores da formulação, apresenta o mesmo. Também tantos outros téologos, como Salaverri em seu «De Ecclesia Christi».
    Ler essa tradução (http://wp.me/pw2MJ-2hS) seria importantíssimo para toda a discussão.
    Para além das definições, o Concílio Vaticano deu ensinamentos explícitos sobre o tema. É só olhar a constituição Dei Filius que diz: “não é suficiente evitar a heresia, mas é igualmente necessário fugir com diligência dos erros que dela em maior ou menor medida se aproximam”.
    O teólogo do Concílio Vaticano I, padre Kleutgen, diz quanto as conclusões sobre filosofia (abarca objeto indireto também): “Foi definido na primeira Constituição acerca da fé que é direito e dever da Igreja julgar acerca das conclusões da Filosofia…”
    Ou seja, é teologicamente certo a obrigação total de aderir as sentenças dadas pela Igreja acerca das verdades conexas com as verdades reveladas.
    E o Sr. acha pouco ser uma tese QUASE definida?

    Para finalizar a primeira polêmica deixo o que diz o Papa Leão XIII sobre isso (poderia trazer citações magisteriais pós-concílio, mas não é preciso):

    Leão XIII: “O Soberano Pontífice precisa poder declarar com autoridade o que é que a palavra divina contém, quais doutrinas concordam com ela e quais doutrinas se afastam dela; pela mesma razão, ele deve poder mostrar o que é bom e o que é mau, o que é necessário fazer e o que é necessário evitar para se salvar; de outro modo, ele não poderia ser o intérprete certo da palavra de Deus nem o guia seguro da vida humana.”
    (Encíclica Sapíentiae christianae)

    Não citei teólogos de “caráter sedevacantista”. Que absurdo! Citei um teólogo (Mons. Philip E. HALLETT) que tanto os sedevacantistas quanto os conservadores usam sobre o assunto, mas que é anterior aos papas conciliares. Citei também o cardeal Journet que não tem nada de sedevacantista. A última citação nunca encontrei em blogs sedevacantistas, mas diretamente de sua obra.
    De fato, o Romano Pontífice não está subordinado aos preliminares do processo. Ele poderia muito bem nem fazer um processo e canonizar, pois a infalibilidade da canonização se encontra no juízo definitivo dele de que tal pessoa goza de visão beatifica e merece veneração pública. Mas é óbvio que teve preliminares para a canonização de São João Paulo II e São João XXIII (se teve poucos é outra discussão, embora inútil já que poderia não ter nenhuma). Eu citei um teólogo, enquanto Roberto de Mattei não citou sobre o assunto. O Sr. também não. Eu poderia ter citado antes outro, mas penso que uma discussão mais coerente exija que citemos as fontes que precedem o Concílio nos dois lados (tradicionalistas e conservadores). Mas que não seja por isso!

    Alguém bem autorizado sobre o tema Mons. José Luis Gutiérrez (Relator Geral de algumas causas de canonização):

    “(O ato pontifício). Tanto a beatificação quanto a canonização constituem um ato livre do Romano Pontífice: livre, enquanto não está intrinsecamente submetido a procedimento nem é o resultado necessário de um processo no qual as provas sobre a santidade de vida ou o martírio de um servo tenham sido plenamente satisfatórias. O processo é só um meio, decantado por uma experiência de séculos e determinado em todos seus passos pelas leis da Igreja do qual se serve o Papa para a realização das investigações que lhe permitirão formar seu próprio juízo e pronunciar a declaração da santidade.
    A natureza deste ato pontifício fica claramente expresso nas fórmulas de beatificação e canonização.” (PRINCIPIOS INSPIRADORES DE LA NORMATNA SOBRE LAS CAUSAS DE CANONIZACIÓN, JOSÉ LUIS GUTIÉRREZ
    Pontificia Universitll della Santa Croce )

    Para terminar a segunda discussão nada melhor do que uma citação de Santo Tomás que mostra que não apenas que o decreto é infalível, mas também que o processo é guiado pelo Espírito Santo para se chegar para esse fim:

    A segunda objeção dizia: “pois, sendo o testemunho de homens falíveis, parece que a Igreja pode errar em canonizar santos.”

    “A divina providência assiste a Igreja em tais coisas de modo que não se engane por causa de testemunhos de homens falíveis” (Quodlibetal Questions, VIII, a. 1, resp 2)

    Obs: Promotor Fidei foi estabelecido no século XVI, enquanto a canonização é bem mais antiga do que isso. ;)
    Obs2: São Francisco de Assis foi canonizado em MENOS DE DOIS ANOS após falecer.

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