Valeu a pena fazer revolução?

Por Dom Aloísio Roque Oppermann, Arcebispo Emérito de Uberaba (MG) – O que moveu os agentes da Revolução de 31 de março, a intervir na sequência politico-histórica do Brasil, foi o medo de acontecer uma instalação de regime de governo, de cunho socialista e marxista. O medo vinha, com realismo, da ilha de Cuba. Nós como cristãos, praticamos uma inata aversão a esses regimes ateus, porque sabemos quanto a Igreja sofreu e sofre nos países comunistas: neles há necessidade de praticar o culto sob os olhos vigilantes do governo; de conformar-se com leis contrárias ao ensinamento de Jesus; de ver encarceramentos de seus líderes; de sofrer cerceamentos permanentes da liberdade. ”Foi para a liberdade que Cristo nos redimiu” (Gal 5, 1). Depois de 50 anos cabe-nos perguntar se aquele golpe revolucionário debelou os males que pretendia evitar.

Parece que os princípios de Hegel, de quebrar toda a estrutura social, para ver se aparece alguma coisa melhor do que esta sociedade, ainda conta com interesse em muitas escolas. Nelas permanece como sedução constante de uma “nova sociedade”. A idéia de Marx de jogar um grupo contra outro, através da luta de classes, continua em alta. Mesmo que suas profecias de união entre os proletários não se tenham jamais cumprido, nem a imposição sangrenta dos ideais comunistas tenha surtido resultados. Hoje parece que o método preconizado por Gramsci, de introduzir o socialismo entre todos, por métodos suaves mas furtivos, está na crista da onda. O meio é a ideologia e a educação a conta gotas, de modo que não se perceba a presença da poção venenosa. Assim, ficamos em dúvida diante das intenções reais do nosso poder público, frente à amizade com regimes políticos estrangeiros; não entendemos se os médicos trazidos de países socialistas, vieram para ensinar ao povo que os indivíduos devem ser pagos parcimoniosamente em favor do grande partido; se eles vieram para mostrar que não se precisa de família; se a Comissão da Verdade não faz pesquisa seletiva; se a escolha de certos líderes é para ameaçar a legitimidade da economia de mercado; se o projeto nacional de educação, com sua tônica sobre gêneros, de fato quer fazer perecer a família; se o desejo de intervir nos meios de comunicação é para estabelecer a ordem, ou é para tomar conta daquilo que é diferente. O leitor veja se o futuro da liberdade hoje está garantido, ou se as nuvens escuras que se aproximam são prenúncio de tempestades. Não nos caberia um longo caminho de educação?

19 Responses to “Valeu a pena fazer revolução?”

  1. A diferença é que nos anos 60 nós tínhamos homens e mulheres de fibra, católicos tradicionais, para defenderem os valores da nossa pátria e hoje esses católicos são raros… Lógico que eu não conto a meia dúzia de católicos chaminés seguidores de Olavo de Carvalho que parecem querer mais status do que a luta digna contra os inimigos de nosso povo. E vc leitor do Fratres o que pensa de tudo isso concorda comigo ou discorda? Acha que ainda conseguimos segurar a onda esquerdista?

  2. Acho que seria útil à Sua Eminência e a todos nós revermos o que o Prof. Fedeli falou, oportunamente, sobre esse mito “dialético” Esquerda vs. Direita:

  3. Ainda me espanta ver hoje em dia ver grande parte da mídia subserviente ao petralhismo ( apesar dos pesares já tão alardeados nas searas educacional, política e econômica )

  4. “Os comunistas, socialistas e niilistas são uma peste mortal que como a serpente se introduzem por entre as articulações mais íntimas da sociedade humana, e a coloca num perigo extremo”. Papa Leão XIII – Quod Apostolici Muneris.
    O atuante bispo D Aloísio tem toda razão; ao ponto que chegou nosso país depois de longos anos de introdução do marxismo em todos os niveis, incluindo-se nas familias, lazer, tv, livros, midia, escolas infantis, universidades etc., vale um “longo caminho de REeducação”, pois as mentes estão contaminadas pela peste do marxismo, o qual até antes do Vaticano II já infestava muitos países, caso do título acima, levando-se em conta a época em que fora sentenciado pelo papa Leão XIII, sequenciado até ao papa Bento XVI que severamente o rechaçou.
    Para piorar, teve influencias negativas até nesse Concilio devido à sistemática infiltração na Igreja – consultem Bella Dodd e Yuri Bezmenov, 2 ex agentes arrependidos soviéticos – porém, sempre atentos que Satã está por detrás da doutrina comunista – são satanistas seus membros – por dedicarem profundo ódio a Deus e particularmente à doutrina da Igreja católica; são movidos pelo ódio a si, aos outros e adeptos de todas as aberrações possíveis, como aborto, pedofilia, da liberação de drogas uniões gays etc,, cuja ética é ser oportunista sob o padrão de que “todos os meios justificam os fins”.
    Precisamos odiar. O ódio é a base do comunismo. As crianças devem ser ensinadas a odiarem seus pais se não forem comunistas – Lênin.
    Infelizmente, se chegamos a esse ponto foi graças à ajuda de alguns eminentes religiosos, sem os quais o Brasil hoje não seria uma quase potencia marxista – vejam que inferno está a Venezuela onde adentraram – trazendo chantagens gerais, desmedida corrupção, odios recíprocos entre pessoas e grupos, atraso, miséria, escravidão e morte, tendo Cuba como exemplo de pois de mais de 50 anos de comunismo, exportando subversão, apoio ao narcotráfico e escravos sob todas as formas.
    Aqui no Brasil isso sucedeu com ajuda de muitos comunistas religiosos, como D Hélder – suspeito de ser agente da KGB – e vários outros comunistas bispos e sacerdotes infiltrados, da esquerdista Teologia da Libertação de viés marxista, por sinal muito afinada ao PT, mesmo a CNBB seria omissa ou conivente com sua suposta banda vermelha e os comunistas sacerdotes que seriam infiltrados nas CEB, CIMI, CPT e até no MST, ao estilo do finado Pe Joseph Comblin, repassando marxismo sob aparencias de doutrina católica.
    Mas não podem serem poupados os eleitores – muitos enganados pelos comunistas religiosos na falsa “opção preferencial pelos pobres” e os tirar das mãos dos burgueses e imperialistas – eles é que os são e piores ainda – pois aqui em nosso Brasil, se os comunistas governam, foi com ajuda de milhões de traidores católicos, quer conscientes ou não que postaram no poder os arquiinimigos de Deus e da Igreja.
    Confiramos as conexões do acima sob as previsões de Nossa Senhora em Quito para os séculos XIX e XX, em pleno andamento; idem, La Salette, Fátima, Lourdes.
    … Queremos Barrabás! Queremos Barrabás! Queremos Barrabás!…

  5. Leiam, aplaudam, apoiem! Enfim uma voz se levanta! Brilhante! Falou pouco, mas falou bem!… dizendo o urgentemente necessário!…dizendo exatamente aquilo que (nós todos, cidadäos Brasileiros) gostaríamos de dizer!…

  6. Fiquei admirada de um bispo falar assim, pois só vemos bispos pró PT e os que não são pró PT geralmente não tem esta visão política. Graças a Deus uma voz se levanta e foi postado no site da CNBB. É isto mesmo que está acontecendo aqui e em toda a América Latina. Se não pararmos este povo esquerdista com o voto nos tornaremos um país comunista de fato em pouco tempo. Aí saberemos o que é realmente uma ditadura!!!!!

  7. Nosso problema é a Igreja Católica. O problema é que, em relação às questões mais dessacralizantes da sociedade mundial, a Igreja está silenciosa, OMISSA. Temos silêncio do Papa até o mais humilde dos sacerdotes nas periferias. A CNBB existindo ou não, agrega algo à sociedade, aos cristãos? Qual sua razão de existir? E se o Papa fala, no dia seguinte tem que retificar, especificar, esclarecer e diferenciar. E assim caminha-se para o fosso a Humanidade…E sem qualquer expectativa de reversão desse quadro por intervenção humana. Resta-nos apenas, o Triunfo do Coração da Virgem, que se segue a esta Apostasia predita nas sagradas escrituras. Estamos vivendo esse momento. Não devemos esperar nada do que venha das instituições humanas. Com a Igreja (que seria a maior polícia moral do homem), humanamente acabada, resta-nos o consolo da parte Divina “que prevalecerá para sempre”.

  8. Parece que o Pe. Paulo Ricardo começa a fazer discípulos entre os bispos. Que Deus permita uma influência ainda maior dele.

  9. Valeu e muito. Pois a sociedade temporal que não havia ficado comunista perseguiu pessoas do clero que tinham como representantes Frei Betto e Frei Boff da Teologia da Libertação.

    Infelizmente a “direita” que tomou o poder em 1964 não perseguiu a esquerda como deveria e muitos “filósofos” ficaram nas cátedras das escolas e da igreja desvirtuando os jovens que ao invés de rezarem e terem uma vida virtuosa caíram nos vícios do mundo, da revolução de 68, do sexo, drogas e rock roll.

  10. Aleluia!!! Um questionamento extremamente lúcido de um arcebispo que não pode ser rotulado de “conservador” ou “reacionário”… Valeu a pena a musiquinha da CF 2014, só por ter sido utilizada dentro deste artigo iluminado.

  11. Dom Aloísio que me perdoe, mas nenhuma revolução política no mundo, por mais sangrenta que tenha sido, foi pior do que a revolução em curso dentro da própria Igreja, pois nessa está em jogo o destino eterno de um incontável número de almas.
    Revoluções humanas movidas por ódio, ganância, poder, ideologia sempre existiram desde que o homem colocou os pés sobre essa terra. Mas a Verdade permanecia imanente, a Igreja sobreviveu a todas elas.
    A revolução do Concílio Vaticano II não fez outra coisa senão jogar os Católicos uns contra os outros, dividir a Igreja em facções “liberais, conservadoras e tradicionalistas”, obrigando os fiéis Católicos a tomar partido, a terem que escolher entre os ensinos modernistas dos Pontífices contemporâneos e o Magistério dos Papas pré-conciliares, a ficarem brigando entre si até mesmo dentro de uma mesma família.
    O medo de uma volta ao que sempre foi a Igreja antes da revolução Vaticano II causou dois grandes abalos sísmicos que enfraqueceram ainda mais a estrutura da Igreja: a renúncia de Bento XVI e a eleição-relâmpago do ultra-liberal Cardeal Bergoglio, um Cardeal que nunca escondeu sua simpatia pela herética Teologia da Libertação.
    Nós como Católicos, nutrimos uma inata aversão a essa teologia porque sabemos que ela é fruto do Comunismo ateu e porque sabemos que o ateísmo é a negação da esperança que há em nós: a nossa fé em Nosso Senhor Jesus Cristo.
    Praticar o culto a Deus sob os olhos vigilantes do governo; ver o encarceramento de seus líderes e sofrer cerceamentos permanentes da liberdade nunca causou medo a um verdadeiro cristão pois foi o que os Apóstolos, os primeiros mártires e santos mais sofreram.
    Até ao terceiro século da era cristã a Cruz marcava a atuação da Igreja. Uma prova evidente disto é o fato de tal período ter ficado conhecido como a “era dos mártires”.
    Santo Inácio de Antioquia que foi discípulo do Apóstolo tornou-se célebre pela fidelidade a Cristo em meio às perseguições que sofreu e às cadeias que enfrentou devido à fé que professava. Pelo testemunho vivo de Jesus Cristo, Inácio estava disposto a enfrentar a morte. E, a caminho do martírio, proferiu as seguintes palavras:

    “Não quero apenas ser chamado de cristão, quero também me comportar como tal. Meu amor está crucificado. Não me agrada mais a comida corruptível… mas quero o plano de Deus que é a carne de Jesus Cristo… e seu sangue quero beber, que é bebida imperecível. Porque quando eu sofrer, serei livre em Jesus Cristo, e com ele ressuscitarei em liberdade. Sou trigo de Deus, e os dentes das feras hão de me moer, para que possa ser oferecido como pão limpo de Cristo”.

    Não é diferente o exemplo de fé de São Policarpo de Esmirna, o qual, diante da insistência das autoridades para que jurasse pelo imperador e lançasse maldições a Cristo, em troca da liberdade, respondeu: “vivi oitenta e seis anos servindo-lhe, e nenhum mal me fez, como poderia eu maldizer ao meu rei, que me salvou?” E estando já amarrado em meio à fogueira, Policarpo elevou os olhos ao céu e orou em voz alta:

    Senhor Deus Soberano… dou-te graças, porque me consideraste digno deste momento, para que, junto a teus mártires, eu possa ser parte no cálice de Cristo. Por isso te bendigo e a te glorifico. Amém.

    As experiências de Santo Inácio e São Policarpo retratam bem a disposição dos cristãos diante de governos que lhes cerceavam a liberdade de culto e lhes ameaçavam a própria existência. Para a Igreja daquele período, a fé na Ressurreição de Cristo foi o impulso maior à perseverança e à fidelidade no caminho da Cruz, pois é Cristo que sofre através dos seus discípulos mártires, no sofrimento pela causa de Cristo está presente o próprio Cristo. Por isso os sofrimentos como perseguição, prisão, pobreza e fome, são também sofrimentos de Cristo e, como tais, dores de parto da nova criação.
    Em nossos dias, o grande drama é que a linguagem da Cruz se tornou loucura até pra quem se diz Cristão! Se a onda da imoralidade cresce, se o conceito que tínhamos de família mudou é porque a Fé em princípios básicos como os 10 Mandamentos estão se evaporando das consciências. Nos tempos antigos haviam os mártires da Fé, hoje diante da Revolução Modernista em curso na Igreja, o simples fato de querer manter a Fé já é por si só um martírio. Diante do quadro caótico em que se encontra a nossa Igreja, agora sou eu que pergunto a vocês Bispos e Cardeais da Igreja Conciliar:
    “Valeu a pena fazer revolução?”

  12. Dá esperança quando vemos que hierarcas da Igreja começam a perceber a situação dificil em que nos encontramos.Parabéns a Dom Aloisio.

    Fiquem com Deus.

  13. A voz de um Bispo, digno de ser chamado de tal, um verdadeiro vigia e guarda de almas…

  14. Com cer-te-za, Alexandre. Concordo plenamente contigo.

    Meu, tipo assim:

    Sabemos que o Pe. Paulo Ricardo é um bom padre. E sabemos também que existem inúmeros outros padres de igual qualidade no Brasil afora. Como são padres que sabem o porque de estarem no mundo, eu acho que seria mais interessante promover um Concilio Vaticano III para que os padres possam ter direito a voz e a voto em igualdade com os Bispos. Afinal, a igreja somos nós, e se todo mundo vier para contribuir, quanto mais pessoas, menor a possibilidade de erro nas decisões.

  15. Que impressionante ler este artigo de Dom Aloísio — e mais alguns recentes — e logo depois saber de sua morte. Que em paz descanse!

  16. OS males do mundo são devido aos males da Igreja. Quando a Igreja se omite, ou torna-se cooperadora de ideologias avessas ao Catolicismo (Cristianismo), o mundo se perde.

    Tudo que hoje condenamos na sociedade moderna, veio, justamente, da ausência (ou presênça negativa em alguns casos) da Igreja.

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