O cruel surrealismo do Cardeal Kasper

Por Padre Nuno Serras Pereira – Há muitos pontos por onde pegar, para a refutar, no que diz respeito à proposta surrealista do cardeal W. Kasper de admitir à Comunhão Sacramental os casados validamente pela Igreja que se divorciaram pelo civil e se voltaram a “casar” civilmente e que vivem, não como irmãos, mas sim mantendo comércio carnal, isto é, fornicando adulteramente um com o outro.

O cardeal mostra , em primeiro lugar, uma concepção mágica da realidade. De facto, afirma que a sua proposta não muda em nada a Doutrina da Igreja e, para o provar, afirma em entrevista a validade do primeiro casamento mas recusa terminantemente, contrariando a Palavra expressa de Jesus Cristo, que a convivência posterior seja adulterina. Na sua parca, ou delirante?, imaginação basta mudar o nome a uma coisa para ela deixar de ser o que é e transformar-se em qualquer outra coisa que ele decidir.

Mas deixemos isso e infinitas outras coisas que se poderiam dizer acerca do que ele avança e atendamos somente às invocadas responsabilidades morais respeitantes aos filhos que resultaram da cumplicidade adulterina, as quais obrigariam, sob pena de impotência Divina, a uma suposta misericórdia de Deus que não poderia deixar de compactuar e selar o facto consumado.

Recorrendo a esta mesma lógica teríamos de concluir que um pai ou uma mãe ou ambos, que fossem ameaçados de morte caso não negassem a Fé em Cristo não só poderiam como porventura deveriam renunciá-la, para não faltar às responsabilidades para com os filhos.

(Também no caso de um pai ou de uma mãe que cometessem crimes, talvez terroristas, cujas penas incluiriam prisão efetiva, talvez perpétua, a Igreja deveria proclamar a imoralidade de tal coação por parte do estado, uma vez que inibiam os pais de cumprir as suas responsabilidades para com os filhos. Pela mesma lógica, uma mobilização geral em tempos de emergência nacional prolongada e com risco de vida colocaria de fora qualquer pai. E não seria mesmo de excluir que os viúvos ou viúvas com filhos fossem moralmente obrigados pela Igreja a contrair um novo enlace matrimonial de modo a realizar melhor as suas responsabilidades paternais.)

Recomendar e admitir à Sagrada Comunhão quem vive em estado de pecado mortal é induzir as pessoas, como ensina S. Paulo a condenarem-se, convencendo-as que o mal é bem, que o errado é certo, que a pecaminosidade é santidade, é estorvar-lhes a conversão a Jesus Cristo. Todas estas coisas, aprendi no Catecismo e ao longo de toda a minha vida, são manhas do Demónio, que tem como fim a perdição das almas, a sua condenação eterna. E importa muito não esquecer que S. Pedro, o fundamento visível do Papado, ensina que a finalidade da nossa Fé é a salvação das almas.

À honra de Cristo e de Sua Mãe. Ámen.

Créditos: Lavras Resiste!

5 Comentários to “O cruel surrealismo do Cardeal Kasper”

  1. “Osso do meus osso, sangue do meu sangue” que Adão disse de Eva, segundo santos doutores e a Igreja, prefiguraram a Encarnação de Cristo no seio da Virgem. Posteriormente, feridos pelo pecado, um dos castigos para Adão e Eva foi a competição entre marido e mulher. Mas Cristo continuou dizendo: “não separe o homem o que Deus uniu” e assim lançou a comunhão dos esposos na Sua Comunhão com a Igreja. Como também comparou São Paulo ao explicar que a submissão da esposa é devida em virtude do reflexo no marido do serviço e do Sacrifício de Cristo em favor da Igreja. Bem, de tudo isso, pode-se concluir que a comunhão do matrimônio é para Deus (em primeiro lugar) e para que almas se ajudem mutuamente na salvação, à qual ajuda ficam obrigadas, mas não mais do que à salvação dos filhos, pois confiados em inocência e fragilidade para toda a instrução. Se algo dá errado por insanidade de um dos esposos, por exemplo, ou porque quer porque quer ir para o inferno e renega a Deus, restará a solução heróica da Cruz, como foi para Santa Rita, autorizando a Igreja a separação em casos violentos, mas nunca um novo casamento (contra uma aliança com Cristo), porque a missão original prossegue e em virtude desta missão haverá um juízo e uma reparação ou uma recompensa e não se trata de multiplicar missões quando a primeira sempre vai até a morte. Cristo mesmo disse à Igreja: “não vos deixarei órfãos, estarei convosco até o fim dos tempos”. Sofre o que sofre, mas vai sempre com ela. Mesmo separados, esposos salvam um ao outro em oração e nos filhos também. O cardeal realmente não conhece a realidade e não pode acompanhar a ignorância que nos faz pecar e trair a Cruz.

  2. É simplesmente o avanço do plano de destruição da Igreja.

    Na declaração Dignitatis Humanae sobre a liberdade religiosa do Concílio Vaticano II, onde se diz: “Por sua vez, os cristãos têm, como os demais homens, o direito civil de não serem impedidos de viver segundo a própria consciência. Existe, portanto, harmonia entre a liberdade da Igreja e aquela liberdade religiosa que a todos os homens e comunidades se deve reconhecer como direito e sancionar juridicamente.” O que na prática é nada senão o indiferentismo religioso, pois diz que no Estado a Igreja deve ter a mesma liberdade que todos os homens e comunidades religiosas devem gozar, o que contraria notavelmente o que disse o Papa Leão XIII na Encíclica Immortale Dei.

    Os defensores do concílio dizem que essa liberdade tem um significado diferente, que quer dizer o mesmo que tolerância. Se é isso, por que não colocaram tolerância no lugar de liberdade?

    Em oposição a essa fala da Dignitatis Humanae, e com toda a razão e claro ensinamento da Igreja, diz Leão XIII: “Com efeito, onde quer que a prática está de acordo com tais doutrinas (de liberdade religiosa e indiferentismo na mesma matéria), a religião católica é posta, no Estado, em pé de igualdade, ou mesmo de inferioridade, com sociedades que lhes são estranhas. Não se tem em nenhuma conta as leis eclesiásticas; a Igreja, que recebeu de Jesus Cristo ordem e missão de ensinar todas as nações, vê-se interdizer toda ingerência na instrução pública. (…) Mas, como a Igreja não pode sofrê-lo pacientemente, pois seria para ela desertar os maiores e os mais sagrados dos deveres, e como reclama absolutamente o cumprimento religioso da fé que lhe foi jurada, muitas vezes nascem entre o poder espiritual e o poder civil conflitos, cujo desfecho quase inevitável é sujeitar aquele que é menos provido de meios humanos ao que é mais provido. (…) A liberdade, esse elemento de perfeição para o homem, deve aplicar-se ao que é verdadeiro e ao que é bom. (…) Não é, pois, permitido dar a lume e expor aos olhos dos homens o que é contrário à virtude e à verdade, e muito menos ainda colocar essa licença sob a tutela e a proteção das leis.” E o que se viu depois do concílio? A Igreja Católica posta como igual ou mesmo inferior às religiões de invenção humana, e aceitando tal injustiça e arbitrariedade em silêncio, inerte, em nome do concílio que prega a liberdade religiosa no governo civil.

    Ora, diz ainda Leão XIII: “A simples razão natural demonstra o quanto se afasta da verdade esta maneira de entender o governo civil. (…) Efetivamente, se a Igreja julga não ser lícito por os diversos cultos no mesmo pé legal que a verdadeira religião, nem por isso condena os chefes de Estado que, em vista de um bem a alcançar ou de um mal a impedir, toleram na prática que esses diversos cultos tenham cada um seu lugar no Estado.
    É, aliás, costume da Igreja velar com o maior cuidado por que ninguém seja forçado a abraçar a fé católica contra sua vontade, porquanto, como observa sabiamente Santo Agostinho, “o homem não pode crer senão querendo” (tract. XXVI in Ioan., n. 2).
    Pela mesma razão, não pode a Igreja aprovar uma liberdade que gera o desgosto das mais santas leis de Deus e sacode a obediência devida à autoridade legítima. Isso é mais uma licença do que uma liberdade, e Santo Agostinho lhe chama mui justamente “uma liberdade de perdição” (Epist. CV, ad Donatistas, cap. II, n. 9) e o Apóstolo S. Pedro “um véu de maldade” (1 Ped 2, 16). Muito mais: sendo oposta à razão, essa pretensa liberdade é uma verdadeira escravidão. “Aquele que comete o pecado é escravo do pecado” (Jo 8, 34).”

    Dizem os defensores do Vaticano II que o concílio não contraria a Tradição, mas o que se vê na prática da Dignitatis Humanae? Todos podem ver que a prática do concílio foi herética, coisas que jamais seriam admitidas antes do concílio foram realizadas com o louvor do mundo até por Papas, como os encontros de Assis, beijar o Corão, chamar os muçulmanos de irmãos, etc.! Tudo “sem mudar a Doutrina da Igreja”, segundo os responsáveis por esta situação lamentável da Igreja.

    O mesmo quer fazer Kasper, só que no lugar da liberdade religiosa, a Comunhão aos recasados. Muito sabiamente disse o Padre autor do artigo sobre a proposta do cardeal Kasper: “De facto, afirma que a sua proposta não muda em nada a Doutrina da Igreja e, para o provar, afirma em entrevista a validade do primeiro casamento mas recusa terminantemente, contrariando a Palavra expressa de Jesus Cristo, que a convivência posterior seja adulterina. Na sua parca, ou delirante?, imaginação basta mudar o nome a uma coisa para ela deixar de ser o que é e transformar-se em qualquer outra coisa que ele decidir.”

  3. Essa é uma estratégia que qualquer um que leia os Documentos ambíguos do Vaticano II já perceberam: a desonesta manipulação semântica. Não, ele não está delirando quando acha que basta mudar o nome de uma coisa para ela deixar de ser o que é e transformar-se em qualquer outra coisa que ele decidir.
    Veja o que fizeram com o pecado abominável da sodomia, aquele pecado que sequer se ousava dizer o nome! Tanto que nos documentos que o condenava se usava em latim «passiones ignominiae», «usum contra natural» et «turpitudinem operantes».
    Agora já usam “pessoas homossexuais”, como se Deus tivesse criado um terceiro gênero de pessoas. Contrariando a própria ciência, o Novo Catecismo reforça a mentira do lobby gay ao dizer que algumas pessoas trazem essa tendência inata. Se fala em “pecado contra a natureza”, como se Deus como o próprio autor da natureza não fosse o maior ofendido, ou atos “intrinsecamente desordenados”.
    Ora, o fato de eu pegar com o pé um objeto que caiu no chão também é um ato “intrinsecamente desordenado” já que a mão é que foi feita pra pegar coisas e o pé para andar ou sustentar o corpo.
    Onde foi parar o pecado mortal que grita aos céus por vingança? Existe algum padre que ainda fale o preto no branco sobre essa realidade?
    Agora adúlteros recebem o politicamente correto nome de “casais em segunda união”, quando o próprio Cristo falou claramente que enquanto um dos cônjuges for vivo, aquele que se casar novamente comete adultério. Quem está julgando? A própria palavra de Deus. A missão da Igreja é salvaguardar e proclamar dos telhados essa palavra. Mesmo que custe o sacrifício de João Batista.
    Catecismo básico minha gente!!! Uma pessoa que peca em matéria grave, ou seja, qualquer coisa que vá contra os 10 Mandamentos da Lei de Deus, com pleno conhecimento: ou seja, sabendo perfeitamente que aquele ato é pecaminoso, com pleno consentimento: ou seja, voluntariamente, com total consentimento da vontade por livre e espontânea vontade, perde a graça santificante e não pode receber sacramento nenhum, exceto o da Reconciliação se tiver as disponibilidades pra isso.
    Então, os adúlteros, os sodomitas e as sacrílegas mulas-de-padre que reivindicam mudança na Doutrina da Igreja pra acomodar seus pecados tem consciência de que estão pecando em matéria grave, o fazem com pleno consentimento porque ninguém os obriga a pecar e acham que se um Papa mudar a Doutrina de Cristo, seu sentimento de culpa irá se evaporar como por encanto no ar.
    E o pior é que acham dentro da Igreja, outros impostores de mitra que concordam com eles.

  4. Com muita propriedade e ciência trata do mesmo tema, numa conferência de uma hora de duração, o Padre Santiago Martín. É útil e enriquecedor, para sacerdotes e leigos, o conhecer essa didática e substanciosa exposição. Pois, como sustenta o conferencista, a tese do Cardeal Kasper conduz, aos que aderirem a ela, ao caminho do cisma.
    O link do vídeo é este: https://www.youtube.com/watch?v=uknkkQ6sUJc

  5. O que mais me impressiona é que nós católicos devemos gastar tanta saliva tentando salvaguardar a ortodoxia. Não é absurdo, apesar de nobre?
    A que ponto chegamos? Como pudemos chegar a esse ponto, onde temos uma cardeal como Kasper que fala esses absurdos e nada lhe acontece?
    Pastores, precisamos de vocês!!! Quando voltarão a guiar o rebanho do Senhor e afastar os lobos do nosso pescoço? Rezemos pelo Papa, bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas, pois são a ponta de lança da Cidade de Deus.