Diocese de Ciudad del Este – Resumo explicativo da Visitação Apostólica.

Por Diocese de Ciudad del Este | Tradução: Fratres in Unum.com

A Visita Apostólica

Oficialmente, o Núncio Apostólico em Paraguai avisou em conferência de imprensa aos 2 de julho de 2014 que a Diocese de Ciudad del Este receberia uma iminente Visita Apostólica «a fim de lhe oferecer uma assistência para o bem daquela Igreja particular». Oficiosamente, os meios de comunicação disseram que se tratava de uma verdadeira «intervenção na Diocese», isto é, de um processo que culminaria ou com a renúncia ou com a destituição de nosso Bispo e com o fim da obra que vem concretizando.

Apresentamos agora um resumo explicativo que sublinha os pontos desta conjuntura com seus fatos e documentos probatórios. Fazemo-lo no estilo plano e direto do Povo de Deus, e com a honestidade e transparência a que nos tem habituado D. Rogelio.

  1. Lugo e Livieres

O Bispo paraguaio mais famoso é, sem dúvida, o «padre-Bispo» Fernando Lugo,  ex-Presidente da República. Assumiu como Presidente em agosto de 2008, logo depois de ter sido dispensado de suas obrigações como consagrado e retornar ao estado laical. Foi destituído em 2012, depois um julgamento político no Congresso.

Lugo e a minúscula porém inteligente esquerda do país jamais teriam chegado ao poder, derrotando o Partido Colorado, sem uma aliança com a primeira minoria, o Partido Liberal, e o apoio massivo (expresso ou tácito) da Igreja hierárquica. Desde há décadas, no Paraguai são sistematicamente designados como Bispos só candidatos de certa tendência anti-Partido Colorado e, ademais, embebidos em uma formação difusa nos derivados ideológicos da Teologia da Libertação.

Como toda regra, teve sua exceção: D. Livieres levantou a voz (muito publicamente) para opor-se à candidatura de Lugo, tornando-se assim o único defensor da postura do Vaticano. As críticas que assinalou foram de dois tipos. Por uma parte, opôs-se à confusão fundamentalista entre religião e política causadora de que Lugo e tantos outros consagrados abandonassem seus compromissos evangélicos para «meter-se em política». Por outra, advertiu sobre a irresponsabilidade moral e administrativa do candidato, encoberta por tantos eclesiásticos e religiosos, pois «todos sabiam».

  1.  Opinión de Mons. Rogelio respecto de Fernando Lugo. [Entrevista]

  2.  Bispos pidem a Lugo renunciar para evitar violencia.

  3.  Mons. Livieres había manifestado em varios momentos su postura con relación a Fernando Lugo cuando éste aún era Bispo de San Pedro.

  1. A «Comunhão Eclesial»

A polémica em torno a Lugo não foi a primeira ocasião em que Mons. Livieres agitou o episcopado. A acusação de que «rompia com a comunhão eclesial» começou antes inclusive de que pusesse os pés na Diocese e, portanto, de que pudesse «meter o bedelho». Efetivamente, a Conferência Episcopal escreveu a São João Paulo II expressando seu vivo desacordo com a nomeação do novo irmão que nem sequer havia estado na terna dos candidatos, sendo «imposto» por Roma. Alguns líderes leigos também fizeram eco a estes protestos. A Santa Sé não cedeu. E depois, contra o vento e a maré, como a barca do Evangelho, sustentou ao novo Bispo em sua gestão.

Porém a Conferência Episcopal não pressentia mal. Definitivamente, D. Livieres, do Opus Dei, representava uma orientação eclesial distinta do férreo modelo dominante. Em honra à verdade, há-que se reconhecer que ele nunca pretendeu impor seus lineamentos pastorais aos outros Bispos. Não tomou uma atitude de contraposição mas de complementariedade enriquecedora da Igreja. (Com freqüência, confunde-se a unidade na fé e no amor, a autêntica «comunhão eclesial», com uniformidade imposta.)

Um momento particularmente difícil para a convivência episcopal foi gerada pela exposição de uma carta confidencial e pessoal que D. Rogelio entregara em mãos do Papa Bento XVI, a pedido de Sua Santidade, durante a visita ad limina. Como ocorrera depois com o «Vatileaks», foi entregue à imprensa do próprio Vaticano (por alguns dos agentes que buscaram fazer mal ao Papa emérito?). A carta insistia sobre a necesidade, se se quer de verdade superar a crise da Igreja, de eleger aos futuros Bispos entre os melhores candidatos desde o ponto de vista da vida de fé e da idoneidade litúrgica, sapiencial e de governo; e não entre aqueles «aceitos por todos» para manter o status quo.

O Bispo de Ciudad del Este, digno filho de seu pai exiliado seis vezes pelo governo militar de Stroessner, acabou por ser um infatigável combatente por sua liberdade religiosa e a de seus fiéis.

Algumas notícias da “comunhão eclesial” vivida por nossa diocese:

  1. Mons. Rogelio Livieres participa de a 193 ª Asamblea Plenaria Ordinaria de a CEP.

  2. Mons. Rogelio Livieres asistirá a a toma de posesión do nuevo Bispo Castrense.

  3. A Pastoral Social se une para ayudar a os mais necesitados do Chaco.

  4. Mons. Rogelio Livieres recibió a visita de os miembros de a Pastoral Familiar Nacional.

  5. Mons. Livieres participa de a Asamblea Plenaria Extraordinaria de a CEP.

  6. Diocese de Ciudad do Este será a sede de a XIV asamblea nacional de a Pastoral Familiar.

  7. Mons. Rogelio Livieres participa de a primera Asamblea Plenaria Ordinaria de a CEP.

  8. Miembros de a Vicaría para Catequesis de nuestra Diocese participaron de a Reunión de Coordinación Nacional.

  9. Mons. Rogelio Livieres participa do retiro de os Bispos do Paraguai.

  10. Sacerdote de nuestra Diocese, especialista em Sagrada Liturgia participó do 1er. Encuentro Nacional de Liturgia.

  11. Mons. Livieres participa de a última reunión do año de a CEP.

  12. Mons. Rogelio Livieres participará de a primera reunión de a Conferencia Episcopal Paraguaia.

  1. Os Religiosos

Os desencontros se deram também com a Conferência de Religiosos do Paraguai. No se deveu a uma incompreensão da vida religiosa, que claramente fomentou D. Rogelio em sua Diocese, mas pela profunda crise de identidade e disciplina que sofrem muitas comunidades, especialmente de origem ou formação européia.

Boa parte dos religiosos a nível nacional identificou-se com a atuação de Lugo. Ademais, quando ocorreram casos de agudas crises sociais, como o massacre de Curuguaty nesta Diocese, pontapé que precipitou a queda política do ex-Bispo, emitiram pronunciamentos e assumiram posturas em certa dissonância com a fé. Citando ao direito canônico, Livieres proibiu, sob pena de sanções, a instrumentalização política ou ideológica da pastoral social. Também objetou uma falsa «pastoral indígena» que, em contraposição aos santos missionários de tantos séculos, quer impedir o direito dos nativos a que se lhes pregue a Boa Nova do Evangelho.

Os numerosos sacerdotes, seminaristas, religiosos e leigos que o Bispo mobilizou durante as crises sociais e catástrofes naturais intervieram com energia, porém sempre desde o estritamente espiritual e humanitário. O princípio seguido tem sido simples: «a Deus o que é de Deus e a César o que é de César».

Notas sobre o massacre de Curuguaty.

  1. Carta abierta do Bispo de Ciudad do Este con motivo de os graves actos ocurridos em Curuguaty.

  2. Misión Pastoral em Curuguaty: “Estamos llegando casa por casa e transmitiendo a paz e o corazón de Cristo em esta enlutada ciudad”, indicó o Vicario Pastoral para Canindeyú.

  3. Mons. Livieres animó a a ciudadanía de Curugaty durante a celebración Eucarística.

  4. Jefe de Relaciones Públicas de a Policía Nacional recibió a a comitiva Diocesana de Ciudad do Este em o lugar de a tragedia armada. 

  5. Em Curuguaty sacerdotes pidem paz e tranquilidad 

  6. Vicario Territorial de Canindeyú logra que os pobladores e campesinos se uman por a paz e no sean objeto de instrumentalización política. 

  7. Seis de os siete sacramentos fueron administrados durante as Misiones Juveniles Católicas.

  8. Santa Misa por as víctimas de Curuguaty.

  9. Misión em Curuguaty con administración de sacramentos.

  1. O Clero

Vários dentre os 16 sacerdotes diocesanos que encontrou, à sua chegada, D. Livieres tiveram reservas frente às novas linhas pastorais e à renovação da disciplina eclesial. A incompreensão chegou a tal ponto que, com o apoio de alguns Bispos, 10 destes sacerdotes escreveram ao Papa Bento XVI pedindo «a intervenção». Poucos meses depois, uns 150 sacerdotes do resto do país, em sua maior parte religiosos, fizeram o mesmo. Foi o Arcebispo de Assunção, fino e distinto opositor de D. Rogelio, quem levou a Roma o protesto. O Papa, contudo, não respondeu e, em troca, sugeriu a D. Livieres que era necessário «formar um novo clero». A proposta foi um sábio conselho: a imensa maioria do clero diocesano, agora jovem e numeroso (um pouco mais de 70), tem ao Bispo como a seu pai, o vêem como a seu pastor e compartilham suas orientações pastorais.

Quanto aos leigos locais, só um grupo muito reduzido, ainda que vociferante e sustentado desde fora da Diocese, manteve uma atitude crítica, particularmente um tal Javier Miranda, de quem falaremos ao final. Sem contar com algumas exceções, os leigos e seus dirigentes, tanto dos movimentos já aprovados a nível nacional ou internacional, como dos numerosos que reconheceu, promoveu e guiou D. Rogelio durante seu ministério, todos apoiaram e apóiam a seu Bispo, que tanta liberdade e espaço de ação lhes deu «para levantar poeira» e avançar na evangelização e na missão continental de Aparecida.

  1. 10.000 fieles agradecem al Papa o Año Sacerdotal e o Seminario Mayor diocesano. [Noticia]

  2. Declaración de os Curas Párrocos em apoyo al Bispo. [Noticia]

  3. Curas Párrocos apoyan con firmas a Livieres Plano. [Noticia]

  4. Carta enviada por o clero diocesano al Papa Francisco em apoyo a Mons. Livieres. [Carta]

  5. Carta enviada por as Congregaciones e Comunidades Religiosas al Papa. [Carta]

  6. Carta a Su Santidad, de os Movimientos e Comunidades laicales. [Carta]

  1. Novos Seminários para o Terceiro Milênio

Quando aos 3 de outubro de 2004 Dom Livieres assumiu como Bispo de Ciudad del Este, não tardou em descobrir o maior desafio que lhe esperava: dispunha de pouco mais de 70 sacerdotes (entre religiosos e diocesanos) para atender espiritualmente a uma população de cerca de 1.000.000 de almas, isto é, 1 pastor para mais de 10.000 ovelhas. A perspectiva para o futuro era todavia pior, com apenas uma dezena de seminaristas diocesanos formando-se no Seminário Nacional de Assunção.

No é preciso explicitar a gravidade da situação a quem reconhece com humildade «teocêntrica» que a Igreja fundada por Jesus Cristo «vive da Eucaristia», ou seja, do sacramento em que Ele «está conosco todos os dias, até o fim do mundo», e cuja administração foi encomendada aos sacerdotes.

Sem rendas e sem estudos de factibilidade, Sua Excelência tomou de imediato a decisão estratégica de assumir como primeira prioridade de seu ministério o que lhe apontavam o Diretório para os Bispos e o Código de Direito Canônico: aprovou a abertura de seu próprio Seminário diocesano.

Logo se descobriu por que o Dono da Vinha lhe escolhera como Bispo: o Padre Rogelio havia atraído e cultivado numerosas vocações ao Opus Dei. Fez o mesmo em sua Diocese, onde a pastoral vocacional no é delegada. Cada domingo, com a cooperação de um grupo animado de formadores, o Bispo atende em sua própria casa a todos aqueles interessados em considerar uma vocação sacerdotal. Um pouco de esporte, uma conversa formativa, direção espiritual e confissão, adoração ao Santíssimo e reza do Rosário, uma tertúlia com perguntas «a queima-roupa» e um ansiado lanche produzem o mágico resultado de uns 130 interessados por ano, dentre os quais são admitidos em uma média de 30 a 40. O segredo do êxito, ademais do interesse direto e pessoal do Bispo, está no entusiasmo com que os mesmos aspirantes e os seminaristas saem a pescar vocações entre amigos, parentes e conhecidos (marketing viralizador…).

O Seminário Maior São José já foi avaliado positivamente pela Santa Sé em reiteradas cartas, e ordenou a mais de 60 sacerdotes ao fim de 10 anos. Porém D. Rogelio, preocupado em melhorar a qualidade de suas pescas e [tendo em vista] a crise do sistema educativo geral, criou em 2012 o Seminário Menor Santo André. Paralelamente, buscando uma aplicação mais radical dos lineamentos do Concílio Vaticano II e dos documentos pós-conciliares sobre a formação sacerdotal, iniciou a experiência do Instituto de Formação Sacerdotal Santo Irineu de Lião. Por ora, esta casa de formação só funciona em seu ciclo propedêutico, baseado no ensino das artes liberais clássicas e na discussão em aulas-seminário dos Grandes Livros da cultura ocidental.

  1. Cartas Laudatorias de a Santa Sede respecto do Seminario Diocesano.

  2. O Plan de Formación Intelectual.

  3. Carta de a secretaría de Estado do Vaticano sobre a relación presentada por o Seminario Diocesano.

  4. P. Emilio Grasso escribe interesante artículo sobre su visita al Seminario Mayor San José.

  1. A Pedra de Escândalo

A decisão de formar a seus próprios seminaristas como um pai educa a seus próprios filhos tomou de surpresa a Igreja no Paraguai. Os Bispos resistiram de cara a esta peregrina idéia, pois romperia (y rompeu) o esquema monolítico de formação sacerdotal (tanto de diocesanos como de religiosos) que fora acordado com a criação do Seminário Nacional e seu Instituto de Teologia, no século passado.

Em vão a Santa Sé recordou-lhes o direito e a conveniência de que cada Bispo conte com seu próprio Seminário quando este é possível. «Para que um novo Seminário, se sempre houve só um?», perguntam-se os que ainda hoje não parecem ter refletido sobre a indicação do nº 33 de Evangelii Gaudium: «abandonar o cômodo critério pastoral do “sempre se fez assim”».

  1. O Padre Carlos Urrutigoity *

Um capítulo aparte nesta história de oposição a nosso Bispo e ao novo Seminário é, sem dúvida, o ataque contra o Padre Carlos. Chegou na Diocese em 2005, junto com outros sacerdotes e leigos que depois estabeleceriam as Comunidades Sacerdotais de São João. Veio recomendado por alguns Cardeais com funções na Santa Sé (um deles, eleito poucos dias depois Sucessor de Pedro). Trazia nas costas uma dura campanha de difamação e calúnia nos E.U.A., sobre a qual D. Livieres escreveu uma detalhada carta esclarecedora.

Desde o começo provou ser um próximo colaborador do Bispo. Por isso mesmo, seu caso foi utilizado como um cavalo de batalha para questionar os logros pastorais na Diocese e, especialmente, a formação do novo clero, já que ele ajudou no início a formar o novo Seminário. Depois deixou essa atividade para assistir ao Bispo na Cúria Diocesana.

Inobstante os reiterados desmentidos por parte do Episcopado, uma mídia repetitiva e auto-referencial seguiu citando-se e recitando-se sobre supostas «acusações de pedofilia» que, na realidade, jamais existiram. No Paraguai, estas campanhas tem sido geralmente encabeçadas pelo mesmo periódico que, anteriormente, havia forçado a renúncia de outro Bispo Livieres. (A justiça, também neste caso, deixou posteriormente esclarecida a falsidade dessas acusações, feitas por testemunhas compradas em uma manobra destituinte.) A mídia, no caso do Padre Carlos, foi instigada pelos opositores eclesiásticos paraguaios que já mencionamos, e que têm influentes contatos nos E.U.A. e em Roma, com os quais compartilham idênticas tendências e lobby.

De tudo, em fim, menos provas de pedofilia. Porque, mal que lhes pese aos detratores, no há acusação de vítima alguma, um requentado de calúnias feitas por terceiros interessados. Por isso nunca prosperou processo penal algum, nem condenação em tribunal de nenhum país nem da Santa Sé. E para cume de bens, sua heterossexualidade foi confirmada por duas avaliações psicológicas independentes, uma nos E.U.A. e outra no Canadá, que também descartaram a presença de psicopatologias ou desordens de personalidade.

Tampouco é certo que se tenham somado cada vez mais acusações, ainda que sempre sem se poder provar. Todas se reduzem à repetição obstinada das inventadas há vários anos, não por pressupostas vítimas, mas por dois perseguidores ideológicos do Padre Carlos, dos quais, um em Argentina e outro nos E.U.A., alimentaram duras campanhas: uma conventual e a outra, mediática e cibernética. O primeiro foi um sacerdote «sedevacantista» argentino que não reconhece a nenhum Papa desde São João XXIII até Francisco I [sic] e que, ademais, fez-se «consagrar bispo», invalidamente para a Igreja Católica. O segundo foi um norte-americano, um ex-empregado descontente porque o Bispo de Scranton, Mons. Timlin, lhe havia afastado de um projeto educativo do qual queria assenhora-se.

A única acusação apresentada contra o Padre Urrutigoity ante o foro penal americano (em nome de uma pessoa adulta chamada Michao Prorock) foi desestimada in limine (de entrada) pelas investigações independentes dos fiscais na Pensilvânia.

Ficam claras, então, duas conclusões-clave: 1ª) que a acusação contra o Padre Carlos no implicava um caso de pedofilia, pois o denunciante era maior de idade quando teriam ocorrido os supostos fatos; 2ª) que, por causa da desestima dos fiscais, nunca se iniciou uma causa penal nos E.U.A.

Nos tribunais da Igreja, a Congregação para a Doutrina da Fé negou a possibilidade de abrir um processo canônico penal pela mesma razão: não havia nenhuma acusação de pedofilia.

Este fracasso da acusação penal prejudicou seriamente aos advogados do acusador em seu propósito de obter uma suculenta indenização no foro civil como é habitual nos E.U.A., onde acusaram de diversos delitos ao Bispo James Timlin, à Diocese de Scranton e alguns de seus sacerdotes, à Fraternidade São Pedro, à Academia Saint Gregory, e à Society of Saint John, fundada pelo Padre Carlos.

Para as pessoas não habituadas aos trâmites legais, é necessário esclarecer que, por um mesmo motivo, podem iniciar-se dois julgamentos independentes: um em foro penal e outro em civil. O êxito deste último, isto é, o montante de dinheiro a obter como reparação por danos e prejuízos, fica muito debilitado se fracassa a denúncia penal.

Porém nos E.U.A., vale a pena tenta-lo porque, ainda que as acusações em o foro penal nem sequer tenham chegado a julgamento – por falta de fatos ou inexistência de provas – há em seu sistema legal mais possibilidades de lograr algum dinheiro através de uma causa civil. De fato, como os custos para defender a inocência ante a justiça civil americana são elevadíssimos (estima-se que, em média, uma Diocese deve gastar U$ 2.000.000 em cada caso), é norma de facto chegar a um acordo pré-judicial com aprovação do juiz do caso.

A Society of Saint John, que se negou em princípio a chegar a um acordo, foi forçada pela Diocese de Scranton, já dirigida por Mons. Martino, a se somar a um acordo total por U$ 450.000, dos quais lhe correspondia aportar U$ 55.000, uma cifra insignificante para os montantes usuais nestes casos e que se explica porque os advogados acusadores careciam de provas minimamente sólidas para pretender mais dinheiro da Society ou para rejeitar o acordo proposto e iniciar o julgamento civil. A Society of Saint John impôs como condição para firmar o acordo que os acusados deixassem assentada por escrito, uma vez mais, sua inocência, e que o acusador, por sua parte, renunciasse de igual modo a qualquer outra campanha posterior de acusações ou a outra ação civil.

Vê-se que em todas as partes, «pela prata baila o macaco», sem importar o engano ao público nem o descrédito dos inocentes. Indo agora aos bailarinos de Ciudad del Este, aos 23 de julho deste ano, na causa 2014-6130 do Juzgado Penal de Garantías Nº 6 de Alto Paraná, a fiscal encarregada, María Graciea Vera Colmán, solicitou que se descartem e arquivem, por carecer em absoluto de qualquer sustento comprobatório, as acusações iniciadas telefonicamente! ante a Fiscalía por uma rádio de Assunção contra o Presbítero Urrutigoity «por suposto abuso sexual de meninos, não mencionando nome de vítimas… ademais de não identificar… direção e/ou data (ou) lugar em que ocorrera o fato denunciado». Todo proveio das diatribes feitas – e gravadas – em um programa da Radio Unión pelo conhecido denunciante serial Javier Miranda quem, intimado pela fiscal a comparecer para «declaração testemunhal», jamais se presentou nem enviou evidência alguma, confirmando assim suas inegáveis condições autorais.

Pastor, e não mercenário que foge ante lobos, D. Livieres manteve-se sempre inflexível na defensa dos inocentes. No caso do Padre Carlos, o fez inclusive perante aqueles que, ainda reconhecendo a justiça do caso, achavam imprudente, primeiro sua recepção na Diocese, e, depois, sua promoção a distintos cargos, já que tais ações implicariam por em perigo a imagem da gestão e a «carreira eclesiástica» do Bispo. Contudo, Dom Rogelio julgou mais realista e acertado aproveitar os recursos humanos concretos que a Providência lhe punha nas mãos.

Apesar da ocasional algazarra midiática e protesto clerical, o Vaticano respeitou a decisão do Bispo e, após um prudente tempo de espera e experiência na nova Diocese, autorizou a incardinação do Padre Carlos em Ciudad del Este por meio de seu Representante, o Núncio Apostólico no Paraguai, com o consentimento do Bispo excardinante. Ademais, nesse mesmo ano emitiu a carta laudatória dando seu consentimento à elevação como Sociedade de Vida Apostólica das Comunidades Sacerdotais de São João.

No que respeita ao juízo do Povo de Deus na Diocese, os seminaristas, sacerdotes, religiosos e leigos da Diocese em seu conjunto apoiaram e apóiam ao Bispo e ao sacerdote, sendo depois de quase 10 anos testemunhas diretas de seu exemplar ministério e suas qualidades humanas e honestidade moral. Estes apoios não há que se supor. Ficaram provados, para quem queira examiná-los, em manifestos escritos e firmados à imprensa e ao público geral. Mais ainda, quando chegou a hora de nomear a um novo Vigário Geral, consultados os sacerdotes e os dirigentes leigos, quase por unanimidade propuseram ao Padre Carlos como o candidato de sua eleição. Ainda que ele se tenha oposto à idéia por parecer-lhe imprudente, o Bispo confirmou e respaldou a decisão de seu presbitério e laicato.

Cabe destacar finalmente que, quando D. Livieres se confrontou com verdadeiros casos de corrupção ou violações do celibato sacerdotal, em qualquer de suas formas, não duvidou em proceder, inclusive frente a fortes pressões, conforme ao direito, castigando proporcional e medicinalmente aos culpáveis.

  1. Carta Informativa sobre o Pbro. Caros Urrutigoity [Resumem de a cuestión].

    1. Informes psicológicos. Padre Groescho e Southdown Institute [Documentos].

    2. Recomendaciones. [Documentos]

    3. Conclusiones sobre as supuestas acusaciones de pedofilia. [Documentos]

    4. Proceso de incardinación a Ciudad do Este. [Documentos]

  2. Carta de os Seminaristas sobre campaña de calumnias contra o Bispo e Formadores.

  3. Pedido de os fieles solicitando a permanencia do P. Caros Urrutigoity.

  4. Transparencia e coherencia de Mons. Livieres frente a casos de pederastia. [Entrevista]

  5. As Comunidades Sacerdotales de San Juan. Documentos e recomendaciones. [Documentos]

  6.  Fiscalía desestima a denuncia contra o Pbro. Caros Urrutigoity. [Documentos]

  1. Dom Pastor Cuquejo

O Arcebispo de Assunção se juntou publicamente a uma nova onda de ataques contra o Padre Carlos, ao afirmar ante a mídia que seu caso não estava claro e que poderia, em qualidade de Arcebispo Metropolitano, solicitar à nova administração em Roma que reabrisse a investigação da Congregação para a Doutrina da Fé fechada in limine sob Bento XVI por falta de acusação de menores.

Indignado, Dom Livieres respondeu-lhe no terreno em que se havia pronunciado o Arcebispo. Fê-lo porque suas reiteradas aclarações eram desacreditadas abertamente e porque se pedia contra toda justiça a reabertura de uma investigação sem que houvesse novas acusações nem novos elementos de julgamento. A pedra atirada por D. Cuquejo estava dirigida não só a por em dúvida a probidade das ações de D. Livieres, mas da mesma Santa Sé.

Sem rodeios de sua parte, ainda que quiçá com excesso, apontou ao Arcebispo a incongruência de alegar escândalo e solicitar investigações públicas quando o mesmo D. Cuquejo havia sido não só acusado, mas processado por atividade homossexual, e não por terceiros, mas por implicados diretos.

  1. Nuevo ataque a a Igreja Católica con viejos argumentos. [Noticia]

  2. Monseñor Cuquejo, vocero de disidentes. [Vea final do artículo].

  1. Novas Comunidades

Como se costuma criticar a pais com mais de dois filhos, questionou-se o número de vocações sacerdotais e dos novos carismas laicais e religiosos, planteando uma falsa oposição entre quantidade e qualidade. Incredulamente, alguns se perguntam se é possível que Deus abençoe tão generosamente a uma Diocese, ou se a multiplicação é mais bem fruto da negligência e o afã de estatísticas.

A árvore se julga por seus frutos. O juízo do povo sobre seus novos pastores é muito positivo e estão encantados com os variados serviços que lhes provêem as comunidades religiosas e os movimentos laicais. Claramente, sempre se pode fazer mais e melhor. Seguramente a Visita Apostólica aportará sugestões e correções que permitam chegar ainda mais longe.

Porém é inegável que Ciudad del Este, até há pouco conhecida por seu contrabando e outros tráficos, tenha se convertido em um centro de vitalidade espiritual, religiosidade e cultura reconhecido em todo o país. Ë difícil andar nas ruas da cidade sem observar jovens batinas e hábitos religiosos. Cada fim-de-semana, há umas 2.000 pessoas que saem de suas periferias e pobrezas humanas para participar de retiros de conversão e formação, organizados majoritariamente por leigos acompanhados de seus capelães. Por sua parte, os múltiplos cursos de formação para dirigentes sobre Bíblia, Liturgia e Catequese contam com grande participação de assistentes.

Nuevas comunidades e espiritualidad

  1. Mons. Rogelio admite a nuevas comunidades eclesiales em nuestra diocese.

  2. Mons. Livieres inauguró o Comedor para indígenas “San Juan Diego”.

  3. Bispo promueve nueva experiencia de vida religiosa contemplativa: Monjas Faustinas.

  4. Comunidad Misionera de Jesús, aprobada por Mons. Livieres em o 2006.

  5. Mons. Livieres inaugura e consagra o templo do Seminario Menor de os Agustinos

Cultura

  1. “Requiem de Mozart”, um evento sin precedentes em Paraguai.

  2. Murales de a Parroquia Espíritu Santo.

10. Temas Econômicos

Ocupamo-nos agora dos alegados relacionados com as finanças. Dois são os cargos neste ponto: o peculato das doações outorgadas pela Binacional Itaipu e a dilapidação do patrimônio imobiliário da Diocese.

Itaipu doou à Diocese uma importante quantidade de dinheiro (uns U$ 300.000) que o Bispo destinou por completo para a manutenção do Seminário. Foi acusado pelo Sr. Javier Miranda de peculato de fundos e de estafa aos pobres e necessitados da região. D. Rogelio justificou sua decisão explicando que os futuros sacerdotes seriam os mais efetivos agentes de mudança social e, portanto, que era o melhor modo de servir aos pobres a largo prazo. A Justiça do Paraguai deu razão a D. Rogelio em todas as instâncias, incluída a Suprema Corte, reconhecendo a razão de seu proceder e comprovando que se havia gastado até o último centavo em cobrir as necessidades da Igreja, sem desvios a bolsos de particulares.

Sempre sob a urgência de conseguir os fundos para pagar pela educação de quase 200 seminaristas e o desenvolvimento de pastorais cada vez mais ativas e variadas, a saber, em ordem a capitalizar espiritualmente a sua Diocese, o Bispo, sem rendas disponíveis por ser muito recente a criação da mesma, procedeu a vender alguns imóveis que não tinham usos pastorais nem produziam outros benefícios econômicos. O mesmo tinham feito seus predecessores, inclusive sem ter Seminário próprio que manter. Apesar disto, o Sr. Miranda o denunciou como uma manobra dolosa e irresponsável.

De todos os modos, para buscar uma solução definitiva a esta precariedade econômica, o Bispo, seguindo a recomendação que recebera por parte do Núncio Apostólico ao assumir seu cargo, comissionou a leigos qualificados o estudo e execução de projetos que produzam rendas no futuro para cobrir ao menos 75% dos custos operativos estimados.

  1. Nuestra Diocese debe generar rentas para cubrir os gastos de a evangelización. [Entrevista]

  2. Sentencia de desestimación de a causa de as falsas denuncias contra Mons. Rogelio Livieres. [Documento]

  3. Proyecto de rentas de a Diocese: Camposanto San Marcos.

11. Javier Miranda

A nota tragicômica desta saga corresponde a Javier Miranda, um agitador político pouco familiarizado com o rigor da verdade. Autoproclamado «Presidente dos Leigos do Alto Paraná», ainda que não o siga nenhum movimento leigo, vem acusando tão obstinada como contraditoriamente a D. Rogelio e a seus colaboradores dos crimes mais variados, chegando, em suas fabulações, a afirmar na imprensa que tinha provas confiáveis de que o Bispo teria contraído em um casino do Uruguai uma dívida de milhões de dólares (sic).

Ainda que desautorizado pelos fatos – e até pelos falíveis tribunais humanos – segue sendo títere útil de certos grupos de esquerda e dos oponentes eclesiásticos de sempre. Isso sim, com êxito e apoio popular escassíssimo.

  1. Respuesta de Mons. Rogelio al señor Javier Miranda. [Carta]

  2. Os 70 Movimientos laicales de a Diocese repudian a actitud do ex catequista Javier Miranda. [Noticia]

  3. Manifiesto de fieles autoconvocados em apoyo al Bispo Rogelio Livieres.

  4. Solicitada de os Movimientos e Comunidades Laicales em repudio a miembros de a ex-JUDILA.

  5. Asociación de Abogados defiende inocencia de Mons. Livieres.

12. Que a História não se Repita

O crescimento e pujança do Povo de Deus no Paraguai foi cruelmente mutilado na raiz pelo injusto processo e supressão dos missionários jesuítas a fins do século XVIII. Também estes foram acusados por eclesiásticos questionáveis em aliança com poderosos lobbies e políticos.

Os que apostam que a história se repetirá agora em nossa Diocese podem se surpreender ao descobrir que, desta vez, o Bispo de Roma é um herdeiro destes jesuítas caluniados e suprimidos, disposto a escrever a história de um modo novo.

* * * 

Nota do Fratres: sobre o misterioso caso do pe. Urrutigoity, que desejamos seja esclarecido pelas autoridades competentes, ver os seguintes links: 1, 2 e 3.