O manifesto dos cardeais e a resposta de Kasper: “Combinei tudo com o Papa”.

IHU – Nunca tinha acontecido de um Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, em exercício, publicasse dois livros, em poucas semanas, para declarar inadmissível qualquer mudança na postura da Igreja a respeito do tema que será discutido em uma reunião sinodal. Foi assim que agiu o cardeal Gerhard Ludwig Müller, que desde 2012 guia o ex-Santo Ofício: em julho ofereceu à impressa um livro-entrevista, no qual se declarava contrário a qualquer abertura em relação à comunhão aos divorciados em segunda união (“A esperança da família”, edições Ares), e agora seu nome é o mais destacado entre os que assinam um volume coletivo que se intitula “Permanecer na verdade de Cristo” (que já foi publicado nos Estados Unidos e que acaba de ser impresso na Itália), cujo conteúdo foi divulgado, ontem, pelo jornal italiano “Corriere della Sera”.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada por Vatican Insider, 18-09-2014. A tradução é do Cepat.

Kasper e Francisco.

Kasper e Francisco.

Os demais autores são outros quatro purpurados: Carlo Caffara, arcebispo de Bolonha, Raymond Leo Burke, Prefeito da Signatura Apostólica, e os eméritos Walter Brandmüller e Velasio De Paolis. Além disso, também colaboram o arcebispo Cyril Vasil, Secretário da Congregação para as Igrejas Orientais, e outros especialistas. Nos dois volumes, o tema central é a participação dos divorciados, que vivem em segunda união, na Eucaristia, algo que consideram inadmissível.

A inédita operação midiática (a que se somam também, na mesma sintonia, um texto do cardeal Angelo Scola e um livro que está para ser publicado do cardeal australiano George Pell, “ministro” de Economia vaticano) foi apresentada como uma resposta às aberturas que o cardeal Walter Kasper apresentou como uma hipótese, em fevereiro deste ano. A eleFrancisco havia encomendado a relação introdutória do Consistório. Diante de todos os cardeais, Kasper falou sobre o tema da família e, na última parte de seu articulado discurso, apresentou a possibilidade (caso por caso, em determinadas circunstâncias e após uma caminhada penitencial) de se voltar a admitir a comunhão aos divorciados em segunda união. O discurso causou muitas reações entre os cardeais e, no dia seguinte, tomando a palavra, Francisco o elogiou, dizendo que considerava que Kasper fazia “teologia de joelhos” e que em seu discurso havia encontrado “o amor da Igreja”. Durante os meses seguintes, após a publicação daquele texto, multiplicaram-se as entrevistas e as declarações. As posturas se polarizaram, o confronto e o enfrentamento se deram na arena dos meios de comunicação, assim como aconteceu durante o Concílio Vaticano II.

Francisco, que considera decisiva a mensagem da misericórdia, continua convidando a Igreja para que saia de si mesma e vá ao encontro dos homens e das mulheres nas condições em que vivem. Quis que ocorressem dois Sínodos sobre o tema da família: o primeiro, extraordinário, acontecerá entre os dias 5 e 19 de outubro deste ano. O trabalho continuará depois, envolvendo as Igrejas locais e, em outubro de 2015, um novo Sínodo (ordinário) se ocupará das conclusões.

Entrevista com o cardeal Walter Kasper.

Em fevereiro, o senhor falou a respeito do Sínodo, diante dos cardeais, e apresentou uma hipótese sobre a possibilidade da comunhão aos divorciados em segunda união. Em que consiste?

Não propus uma solução definitiva, mas, sim – após me colocar em concordância com o Papa -, fiz algumas perguntas e ofereci considerações para possíveis respostas. Este é o argumento principal: o sacramento do matrimônio é uma graça de Deus, que converte o casal em um sinal de sua graça e de seu amor definitivo. Inclusive, um cristão pode fracassar e, infelizmente, hoje muitos cristãos fracassam. Deus, em sua fidelidade, não deixa ninguém cair e, em sua misericórdia, oferece aos que desejam se converter uma nova oportunidade. Portanto, a Igreja, que é o sacramento, ou seja, o sinal e o instrumento da misericórdia de Deus, deve estar próxima, ajudar, aconselhar, animar.

Um cristão nesta situação tem uma necessidade particular da graça dos sacramentos. Não é possível conceder segundas núpcias, mas, sim – como diziam os Padres da Igreja -, após o naufrágio, uma barca para sobreviver. Não um segundo matrimônio sacramental, mas os meios sacramentais necessários em sua situação. Não se trata de uma solução para todos os casos, que são muito diferentes, mas para aqueles que fazem tudo o que está ao alcance em suas situações.

O senhor colocou em dúvida a indissolubilidade do matrimônio cristão?

A doutrina da indissolubilidade do matrimônio sacramental se baseia na mensagem de Jesus. A Igreja não tem poder para mudá-la. Este ponto não muda. Um segundo matrimônio sacramental, enquanto alguém do casal continua vivo, não é possível. Entretanto, é preciso diferenciar a doutrina da disciplina, ou seja, a aplicação pastoral em situações complexas. Além disso, a doutrina da Igreja não é um sistema fechado: o Concílio Vaticano II ensina que há um desenvolvimento, no sentido de um possível aprofundamento. Pergunto-me se é possível, neste caso, realizar um aprofundamento semelhante ao que se deu na eclesiologia: ainda que a Igreja católica seja a verdadeira Igreja de Cristo, também há elementos de eclesialidade para além das fronteiras institucionais da própria Igreja católica. Em certos casos, também não seria possível reconhecer em um matrimônio civil alguns elementos do matrimônio sacramental? Por exemplo, o compromisso definitivo, o amor e o cuidado recíproco, a vida cristã, o compromisso público, que não existem nas uniões de fato.

Qual é o seu parecer a respeito deste novo livro, com contribuições de cinco cardeais, incluindo o Prefeito Müller?

Surpreendeu-me. Fiquei sabendo, hoje, pelos jornalistas. O texto foi enviado para eles e não para mim. Em toda a minha vida acadêmica, nunca me aconteceu nada parecido.

Na história recente da Igreja, já aconteceu de alguns cardeais intervirem desta forma organizada e pública, antes de um Sínodo?

Durante o Concílio Vaticano II e no pós-concílio, existiam as resistências de alguns cardeais frente a Paulo VI, inclusive por parte do então Prefeito do Santo Ofício. Porém, se não me engano, não com esta modalidade organizada e pública. Se os cardeais, que são os colaboradores mais próximos do Papa, intervêm desta maneira (pelo menos em relação à história recente da Igreja), encontramo-nos frente a uma situação inédita.

O que o senhor espera que aconteça durante as próximas semanas, no debate sinodal?

Espero que possamos ter uma troca de experiências sincera e tranquila, de argumentos, em um ambiente de escuta. Não respostas pré-fabricadas, mas, sim, esclarecimentos sobre o “status quaestionis”, e depois haverá um ano todo para a discussão em nível local, antes das decisões de 2015.

O senhor considera que o Papa Francisco fala muito sobre misericórdia?

Como é possível falar muito de um tema que é fundamental no Antigo Testamento? Claro, a misericórdia não contradiz a doutrina, porque é em si mesma uma verdade revelada, e não cancela os mandamentos do Senhor; mas é uma chave hermenêutica para sua interpretação. O Papa João XXIII, na abertura do Concílio, disse: “Hoje, a Igreja deve usar não as armas da severidade, mas, sim, a medicina da misericórdia”. A misericórdia é, pois, o tema central da época conciliar e pós-conciliar da Igreja católica.

* * *

Kasper, pobre vítima dos carrancudos cardeais, choramingou ainda mais em entrevista ao jornal Il Mattino (créditos: Rorate-Caeli). A seguir, nossa tradução do principal excerto:

[Il Mattino:] Como se deve considerar as situações complexas? Por exemplo, o drama de uma família [sic] divorciada que violou a indissolubilidade do sacramento do matrimônio? 

[Cardinal Kasper:] “As situações complexas são consideradas uma a uma. Ninguém deve julgar, mas discernir. A luz do Evangelho nos ajuda no discernimento de toda situação concreta, à luz da misericórdia”

Voltamos ao perigo de uma guerra doutrinal no Sínodo. 

“Eu, certamente, não quero isso. Eles [os cardeais que o criticaram] talvez queiram. Penso em um sínodo pastoral”.

É isso o que o Papa também quer? 

“Com certeza. Também o Papa quer um sínodo pastoral”.

O senhor esperava essa controvérsia a respeito de seu discurso no Consistório? 

“Não sou ingênuo. Eu sabia que há outras posições, mas não pensava que o debate se tornaria, e agora também se mostra assim, sem modos. Nenhum de meus irmãos cardeais sequer falou comigo. Eu, pelo contrário, [falei] duas vezes com o Santo Padre. Combinei tudo com ele. Ele estava de acordo. O que pode fazer um cardeal, senão estar com o Papa? Eu não sou o alvo, o alvo é outro”.

O Papa Francisco? 

“Provavelmente sim”.

O que mais o senhor diria, por fim, aos seus oponentes? 

“Eles sabem que não fiz essas coisas por conta própria. Combinei com o Papa, falei duas vezes com ele. Ele se mostrou satisfeito. Agora, eles criam essa controvérsia. Um cardeal deve ser próximo do Papa, estar ao seu lado. Eles são os cooperadores do Papa”.

* * *

A testemunhar a comunhão entre Francisco e Kasper, foi divulgado ontem, pelo influente jornal católico francês La Croix, que Francisco “estaria irritado” com a publicação do livro dos cardeais às vésperas do Sínodo. Bergoglio teria solicitado ao Prefeito do antigo Santo Ofício, Cardeal Müller, um dos autores da obra, que não a divulgasse na Itália. Que liberdade de idéias nos reserva o próximo Sínodo, não é mesmo? Debate aberto, tranquilo, sereno, transparente… contanto que as conclusões sejam iguais às do Pontífice e de sua corte!

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34 Comentários to “O manifesto dos cardeais e a resposta de Kasper: “Combinei tudo com o Papa”.”

  1. Que o Espírito Santo guie sua Igreja e o que for decidido seja somente a vontade de Deus!

  2. Interessante…

    Kasper escreve um livro… A mídia vai lá entrevista Kasper.

    Cinco cardeais escrevem um outro livro, contra-argumentando. A mídia vai lá e entrevista… Kasper.

  3. Meu Deus… Que confusão. Como chegamos a isto?!

  4. Háh! se vocês soubessem o que eu li, ontem…(sem sono..) num site catolico espanhol……!! é de arrepiar….Vivemos tempos de muiiiita CONFUSÂO na IGREJA CATOLICA…e, eu não sei porque….imagino…de leve, o que seja: cada época tem o Pontífice que merece.

  5. Kasper reclama do mesmo expediente que os progressistas usavam contra Bento XVI. Agora se faz de vítima, mas uma boa parte dos cardeais e dos bispos resistiam sistematicamente (por exemplo, o episcopado alemão, do qual ele faz parte) às intenções do papa emérito.

    Ademais, só o vemos a choramingar e a tentar colar a pecha de insensíveis em quem discorda de suas opiniões. Não é possível vê-lo em momento algum rebatendo os argumentos dos outros cardeais. Está parecendo mais um político brasileiro…

  6. Esse ‘Sínodo” promete……!!! Ainda nem começõu , e já faz …..muito barulho!” Imagine quando estiver no fim….!!!!! Aguardemos, frates, graaaande emoções,para….vivermos! Olé!

  7. Perfidia retorica ,que quer separar a doutrina da pratica ! A quem pensam que enganam?????

  8. “Em certos casos, também não seria possível reconhecer em um matrimônio civil alguns elementos do matrimônio sacramental?” É incrível como Kasper insiste em fazer malabarismos com o Santo Sacramento do Matrimônio que Nosso Senhor instituiu. O homem quer entender mais do que Deus.Quer dar um jeitinho em tudo. Essa conversa fiada de ‘troca de experiências sincera e tranquila’, de declarar que ‘a Doutrina da Igreja não é um sistema fechado’, que a mesma pode se desenvolver,evoluir, em nome do Vaticano II… . Ui, que medo! Isso tudo é de dar náuseas. Isso cheira muito mal!

    São Pio X, rogai pela Igreja!

  9. seria importante termos esses livros ou um deles traduzidos para o português…

  10. Tamara,

    Enganam os papólatras. Estes vivem a dar e outros a buscar ares de ortodoxia para as “bergogliadas”. Como o CVII foi o Concílio da mídia, esse Sínodo também será. A humildade de Bergoglio é governar com braço de ferro contra o pouco que restou de ortodoxia na Igreja.

    Só há colegialidade para Bergoglio se todos pensarem como ele. Irônico!

    • Esta bem feio o nosso cenario sem duvida. Mas papolatra nao ne? O normal, mesmo que ingenuo, e tentar buscar algo de bom no que diz o doce Cristo na terra. Se nao eh mais facil o sede vacantismo mesmo. O “Coracao peludo” destes trads…

  11. “Agora, eles criam essa controvérsia. Um cardeal deve ser próximo do Papa, estar ao seu lado.”

    Alguém imagina Kasper pronunciando uma fala dessas no Pontificado de Bento XVI?

    Cínico…. Cinismo puro. Pura paopolatria.

    Quem criou a controvérsia e trouxe confusão ao mundo católico foi Kasper, com suas teses heréticas sobre o matrimônio e a recepção da eucaristia para casais divorciados. Foi contestado por pesos pesados do colégio cardinalício e agora fica choramingando e se fazendo de vítima, quando foi ele que criou essa controvérsia.

    Um cardeal deve ser próximo do Papa? Sim, absolutamente. Mas parece que para esse cardeal a Igreja só tem uma autoridade, a visível. Esqueceu, já há tempos, a cabeça invisível da Igreja. É a Esse a quem devemos estar próximo em primeiro lugar, seguindo seus ensinamentos imutáveis, que esse senhor tenta transformar ao sabor de seus caprichos.

  12. Vejam bem: o Cardeal Kasper afirma que faz tudo de acordo com Francisco I e o Vat.II. Onde fica a “hermeneutica da continuidade de BXVI? Fica claro que o Vaticano II rompeu com a Doutrina Tradicional Catolica e, pior, criou um clima, com suas ambiguidades, para este rompimento que nos levou a estas doutrinas opostas à Doutrina Catolica,. Pelo menos eles dizem a verdade que BXVI esconde e fica querendo passar por moderado.

  13. “Eles sabem que não fiz essas coisas por conta próprio. Combinei com o Papa, falei duas vezes com ele. Ele se mostrou satisfeito. Agora, eles criam essa controvérsia. Um cardeal deve ser próximo do Papa, estar ao seu lado. Eles são os cooperadores do Papa”.
    Olha a pressão psicológica… a velha vantagem de estar com o papa, mesmo se for para destruir a cristandade. Sempre o mesmo “golpe de mestre de Satanás”, a destruição da igreja por via da obediência.

  14. Então, Jesus disse à multidão e aos seus discípulos:
    “Os mestres da lei e os fariseus se assentam na cadeira de Moisés.
    Obedeçam-lhes e façam tudo o que eles lhes dizem. Mas não façam o que eles fazem, pois não praticam o que pregam.
    Eles atam fardos pesados e os colocam sobre os ombros dos homens, mas eles mesmos não estão dispostos a levantar um só dedo para movê-los.
    “Tudo o que fazem é para serem vistos pelos homens”.
    (Mateus 23:1-5)

    Estamos diante de uma casta modernista de fariseus que repetem apenas com a boca a Doutrina da Igreja, mas na prática fazem outra coisa.
    Um exemplo disso é o que está acontecendo na Argentina seguindo os passos bergoglianos. Primeiro foi o batismo da filha de uma lésbica que usou o evento como propaganda para o lobby gay e agora na mesma Argentina, um sacerdote abençoa a união transexuais:

    http://www.libertaepersona.org/wordpress/2014/09/argentina-va-in-onda-il-matrimonio-fiction/

    O fato se deu na Paróquia do Espírito Santo na cidade de Santiago del Estero na Argentina onde o Padre P. Sergio Lamberti, celebrou a união do travesti Luisa Paz com José Coria. A líder do movimento LGBT da Argentina, disse que a Igreja Católica não deixa de surpreendê-la.
    Os jornais falam de uma cerimônia carregada de emoção em que muitos casais transexuais renovaram o seu amor, enquanto Padre Lamberti se esmerava em especificar que embora não se tratasse de um verdadeiro sacramento, esse já é um grande passo pra Igreja Católica, visto que “Deus não faz acepção de pessoas”.
    Diante da controvérsia gerada pelo caso, o Bispo Mons. Bokalic, simplesmente recordou que o verdadeiro matrimônio é entre um homem e uma mulher sem no entanto fazer nenhuma condenação à “bênção” ao casal transexual.
    Citando o Catecismo da Igreja Católica, do mesmo modo como os fariseus citavam a Torah, disse que queria apenas evitar que as pessoas fizessem confusão entre o “Sacramento” e a “benção”, como se o fato em si não fosse o bastante pra provocar confusão. Todas as revoluções começam assim: primeiro colocam diante da opinião pública o fato consumado pra que as pessoas comecem a se acostumar. Dizem que querem salvaguardar a doutrina enquanto agem na direção contrária.
    Ao comentar sobre a passagem evangélica das Bodas de Caná, Padre Lamberti enfatizou que “estamos reunidos aqui pra celebrar o amor de Deus na nossa vida” e se dirigindo para o “casal” disse: “que esse amor que os sustentou até agora em sua escolha de vida, seja respeitado por todos”.
    Essa é a mesma técnica da língua dupla de Kasper que diz:

    “A doutrina da indissolubilidade do matrimônio sacramental se baseia na mensagem de Jesus. A Igreja não tem poder para mudá-la. Este ponto não muda. Um segundo matrimônio sacramental, enquanto alguém do casal continua vivo, não é possível”.

    ….Entretanto, contudo, todavia…( como se Jesus tivesse feito alguma ressalva, aberto algum parênteses a esse respeito!) é preciso diferenciar a doutrina da disciplina, ou seja, a aplicação pastoral em situações complexas. É preciso distorcer a doutrina pra adaptá-la e aplicá-la àquelas situações complexas como união entre sodomitas, adúlteros, etc. O primeiro casamento continua válido, mas o segundo casamento já não é mais considerado “adultério”, portanto podem comungar.
    Só que ele esquece de mencionar a passagem de Marcos 10 que diz claramente que enquanto o primeiro cônjuge estiver vivo, quem se casar novamente está em estado de adultério.
    Não foi à toa que Jesus nos advertiu que os publicamos e as prostitutas que realmente se arrependem de seus pecados e buscam a verdadeira misericórdia de Deus precederão a esses fariseus no Reino de Deus” (Mt 21, 31).

  15. “Se esse governo [da Igreja conciliar] abandona sua função e se volta contra a fé, o que devemos fazer? Permanecer apegados ao governo ou permanecer apegados à fé? Temos de escolher. A primazia é da fé ou é do governo? Estamos diante de um dilema e nos vemos obrigados a escolher.” (Dom Lefebvre, Homilia para a missa crismal da Quinta-Feira Santa, 27 de março de 1986.)

    • Por escolherem mal, muitos católicos um dia deixarão de ser católicos sem sentir. Roma está demolindo a Fé, porque seus sacerdotes se cansaram da Sã Doutrina e preferiram as fábulas. As Escrituras nos previnem que ainda que um anjo se apresentasse com um Evangelho diferente, que fosse anátema,e no entanto homens de carne e osso nos propõem vários evangelhos diferentes, e ao invés de rejeitarmos estes evangelhos evitando a companhia e a familiaridade com estes modernistas, a maioria que está ciente que este clero têm doutrina contrária à dos Evangelhos, no entanto despreza o conselho do anátema acima, e preferem perder suas almas imortais debaixo de uma falsa unidade, uma falsa obediência e uma cumplicidade com este clero que conservou sua autoridade, sua jurisdição e seus cargos, mas não conservou algo mais essencial do que ser papa, cardeal, bispo ou padre: ser cristão, portanto ser CATÓLICO. A primazia é da fé ou é do governo (2)?

  16. Do jeito que as coisas estão nebulosas, caminhando para concessõezinhas daqui, dali, acolá,, em nome disso e daquilo e, para as maiores sucederem nessa situação atual de converter termos, como “misericórdia” em “cessões” mais abrangentes, deturpando-lhe o real sentido, incentiva os inimigos da Igreja darem uma forcinha adicional no espalhamento de mais joio em meio ao já infestado trigal, apenas questão de tempo.
    “Quem despreza as pequenas coisas, aos poucos cairá nas grandes” Eclo 19,1.
    Um abismo chama outro abismo. Sl 41,8.
    A evidencias, menos hipóteses, de serias infiltrações na Igreja desde a década de 30 para cá, cada vez mais patentes de uns Kasper et alii querendo que a Igreja se adapte às tendencias de um “novo tempo” – não às exigências do Mestre Jesus – mas, de atendimento ao “deus-homem”, do mais absolutista antropocentrismo, parecem se confirmar!
    Tem havido por aí uma espécie de discernimento, distinguindo a Pedro de Simão: o primeiro, sob as inspirações do Espírito de Cristo, perfeito; outro, falível, sujeito ás intemperies…
    Se as divergências persistirem no Sínodo, reeditarem-se novos D Lefebvre não seria impossível, melhor ainda: um cisma seria o objetivo primordial mais cobiçado da Alta Maçonaria!
    Aderir ao modernismo, a um fé católica mais “tolerante, compreensiva” como querem alguns, não seria acrescer tijolos a mais ao edifício da DITADURA DO RELATIVISMO, da mentalidade do POLITICAMENTE CORRETO?

  17. “Um cardeal deve ser próximo do Papa”…

    É muito cinismo ouvir uma pérola com esta saída de um cardeal como Kasper…Por favor…O que mais Nosso Senhor criticava era o farisaísmo, a hipocrisia descarada dos fariseus, e o que esse cardeal está fazendo usando dessa atitude de “vítima” dos seus irmãos “carrascos” e “impiedosos”…Por favor cardeal … Ao menos seja honesto…

    V. Eminência e quase toda Conferência Alemã se rebelaram em bolco contra Bento XVI; na época do Concílio vossos antecessores fizeram horrores por baixo do pano para desvirtuar totalmente o Concílio, fizeram verdadeiros conciliábulos “secretos” para jogar por terra o trabalho de 3 anos que o então cardeal Ottaviani e mais uma quantidade considerável de estudiosos, peritos e Bispos tinham preparado… e…DESGRAÇADAMENTE conseguiram…

    Só para tirar sua máscara de vítima, cito um dos trocentos e vulgares episódios acontecidos durante o Concílio: “D. Hélder Câmara, a caminho dos altares, (rssss… pra não chorar…) logo na primeira sessão foi pedir ao cardeal Suenens que assumisse a condução da frente progressista (…). O cardeal lhe perguntou: Todos sabem que o Sr. é amigo de Montini(também a caminho dos altares, quem sabe na comemoração dos 500 anos da deforma protestante em 2017 Francisco canonize os três, D. Hélder, Lutero,Montini …); por que pensa em mim e não nele, para este diálogo e para liderança do Concílio? Ao que D. Hélder respondeu sem hesitar: “Sinto-me aux anges com o Papa João. Mas sinto que ele assistirá ao final com Concílio do céu. Temos de reservar Montini para suceder a João. Suennes acrescenta… de acordo”… (Este trecho está no livro do professor de Mattei, pág. 185)

    Isto é honesto???? E é uma pequena amostra da baixaria que os progressistas fizeram com o Vaticano II, e olha que ainda estávamos no início da primeira sessão…

    Pois então caro cardeal Kasper, todos vós e vossos antecessores, de onde estiverem na eternidade, que colocaram a Igreja nessa “primavera” que estamos vivendo, vereis de novo essa mesma IGREJA BELA e LÍMPIDA como um FAROL a iluminar esse nosso mundo cada vez mais pagão e à toa…

    Servo de Deus Pio XII, rogai por nós!

  18. De acordo com kasper os tradicionalistas querem a jihad doutrinal, mas a humildade de kasper só quer a paz no próximo sínodo. Os tradicionalista querem implementar a sharia da tradição, indo contra as aspirações do papa em fazer um sínodo apenas pastoral (isto cheira a cinismo). A sua figura de vítima mete nojo, cola-se ao papa como se este fosse perfeito e os cardeais devessem seguir, o papa, mesmo para o inferno.
    Kasper fala com muita facilidade e abundantemente da cumplicidade do papa com a sua maneira de pensar, isto é um indicador que fala a verdade. Pelo menos aqueles que estão com os olhos abertos já perceberam o caminho que esta igreja de Bergoglio vai percorrer, gerando um cisma, porque felizmente nem todos os católicos seguirão as heresias já anunciadas e desejadas pelo papa (segundo kasper).

  19. “Bispo se oporá a bispo, cardeal se oporá a cardeal”, Nossa Senhora de Akita.

  20. Percebe-se a sutileza do veneno sendo implementando mais uma vez no seio da Santa Igreja, através das argumentações do E.R. Cardeal Kasper. “Orar e viar porque o inimigo nos ronda como um lobo raivoso”,

  21. Bergoglio rifa Kasper e o joga aos leões. A inflexão de Pio IX começou assim…

  22. É até difícil chegar a uma conclusão desse jeito: é Francisco que manipula Kasper ou é Kasper que manipula Francisco. De qualquer forma parece uma ligação quase umbilical.

  23. Caro Rodrigo,

    Desde que um decrépido Tauran anunciou (quase não conseguindo segurar sua cabeça sobre o pescoço) que o novo Papa era justamente o Cardeal Bergoglio (e como não lembrar que se fazia noite escura em Roma naquele momento?), tudo o que eu mais desejo é que haja, de fato, uma mudança em Francisco tal qual ocorreu em Pio IX. Não somente o quero, mas rezo por isto.

    Mas, infelizmente, não há NADA até agora que me faça crer que isto de fato está acontecendo.

    Ao contrário, penso que o Papa seguirá com sua agenda liberal até o fim. Nem mesmo um (pouco) provável reconhecimento da FSSPX significará uma mudança de rumo no Pontificado de Francisco, muito embora, no meu entender, represente uma mudança de rumo para a Igreja.

  24. Esta entrevista é uma mensagem para todos os católicos, principalmente para os cardeais e a mensagem é muito simples.
    1- O papa está de acordo com o pensamento de Kasper, “Combinei tudo com ele. Ele(papa) estava de acordo.”
    2 – Quem está contra as ideias de Kasper está contra as ideias do papa. “Eu não sou o alvo(da controvercia), o alvo é outro(o papa)”.
    3- O papa quer um sínodo pastoral por isso as controvérsias doutrinais deverão ficar do lado de fora. ” o Papa quer um sínodo pastoral”

    Portanto a linha de pensamento para o próximo sínodo já foi dada e é para ser seguida por todos, caso contrário estarão ir contra o papa. Este aviso é para os progressistas que devem meter as mãos à obra e começar a abraçar as ideias deste sínodo. Quanto aos mais ortodoxos ficam avisados que “Um cardeal deve ser próximo do Papa, estar ao seu lado. Eles são os cooperadores do Papa”.

  25. “Para concluir toda esta matéria da fé e seus diversos frutos, resta-nos por fim, Veneráveis Irmãos, ouvir as teorias dos modernistas acerca do desenvolvimento dos mesmos. Têm eles por princípio geral que numa religião viva, tudo deve ser mutável e mudar-se de fato. Por aqui abrem caminho para uma das suas principais doutrinas, que é a evolução. O dogma, pois, a Igreja, o culto, os livros sagrados e até mesmo a fé, se não forem coisas mortas, devem sujeitar-se às leis da evolução. Quem se lembrar de tudo o que os modernistas ensinam sobre cada um desses assuntos, já não ouvirá com pasmo a afirmação deste princípio. Posta a lei da evolução, os próprios modernistas passam a descrever-nos o modo como ela se efetua. E começam pela fé. Dizem que a forma primitiva da fé foi rudimentar e indistintamente comum a todos os homens; porque se originava da própria natureza e vida do homem. Progrediu por evolução vital; quer dizer, não pelo acréscimo de novas formas, vindas de fora, mas por uma crescente penetração do sentimento religioso na consciência.”
    (…)
    “O progresso do dogma nasce principalmente da necessidade de vencer os obstáculos da fé, derrotar os adversários, repelir as dificuldades. Deve-se ainda acrescentar um contínuo esforço, para se penetrar cada vez mais nos arcanos da fé.”
    (…)
    “De uma espécie de convenção entre as forças de conservação e de progresso, isto é, entre a autoridade e as consciências individuais, nascem as transformações e os progressos. As consciências individuais, ou pelo menos algumas delas, fazem pressão sobre a consciência coletiva; e esta, por sua vez, sobre a autoridade, obrigando-a a capitular e pactuar. Admitido isto, não é de admirar ver-se como os modernistas pasmam por serem admoestados ou punidos. O que se lhes imputou como culpa, consideram um dever sagrado. Ninguém melhor do que eles conhece as necessidades das consciências, porque são eles e não a autoridade eclesiástica, os que se acham mais em contato com elas. Julgam quase ter em si encarnadas todas essas necessidades; daí a persuasão que têm de falar e escrever sem medo. Nada se lhes dá das censuras da autoridade; porque se sentem fortes com a consciência do dever, e por íntima experiência sabem que merecem aplausos e não censuras. Nem tão pouco ignoram que os progressos não se alcançam sem combates, nem há combates sem vítimas, como o foram os profetas e Cristo.”

    São Pio X, Encíclica “Pascendi Dominici Gregis”

  26. Na igreja de Bergoglio as posições revolucionárias, como a de Kasper pode, enquanto o Magistério Perene não pode!
    São asquerosas as palavras do purpurado anti-cristão, quer claramente dividir a Igreja, quer sangrar a Esposa de Cristo, dividindo cardeais contra cardeais, bispos contra bispos, padres contra padres. E, segundo ele, ainda faz em comunhão com o Papa… Para onde este pontificado nos levará?
    Que Deus Justo e Misericordioso perdoe os pecados desses tempos de apostasia!

  27. O que o cardeal Kasper quer é dar continuidade ao que começaram no concílio Vaticano II: Não desejam mudar a Doutrina, querem deixá-la intocada, apenas com uma nova linguagem, ambígua, que deve ser interpretada como antes, mas com uma prática diferente da tradicional.

    Foi assim com a liberdade religiosa, com o ecumenismo, com a missa nova e tantas outras novidades pastorais do concílio pastoral, como pretende ser o novo sínodo. Diz-se que tudo permanece com o mesmo valor que antes do concílio, no texto tudo é uma maravilha que pode agradar todo mundo; na aplicação, porém, vemos o resultado que só faz humilhar a Igreja, a Doutrina de Jesus Cristo, profanar os Sacramentos, quando não os invalida, e também leva muitos a se perderem.

    Ainda tem, vendo tudo o que acontece há tantos anos, pessoas que negam o estado de necessidade… Pessoas que veem na letra do concílio a lei suprema, e, para as mesmas pessoas, as almas que se danem!

  28. Para mim,…o pior,… são os Ensinamentos teológicos errados….malvadamente, errados..!!!!!
    .Isso supera muiiitas “otras cositas” terriveis também, pois pode conduzir os menos esclarecidos a acreditar em fábulas, a distorcer a Fé…! Isso é terrivel.

  29. Para compreender as relações de Bergoglio e Kasper, precisamos ir às fontes do CVII, vale dizer as categorias hegelianas da pulsão dialética, nas quais o pensamento alemão do século XX e o ” jesuitismo” litúrgico e conciliar abeberaram-se. Em seu nível esquálido é só ver como caminham as CEB’s e seus mentores na hierarquia, a ” bem-amada” e voluptuosa CNBB.
    Canonizar Hélder, Montini e Lutero, fantástico!

  30. No capitulo 20(10) do LIVRO DO APOCALIPSE…..tem o trsite destino dessa personagem internacional….se não se converter…e, não largar seus propositos espirituais péssimos…Triste destinação espiritual; TREVAS! Dommage! Terrivel! Tomara, que abra os olhos e mude de idéias e de comportamento….Tomara…

  31. Como se diz em bom italiano: “Ebbene sì. Questi due ne hanno combinato di tutti i colori”.