Bispo de Roma enquanto Papa.

Por Roberto de Mattei – Messa in Latino |Tradução: Alexandre Semedo – Fratres in Unum.com – Bispo de Roma enquanto Papa, ou o Papa enquanto Bispo de Roma? O primeiro título do Papa, Bispo de Roma, lembra a origem da eleição papal, que ocorre pelos cardeais representantes do clero romano, e indica que o Pastor universal é o Bispo da Igreja local de Roma. Mas o eleito torna-se bispo de Roma porque se tornou Papa; não se torna Papa porque eleito Bispo e Roma. Isto é evidenciado pelo fato de que um simples sacerdote ou até mesmo um leigo poderiam ser eleitos Papas. Pio XII explica que uma pessoa leiga, em caso de sua eleição ao pontificado supremo, poderia aceitar a nomeação, se aceitar ser ordenado bispo, mas, cumprida esta condição, “o poder de ensinar, governar e também o carisma da infalibilidade, ser-lhe-iam concedidos imediatamente, a partir do momento da sua aceitação, mesmo antes de sua ordenação” (Discurso ao II Congresso Mundial do Apostolado Leigo de 5 de Outubro de 1957, em Discursos e Rádio, XIX, p. 457-458).

O exercício do poder supremo de governo, mesmo antes da consagração episcopal, recebido após a eleição, por Papas que não são bispos ou nem mesmo sacerdotes, nunca foi contestado. Basta lembrar o caso de Bonifácio VIII, que, durante o mês decorrido entre sua eleição e sua consagração, cancelou todas as nomeações feitas por seus dois antecessores, Nicolau IV e Celestino V. Talvez o exemplo mais significativo é o de Adriano V, que, entre julho e agosto de 1.276, reinou apenas 38 dias, sendo apenas um diácono. Ninguém jamais contestou a validade dos atos com os quais, neste curto período, exerceu sua autoridade papal. As fontes históricas dizem especificamente dele, vixit in (Pontificato) Papatu 35 (38) dias. Alguns dos maiores papas da história da Igreja, como São Gregório Magno, São Gregório VII e Inocêncio III, foram ordenados bispos somente após a sua eleição para o Papado; mas desde o primeiro momento da sua aceitação foram considerados Papas. Após o século XVI, oito Papas receberam o episcopado após a sua eleição: Pio III, Leão X, Marcelo II, Clemente VIII, Clemente XI, Pio VI e Gregório XVI. A tradição e a prática da Igreja nos ensinam, portanto, que quem for eleito papa, embora simples leigo ou sacerdote, deve ser consagrado bispo o mais rápido possível, porque o Papa é o Bispo de Roma. Mas não é a consagração episcopal que lhe confere o Papado. Este erro se tornou comum nas últimas décadas, graças à nova eclesiologia progressiva.

Roberto de Mattei.

24 Comentários to “Bispo de Roma enquanto Papa.”

  1. “Mas o eleito torna-se bispo de Roma porque se tornou Papa; não se torna Papa porque eleito Bispo de Roma”. Perfeito. O Bispo de Roma é o Pontífice da Igreja Universal simplesmente porque S. Pedro Apóstolo, sendo Papa, QUIS estabelecer-se em Roma, em que pese pudesse ter eleito outra cidade, afinal, sabemos que Antioquia foi a primeira sede da Igreja Universal. S. Pedro Apóstolo, sendo papa, quis transferir sua cátedra… Era Papa antes de ser Bispo de Roma. Daí o equívoco fundamental que o Santo Padre Francisco cometeu na 1ª aparição pública ao dizer “que o dever do Conclave era dar um Bispo a Roma.”

    Ora, a função do conclave consiste em eleger um novo Pontífice para a Igreja Universal, o que, consequentemente, devido aos encargos que o próprio MINISTÉRIO PETRINO impõe ao Pontífice, atualmente, entre outros, inclui o governo daquela Igreja local. Assim, Francisco é Bispo de Roma porque é Papa, não o contrário.

  2. De Mattei e seus problemas com a lógica… Desta vez, tautologia: se o sujeito eleito não aceitar a ordenação episcopal ou não receber, anula-se a eleição. Logo, as realidades Papa-Bispo de Roma seguem correlatas.

    • Vinícios

      São Pedro Apóstolo era o líder do colégio apostólico. Para que um sujeito possa sucedê-lo como Líder deste colégio, precisa antes… Integrar o próprio colégio apostólico(!!!), para que seja eleito o seu líder, isto é, ser sagrado bispo. Isto NADA diz respeito à Diocese de Roma. Não há contradição alguma, irmão…

      A Constituição Apostólica Universi Domini Grecis, diz a respeito, in verbis: “Depois da aceitação, o eleito que tenha já recebido a Ordenação episcopal, é imediatamente o Bispo da Igreja de Roma, verdadeiro Papa e Cabeça do Colégio Episcopal; e adquire efectivamente o poder pleno e absoluto sobre a Igreja universal, e pode exercê-lo. Se, pelo contrário, o eleito não possuir o carácter episcopal, seja imediatamente ordenado Bispo.” (n. 88).

      Evidentemente, bem assim o Catecismo explicitamente deduz que o Romano Pontífice deve estar INCLUÍDO no colégio apostólico, isto é, ser sagrado bispo: C.42.1 “Autoridade e colégio episcopal: §883 O colégio ou corpo episcopal não tem autoridade se nele não se considerar INCLUÍDO, como chefe, o Romano Pontífice. Como tal, este colégio é também ele detentor do poder supremo e pleno sobre a Igreja inteira. Todavia, este poder não pode ser exercido senão com o consentimento do Romano Pontífice.” – Destaque meu.

  3. Basta lembrar o caso de São Pedro que foi primeiro Papa, depois Bispo de Antioquia e só depois Bispo de Roma.

  4. Vinícius e seus problemas de leitura: todos os Papas que foram eleitos Papas sem serem Bispos foram ordenados Bispos. Você criou a suposta tautologia que imputa a De Mattei.

  5. Caro Vinícius,

    Acho que você não leu o texto. Nele, cita-se expressamente um exemplo de um diácono que foi eleito Papa e morreu sem ser ordenado bispo. E morreu como Papa. Então, como é que você diz que se o eleito não receber a ordenação a eleição fica anulada?

    E mais, no texto, cita-se Pio XII, que afirmou que a aceitação do episcopado é uma condição de aceitação do próprio Papado. Então, como você afirma que o eleito pode não aceitar a ordenação episcopal? Se não a aceitar, não chegou a ser eleito.

    Faça um favorzinho para mim para você mesmo: leia o texto outra vez, sem a presunção de ser superior a quem é superior a você.

  6. “‘Bispo de Roma’ não é meramente um dos títulos do Santo Padre, é efetivamente o nome do ofício que o constitui Sucessor de São Pedro e Vigário de Cristo na terra.”
    [“Bishop of Rome” is not merely one of the titles of the Holy Father, it is actually the name of the office which constitutes him as St. Peter’s successor and as the Vicar of Christ on earth.]
    (Mons. Joseph Clifford FENTON, The local Church of Rome [A Igreja local de Roma], The American Ecclesiastical Review, vol. 122, 1950, 454-464, cit. à p. 463).

    O leigo hipotetizado pelo Papa Pio XII (cujo ensinamento, aliás, é só muito seletivamente obedecido por De Mattei… cf. http://wp.me/pw2MJ-2dl ) é eleito Bispo de Roma, e se torna Bispo de Roma, antes mesmo de receber a consagração episcopal.

    O sofisma do artigo está em pretender que não seja possível começar a ser Bispo já antes mesmo de receber a consagração episcopal. Mas é assim. Pio XII estava apenas aplicando ao Bispado de Roma (= ao Papado) aquilo que o Direito Canônico já prevê para qualquer outro Bispado:

    “A todo aquele que deve ser promovido à dignidade episcopal…é-lhe necessária a provisão ou instituição canônica, em virtude da qual ele fica constituído Bispo da diocese vacante, provisão que só é dada pelo Romano Pontífice’ (CIC 1917, cânon 332, I).

    E isso, antes mesmo de receber a consagração episcopal, que ele tem três meses para receber depois de ter ficado Bispo da diocese à qual foi nomeado pelo Papa.

    • Felipe Coelho

      O Sr sabe que Jesus Cristo elegeu São Pedro Apóstolo como Vigário de sua Igreja Universal, não como Bispo de Roma. Como os pontífices, desde a era apostólica, porém, ali se fixaram e reservaram para si o governo da Diocese de Roma, então o ministério petrino historicamente absorveu-o como um encargo próprio dos pontífices e tornou-se um ofício comum dos seus sucessores o governo da diocese de Roma. Porém, isto não aconteceu por mandato divino, senão como consequência histórica da trajetória e do martírio do primeiro pontífice ali nas colinas vaticanas.

      O seu primeiro parágrafo em nada contradiz Roberto de Mattei. Afinal, S. Pedro Apóstolo elegeu Roma para si. Está certo, assim, ao dizer que HOJE, o Bispado de Roma constitui “parte do ofício dos sucessores dos Papas”, como de fato faz, conforme as palavras de Fenton, embora saibamos que Pedro era Papa no Concílio de Jerusalém, era Papa durante sua estadia em Antioquia e durante sua migração para Roma, até sua fixação definitiva na capital do antigo império.

      Se é verdade que hoje em dia, a todos que serão promovidos ao episcopado, é necessária a provisão ou instituição canônica numa diocese, à qual incumbirá ao novo epíscopo exercer o seu ofício dentro de sua circunscrição jurisdicional; é verdade que na era apostólica, porém, os próprios apóstolos durante suas migrações permaneciam sendo bispos, os quais julgavam por própria conta a região propícia para se fixar definitivamente.

      O Sr induz que Roberto de Mattei sofisma, isto é, age de má-fé quando induz que um sujeito apenas mediante a consagração episcopal tornar-se-á bispo. Perceba, no entanto, Felipe, que o mérito do texto do Roberto de Mattei consiste na discussão sobre a VALIDADE dos atos que os Pontífices recém-eleitos tenham praticado antes da sua consagração episcopal, se for o caso, uma vez que as normas da Igreja requerem a imediata consagração episcopal do eleito.

      Exemplo: A legislação atual que regulamenta a Vacância da Sé Apostólica e a eleição dos Sumos Pontífices, dispõe que o novo pontífice adquire o poder pleno e absoluto sobre a Igreja Universal e poderá exercê-lo APENAS se tiver uma ordenação episcopal quando eleito. Do contrário, precisa ser imediatamente ordenado bispo. (Constituição Apostólica Universi Dominici Grecis, n. 88). Se a Igreja admitiu a validade dos atos praticados por pontífices do passado, notadamente demonstra ser uma questão fechada para o futuro, que desobedecida, implicará numa controvérsia sobre o status canônico de tais atos, concorda?

      Trata-se de uma regra simples da Universi Dominici Grecis.

      De qualquer forma, é o Sr quem traz uma discussão ACESSÓRIA, consistente na dúvida de que alguém começa a ser Bispo antes de obter a consagração episcopal. Este não é o mérito do artigo do Roberto de Mattei.

      A propósito, o Sr diz que os sujeitos “começam a ser Bispos já antes mesmo de receberem a consagração episcopal”, citando o velho Código de Direito Canônico. Hoje o Catecismo nos ensina, porém, que “é em virtude da CONSAGRAÇÃO EPISCOPAL e pela comunhão hierárquica com a cabeça e os membros do colégio que alguém é constituído membro do corpo episcopal” (1.559) e não mediante a mera indicação para o episcopado.

      O cânon 382 nos §§ 1 e 2 do novo código, traz uma distinção entre “Bispos Promovidos”, que são aqueles bispos promovidos a uma nova diocese; e “Promovidos ao ofício de bispo diocesano” que são aqueles que são promovidos ao episcopado, durante o ínterim da nomeação até a sua consagração episcopal. Cumpre ao próprio código trazer as próprias distinções…

      Qual seria a razão, afinal, de que um Pontífice recém-eleito, que n tenha ordenação episcopal, esteja privado de exercer momentaneamente os seus poderes até que seja ordenado bispo, se, neste caso, seria bispo de fato?

      Por fim, De Mattei tinha por finalidade demonstrar que Jesus Cristo instituiu a liderança do Colégio Apostólico num homem… Não numa cátedra… não numa cidade. Assim, Roma não é a Sede da Igreja Católica simplesmente porque é Roma, ou porque era a capital do Império, mas porque Pedro decidiu fixar-se ali. O conclave tem por finalidade eleger um novo pontífice. A eleição do Bispo de Roma é uma das CONSEQUÊNCIAS imediatas de sua eleição, não uma finalidade em si…

      Como aconteceu que tornou-se um ofício comum dos sucessores de S. Pedro Apóstolo o governo da diocese de Roma, hoje, Fenton está certo ao dizer “é o nome ofício que o constitui Sucessor de São Pedro e Vigário de Cristo na terra.”

  7. “O exercício do poder supremo de governo, mesmo antes da consagração episcopal, recebido após a eleição, por Papas que não são bispos ou nem mesmo sacerdotes, nunca foi contestado. […] Talvez o exemplo mais significativo é o de Adriano V, que, entre julho e agosto de 1.276, reinou apenas 38 dias, sendo apenas um diácono. Ninguém jamais contestou a validade dos atos com os quais, neste curto período, exerceu sua autoridade papal.”

    A legislação atual que regulamenta a Vacância da Sé Apostólica e a eleição dos Sumos Pontífices, porém, dispõe que o novo pontífice adquire o poder pleno e absoluto sobre a Igreja Universal e poderá exercê-lo APENAS se tiver uma ordenação episcopal quando eleito. Do contrário, precisa ser imediatamente ordenado bispo. ( Constituição Apostólica Universi Dominici Grecis, n. 88).

    Isto significa que, eventualmente, pode persistir a Vacância da Sé Apostólica, ainda que haja um “Pontífice” que tenha sido eleito e aceito o pontificado, até que seja ordenado bispo; ou que possa existir um Pontífice, privado de exercer momentaneamente os seus poderes até que seja ordenado bispo.

  8. Gostaria de esclarecer minhas dúvidas…….

    Li em vários. “sites” católicos que se um Papa foi eleito,apenas canônicamente, e existindo ainda vivo, o outro Papa, este “eleito”, não ê Papa…e,ele é sómente, o BISPO DE ROMA…tendo só o governo HORIZONTAL da Igreja Católica…não detendo o PRIMADO DE JURISDIÇÃO,o qual pertenceria ao outro Papa ainda vivo,o qual,segundo esses “sites” católicos,teria renunciado apenas ao Bispado de Roma,( e não ao MISTERIO PETRINO, o qual é IRRENUNCIÁVEL E INTRANSFERÍVEL ), e, que nesse caso especialíssimo,o tal BISPO DE ROMA não seria o VÉRTICE,ligando Ceu e Terra…????..? !
    Dizem esses “sites” que esse caso extraordinário,ocorre atualmente,com RATZINGER. e. BERGOGLIO dividindo o TRONO DE SAO PEDRO!!!!……?
    E tem mais…que todas as decisões doutrinárias/espirituais desse BISPO DE ROMA, recentemente ungido…NÃO seriam válidas espiritualmente falando…!!!!…?
    Pergunto aos sábios sobre DOGMA DO PAPADO e sobre DIREITO. CANÔNICO…:
    – isso é verdade?…
    -é isso o que acontece na IGREJA CATÓLICA atualmente?
    -está correta essa informação que veicularam em cinco “sites” católicos..?!…?
    Agradeço se não…”moderarem” meu texto…e,se alguém abalizado,generosamente me esclarecer as grandes dúvidas…!
    Obrigada.

    • Mariana

      Talvez exista algum texto no site administrado por Felipe Coelho (http://aciesordinata.wordpress.com) que aborde o instituto da renúncia na doutrina canônica e teológica. Há textos excelentes no site… Se quiser acessá-lo, poderá pesquisar. De qualquer forma, embora eu n seja um sábio como a senhora requisitou, permita que eu me intrometa na questão levantada:

      Segundo o cânon 332, § 2 do Código vigente, o Romano Pontífice pode renunciar ao seu múnus, bastando “que a renúncia seja livremente feita e devidamente manifestada, mas não que seja aceita por alguém.” (Cân. 332, § 2, CIC).

      Para resolver o “enigma” precisamos saber o que é o múnus do Papa. Uma vez sabendo, saberemos o que é renunciável…. certo?

      O cânon 333, no § 1 do código dispõe que o os Papas através do seu múnus “não só tem poder sobre a Igreja universal, mas obtém ainda a primazia do poder ordinário sobre todas as Igrejas particulares e entidades que as congregam, pelo qual é, ao mesmo tempo,reforçado e defendido o poder próprio, ordinário e imediato que os Bispos têm sobre as Igrejas particulares confiadas a seu cuidado.”

      Perceba, Mariana, que através do seu múnus, os Papas têm poder sobre a Igreja Universal. O múnus dos Papas é renunciável… Assim, os Papas podem renunciar ao governo da Igreja Universal, logo, ao ministério petrino.

  9. A tese de De Mattei dificilmente pode ser compatible com o modo em que a Igreja viu e ve o Papado, historicamente.

    O Papado sempre foi considerado um oficio ou ministerio que pertence exclusivamente ao Bispo de Roma em virtude de que este Bispo preside na Sede Episcopal Petrina, e recebe desse modo o que foi condedido divinamente a Pedro. Nao se considerou nunca como uma ordem especial independiente do Episcopado Romano, mais como uma autoridade especial concedida a Pedro e transmitida a quem fosse seu sucessor no Episcopado.

    O argumento de que S Pedro era Papa antes de ser Bispo de Roma nao tem a menor importancia. O Papa nao deve o Ministerio Petrino direitamente ao fato de ser Bispo de uma cidade. Seu Papado vem do fato dele ser sucesor de S Pedro. E unicamente o Bispo de Roma pode reclamar ser sucesor legitimo. Logo, depois da morte de Pedro, unicamente o Bispo de Roma poderia ser Papa, mesmo se o primeiro Papa foi Bispo de Antiquia.

    S Pedro nao era um Papa que se tornou Bispo. Era um Bispo que recebeu autoridade universal, distinta do resto de Bispos.

    A doutrina de Pastor aeternus pode ser resumina assim: (1) o primado apostolico de autoridade foi concedido a Pedro; (2) esse primado deve perdurar depois de Pedro; (3) os Bispos de Roma sucedem a S Pedro; (4) logo, os Bispos de Roma rececem o primado apostolico concedido a Pedro. Nao se entende como a tese de De Mattei poderia conciliar-se com isso. Nao se diz que o Papado foi divinamente fundado, e o episcopado romano foi concedido como prerrogativa. Se diz que as prerrogativas e autoridade de Pedro se transmitem ao Bispo de Roma, por ser seu sucesor.

    Tal vez vou ofender muitos aqui, mas considero que De Mattei tem capaciades e competencias excepcionais em materias historicas, mas artigos como este deixam a ideia de que tal vez a teologia nao seja um de seus campos fortes.

  10. Por outro lado, toda essa incomodidade de tantas pessoas pelo fato de que o Papa Francisco chama-se a si proprio como “Bispo de Roma”, resulta muito incomprensivel, considerando que todos os Concilios Ecumenicos, mesmo o Vaticano I, fazem uso desse titulo com preferencia.

    Se a memoria nao me engana, o Vaticano I nunca utiliza “Papa”, sempre fala de “Romano Pontifice”, ou Bispo de Roma. O titulo nao nega o Papado, como se o Papado fosse uma ordem ou ministerio distinto e em paralelo ao Episcopado Romano, e nao uma autoridade e ministerio especial concedido ao Episcopado Romano.

  11. Roberto

    Sua pressa em criticar a qualquer custo Roberto de Mattei nublou sua mente, fazendo que interpretasse equivocadamente o texto. O Papado EM SI consiste, em abstrato, na concessão do poder das chaves para o governo da Igreja Universal, independentemente da diocese em que estará situado… O poder hoje está em QUEM está em Roma, não em Roma em si. Se São Pedro Apóstolo, sendo Papa, decidisse ter ser fixado em Constantinopla, ter-se-ia tornado Bispo da Cidade, e, por tradição, todos os seus sucessores seriam Papas e Bispos de Constantinopla simultaneamente. A sede da Igreja Católica estaria em Constantinopla…

    Isto significa que não é o Bispado de Roma que legitima o Papado, mas o contrário.

    Ninguém postou aqui que São Pedro Apóstolo era um Papa que se tornou Bispo… Mas que São Pedro Apóstolo era Papa antes de ser Bispo… de Roma! O Papado não é uma função do Bispo de Roma, mas o contrário: o Bispado de Roma tornou-se PARTE do ofício que os Sucessores de Pedro assumem ao serem eleitos Papas. O Bispo de Roma preside na “Sede Episcopal Petrina”, porque o Sumo Pontífice quis transferir sua cátedra para a Diocese de Roma… O argumento de que S Pedro era Papa antes de ser Bispo de Roma significa exatamente que não é porque é Bispo de Roma que se torna Papa, mas o contrário…

    Releia o texto de Roberto de Mattei.

  12. Vivesse o citado diácono e não tivesse sido sagrado bispo, seria Papa? As normas insistem que seja ordenado bispo. E não de qualquer sé…

    Persiste, pois, a ligação entre os termos Papa + Bispo de Roma.

  13. Pedro,

    Seu comentario inicial tem a ver com minha pessoa, nao com argumentos. Acho que esta errado, mas nao vou responder porque nao estou aqui para discutir meu caracter ou o estado da minha mente.

    Considero o que voce disse inmediatamente depois como correito, e perfeitamente compativel com todo o que eu disse. Mas voce tira dos fatos certas ideias que nao podem ser consideradas correitas.

    O Pontificado universal pertence ao sucessor de Pedro, seja quem seja, por ser um ministerio pessoal de Pedro. Se o Patriarca de Constantinopla pudesse reclamar ser sucessor legitimamente, ele teria o Pontificado. O Pontificado universal nao esta em Roma em si, mas no sucessor de Pedro. Donde esteja o sucessor de Pedro, ai esta o pontificado universal. E historicamente, unicamente o Bispo de Roma pode reclamar ser sucesor legitimo.

    Seu ultimo argumento, porem, nao tem sentido, e insiste em confundir a natureza do Papado. S Pedro primeiro foi Papa e depois foi Bispo de Roma por que ele tinha o pontificado universal a titulo pessoal, e podia levar o pontificado universal a qualquer sede episcopal. Os Papas futuros, nao tem o pontificado universal a titulo pessoal. Eles tem o pontificado por ser sucessores de Pedro. E para ser sucesores precisam ser Bispos de Roma. Tornam-se sucesores de Pedro ao receber o Episcopado Romano, e tornam-se Papas por que sao sucessores legitimos de Pedro.

    Essa foi a doutrina declarada por os Concilios Ecumenicos, no primeiro e segundo milenio. Aceitar a tese de De Mattei deixa no ar o sustento doutrinal do Papado dado pelos Concilios. Alem, conceitos substanciais como “Primado” ficam no ar (pois o Papa ja nao seria um Bispo com primado de autoridade entre todos os Bispos, mas um Papa que coincide com ser Bispo de Roma), sendo este um dos principais conceitos utilizados pelos Concilios.

    “Bispo de Roma” e “Pontifice Romano” sao os titulos oficiais do Papado, evidente pelos Concilios Ecumenicos. “Papa” foi sempre um titulo de honor, inicialmente dado a todos os Bispos (e utilizado desde sempre para o Patriarca de Alexandria). A Igreja nunca ensinou que em Roma existia algo distinto do Episcopado. Ela ensinou que o Episcopado Romano tinha uma autoridade que os os outros Episcopados nao receberam, autoridade e primado universal. Logo, um individuo nao pode receber uma autoridade que a Igreja ensinou ser prerrogativa do Bispo de Roma, sem ele mesmo tornar-se Bispo de Roma.

    Alias, nunca existiu na Igreja de Roma qualquer coisa parecida a uma transmissao do Papado (coronar nao qualifica como isso, por certo). Existiu unicamente uma forma de transmissao episcopal. O pontificado universal nao foi concedido como ordem sacramental, mas como carisma pessoal de Pedro, transmitido a seus sucessores no Episcopado. O ministerio petrino esta unido e depende do Episcopado Romano. O Episcopado Romano nao pode simplesmente adicionar-se ao ministerio petrino.

    • Roberto

      Preliminarmente, se o Sr se julgou ofendido, saiba que peço publicamente desculpas. Em todo caso, quanto ao tema em discussão, sei que o Sr está certo ao dizer que “historicamente, unicamente o Bispo de Roma pode reclamar ser sucessor legitimo” de São Pedro Apóstolo, uma vez que, segundo as palavras que usei antes neste fórum, o Bispado de Roma tornou-se um ofício comum dos sucessores dos Papas.

      O Sr diz em seguida que “S. Pedro primeiro foi Papa e depois foi Bispo de Roma por que ele tinha o pontificado universal a titulo pessoal, e podia levar o pontificado universal a qualquer sede episcopal.” Posta também que a Igreja “ensinou que o Episcopado Romano tinha uma autoridade que os outros Episcopados não receberam, autoridade e primado universal.” Isto está plenamente conforme o que postei antes, porque uma vez tendo S. Pedro Apóstolo , enquanto Pontífice da Igreja Universal, se tornado Bispo de Roma, até o seu martírio, consagrou tal ofício como próprio dos seus legítimos sucessores. Com efeito, seus sucessores, se bispos e eleitos Papas assumem o Bispado de Roma. Isto é inquestionável.

      Perceba, no entanto, Fernando, que sequer Roberto de Mattei duvida de tal sentença, mas, antes lança uma questão desconcertante: Se o Papa, afinal, é Papa porque é Bispo de Roma ou o Bispo de Roma é Bispo de Roma porque é Papa. Daí talvez possam advir algumas teses:

      a – Que o Papa torna-se Papa por ser eleito PARA ser Bispo de Roma;
      b – Que o Bispo de Roma torna-se Bispo de Roma por ser eleito PARA Papa;
      c – Que o conclave tem uma dupla finalidade: Eleger o Bispo de Roma e Papa simultaneamente.

      Acredito que devido ao fato de o Bispado de Roma constituir “PARTE do ofício dos sucessores dos PAPAS” e não o contrário, sequer uma função autônoma, que a segunda hipótese seja a mais convincente. Saiba, Fernando, que absolutamente NINGUÉM contesta que o “Bispado de Roma” seja um ofício dos Papas, mas há questões sobre a sua origem quanto à instituição do pontificado.

      Em seguida o Sr posta: “Tornam-se sucessores de Pedro ao receber o Episcopado Romano, e tornam-se Papas por que são sucessores legítimos de Pedro.” Aí está o cerne da questão!

      Roberto de Mattei sustenta a tese de que alguns Papas foram Papas sem serem Bispos de Roma, citando Adriano V, que reinou por trinta e oito dias e morreu ANTES de sua consagração episcopal, isto é, antes de ser sagrado bispo, e, de qualquer forma, está nos anais da história como Sumo Pontífice da Igreja Católica. Teria sido Adriano V Sumo Pontífice da Igreja Católica enquanto a Diocese de Roma estava vacante?

      Daí levantou-se Felipe Coelho para contestar a tese de Roberto de Mattei, alegando que Adriano V tornou-se Bispo de Roma, antes sequer de sua ordenação episcopal, citando uma norma do antigo código de direito canônico, a qual – segundo a exegese do próprio intérprete – um homem torna-se BISPO simplesmente através de sua indicação para o episcopado.

      O fato é que todos os atos que Adriano V executou como Romano Pontífice, a Igreja reputou VÁLIDOS, embora hoje a legislação atual que regulamenta a eleição dos Sumos Pontífices disponha que o novo pontífice adquire o poder pleno e absoluto sobre a Igreja Universal e poderá exercê-lo APENAS se tiver uma ordenação episcopal quando eleito…

      Com efeito, OU persistiria a Vacância da Sé Apostólica, ainda que haja um “Pontífice” que tenha sido eleito e aceito o pontificado, até que seja ordenado bispo; ou existiria um Pontífice, privado de exercer momentaneamente os seus poderes até que seja ordenado bispo. Certo?

      A segunda hipótese é a correta, conforme o cânon 332, § 1 do novo Código de Direito Canônico, segundo o qual “O Romano Pontífice obtém o poder PLENO e supremo na Igreja pela eleição legítima por ele aceita, junto com a consagração episcopal”. Daí podemos extrair que o Romano Pontífice tem poderes limitados durante o ínterim de sua nomeação até a sua consagração episcopal, mas estará impedido, hoje, de exercer os atos próprios do ministério petrino.

      Se, no entanto, a doutrina católica atualmente (Catecismo, n. 1559; CIC, c. 336) estabelece que será através da consagração episcopal que os “promovidos ao ofício de Bispo Diocesano” tornam-se membros do colégio dos bispos e não através de uma mera indicação ao episcopado – que tem o condão de eleger os novos bispos e suas respectivas circunscrições diocesanas, uma vez que n existem bispos acéfalos – isto significa que a tese de Roberto de Mattei tem, EM TESE, validade:

      Isto significaria que algum presbítero, diácono ou homem qualquer que fosse eleito Papa, seria imediatamente o novo Romano Pontífice, tendo seus poderes LIMITADOS, até a imediata consagração episcopal, que, conforme a doutrina católica atual, tornaria o recém-eleito Papa, novo Bispo de Roma. De qualquer forma, ainda tenho sérias dúvidas sobre o assunto. Agradeço sua colaboração.

  14. PEDRO AUGUSTO!!!

    Muito obrigada,por sua explicação.Entendi!
    Grazie!

  15. Caro Pedro Augusto, Salve Maria!

    O artigo a que se referiu em resposta à Mariana provavelmente é o seguinte: A demissão do Papa – Nota ao n.º 493 de “Chiesa Viva”, jul. 2014, trad. br. em: http://wp.me/pw2MJ-2kL

    Passando agora ao artigo que estamos comentando, falar em sofisma não implica, de maneira nenhuma, insinuação de má-fé!

    Isso posto, o “non sequitur” do Autor está aqui: “o eleito torna-se bispo de Roma porque se tornou Papa; não se torna Papa porque eleito Bispo e Roma. Isto é evidenciado pelo fato de que um simples sacerdote ou até mesmo um leigo poderiam ser eleitos Papas.”

    Na realidade, porém, o “fato de que um simples sacerdote ou até mesmo um leigo poderiam ser eleitos Papas” não contradiz em nada o fato de que o eleito “se torna Papa porque eleito Bispo e Roma”. Nem, muito menos, “evidencia” o contrário disso.

    A razão disso é, muito simplesmente, que “um simples sacerdote ou até mesmo um leigo poderiam ser eleitos” Bispo de Roma, e serem já Bispo de Roma, antes mesmo de receberam a consagração episcopal.

    Foi isso o que meu comentário anterior procurou (e, a meu ver, conseguiu) demonstrar.

    Defender o contrário, como faz De Mattei, é não somente errôneo, e inaudito (ou melhor: e contradito!) nos teólogos católicos tradicionais, como me parece flertar com as excomunhões pronunciadas pelos Papas Nicolau II e Clemente V contra aqueles que estimavam que o Papa eleito só era bispo de Roma depois de sua coroação.

    Passo agora às suas duas objeções.

    Quanto aos documentos do Vaticano II e posteriores (João Paulo II, Novo Código, etc.) que pareceriam contradizer o límpido ensinamento do Papa Pio XII e a lei cristalina do Código de 1917, que citei, das duas uma: ou essa contradição não existe, e a doutrina daqueles (citados por você) é compatível com a destes, como me parece defender atualmente, e com grande competência, o teólogo jesuíta Ghirlanda, da Gregoriana [cf. Periodica 86 (1997) 615-656]; ou então a contradição existe, e nesse caso não vejo como você possa citar João Paulo II como respaldo de um artigo que cita a decisão de Pio XII, nem tampouco como evita concluir pelo sedevacantismo.

    Quanto ao caso de São Pedro e o Colégio dos Apóstolos, nem tudo o que se aplica a eles se aplica igualmente ao Sucessor de Pedro e ao Colégio dos Bispos. A Revelação terminou com a morte do último Apóstolo, São João Evangelista, e não com a morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

    Termino, finalmente, citando a conclusão de Mons. Fenton ao estudo donde tirei aquele excerto:

    É uma questão de doutrina católica manifesta que o episcopado da Igreja local de Roma e o primado visível de jurisdição sobre a Igreja militante universal não são realmente dois episcopados, mas constituem uma única função episcopal. Hoje, infelizmente, estamos propensos a imaginar que a chefia da comunidade cristã na cidade no Tibre é algo pouco mais que incidental ao Soberano Pontificado. Indicativo dessa tendência é a declaração de um livro recente e bem escrito, sobre o Ano Santo, uma afirmação no sentido de que ‘Um dos títulos do Santo Padre é Bispo de Roma’. Uma afirmação dessas não é errônea, mas bem pode ser considerada um tanto enganadora. ‘Bispo de Roma’ não é meramente um dos títulos do Santo Padre, é efetivamente o nome do ofício que o constitui sucessor de São Pedro e Vigário de Cristo na terra. E, quando o mesmo volume fala do ‘retorno da Sé Apostólica para Roma’, com referência ao fim da residência dos Papas em Avinhão, ele está usando uma terminologia definitivamente ruim. A Sé Apostólica, a Cathedra Petri, nunca saiu da Cidade Eterna. Os homens que governaram a Igreja a partir de Avinhão eram exatamente tão verdadeiramente Bispos de Roma quanto quaisquer outros dentre os sucessores de São Pedro. É precisamente em razão da inseparável residência da Cathedra Petri dentro dela, que a Igreja local de Roma possui seus extraordinários privilégios e carismas no interior da Igreja militante.”
    (Mons. Joseph Clifford FENTON, The local Church of Rome [A Igreja local de Roma], The American Ecclesiastical Review, vol. 122, 1950, 454-464, cit. à p. 463-464).

    Cordialmente,
    Em JMJ,
    Felipe Coelho

  16. discussões bizantinas…

  17. Felipe Coelho, Salve Maria!

    O Sr diz que “falar em sofisma não implica, de maneira nenhuma, insinuação de má-fé!”

    Ora, o sofisma é um recurso que algumas pessoas utilizam, conscientemente, para disseminar uma mentira “maquiada” por argumentos aparentemente verdadeiros, ardilosamente elaborados que façam a mentira parecer uma verdade. Exige o dolo de induzir conscientemente ao erro seu interlocutor. É uma óbvia insinuação de má-fé.

    Quanto à discussão, seria completamente anacrônico e absurdo que eu citasse uma norma recente para atacar uma decisão de Pio XII que, a princípio, iria lhe contradizer no texto. A questão é que se a doutrina católica, atualmente estabelece que será através da consagração episcopal que os “promovidos ao ofício de Bispo Diocesano” tornam-se membros do colégio dos bispos – e não através de uma mera indicação ao episcopado – a tese de Roberto de Mattei mantêm, EM TESE, sua validade.

    Assim, se um presbítero, diácono ou homem qualquer fosse eleito Papa, seria imediatamente o novo Pontífice Romano, tendo, porém, seus poderes LIMITADOS, até a sua imediata consagração episcopal, por força da Constituição Apostólica Universi Dominici Grecis, que conforme a doutrina católica atualmente, tornaria o recém-eleito Papa, após a consagração, o novo Bispo de Roma.

    Perceba que há outras interpretações possíveis ao cânon 332, I do antigo código, contrárias à sua: É possível que, segundo a antiga norma, a provisão ou instituição canônica tivesse apenas o efeito de eleger os novos bispos para suas dioceses, fixando apenas suas respectivas circunscrições diocesanas. Lembre-se, afinal, que todo bispo será constituído bispo EM VIRTUDE de uma diocese, jamais será constituído bispo simplesmente para ser bispo, uma vez que n existem bispos acéfalos. A própria decisão de constituir um bispo fundamenta-se perante uma diocese ante a qual o novo bispo estará sendo constituído…

    De qualquer forma, ainda tenho sérias dúvidas sobre o assunto.

    Quanto à citação extraída do livro do Mons. Fenton, destaco a seguinte parte: “E, quando o mesmo volume fala do ‘retorno da Sé Apostólica para Roma’, com referência ao fim da residência dos Papas em Avinhão, ele está usando uma terminologia definitivamente ruim. A Sé Apostólica, a Cathedra Petri, nunca saiu da Cidade Eterna. Os homens que governaram a Igreja a partir de Avinhão eram exatamente tão verdadeiramente Bispos de Roma quanto quaisquer outros dentre os sucessores de São Pedro.”

    Tendo S. Pedro Apóstolo , enquanto Pontífice da Igreja Universal, se tornado Bispo de Roma, até o seu martírio, consagrou tal ofício como próprio dos seus legítimos sucessores. Com efeito, seus sucessores, indissociavelmente assume o Bispado de Roma. Isto é inquestionável.

    Em todo caso, Felipe Coelho, lamento n ter conhecimento suficiente para trazer à baila uma discussão satisfatória sobre a relação entre os institutos. Talvez o próprio Roberto de Mattei possa discutir o tema futuramente, se for provocado.

    Desejo que Deus abençoe o sr e sua família.

    Pedro Augusto.

  18. Estimados amigos, Salve Maria ! Após o sr. Felipe Coelho publicar uma postagem, em que grosseira e injustificadamente ataca a minha pessoa em seu site, suspeito que queira vergonhosamente censurar a publicação de uma resposta enviada há mais de dez horas, no fórum em que deflagrou a injusta agressão contra mim. O Sr Coelho, ardilosamente, usa de artifícios baixos, valendo-se inclusive de mentiras (Me acusou de afirmar que o pensamento de Pio XII estaria ultrapassado) a fim de que, provavelmente, sua grosseira aos olhos dos leitores se tornasse justificável:

    Jamais fiz ou pretendo fazer qualquer juízo de mérito sobre o pensamento do Grande Pontífice Pio XII. Solicito ao editorial do FRATRES IN UNUM, que, por gentileza, concedam que eu utilize este fórum para publicar algumas considerações finais. Transcreverei a exata mensagem que enviei ao Sr. Coelho há algumas horas:

    “Felipe Coelho, Salve Maria!

    O Sr escreveu que a SUA “questão era saber se um leigo, ao ser eleito no conclave, torna-se imediatamente Bispo de Roma pelo só fato dessa eleição por ele aceita, antes mesmo de ele receber Ordens sacras”. O sr, no entanto, esquece que tenha postado antes, que “Pio XII estava apenas aplicando ao Bispado de Roma (= ao Papado) aquilo que o Direito Canônico já prevê para QUALQUER OUTRO BISPADO” e não estritamente à hipótese de um leigo ser eleito eventualmente em conclave, generalizando, assim, a questão, para qualquer outro bispado. São palavras SUAS… O sr usa umas palavras em um fórum e outras em outro.

    A sua ira – que transpareceu nas palavras contra mim – talvez tenha sido porque eu contrapus Pio XII e John Daly à Universi Dominici Grecis. Ora,

    – – Pio XII escreveu que: “Se um leigo fosse eleito Papa, […] o poder de ensinar e de governar, bem como o carisma da infalibilidade, lhe seriam concedidos desde o instante de sua aceitação, antes mesmo de sua ordenação.”

    – – Daly escreveu que: “um leigo pode ser validamente eleito Papa e que ele possui a PLENITUDE do poder de magistério e de jurisdição a partir do momento de sua ELEIÇÃO”

    – – A Constituição Apostólica Universi Dominici Grecis, ao contrário, estabeleceu que: O novo pontífice adquire o poder pleno e absoluto sobre a Igreja Universal e poderá exercê-lo APENAS se tiver uma ordenação episcopal quando eleito. Do contrário, precisa ser imediatamente ordenado bispo. Isto é, sendo leigo, sequer pode exercer o poder de magistério e de jurisdição a partir de sua eleição…

    Certamente se eu tivesse exposto uma dúvida sincera diretamente a Daly, ele teria sido mais amável, do que o Sr… que sequer aproveitou a oportunidade que teve para conciliar as três proposições acima!

    Também contrapus as suas palavras às de John Daly, que seguem abaixo:

    – – Felipe Coelho: “A razão disso é, muito simplesmente, que um simples sacerdote ou até mesmo um leigo poderiam ser eleitos Bispo de Roma, e serem já Bispo de Roma, antes mesmo de receberam a consagração episcopal.” São palavras SUAS: Segundo Coelho, um leigo eleito Papa, seria Bispo de Roma antes de sua consagração episcopal.

    – – John Daly, por sua vez, escreve sobre a hipótese de que um leigo eleito Papa deixe de ser consagrado bispo após a eleição papal: “Mas suponhamos, por hipótese, que ele falte a esse dever e permaneça leigo.” Segundo Daly, um leigo eleito Papa continuaria sendo leigo até a sua consagração episcopal, ao contrário do que escreve o sr, de que um leigo eleito Papa tornar-se-ia Bispo de Roma imediatamente a partir de sua eleição.

    Daí passei à discussão sobre o momento da elevação às ordens sacras, regra segundo a qual o Sr postou que o Direito Canônico prevê para QUALQUER bispado… Saiba que eu não duvido, Felipe Coelho, que seja um absurdo que um Papa apenas se tornasse Bispo de Roma (e eu considero absurdo) apenas mediante sua consagração episcopal, considerando os termos em que a doutrina católica trata sobre o momento da elevação às ordens sacras.

    Se o Sr é incapaz de solucionar os dilemas que são expostos nas conversações… mediante a confrontação dos dados para uma explícita refutação do que se considerava ser, v.g., uma contradição, talvez seja melhor que saia da “mesa” do debate. Quando se apresenta uma suposta contradição em matéria doutrinária que possa dividir dois Papas… Mais vale confrontar as argumentações explicitamente e mostrar que não há contradição alguma do que gritar aos quatro ventos “que uma doutrina que evoluiria de algo para seu contrário, foi condenada pelo Papa São Pio X”. Isto todos sabemos.

    A questão não é se a doutrina poderia evoluir para o seu contrário, mas a razão pela qual a questão apresentada NÃO é uma contradição.

    O Sr é tão incapaz de solucionar os dilemas apresentados que recorre exclusivamente ao “argumento da autoridade” para solucionar eventuais controvérsias (Que, por sinal, é em si positivo), mas quando pressionado a aplicá-los aos casos fáticos apresentados, concretamente, se desespera. Ainda mais quando o próprio “argumento das autoridades” se volta contra o Sr (V.g. Daly x Felipe Coelho)..

    Não procuro que o meu “livre-exame” do Direito Canônico tenha valor algum ante o juízo dos outros e sequer pretendo respaldar as impressões que posso gerar ao lê-los na internet. Tudo isto está posto na mesa para discussão. Os fóruns na internet são justamente os ambientes mais propícios para que possamos discutir nossas opiniões e compartilhar o conhecimento sobre a doutrina canônica, teológica e o magistério da Igreja.

    Acredito que o aperfeiçoamento do nosso conhecimento, serve, antes de mais nada, para melhorar o serviço que prestamos à Igreja. Nada para si. Apenas para aperfeiçoarmo-nos na qualidade de pífios instrumentos para a construção do Reino…

    E o Sr escreveu que no “meu parecer de canonista improvisado, o ensinamento de Pio XII estaria ultrapassado.”

    Agora eu te lanço um desafio, Sr Felipe Coelho: Diga-me quando eu insinuei que o ensinamento de Pio XII estaria ULTRAPASSADO! Eu escrevi que hoje a “Igreja dispõe exatamente o contrário do entendimento que manifestou Pio XII” na citada “Alocução Six ans se sont écoulés, ao II.º Congresso Mundial para o Apostolado dos Leigos”. Ora, basta comparar os termos da Constituição Apostólica Universi Dominici Grecis e as palavras de Pio XII para que, a princípio, percebamos uma contradição entre seus termos.

    De qualquer forma, jamais insinuei que o “pensamento de Pio XII estaria ultrapassado”. Ah, o Sr lê palavras que n existem, Felipe Coelho…

    Se não há contradição, louvado seja Deus (!!), então que possamos conhecer uma a uma as razões que nos leve a entender nesse sentido. Se não há contradição, mostrai as razões…

    Não é “cristão” atacar a pessoa que tenha uma interpretação equivocada das Sagradas Escrituras ou do Sagrado Magistério… Pelo contrário: Quem se dedica a meditá-los e aprofundar (até o parco conhecimento que tem sobre o assunto), tem amor às verdades reveladas e precisa ser alimentado em seu interesse para se aperfeiçoar no caminho a seguir.

    O Sr segue: “Mas você nem se interessou por uma tal eventual conciliação e parece achar possível que um Papa contradiga a outro em decisões doutrinais?!”

    Sr Felipe, eu não acredito, em regra, que possa um Papa contradizer outro em decisões doutrinais e sequer que a Igreja possa falhar. Porém, acredito também no que vejo: e vejo hereges públicos e notórios se insinuando futuramente ao sólio petrino… Sabe-se lá se Kasper, Maradiaga, entre outros… estivessem no sólio petrino. Dificilmente suas doutrinas se conciliariam ante São Pio X, Pio XII, entre outros.

    O Sr me acusa de n ter me interessado por uma eventual conciliação das supostas contradições… Saiba, Felipe Coelho, que eu procurei ontem, durante a madrugada – embora atordoado de trabalhos – algo que pudesse conciliar, mitigar a suspeita de contradição na constituição apostólica em homilias papais, obras antigas, ao menos aparentemente… E apenas encontrei contradições, sim, ao meu juízo – completamente insignificante, o Sr bem sabe disso – contradições…

    Ora, bem que seja que se não há contradições, mostrai então as razões!

    Em seguida o Sr escreve, citando a expressão “O Romano Pontífice está acima do Direito Canônico”: “Se você estivesse realmente interessado na investigação da verdade e no aprendizado da doutrina, teria encontrado esta citação, aliás, no primeiro link para textos afins deste blogue que citei acima, na introdução à tradução que estamos comentando. “

    O Sr julga algo que desconhece, Sr. Coelho. Eu conheço, SIM, a citação, tinha-a lido, talvez ontem ou antes de ontem no seu site e em outros fóruns. Embora o Sr, que se julga juiz dos corações… diga que não, eu tinha-a pesquisado. O Senhor Deus sabe que estou interessado apenas no conhecimento da verdade, não importando o que o seu pretensioso juiz na terra queira sentenciar no seu Tribunal “eletrônico” sobre o juízo dos homens.

    Eu sei que o Romano Pontífice está acima do direito canônico… Tanto é, que eu usei a expressão “limitado” na segunda vez – isto o Sr maliciosamente ignora – usando interrogações entre parênteses, porque duvidava se aqueles termos tinham algum fundamento justificável. Escrevi da seguinte forma:

    “Porém, há lacunas clamorosas tanto na Constituição Apostólica como no Código de Direito Canônico, a respeito da natureza jurídica dos eventuais atos que sejam praticados, quando o Pontífice esteja impedido (??) de exercê-los (ignorando o fundamento teológico de tais impedimentos), o que abre espaço para as especulações no campo doutrinário.”

    Usei as interrogações justamente porque tinha dúvidas sobre a viabilidade de haver impedimentos canônicos que submetessem ao Romano Pontífice… E a legislação atual que regulamenta a eleição dos Sumos Pontífices, dispõe, afinal, que o novo pontífice adquire o poder pleno e absoluto sobre a Igreja Universal e poderá exercê-lo APENAS se tiver uma ordenação episcopal quando eleito. Se o Sr desconhece a regra, pesquisa na Constituição Apostólica Universi Dominici Grecis.

    Ora, o que é que está ai senão um IMPEDIMENTO para que os Papas possam exercer o poder pleno e absoluto sobre a Igreja Universal??!! Talvez seja uma norma nula de pleno direito…

    Eu não duvido que o Papa, supremo legislador da Igreja, esteja acima do Direito Canônico… Também não duvido que possam existir, ao menos aparentes contradições entre as normas da Igreja. Se não são contradições, mostrai-as então!

    Por fim, o sr insiste em fazer juízos pessoais: “Mas não, o que você dá mostras de querer acima de tudo, e custe o que custar, é defender o Hortelino Troca-Letras”.

    Eu suspeito que o tal “Hortelino Troca-Letras” (que graça!) seja o Roberto de Mattei. Que curioso: O Sr julga que pode apelidar as pessoas… e ridicularizá-las..!

    Em todo caso, eu conheço apenas duas obras do Roberto de Mattei. Se acredito que alguma tese controversa sustentada por ele seja correta, a defenderei até que possa descobrir o CONTRÁRIO. O Sr sabe que a verdade nos coage para defendê-la. Ponho-me à serviço da Igreja e posso valorar livremente a contribuição que dão algumas pessoas para edificá-la, ainda que possa existir alguma divergência pessoal que nos separe… Não tenho ódio mortal contra o prestígio e o conhecimento das pessoas… pelo contrário. Se tudo isto está à serviço da Igreja, louvado seja Deus!

    Por fim, o Sr, tal qual um pobre “juiz” cibernético (na sua imaginação) decreta, triunfante, que dá esta discussão por encerrada… erga omnes, contra todos… Como se sentenciasse e decretasse uma decisão, por livre convencimento (in)justificado. Lamento informar, Sr. Felipe Coelho, mas o Sr está em um mero fórum da internet,.. não numa audiência judicial. Seus “decretos” aqui nada valem… Exceto… “excluir as postagens da sua rede” (rsrsrs). Retorne à realidade: Não cabe ao Sr encerrar algo que sequer começou, Felipe Coelho. Ponha-se no seu lugar…

    Isto posto, desejo que Deus conceda juízo e humildade ao Sr, afinal, a Igreja vale-se dos seus filhos para continuar sua marcha no mundo, incluindo-se aí o sr, que se diz católico, afinal, todos são convocados.

    Pode parecer contraditório, mas desejo que Deus abençoe o Sr e sua família. E também passar bem… Só que sem ironias, sem deboches e algo do gênero – que revelam um baixo tipo de caráter – mas, pelo contrário, desejo que passe bem, SINCERAMENTE, algo que é verdadeiramente típico de todo verdadeiro e bom cristão.

    Abraço,
    Pedro Augusto.”

    • Caro Pedro Augusto, pedimos sua paciência para conosco. Há muitos comentários aguardando liberação e por isso a demora. Esperamos até o final do dia colocar tudo em ordem.

    • Pedro Augusto, você afirma que “hoje a Igreja dispõe exatamente o contrário do entendimento que manifestou Pio XII“, mas depois me chama de mentiroso quando observo que isso é “afirmar que o pensamento de Pio XII estaria ultrapassado“…

      Realmente, não vejo sentido em continuarmos este debate. Publiquei, sim, em meu pequeno blogue essa sua última resposta “de já mais de dez horas” (ou seja, enviada lá pelas duas horas da madrugada), antes mesmo de ler a repercussão dela também aqui. A quem se interessar pela resposta a ela, a continuação do debate está aqui: http://aciesordinata.wordpress.com/2014/09/24/textos-essenciais-em-traducao-inedita-cclx/#comments

      Atenciosamente,
      Em JMJ,
      Felipe Coelho