Os “ortodoxos” fora da Cúria e os “hereges” dentro.

Para cada cardeal ortodoxo que é misericordiosamente expulso, um padre “herege” é convocado. Roberto, Messa in Latino.

Padre D’ors, um sacerdote (um pouco demais) de fronteira

Por Lorenzo Bertocchi – La Nuova Bussola Quotidiana, de 08-11-2014 | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: Ele se define como um “escritor místico, erótico e cômico”, chama-se Pablo D’ors (neto do famoso crítico de arte espanhol Eugenio D’ors) e atualmente é sacerdote na diocese de Madrid. Recentemente, foi nomeado como conselheiro do Pontifício Conselho para a Cultura, o dicastério liderado pelo Cardeal Ravasi, aquele do “Cortile dei Gentili”. “Por que fui escolhido pelo Papa Francisco? Um mistério. – Declararou ao jornal La Repubblica – Talvez ele teria perguntado: qual é o sacerdote mais marginal em Madrid?”.

Por esta entrevista, ficamos sabendo que antes de se consagrar ao sacerdócio levou uma vida “rica de amores, leituras, viagens imprudentes” e que isso o ajudou em sua tardia vocação, amadurecida aos 27 anos. Sim, porque “conhecer o amor humano ajuda a conhecer melhor sobre o amor divino”. E quem somos nós para julgar? Ninguém, porém, sabe-se lá o que pensa aquela fileira de virgens na história da Igreja que se doaram de corpo e alma ao Senhor …

O pobre católico terra-terra agora se sente inadequado, eu admito. Sob a pressão da cultura, aquela considerada “alta”, ele se dá por conta que suas pobres convicções, aprendidas com o velho pároco de montanha, são como lixo, cultura de série B. É necessário se atualizar, deixar de ser “alternativo”, diz D’ors, e viver o Cristianismo em “diálogo” com o mundo.

Padre Pablo, autor de romances, como aquele da mulher eslovaca que vai para a cama com os maiores escritores do século XX, e de ensaios, como o bem-sucedido “Biografia do silêncio”, diz que a vida de cada um “deveria ser uma obra de arte”. Vasco Rossi, para descer ao alcance da nossa mísera cultura, talvez diria “uma vida imprudente” daquelas cheias de problemas.

E então quebremos as amarras. Os sacerdotes poderiam viver melhor com uma mulher ao lado, porque — diz o culto padre — “os tempos agora estão amadurecidos”. Mas esta é apenas uma opinião pessoal, pois “disso o Pontifício Conselho não se encarregará”. Enquanto se falará e muito de mulheres sacerdotisas. “Penso que após a próxima reunião plenária se falará dessa definição.”

Absolutamente a favor da ordenação de mulheres (“e ele não é o único”), D’ors é fiel à linha de fazer de sua vida uma obra de arte, segundo ele, “um importante critério para medir a vitalidade espiritual de uma pessoa é a sua abertura à mudança. Resistir à vida é um pecado porque a vida é um desenvolvimento contínuo. “Panta Rei”. (filosofia de Heráclito segundo o qual : “tudo flui (panta rei), nada persiste, nem permanece o mesmo”).

E nós que tínhamos pensado em construir a vida sobre a rocha sólida, damo-nos conta que, pelo contrário, é sobre a areia que podemos viver uma autêntica vitalidade espiritual. Bem, que venha a chuva, que transbordem os rios e soprem os ventos, deixemo-nos levar pelo turbilhão da vida. Esta é a nova ascese? De fato, temos que nos atualizar.

E para fazê-lo, deveríamos assistir a um curso administrado durante anos pelo novo consultor do Dicastério do Vaticano: “Caçadores da montanha.” Seminário de formação espiritual para o qual não se exige nenhum vínculo ou confissão religiosa ou espiritual, ainda que o trabalho seja desenvolvido “principalmente” a partir da tradição cristã e “secundariamente” a partir do zen-budismo. Pois, por outro lado, D’ors já revelou em outra entrevista, que “se eu não fosse um cristão, eu seria um budista.”

Subindo sobre essa montanha, talvez o pobre católico terra-terra consiga aprender que a melhor maneira para se acompanhar uma pessoa que está morrendo é “apenas ouvi-la e basta, esquecendo de si próprio, que é a coisa mais difícil.” Isso foi o que disse D’ors ao jornal La República quando lhe perguntaram: “Como é feito o acompanhamento a uma pessoa que está morrendo?”

Outro dia eu passava lá pelas bandas da minha velha paróquia nas montanhas, o pároco que há vários anos não existe mais, porque já foi para o céu, dobrava-se em quatro para visitar os leitos dos moribundos, para levar conforto humano e sobretudo sacramental. Para se certificar de que eles poderiam salvar a alma.

Refletindo bem, eu prefiro continuar sendo um católico terra-terra. Deixo o “aggiornamento” para os Conselhos Pontifícios e espero que, pelo menos no momento do meu último suspiro, eu tenha ao meu lado um sacerdote não tão culto como esse.

11 Comentários to “Os “ortodoxos” fora da Cúria e os “hereges” dentro.”

  1. Senhor, tenha piedade da Tua Igreja! São João Maria Vianney: rogai pós nós!

  2. O post do eclético Pe D’Ors em cima e do Pe Michael em baixo! Até esse detalhe mostrou o quão está em alta a diversidade “católica”, e em baixa a tradicional Igreja de sempre.
    Quanto á frase acima: … “conhecer o amor humano ajuda a conhecer melhor sobre o amor divino”, ao que me parece, deveria ser o contrario, pois o amor divino que Deus nos concede pelo dom da caridade é que faz melhor compreender e dedicar um mais consistente amor ao próximo, desligado de meras paixões pessoais, porém, parece preferir o inverso, como hodiernamente, ou seja, cada um ao sabor das paixões pessoais.
    Como bom modernista, mostra-se uma mescla de entender bem de deixar-se levar pelo turbilhão da vida, num quase devir, bem adaptado estaria às teorias revolucionarias tão presentes em nosso meio, tendo boas qualidades até para se integrar num desses idem partidos políticos.
    Com cada vez mais com sacerdotes desse naipe nos altos escalões da hierarquia, teríamos em breve uma plêiade de imbatíveis alienados, homens de “diálogo e acolhimento”, seriamente doutrinando os incautos para o relativismo!

  3. Normal e esperado que ele quisesse tornar a cúria sua imagem e semelhança: “progressista”. Estranho é os cardeais (supostamente “conservadores”, já que em sua maioria escolhidos por dois Papas “conservadores” – João Paulo II e Bento XVI) terem escolhido este senhor.
    Ninguém o conhecia? Se não conheciam, escolhem quem não conhecem?

  4. Que horror! Cada dia leio notícias piores sobre o que estão fazendo com a Igreja de Cristo. Sacerdote que se declara ” escritor erótico”?!!! É o fim…

  5. Veste-se como padre, tem titulo de padre mas eh outra coisa: outra enganacao do diabo, o qual sabe imitar como poucos. Padre de direito, mas nao de facto.. o truque eh simples, basta vigaristas tomarem pontos-chave de uma instituicao, fazendo mudancas aos poucos, traindo a confianca de pessoas condicionadas a obedecer e imitar cegamente, que em uma geracao as mudancas sao assustadoras…Sinagoga de Satanas, irao receber o devido um dia…

  6. Esse D’Ors (a julgar pelos excertos trazidos no texto) representa a “nova” Igreja. Eu sou antigo: fico com aquela de 2000 anos fundada por Jesus Cristo. Não se troca a certeza divinal por novidades muito discutíveis, provocando riso logo de início (“se não fosse cristão seria budista”….).

    E não convém que comecemos um assunto tão austero e vetusto como Teologia com um riso que beira o gargalhar. Não convém fiarmos nossa fé num padre que (afora outras ignomínias) parece desconhecer completamente a transcendência e a imanência!

  7. Dessa forma fica difícil seguirmos o conselho daquele texto publicado aqui no Fratres (“Dez dicas para sobreviver a um Papa calamitoso e continuar sendo católico”), aquela que nos diz para “Não entrar em discurso apocalíptico”…

    Ora, diante de tudo o que vem acontecendo, como não pensar que já estamos vivendo momentos como o da “desolação da abominação” e também “a grande apostasia na Igreja começará pelo cimo”?

    Kyrie Eleison!

  8. – Apostasia na cúpula da Igreja.
    – Catedrais projetadas por arquitetos marxistas e ateus (caso de Minas Gerais).
    – Kit gay distribuído espontaneamente em colégios ‘católicos” (caso do vídeo: “Não gosto dos meninos”, exibido nas aulas de teologia para alunos do Ensino Médio do colégio Loyola de BH).

    Encerrando com chave de ouro, uma frase diabólica que ficará registrado nos anais da história da Igreja:

    “Quem sou eu para julgar?” (papa Francisco, entrevista exclusiva para a TV ESGOTO, corrigindo: TV Globo de Televisão).

    Que tal a Igreja liberar geral: relações homossexuais, relações com animais, pedofilia, segundo casamento (e por que não o 3º ou 4º …). “Quem sou eu para julgar?”

    Fim dos Tempos!

  9. Ótimo nome para o Pontifício Conselho da Cultura Anticristã, Relativista e Ateia…

  10. Vamos lá! Nenhuma novidade sob o Céu! Bergoglio é apenas a versão radicalizada de Montini. Montini, aliás, talvez seja até pior q Bergoglio. Pois Montini conviveu com homens da estatura de Pacelli e tantos (tantíssimos) outros da mesma extração, e fez o que fez… Bergoglio, quando muito, conviveu com as baratas de um Seminário decadente e semiabandonado ao longo dos anos de 1960. Baratas *e* ratos metaforice loquendo. Imagino que, nessa época, o maior exercício intelectual de Bergoglio tenha sido ler Teilhard de Chardin nalguma versão de mimeógrafo. Quero dizer o seguinte: Paulo VI e Francisco padecem do mesmo mal; eles acham que a Igreja católica deve se conluiar com o Mundo para ser ouvida, acolhida, respeitada, ter seu lugarzinho ao Sol… isto é: eles capitularam, acovardaram-se diante de um baalzinho qualquer, de um baalzinho tecnológico ou alguma dessas penúltimas ideologias de porão. Daí todo esse servilismo, essa devoção diante de qualquer coisa, assunto ou autor que lhes pareça “moderno”, “atual” ou “na crista da onda” (como diria a minha avó). Daí se entender que Pablo Hors Concours, mistura de Thomas Merton e Paulo Coelho, tenha sido alçado aos píncaros da intelectulidade bergogliana! Mas digamos a verdade: que gente de baixa extração espiritual, que gente nascida pra ser lacaia do senhor errado…!