Santa Missa em sufrágio da alma de Dom José Maurício da Rocha – 45 anos de falecimento.

Por José Roberto Leme Alves de Oliveira | Fratres in Unum.com: No dia 24 de novembro de 2014, às 19h30min, na Igreja da Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte do Carmo, situada na Av. Rangel Pestana, 230, São Paulo/SP, será celebrada Missa de Réquiem, na Forma Extraordinária do Rito Romano, em sufrágio da alma de Dom José Maurício da Rocha, 3º Bispo de Corumbá (1919 – 1927) e 1º Bispo de Bragança Paulista (1927 – 1969), por ocasião dos 45 anos de seu falecimento.

bragancaO celebrante será o Revmo. Frei José Almy Gomes, OP, Pároco de Nossa Senhora do Rosário do Bairro do Leme, Arquidiocese do Rio de Janeiro.

Dom José Maurício da Rocha nasceu em Lagoa da Canoa, Estado de Alagoas, em 18 de junho de 1885. Estudou no Seminário de Olinda. Ainda jovem seminarista, ele foi apresentado a São Pio X, que ficou admirado com suas qualidades. Foi ordenado sacerdote por Dom Antonio Manuel de Castilho Brandão, na Catedral de Maceió, em 29 de junho de 1908, com dispensa de idade, pois tinha apenas 23 anos. Logo foi designado Professor no Seminário Menor da Diocese de Maceió e Secretário da Cúria Diocesana.

Em 1911, aos 26 anos, o Arcebispo de Salvador na Bahia o nomeou Cônego Honorário da Sé Primacial.

Em 1913, aos 28 anos, o Papa São Pio X concedeu-lhe a dignidade de Monsenhor Camareiro Secreto de Sua Santidade.

Em 10 de maio de 1919, aos 33 anos, o Papa Bento XV o elegeu Bispo de Corumbá, então Estado de Mato Grosso. A sagração episcopal teve lugar na Catedral de Maceió, em 20 de julho do mesmo ano, pelas mãos de Dom Jerônimo Thomé da Silva, Arcebispo Primaz do Brasil, sendo co-consagrantes Dom Manuel Antonio de Oliveira Lopes, Bispo de Maceió, e Dom Jonas de Araújo Batinga, Bispo de Penedo/AL.

Nos oito anos em que foi bispo de Corumbá empreendeu penosas viagens pelo sertão. A Diocese contava então com reduzidíssimo clero e escassos recursos econômicos.

Em 4 de fevereiro de 1927, o Papa Pio XI o transferiu para a recém-criada Diocese de Bragança (na época, o “Paulista” ainda não havia sido acrescentado ao nome da Cidade Episcopal).

Dom José Maurício foi um dos mais influentes bispos brasileiros até sua morte. Monarquista, ferrenho antimodernista, anticomunista e antiliberal, dotado de inteligência privilegiada, vastíssima cultura e piedade exemplar, escreveu inúmeros artigos e cartas pastorais, nos quais revelava seu amor à Igreja e suas preocupações pela defesa da fé e dos costumes, bem como pelos problemas sociais e políticos.

Foi consagrante do Arcebispo Dom Geraldo de Proença Sigaud e dos Bispos Dom Luís Gonzaga Peluso e Dom Germán Vega Campón. Apoiou abertamente Dom Sigaud quando este, em colaboração com Dom Antonio de Castro Mayer, Plínio Correa de Oliveira e Luiz Mendonça de Freitas, publicou o livro Reforma agrária: questão de consciência.

Convocado para o Concílio Vaticano II, antes de se dirigir a Roma, registrou em uma Carta Pastoral sua esperança de que o comunismo fosse solenemente condenado pela Igreja:

“O Brasil acha-se entre dois fogos. De um lado está a Cruz Redentora… per crucem Tuam redemisti mundum, a Cruz de Cristo, que santifica e dá vitória, como a deu a Constantino – in hoc signo vinces, que cintila no azul do céu e rebrilha nas dobras de nossa bandeira, a Bandeira do Brasil. Do outro lado acham-se a foice, que decepa cabeças, e o martelo, que as esmaga. Ou o Brasil ou Moscou. O comunismo está infiltrado em todas as camadas da vida social. Há comunistas por toda a parte, de todas as idades e condições, políticos e não políticos, não sendo poupada para sua infiltração, nem mesmo a Túnica Inconsútil, que, aliás, foi respeitada no Calvário, onde não se atreveram a dividi-la os carrascos de Cristo Senhor Nosso”.

Participou, porém, apenas da Primeira Sessão do Concílio, voltando logo para Bragança Paulista.

Em 1967, o Papa Paulo VI nomeou um Administrador Apostólico para governar a Diocese.

Faleceu no Palácio Episcopal de Bragança Paulista, às 2 horas do dia 24 de novembro de 1969, aos 84 anos de idade, 61 de sacerdócio e 50 de episcopado. Está sepultado na Cripta da Catedral de Bragança Paulista.

N’O Estado de S. Paulo, o jornalista Hélio Damante afirmou: “Somados os prós e contras, Dom Maurício emerge como homem fora de seu tempo, fiel, porém, a tudo aquilo em que cria e a que servia. Seus 42 anos à frente da Diocese de Bragança estão marcados por muitas realizações que farão seu nome lembrado com gratidão… Pode-se dizer que morre com ele uma época da Igreja, da qual foi autêntico representante. Outra já começou, porque a Igreja é eterna”.

Pediu para ser sepultado com os paramentos róseos usados nos domingos Gaudete e Laetare, e para que a missa exequial fosse celebrada em latim. Altas autoridades civis, militares e eclesiásticas e mais de três mil pessoas compareceram ao seu funeral. As exéquias foram oficiadas por Dom Antonio Maria Alves de Siqueira, Arcebispo de Campinas, que na oração fúnebre exclamou: “Deus o guarde. São pequenas as coisas desta vida. Ele era o servo de Deus fiel. Temos fé de que será bem recompensado”.

3 Comentários to “Santa Missa em sufrágio da alma de Dom José Maurício da Rocha – 45 anos de falecimento.”

  1. Morreu Católico!

    Não poderei estar presente, mas rezarei um Rosário por sua alma.

    Conforme o exemplo de S José,
    Nos SS Corações de Jesus e Maria.

  2. “O Brasil acha-se entre dois fogos. De um lado está a Cruz Redentora… per crucem Tuam redemisti mundum, a Cruz de Cristo, que santifica e dá vitória, como a deu a Constantino – in hoc signo vinces, que cintila no azul do céu e rebrilha nas dobras de nossa bandeira, a Bandeira do Brasil. Do outro lado acham-se a foice, que decepa cabeças, e o martelo, que as esmaga. Ou o Brasil ou Moscou. O comunismo está infiltrado em todas as camadas da vida social. Há comunistas por toda a parte, de todas as idades e condições, políticos e não políticos, não sendo poupada para sua infiltração, nem mesmo a Túnica Inconsútil, que, aliás, foi respeitada no Calvário, onde não se atreveram a dividi-la os carrascos de Cristo Senhor Nosso”.

    Sobre a seita comunista, muito infiltrada dentro da igreja católica, aconselho o documentário abaixo:

  3. Artigo do Legionário, Nº 371, 22 de outubro de 1939 do Dr. Plínio Correa de Oliveira sobre o Ex.mo Rev.mo Sr. Bispo Dom José Maurício da Rocha. apenas um trecho:

    Uma Pastoral notável
    Tenho sobre minha mesa de trabalho a Carta Pastoral, que acabo de compulsar, do Ex.mo Rev.mo Sr. Bispo de Bragança sobre a “Defesa da Família”.
    É incalculável o número de vezes que este assunto tem sido tratado por escritores católicos. Os Papas, a Hierarquia Eclesiástica em todos os séculos e em todos os Continentes, e os leigos devotados ao serviço da Santa Igreja, não se tem fartado de examinar, sob os mais variados aspetos, o pensamento da Igreja sobre a constituição da família. Entretanto, acontece com a doutrina católica o que sucede com a fonte da qual ela brota, isto é os Santos Evangelhos. Estes, por mais que sejam lidos e relidos, apresentam sempre um interesse novo, porque a riqueza inexaurível do seu conteúdo revela cada vez para o leitor, sob faceta especial e ainda desconhecida dele, as perfeições infinitas do Verbo Encarnado. Assim também, conquanto mil e mil vezes repetida e reafirmada no decurso dos vinte séculos de vida da Igreja, a doutrina católica apresenta sempre, para os que são capazes de a examinar com a devida pureza de intenções e com o auxílio da graça, tesouros novos, que saciam exuberantemente as almas bem-aventuradas, realmente famintas e sedentas de justiça.
    Penso nisto tudo ao reler mais uma vez a doutrina católica sobre a família, compendiada na última Carta Pastoral, publicada na festa da Assunção de Nossa Senhora, no corrente ano, pelo Ex.mo Rev.mo Sr. Dom José Maurício da Rocha, Bispo de Bragança.
    Convém acrescentar, entretanto, que se essa Pastoral tem o inapreciável valor que é próprio à toda a exposição clara e metódica do pensamento da Igreja, sobretudo quando feita com autoridade e segurança de doutrina de um Bispo, apresenta ela ainda outros predicados nos quais se refletem as qualidades de inteligência e de vontade que distinguem seu autor.
    * * *
    Quem, como eu, já teve a fortuna de conversar detidamente com o Ex.mo Rev.mo Sr. Dom José Maurício da Rocha sobre as grandes questões políticas e sociais da atualidade, nota imediatamente naquele Prelado uma inteligência penetrante, clara, metódica e firme que, entretanto, não se compraz exclusivamente nas esferas da especulação. Pelo contrário, seu espírito penetrante logo que alcança uma verdade, a faz tão inteiramente sua ou se faz tão inteiramente dela, que no mesmo instante se nota nele o desejo de descer à prática, de penetrar na liça, e de ser ao mesmo tempo seu realizador e paladino.
    Daí o fato de a Carta Pastoral de S. Ex.a. Rev.ma, apresentar um aspecto positivo, prático e incontestavelmente combativo, que se nota em todo o trabalho, a começar pela divisão e distribuição da matéria.
    S. Ex.a Rev.ma não descreve apenas o problema doutrinário da família, composta de pai, mãe e filhos tomados em abstrato. O que interessa a S. Ex.a Rev.ma se dirige, a fim de louvar o que nela se encontra de bem, e de combater o que nela se tem insinuado de condenável.
    Esse amor ao positivo e ao concreto não tira a S. Ex.a Rev.ma, como é óbvio, em se tratando de um Bispo, o amor à doutrina, e nem lhe tolhe a largueza de visão do conjunto.
    Por isto, e com grande acerto, devendo examinar o problema da família brasileira, S. Ex.a Rev.ma começa por traçar um rápido panorama do mundo hodierno, no qual aponta, com sobeja razão, nossa civilização colocada à beira de um abismo em que ameaça despejar-se irremediavelmente a todo o instante. E, acrescenta sabiamente o Prelado, ninguém pode afirmar que no Brasil não se podem repetir as catástrofes morais e sociais que em outros povos se tem verificado. A civilização “desapareceu do lugar de seu berço, sabendo somente Deus quando, vitoriosa, a ele tornará. Destarte, quem nos autoriza a assegurar que não se dê entre nós o que se dá em outros pontos”? Evidentemente, são sonhadores incorrigíveis os otimistas tão freqüentes entre nós, que supõem o Brasil vacinado contra todas as heresias e contra todas as aberrações próprias à natureza humana, como se tivéssemos sido isentos dos funestíssimos efeitos do pecado original.
    Mas a simples discriminação dos males não basta. É preciso vê-los, não apenas em extensão mas em profundidade. E, por isto, o Sr. Bispo de Bragança, descendo ao âmago dos problemas contemporâneos, apresenta a sua causa no “egoísmo brutal, que pondo nos prazeres da vida presente a suma felicidade”, tudo lhes sacrifica.
    É este egoísmo, fruto inevitável da ruptura da civilização ocidental com o Evangelho, que tem engendrado os mais diversos inimigos do Corpo Místico de Nosso Senhor Jesus Cristo, isto é, da Igreja Católica. Comunismo, protestantismo, espiritismo, são apenas diversas expressões de um mesmo espírito de rebeldia e de egoísmo naturalista. Ligados entre si contra a Igreja, trabalham eles em “Frente Única”, como já denunciou ao público a carta Pastoral de S. Ex.a. Rev.ma. de 21 de abril de 1937. Nunca se poderia insistir suficientemente sobre esta verdade que o Sr. Bispo de Bragança focaliza detidamente e põe em luminoso relevo. Os inimigos da Igreja, em todos os tempos, mas hoje mais particularmente do que nunca, estão coligados entre si em uma conjuração que já Leão XIII denunciou repetidas vezes e com palavras candentes. Pouco se lhes dá das diferenças doutrinárias que os separam entre si. O que lhes importa é a destruição da Igreja de Jesus Cristo. Daí a constante insistência do “Legionário” sobre a ingenuidade que mostram determinados católicos desejosos de se apoiarem em certos inimigos da Igreja para combaterem outros. No mundo da lua, esta tática pode ser muito interessante. Na realidade, porém, ela é ruinosa. A este propósito, lembro-me perfeitamente de uma saborosa palestra que tive com o Ex.mo. Rev.mo Sr. Bispo de Santos, D. Paulo de Tarso Campos. Discorrendo sobre assunto deste gênero, disse-me S. Ex.a Rev.ma, gracejando, que a Igreja se poderia apropriar, em muitas ocasiões, da frase famosa: “Livre-me Deus de meus amigos, que eu me livrarei de meus inimigos”. Os “amigos” são os tais adversários da Igreja que lhe oferecem um apoio precário em cujo bojo escondem as mais penosas surpresas.