Cardeal De Paolis sobre a comunhão a recasados: “Se for aprovada, as consequências seriam de uma gravidade inédita”.

A proposição 52 do Sínodo Extraordinário sobre a família. Artigo de Velasio De Paolis

IHU – O cardeal Velasio De Paolis reabre o fogo contra a comunhão aos divorciados em segunda união: “Se for aprovada, as consequências seriam de uma gravidade inédita”.

A nota é publicada pelo sítio Chiesa.it, 09-12-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O texto que segue – parte final de uma conferência proferida pelo cardeal no dia 26 de novembro na faculdade de direito canônico da Universidade San Dámaso, de Madri, Espanha – é uma prova de que o debate sobre a comunhão aos divorciados em segunda união continua vivo.

De Paolis, 79 anos, missionário scalabriniano, ilustre canonista, presidente emérito da Prefeitura dos Assuntos Econômicos da Santa , volta sobre o assunto tomando como objeto das suas críticas o parágrafo 52 da Relatio finaldo Sínodo de outubro passado, referente aos prós e os contras da comunhão aos divorciados em segunda união.

As considerações de De Paolis contra a comunhão aos divorciados em segunda união são aplicadas por ele também a todas as outras situações irregulares de coabitação, como explicado na primeira parte da conferência.

Eis o texto.

Caminhos adequados para a pastoral dos divorciados que voltaram a casar

Velasio De Paolis

(…)

A proposta do Sínodo Extraordinário sobre a família

O tema do acesso aos sacramentos, especialmente à Eucaristia, por parte dos divorciados que voltaram a casar foi objeto de reflexão também no Sínodo Extraordinário dos bispos celebrado no mês de outubro de 2014. A esse tema, refere-se a proposta n. 52, que diz o seguinte:

Refletiu-se sobre a possibilidade de que os divorciados e recasados tenham acesso aos sacramentos da Penitência e da Eucaristia. Diversos Padres sinodais insistiram em favor da disciplina atual, por força da relação constitutiva entre a participação na Eucaristia e a comunhão com a Igreja e o seu ensinamento sobre o matrimônio indissolúvel. Outros se expressaram em favor de uma acolhida não generalizada à mesa eucarística, em algumas situações particulares e com condições bem precisas, sobretudo quando se trata de casos irreversíveis e ligados a obrigações morais para com os filhos que viriam a padecer sofrimentos injustos. O eventual acesso aos sacramentos deveria ser precedido de um caminho penitencial sob a responsabilidade do Bispo diocesano. Também deve ser aprofundada a questão, tendo bem presente a distinção entre situação objetiva de pecado e circunstâncias atenuantes, dado que “a imputabilidade e responsabilidade de um ato podem ser diminuídas e até anuladas” por diversos “fatores psíquicos ou sociais” (Catecismo da Igreja Católica, 1735).

1. O sentido da proposta sinodal

O texto não teve o número suficiente de adesões, ou seja, dois terços, razão pela qual não foi aprovado pelo Sínodo; portanto, não deveria ser considerado como um texto sinodal. Mas é preciso dizer imediatamente que é difícil avaliar o significado da votação. O texto é composto por várias partes não homogêneas, inclusive contrapostas, e, além disso, com motivações inadequadas ou não completamente apropriadas ou, pelo menos, incompletas, de acordo com as fontes doutrinais.

Com efeito, a proposta começa com um dado de crônica: refletiu-se sobre o tema; depois se refere a uma corrente de padres que são a favor da disciplina atual e a outros que são a favor de uma mudança da disciplina. O texto prossegue explicando em que aspecto a disciplina atual deveria mudar, indicando também a responsabilidade que deveria corresponder ao bispo. Por último, conclui com uma advertência e um convite a aprofundar, sugerindo também alguns elementos para isso. Portanto, não sabemos bem a que se refere uma eventual votação contra ou pela aprovação do texto.

2. Os limites da proposta

A proposta se apresenta com uma formulação limitada. Refere-se a uma categoria limitada daqueles que vivem em uma situação de união irregular: os que estão divorciados e voltaram a casar. Tratar-se-ia de uma categoria que mereceria, segundo a proposta, uma atenção especial e excepcional pelas situações particulares dignas de consideração que tal categoria poderia apresentar, como de fato o texto explica em seguida.

Não é difícil encontrar nessas palavras alguns elementos significativos da proposta do cardeal Kasper. Mas já tivemos a oportunidade de estudar essa proposta e de constatar que  ela não se sustenta com nenhum argumento válido [1]. Além disso, essa proposta já era conhecida pela autoridade competente, que a havia estudado e rejeitado, ao não encontrar nela elementos que a pudessem subtrair da valorização conforme aos princípios doutrinais dos documentos da Igreja, que já recordamos.

Portanto, a hipótese configurada na proposta sinodal foi examinada e avaliada explicitamente; e se considerou que não merecia princípios excepcionais porque entrava na categoria dos princípios gerais, já que, do ponto de vista da gravidade moral e em ordem ao acesso à Eucaristia, a hipótese levantada na proposta constitui, em todos os casos, uma violação grave da moral conjugal  da disciplina da Igreja, que não pode permitir o acesso à Eucaristia.

Por esse motivo, os documentos da Igreja nunca fazem uma distinção entre as diversas categorias de pessoas que convivem em uniões irregulares; as diversas hipóteses de pessoas que convivem irregularmente não se distinguem no que se refere à convivência conjugal e ao acesso à Eucaristia.

Além disso, as condições em virtude das quais se pretenderia uma consideração particular para os divorciados que voltaram a casar podem ser verificadas em todos aqueles que se encontram em situações irregulares. Mais ainda, em alguns casos, a situação poderia se agravar; poderia parecer um prêmio e um convite a estabelecer novos vínculos.

Todavia, podemos fazer uma observação ulterior. A proposta, ao restringir a hipótese a uma categoria determinada, reconhece valor doutrinal e normativo aos documentos da Igreja que regulam a matéria. E, como a proposta convida a um aprofundamento, põe-se de manifesto certa perplexidade sobre a própria proposta. Em que pode consistir esse aprofundamento? Não sobre o valor doutrinal e normativo dos documentos, mas sobre a possível exceção contida na proposta. E de onde pode surgir a dúvida, senão do fato de que a proposta contém uma exceção às duas condições essenciais para o acesso à Eucaristia, já que se verifica uma violação grave da lei moral natural e uma situação pessoal não idônea para ter acesso à Eucaristia?

Com efeito, também nessa categoria de divorciados que voltaram a casar estão presentes as duas condições que impedem o acesso à Eucaristia, o que leva a autoridade eclesiástica a não pode agir de outra maneira, já que a autoridade eclesiástica não pode dispor da lei natural e divina: o respeito da lei natural do matrimônio e a necessidade da graça santificante.

As situações descritas poderiam não permitir a separação das duas pessoas que estão convivendo em uma união irregular, mas não requerem necessariamente a vida em comum more uxorio e a situação permanente de pecado.

3. Disciplina, doutrina ou magistério?

Observamos que a redação do texto da proposta gera equívocos. Fala-se da “disciplina atual” e de uma possível modificação dela, mas isso suscita algumas dúvidas, que exigem um aprofundamento. Na realidade, a normativa vigente não é simplesmente uma “disciplina atual”, como se se tratasse de uma norma meramente eclesiástica, e não de normas divinas, sancionada pelo magistério, com motivações doutrinais e magisteriais que dizem respeito aos próprios fundamentos da vida cristã, da moral conjugal, do sentido e respeito da Eucaristia, e da validade do sacramento da Penitência.

Encontramo-nos perante uma disciplina fundamentada no direito divino. Não se sublinha suficientemente que os documentos da Igreja nessa matéria não impõem obrigações por parte da autoridade, mas afirmam que a autoridade eclesiástica não pode agir de outra maneira, porque essa disciplina não pode ser modificada em seus elementos essenciais. A Igreja não pode agir de outra maneira. Não pode modificar a lei natural nem o respeito da natureza da Eucaristia, porque está em questão a vontade divina.

A proposta, na medida em que prevê a possibilidade de admitir à comunhão eucarística os divorciados que voltaram a casar, constitui, de fato, uma mudança doutrinal. E isso contrariamente ao que vem sendo afirmado de que não se quer modificar a doutrina. Por outro lado, a doutrina, por sua própria natureza, não é modificável se é objeto do magistério autêntico da Igreja. Antes de falar e de tratar sobre uma eventual modificação da disciplina vigente, é necessário refletir sobre a natureza dessa disciplina.

Ao abordar essa matéria, se deveria, em primeiro lugar, refletir sobre essa doutrina e sobre o grau de firmeza de que ela goza; é preciso estudar bem o que pode ser modificado e o que não se pode modificar. A dúvida está insinuada na própria proposta, quando pede um aprofundamento que deve ser doutrinal e prévio a qualquer decisão.

Podemos nos perguntar também se é competência de um Sínodo de bispos tratar de uma questão como essa: o valor da doutrina e da disciplina vigente da Igreja, que se formaram ao longo dos séculos e estão sancionadas com intervenções do magistério supremo da Igreja.

Além disso, quem é competente para modificar o magistério de outros papas? Isso constituiria um precedente perigoso. Por outro lado, as novidades que se introduziriam, caso fosse aprovado o texto da proposta, seriam de uma gravidade inédita:

a) a possibilidade de admitir à comunhão eucarística com aprovação explícita da Igreja uma pessoa em estado de pecado mortal, com perigo de sacrilégio e de profanação da Eucaristia;

b) põe-se, assim, em discussão, o princípio geral da necessidade do estado de graça santificante para poder ter acesso à comunhão eucarística, especialmente quando, no nosso tempo, introduziu-se ou está se introduzindo na Igreja uma práxis generalizada de ter acesso à Eucaristia sem prévia confissão sacramental, apesar de se ter consciência de se encontrar em pecado grave, com todas as consequências nefastas que essa práxis envolve;

c) a admissão à comunhão eucarística de um fiel que convive more uxorio significaria pôr em discussão, também, a moral sexual, fundamentada particularmente no sexto mandamento;

d) além disso, desse modo, se daria relevância à convivência ou a outros vínculos, debilitando, de fato, o princípio da indissolubilidade do matrimônio.

4. As motivações adotadas para conservar a disciplina vigente

Em relação a isso, a proposta afirma o seguinte: “Diversos Padres sinodais insistiram em favor da disciplina atual, por força da relação constitutiva entre a participação na Eucaristia e a comunhão com a Igreja e o seu ensinamento sobre o matrimônio indissolúvel”.

O texto não é muito claro e, em todo o caso, é insuficiente, porque não se põe de manifesto a problemática envolvida. Não se trata somente de razões disciplinares e, portanto, não se trata somente de questões disciplinares para decidir de acordo com a maioria, mas de uma doutrina e de um magistério indisponíveis e, certamente, que transbordam as competências de um Sínodo Extraordinário de bispos.

Na realidade, nesse problema, estão envolvidas questões doutrinais de extrema importância, às quais fizemos referência neste estudo. Deve-se explicitar que a razão próxima da proibição para ter acesso à Eucaristia é simplesmente a condição em que se encontra o divorciado que convive maritalmente com outra pessoa: uma condição de pecado grave objetivo. O fato de que essa condição se deve ao divórcio ou ao eventual novo vínculo civil não tem relevância sobre a condição moral que exclui da Eucaristia: encontrar-se em um estado permanente de violação da norma moral da Igreja.

5. Aprofundamentos

A proposta defende o seguinte: “Também deve ser aprofundada a questão, tendo bem presente a distinção entre situação objetiva de pecado e circunstâncias atenuantes, dado que ‘a imputabilidade e responsabilidade de um ato podem ser diminuídas e até anuladas’ por diversos ‘fatores psíquicos ou sociais’ (Catecismo da Igreja Católica, 1735)”.

O texto afirma a necessidade de aprofundamento só de um ponto de vista, bastante frágil. De fato, cita-se o Catecismo da Igreja Católica, com o qual não se pode não estar de acordo. O problema consiste em saber que incidência pode ter esse número do Catecismo da Igreja Católica na problemática de que aqui se trata. A primeira fonte da moralidade é a objetiva. E é dessa moralidade objetiva de que está se tratando aqui.

Notas:

1. Cf. V. De Paolis. Los divorciados vueltos a casar y los sacramentos de la Eucaristia y la Penitencia. Ius Communionis, 2 (2014), p. 203-248.

24 Comentários to “Cardeal De Paolis sobre a comunhão a recasados: “Se for aprovada, as consequências seriam de uma gravidade inédita”.”

  1. Diante da consagração do Papa Francisco ao Arcanjo São Miguel no início do seu pontificado, eu elevo minha voz e clamo: São Miguel, vinde depressa e socorrei-nos!

  2. Francisco faz contínuo apelo para que se considerem o que ele chama de “situações concretas”, “reais” em que se encontram os ditos “recasados” e se abra mão do que ele chama de “esquemas abstratos” (a “moralidade objetiva”, do artigo)

    Mas será que o realismo de Francisco contempla a situação de uma família abandonada por um cônjuge que simplesmente optou, de modo puramente egoísta, por uma “segunda união”? Em nome de que comodismo o tal cônjuge fez essa opção? Em nome de que covardia? Em nome de que tipo de luxúria, talvez? E os filhos do casamento? E outro cônjuge? Eles não merecem também um olhar “realista” e menos “abstrato” de Francisco? Que tipo de misericórdia capenga e troncha é esta?

    Além disso: e se a tal “segunda união” (muito entre aspas) começou antes da efetiva separação do legítimo casal (e isso se chama adultério)? Vamos fazer vistas grossas para esse pecado especialmente aversivo, vil e indesculpável? Por que a Igreja deveria achar isso lindo, talvez justificável, e ficar rindo pra quem não esteve nem aí pra lei natural? E quantas chances teriam os “recasados”: duas, três, quatro novas “uniões”? Que freio terá esse “realismo” frenético? Pois é essa ciranda promíscua o que mais se vê hoje em dia.

    Que diabo esses homens estão pensando fazer?

  3. Concordo com o Cardeal. Uma gravidade inédita. Porque embora muitas “gravidades” tenham sido trazidas de uns 50 anos pra cá, nunca se tinha chegado a tal ponto.

  4. Discutir comunhão a recasados é sambar em cima da tumba de Tomas More e João Fischer. Ai daqueles que querem separar o que Deus uniu.

  5. Com lucidez e lógica didáticas o Cardeal De Paolis fulmina a insana tese de Kasper, remontando à Lei Natural e a vontade de Deus, expressa nos mandamentos e nos Evangelhos. A Doutrina e o Magistério da Igreja apenas reafirmam os fundamentos originários constitutivos de nossa Fé, e são ” indisponíveis “, ou seja, insuscetíveis de reapreciação, mesmo por um Sínodo de Bispos. Perfeito!

  6. Os modernistas infiltrados na cúpula da Igreja sob os auspicios da regua e compasso e do martelo e foice – como os adeptos da TL – adotam o critério seguinte: uma mudancinha daqui, outra dali, mais um atenuante nesse caso, outro para aquele, um exceção para essa situação singular, outro por sua peculiaridade e assim vai; dentre em pouco o liberô geral assume o comando.
    Uma admissão de divorciados à S Comunhão abriria tantas brechas nas leis e na doutrina da Igreja até então que, de cara o 6º Mandamento acabaria por ser retirado ou reformulado devido ao novo reposicionamento de “compreensão, respeito e acolhimento”; afinal, vivemos na modernidade…
    Em outras palavras: a Igreja que se adapte aos novos tempos, pois o rígido doutrinario está ultrapassado e obsoleto para o presente!
    O mesmo deve suceder com os homosglbts: coitados, tão desprezados; têm lá suas virtudes que podem ser aproveitadas, não é fato, pois os “politicamente corretos” podem nos tacharem de homófobos e discriminadores, não é?

  7. Cardeal De Paolis – uma das poucas vozes ainda lucidas na parte docente da Santa Igreja. Deo Gratias por essas vozes que, lamentavelmente, sao poucas.
    Situacao desesperadora vivemos. Nao ha como fugir disso. A maioria dos catolicos desgracadamente esta’ contaminada com o virus do relativismo moral e apoia Francisco Bergoglio em sua revolucao contra a moral catolica. O mesmo acontece com os meios de comunicacao ditos “catolicos”. Aqui no Brasil so’ se uma louvacao incondicional aos caminhos desastrados tomados pelo Pontificado Bergogliano. Os poderosos liberais infiltrados na Igreja, como Dom Vicenzo Palha (nao “Paglia”, mas “palha” mesmo, pois a palha sera’ amarrada e queimada no fogo”, conforme diz o Evangelho) ja cantam vitoria, comemorando alegremente algo que, segundo esse Bispo, ja esta’ vigorando e nao tem como voltar atras. A Cardeais como De Paolis e Burke bem como aos fieis que ficarem fieis aos ensinamentos de sempre da Sagrada Escritura e da Tradicao da Igreja restara’ o sofrimento sob o tacao bergogliano.
    E’ preciso reconhecer: fizemos por merecer esse castigo; fizemos como merecer esses dias maus.

  8. Correcao: “Aqui no Brasil so’ se ve uma louvacao incondicional aos caminhos desastrados tomados pelo Pontificado Bergogliano.”

  9. O Cardeal de Paolis, ao fim, exprime o sentimento de todo católico que, nestes dias escuros, se sente confuso ante às constantes investidas dirigidas contra a Doutrina no curso do atual pontificado: Pedro não está acima de Deus. O magistério particular do Papa está materialmente sujeitado às prescrições do Magistério da Igreja. Ou seja, todo pronunciamento pontifício que divirja de uma prescrição inerente às Sagradas Escrituras, à Confissão de Fé, aos dogmas e aos pronunciamentos infalíveis, está acoimada por um vício material, e, portanto, insuscetível de se incorporar ao Magistério da Igreja. A admissão ao sacramento da Eucaristia aos fieis em segunda união, como bem demonstra o cardeal, não tem lugar admissível no interior do Magistério. Isto é, não há interpretação/fundamentação teológica possível para tal proposta que não viole um preceito de fé já integrado materialmente no interior da Revelação pelo Magistério. Ora se viola os ensinamentos relativos à graça, ora se viola a própria doutrina da Eucaristia, ora se contraria as definições sacramentais do casamento.

    Estas matérias simplesmente não estão sujeitas à jurisdição papal, simplesmente a ele se impõe como corolário do Magistério da Igreja discernido ao longo dos séculos. A própria infalibilidade papal está materialmente determinada pela canonicidade de seus conteúdos, de modo tal que o magistério particular do Papa apenas se integra ao Magistério da Igreja quando se opera uma congruência, isto é, quando o pontífice no exercício das prerrogativas inerentes à cátedra esclarece uma Verdade de fé já prefigurada pela Tradição da Igreja. O pontificado não é um cheque em branco sobre o qual o Papa pode inventar o que lhe convier, pois se assim fosse faríamos confissão de fé às subjetividades de um homem, e não à transmissão da Revelação na história conforme asseguradas na unidade visível da Igreja. O Papa que se desvia deste horizonte próprio que a cátedra lhe impõe põe-se ao risco de desviar-se da comunhão efetiva com Deus. Portanto, se Francisco chancelar este despautério, é o Papa – não os fieis que dele dissintam – que se desvia da catolicidade. Logo, é um dever a todo católico prestar obediência ao Papa enquanto ele exerce o seu magistério nos limites legítimos delineados pela doutrina.

    O que eu acho mais triste disso tudo é a postura irresponsável do Pontífice e de seus asseclas, que por meio de tais investidas destemperadas, ao invés de ensinar a doutrina da Igreja, desperta nos corações de muitos falsas esperanças, que fatalmente não serão realizadas. Frustrações estas que fatalmente culminam em outras tantas defecções. Ou seja, a irresponsabilidade dos heterodoxos em campear a dúvida e alimentar as esperanças vãs leva justamente ao enfraquecimento das comunidades católicas. Certamente se hoje existem tantos casais nesta situação assim estão em razão de os homens da Igreja terem abandonado o ensinamento efetivo da doutrina sacramental do casamento, e todas as suas implicações. É isto que enfraquece substancialmente a missão da Igreja no mundo; quando seus homens, ao se compadecerem com justiça diante da miséria do mundo, esquecem-se de que Cristo é princípio de transformação da humanidade, e, com efeito, se sujeitam à miséria contra a qual deveriam se insurgir. A Igreja só segue fiel à sua missão enquanto retiver no seu horizonte de ação a imagem transformadora de Cristo no mundo, contra o mundo, mundo este que não O reconhecera como Salvador e O crucificara, e continuará incessantemente a nega-Lo até a Consumação destes tempos. A misericórdia de Deus não proscreve a integralidade de Sua fé. Quem, pelo batismo, se viu chamado ao itinerário da Salvação, deve arcar com todas responsabilidades do desejo de entrar em plena comunhão com Deus.

  10. Excelente argumentação!
    Pena que o eminente cardeal nada falou acerca da outra parte também não menos grave que é a questão da aceitação das uniões homossexuais proposta no sínodo extraordinário.
    De qualquer modo, é sempre muito positivo que mais cardeais levantem-se em defesa da Igreja e da fé católica.
    É evidente que se o papa Francisco prosseguir obstinadamente em violar questões de direito divino, então o cisma será inevitável. (em que pese já exista um cisma velado).
    Nossa Senhora de Akita disse: “cardeais se levantarão contra cardeais, bispos contra bispos…”

  11. É muito complicado isso tudo! Realmente me parece que o problema não é a segunda união, o problema é a primeira.

    Se as pessoas casassem na Igreja unicamente quando tem pleno conhecimento e interior aceitação do sentido do matrimônio cristão, tava tudo resolvido. Mas na prática as pessoas vão casando na Igreja de forma leviana. É uma festa, é um evento social, é uma fantasia feminina, um conto de fadas romântico, uma chance de marcar o fato, de sair na midia ou de filmar e guardar fotografias pra posteridade, de fazer uma despedida de solteiro nas vésperas, de ganhar presentes, de estreitar vínculos com padrinhos etc. Cursinho de casamento, na maioria das vezes (mesmo quando presta, o que não é muito comum), entra por um ouvido desinteressado e sai por outro.

    Pelo menos hoje em dia ninguem que não tenha raízes mais profundas na fé, tá mais ligando pra casar na Igreja. Tão fazendo as festas e as brincadeiras todas na praia, no jardim, pulando de para-queda, no fundo do mar, ou na presença só do juiz de paz, dispensando igreja e padre. É melhor, sinceramente. Porque se um dia se tornam cristãos de verdade, e realmente passam a querer a bênção de Deus, vão poder recebê-la sem problemas, e de preferência sem festa e badalação, conservando tudo no secreto do espírito que verdadeiramente busca que Deus participe da vida conjugal e familiar.

    O problema é que ao invés dos padres dizerem pra esses casaisinhos festeiros “amigos, voces não estão preparados pra casar na Igreja, deixem isso pra mais tarde”, eles entram na brincadeira e participam de tudo, fingem acreditar que os noivos estão preparados, e dão o sacramento indissolúvel que na verdade pode estar sendo usado de forma inválida e banal.

    Aí depois, sobra pros bispos resolver a problemática da segunda união (mais madura e verdadeira) que não pode ser abençoada por Deus por causa daquela palhaçada que foi indevida e aparentemente sacramentalizada lá atrás. Fica o nó cego pra Igreja desatar.

    Quando Jesus falou da indissolubilidade do casamento certamente tinha em mente pessoas que se casam na retidão da fé, e não pessoas que brincam de casar.

    • Desculpe-me Teresa, mas o problema não é a primeira união não. O desconhecimento sobre o consórcio permanente entre homem e mulher, ordenado à procriação da prole é INESCUSÁVEL, e não se presume essa ignorância a partir da puberdade (Cân 1096, §§1 e 2), e olha que nem existem mais casamentos de pessoas tão jovens assim. Se só participassem dos sacramentos, ou mesmo das Santas Missas, aquelas pessoas que têm raízes profundas na fé, seria até bom. Ao menos as filas da comunhão aos domingos não seriam quilométricas como vemos.
      O erro a respeito da unidade, da indissolubilidade ou da dignidade sacramental do matrimônio, contanto que não determine a vontade, não vicia o consentimento matrimonial (Cân 1099). Portanto, se as pessoas estão levando o matrimônio na brincadeira, e nisso você tem razão, saiba que estão levando na brincadeira de forma plenamente consciente.
      E um outro detalhe: os ouvidos desinteressados a ouvirem a voz que lhes fala nos cursinhos de noivos (ainda que não prestem), também não servem de escusa, pois o desinteresse em assimilar o que se ensina não parte dos ouvidos, mas da consciência.

  12. Um adendo relativo a um trecho mal esclarecido da minha fala:

    Logo, é um dever a todo católico prestar obediência ao Papa enquanto ele exerce o seu magistério nos limites legítimos delineados pela doutrina. Se ele abusa de suas prerrogativas e, com efeito, exerce-a ilegitimamente, cede o dever de obediência. O católico não pode ser sujeitado a um “suicídio de fé” por razões de ordem essencialmente jurídica. A autoridade do Papa deflui da cátedra e, por conseguinte, do próprio Magistério da Igreja, e não da pessoa entronizada. O patético apelo das hordas progressistas àquilo que eles nunca respeitaram, a autoridade petrina, não pode se tornar uma camisa de força para absorver toda ordem de aviltamentos contra a ordem da fé católica que porventura sejam praticados pela pessoa do Papa ou por subordinados seus. Estou submisso à voz de Francisco, e não do homem Jorge Mario Bergoglio.

    Enquanto este não levar substancialmente a sério o alto sacrifício às próprias subjetividades que o Trono de Pedro impõe àquele nele se encontra, impor-se plenamente às consequências de não ser mais Bergoglio, mas sim Francisco, nenhum católico se encontra por consciência obrigado a referendar os seus pronunciamentos. O compromisso fincado desde o batismo entre o homem e Deus se ilumina no coração do Magistério milenar, e não na figura singular de um ou outro pontífice, mas de todos os que efetivamente contribuíram para a correta elucidação da Revelação ao longo da História. Não se trata aqui de um chamado à insubordinação, ao contrário, é um chamado à estrita observância que de a Igreja é uma comunhão de fé que se protrai no tempo e se ergue no presente sobre os ombros da tradição eclesiástica. Só há Francisco porque houve antes Pedro, e só a este fora franqueado o pleno privilégio do convívio com o Senhor e dele recebeu as instruções diretas para a instituição de Sua Igreja. Não há outro homem papa que possa prescindir das tradições que lhe antecederam, como se fosse um “Pedro II”. Jamais haverá um Pedro II, pois a Revelação se comunica na história pelo Corpo Místico, e somente na Parúsia o homem novamente se verá confrontado diretamente com o Rosto de Deus. O “Pedro II” é, por excelência, o “anti-Pedro”, aquele que se arroga à pretensões fundacionais às quais não Deus não lhe confiara. Os papas são os fiadores da unidade visível da Igreja, mas a unidade da Igreja provém de Deus, e, portanto, se manifesta ao longo de toda trajetória da Igreja neste mundo. Cristo fundou a Igreja e deferiu a Pedro a sua instituição. Reserva-se assim à consciência de todos os católicos resistir a todo e qualquer pontífice que intente arrogar-se às prerrogativas fundacionais exclusivas de Pedro, isto é, abdicar dos limites materiais que a tradição magisterial lhe impõe como constitutivos de suas próprias prerrogativas. Somos fieis à Igreja de 2014 anos, não a essa de 50 anos, muito menos a essa que mal tem 2 anos.

    Definitivamente, as tibiezas doutrinárias e morais do pontífices não nos exime do dever de sermos católicos, mas nos exige em maior intensidade a entrega à fé do Senhor, nem que isto custe a pecha de “revoltosos”, “radicais” ou “cismáticos”. Prefiro a fé “inteira”, efetivamente católica, com todas as dificuldades que ela impõe à frágil alma humana, do que uma fé mutilada pelo egoísmo, pelo individualismo e pela lassidão moral da nossa era.

  13. Ao invés de enxergar essas pessoas como sendo indivíduos que precisam ser resgatados pela verdade de Cristo, de terem seus pecados perdoados pelo poder das chaves entregue por Jesus à Igreja, desde que se arrependam de seus erros, fica-se ludibriando esses pobres coitados, debatendo questão já vencida que é a comunhão a divorciados ou tentando arranjar um meio de inseri-los na vida eclesial, fazendo-lhes crer que estão na mesma situação de católicos que vivem na graça santificante e no amor de Deus.

    Hipócritas!

    A missão dos senhores é transmitir a verdade de Cristo e não a de arrumar meios para inserir pecadores no seio da Igreja.

    É preciso explicar-lhes que ante o anúncio do evangelho não há opção: ou se acredita e se vive de acordo ou se está condenado eternamente. Quem não crê, já está condenado. Palavras essas, não minhas, mas de Cristo.

  14. Não se fazem mais “JOÕES BATISTA” como na época de Cristo, que colocaram a cabeça em defesa da verdade (adultério de Herodes e indissolubilidade da união conjugal: “o que Deus uniu o homem não separe”).
    Amigos, não se iludam: quem defende a Verdade, a Vida e o Reino de Deus estará sempre sujeito à PENA CAPITAL!
    Sempre foi assim, sempre será assim…
    A coroa do martírio está reservada somente para os corajosos Homens e Mulheres de boa vontade!

  15. Vejamos o que a Jezabel está fazendo na Igreja. Os católicos são perseguidos, falta de atualização, falta de comunhão… tem que ter assinatura de aceitação do CVII e outras imposições da estrutura podre que governa a cúpula da Igreja. Das Feministas, progressistas, que de irmão só tem o nome (porque nem o hábito usam constantemente) o tom é de “conciliação”
    http://www.ihu.unisinos.br/noticias/538606-relatorio-sobre-as-irmas-norte-americanas-enfatiza-a-gratidao-e-reflete-mudancas-no-vaticano
    Relatório sobre as irmãs norte-americanas enfatiza a ”gratidão” e reflete mudanças no Vaticano

    “Quando virá Senhor o Dia em que apareça o Salvador ?!”

  16. Teresa o problema é muito mais profundo e foi amplamente denunciado na Veritatis Splendor de João Paulo II: perdeu-se totalmente a noção de pecado, desvirtou-se completamente a Cruz de Cristo.
    Pra esse povo não existe problemas com a primeira, segunda, terceira ou quarta união, contanto que “dentro” dessas uniões, não haja “traição”.
    O ato do adultério sempre foi visto de maneiras distintas por diversas sociedades, sendo tratado com extremo rigor por algumas e considerado como um ato mais ou menos aceitável por outras, principalmente com relação aos homens.
    Atualmente o adultério não é apenas tolerado, mas totalmente incentivado através de filmes, novelas, livros e revistas de fofocas que glamourizam esse “estilo de vida”.
    Quantas velhinhas noveleiras hoje em dia não vivem grudadas no aparelho de TV torcendo pra essa ou aquela personagem largar o marido da ficção e ficar com o outro que seria o “grande amor” da vida dela?
    Atualmente se torce até pra que o marido largue a “mocréia” da mulher e vá viver com outro homem.
    Existe uma visão romântica do adultério, pois o importante “é ser feliz”, “é recomeçar a vida”…etc.
    Notadamente, o adultério passou a ser tratado com cada vez mais tolerância na medida em que a sociedade se torna menos “dogmática” e mais “liberal”.
    E estas mudanças de comportamento podem ser observadas através das alterações ocorridas na legislação brasileira, que, no Código Penal de 1940, classificava o adultério como um crime, punindo os adúlteros com até 6 (seis) meses de reclusão.
    Já em 2005, com a promulgação de Lei 11.106, que alterou diversos artigos do Código Penal de 1940, o adultério deixou de ser considerado um crime, sem falar que a partir do momento em que a lei do Divórcio foi introduzida, adultério passou a ser considerado tecnicamente apenas como aqueles casos de “traição”.
    Teoricamente, a diferença entre traição e adultério é insignificante, porém, juridicamente, considera-se adultério o relacionamento extraconjugal em que tenha ocorrido o “sexo”, ou seja, está mais diretamente ligado à quebra da relação de confiança que consiste no relacionamento sexual de um dos cônjuges com um terceiro, sem o consentimento do primeiro.
    Então aí está a base moral de um Padre Beto, que não vê adultério em segundo ou terceiro “casamento” e nenhuma traição nas orgias em casas de swingue, desde que seja tudo combinado ou aceito de comum acordo entre o casal. Em resumo, desde que não haja “quebra de confiança” está tudo bem.
    O grande problema é que essa visão moderna do “adultério” não bate com o conceito de adultério estabelecido de forma inequívoca por Nosso Senhor Jesus Cristo:

    E ele lhes disse: Qualquer que deixar a sua mulher e casar com outra, adultera contra ela.
    E, se a mulher deixar a seu marido, e casar com outro, adultera.
    (Marcos 10:11-12)

    Quando os homens que conduziam a Igreja eram guiados pelo Espirito Santo e falavam em nome de Cristo, o conceito que eles usavam era o da Doutrina da Igreja que considera tais “segundas, terceiras uniões” como casos inequívocos de adultério permanente.
    Mas agora vivemos tempos Bergoglianos em que a ordem do dia é justamente contrária àquela de São Paulo aos Romanos: “NÃO VOS CONFORMEIS COM A MENTALIDADE DESTE MUNDO”. (RM 12, 2)
    Esse tema da “comunhão aos “casados em segunda união”, sequer estaria sendo cogitado se não estivessem tentando adaptar a Igreja à mentalidade do mundo moderno.
    Eis o motivo pelo qual até entre os que se dizem “católicos” se faz questão de ter uma cerimônia de casamento na Igreja, mas de forma leviana, só pra fazer uma festa, um evento social, uma chance de marcar o fato, de sair na midia ou de filmar e guardar fotografias até que uma segunda união jogue na fogueira todos os vídeos, fotos e lembranças da primeira união.
    E isso ocorre com muito mais frequência do que você imagina. Outro dia eu vi um álbum lindíssimo online em um desses blogs de casamentos. Quando fui ler os comentários o que me chamou atenção foi justamente o da noiva das fotos pedindo à dona do blog que retirasse suas fotos daquela página porque ela havia se divorciado daquele marido há 3 anos, já havia se casado com um segundo e estava grávida e feliz.
    Cabe aqui ressaltar que quando Jesus falou da indissolubilidade do casamento, Ele não tinha em mente a maturidade das pessoas, pois naqueles tempos as mulheres se casavam assim que entravam na puberdade. Quando Jesus fala da indissolubilidade do casamento, Ele deixa de forma inequívoca os seus motivos:

    “Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea.
    Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á a sua mulher,
    E serão os dois uma só carne; e assim já não serão dois, mas uma só carne.
    Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.
    (Marcos 10:6-9)

    Marido e mulher se tornam aos olhos de Deus, uma só carne pelo Sacramento do Matrimônio. E os filhos são o maior atestado disso. Não dá pra você olhar pra um filho e dizer: eu não estava madura pra uma gravidez, eu só estava brincando de “papai e mamãe” com meu companheiro, foi só um momento de curiosidade mas eu não tinha a menor condição de me tornar mãe.
    Essa é a mesma mentalidade dos que acham justificativa para o aborto. O fato é que uma relação sexual foi efetivada e o resultado dela foi uma outra vida.
    No caso do Sacramento do Matrimônio, se duas pessoas adultas, de livre e espontânea vontade resolvem entrar nesse contrato e ratificá-lo perante Deus tomando as testemunhas da Igreja, se fazem os votos diante de Deus de se amarem, se respeitarem até que a morte os separe, Deus então sela essa união e o que Deus uniu, nenhum homem tem o poder de desunir.
    “A Igreja sempre ensinou que nunca se devem escolher comportamentos proibidos pelos mandamentos morais, expressos de forma negativa no Antigo e no Novo Testamento. Como vimos, Jesus mesmo reitera a irrevogabilidade destas proibições: «Se queres entrar na vida, cumpre os mandamentos (…): não matarás; não cometerás adultério; não roubarás, não levantarás falso testemunho» (Mt 19, 17-18).( Veritatis Splendor).
    Mas agora em nome da misericórdia, se até os “cachorros vão para o céu”, por que nã os adúlteros, os sodomitas, os devassos, os imorais, os bêbados, os avarentos…etc?
    Por outro lado, se existem padres e Bispos sodomitas consagrando e consumindo a eucaristia em estado de pecado mortal, eles tb não vêem nenhum mal no fato de leigos em estado de pecado mortal fazerem o mesmo. Cegos guiando cegos.

    • Por isso eu disse que a situação é complicada, Gercione. E Jesus sabia a confusão que ia dar. As vezes me pergunto porque foi tão duro nesse assunto. Não sabia de quê somos feitos?
      Mas embora compreenda e aceite seus argumentos algo ainda não tá muito bem definido pra mim. Me parece que a sugestão de Bento XVI de que os recasados se aproximem da mesa eucarística e a reverenciem com a mão no peito, sem comungar, seja a mais certa. Assim estão próximos, estão “in” mas não tanto. Mas se estão um pouco próximos, se podem ser aceitos como membros ativos da comunidade, ainda que não comunguem, isso me parece dizer que estão em pecado sim, mas não aquele que ocorreu no momento da escolha (que pode ter sido mais ou menos consciente) estão no pecado da continuidade por razões muitas vezes nobres, pra evitar um mal maior pra família. Esse seria um pecado que impede a comunhão por não envolver arrependimento e mudança, mas não por ser mortal em si mesmo. O pecado mortal ficou pra trás, no tempo. Aceitar esses que humildemente (e não com reivindicações) aceitam ficar na soleira da casa de Deus, é justo e bom. O pecado grave foi perdoado, e o atual não os leva pro inferno, por não ser verdadeiramente mortal.
      Ainda acho que a Igreja Ortodoxa resolve o assunto de forma mais simples, menos burocrática, mais parecida com o Jesus Cristo que não apaga a mecha que ainda fumega, mas tudo aproveita pra conseguir salvar.

  17. Na verdade, o pensamento do Cardeal De Paolis é focado no jurídico e como tal, “tudo já se prevê e tudo já está pronto e definido”! Ao que tudo indica, essa tese não se sustentará no Sínodo de 2015. E isto já pode ser sentido no “Lineamenta”; que de certa forma já se coloca adiante do pensamento do Cardeal. Ademais, Paolis e outros, como Burke, não estarão no Sínodo…

  18. Relacionado ao assunto, alguém poderia investigar o que está acontecendo na arquidiocese de Maceió? Está se introduzindo certas práticas de acolhimento às pessoas em situação irregular por parte do Ordinário de forma pública, na comunhão.

  19. Dispenso os “blá-blá-blas” dos cultos teóricos e teólogos…e vou direto ao ponto principal: a PALAVRA DE DEUS,o VERBO DIVINO…a BIBLIA SAGRADA, a VONTADE DIVINA.

    Diz DEUS:…”assim, já não são dois,mas uma só carne. Portanto, n ã o separe o homem, o que DEUS uniu.”(Mateus 19)
    E…”….Ora,eu vos declaro,que todo aquele que rejeitar sua mulher, exceto no caso de matrimonio falso, e esposar uma outra, comete adultério.”(Mateus 19)

    Em I CORINTIOS 11 (23 até 30 ), dentre outras Determinações Divinas, temos: …”Assim,todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, lembrais a Morte do SENHOR, até que venha. Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do SENHOR indignamente, será culpável do Corpo e do Sangue do SENHOR….”

    Contra a VONTADE DIVINA n ã o deve haver argumentos. Ponto final. Textos bastante auto-explicativos!!!

    Quem aprecia empregados desobedientes…atrevidos…que tomam “iniciativas” no trabalho,sem consultas prévias ao chefe ou patrão?…! Quem promove um subalterno teimosamente insolente e desobediente às ordens que se lhes dá?!.. Hã?…
    Pois é…transpondo isso para a vida eclesial…NÃO se pode mudar a DOUTRINA CRISTÃ…alterar o que JESUS CRISTO , qu é DEUS e SENHOR de tudo e de todo o criado, determina no NOVO TESTAMENTO!
    Deve-se é pensar, observar bem as pessoas, analisar bem, evitar agir por impulsos,”paixões fulminantes” , primeiras impressões, fugir dos deslumbramentos com as aparências,….ter cuidado especial nas escolhas matrimoniais…a n t e s…para não haver arrependimentos depois…

  20. PAAAARABÉNS FERNANDO! PARABÉNS!!!!!

    Fernando muito obrigada! DEUS te abençôe muiito! Você me fez um graaande favor com seu excelente e muito intrutivo Comentário!!
    Já corri para o Confessionário bem umas 06 vezes , por causa das “declarações” de nosso atual Pontífice! e,..já sofri ameaças e peguei repreensões severas de Padres,na minha Capital,todas as vezes que me confessei, estarrecida com certas “falas” do papa Bergoglio, e certas atitudes suas…pois,aqui aone eu moro,…todos religiosos e as pessoas leigas…”adoram” o novo papa,e acham liiindo e certo , tudo que diz e faz.
    Eu já estava confusa….mas,com tua explicação preciosa, fico tranquila! Continuo católica apostólica romana, ( apesar de achar certas coisas estranhas em certa pessoa) como eu quero ser, e como DEUS me quer!!! Amém.
    Feliz Natal e feliz 2015,FERNANDO!
    Muito obrigada.
    Mariana.

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