Asia Bibi: «Para minha libertação, espero um verdadeiro milagre».

Não pede que o Papa Francisco faça chamados públicos; pede-lhe somente orações. E, no sofrimento de uma vida em reclusão, faz notar com amargura que muitos abusam de seu nome por interesse pessoal. Asia Bibi, a mulher cristã de 44 anos condenada a morte por blasfêmia no Paquistão, em 2009, rompe o silêncio e aceita falar com Vatican Insider, mediante a Renaissance Education Foundation de Lahore, que se ocupa atualmente de sua família e de sua assistência legal.

Por VaticanInsider/InfoCatólica, 20/12/2014  | Tradução: Airton Vieira de Souza – Fratres in Unum.com:  A camponesa do Punjab foi encarcerada «por causa de um copo d’água», depois de uma discussão com duas mulheres muçulmanas que a acusaram falsamente. Este ano ela passará seu quinto Natal no cárcere e nos conta sua vida atrás das grades, suas angústias e esperanças.

Asia Bibi

Ela está à espera do braço da morte há mais de cinco anos e atualmente encontra-se na prisão de Mutlan. Asia tem se apegado à sua Bíblia e à sua profunda fé, confiando mais na providência de Deus do que na justiça paquistanesa. Entretanto, depois da sentença de sua sorte, esperará com paciência e acolherá serenamente o julgamento do processo em terceiro grau, que acaba de ter início na Suprema Corte do Paquistão. Enquanto isso, ela segue aguardando o sonhado milagre de sua libertação.

Asia, como está a sua saúde e quais são suas condições no cárcere?

Sinto-me bastante bem, estou bem em nome de Cristo, considerando o que pode ser a vida em uma prisão. No cárcere cuidam-me e tratam-me bem, sobretudo, creio, porque meu caso é conhecido em nível internacional.

Como você passa seus dias?

Começo o dia em nome de Cristo, rezando. Em seguida, tomo o café e limpo a cela. Penso em mim, na minha família, nos meus entes queridos e rezo por eles. Depois, chega o almoço, um passeio e logo a janta. Termino cada um dos meus dias dando graças a Jesus Cristo, antes do repouso.

Você lê a Bíblia todos os dias? Há algum versículo de que você goste de repetir na oração?

Sim, claro. A Bíblia Sagrada é um livro importante para mim. A Palavra de Deus me anima, me consola e ilumina em tempos obscuros. Gosto de rezar com as palavras do Salmo 138, que diz: «Se caminho entre perigos, me conservas a vida, estendes tua mão contra o furor de meu inimigo, e tua destra me salva. O Senhor fará tudo por mim. Senhor, teu amor é eterno, não abandones a obra de tuas mãos!». Assim, inclusive nas horas de angústia, meu coração encontra a paz.

Qual é o seu desejo mais profundo quando você pensa em sua família?

O que espero é poder voltar a viver com a minha família, com meu esposo Ashiq e com meus cinco filhos. Penso constantemente neles, e eles me fazem muita falta, sobretudo nestes dias, quando todos se preparam para festejar o Natal.

Como você passará o Natal? O que ele significa para você?

Espero que o dia do nascimento de Cristo traga felicidade e liberdade à minha vida, que traga paz ao mundo e sobretudo ao Paquistão. Natal não significa ter um vestido novo ou celebrar uma festa com um baile. Significa compartilhar o próprio amor com todos os necessitados. Sofro porque passarei o quinto Natal no cárcere, distante da minha família. Espero e rezo para que os cristãos passem o Natal em companhia de seus entes queridos: que Deus mantenha unida sua família. É o dom mais precioso que podem receber.

O que você acha do processo em terceira instância, que se será julgado na Suprema Corte?

Apresentamos um recurso e creio que Jesus Cristo com seu braço forte me restituirá a liberdade. Recordo-me da experiência de São Pedro: quando estava no cárcere, o Espírito Santo veio e lhe abriu as portas da prisão. Espero um verdadeiro milagre para a minha libertação.

Quem e quais organizações ajudam a sua família?

Agradeço a todos, da comunidade internacional e das nações cristãs. Eles estão próximos de mim, como apoio de oração. Peço que todos os que estão abusando de meu nome por interesses pessoais me deixem em paz. Agradeço à Renaissance Education Foundation, que sempre está próxima de mim e de minha família. Os que queiram ajudar-me, podem fazê-lo através da Fundação.

O que você pede a Deus?

Peço que perdoe a todos que têm usado meu nome para interesses pessoais e que me restitua a liberdade.

O que você gostaria de dizer ao Papa Francisco e aos cristãos do mundo todo?

Ao Papa Francisco e a todos os cristãos do mundo, gostaria de dizer-lhes: peço que lembrem-se de mim em suas orações. Creio firmemente que sua oração poderia ajudar-me para que eu possa saborear novamente o dom precioso da liberdade.

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2 Comentários to “Asia Bibi: «Para minha libertação, espero um verdadeiro milagre».”

  1. Recomendo a leitura do comentário de Antonio Socci sobre essa estranha entrevista:
    http://www.antoniosocci.com/2014/12/inaudite-cronache-vaticane/

    As respostas não são de Asia Bibi, isso deve ser enfatizado. O Vatican Insider obteve-as através da “Renaissance Education Foundation di Lahore”.

    Parece uma coisa feita na medida para livrar a cara do Papa Francisco. De qualquer forma vale a pena ler os comentários de Socci sobre as supostas respostas dadas por Asia Bibi.

  2. Caro Fernando, de fato considero “estranha” a entrevista, ainda que ela mesma cite o fato de muitos estarem utilizando o nome desta cristã exemplar a interesses diversos. Como o interesse maior é o de chamar a atenção para a questão em si, “usando” Asia Bibi – por ser um autêntico (e alentador) exemplo a ser imitado – sugiro que alguém possa se dispor a traduzir este artigo de A. Socci citado por você.
    No ensejo, vale lembrar que a realidade de Asia está, ainda que de forma distinta, mais próxima anós que pensamos. E irá se aproximar mesmo quanto à forma, de forma cada vez mais acelerada, basta para tal uma pequena detida no discurso de posse da “presidenta”. Olhar este o os demais acontecimentos à luz da esjatologia (sim, com “j”) católica nos amplia as perspectivas tanto internas quanto externas. Mas isto não é assunto para um simples comentário…
    Grato por seu comentário e pela publicação do site. Em Cristo Jesus e Maria Santíssima!