Um pai verbal e mentalmente abusivo.

Por Traditional Roman Catholic Thoughts | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: Imagine um pai que vive num subúrbio pitoresco. Ele tem um bom emprego, uma esposa amorosa e filhos lindos de várias idades. Muitas pessoas olham para este homem como um modelo exemplar dentro da comunidade. A maioria diz que ele está trilhando seu caminho para a santidade.

Para alguém que olha de fora, esta é apenas uma face da imagem completa. Agora imagine se esse mesmo pai passa mais tempo brincando com as outras crianças da vizinhança do que com os seus próprios filhos. Quando seus filhos perguntam por que o pai prefere passar mais tempo se entretendo com as outras crianças da vizinhança do que com eles, ele, por sua vez, começa a provocá-los, tirando sarro da cara deles, e rebatendo que eles estão se comportando como pirralhos chorões, ao invés de dar uma resposta amável explicando o motivo pelo qual ele está negligenciando a saúde emocional de seus próprios filhos.

Além disso, seus filhos são vítimas constantes de vários valentões no bairro que agem como algozes implacáveis,  procurando por qualquer falha ou fraqueza nestas crianças, a fim de persegui-las. As palavras e ações do pai dão a esses agressores munição para usar contra seus próprios filhos. Em seguida, os agressores se lançam sobre os filhos e usam as próprias palavras do pai contra eles.

Quando alguns dos filhos, com toda a razão, aborrecem-se e legitimamente se queixam de seu pai por apoiar os valentões, ao invés de protegê-los, seus irmãos começam a gritar com eles para forçá-los à submissão:

 _ “Você não pode criticar papai! Ele é o nosso pai! Você tem que ser obediente e submisso à sua vontade, afinal de contas, ele sabe melhor do que você”. Com isso, a família tornou-se mais dividida do que antes. Não só o pai está permitindo que o mundo lá fora abuse de seus próprios filhos do mesmo modo como ele faz, mas alguns de seus filhos cruelmente defendem suas ações abusivas.

Vocês hão de concordar que o pai do exemplo acima não é de maneira alguma um bom pai. Enquanto ele parece ser um grande exemplo para a comunidade, na realidade, ele é um desviante. Igualmente, esta é a mesma atitude com que o Papa Francisco, o Santo Padre, atua nesse Pontificado.

Seja no Vaticano ou em suas viagens ao exterior, houve inúmeras instâncias em que ele estava agendado para se encontrar com bispos ou cardeais e simplesmente cancelou sem maiores explicações. Embora seja compreensível, já que ele não goza das melhores condições de saúde, ao invés de tirar esse tempo de folga para descansar, ele prefere usá-lo para passar um tempo com os evangélicos, luteranos ou até mesmo os budistas, como ele fez durante sua viagem ao Sri Lanka. Se passar o tempo com os não-católicos é como ele escolhe relaxar, faz mal perguntar o por quê? Seu propósito não é evangelizar essas pessoas. Em nenhum momento ele discute com elas a necessidade de tornar-se católico, ao contrário, ele endossa as suas opiniões e discute solidariedade.

Enquanto faz suas viagens ao exterior, ele faz conferências de imprensa a bordo do avião papal. “Quem sou eu para julgar” se tornou o bordão com que os não-católicos obrigam os fiéis à submissão por defenderem a doutrina católica de sempre. Papa Francisco acaba de dar aos inimigos outra grande linha de ataque. “Algumas pessoas pensam que – desculpe-me por dizer isso – que, para ser bons católicos, temos de ser como coelhos”. Além disso, ele ainda fez questão de bradar para o mundo como ele repreendeu a uma mãe fiel que havia engravidado novamente. Ele a acusou de “tentar a Deus” e a criticou por aquilo que ele chama de “paternidade irresponsável”.

Esses comentários sobre coelhos e paternidade irresponsável deixaram alguns católicos com um afã de defender as declarações do Santo Padre como se fosse seu último suspiro. Eles acusam os católicos que se sentiram ofendidos com a escolha de palavras do Papa de “tomá-las fora do contexto”. Eles acusam seus irmãos que estão ofendidos de não confiarem em Deus e o que é pior: de causar divisão dentro da Igreja. “Se você tivesse olhado para o contexto, certamente você concordaria com ele!”

Enquanto olhando para o contexto poderíamos até concordar com o Papa Francisco, sua má escolha de palavras, especialmente quando está respondendo à jornalistas que buscam ativamente oportunidades para tirar suas palavras fora de contexto e demonizar a nossa religião, é onde reside a culpa. Ele sabia o que estava dizendo porque fez questão de antecipar: “desculpe-me por dizer isso”. Ele dá munição aos valentões que, por sua vez, usam suas palavras contra seus próprios filhos, os mesmos filhos que ele deveria defender e confirmar para a santidade.

Quando qualquer pai normal comporta-se desse modo destrutivo contra seus próprios filhos, ele não é visto como um herói, mas sim como um pai desviante e abusivo. Da mesma forma, se o Santo Padre se comporta segundo esse exemplo, ele não está sendo um bom pai para seus filhos. Ele está caindo nos pecados de calúnia e difamação, e sem um pedido público de desculpas por suas declarações, tudo o que nos resta é assumir o pior em relação às suas atitudes.

Tags:

18 Comentários to “Um pai verbal e mentalmente abusivo.”

  1. “…ele prefere usá-lo para passar um tempo com os evangélicos, luteranos ou até mesmo os budistas, como ele fez durante sua viagem ao Sri Lanka”. Só um detalhe: não usa o hábito coral pontifício, mas endossa vestimentas budistas. Vá entender…

  2. “Enquanto faz suas viagens ao exterior, ele faz conferências de imprensa a bordo do avião papal. “Quem sou eu para julgar” se tornou o bordão com que os não-católicos obrigam os fiéis à submissão por defenderem a doutrina católica de sempre.”

    Quem dera fosse tão somente os não-católicos e não os pseudocatólicos.

  3. E sabe o que mais? Francisco não está nem aí para as “lamentações” dos seus filhos. Não chegam nem aos seus ouvidos. Isso já está mais do que sabido. Vai usar da sua autoridade para revolucionar mesmo, fazer o que quer, doa a quem doer. O tempo é o dono da verdade. Quem viver,verá.

  4. Com licença Fratres,

    Desculpe usar este espaço pra isso: peço a todos que de boa vontade puderem rezar pela conversão do meu irmão usuário de drogas que possam assim fazer. Se esta for a vontade de Deus! Rezem, se puderem, para que eu, meus pais e irmãos tenhamos força e sabedoria para suportar tal dificuldade. Deus retribua a todos com maiores graças essa caridade.

    Para não tomar espaço aqui nos comentários, favor, não respondam esse pedido com outro comentário, se puderem dar um “like” no comentário já saberei que fui atendido pelos senhores e senhoras.

    Desculpe Fratres in Unum por tomar espaço.

  5. Contagem regressiva para neoconservadores / cleaners darem pití: 5, 4, 3…

  6. Texto muito bom. Obrigado pela tradução.

  7. Não sei se cheguei a falar isso aqui. Houve um fanático católico, com quem eu “dialogava” (mesmo) no Facebook. Ao mostrar as incongruências do Papa, especialmente a que ele evidencia acerca dos “coelhos”, o tal fanático usa uma certa frase de Santa Catarina de Sena para tentar me fazer calar. A frase é aquela em que ela diz que “mesmo se o Papa fosse Lúcifer encarnado”, ela não ousaria levantar a cabeça, mas “recostaria-se em seu colo”.

    Isso está, por acaso, no Dogma? Por ser santo ou santa, somos obrigados a acatar qualquer coisa vinda dos santos? Imagine, então, o que teríamos que aceitar vindo de João XXIII…

    Existe maior contardição? Lúcifer encarnado, e ainda com o carisma do ES e infalibilidade, sendo ele o “Pai da Mentira”? Vemos, por aí, até onde pode levar o delírio fanático e sectário, inclusive de católicos.

    • Qual é a fonte desta frase atribuída à Santa Catarina de Siena?

    • Não sei, Maxwell, o fanático é tido como apologeta. Me bloqueou no Facebook, nem tenho como lhe exigir a fonte. Mas, sendo ou não de que santo for essa asneira, rejeitaria do mesmo jeito. É uma blasfêmia!

      Procure no Facebook. O nome do sujeito é Carlos André Perin. Eu também não achei nada a respeito dessa citação.

  8. Texto muito bom, lúcido, objetivo.Infelizmente, qualquer um que saiba pensar e analisar vê que é impossível que um Cardeal Arcebispo, com 78 anos de idade, não repetiria um erro de ingenuidade geradora de ambiguidades por mais de um ano, sem se advertir do poderio de certos grupos empenhados na destruição da civilização cristã ocidental, que divulga ad nauseam o que ele disse e o que não disse, mas pareceu dizer, para fins de incrementar a já adiantada campanha de destruição.Errar acidentalmente uma vez já seria mau sinal, num Prelado com experiência e com a função de Papa.Errar sistematicamente, recusar-se a receber pessoas que são símbolo da doutrina correta e receber, aplaudir, afagar, exemplos de desvios maiores ou menores, não pode ser, em tão alta pessoa, uma sequência inarticulada de enganos acidentais, mas uma conduta deliberada, de quem quer os efeitos produzidos.Este senhor quer desarticular a Igreja, semear a confusão, estimular um relativismo que não pode ser cristão, católico, favorecedor da Honra a Deus, cultivador da verdadeira liberdade humana, a qual sempre será ordenada ao essencial, amorosa, justa, clara, e não relativista e ” Nova Era”.

  9. Francisco é estranho, e por mais que ele queira dar a impressão de “ternura”, tudo em torno dele parece estéril e gélido. Suas más atitudes não bastam para explicar a estranheza que ele causa. É algo nebuloso e ruim que está além dele. Por mais que queira, Francisco não inspira naturalmente amizade e afeto; ele parece alguém ocupadíssimo consigo mesmo e ocuparia sozinho todo o espaço de uma amizade. É como se tudo de ruim que se passou nos últimos 50 anos, toda defecção, a derrota, a desagregação e o esfacelamento por que a Igreja passou, e passa, tivesse se concentrado nesse grupo que subiu com ele ao poder.

  10. Estão querendo lhe dar o Prêmio Nobel da Paz.

  11. Para entender melhor em que corrente o jesuíta Bergoglio, agora Papa Francisco I, se insere, e como ele a tem seguido lamentavelmente com muita eficiência, gostaria de sugerir a leitura da obra “A Traição dos Jesuítas à Igreja Católica”, do padre Malachi Martin, que foi um dos poucos jesuítas corajosos e fiéis o suficiente para denunciarem a crise que o Vaticano II inaugurou na Igreja como um todo e também nas congregações religiosas, e especialmente na Companhia de Jesus, o que lhe valeu ser expulso desta. (O livro indicado está, em sua tradução para o português, esgotado, mas, procurando-se, pode ser encontrado em lojas de livros velhos e em bibliotecas.)

  12. Depois de um texto didático deste, deveria se perguntar a alguns defensores incondicionais do atual Papa: entendeu ou tenho que desenhar? Artigo simples e cheio de verdade. Brilhante! Uma parábola dos tempos atuais.

  13. Só corrigindo um dado de meu comentário acima: o título exato da obra do padre Malachi Martin que indiquei é “Os Jesuítas: A Companhia de Jesus e a traição à Igreja Católica”. Trata, basicamente, da história do envolvimento dos jesuítas pós-Vaticano II com a “Teologia” da Libertação.

  14. Será que na história dos discursos papais houve tantas palavras mal proferidas? “Não creio num Deus católico”, “Quem sou eu para julgar”… fora os discursos, a desnecessidade de milagres para a “canonização” do Papa João XXIII…

    Exsurge, Domine.

  15. O texto pode ter alguma coisa de interessante, mas se é para falar do Papa não se aplica. É que o Bom Pastor é aquele que fica mais feliz por uma ovelha perdida que é encontrada do que por 99 que não estão perdidas, é aquele que se alegra com o filho que estava morto e que voltou à vida. Mas se alguém se acha dentro do rebanho das 99 ovelhas e afinal tem ciúmes do Bom Pastor ir cuidar da que está perdida é porque afinal também ele próprio é uma ovelha perdida que o Bom Pastor procura e que se alegra quando a encontra.

    • Ovelhas perdidas? Rezar voltado para Meca, rezando ao seu Deus ‘não-católico’ e outras coisas mais, é estar alegre com o filho que estava morto e reviveu? Quais destes mortos (protestantes, judeus, pagãos, maometanos) voltaram à vida? O que o Papa Francisco faz é mantê-los mortos e distantes do rebanho.