Carta aberta de um Arcebispo sobre a crise na Igreja.

“É difícil acreditar que o Papa Bento XVI renunciou livremente ao seu ministério como sucessor de Pedro.”

“Eu sou forçado a recorrer a este meio de expressão público porque receio que qualquer outro método seria recebido com um muro de silêncio e indiferença.”

“… Fica cada vez mais evidente que o Vaticano, através da sua Secretaria de Estado tomou a estrada do “politicamente correto”.  

Por Rorate-Caeli | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: Rorate Caeli obteve uma cópia exclusiva da versão inglesa de uma rara carta aberta de um Arcebispo sobre a crise da Igreja.

A carta, escrita por Sua Excelência Dom Jan Pawel Lenga, bispo emérito da Diocese de Karaganda, Cazaquistão, esperamos que sirva como um mais que providencial alerta para os católicos que enterraram a cabeça na areia por tanto tempo.

Oremos para que mais outros irmãos seus no episcopado tenha a fé e a coragem de se levantar e fazer ouvir suas vozes antes que não haja mais nada o que defender.

* * *

Reflexões sobre alguns problemas da crise atual da Igreja Católica

Eu tive a experiência de viver com os sacerdotes que estiveram nas prisões e campos Stalinistas e que, no entanto, permaneceram fiéis à Igreja. Durante o tempo de perseguição, eles cumpriram com amor o seu dever sacerdotal de pregar a doutrina Católica levando assim uma vida digna na imitação de Cristo, seu Mestre celestial.

Eu completei meus estudos sacerdotais em um Seminário clandestino na União Soviética. Fui ordenado sacerdote secretamente durante a noite por um bispo piedoso que sofreu pessoalmente por causa da fé. No primeiro ano de meu sacerdócio, passei pela experiência de ser expulso do Tadzhikistão pela KGB.

Subsequentemente, durante meus trinta anos de estadia no Cazaquistão, servi 10 anos como sacerdote, cuidando do povo fiel em 81 localidades. Então, eu servi 20 anos como bispo, inicialmente como bispo de cinco estados da Ásia Central numa área total de cerca de quatro milhões de quilômetros quadrados.

Em meu ministério como bispo, tive contato com o Papa São João Paulo II, com muitos bispos, sacerdotes e fiéis de diferentes países e nas mais diferentes circunstâncias. Eu fui membro de algumas assembleias do Sínodo dos Bispos no Vaticano, que abrangeu temas como: “Ásia” e “A Eucaristia”.

Esta experiência, bem como os outras, deram-me a base para expressar minha opinião sobre a crise atual da Igreja Católica. Estas são as minhas convicções e elas são ditadas pelo meu amor à Igreja e pelo desejo de sua autêntica renovação em Cristo. Sou forçado a recorrer a este meio público de expressão porque receio que qualquer outro método seria recebido com um muro de silêncio e indiferença.

Estou ciente de possíveis reações à minha carta aberta. Mas, ao mesmo tempo, a voz da minha consciência não me permite permanecer em silêncio enquanto a obra de Deus está sendo vilipendiada. Jesus Cristo fundou a Igreja Católica e nos mostrou em palavras e atos como se deve cumprir a vontade de Deus. Os apóstolos, a quem Ele conferiu autoridade na Igreja, cumpriram com zelo o dever que lhes foi confiado, sofrendo por amor à verdade, a qual tinha que ser pregada,  já que eles “obedeciam a Deus ao invés dos homens.”

Infelizmente, em nossos dias, está ficando cada vez mais evidente que o Vaticano, por meio da Secretaria de Estado, tomou a estrada do politicamente correto. Alguns Núncios tornaram-se propagadores do liberalismo e do modernismo. Eles se tornaram especialistas no princípio “Sub secreto Pontifício”, através do qual manipulam e calam as bocas dos bispos. E assim o que diz-lhes o Núncio fica parecendo como o que seria quase certamente o desejo do Papa. Com tais estratagemas, separam os bispos uns dos outros de modo que os bispos de um país não falam mais a uma só voz no espírito de Cristo e Sua Igreja na defesa da fé e da moral. Isso significa que, a fim de não cair em desgraça com o Núncio, alguns bispos aceitam suas recomendações, que às vezes são baseadas em nada mais do que em suas próprias palavras. Em vez de zelosamente propagar a fé, pregando com coragem a doutrina de Cristo, sendo firmes na defesa da verdade e da moral, as reuniões das Conferências Episcopais, frequentemente, lidam com questões que são estranhas à natureza do ofício dos sucessores dos apóstolos.

Pode-se observar em todos os níveis da Igreja uma diminuição evidente do espírito  do “sacrum”. O “espírito do mundo” alimenta os pastores. Os pecadores é que dão à Igreja as instruções de como ela tem que servi-los. Constrangidos, os Pastores se calam sobre os problemas atuais e abandonam o rebanho, enquanto cuidam de alimentar apenas a si mesmos. O mundo é tentado pelo demônio e se opõe à doutrina de Cristo. Não obstante, os pastores são obrigados a ensinar toda a verdade sobre Deus e os homens “em bons tempos e maus tempos”.

Todavia, durante o reinado dos últimos Papas, podemos observar a Igreja na maior desordem no que diz respeito à pureza da doutrina e a sacralidade da liturgia, onde não se dá a Jesus Cristo a honra que lhe é devida. Em não poucas Conferências Episcopais, os melhores bispos se tornaram “persona non grata”. Onde estão os apologetas dos nossos dias, que teriam a coragem de anunciar aos homens de maneira clara e compreensível a ameaça do risco de se perder a fé e a salvação?

Em nossos dias, a voz da maioria dos bispos se assemelha ao silêncio dos cordeiros diante de lobos furiosos, os fiéis são abandonados como ovelhas sem defesa. Cristo foi reconhecido pelos homens como alguém que falava e agia em uníssono, que tinha poder e é este poder que Ele concedeu a Seus apóstolos. No mundo de hoje, os bispos precisam se libertar de todos os laços mundanos e – depois de terem feito penitência – converterem-se novamente a Cristo, para que fortalecidos pelo Espírito Santo possam anunciar Cristo como o único Salvador. Em última análise, deve-se prestar contas a Deus por tudo o que foi feito e por tudo o que não foi feito.

Na minha opinião, a voz fraca de muitos bispos é uma conseqüência do fato de que, no processo de nomeação de novos bispos, os candidatos não são suficientemente examinados quanto à sua indiscutível firmeza e destemor na defesa da fé, e também no que diz respeito à sua fidelidade às tradições seculares da Igreja ou sua piedade pessoal. Na questão da nomeação de novos bispos e até cardeais, está se tornando cada vez mais evidente que, muitas vezes, a preferência é dada para aqueles que compartilham de uma ideologia em particular ou para alguns grupos que são estranhos à Igreja mas que tenham recomendado a nomeação de um determinado candidato em particular. Além disso, parece que estão levando em consideração certo favoritismo por parte da mídia que frequentemente ataca e zomba de santos candidatos pintando uma imagem negativa deles, enquanto os candidatos que possuem em menor grau o espírito de Cristo são elogiados como abertos e modernos . Por outro lado, os candidatos que se destacam por seu zelo apostólico, que têm coragem de anunciar a doutrina de Cristo e demonstrar amor por tudo o que é santo e sagrado, são deliberadamente eliminados.

Um núncio certa vez me disse: “É uma pena que o Papa [João Paulo II] não participe pessoalmente na nomeação dos bispos. O Papa tentou mudar algo na Cúria Romana, no entanto, ele não foi bem sucedido. Ele foi ficando mais velho e as coisas retomaram seu antigo curso normal”.

No início do pontificado do Papa Bento XVI, eu escrevi uma carta a ele na qual supliquei-lhe para que nomeasse santos bispos. Eu relatei a ele a história de um leigo alemão que em face da degradação da Igreja em seu país, após o Concílio Vaticano II, permaneceu fiel a Cristo e reuniu jovens para adoração e oração. Este homem estava à beira da morte e quando ele ficou sabendo da eleição do novo Papa, ele disse: “Quando o Papa Bento XVI usar Seu pontificado exclusivamente para nomear bispos dignos, bons e fiéis, ele terá cumprido a sua tarefa”.

Infelizmente, é óbvio que o Papa Bento XVI, muitas vezes, não foi bem sucedido nesta questão. É difícil acreditar que o Papa Bento XVI tenha renunciado livremente seu ministério como sucessor de Pedro. O Papa Bento XVI era o cabeça visível da Igreja; sua corte, no entanto, raramente traduziu seus ensinos da teoria para a prática, ignorando-os ou silenciosamente desobedecendo-os e, em muitos casos, obstruindo todas suas iniciativas para uma autêntica reforma da Igreja, da liturgia, da maneira de se administrar a Santa Comunhão. Diante de um grande segredo que existe no Vaticano, para muitos bispos era realisticamente impossível ajudar o Papa em seu dever como chefe e governador de toda a Igreja.

Não seria supérfluo lembrar aos meus irmãos no episcopado de uma afirmação feita por uma loja maçônica italiana a partir por volta do ano de 1820: “Nosso trabalho é um trabalho de uma centena de anos. Deixemos de lado as pessoas mais velhas e vamos nos concentrar na juventude. Os seminaristas se tornarão sacerdotes com as nossas ideias liberais. Não devemos nos lisonjear com falsas esperanças. Nós não vamos conseguir fazer um Papa franco-maçom. No entanto, bispos liberais, que irão trabalhar na comitiva papal, irão propor a ele, na tarefa de governar a Igreja, pensamentos e idéias que são vantajosas para nós e para o Papa irá implementá-las na prática. Esta intenção do Franco-maçons está sendo implementada cada vez mais e de forma aberta, não só graças aos inimigos declarados da Igreja, mas com a conivência de algumas falsas testemunhas que ocupam altos cargos na Igreja hierárquica. Não é sem razão que o beato Paulo VI disse: “por alguma fresta da Igreja, o espírito de Satanás penetrou no interior da Igreja.” Acho que este tipo de fenda se tornou nos nossos dias bastante ampla e o diabo usa todas as forças a fim de subverter a Igreja de Cristo. Para evitar isso, é necessário retornar à proclamação precisa e clara do Evangelho em todos os níveis do ministério eclesiástico, pois a Igreja possui todo o poder e graça que Cristo deu a ela: “Todo o poder me foi dado no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações. Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eu estarei sempre com vocês até o fim do mundo “(Mt 28: 18-20),” a verdade vos libertará “(Jo 8, 32) e” deixe sua palavra ser Sim, sim; Não, não, pois tudo que passar disso vem do maligno”(Mt 5, 37). A Igreja não pode adaptar-se ao espírito do mundo, mas deve transformar o mundo com o espírito de Cristo.

É óbvio que, no Vaticano, há uma tendência de se entregar mais e mais ao barulho da mídia. Não é raro que, em nome de uma incompreensível calma e tranquilidade, os melhores filhos e servos são sacrificados para apaziguar os meios de comunicação de massa. Os inimigos da Igreja, no entanto, não entregam ou denunciam seus servos mais fiéis, mesmo quando suas ações são evidentemente más.

Quando nós quisermos permanecer fiéis a Cristo em palavras e atos, Ele mesmo vai encontrar os meios de transformar os corações e as almas dos homens e do mundo, e ambos serão transformados no momento propício.

Em tempos de crise da Igreja, Deus muitas vezes utiliza para sua verdadeira renovação, os sacrifícios, as lágrimas e as orações daqueles filhos e servos da Igreja que, aos olhos do mundo e da burocracia eclesiástica, são considerados insignificantes ou são perseguidos e marginalizados por causa da sua fidelidade a Cristo. Eu acredito que nesse nosso tempo difícil, esta lei de Cristo está se realizando e que a Igreja se renovará graças à renovação interior e fidelidade de cada um de nós.

01 de janeiro de 2015, Solenidade da Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus.

24 Comentários to “Carta aberta de um Arcebispo sobre a crise na Igreja.”

  1. Há uma seita que domina há 50 anos os altos postos da Igreja. Aqueles que com ela colaboram prestarão contas à Deus Nosso Senhor. E essa doutrina modernista hoje tem vários chavões: magistério vivo, colegialidade, etc.etc.. Com razão Dom Lefèbvre ao afirmar que a obediência foi o golpe de mestre de satanás …

    • Obediência foi o golpe de mestre de Satanás? O que isto significa, afinal? Todos os santos nos ensinam que a obediência é a arma que vence Satanás: São Bento fala que devemos “militar sobre o Cristo Senhor, com as poderosíssimas armas da obediência” (Regra de São Bento); o Pe. Pio permaneceu sempre obediente à Santa Igreja e ao Papa, mesmo quando este não o compreendeu e lhe impôs uma duríssima pena, totalmente imerecida por parte de Pe. Pio, que permaneceu na humildade, paciência e silêncio, exigindo a mesma atitude de respeito e obediência de todos os seus discípulos. Enfim, Jesus Cristo, o Filho de Deus, “se fez obediente até a morte, e morte de cruz” (Filipenses), e assim “como pela desobediência de um só (Adão), todos pecaram, pela obediência de um só (Jesus Cristo), todos receberam o dom da justificação que conduz à vida” (Romanos). Portanto, a obediência humilde e filial não é nunca estratégia de Satanás, mas dom do Espírito Santo. Dizer o contrário, beira à blasfêmia, como aqueles que acusavam Jesus de expulsar os demônios pelo poder de Belzebu, não reconhecendo nos milagres de Jesus a ação do Espírito de Deus. A contumácia e a desobediência, frutos do orgulho e da vaidade — muitas vezes justificados com belos e eruditos argumentos –, geram as divisões na Igreja. Esta, sim, é a estratégia e a obra de Satanás.

    • CLAUDIO (post das 8:18 em 10 de fev): vc tem razão em valorizar a obediência religiosa, mas ela não pode ser incondicional. Os exemplos que vc aduz NÃO aplicam às situações de vilipêndio e pública defecção da fé católica que temos visto ultimamente. Muitos Santos foram injustiçados e continuaram obedecendo, mas NENHUM santo prevaricou na fé em nome da obediência. Aliás, a mesma Santa Regra que vc cita, diz também:

      “O Abade digno de presidir ao mosteiro, deve lembrar-se sempre daquilo que é chamado, e corresponder pelas ações ao nome de superior. Com efeito, crê-se que, no mosteiro ele faz as vezes do Cristo, pois é chamado pelo mesmo cognome que Este, no dizer do Apóstolo: “Recebestes o espírito de adoção de filhos, no qual clamamos: ABBA, Pai.” Por isso o Abade NADA DEVE ENSINAR, DETERMINAR OU ORDENAR QUE SEJA CONTRÁRIO AO PRECEITO DO SENHOR ” (Cap 2).

      De resto, nenhuma Prelazia sectária e dinheirista, nenhuma pensão de leigos solteirões, nenhum cilício pelagiano, nenhuma boa gramática (como a sua), nenhuma obediência cega “more nazistorum” vai salvar ninguém. Cuidado para não perder sua alma por cultuar uma obediência mal esclarecida, torpe e imoral.

  2. Belíssimas palavras… uma curiosidade: Dom Jan Pawel Lenga tem 64 anos e é emérito desde 2011. Seu sucessor, Dom Janusz Wiesław Kaleta, tem 50 anos, e também já é emérito desde o ano passado. O que será que ocorre em Karaganda, que inclusive já teve como auxiliar Dom Athanasius Schneider?

  3. Belo e corajoso “Manifesto Episcopal” de um verdadeiro Sucessor dos Apóstolos. O resto? O resto é o que vemos por aí: a covardia, a falta de hombridade e de caráter e a traição dos “sucessores de Judas”. Vamos esperar que mais vozes se alcem contra a reabilitação de Sodoma, Herodíades e Satanás.

  4. Lendo o livro de Monsenhor Delassus “A conspiração anti-cristã – O templo maçon que quer se erguer sobre as ruínas da civilização cristã”, mais precisamente do capitulo que fala dos ilumunatis e mais precisamente de Weishaupt, cujo livro passo a palavra:

    “O objetivo do Iluminismo, aquilo a que ele devia conduzir jamais variou no espírito de Weishaupt: nada mais de religião, de sociedade, de leis civis, de propriedades, foram sempre os termos fixos de suas conspirações; mas ele compreendia que era necessário conduzir para esse fim seus adeptos escondendo lhes seu pensamento último. Daí as iniciações misteriosas e sucessivas, que ocupam uma grande parte da obra de Barruel.  “Não posso, escrevia Weishaupt a Xavier Zwack, empregar os homens tais como eles 
    são: é preciso que eu os forme; é preciso que cada classe de minhas ordens seja uma escola de provas para a prova seguinte”.

    (…)

    L. Blanc, na sua Histoire de la Révolution, caracterizou com muita propriedade a obra  de Weishaupt:  “Submeter,  unicamente  através  do  mistério,  o  único  poderio  da  associação, a uma mesma vontade e animar com um mesmo sopro milhares de homens em cada região do mundo, mas inicialmente na Alemanha e na França; fazer desses homens, por intermédio de uma educação lenta e gradual, seres inteiramente novos; torná-los obedientes até ao delírio, até à morte, a chefes invisíveis e ignorados; com semelhante legião avaliar secretamente os corações, envolver os soberanos, dirigir à sua vontade os governos e levar a Europa a tal ponto que toda superstição (leia-se toda religião) fosse apagada, toda monarquia abatida, todo privilégio de nascimento declarado injusto, o próprio direito de propriedade abolido: tal foi o plano gigantesco do Iluminismo”

    Faço algumas considerações:

    Quanto Bento XVI e João Paulo II, os mesmos na época do Concilio Vaticano II eram do pessoal de centro-esquerda, nunca e, assim como D. Mayer ou Lefebvre apoiaram o Cardeal hungaro Mindszenty e combateram a Ostpolitik vaticana de Paulo VI (exceção feita a Plínio Correa de Oliveira).

    Portanto os caminhos (talvez) sugeridos por este bispo são perigosíssimos se partidos da premissa de que a próxima manobra da Revolução seria provocar um cisma.

  5. BEM FEITO. Bem feito!!!! Ótimo!

    Reclamavam tanto de SUA SANTIDADE PAPA BENTO XVI- que agora têem….e somos obrigados a aturar….DOM BERGOGLIO/TL!!

    BEM FEITO…!!!Cada época tem o Papa que merece…..!!!!

  6. Outro texto muito esclarecedor. Que Deus o conserve!

  7. Mais um “cripto-lefebvrista”? Já estou bastante confuso com a história da renúncia de Bento XVI, as profecias de São Francisco de Assis (o papa não-canonicamente eleito) e da Beata Catarina Emmerick (sobre um tempo onde não se saberia quem era o Papa), os relatos de Antonio Socci e agora um Arcebispo.

    São Pio X, rogai por nós!

  8. Talvez, assim como da queda de Lutero – e de meio mundo católico junto com ele -, Deus tirou a Reforma Tridentina e tudo o que esta trouxe de esplêndido, também agora Deus permita que os modernistas cheguem a extremos tais que “acordem” os católicos – pastores e fiéis – para um novo tempo de fervor reduplicado na Igreja, como nos tempos do infeliz Lutero e do felicíssimo Concílio de Trento.

  9. Já começa a aparecer a parte sã da Santa Madre Igreja. O pensamento do mundo prevalece na atualidade, mas não prevalecerá sempre, porque a Igreja é divina. A única verdadeira Igreja é a Católica, Apostólica e Romana que deve ser o sal da terra para preservar o mundo da corrupção e dar gosto pelas coisas do Céu. A Igreja de Nosso Senhor Jesus trabalha para dar às almas a verdadeira paz que consiste em viver na graça de Deus, ter Nosso Senhor Jesus Cristo como o Caminho, a Verdade e a Vida. O modernismo (hoje também chamado Progressismo) trabalha para tranquilizar as consciências mas no pecado. Infelizmente tudo indica que até o Papa vem fazendo este trabalho e não o que Nosso Senhor Jesus Cristo espera de Seu Vigário na terra.
    Realmente um meio infalível para se conhecer um papa são as nomeações de Bispos e Cardeais. Tenho esperança de que também o Patriarca de Veneza e muitos outros bispos e cardeais elevarão a sua voz contra esta crise na Igreja.
    Nós católicos, com a graça de Deus, não podemos ficar insensíveis diante das profanações de que Nosso Senhor é alvo, na liturgia, sobretudo, nas missas sacrílegas.
    Declaro publicamente que fiquei muito triste quando o meu bispo elogiou a JMJ no Rio de Janeiro. Ressaltou até a parte financeira (que, na verdade, foi negativa). e não levantou a voz contra a distribuição das hóstias consagradas em copos de plástico. Fecham-se os olhos para os escândalos e profanações da Santíssima Eucaristia, e faz-se uma verdadeira ginástica para defender o Papa mesmo quando indefensável diante de Deus.
    Quando Pedro nega a Jesus, devemos ficar do lado de Jesus, é óbvio. Mas, a exemplo de Santa Catarina de Sena, rezemos pelo Papa. Em lugar de querer mudar a Igreja como pretendem os Modernistas e a Teologia da Libertação, façamos mais penitência e procuremos nos converter sempre mais para a Santa Igreja de Sempre. Para não cairmos nós também nesta crise terrível, devemos estar sempre fortalecidos pelo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Senhor, tende piedade de nós!
    Senhor, aumentai a nossa fé! Amém!

  10. ERRATA: a revelação de que os católicos não saberiam quem seria o verdadeiro Papa é de Melanie Calvat, vidente de La Sallete, não da Beata Catarina Emmerick:

    “A Igreja será eclipsada. Em primeiro lugar, nós não saberemos qual é o verdadeiro papa. Depois, o Santo Sacrifício da Missa cessará de ser ofertado em igrejas e casas; será tal que, por um tempo, não haverá serviços públicos. Mas eu vejo que o Santo Sacrifício não realmente cessou: ele será oferecido em celeiros, em alcovas, em cavernas e de forma subterrânea”. (The Secret of Melanie and the Actual Crisis, Abade Combe, 1906).

    Vou ser sincero: estou bastante receoso de que estamos vivendo esse tempo e que a guerra da Ucrânia seja o estopim para a prévia do fim do mundo vaticinada pela Beata Catarina Emmerick.

  11. Ainda há verdadeiros pastores na minha Igreja!

    Realmente, o papa Francisco transformou-se no pontífice “POLITICAMENTE CORRETO”.

    Detalhe: Jesus Cristo é o paradigma do politicamente “INCORRETO”: visitava pecadores (cobradores de impostos), era considerado um “beberão e comilão”, perdoava as “prostitutas”, acolhia os excluídos da sociedade (leprosos, viúvas, órfãos…) e, finalmente, curava em dias de Sábado.

    Não estou surpreso com tudo isso, aliás, há anos já sabíamos que. no futuro próximo, passaríamos pela Grande Tribulação e o Mistério da Iniquidade iria se manifestar.

    Confesso que acompanho há tempos as últimas profecias sobre os “Tempos Modernos” (La Salette; Fátima; Pe. Gobbi, do Movimento Sacerdotal Mariano; Vassula, da Verdadeira Vida em Deus; São Malaquias…).

    Queira ou não, já estamos vivendo as páginas do Apocalipse. E Francisco será o último papa: “petrus romanus” (profecia São Malaquias).

    Resumindo a ópera:

    – Da mesma forma que para a mulher ter um filho, precisa passar pelas “Dores do Parto”;
    – Para chegar á Terra Prometida, o povo de Israel teve que atravessar o deserto do Egito;
    – Para chegar à Glória da Ressurreição, Jesus Cristo teve que passar pela Paixão e Morte de Cruz;
    – Assim também, para chegar aos “Novos Céus e Nova Terra”, a humanidade terá que passar pela Grande Tribulação e enfrentar o mistério da Iniquidade.

    “Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará” (N.Sa. de Fátima – 1917).

  12. De todos os bispos que se submeteram ao concílio, este é o que expressou a realidade das coisas de modo mais realista. Ele compreende o papel antigo da maçonaria na infiltração. Ele compreende que o liberalismo e o modernismo são REALIDADES na igreja pós conciliar, a ponto de ser até generoso em dizer que apenas alguns bispos e núncios são seus portadores. E também foi verdadeiro ao dizer que “no reinado dos últimos papas” a pureza da doutrina e a sacralidade da liturgia foram atacadas. Sim, isso é o que dizemos desde João XXIII. E finalmente, a menção que ele fez do velho alemão que ao fim da vida teria dito que Bento XVI faria seu papel se ao final de seu pontificado tivesse enchido a igreja de bispos santos e fiéis. É exatamente uma das críticas centrais que sempre fiz ao pontificado fracassado de Bento XVI: ele por sua timidez se curvava à pressão dos episcopados (como no caso de Linz, onde seu candidato a bispo tido por ultra-conservador foi rejeitado descarada e publicamente pelo episcopado austríaco, e o papa permitiu esse ultraje aceitando a renúncia do padre que sequer chegou a ser consagrado) e ainda por cima elevava homens iníquos ao episcopado e ao cardinalato. Se ele tivesse soltado os grilhões deste concílio que no final das contas jamais foi dogmático, talvez tivéssemos um mártir, mas não seria Bergoglio, este pontífice nefasto a castigar a igreja… Gostaria de entender porque esse bispo não chega às conclusões finais, visto que ele entende o processo das coisas. Se ele for até o fim, verá o engodo que é a missa nova, verá claramente as intenções dos que escreveram a “letra” do concílio – de escrever ambiguamente para fazer valer depois a verdadeira interpretação (segundo o padre Schileebeekxs) e toda a sabotagem que se seguiu.

    • Levantar o dedo para acusador é muito fácil, porque Jesus não demitiu Judas antes de ser traído? Toda a lei, toda profecia genuína será cumprida, ante o inevitável, o maior aflito é Bento XVI, sofre mais porque sabe mais sobre os momentos terríveis virão em breve, oremos por ele e por todos nós. Agora vem o Falso Profeta e a apostasia, depois o Juízo…

  13. Caros amigos! Já disse à algumas publicações anteriores, que tratou deste assunto, que escrevi um livro denunciando o que esta acontecendo na Igreja a algum tempo. Só que pouquíssimas pessoas me deram ouvidos. Muitos por medo ou por não querer conhecerem a verdade, não aceitam a real situação em que nos encontramos. Será que agora vão me dar credito? Depois da denuncia de uma autoridade da Igreja? Para muitos não passo de um louco, no entanto agora este louco de amor por Jesus Cristo e sua Igreja, encontra nas palavras de um Arcebispo, fundamento que testemunham o que tenho publicado. Quem quiser adquirir o meu livro a preço de custo basta enviar um e-mail para brazartes@yahoo.com.br ao lê-lo compreenderam o que o senhor Bispo está falando. É doloroso mas é a realidade. Rezemos pela Santa Igreja.
    Salve Jesus e Maria!

  14. Os Bispos são os sucessores dos Apóstolos no governo da Igreja (ainda que nem todos sejam dignos). Por isso é crucial que os Bispos fiéis se levantem diante dessa crise e deem testemunho do Evangelho. Não existe outra saída. Estou muito feliz de ver essas recentes manifestações do Cardeal Burke e deste Bispo do Cazaquistão.

  15. AMIGOS E IRMÃOS.

    Quanto tempo ficou João Paulo II no papado? 27 anos. Quem era seu ministro da Fé? O Ratzinger. O Papa Bento ficou 8 anos de papado. Portanto esta dupla João Paulo II e Ratizinger governaram a Igreja por 35 anos com mão de ferro. Destruíram as conferências episcopais e centralizaram a Igreja a Roma. Só nomearam Bispos conservadores. A crise da Igreja tem 35 anos e o Papa Francisco está consertando o estrago feito nestes 35 anos. O Papa Francisco tem apenas 2 anos. Calma amigos. A Igreja está caminhando para Cristo e não mais para a cúria romana. Pensem nisso.

  16. É uma voz que se levanta no deserto. Quando o mundo se acovarda. Raramente encontramos a voz de um bispo da Santa Igreja. Que se levanta, e “grita” para todos os quadrantes da terra. Que estamos atravessando uma crise de fé. Que as autoridades eclesiásticas. Não estão cumprindo os seus deveres. A Santa Igreja, está sendo tomada pelo modernismo, progressismo, e uma enxurrada de heresias que vem assolando o Seio da Santa Igreja. Parece que um “sono” satânico, tomou conta da maioria das autoridades da Igreja. Praticamente, não vemos nenhuma autoridade do Vaticano, se levantar e denunciar estes erros, tão patente diante dos nossos olhos. Os homens da Igreja. Estão tão acomodados; que não encontramos vozes como esta, para dizer em público. Que estamos atravessando a maior crise da história da Santa Igreja. Aqui, na minha cidade. Os dois bispos, estão muitos interessados em embelezar os seus templos, ramificar o patrimônio dos mesmos. A fé íntegra, a verdade de sempre, a Tradição. Ficou esquecida, neste tempo de modernismo.
    Joelson Ribeiro Ramos.

  17. Eu creio que nas seguintes palavras desse Bispo está a chave da restauração da Igreja:

    “No mundo de hoje, os bispos precisam se libertar de todos os laços mundanos e – depois de terem feito penitência – converterem-se novamente a Cristo, para que fortalecidos pelo Espírito Santo possam anunciar Cristo como o único Salvador”.

    O problema é que a situação atual na Igreja está igual aquela descrita na Carta aos Romanos:

    “Não há um justo, nem um sequer.
    Não há ninguém que entenda.Não há ninguém que busque a Deus.
    Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis.Não há quem faça o bem, não há nem um só.
    (Romanos 3:10-12)

    Há duas semanas atrás eu conversava com um rapaz bem jovem que fez de tudo pra levar a Missa Tridentina para sua paróquia na Paraíba. Ele me relatava sua luta pra convencer seu pároco que por sua vez, se saía sempre com uma desculpa. Esse rapaz se propôs a aprender a ser acólito, treinar os cânticos e a liturgia e até ensaiar os coroinhas. No final a desculpa do padre é que não tinha o Missal e nem os paramentos.
    Então ele me disse que enquanto revirava os porões da Igreja, achou lá uma caixa empoeirada que parecia estar lá há muitos anos e eis que achou um tesouro! Ali estavam paramentos antigos e um antigo missal.
    Parecia que tudo estava resolvido, até que o pároco deu a palavra final: ele não iria celebrar Missa Tridentina porque seu maior sonho é um dia ser nomeado bispo e ele não faria nada pra prejudicar suas chances.
    Essa é a realidade: uma carreira dentro da Igreja é o que a maioria desses impostores buscam e pra preservar seus cargos, salários e posições de influência, são capazes de vender até a alma para o demônio.

  18. “Alguns trechos que reportam ao que D Jan Pawel Lenga se refere, atinentes aos conspiradores-mor contra a Igreja católica, os “imãos-bodes”, correspondências entre Vindice e Nubius-VN, os 2 mais eminentes satanistas da régua e compasso, em 1824:
    “O Papa, qualquer que ele seja, jamais virá às sociedades secretas: a elas cabe dar o primeiro passo em direção à Igreja, para vencer ambos.

    O trabalho que vamos empreender não é obra de um dia, nem de um mês, nem de um ano; pode durar vários anos, talvez um século; mas em nossas fileiras o soldado morre, mas a luta continua.

    Não queremos conquistar os Papas para nossa causa, faze-los neófitos de nossos princípios, propagadores de nossas ideias. Seria um sonho ridículo, e qualquer que seja o desenrolar dos acontecimentos, o fato de cardeais e prelados, por exemplo, terem entrado com satisfação ou com surpresa, em uma parte de nossos segredos, em absoluto não é motivo para desejar sua eleição para a cátedra de Pedro, pois esta eleição seria nossa perda. Somente a ambição os haveria conduzido à apostasia, mas a necessidade do poder os forçaria a nos imolar. O que devemos pedir, e o que devemos procurar e esperar, como os judeus esperam o Messias, é um papa de acordo com nossas necessidades (…)

    Assim podemos marchar com mais segurança ao assalto da Igreja do que com as liberalidades de nossos irmãos da França e mesmo da Inglaterra. Quereis saber a razão? Com ele já não precisaremos, para destruir a rocha sobre a qual Deus edificou sua Igreja, do vinagre mistificador nem da pólvora do canhão; já não precisaremos nem de nossos braços. Teremos o dedo do sucessor de Pedro comprometido com a conspiração, e nesta cruzada este dedo vale mais do que todos os Urbano II e todos os São Bernardos da Cristandade.

    Não temos dúvida que chegaremos a este resultado de nossos esforços, mas quando e como? A incógnita continua sem solução. Entretanto como nada nos deve separar do plano traçado, ao contrário, tudo deve tender para ele, como se desde amanhã o êxito viesse coroar a obra apenas esboçada, queremos com esta instrução, que para os simples iniciados permanecerá secreta, dar aos encarregados da Suprema Venda conselhos que deverão inculcar a todos os irmãos, sob a forma de ensinamento ou de memorandos (…).

    Para assegurarmos um Papa nas devidas proporções, devemos inicialmente preparar para este Papa uma geração digna do reino que sonhamos. Deixai de lado a velhice e a idade madura, procurai a juventude e se possível até as crianças (…) lhes conquistareis sem grande esforços uma dupla reputação de bom católico e patriota.

    Esta reputação fará chegar nossas doutrinas tanto ao meio do clero jovem, como no interior dos conventos. Dentro de alguns anos este clero jovem terá forçosamente ocupado todas as funções; será quem governa, administra, julga, forma o conselho soberano e será chamado para eleger o Pontífice que terá que reinar, e este pontífice como a maioria de seus contemporâneos, estará necessariamente mais ou menos imbuído dos princípios italianos e humanitários que começaremos a pôr em circulação. É um pequeno grão de mostarda que confiamos à terra; mas o sol da justiça o fará crescer até o mais alto poder, e um dia vereis a abundância de grãos que produzirá este grãozinho.

    Na rota que indicamos a nossos irmãos, há grandes obstáculos que teremos de vencer, e muitas dificuldades a superar. Triunfaremos graças à experiência e perspicácia; mas a meta é tão brilhante que devemos içar todas as velas para alcançá-la. Quereis revolucionar a Itália? Procurai o Papa de que acabamos de pintar o retrato. Se quereis estabelecer o reino dos eleitos sobre o trono da prostituta Babilônia, que o clero marche sob vosso estandarte, acreditando ir sempre atrás das bandeiras das Chaves apostólicas. Se quereis fazer desaparecer o último vestígio dos tiranos e opressores, lançai vossas redes como Simão Bar-Jonas; lançai-as não no fundo do mar, mas no fundo das sacristias, dos seminários, e dos conventos; e se não demorais, vos prometemos uma pesca mais milagrosa que a deles. O pescador de peixes se converteu em pescador de homens, vós os rodeareis de amigos junto à Cátedra Apostólica. Vós havereis pregado uma revolução em tiara e pluvial, marchando com a cruz e o estandarte, uma revolução que não precisará mais do que uma fagulha para incendiar os quatro cantos do mundo”.

    Vejamos ainda um extrato da carta de “Núbius” a “Volpe” de 3 de Abril de 1824:

    “Foi posto sobre nossos ombros uma pesada carga, querido Volpe. Devemos tornar imoral a educação da Igreja, devemos chegar por pequenos meios mal definidos porém bem graduados, ao triunfo da ideia revolucionária graças a um papa. Marchamos ainda tateando neste projeto que sempre me pareceu sobre-humano (…).
    AJUNTAM-SE de VN & ASS. AO ACIMA AS MODAS INDECENTES PARA AINDA MAIS PERVERTEREM A SOCIEDADE:
    Em 1928, o Papa Pio XI, escreveu: “Há um esquecimento triste da modéstia cristã, especialmente na vida e no vestuário da mulher”. (Carta Encíclica Redemptor Miserentissimus.)
    Católicos mundanos e sociedade secular responderam dizendo que a modéstia no vestir era regulada por “costumes e estilos de tempo, lugar e circunstâncias.” Eles incentivaram as mulheres a ignorar estas declarações da Igreja. Em vez disso, eles disseram, é a sociedade e a cultura que devem ditar o que é modesto e apropriado.
    Mas em suas publicações, os maçons tinham revelado o seu motivo e plano. É doloroso repetir a citação seguinte:
    “A religião não teme a ponta da adaga, mas pode desaparecer sob a corrupção. Não vamos nos cansar de corrupção: nós podemos usar um pretexto, como o esporte, a higiene, os recursos da saúde. É necessário corromper, que nossos meninos e meninas pratiquem o nudismo no vestuário. Para evitar muita reação, se teria que avançar de forma metódica: primeiro despir-se até ao cotovelo e, depois, até os joelhos, depois braços e pernas completamente descobertos, mais tarde, a parte superior do tórax, os ombros, etc. etc.” (International Review on Freemasonry, 1928).

  19. A carta do Arcbispo retrata fielmente aquilo que é notório na Igreja nos dias de hoje, até para um leigo minimamente esclarecido. Vou a missa todos os domingos, e nunca ouvi o padre falar em salvação da alma, inferno, purgatório, nos novíssimos, enfim, em coisas de Fé que parecem enterradas num passado não muito longínquo. Fala-se apenas o politicamente correcto: pobreza, problemas de relações pais/filhos, beleza de vida, enfim, chavões universais que também são importantes mas que causam menos barulho e não incomodam muito. Quantas almas se arrependiam e faziam penitência se estas coisas fossem proclamadas do pulpito!

  20. “Eu sou forçado a recorrer a este meio de expressão público porque receio que qualquer outro método seria recebido com um muro de silêncio e indiferença.” É esta realidade descrita pelo Arcebispo que algumas pessoas não veem ou não querem ver.

  21. É oportuno apresentar ao leitor alguns dados biográficos desse arcebispo valoroso para melhor sopesar suas palavras.

    Dom Jan Pavel Lenga nasceu em 1950 numa família polonesa que se mudou para a Letônia e depois para a Lituânia, nações então dominadas pela União Soviética. Em Vilnius entrou para a Congregação dos Padres Marianos da Imaculada Conceição; frequentou um seminário lituano clandestino, até ser ordenado secretamente em 1980. No ano seguinte foi ao Cazaquistão, onde praticou seu ministério sacerdotal durante dez anos. Em 1991 foi sagrado bispo por João Paulo II e nomeado Administrador Apostólico do Cazaquistão e da Ásia Central. Recebeu o título de arcebispo em 2003. Aos 61 anos, em 2011, apresentou sua renúncia (CDC, cânon 401 § 2), as razões não foram divulgadas. Voltou então para a Polônia, onde passou a residir na casa da Congregação dos Marianos.

    O arcebispo viveu tempos heroicos na Igreja clandestina, desde sua entrada no noviciado dos Marianos, depois no seminário, e que se prolongaram nos dez anos de vida pastoral como sacerdote debaixo do regime comunista. Vieram então as mudanças e a transformação do regime soviético. Nesta fase, atuou primeiro como bispo, e logo depois, como arcebispo.

    Com fundamento em sua larga experiência pastoral, Dom Lenga recentemente escreveu uma carta aberta sobre a crise na Igreja. É uma denúncia feita com convicção e amor à Igreja. Moveu-o pungente questão de consciência, o dever de se manifestar e não permanecer calado e omisso. Expõe o que lhe pareceu não ser lícito calar.

    Dom Lenga aponta que o Vaticano tomou o caminho do politicamente correto (segue o mundo e não a voz de Cristo). Alguns Núncios propagam o liberalismo e o modernismo (heresias condenadas por Pio IX e Pio X). As reuniões das Conferências Episcopais tratam de questões alheias ao múnus episcopal. Em não poucas delas os melhores bispos se tornam “persona non grata”. Nota-se em todos os níveis da Igreja uma diminuição evidente do espírito do sagrado. O espírito do mundo alimenta os pastores. Os pecadores é que dão à Igreja as instruções de como ela tem que servi-los. Diante dos lobos a maioria dos bispos se cala, deixando os fiéis abandonados como ovelhas sem defesa. Os que poderiam vir a ser os novos bispos, por seu zelo apostólico, coragem de anunciar a doutrina de Cristo e amor ao que é santo e sagrado, são deliberadamente eliminados.

    Dom Lenga se refere a Bento XVI, e conta que no início de seu pontificado lhe enviou uma carta suplicando que nomeasse bispos virtuosos. Constata que obviamente o pontífice com frequência não foi bem sucedido nessa questão. E afirma que é difícil acreditar que ele tenha renunciado livremente. É matéria muito grave e já foi aventada por vaticanistas.

    Dom Lenga propõe então outra questão delicadíssima: “um grande segredo que existe no Vaticano”. Não diz qual é, mas não é difícil vislumbrar qual seja. Pois cita em seguida uma declaração de uma loja maçônica italiana, feita por volta do ano de 1820, que apresentou a agenda maçônica de infiltração na estrutura eclesiástica católica. E considera que não foi sem razão que Paulo VI afirmou: “por alguma fresta da Igreja, o espírito de Satanás penetrou no interior da Igreja”. E a fenda atualmente está bastante ampla, reconhece.

    Como remédio, Dom Lenga propõe “retornar à proclamação precisa e clara do Evangelho em todos os níveis do ministério eclesiástico”. Para ele, a Igreja “não pode adaptar-se ao espírito do mundo, mas deve transformar o mundo com o espírito de Cristo”. Está convicto de que, para a saída dessa crise e renovação da Igreja, Deus vai se servir dos sacrifícios, lágrimas e orações dos verdadeiros fiéis, considerados insignificantes e marginalizados.

    Convém ressaltar um ponto muito importante apontado por D. Lenga: a gravidade do pecado de prelados da Igreja que se iniciaram nos segredos das lojas. É o provável “grande segredo que existe no Vaticano”. Com efeito, a Irmã Maria Angélica Millet (1879-1994) recebeu, em 1919, uma revelação de Nosso Senhor sobre o estado da Igreja. “É horroroso o que Ele me disse. Ele me mostrou a franco-maçonaria sacerdotal. Ele estava muito triste, triste a ponto de me deixar ver as lágrimas em seus olhos, ao me dizer: ‘Eu tenho sacerdotes coligados contra mim. O SACERDÓCIO ENTROU NO SEGREDO DE SATÃ, ele me entregou ao seu ódio e meu Coração é de novo transpassado por ele” (Servant, Michel. “Veillez et Priez car l’heure est proche”. Saint Germain en Laye, 1972, pp. 84-5).

    A agenda maçônica foi executada com êxito. Ademais, a B’nai B’rith circula pelos corredores vaticanos e Francisco é o anfitrião comprazido dos rabinos na Casa Santa Marta. A face da Santa Igreja está cada vez mais irreconhecível. Cristo Nosso Senhor está atento às almas generosas e despretensiosas, esquecidas de sua carreira pessoal, que nessa hora trágica o consolam com suas lágrimas, orações e valiosíssima imolação. Rezemos para que tenha forças o valoroso Arcebispo que sorveu o cálice de seu holocausto.