Nunca poderá haver oposição entre “ação pastoral e doutrina”: Cardeal Piacenza refuta Kasper.

ROMA, 18 de fevereiro de 2015 – LifeSiteNews.com | Tradução: Fratres in Unum.com – Misericórdia e verdade nunca podem estar separadas, e certamente nunca devem ser contrapostas uma a outra, enfatizou o Cardeal Mauro Piacenza em seu discurso no mês passado a uma assistência de padres na Alemanha.

5f3b328dc9e5021d16da86c25a5b8dbeUma vez que diversos líderes da Igreja fazem pressão para que haja mudanças em sua com relação à distribuição da Comunhão, o cardeal refutou a noção de que os ensinamentos morais católicos devam ser ignorados, a fim de que a Igreja dispense “misericórdia”.

O Cardeal Piacenza, que atua como chefe da Penitenciaria Apostólica, um dos três supremos tribunais da Igreja, afirmou: “Quando no cristianismo misericórdia e verdade são apresentados como antagônicas ou, ao menos, como contraditórias, isso resulta sempre em uma percepção parcial.”

“Dificilmente se pode conceber que poderia haver uma ênfase tão forte sobre a misericórdia em detrimento da verdade. Ou, seu oposto, uma forte ênfase na verdade em detrimento da misericórdia.”

O cardeal rejeitou a proposta apresentada pelo Cardeal Walter Kasper e seus seguidores no Sínodo dos Bispos, em outubro, de que é possível existir uma “oposição artificial entre doutrina e atividade pastoral.”

“No cristianismo”, disse ele, “misericórdia e verdade são co-inerentes e inseparáveis, de modo que não podem ser propriamente distinguíveis”. A misericórdia e a verdade, acrescentou, “estão unidas sem confusão e são distintas sem separação… Uma misericórdia sem verdade não é cristã e, ao mesmo tempo, verdade sem a misericórdia não é cristã”.

“A cada caso em que a atividade pastoral se contrapõe à doutrina — uma atividade pastoral que está cheia de misericórdia em oposição à doutrina repleta de uma verdade fria e impiedosa – nós nos revelamos prisioneiros de uma estrutura pré-cristã, em que a verdade e a novidade radical do Verbo encarnado [Cristo] ainda não estão suficiente e adequadamente integradas.”

Ele afirmou que essa “polarização ocorre” com “certa legitimidade”, mas ela deve ser entendida “dentro dos limites de ‘uma e outra'” sem cair de “maneira destrutiva na dicotomia ‘ou uma ou outra’, o que não é católico.”

Em seu discurso, intitulado “A misericórdia e a verdade se encontrarão”, Piacenza citou os salmos para ilustrar o verdadeiro significado da doutrina católica, dizendo: “’O Amor e a Verdade se encontrarão.’ Temos uma nova realidade, que não é feita por mãos humanas; é algo a ser almejado e intensamente esperado, mas que somente se concretizará como dom de Deus.”

Ao abordar o tema favorito do Cardeal Walter Kasper e seus seguidores da ala “progressista” da Igreja, Piacenza disse: “Devemos reconhecer o primado da consciência”, mas acrescentou que isso se deve entender no contexto do “primado da verdade”.

“Apesar da negação dramática da verdade objetiva em nossa época”, disse o cardeal, “… podemos perceber a necessidade dramática da verdade no coração de cada homem, uma necessidade irreprimível e inevitável, porque ela é colocada pelo próprio Deus no coração do ser humano, quando ele disse: ‘Façamos o homem à nossa imagem e semelhança.’ … À imagem de Deus Ele o criou.”

Segundo ele, “o sacramento da confissão é aquele encontro supremo com a misericórdia oferecida por Deus ao homem e a verdade sobre o homem e sua relação com Deus, a quem ele é chamado a reconhecer.”

O Cardeal Piacenza disse que um “bom confessor guiará” o penitente para reconhecer “uma verdade objetiva que vem de fora de si mesmo, porque ela é dada e revela-se como a condição para uma experiência autêntica e objetiva da misericórdia.”

O gabinte de Piacenza é responsável pela concessão ou indeferimento de dispensas às disciplinas sacramentais da Igreja. Alguns pecados são considerados tão graves pela Igreja que não podem ser tratados ao nível local do pároco ou até mesmo do bispo, mas estão “reservados à Santa Sé”, incluindo a profanação da Sagrada Eucaristia, considerada como verdadeiramente o corpo e sangue de Cristo.

A Penitenciaria Apostólica, chamada de “tribunal da misericórdia”, é o órgão do Vaticano responsável por conceder ou negar dispensas às disciplinas sacramentais da Igreja, tal como determinar como e quando conceder a absolvição para aqueles que foram automaticamente excomungados “latae sententiae” ou por suas próprias ações. Este é o caso de pecados graves como o aborto.

Seu gabinete talvez seja o mais próximo, em um nível humano, das questões que causaram uma polêmica mundial no ano passado, em particular, a proposta de permitir que católicos divorciados e recasados ​​civilmente recebam a Sagrada Comunhão sem mudar seu modo de vida. Um católico em um estado de pecado grave ou “mortal” não pode receber a Comunhão até fazer uma confissão sacramental válida, o que implica, pelo menos, na intenção declarada de nunca mais cometer o pecado novamente.

Alguns bispos e cardeais que se opuseram à proposta do Cardeal Kasper salientaram que isso obrigaria os sacerdotes a distribuir, de maneira consciente, a Comunhão a pessoas em condição objetivamente pecaminosa, o que constituiria um ato de profanação deliberada.

A verdade cristã, disse ele, nunca é “uma vara empunhada contra o outro”, mas sim um “chamado para uma relação autêntica, que seja capaz de levar o homem à realização de si mesmo: seu relacionamento com Deus”.

9 Comentários to “Nunca poderá haver oposição entre “ação pastoral e doutrina”: Cardeal Piacenza refuta Kasper.”

  1. Quem criou essa oposição entre ação pastoral e doutrina foi o Vaticano II, o “super concílio”.

  2. Acabou de ganhar uma passagem pra Nárnia !!!

  3. Sob os parâmetros religiosos católicos nos quais não se permite a dissociação da doutrina com a prática é um paradoxo admitirem-se ideias revolucionarias, apontando para ações de comunistas, para os quais inexiste a verdade, tendo em vista o Dilma falou antes das eleições e depois de eleita está implementando, sendo que no DNA marxista a mentira faz parte do cerne dos membros e do doutrinário da seita.
    Assim sendo, concordar com a dissociação doutrinaria católica da prática, incorre no mesmo que os laboratorios de engenharia social marxistas fazem: apregoam uma, mas agem diferentemente do proposto na prática – apenas ciladas – levando a crer que o objetivo dessas ações dos defensores desse projeto, como o suspeito de ser infiltrado na Igreja, Cardeal Walter Kasper e associados, seja destruir o cristianismo, alienarem e relativizarem as mentes para mais facilmente lhes poderem inculcar as ideologias niilistas, tantas por aí para escravizarem o povo, enquanto teoricamente propagam em contrario, de livrar as pessoas da opressão promovida pela intolerância e discriminação da Igreja a certos grupos.
    Procedimento tal qual a Serpente do Éden; ou será ela mesmo em pessoa?

  4. Próximo passo desse lunático infernal: elaborar o estudo-base (sic!) de uma encíclica que declarará a obsolescência (senão a inutilidade) do sacramento da Confissão.

    Meu Deus, meu Deus, até quando tardareis?

    KYRIE ELEISON!!!

  5. A “igreja dos pobres e para os pobres”, tal como Francisco presume instituir, não pode mesmo olhar para trás como, aliás, o mesmo Francisco determina: não recorrer ao Magistério anterior nas questões consultivas que ele, diletantemente, insistiu em propor. Não foi isso que ele pediu aos Bispos, ou seria esse mais um golpe da imprensa má, feia e boba que denigre o Papa? Então, de duas uma:

    a) ou tudo que se lê na vida dos Santos e no Magistério, sobre os males do pecado, seria balela e fruto de mentes doentias e oprimidas pela “culpa cristã”;

    b) ou tudo é verdade e Francisco e os seus seguidores arriscam empurrar para o inferno um sem número de pessoas que vivem em pecado habitual (os sodomitas e os ditos recasados).

    Decidam os conservadores, avestruzes, obedientinhos, moderados e caterva esse dilema. Faz tempo que muitos outros optaram, cada um conforme a graça de ser católico ou deixar de sê-lo (clamorosamente).

    Viva Piacenza e seu belo cordão de ouro (foto)!

  6. “O Diabo se infiltrará até mesmo na Igreja de tal um modo que haverá cardeais contra cardeais, e bispos contra bispos. Serão desprezados os padres que me veneram e terão opositores em todos os lugares. Haverá vandalismo nas Igrejas e altares. A Igreja estará cercada de asseclas do Demónio que conduzirá muitos padres a lhe consagrar a alma e abandonar o serviço do Senhor”.

    “O Demónio especialmente dirigirá sua ira contra almas consagradas a Deus. O pensamento da perda de tantas almas é a causa de minha tristeza. Se os homens aumentarem ainda mais seus pecados em número e gravidade, já não haverá nenhum perdão para eles».

    – Nossa Senhora em Akita, Japão (1973-1981)

  7. ‘A pastoral não pode contrariar a Doutrina’: acabaram de descobrir a roda no Vaticano pós Pio XII… Deus tenha piedade de nós, se os pastores acham que isso é novidade…

  8. Quando os Cardeais Müller, Burke, Piacenza e todos os que resistem à revolução bergogliana, se convencerão que a moral católica sobre família e castidade se encontram sob ataque relativista por causa justamente do relativismo da década de 60 que tomo conta do clero após o Concílio Vaticano II?

  9. Tendo lido o discurso do Cardeal kasper aqui: ( http://www.ihu.unisinos.br/noticias/529220-misericordia-e-verdade-para-os-divorciados-em-segunda-uniao-artigo-de-walter-kasper ), e as seguintes palavras dele aqui:” Ao contrário, é preciso perguntar a sério se nós acreditamos realmente no perdão dos pecados, como professamos no Credo, e se acreditamos realmente que alguém que cometeu um erro, se se arrepende e, não o podendo eliminar sem nova culpa, porém, faz tudo o que lhe é possível, pode obter o perdão de Deus. E então podemos nós refutar-lhe a absolvição? Seria esse o comportamento do bom pastor e do samaritano misericordioso?” nos perguntamos se realmente essas palavras estão divorciadas da verdade. Como ele disse no seu discurso, a comunhão para recasados não deve ser tomado de modo geral, mas de modo específico. No discurso ele não defende nem prega a comunhão para todos os recasados, está bem claro isso, não entendemos como podem ampliar demais as possibilidades apresentadas por ele. Quem está em pecado grave obviamente não pode receber a comunhão, a questão é e como ficam aquelas pessoas que se enquadram nas palavras de kasper? Somente casos específicos e não gerais enquadram-se nas palavras de kasper acima citadas, as quais não encontramos nenhum divórcio entre misericórdia e verdade. Um divorciado pode ou não pode se converter? Se a resposta for sim, então temos ai um caso específico a ser estudado pelo Pároco e pelo Bispo. Qual é a real situação dele: tem volta ou não tem mais volta? Estamos falando do reato ao matrimônio legítimo. Se tiver volta tudo bem, mas a questão é da impossibilidade moral e psicológica do reato: essa pessoa pode ou não pode mais se converter? Temos aqui, repito, um caso específico, não geral. Não se fala de todos os divorciados, mas dos divorciados que querem viver uma conversão, mas que se encontram numa situação onde é impossível, pelo menos moralmente, eliminar seus erros sem nova culpa, ou seja, sem que possam restabelecer a primeira ordem. Essas pessoas específicas podem ou não podem se converter? Essas pessoas específicas devem ou não devem se converter? Nesse caso é impossível separar a misericórdia da verdade. Mas e quando Jesus disse ser a verdade, que foi que Ele quis dizer? Acaso não seria que a Pessoa Divina de Jesus é a Verdade? Se a Pessoa de Jesus é a Verdade, então a verdade objetiva se une à verdade subjetiva e vice – versa.

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