Franciscanos da Imaculada: Golpe de cena, Padre Volpi rejeita o acordo que havia assinado.

Por Mauro Faverzani – Corrispondenza Romana | Tradução: Gercione Lima – Fratres in Unum.com: Padre Fidenzio Volpi, Comissário imposto à Ordem Apostólica dos Frades Franciscanos da Imaculada, sempre consegue surpreender. Em 12 de fevereiro, assinou livremente um ato de mediação com a família do padre Stefano Manelli, fundador do Instituto, o qual evitou o “processo civil por alegada difamação pendente no Tribunal Ordinário de Roma, seção Civil I.”

E eis que já no dia 18 de fevereiro, apenas seis dias mais tarde, ele emite uma circular interna, publicada no site oficial da Congregação, em que retira tudo e comunica “a vontade de deixar de cumprir o acordo assinado, considerando-o já não mais válido devido a negligência grave da outra parte”. Não está claro e não explica o que seria essa  “violação grave”.

Que a notícia do acordo apareceria em tudo que é agência de notícias, sites e blogs de todo o mundo é mais que óbvio. Que nem todos a tenham divulgado com uma linguagem juridicamente apropriada, pode até ser. Mas não no nosso site. Nós apresentamos essa notícia nos termos apropriados. E para que não restem dúvidas, apresentamos o original, para que todos possam julgar e ver como estão as coisas. Mas tudo isso não tem nada a ver com o ato em si considerado. Ato que é ou não é. E, como tal, não é rejeitável segundo o que lhe der na veneta.

Com tal documento – repetimos, assinado livremente – Padre Volpi admitiu  “o não-envolvimento dos familiares do padre Stefano Maria Manelli, reafirmando a estranheza absoluta” dos mesmos “em qualquer operação considerada ilegal e, portanto, contestada pelo próprio Comissário Apostólico, sobre a alegada transferência da disponibilidade dos ativos do Instituto dos Frades Franciscanos da Imaculada”. Desmentindo assim suas declarações anteriores, de caráter totalmente oposto, contidas em uma carta de 8 de Dezembro de 2013. Declaração, agora mais uma vez afirmada em sua recente circular, na qual, contrariando a mediação de 12 de fevereiro, parece voltar às velhas acusações, julgando-as  imunes  de  “caráter de falsidade” e de fato “facilmente verificáveis”. Ou seja, a sua afirmação de que os “bens do Instituto” teriam sido colocados à disposição de terceiros, “entre outros, certos membros da família do Padre Manelli.”

Ora, então tecnicamente a rescisão do documento assinado na frente do mediador do Tribunal de Justiça, portanto, um oficial do judiciário, fica parecendo improvável, senão impossível. Nada parece atribuível aos familiares do Padre Manelli, então, rebus sic stantibus, salvo algumas cláusulas ou notas de rodapé, dificilmente a retirada anunciada poderá surtir algum efeito. De qualquer modo, resta a questão básica: é verdade ou não é verdade o que o Padre Volpi disse e assinou? Este é o único aspecto a considerar. Como Padre Volpi explica ter declarado seis dias antes a estranheza absoluta do envolvimento da família do Padre Manelli em “qualquer operação considerada ilegal, sobre a alegada transferência da disponibilidade dos ativos do Instituto dos Frades Franciscanos da Imaculada” e, seis dias mais tarde, declarar ser verdadeiro e verificável  que os bens do Instituto “foram colocados” à disposição, entre outros, de certos membros da família do Padre Manelli ? Tratando-se de duas versões diametralmente opostas, em qual das duas deveríamos acreditar?

Padre Volpi tecnicamente tem razão quando declara não ter sido jamais “condenado por qualquer crime, ou submetido a algum processo penal”. Mas isso simplesmente porque o ”acordo de mediação” aqui mencionado, e que foi assinado por ele, como ele mesmo admite, “tinha como único objetivo evitar a continuação do processo civil junto ao Tribunal de Roma, com os custos adicionais por conta do Instituto”. Despesas essas que, por sua vez, agora parece que o Instituto será instado a custear para levar avante uma questão que diz respeito unicamente às declarações escritas por ele em 2013 e que agora se veem novamente sujeitas a desagradáveis ​​consequências judiciais.

É realmente um triste cenário proposto pela Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, aquele em que, com o decreto n. 52741/2012, afastou os vértices dos Franciscanos da Imaculada e impôs Padre Volpi como comissário apostólico. O Secretário da Congregação, Dom José Rodriguez Carballo, permanece envolvido no maxi-escândalo que abalou a Ordem dos Frades Menores, um escândalo que levou a uma investigação da Procuradoria Suíça por tráfico ilícito com a apreensão de dezenas de milhões de euros, bem como a fiscalização do passivo sobre o hotel “Il Cantico” de Roma. Agora, Padre Volpi, que antes quis evitar a todo custo um processo por difamação ao assinar uma mediação, então — com a decisão, talvez um tanto demais   emocional e temperamental — retira tudo, considerando que já não é válida, como se o que ele declarou ontem não valesse mais hoje .

No último dia 22 de dezembro, Papa Francisco, nas saudações de Natal à Cúria Romana, defendeu uma Igreja de “saneamento” frente às “doenças da Cúria” – conforme definia, para incluir aí “fofocas, murmurações, maledicências” tanto quanto o “acumular” e muito, muito mais — Não teria então chegado o momento de começar a fazer a limpeza naqueles pontos que estão mais à sombra, naqueles onde melhor se esconde a sujeira? (M.F.)

3 Comentários to “Franciscanos da Imaculada: Golpe de cena, Padre Volpi rejeita o acordo que havia assinado.”

  1. Não conheço a legislação italiana. Mas, aqui no Brasil, se houver entre as partes um acordo homologado judicialmente, não cabe mais a nenhuma delas qualquer juízo de oportunidade quanto a cumprir com a obrigação assumida. A parte adversa pode exigir o cumprimento do acordado e executar o acordo. O não cumprimento pode acarretar sanções civis e (dependendo da existência de uma ordem judicial neste sentido) até mesmo penais.

    Uma vez que nossas leis processuais civis costumam imitar as italianas, creio que lá as coisas não sejam muito diferentes. E o sistema for o mesmo, o Pe. Volpi está fazendo jogo de cena.

  2. Rejeita o acordo que havia assinado com os Franciscanos da Imaculada mas assinam com Lutero.
    Quanta hipocrisia! Que devemos esperar mais?

  3. Isso tudo é culpa do FHC.