E que tal Henrique VIII?

O Cardeal George Pell, secretário para a Economia, tem sido alvo de ataques no que alguns chamaram de retorno dos Vatileaks. Evidentemente, isso só ocorre por conta de seu claro posicionamento em favor da família. Não se vê vazamentos nem torpedos contra Kasper, Paglia, Marx…

* * *

Por Cardeal George Pell | Tradução: Teresa Maria Freixinho – Fratres in Unum.com: Curiosamente, o rígido ensinamento de Jesus de que “portanto, não separe o homem o que Deus uniu ” (Mt 19: 6) não ocorre muito tempo depois de sua insistência a Pedro sobre a necessidade do perdão (cf. Mateus 18: 21–35).

Cardeal George Pell.

Cardeal George Pell.

É verdade que Jesus não condenou a mulher adúltera que fora ameaçada de morte por apedrejamento, mas Ele não lhe disse para continuar do mesmo jeito ou ir levando a vida sem se modificar. Ele lhe disse para não mais pecar (cf. João 8: 1–11).

Uma barreira intransponível para aqueles que defendem uma nova disciplina doutrinal e pastoral a fim de receber a Sagrada Comunhão é a unanimidade quase completa de dois mil anos de história católica sobre esse assunto. É verdade que os ortodoxos têm uma tradição de longa data, embora diferente, que lhes foi imposta originalmente por seus imperadores bizantinos, porém, essa nunca foi a prática católica.

Alguém talvez alegue que as disciplinas penitenciais nos primeiros séculos antes do Concílio de Nicéia eram muito rigorosas, uma vez que eles discutiam se os culpados de assassinato, adultério ou apostasia poderiam ser reconciliados pela Igreja com suas comunidades locais uma única vez — ou nunca. Eles sempre reconheceram que Deus poderia perdoar, mesmo quando a capacidade da Igreja de readmitir pecadores à comunidade era limitada.

Esse rigor era a norma no tempo em que a Igreja estava se expandindo em número, apesar da perseguição. Não se pode ignorá-los, tanto quanto não se pode ignorar os ensinamentos do Concílio de Trento ou de São João Paulo II ou Bento XVI sobre o matrimônio. Será que as decisões que se seguiram ao divórcio de Henrique VIII foram totalmente desnecessárias?

13 Comentários to “E que tal Henrique VIII?”

  1. Já to vendo tudo… A Missa por ocasião do fechamento do sínodo, será com a beatificação de Henrique VIII. Deus tenha piedade!

  2. Na verdade, Henrique VIII queria a nulidade de seu primeiro casamento, com algum fundamento em parentesco, o que não foi aceito pelo Papa. Ele não estava pedindo divórcio, mas sim uma declaração de nulidade.

  3. E Napoleão Bonaparte? E a Marquesa de Santos? E alguns antigos reis da Boêmia e mesmo de Portugal? A prática nem sempre foi fiel à doutrina.

  4. Houve um sacerdote de nome João Semeria que. antes e depois da Pascendi, mantinha estreita relação com os mais renomados modernistas da época; sua obra deixava sintomas de afeição ao liberalismo contemporâneo, e quem sabe, talvez houvesse convicção pessoal em levar à frente seus ideais relativistas.
    Conta-se que “Pio X censurou-o um dia, porque tendo recebido tantos dons de Deus para fazer o bem, os empregava em escrever livros não conformes com os ensinamentos da Igreja. Semeria respondeu que o fazia para pôr a religião ao alcance de todos. O Papa S Pio X então acrescentou: – “Alargais as portas para que entrem os que estão de fora, mas entretanto obrigais a sair os que estão dentro”.
    Não se amolda ao caso das prováveis novidadeiras concessões que alguns suspeitos cardeais almejam para angariarem “católicos”, como aos amasiados e homôs?
    Não haveriam muitas dúvidas que o eminente Cardeal Pell estaria na lista dos “politicamente incorretos” e pelo mesmo fato, ou enquadrar-se ou ser lançado na caldeira, pois no recente Sínodo das famílias esteve muito atuante na defesa dos tradicionais principios da Igreja referentes ao indissolúvel sacramento do matrimonio!
    Outra aqui que caberia do mesmo S Pio X:
    “Tomem severas medidas para combater a fome, a peste, a pobreza, as impurezas da atmosfera e contemple com complacência a contaminação dos espíritos”,

  5. Quem tem o livro IOTA UNUM de Romano Amerio, que é um estudo sobre as mudanças na Igreja Católica após o Vaticano II, poderão ler no Capítulo XXII-180, o seguinte texto sobre o valor da Indissolubilidade:

    “A rejeição da indissolubilidade viola não apenas a lei sobrenatural, mas também a lei natural da qual a Igreja sempre foi defensora e guardiã. Na proposição 67 do Syllabus, Pio IX condenou a doutrina segundo a qual “pelo direito natural o vínculo matrimonial não é indissolúvel, e em muitos casos pode a autoridade sancionar o divórcio propriamente dito”.
    Não é possível portanto aceitar o argumento de que uma vez que a indissolubilidade deriva simplesmente de uma obrigaçãoo religiosa, ao Estado é permitido dissolver o vínculo daqueles que não se consideram sujeitos a uma obrigação de tal gênero.
    Como Sacramento, o matrimônio é a figura e a realizaçãoo da união indissolúvel entre Cristo e sua Igreja e é esse misterioso significado que dá ao matrimônio entre Católicos sua indissolúvel e permanente qualidade. Mas mesmo sem o seu caráter sacramental, o casamento in puris naturalibus é intrinsicamente indissolúvel e sua redução a uma união temporária é resultado da mentalidade modernista que coloca a pessoa acima da lei, fazendo dela seu próprio auto-legislador independente. Visto dessa perspectiva o divórcio pode ser redefinido como “liberdade do casamento”. O casamento deixa de ser uma instituição dotada de estrutura própria, que alguém livremente decide abraçar, para se tornar algo construído inteiramente segundo a vontade de cada um. Se a fundação da obrigação moral é colocada no sujeito ao invés do próprio objeto, então não existe tal coisa como obrigação, mas apenas uma auto-obrigação não vinculante.
    Alega-se portanto que um contrato que vincula para sempre é impossível já que o ser humano não tem como saber se ele desejará ou acreditará amanhã no mesmo que ele acredita ou quer hoje e porque o seu presente real não pode estar sujeito a um passado que não mais existe. Esse é o sofisma de Hummes que ao negar qualquer conexão de causa-efeito entre os sucessivos estados de consciência, vê a vida humana como algo volátil, como uma série de pontos independentes e desconexos. O resultado é a negação da própria liberdade, pois se a liberdade é a capacidade de escolher algo, também é a capacidade de escolher livremente uma de suas próprias ações e se fixar nela.
    De acordo com São Tomás de Aquino, uma das características da vontade ou arbítrio é se fixar em um número possível de julgamentos. Então porque a vontade não poderia se fixar em si mesma? Fixar a vontade em um único objeto e atingir seu total destino em um instante é a característica da perfeição da natureza angélica de acordo com São Tomás. Pois o fato da vontade humana se fixar num permanente e irrevogável pacto só pode ser visto como imitação da estabilidade angélica por parte de uma natureza constantemente mutável e portanto uma vitória sobre mobilidade e o tempo.
    Assim portanto, a Doutrina Católica da indissolubilidade do casamento é a grande celebração do poder da liberdade. Segue-se então que toda tentativa de enfraquecer essa doutrina de modo a se tornar “mais humano”, na verdade não faz outra coisa senão enfraquecer o principio da dignidade humana.
    Através de sua intransigente permanência, a indissolubilidade do casamento se eleva acima dos votos religiosos. Os votos religiosos apesar de serem da mesma natureza, são menos excelentes do que os votos matrimoniais, já que podem ser dispensados, como de fato houve uma enxurrada de dispensas de votos religiosos no período pós-conciliar, o que fez com que se baixasse consideravelmente seu nível de excelência quando comparados com a permanente comunhão de vida no Sacramento do Matrimônio”.

    Pois bem, esse texto nos leva a deduzir alguns fatos interessantes. Em primeiro lugar nos mostra o quão longe os homens que estão no vértice da Igreja se afastaram da Doutrina que eles juraram custodear e transmitir. O nível de apostasia chegou a um nível insuportável. Por outro lado, poucos deles são fiéis a seus votos religiosos de pobreza, obediência e castidade, portanto se vêem tais votos como um peso insuportável obviamente muito mais insuportável em sua visão, é a indissolubilidade para aqueles “Católicos Vinícus de Moraes”: “que seja eterno enquanto dure”.
    E eles estão obstinados em jogar por terra essa Doutrina. Portanto é natural que qualquer um que ponha entraves a seus planos sejam perseguidos, afastados, caluniados, sabotados. Não é mais a fumaça de Satanás no Santuário…são todos os demônios encarnados e vestidos de vermelho ditando regras e exigindo obediência.

    • Gercione, acho que em vez de Hummes (talvez um lapsus mentis?), você queria dizer Hume, o filósofo empirista, ou não?

  6. Sim Luciano, eu estava traduzindo direto do meu exemplar do Iota Unum em inglês e sei lá porque cargas dágua o espírito do herege Cláudio Hummes, me confundiu…rs.
    É o filósofo Hume mesmo.

    • Palavras da moda: herege, herético, heresia…
      Com todo respeito, mas se julgas assim, isto mina grande parte dos seus comentários, mesmo que tenha sido uma brincadeira…

    • HEREGE: adj. Que professa uma heresia ou pratica doutrinas contrárias aos dogmas concebidos pela igreja.
      Diz-se do cristão que pratica o catolicismo, mas se contradiz por questionar certas verdades estabelecidas pela doutrina católica.”

      fonte: http://www.dicio.com.br/herege/

      Como podes ver caro Athos Falconi, de acordo com a definição até dos dicionários “laicos” a palavra herege se aplica perfeitamente àqueles nomeados pela Gercione Lima. Não é porque “não usam mais” essas palavras que elas tenham perdido seu significado e utilidade…

      Paz e Bem!

  7. Torres,

    Sim. Infelizmente, já houve casos em que pressões políticas conseguiram nulidades vergonhosas. Mas essas foram pontuais. Kasper quer transformar a vergonha em regra.

  8. Athos Falconi, eu nunca considerei como “minados” os ensinamentos do grande Papa Pio X, por ele ter chamado o MODERNISMO de síntese de todas as heresias.
    Vá ler a PASCENDI pra entender porque o clero modernista que está dando as cartas hoje em dia ou é herege de carteirinha ou tem discursos e teses que cheiram a heresia.
    O grande problema no mundo Católico é que o sal perdeu o sabor, os cristãos que ainda se orgulham desse nome, se tornaram mornos e de tanto chafurdar na lama do pecado, do relativismo e da indiferença, só se chocam ou ficam indignados quando alguém lhes diz que a lama na qual se encontram mergulhados fede. É triste, mas alguns indivíduos passaram a sofrer de anosmia – a perda do olfato que é a incapacidade de sentir cheiros.
    Qualquer pessoa normal sabe diferenciar um aroma agradável e automaticamente repudiar cheiro de putrefação. Mas aqueles que foram privados do olfato, ou seja, da capacidade de sentir cheiros, ou já se acostumaram com o cheiro, bom ou mau de um determinado ambiente que para eles não há mais reação positiva ou negativa ou simplesmente se tornaram indiferentes.
    Daí se entende porque uma pessoa que trabalha o dia inteiro no lixão, não se incomoda mais com o fedor do lixo enquanto outra acostumada ao bom cheiro de ambientes limpos, sente vontade de vomitar quando passa perto de um aterro sanitário.
    Na vida espiritual ocorre o mesmo! Um Católico que está com o “Sensu Fidei” em dia, reage instantaneamente quando uma doutrina ou ensinamento tem cheiro de heresia. Ele consegue identificar claramente bafos de liberalismo teológico, odores de evolucionismo e muita podridão comunista embutida nos ensinos da teologia da libertação. Sem falar num certo “sopro” ou “vento” que sopra onde quer espalhando o mau cheiro do protestantismo!
    Já aqueles que sofrem de anosmia espiritual, só se incomodam quando alguém diz que essa ou aquela doutrina tem cheiro de heresia.

    • Cara Gercione,
      Obrigado pela gentil e longa resposta!

      De todo modo, pedindo licença para usar a sua analogia, ‘por mais apurado que seja o olfato’, isto não nos permite afirmar, em especial de modo público e categórico, que alguém seja herege, antes que a Igreja se pronuncie!

      Isto definitivamente não é Católico!