Entrevista do Cardeal Burke ao Rorate-Caeli.

Por Rorate-Caeli | Tradução: Fratres in Unum.com – Na semana passada, Rorate caeli entrevistou o Cardeal Raymond Burke por telefone a respeito de diversos temas. Nada ficou fora de discussão nessa entrevista, e Sua Eminência foi incrivelmente generoso com o tempo dele. Ele mostrou-se brilhante e ainda muito humilde. Temos que reconhecer e apreciar seu cuidado e preocupação para com os católicos tradicionais.

Nesta entrevista abrangente, Sua Eminência falou sobre tópicos extraídas de notícias, como, por exemplo: Autoridades do Vaticano que ameaçam processar blogueiros; mais sacerdotes que se submetem à sua autoridade, o desmantelamento dos Franciscanos da Imaculada; e como os católicos tradicionais podem salvar suas almas neste mundo moderno — e obter para seus filhos os sacramentos no rito tradicional em face dos bispos dissidentes; o celibato sacerdotal; a confusão diária do Papa Francisco; e muito, muito mais.

Archbishop Raymond Burke

AUTORIDADES DO VATICANO AMEAÇAM PROCESSAR BLOGUEIROS

Rorate Caeli: Eminência, muito obrigado por ter aceitado nos conceder esta entrevista. Como o blog internacional mais lido por católicos tradicionais, acreditamos que esta entrevista dará muita esperança aos nossos leitores, assim como aos católicos de mentalidade tradicional em todo o mundo. A nossa primeira pergunta é a seguinte: Recentemente, os católicos tradicionais ficaram atordoados com a notícia de que dois funcionários do Vaticano ameaçaram processar blogueiros e jornalistas tradicionais católicos. O senhor concorda com essa abordagem, e o senhor acha que devemos estar preparados para ver essa atitude com mais frequência no futuro?

Cardeal Burke: A não ser que o blogueiro tenha difamado o bom nome de alguém de maneira injusta, certamente, não acho que esse seja o modo como nós, católicos, devemos lidar com essas questões. Creio que devem ser feitos contatos. Presumo que o blogueiro católico tenha agido de boa fé, e se houver alguém na hierarquia que esteja chateado com ele, a maneira de lidar com esse assunto seria, em primeiro lugar, abordar a pessoa diretamente e tentar resolver o problema dessa forma. No Evangelho de São Paulo aos Coríntios, Nosso Senhor nos orienta a não levarmos nossas contendas à esfera civil e diz que devemos ser capazes, como católicos, de resolver essas questões entre nós. (cf. Mt. 18:15; 1 Cor. 6:1-6)

CONFUSÃO VINDA DO PAPA FRANCISCO

Rorate Caeli: Após oito anos sob o Papa Bento XVI, o clero, os leigos e até mesmo a mídia se habituaram à clareza. Com tanta confusão gerada a partir das declarações diárias do Papa Francisco, confusão vinda do Sínodo, etc., será que não seria melhor nos concentrarmos mais em nível local e paroquial e na Tradição da Igreja, em vez de buscarmos orientação específica de Roma em questões atuais?

Cardeal Burke: Sim, penso que, de fato, o Papa Francisco tenha dado essa indicação. Por exemplo, em sua Exortação Apostólica, Evangelii Gaudium, ele diz que não a considera um ensinamento magisterial. (Cf. 16) Com alguém como o Papa Bento XVI, tínhamos um mestre, que nos dava catequese extensa sobre vários temas. Agora eu digo às pessoas que, se elas estão se sentindo confusas por causa do método de ensino do Papa Francisco, o importante é nos voltarmos para o catecismo e para aquilo que a Igreja sempre ensinou, e ensinar essas coisas, promovendo-as em nível paroquial, a começar pela família. Não podemos perder a nossa energia nos sentindo frustrados com uma coisa que achamos que deveríamos estar recebendo e não estamos. Em vez disso, sabemos com certeza o que a Igreja sempre ensinou, e precisamos nos basear nesse ensinamento e concentrarmos nossa atenção nele.

COMUNHÃO PARA ADÚLTEROS E ATAQUE À DOUTRINA

Rorate Caeli: E por falar nesse ensinamento e no que temos ouvido, o senhor tem dado o que falar ultimamente ao anunciar que vai resistir a qualquer ensinamento heterodoxo sobre o matrimônio, e que os católicos devem reagir, o que nos leva a toda uma questão sobre a qual estávamos indagando. Qual deve ser a resposta dos fiéis católicos se houver uma mudança na disciplina referente à Sagrada Comunhão para divorciados e adúlteros?

Cardeal Burke: Eu estava respondendo a uma pergunta hipotética. Algumas pessoas tentaram interpretar minha resposta como um ataque ao Papa Francisco, o que não era o caso, de jeito algum. Essa foi uma pergunta hipotética que me foi apresentada, e eu simplesmente disse: “nenhuma autoridade pode nos ordenar a agir contra a verdade, e, ao mesmo tempo, quando a verdade está sob qualquer tipo de ameaça, temos que lutar por ela.” Isso é o que eu quis dizer quando falei aquilo. Quando a seguinte pergunta hipotética me foi apresentada: “E se essa agenda for imposta? “. Eu respondi: “Bem, eu simplesmente terei de resistir a ela. Esse é o meu dever.”

Rorate Caeli: Como um fiel católico pode contra-atacar? Seria em seu lar? Seria em um blog?

Cardeal Burke: Penso que vocês têm que continuar ensinando, em seus lares e em suas próprias vidas pessoais, conservando a verdade da fé da maneira como a conhecem, e também falando claramente sobre ela, assim como comunicando ao Santo Padre a sua profunda preocupação, de que na realidade vocês não podem aceitar uma mudança na disciplina da Igreja, o que equivaleria a uma mudança em seu ensinamento sobre a indissolubilidade do matrimônio. Nesse ponto creio que é muito importante tratar da falsa dicotomia que foi elaborada por alguns que dizem: “Oh, não, estamos apenas mudando disciplinas. Não estamos mexendo na doutrina da Igreja”. No entanto, se alterarmos a disciplina da Igreja no que tange o acesso à Sagrada Comunhão por parte daqueles que estão vivendo em adultério, então, certamente, estamos alterando a doutrina da Igreja sobre o adultério. Estaremos dizendo que, em algumas circunstâncias, o adultério é admissível e até mesmo bom, se as pessoas puderem viver em adultério e ainda receber os sacramentos. Trata-se de uma questão muito séria e os católicos têm de insistir para que a disciplina da Igreja não seja alterada de maneira que, na verdade, venha a enfraquecer a nossa doutrina sobre uma das verdades mais fundamentais, a verdade sobre o matrimônio e a família.

BISPOS DISSIDENTES E O SUMMORUM PONTIFICUM

Rorate Caeli: Falemos agora de algo que está bem no controle de Vossa Eminência, como podemos cumprir a promessa e o mandato do Summorum Pontificum neste momento particular da Igreja, e qual é o papel que o Direito Canônico desempenha ao disponibilizar a Missa Tradicional em cada paróquia?

Cardeal Burke: A lei está em vigor uma vez que ela foi dada pelo Papa Bento XVI, e ela não foi alterada. O documento para a sua implementação foi emitido pela Pontifícia Comissão Ecclesia Dei. Todas essas prescrições ainda estão em vigor. Todas essas prescrições insistem na ideia de que quando houver o desejo da Missa tradicional dentre um grupo estável de fiéis, ela lhes deve ser concedida.

Rorate Caeli: De acordo com Summorum, para as famílias cujos filhos nunca foram expostos ao Novus Ordo, embora seu ordinário local não vá atender aos mandatos do Summorum concedendo-lhes a Confirmação no rito tradicional, caso essas famílias levem seus filhos à diocese vizinha ou a uma paróquia pessoal como a da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro (FSSP), a fim de que eles sejam confirmados no rito tradicional?

Cardeal Burke: Certamente, eles têm o direito de receber os sacramentos no rito tradicional, na Forma Extraordinária. Se eles não puderem recebê-lo em sua própria diocese, então, certamente, eles poderiam solicitar ao seu pároco para dar-lhes uma declaração dizendo que a criança está apta a ser confirmada e, em seguida, levá-las para serem confirmadas em outro local onde a confirmação no rito tradicional seja permitida.

DESMANTELAMENTO DOS FRADES FRANCISCANOS DA IMACULADA

Rorate Caeli: Provavelmente o senhor sabe que temos feito a cobertura dos relatos desanimadores e assustadores do desmantelamento dos Frades Franciscanos da Imaculada (FIs) no ano passado. Vossa Eminência acha que o comissário, Padre Volpi, foi justo? E o que Vossa Eminência acha da declaração de mediação do tribunal feita pelo Padre Volpi relativamente à família do fundador?

Cardeal Burke: Realmente, não tenho o tipo de informações diretas sobre as quais eu possa formar um juízo sobre o assunto. Devo dizer que, apenas como opinião de alguém de fora, Padre Volpi tomou algumas medidas muito fortes de maneira muito rápida. Aparentemente, também li a história, ele teve que admitir que a acusação que fez contra o Padre Stefano Manelli, o fundador dos Freis da Imaculada, e os membros de sua família, de que de alguma forma eles estavam usando indevidamente os bens dos Frades da Imaculada, não era verdadeira. Sem dúvida, esse é um assunto muito sério. Muitos frades estão saindo, e ao que parece, deve haver alguma maneira de lidar com toda a situação para que a própria ordem não desmoronasse, porque eles eram pujantes, tinham muitas vocações e têm muitos apostolados. Na minha opinião, essa é a parte preocupante.

Rorate Caeli: Há relatos, e sinceramente recebemos relatos pessoais sobre esse assunto, de que os padres FIs estariam dizendo que eles estão “fugindo”, eles estão “se escondendo”, usando essas palavras dos atuais FIs sob o padre Volpi. Há também relatos de bispos que estão acolhendo os padres FIs sacerdotes que buscam refúgio em suas dioceses. Vossa Eminência encorajaria esses outros bispos a fazer o mesmo?

Cardeal Burke: Se houver um padre que deseje deixar a sua comunidade religiosa, e se ele for um bom sacerdote e não houver nada em contrário à aceitação deste pelo bispo, creio que um bom bispo certamente aceitaria esse sacerdote e tentaria ajudá-lo a se tornar um padre de sua diocese. Existe um processo; leva tempo. O padre que está querendo deixar sua comunidade religiosa precisa encontrar um bispo acolhedor. Quando um bispo é capaz de acolher um padre, penso que ele deveria se sentir feliz em fazê-lo, pois com isso ele ajudaria um bom sacerdote a ser capaz de continuar exercendo o seu ministério sacerdotal.

PADRES TRADICIONAIS REPRIMIDOS POR BISPOS DISSIDENTES

Rorate Caeli: Na opinião da Vossa Eminência, o que os bons padres que estão sendo reprimidos por seus bispos deveriam fazer? Sabemos de muitos, embora não vamos dizer seus nomes publicamente. Alguns atualmente não têm qualquer função, e eles estão vivendo de doações e ajuda de familiares e amigos. Alguns pensam que é preciso se unir a grupos independentes. Que conselho Vossa Eminência dá aos sacerdotes que simplesmente querem viver, pregar e celebrar a missa da maneira como todos os sacerdotes fizeram antes do Concílio?

Cardeal Burke: Eu simplesmente os exortaria a procurar um bispo que esteja receptivo a esses padres e que tentasse ajudá-los, se possível, ou se ele mesmo não puder ajudá-los diretamente, que os ajude a encontrar outro bispo que lhes permita levar uma boa vida sacerdotal. Isso é tudo o que se pode fazer. Obviamente, há também o recurso à Congregação para o Clero. Se o sacerdote considera que ele está simplesmente sendo tratado de maneira injusta, então, ele poderá pedir a intervenção da Congregação para o Clero.

Rorate Caeli: Há relatos de que, no afã de resolver o problema que acabamos de discutir, uma Administração Apostólica para sacerdotes e religiosos tradicionais talvez seja a saída, a fim de resolver muitos desses problemas com que se deparam, em termos de viver sua vocação estritamente de acordo com o Summorum Pontificum. Vossa Eminência poderia comentar sobre em que ponto do processo isso poderia ocorrer– o futuro de uma Administração Apostólica?

Cardeal Burke: Isso é possível. Não estou ciente de que haja alguma coisa a caminho a esse respeito. Talvez esteja, eu apenas não ouvi nada sobre esse assunto. Certamente essa é uma possibilidade e seria uma maneira de assistir aqueles padres e fiéis que lhes estão vinculados para permanecer em comunhão com a Igreja.

MAIS PADRES SENDO ELIMINADOS. AUTORIDADE DE BURKE 

Rorate Caeli: Agora Vossa Eminência talvez seja tendencioso sobre essa questão, mas será que a Ordem Militar Soberana de Malta teoricamente seria capaz de atuar como uma Administração Apostólica, concedendo faculdades a padres e religiosos tradicionais?

Cardeal Burke: Bem, a Soberana Ordem Militar de Malta, os Cavaleiros de São João de Jerusalém, tem incardinado sacerdotes. Mas ela o fez como uma ordem militar soberana, não como uma Administração Apostólica. A Ordem tem um Prelado, nomeado pelo Santo Padre, que participa do governo da Ordem. Ele é claramente o superior legítimo de quaisquer padres incardinados na Ordem. Precisamente agora, estamos estudando toda a situação, porque temos pedidos de mais padres que desejam ser incardinados na Ordem. Mas, certamente, isso aconteceu no passado, e não há razão para que não possa continuar acontecendo, não em razão do estabelecimento de uma Administração Apostólica, mas em razão da natureza da Ordem.

CELIBATO SACERDOTAL

Rorate Caeli: Já estávamos pensando em fazer essa pergunta meses atrás, quando começamos a elaborar as perguntas da entrevista, e então ouvimos dizer que o Papa falou ontem mesmo que a questão dos padres casados está “em sua agenda”. Será que o celibato sacerdotal para os padres ocidentais está sob grave ameaça com este pontificado?

Cardeal Burke: Esse seria um assunto muito sério porque ele envolve o exemplo do Próprio Cristo, e a Igreja sempre valorizou o seguimento do exemplo de Cristo em seus padres, também em Seu celibato. Ouvi esses relatos, mas não sou capaz de verificá-los, mas essa seria obviamente uma questão muito séria. O assunto já foi analisado por um sínodo mundial de bispos no final dos anos sessenta, e naquele sínodo havia uma reafirmação muito sólida do ensinamento de Cristo sobre o celibato. Eu não me refiro ao celibato como uma disciplina porque ele tem a ver como aquilo que desde os primeiros séculos a Igreja entendeu como sendo o mais adequado para os seus padres. Trata-se de algo mais do que uma disciplina, e, portanto, creio que é muito difícil imaginar que haveria uma mudança nessa questão.

ESTÍMULO AOS CATÓLICOS TRADICIONAIS

Rorate Caeli: Que palavras de encorajamento Vossa Eminência pode dar aos católicos tradicionais que estão lutando para salvar suas almas e as almas de seus filhos no mundo moderno, e, sem qualquer ajuda de Roma, como muitas vezes parece ser o caso?

Cardeal Burke: Costumo dizer para aqueles que me escrevem expressando desânimo ou que estão pedindo orientação a respeito do que parece ser uma situação muito conturbada que, quando estamos em momentos como este, parece haver certa confusão no governo da Igreja, então, mais do que nunca precisamos nos embeber do magistério constante da Igreja e transmiti-lo aos nossos filhos e fortalecer a nossa compreensão desse magistério em nossas paróquias e famílias. E Nosso Senhor nos garantiu — Ele não nos disse que não haveria ataques à Igreja, mesmo desde dentro, mas Ele nos assegurou que as portas do Inferno nunca prevaleceriam sobre a Igreja. Em outras palavras, Satanás, com seus enganos, ao final nunca prevalecerá sobre a Igreja. Temos de ter essa confiança sobre nós e agir conforme ela com grande alegria e grande determinação, ao ensinar a fé, ou dar testemunho com apologética às almas que não compreendem a fé, ou que ainda não se tornaram membros da Igreja. Sabemos que as portas do inferno não prevalecerão, mas, entretanto, o nosso caminho é o caminho da Cruz. E quando temos que sofrer por amor àquilo em que acreditamos ser verdadeiro, podemos abraçar o sofrimento com o conhecimento do resultado final: isto é, que Cristo é o Vencedor. Ele é Aquele que, em última análise, supera todas as forças do mal no mundo e restaura a nós e o nosso mundo para o Pai. É assim que eu tento encorajar os fiéis. Creio que também seja importante que os católicos tradicionais devotos conheçam uns aos outros e se apoiem mutuamente, carregando os fardos uns dos outros, como diz as Escrituras. Devemos estar preparados para fazê-lo, e sermos sensíveis às famílias que possam estar sofrendo algumas dificuldades específicas a este respeito, e tentarmos estar o mais próximos possíveis uns dos outros.

CONCÍLIO VATICANO III?

Rorate Caeli: Obrigado. Temos apenas mais algumas perguntas. Há alguns relatos esparsos, mas de fontes confiáveis, de que Francisco estaria considerando a convocação de um Concílio Vaticano III. Vossa Eminência ouviu alguma coisa a esse respeito?

Cardeal Burke: Não, de maneira alguma.

PROCESSO DE ESCOLHA DE BISPOS

Rorate Caeli: As nomeações episcopais nos Estados Unidos eram, em geral, mais conservadoras sob Bento XVI. Isso não acontecia em todos os lugares. A partir desse aspecto decorre uma clara lacuna com os padres e fiéis praticantes da nova geração que são amplamente conservadores, vinculados ao catecismo verdadeiro, à lei moral da Igreja Católica, a uma Liturgia Sagrada reverente. Vossa Eminência é a favor de uma nova orientação na nomeação dos bispos dos Estados Unidos e outros países? Em sua opinião, o método atual de seleção dos bispos é bom?

Cardeal Burke: Penso que sim. Ele envolve a consulta não só a outros bispos e sacerdotes da diocese, mas também a fiéis leigos. E sempre existe a possibilidade de que os membros individuais do laicato ou grupos de fiéis leigos expressem seus receios à Congregação para os Bispos e ao Núncio Apostólico. Acho que o mais importante é que o Núncio Apostólico saiba, quando houver nomeação de um bispo sendo considerado para uma diocese, que há muitíssimos fiéis com necessidades específicas e que expressam essas necessidades.

PAPEL ATUAL NA IGREJA

Rorate Caeli: Qual é o enfoque principal de trabalho de Vossa Eminência nesses dias?

Cardeal Burke: Meu enfoque principal está na Ordem Militar Soberana de Malta, ajudando o Grão Mestre com a governança da Ordem, especialmente na dimensão espiritual. A Ordem tem uma finalidade dupla: a defesa da fé e o cuidado dos pobres. As duas coisas honestamente caminham muito juntas. Eu o estou ajudando em questões sobre a estrutura da própria Ordem, a fim de cumprir mais eficazmente as duas finalidades, mas também a lidar com questões que inevitavelmente surgem em qualquer organização católica no que diz respeito à doutrina e à moral. Esse é o meu enfoque principal. Também estou tomando tempo para estudar e escrever sobre questões importantes da Igreja contemporânea.

TRADICIONALISTAS RESTAURANDO A IGREJA

Rorate Caeli: O senhor percebe que os católicos tradicionais estão assumindo um papel de liderança, no futuro, para a restauração da Igreja?

Cardeal Burke: Penso que sim. Cada vez mais encontro famílias católicas fortes que são devotas da Missa tradicional, e acho que as famílias vão ter cada vez mais influência daqui pra frente. Se essas famílias influenciarem outras famílias, então, obviamente há um ímpeto que cresce.

Rorate Caeli: Será que existe algo mais que não abordamos e que Vossa Eminência gostaria de acrescentar?

Cardeal Burke: Só para encorajar todos a serem devotados à Sagrada Liturgia, que é a expressão máxima de nossa fé católica, a expressão máxima de nossa fé em Deus, e sermos muito devotados ao estudo do Catecismo da Igreja Católica, e ao ensino da fé em nossos lares e em nossas comunidades locais. A Igreja tem sofrido terrivelmente por décadas de má catequese, de tal forma que os fiéis, as crianças e jovens, até mesmo adultos, não conhecem a sua fé, e precisamos resolver isso, porque as duas coisas caminham juntas. Quando conhecemos bem a nossa fé, então, temos um forte desejo de prestar culto de acordo com a nossa fé e, ao mesmo tempo, o nosso culto nos faz desejar mais conhecer a nossa fé. E então, obviamente, tudo isso fica expresso em ação pela caridade das nossas vidas, especialmente em favor de todos aqueles mais necessitados.

Rorate Caeli: Isso leva a uma última pergunta. Vossa Eminência mencionou a família no lar muitas vezes. Será que João Paulo II foi profético quando falou sobre a Igreja doméstica?

Cardeal Burke: Oh, sim. Ele disse que a Igreja vem até nós através da família, e isso é verdadeiro. O Próprio Cristo vem através da família. Ele foi profético no sentido de que pronunciou novamente aquilo que a Igreja entende desde o início. Essa expressão, Igreja doméstica, é muito antiga, e ela foi repetida no Concílio Vaticano Segundo. Trata-se de uma terminologia muito antiga para a família. Ele foi profético nesse ponto, no sentido de que ele estabeleceu aquilo que o próprio Deus nos ensina sobre a família.

Rorate Caeli: Isso é tudo que temos para Vossa Eminência. Muito obrigado pelo seu tempo hoje e seu incrível serviço à Santa Madre Igreja.

15 Responses to “Entrevista do Cardeal Burke ao Rorate-Caeli.”

  1. Diz o Cardeal que o Senhor “não nos disse que não haveria ataques à Igreja, mesmo desde dentro, mas Ele nos assegurou que as portas do Inferno nunca prevaleceriam sobre a Igreja”. É a tal “auto-demolição” de que falou em 1968 o hamletiano Paulo VI num de seus raros acessos de lucidez moral e doutrinal. Pouco depois, no entanto, com a pertinácia que o caracterizava, impôs à Igreja o seu Missal luterano. Assim como esses doentios inovadores são persistentes, assim também os católicos devem sê-lo: não ceder um milímetro diante da derrocada final dos modernistas e sua nutrida prole: os conservadores de todas as plumas e matizes.

  2. Peço em minhas orações diárias que o Papa Francisco seja consumido pelo zelo da casa do Pai, ou que para o bem das almas o seu Pontificado seja breve… Que Deus volte sua Face Misericordiosa às almas no Purgatório e aos cristãos na Síria, no Iraque, no Egito e onde mais sejam perseguidos. Que Deus abençoe o Santo Padre o Papa Bento XVI. Que Seu Espírito Santo dê fortaleza aos Cardeais Raymond Leo Burke, Athanasius Schneider, Robert Sarah… e a todos os religiosos zelosos pela doutrina, para que sejam sal da Terra e luz para as nações. Que abençoe e fortaleça os Padres Michael Rodrigues, Luis Carlos Lodi, Pedro Stepien… e os Franciscanos da Imaculada.
    Pela intercessão de Nossa Senhora de Fátima e São José.

    Amém.

  3. “Agora eu digo às pessoas que, se elas estão se sentindo confusas por causa do método de ensino do Papa Francisco, o importante é nos voltarmos para o catecismo e para aquilo que a Igreja sempre ensinou, e ensinar essas coisas, promovendo-as em nível paroquial, a começar pela família”.

    Eu admiro muito o Cardeal Burke mas ele sabe bem que o que ele está propondo, apesar de ser muito bonito e nós Católicos tradicionais já o fazemos, é algo totalmente impraticável quando se trata da Igreja numa perspectiva geral.
    Qualquer um aqui que já tentou ensinar o catecismo tradicional e aquilo que a Igreja sempre ensinou no tocante à liturgia em ambientes e paróquias Novus Ordo, sabe do que eu estou falando. E mesmo que você ensine seu filho em casa, é duro competir com o “Papa” quando seu filho vai pra uma escola católica modernista e os professores lhe dizem na cara que seus pais estão querendo ser mais “católicos que o Papa”.
    Deus me livre de deixar que minha filha seja educada na fé pelo atual Pontífice! Ele é um corruptor da inocência de crianças e adolescentes ao dar aval público a questões tão perversas como adultério e sodomia.
    Sinceramente, parece que ao falar dessas coisas do modo como ele fala pra agradar a imprensa mundana, parece se esquecer de que há crianças e adolescentes prestando atenção.
    A única solução possível nas atuais circunstâncias é procurar uma igreja Católica tradicional onde você terá a garantia de que o padre é fiel à Doutrina e à Tradição. Nós como Católicos temos esse direito.
    No mais, só posso dizer que foi uma entrevista prudente, pois ele sabe que está na corda bamba. Depois de ser demitido do Supremo Tribunal da Signatura Apostólica, já existem algumas “salomés” como o ultra-modernista Cardeal Donald Wuerl de Washington, dançando ao redor do Pontífice e exigindo publicamente a cabeça de Burke e de qualquer um que discorde da agenda liberal desse Pontificado:
    http://rorate-caeli.blogspot.com/2015/02/cardinal-wuerl-attacks-brother-bishops.html

    • Gercione, peço desculpas por minha sinceridade, mas penso que este seu comentário é extremamente inconveniente e desrespeitoso. Acusar o Santo Padre de “corruptor da inocência de crianças” é bastante leviano e até calunioso. Confesso que até senti certo mal-estar e indignação lendo este texto. Mesmo não concordando com o Papa Francisco, deve-se respeitá-lo, por sua dignidade pessoal e pela função que exerce na Igreja. Qualquer crítica deve respeitar os princípios da justiça, da verdade e da caridade cristã. A virtude cristã nos ensina a ser moderados e prudentes em nossas palavras, no que falamos e na maneira como falamos: “Aquele que não peca com sua língua é um homem verdadeiramente perfeito” (Epístola S. Tiago). Afinal, acho que estas virtudes também fazem parte da Tradição que todos queremos defender, viver e transmitir aos nossos filhos!

    • Sr Claudio.

      É evidente que os menores devem ser afastados do mal. Com que direito um Papa manda que se divulgue (aos quatro ventos do mundo) um elogio aos pretensos valores da sodomia? Será que pais e padrinhos devem se pôr agora a defender a sodomia diante de seus pequenos só porque o Papa acha isso lindo e moderninho? É claro que os adultos que não advertissem os filhos (afilhados, sobrinhos etc) sobre essa imundice (aprovada pelo Papa) cometeriam pecado mortal.

      Afetar zelo e pudores para defender a iniquidade de Bergoglio é algo inclassificável que não merece nem mesmo a designação de “escândalo farisaico”.

      “Acaso podem sair água doce e água amarga da mesma fonte?”

  4. Um bom “conservador”, mas não chega a ser um “cripto-lefebvrista”.

    Uma coisa que não entendo é o porquê de alguns “conservadores” quererem mais uma Adm. Apostólica para os sacerdotes que passam por problemas em certas dioceses. Já não há tantas “comunidades Ecclesiae Dei” nas quais poderiam se filiar?

    Agora, se for para ser “tradicionalista”, ou melhor, Católico, nos moldes de Dom Antônio de Castro Mayer e Dom Marcel Lelebvre, tenham os pertences à mão porque onde nasci o sacerdote foi expulso da igreja pela Polícia Militar na calada da noite. Hoje ele pertence a uma Adm. Apostólica…

  5. Ótima entrevista. Tomara que os sacerdotes que o pretendem consigam se incardinar na Ordem de Malta.

  6. Esse sim!!!… Como seria bom se o CARDEAL BURKE fosse o atual Pontífice….!!!!!
    Entretanto…bendita seja a VONTADE DIVINA!
    Temos que….acatá-la!!!! Assim seja.

  7. O poder dos infernos jamais prevalecerá sobre a Igreja de Jesus Cristo. Enche meu coração de alegria quando vejo o cardeal Burke falar. Me conforta tanto saber que temos homens como ele querendo agradar a Jesus Cristo através da sua Igreja nesta terra.Que Deus fortaleça o cardeal Burke para enfrentar os desafios que estão por vir.

    Salve Maria!

  8. Esse cardeal precisa se tornar Papa um dia, se Deus quiser! É importante destacar que o cardeal Burke ganhou muita visibilidade, força, e também figura de líder, somente no pontificado do Papa Francisco. Parece que os cardeais norte-americanos e africanos o viram realmente como um líder defensor da doutrina da Igreja no Sínodo.

  9. Imaginemos a excelência de cardeal D Burke como papa, e uma interpelação quase unânime dos sedizentes católicos e, muitos desses inconformados com as exigências do S Evangelho que ele proclamaria – Jesus é também o Mestre exigente, por excelência, descarta os inconstantes na fé – e eles, afastando-se da Igreja, ajuntando-se a grupos dissidentes devido á adoção de princípios “medievais”, como castidade, penitencia, desapegos de si e dos bens etc.
    Dá para lembrar o texto:
    “Ao ouvirem isso, muitos dos seus discípulos disseram: “Dura é essa palavra. Quem pode suportá-la?”
    Sabendo em seu íntimo que os seus discípulos estavam se queixando do que ouviram, Jesus lhes disse: “Isso os escandaliza?
    Que acontecerá se vocês virem o Filho do homem subir para onde estava antes”?
    S Atanásio, no entanto tem o receituário se isso sucedesse, que se aplicaria a essa multidão, talvez dispensável de “católicos”:
    “Ainda que os Católicos Fiéis à Tradição se reduzam a um punhado, são eles a Verdadeira Igreja de Cristo.”
    Um eventual pontificado de D Burke reduziria a Igreja a uma minoria, mas essa micro Igreja seria a verdadeira e de fato, não de estatística numérica, como atualmente, que talvez a maior parte teria se associado ao niilismo modernista, alguns a partir de seu vértice!

  10. Palavras do Cardeal Burke: “Creio que também seja importante que os católicos tradicionais devotos conheçam uns aos outros e se apoiem mutuamente, carregando os fardos uns dos outros, como diz as Escrituras. Devemos estar preparados para fazê-lo, e sermos sensíveis às famílias que possam estar sofrendo algumas dificuldades específicas a este respeito, e tentarmos estar o mais próximos possíveis uns dos outros.”
    Infelizmente Cardeal, há muita desunião entre os católicos tradicionais, como peço a Deus Nosso Senhor para que certos grupos “fechados” parem com essa idiotice, mesquinhez doutrinal, um querendo saber mais do que o outro, é muito triste, já ficamos isolados em nossos bairros e cidades e quando vejo alguns grupelhos com cara de bode amarrado me dá pena. Seria tão bom acabar com essas diferenças no confessionário e tocar vida adiante com ufania, alegria, força e sobretudo com a graça de Deus. As vezes passo por um católico “tradicional” na entrada da Igreja para a Santa Missa, olhamos para a pessoa para cumprimentar e ela está em “meditação profunda” que nem olha quem está ao seu redor. Coisas corriqueiras mas que chamam a atenção nessa questão que disse Sua Eminência. Espero que um dia isso possa mudar.
    Mater Misericordiae.
    Ora pro nobis!

  11. Cláudio, introduzir a abominação da sodomia num Sínodo cujo tema é a família é o quê? Exercício de piedade? Usar “testas- de- ferro” como Kasper e Bruno Forte pra disseminar a prática sacrílega da Comunhão aos adúlteros, como ele já permitia na Argentina é o quê?
    Extremamente inconveniente e desrespeitoso é ter que falar desses temas com crianças inocentes explicando-as que o Papa convocou um Sínodo pra promover todas essas infâmias no âmbito da Igreja universal.
    Minha filha até os 10 anos de idade sequer sabia o que era “camisinha, gays, sodomia, adultério” e eu dava graças a Deus por não ter Rede Globo e afins em casa pra corrompê-la com temas e assuntos que não são apropriados para sua idade.
    Quando ela foi fazer seu exame de consciência para a Primeira Comunhão e Confirmação e me perguntou o que era “pecado contra a castidade”, eu apenas expliquei-lhe que eram “pensamentos impuros, piadas de mau gosto, palavrões”, porque no tocante ao resto, o simples fato de abordar assuntos que são impróprios para a infância e não lhes diz respeito, já é corromper sua inocência.
    A pureza de coração foi colocada por Jesus entre as oito bem-aventuranças: “Bem aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus” (Mt 5,8). Eis porque uma criança que foi lavada do pecado original nas águas do batismo e morre antes de atingir a idade da razão ou em completo estado de inocência, imediatamente tem a visão beatífica. Assim ensina a Igreja:

    ” …estas almas, ainda cobertas do orvalho celeste do batismo, estas almas que não foram respingadas pela lama da terra, não tem de passar pelo purgatório. Ora, aquele que está, no instante de sua morte, pronto para entrar imediatamente no céu, é santo; em sua vida, tudo concorreu para conduzi-lo a este grau de pureza e de amor de Deus e das almas que lhe fizeram obter, imediatamente, a beatitude eterna”.

    Mas o que acontece com uma criança que é obrigada a viver sob a custódia de dois sodomitas? Uma criança que é submetida a essa perversa educação sexual até das chamadas escolas Católicas? O que acontece na alma e na cabeça de uma criança que vai à igreja pra buscar e conhecer a Deus e tem que presenciar duas lésbicas aos beijos num ambiente que deveria ser sagrado ou dois sodomitas escarnecendo do Sacramento do Batismo pra promover sua agenda demoníaca?
    Você acredita mesmo que essa criança conservará a inocência batismal ?
    E foi pra isso que foi convocado um Sínodo cujo tema é a família? Para que as famílias que ainda zelam pela pureza de suas crianças sejam obrigadas a fugir de suas paróquias se não quiserem conviver com essa “pastoral do inferno”?
    É de conhecimento público que o exemplo dos “casais gays” adotando crianças foi introduzido pelo próprio Bergoglio no Sínodo dos Bispos. Quer corrupção maior que essa? Isso sim deveria fazer-lhe tremer e implorar a misericórdia de Deus e não o fato de eu condenar algo que por si só é condenável.
    Infelizmente, pra nosso castigo, estamos vendo a abominação da desolação no lugar em que não deveria estar.
    Estamos assistindo de camarote ao triunfo da ditadura do relativismo no vértice da Igreja. E é por causa desse relativismo moral que encontramos cada vez mais religiosos e sacerdotes que aceitam o divórcio, o aborto, a pílula do dia seguinte, o casamento de homossexuais, a ordenação de mulheres, a eutanásia, a inseminação artificial, a manipulação de embriões, o feminismo… e outros erros que o Magistério da Igreja sempre condenou explicita e veementemente.
    E se alguém como Burke ainda tem a coragem de bradar contra esses erros, a represália vem a cavalo porque afinal o homem que hoje ocupa a Cátedra de São Pedro já disse claramente:
    _ Quem sou eu pra julgar?

  12. PARABÈNS!!! GERCIONE!!! Concooooooordo em tudo com que você escreveu! PARABÈNS!

    Também acho um escandalo o SINODO discutir sodomia e etc e tais e quais,…como sendo assunto “familiar”! Fim-dos-Tempos!!
    Mas…JESUS não deixará isso tudo em…..”brancas nuvens…”!!! Que aguardem….pois DEUS quer é a Salvação das Almas e para isso a IGREJA foi criada…e , não, para incentivar pecadarias e conduzir o Rebanho, lá para” baixo,” como querem uns e outros, agora….Cruz credo!
    DEUs nos livre de lobos…lobões…e lobitos! Amém!

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