E a CNBB vai rachando.

Reforma Política encabeçada pela CNBB não têm o consenso de todos os bispos, afirma o Primaz do Brasil

Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger concedeu entrevista a ZENIT sobre o tema: Campanha da Fraternidade e Reforma Política

Brasília, 09 de Março de 2015 (Zenit.org) Thácio Siqueira |Nomeado pelo Papa Bento XVI, em 2011, o arcebispo de São Salvador da Bahia, Primaz do Brasil, dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, concedeu uma entrevista a ZENIT sobre o tema: Campanha da Fraternidade e Reforma Política.

Nessa exclusiva, o Primaz do Brasil afirmou que as propostas da Reforma Política, encabeçada pela CNBB, não tiveram a participação de todos os bispos. “Preferiria uma proposta nossa e, quem concordasse com elas, participasse de nossa campanha”, disse.

Acompanhe a íntegra da entrevista abaixo:

* * *

ZENIT: Ultimamente, referindo-se ao tema da Reforma Política e da Campanha da Fraternidade no Brasil, o senhor tem falado que não é papel da Igreja ocupar o lugar do Estado. Por que essa é a sua opinião?

Dom Murilo: A Constituição de nosso país reconhece ser dever do Estado cuidar da saúde, da educação, da escola etc. Nesse campo, atualmente a Igreja tem um papel supletivo – isto é, deve atuar onde não há a presença do Estado ou onde tal presença não é suficiente. No passado, quando a organização social era muito limitada, a Igreja sentia ser seu dever abrir hospitais, creches, escolas etc. Hoje só tem sentido manter essas obras ou fundá-las se, com seus valores, a Igreja quiser “fazer a diferença” – isto é, apresentar uma maneira própria de curar, educar, formar etc. Essa “maneira própria” são as motivações evangélicas isto é, o desejo de mostrar como vemos o doente, o jovem a ser educado, o idoso abandonado, a partir do que nos ensinou Jesus. Se for para ter, por exemplo, um escola “como as outras”, sem os valores do Evangelho, não valeria a pena tanto esforço, mesmo que se tratasse de uma escola de boa qualidade. Afinal, como bem insiste o Papa Francisco, a Igreja não é uma ONG, mas uma extensão da presença de Cristo no mundo.

ZENIT: A CNBB é uma entidade séria e necessária para a nossa Igreja, mas existe a possibilidade de que os seus colaboradores errem?

Dom Murilo: Onde há seres humanos há a possibilidade de erros. Minha longa experiência na CNBB tem me mostrado que se pode falar da presença do Espírito Santo naquelas iniciativas que foram rezadas, refletidas e debatidas por todos os bispos. Assim, num documento aprovado, não prevalece a ideia de um ou de outro; nossos documentos oficiais são a síntese do que os bispos pensam. Pode-se dizer, então, que aquele texto é o que o Espírito Santo está querendo falar às nossas Dioceses. Não digo o mesmo de iniciativas de pequenos grupos ou de comissões, onde facilmente pode prevalecer a ideia de uma pessoa ou de um grupo. Nesse caso, o que for apresentado não é um texto “da” CNBB, mas sim daquela comissão.

ZENIT: O que significa uma conferência episcopal encabeçar essa campanha de reforma política?

Dom Murilo: O Brasil enfrenta problemas sérios e graves. A Igreja não pode ignorá-los. Com o Evangelho nas mãos, deve dar uma orientação, apresentar critérios, ajudar na reflexão. De minha parte, nesta campanha de reforma política eu preferiria que a própria Igreja apresentasse suas propostas, fruto da reflexão de todos os Bispos, como foi feito por ocasião da Constituinte, em que a CNBB apresentou um texto riquíssimo: “Por uma nova ordem constitucional”. Nesse documento, estava claro o que a Igreja no Brasil tinha como proposta para a Constituição que estava sendo preparada para ser posteriormente aprovada. Nem todas as nossas propostas foram aceitas; hoje, não poucas pessoas reconhecem que com isso quem perdeu foi o país. Desta vez, na campanha pela reforma política, a CNBB participa de um processo que engloba dezenas de grupos da sociedade civil. As propostas feitas são, pois, expressão do que esses grupos desejam, fruto da busca de consenso. Assim, algumas das propostas não correspondem ao que nós bispos defendemos ou, ao menos, o que muitos bispos pensam; nem algumas propostas que julgamos importantes estão ali. Repito, preferiria uma proposta nossa e, quem concordasse com elas, participasse de nossa campanha – como aconteceu por ocasião da Constituinte. Por sinal, a grande maioria das assinaturas que estão sendo colhidas são fruto do trabalho feito em nossas Dioceses e em nossas Paróquias – ao menos é o que acontece aqui na Bahia. Não creio que seja diferente nos outros estados do Brasil.

ZENIT: O projeto em questão, por exemplo, propõe o financiamento das campanhas com o dinheiro do povo, esse mesmo dinheiro público que mal dá para nos garantir saúde, educação e segurança, além de entrar no mérito das discussões de “gênero” e do voto de “lista fechada”, tudo de acordo com a vontade do partido atualmente no poder. Por que um assunto tão opinável, e em pontos, até mesmo contrário à filosofia cristã, está sendo proposto como algo bom e que deve ser abraçado pelos católicos do Brasil?

Dom Murilo: Em parte, penso já ter respondido a essa pergunta. Ao aceitar participar de uma iniciativa que engloba dezenas de entidades, deu no que deu. Insisto: tais propostas não tiveram a participação de todos os Bispos; são fruto, sim, de uma reflexão que envolveu principalmente algumas comissões episcopais.

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19 Comentários to “E a CNBB vai rachando.”

  1. Eu sabia que nesse angú tinha caroço…

  2. “E a CNBB vai rachando.”

    Diria mais… E a CNBB vai acordando do sono letal em que vinha sendo embalada há tantos anos, embalada nos discursos vazios e liberteiros e ateus e atoas das milhares de comissões e sub comissões que a compõem e que tantos e desastrosos danos causaram à Igreja de Deus…

    Se é pra tirar a Igreja da “primavera” pavorosa que a sufoca há décadas, que a CNBB não só rache, mas exploda logo, e os Bispos CATÓLICOS retomem a autonomia que lhes é própria, por Direito divino, e lhes foi roubada, por um dos trocentos espíritos de porco do Concílio mal interpretado e pior ainda, aplicado, que é a causa última dessa “primavera” horrorosa que o Papa atual insiste em querer ressuscitar. Ele pode até tentar, mas pode saber que sua investida será frustrada e frustrante para todos que embarcarem em sua canoa furada…

    Senhora e Rainha de Fátima, rogai por nós!

  3. Gostaria de saber se esses religiosos da CNBB tem os seguintes costumes cristãos:…..vão encomendar um corpo……se visitam os Cemitérios para rezar pelos mortos….se vão a Hospitais Públicos rezar pelos doentes e abençoá-los….se dão assistencia em alguma Paroquia…nos….CONFESSIONARIOS….. se celebram MISSAS diáriamente em alguma Paroquia….. se rezam o ROSARIO MARIANO…..se confessam-se mensalmente….se fazem caridade material de algum montante…ou arrecadam de quem tem demais, para os pobres….. se fazem diáriamente 30 minutos de ADORAÇÂO SILENCIOSA AO SSMO.SACRAMENTO…..se oram e leem a BIBLIA SAGRADA diáriamente……enfim, se praticam gestos de Piedade CRISTÃ!

    Tomara que sim……… pois há muitos Leigos e Religiosos, no mundo inteiro, que fazem isso aí, que descrevi, e não são, nem querem nunca ser da C N B B !!!!

  4. Bem,então nesse documento da CNB do B,não existe a orientação do Espírito Santo!

  5. O Primaz do Brasil sempre foi sede cardinalícia. Menos no atual Pontificado. Agora sabemos o porquê: S. Emcia. Reverendíssima não reza pela cartilha da TL. E ainda tem a ” petulância” de apontar equívocos da CNBdoB.

  6. “Certas comissões” na CNBB – quem sabe seriam comissões do PT e aliados de suas ideologias? – foi o que, salvo engano, entendi de D Murilo Krieger que, junto com outros perspicazes bispos, perceberam que essa sedizente Reforma Política tem um odor que transparece a algo capcioso, que não combina com a doutrina da Igreja, com toda razão!
    O desinteressante dessa suposta Reforma Política é que só há esquerdistas imiscuídos nela, como a CUT, CONTAG, o MST das destruições gerais de propriedades, grupos ligados ao lobby homossexual, como o ABGLT, GGB etc., o MTST das invasões de propriedades alheias, a UNE dos estudantes apreciadores de drogas, Sindicatos, todos vinculados ao PT, sendo apenas grupos que detestam explicitamente a Igreja católica!
    Como pode de imediato prestar a incentivada Reforma Política pela CNBB se são projetos humanos, os quais são condenados por si mesmos ao fracasso e à confusão, além de patrocinados por grupos explicitamente satanistas, odiadores do Senhor Deus e da Igreja? Afinal, de que lado está mesmo a Instituição, ou parte dela que mais se parece a serviço de ideologias?
    Assim sendo, que de fato se rache a CNBB e os bispos descontentes com intromissão de suspeitos sejam ostensivos e façam como o saudoso D Luiz Bergonzini que dizia: não posso concordar com certos colegas do episcopado!.
    O Senhor desfaz o conselho dos gentios, quebranta os intentos dos povos. Sl 32:10

  7. CNBB é um saco de gatos!!!

  8. Sempre em busca de um pedestal ou banquinho para serem vistos e se sentirem “úteis”, os burocratas da Igreja preocupam-se em reformar o Estado (como se tivessem alguma formação acadêmica ou política para começar a discutir o assunto) enquanto a Igreja continua à míngua e milhões de fieis são docilmente levados ao matadouro das seitas (protestantes, neopagãs, macumbísticas, búdicas e congêneres).

    Se esses bispos gastassem MENOS tempo com a brilhantina e o espelho, e mais tempo com as reais necessidades da Igreja, não estaríamos no atoleiro que estamos. Mas esperar o que dessa gente piedosa que põe a Cruz peitoral dentro do bolso?

  9. RACHANDO E FALINDO

    Disse o Primaz: “Hoje só tem sentido manter essas obras ou fundá-las se, com seus valores, a Igreja quiser “fazer a diferença” – isto é, apresentar uma maneira própria de curar, educar, formar etc”

    Então não há este interesse? A Igreja não quer dar uma educação calcada no Evangelho, longe da pauta governista mundana e sem valores? Não se interessa na mantença de hospitais onde prevaleça o amor e não a cupidez dos planos de saúde ou a negligência do Estado?

    Então, Igreja, o que a senhora está fazendo?

    Por serem controladas por homens, as instituições tendem à falência, a se esboroarem. Infelizmente, desta sina não escapa nem a Igreja, que ao invés de se contrapor ao ateísmo militante nos quatro cantos do mundo com palavras e ações, a ele adere ainda que por omissão, cujo efeito é o mesmo.

    Cristão verdadeiro deve voltar-se cada vez mais ao Corpo Místico de Cristo e ir-se afastando desses movimentos, dessas políticas, desse meio entorpecido em que vivemos porque certamente nenhum bem espiritual lhe haverá de fazer.

  10. Prepare o camarote pra ver esse bispo ser atacado de todo lado por “intelectuais progressistas”

  11. Para mim esta entrevista deixou claro o motivo pelo qual Dom Murilo, mesmo sendo Arcebispo Primaz do Brasil, não foi nomeado Cardeal.
    Dom Murilo tem perfil conservador e é ligado à Renovação Carismática, por consequência, ele não comunga dos ideais marxistas da direção da CNB do B.
    Vejam que a entrevista contrapõe àquela concedida na semana passada pelo cardeal Damasceno. Lendo tal entrevista, tinha-se a impressão que havia um consenso entre os bispos. Ficou claro com dom Murilo que isso não é verdade.
    Aliás, voltando à entrevista do cardeal Damasceno, podemos perceber o quão “alinhado” ele está às propostas de Kasper e Bergoglio. Literalmente ele lê e escreve de acordo com a cartilha dos progressistas.
    Assim como o cardeal Humes, dom Damasceno é camaleão: disfarçou-se de “moderado/ conservador” durante o pontificado de Bento XVI, mas sempre foi progressista no seu íntimo. Além do que ele é “cria” da CNB do B.
    Fica a pergunta: como é que dom Damasceno foi nomeado cardeal? É um homem insosso, sem carisma algum; suas homilias são verdadeiros discursos vazios. Mais uma questão que remete ao pontificado de Bento XVI.

  12. Será que haveria bispos dispostos a fazer uma faxina na CNBB, a varrer esse bando de assessores que, em sua maioria, estão a serviço do marxismo? Em tempos em que a imprensa alardeia a tão propalada reforma da Cúria pelo Papa, uma profunda reforma da CNBB não estaria mal, principalmente no sentido de tirar desses assessores, vozes fantasmas de uma ideologia perversa e anticristã, a tácita autorização de falar em nome dos bispos e da Igreja. Em tese, seria essa uma iniciativa até mais exequível que a reforma da Cúria romana, só é necessário que os próprios bispos o queiram.

  13. Para mim a resposta da primeira pergunta foi ótima, a quantidade de instituições “católicas” que de católicas não tem nada é enorme, não fazem diferença nenhuma. Que bom que alguns bispos têm criado coragem para defender a Igreja. Não é possível que todos fechem os olhos para tudo o tempo todo com as vezes parece.

  14. Tomara que continue rachando e feche logo de uma vez…

    Não serve para nada mesmo!

  15. Que continue rachando!

    “Deixai-os. São cegos e guias de cegos. Ora, se um cego conduz a outro, tombarão ambos na mesma vala”. Mateus 15,14.

  16. Esse ano tem eleição na CNBB e creio que, com essa entrevista, Dom Murilo se cacifa como candidato a presidencia da mesma. Vale a pena ter esse bom bispo presidente da CNBB se nós todos desejamos a extinção da mesma?

    Sobre reforma politica, ele pede que os bispos façam, sem a ingerência de outras entidades, seu próprio projeto e apresente ao povo. É válido isso?

  17. O trabalho dos socialistas, ou do clero modernista. Sempre está voltado para colocar suas ideias revolucionárias no coração da Santa Igreja. Para isto os maus, encheram os seminário de jovens anti-católicos para melhor esfacelar a doutrina imaculada de Nosso Divino Redentor. Quando o grande Papa São Pio X. Condenou o modernismo. Eles refugiaram nas seitas maçônicas, para um dia triunfarem os seus erros. Hoje estes referidos jovens. São cardeais, bispos, padres, professores de seminários… Como podemos esperar humanamente uma vitória deste homens? Mas a Santa Igreja, vai triunfar, Ela é Divina.
    Joelson Ribeiro Ramos.

  18. Salve Maria!

    Eis aí o porquê D. Murilo ainda não ter sido elevado ao cardinalato: ele não vendeu a alma ao demônio do progressismo que aflige a CNB do B. Mas a perseguição a ele já vem de longa data por ter desagradado boa parte do clero daqui e muitos de seus colegas de episcopado pelo Brasil: permitiu a Missa Tradicional em Salvador, melhorou sensivelmente o nível do Seminário da Arquidiocese Primaz (que antes de sua chegada, era uma gaiola de loucas) e, em um excelente artigo publicado em jornal de grande circulação na Bahia e no site da CNBB, abordou sem arrodeios e de forma contundente a ideologia de gênero (http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:DTW2eBqFRJoJ:cnbb.org.br/outros/dom-murilo-sebastiao-ramos-krieger/14963-a-teoria-do-genero+&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br), sendo criticado pelos politicamente corretos de plantão!

    Ele é uma da vozes corajosas que se levantaram contra a tal “reforma política” nos moldes em que tem sido proposta, ao tempo em que revela o racha que acomete a Conferência Episcopal nestes tempos “bergoglianos”… Bispos como ele, que não rezam a cartilha marxista da TL, podem fazer a diferença e creio que vozes dissonantes como a sua ainda serão ouvidas daqui para frente (Assim espero!).

    É fato: a Arquidiocese de Salvador ganhou um presente e tanto com sua vinda para cá e seus bispos auxiliares,, d. Marco Eugênio e d. Gilson Andrade, também são muito piedosos e amam a Igreja!

    Longa vida a nosso arcebispo primaz!

    “In corde Jesu, Semper”

    Dionisio