Na Inglaterra, um cardeal diz “preparem-se para o martírio em favor do matrimônio”, enquanto outro denuncia a linguagem “dura”.

Por LifeSiteNews.com, 12 de março de 2015 | Tradução: Fratres in Unum.com – Dois cardeais ativos no Sínodo Extraordinário sobre a família, realizado em outubro do ano passado, deram mensagens impressionantemente divergentes sobre questões polêmicas do Sínodo em palestras a multidões na Inglaterra no fim de semana.

Enquanto o Cardeal americano Raymond Burke encorajava os cristãos a se prepararem para encarar o martírio se necessário a fim de defender o matrimônio, as observações do cardeal filipino Luis Tagle sobre o assunto se concentraram na necessidade de evitar a linguagem “dura” e “severa” sobre os homossexuais e os católicos que “se casam novamente” sem obter declaração de nulidade.

Em discurso no norte da Inglaterra durante uma conferência organizada pela Sociedade de Proteção às Crianças Nascituras e pela Voz da Família, o Cardeal Burke disse que nossas sociedades “não podem mais ser chamadas de cristãs” e convocou um movimento de re-evangelização, começando do zero.

“Em nossos dias, o nosso testemunho do esplendor da verdade sobre o matrimônio deve ser límpido e heroico”, disse ele. “Precisamos estar preparados para sofrer, como os cristãos sofreram ao longo dos séculos, a fim de honrar e promover o Sagrado Matrimônio”.

Ele recomendou que os fiéis se inspirassem nos mártires São João Fisher, São Thomas More e São João Batista, três homens que “foram mártires na defesa da integridade da fidelidade e indissolubilidade do matrimônio.”

“A fé cristã e a sua prática devem ser transmitidas de modo novo, como se fosse a primeira vez, como aconteceu durante os primeiros séculos do cristianismo e no momento da evangelização de nossa pátria”, disse Burke.

“O caráter cristão da cultura já não é uma realidade, mesmo que possa ter sido durante séculos”. Os cristãos que assumem essa missão crucial, declarou, “devem prestar atenção especial à santidade do matrimônio, à fidelidade, à indissolubilidade e ao caráter procriativo da união conjugal”.

A situação atual em todo o mundo, disse ele, resulta da separação sistemática entre procriação e união sexual. “Pensemos tão somente na devastação forjada diariamente em nosso mundo pela indústria bilionária da pornografia, ou na agenda homossexual incrivelmente agressiva que só pode resultar em profunda infelicidade e até mesmo desespero das pessoas atingidas por ela e na destruição da sociedade, como ela sempre fez historicamente”.

“Para a transformação da cultura ocidental é fundamental proclamar a verdade sobre a união conjugal em sua plenitude e na correção da mentalidade contraceptiva que teme a vida e a procriação.”

Esta evangelização, acrescentou, deve começar dentro da própria Igreja. “Se uma nova evangelização não estiver ocorrendo nos matrimônios e na família, então, ela não acontecerá na Igreja ou na sociedade de um modo geral.”

O Cardeal Burke alertou para o fato de que as culturas ocidentais estão “profundamente confusas e equivocadas sobre a verdade fundamental do matrimônio e da família”, e que essa confusão entrou na Igreja.

A Igreja, afirmou, “sofrendo sob a pressão de uma cultura secularizada”, tem testemunhado o ingresso de “uma confusão e até mesmo de erro crescentes”, o “que pode enfraquecer gravemente, se não comprometer totalmente, o testemunho da Igreja em detrimento de toda a sociedade.”

Esta “confusão e erro tornaram-se evidentes para o mundo” no Sínodo, afirmou. Burke comentou que o famigerado Relatório preliminar, que deu a entender que a Igreja deveria “aceitar e valorizar” a “orientação homossexual”, foi “um manifesto, uma espécie de incitamento” aos bispos para promoverem o abandono do “magistério constante” da Igreja.

Burke identificou a primeira ocorrência dessa “confusão e erro” em nível oficial após o discurso proferido  há um ano, no consistório de cardeais de fevereiro de 2014, pelo Cardeal Walter Kasper, o teólogo alemão que há décadas é bastante conhecido como a principal voz da facção “progressista” na Igreja. Embora o discurso de Kasper propondo o abandono da disciplina eclesiástica sobre a Eucaristia e o relaxamento de sua doutrina moral sobre a indissolubilidade do matrimônio supostamente tenha causado alvoroço nesse consistório, no dia seguinte o Papa Francisco elogiou o cardeal por sua teologia “serena”.

Neste fim de semana, em outro lugar do Reino Unido, o Cardeal Tagle, de Manila, reprovou o uso de linguagem “dura” e “severa” para descrever os pecados de adultério e comportamento homossexual. Após o Congresso de Jovens Flame 2 na Arena Wembley, em Londres, ocorrido nesta semana, ele disse ao Daily Telegraph que a Igreja precisa reaprender seu ensinamento sobre a “misericórdia”.

O cardeal, que acaba de ser nomeado pelo Papa como chefe da Federação Bíblica Católica, está começando a ser rotulado por alguns observadores como um possível candidato para o próximo conclave. Ele falou ao Telegraph que a Igreja deve levar em conta as tendências sociais recentes e a psicologia em sua discussão sobre a sexualidade.

“Temos que admitir que toda essa espiritualidade, esse crescimento na misericórdia e a aplicação da virtude da misericórdia é algo que precisamos aprender cada vez mais”, disse o Cardeal Tagle.

“Parte disso também se deve às mudanças nas sensibilidades culturais e sociais, de modo que aquilo que no passado constituía uma forma aceitável de demonstrar misericórdia,… atualmente, devido à nossa mentalidade contemporânea, não pode mais ser visto da mesma forma.”

“Acho que até mesmo a linguagem já mudou, as palavras duras que eram usadas no passado para se referir a homossexuais, divorciados e separados, às mães solteiras etc. no passado eram muito severas”, prosseguiu o cardeal.

“Muitas pessoas que pertenciam àqueles grupos eram rotuladas e induzidas a se isolarem da sociedade de maneira geral. Não sei se isso é verdade, mas ouvi dizer em alguns círculos, círculos cristãos, que o sofrimento dessas pessoas era considerado até mesmo como uma consequência justa de seus erros, portanto, espiritualizado nesse sentido.”

“Mas estamos contentes por ver e ouvir as mudanças nessa questão”.

Ele reiterou a insistência frequentemente repetida pelas autoridades eclesiásticas que procuram mudar a “prática pastoral” da Igreja para permitir que pessoas em situação de uniões “irregulares” recebam a Sagrada Comunhão, dizendo que não se tratava de mudar a doutrina da Igreja. Ele repetiu a proposta do Cardeal Walter Kasper e seus seguidores, dizendo que ela deveria ser uma questão de determinar “casos individuais”.

“Aqui, pelo menos para a Igreja Católica, existe uma abordagem pastoral que acontece no aconselhamento, no sacramento da reconciliação, onde as pessoas e os casos individuais são ouvidos de maneira individual ou exclusiva para que um auxílio, uma resposta pastoral possa ser dada de maneira adequada à pessoa.”

O cardeal prosseguiu: “cada situação para as pessoas divorciadas e recasadas é bastante singular. Ter uma regra geral pode ser contraproducente no final. Minha posição no momento é perguntar: ‘Podemos tomar todos os casos com seriedade e há, na tradição da Igreja, caminhos no sentido de resolver cada caso individualmente?’. Esta é uma questão que espero que as pessoas apreciem; não é fácil dizer ‘não’ ou dizer ‘sim’. Não podemos dar uma fórmula para todos.”

11 comentários sobre “Na Inglaterra, um cardeal diz “preparem-se para o martírio em favor do matrimônio”, enquanto outro denuncia a linguagem “dura”.

  1. Santo Tomás de Aquino, membro da Igreja Triunfante, deve estar perplexo com a defesa de uma dita ” teologia serena”, onde a Verdade e o Magistério são substituídos por uma imprecisa, vaga Misericórdia, que nada mais é que dobrar-se de joelhos para o modernismo relativista e secular que impõe-se na Sociedade neopagã e infiltra-se, qual fumaça de Satanás, nas brechas da Igreja de Cristo ( como observou alhures Paulo VI).

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    1. Não a toa que hoje em dia substituíram a clareza e objetividade que busca a verdade do Doutor Angélico e de outros santos e teólogos doutos por essa imunda nova teologia que foi materia do CVII.

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  2. Depois que li o artigo Dois anos com Bergoglio. Dois anos de terror, do Padre Cristóvão e Padre Williams: “O que dizer de um papa que se confraterniza com mega-esquerdistas”

    Não me resta mais dúvidas! A Maçonaria assaltou a Cátedra de São Pedro através de Bergoglio.

    Por que falo da Maçonaria? “… suprimi o temor de Deus e o respeito devido às suas leis; deixai cair em descrédito a autoridade dos príncipes; dai livre curso e incentivo à mania das revoluções; dai asas às paixões populares, quebrai todo freio, salvo o dos castigos, e pela força das coisas ireis ter a uma subversão universal e à ruína de todas as instituições: tal é, em verdade, o escopo provado, explícito, que demandam com seus esforços (muitas associações comunistas e socialistas)” Leão XIII, Encíclica Humanum Genus, (Encíclica contra Maçonaria) de 20 de abril de 1884 – Editora Vozes Ltda., Petrópolis, págs. 20-21.

    Mas “as portas do inferno NÃO PREVALECERÃO contra ela, a Santa Igreja é de Cristo, não dos pobres ou do mundo! (São Mateus, 16,18):

    Papa Francisco diz que seu reinado será breve e que não se sente só

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  3. Correção:
    Eles insistem nesse negócio de a Igreja reaprender a misericórdia como se ela nunca tivesse tido no passado.Que misericórdia maior pode haver para um casal homossexual do que lhes informar que estão em pecado gravíssimo,que clama ao céu por vingança e que, se não deixarem de praticar o ato homossexual, irão pro inferno com certeza?
    O que essa nova pastoral da misericórdia pretende dizer a eles?
    Talvez dirão:
    -bem, se voces se amam e estão em uma união estável então podem comungar o Corpo do Senhor para receberem a sua benção!O que vale é o amor!

    De Tagles e Kaspers para papas Deus nos livre.
    Nuvens sombrias despontam no horizonte.
    Intensifiquemos nossas orações para que Deus converta esse mau clero.

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  4. “O cardeal (Tagle), que acaba de ser nomeado pelo Papa como chefe da Federação Bíblica Católica, está começando a ser rotulado por alguns observadores como um possível candidato para o próximo conclave.”
    O meu pior medo nem é mais tanto do que Francisco possa fazer, mas do que seu sucessor possa fazer, se e que haverá algum sucessor para Francisco, nessa situação caótica não seria de surpreender- se o próprio Cristo descesse do Céu e interrompesse o próximo Conclave

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  5. Esta gentalha que assume uma posição diametralmente contrária à doutrina, está com as costas quentes, não fazem mais do que propagar os erros que o papa apoia. Vejam a homilia de ontem acerca da misericórdia
    ““Um homem ou uma mulher – que se sente doente na alma, triste… num certo momento sente que as águas se mexem, é o Espírito Santo que faz mexer algo … E toma coragem e vai. E quantas vezes, nas comunidades cristãs encontra as portas fechadas: ‘Mas tu não podes, não, tu não podes. Tu erraste aqui e não podes. Se quiseres vir, vem à missa no domingo, mas fica ali, não faças nada’. E aquilo que o Espírito Santo faz nos corações das pessoas, os cristãos, com psicologia de doutores da lei, destroem”.” papa Francisco
    Como podemos ver os doutores da lei como o Cardeal americano Raymond Burke só destroem o impulso divino…
    http://pt.radiovaticana.va/news/2015/03/17/papa_sede_misericordiosos,_n%C3%A3o_fecheis_as_portas_da_igreja/1130080

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  6. Cardeal Burke uma das poucas vozes da razão na Igreja atual. Já Tagle, queira Deus que não seja escolhido no novo conclave!

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  7. Estou com o Cardeal R. Leon Burke. Parece-me que não só a fumaça, mas todos os erros e as trevas entraram no Vaticano. Não como negar, infelizmente. Como bem dizia São Pio X:”enganam-se aqueles que querem conciliar a Igreja ao mundo, como se pudesse conciliar a Cristo com o demônio, ou a Verdade com a mentira.”
    Rezemos e vigiemos.
    Que o Imaculado Coração de Maria Santissíma nos guie até Cristo Rei.

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  8. Ah… Estou me lembrando… Do cardeal Tagle, aquele todo sorridente que aparece ao lado do papa Francisco fazendo aquele gesto dos DEDOS CHIFRADOS – que seria invocação de Satã – como fazem os grupos satanistas dos Heavy Metal da vida, mesmo o Anton La Vey…
    … “Neste fim de semana, em outro lugar do Reino Unido, o Cardeal Tagle, de Manila, reprovou o uso de linguagem “dura” e “severa” para descrever os pecados de adultério e comportamento homossexual. Após o Congresso de Jovens Flame 2 na Arena Wembley, em Londres, ocorrido nesta semana, ele disse ao Daily Telegraph que a Igreja precisa reaprender seu ensinamento sobre a “misericórdia”.
    Ah, sim Cardeal Tagle: a Igreja precisa realmente ser mais acolhedora, misericordiosa, compassiva com os erros alheios, andar lado a lado com as pessoas, mesmos com os amasiados em segundas uniões, com os homôs em sodomia e seja de qual religião for, sem grilos!
    Nem precisa de conversão; fique onde está, aja como quiser e será ÇÁUVU!
    O pior de concordar com o Cardeal Tagle & Ass., é refutar os ensinamentos de Jesus, ajuntarem-se aos que disseram o abaixo que se afastaram de Jesus pelas suas firmes palavras:
    “Muitos, pois, dos seus discípulos, ouvindo isto, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir? Jo 6:60.

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  9. Queriam mudanças. Queriam aggiornamento. Mas tanto estão mudando que a Igreja corre o risco de não SER a mesma. Então não queriam mudanças, queriam destruir a própria igreja. Estão afetando a sua própria identidade.

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