Comunicado da Casa Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X.

Comunicado da Casa Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X a respeito da sagração episcopal do Padre Jean-Michel Faure.

Em 19 março de 2015, o bispo Richard Williamson realizou a consagração episcopal do padre Jean-Michel Faure no Mosteiro Beneditino de Santa Cruz, em Nova Friburgo, Brasil.

Bispo Williamson e Padre Faure deixaram de ser membros da Sociedade de São Pio X desde 2012 e 2014 respectivamente, por causa de suas críticas violentas a quaisquer relações com as autoridades romanas. De acordo com eles, tais contatos seriam incompatíveis com o trabalho apostólico do Arcebispo Lefebvre.

A Sociedade de São Pio X lamenta sinceramente que este espírito de oposição levou a uma consagração episcopal. Em 1988, o arcebispo Lefebvre havia manifestado claramente sua intenção de consagrar bispos auxiliares que não teriam nenhuma jurisdição, por causa do estado de necessidade no qual a Sociedade de São Pio X e os fiéis católicos se encontravam naquele momento. Seu único objetivo era disponibilizar aos fiéis os sacramentos que os padres ordenados pelos bispos iriam oferecer. Depois de ter feito todo o possível para ganhar a permissão da Santa Sé, o arcebispo Lefebvre procedeu com as consagrações solenes em 30 de junho de 1988, na presença de milhares de sacerdotes e fiéis e centenas de jornalistas de todo o mundo. Ficou muito claro em todas as circunstâncias que, apesar da falta de autorização de Roma, esta ação foi conduzida da maneira mais pública possível, para o bem da Igreja e das almas.

A Sociedade de São Pio X denuncia esta consagração episcopal do Padre Faure, a qual, apesar das afirmações de ambos os clérigos em causa, não é em nada comparável às consagrações de 1988. Todas as declarações do bispo Williamson e Pe Faure  provam com evidências abundantes que eles não mais reconhecem as autoridades romanas, exceto de uma forma puramente retórica.

A Sociedade de São Pio X ainda sustenta que o presente estado de necessidade torna legítima sua ação por todo o mundo, sem negar a autoridade legítima daqueles pelos quais ela continua a rezar em cada Missa oferecida. A Sociedade tem a intenção de continuar o seu trabalho de formação sacerdotal de acordo com os seus estatutos. E igualmente tem toda a intenção de preservar o depósito da Fé e a pureza da doutrina moral da Igreja, em oposição a erros, que venham de onde vierem, a fim de transmitir tal fé e moral através liturgia tradicional e da pregação, de acordo com o espírito missionário de seu fundador: Credidimus Caritati [1 João 4:16].

Menzingen, 19 de marco de 2015

FONTE: FSSPX – Tradução: Gercione Lima

28 comentários sobre “Comunicado da Casa Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X.

    1. Olá Eduardo. Salve Maria. Publicamos nossa tradução com acesso limitadíssimo à Internet… Por isso poderia apontar, por gentileza, se há alguma imprecisão em relação ao texto do priorado? Deus lhe pague.

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  1. Se a FSSPX se limitasse a emitir uma nota esclarecendo que a sagração de hoje foi um ato de um grupo independente, sem nenhum envolvimento seu, até daria o que pensar. Mas comporta-se como ultrajada, como se fosse a dona da Tradição, como se alguém houvesse roubado uma fruta do seu pomar. Sem contar que soa como bajulação à igreja conciliar. Walter Kasper deveria mandar-lhes a bênção. Do que irão acusar a Resistência? De liberalismo? Mas foi exatamente por ser tida como dura demais que a Resistência foi formada. De sedevacantismo? Mas é público o repúdio da Resistência a essa tese. A realidade dos papas atuais é um pesadelo maior do que se os mesmos fossem uns impostores. Pois reitero o que havia dito: se a FSSPX claudicou, a Resistência chegou em excelente momento. Mas se a Resistência se enganou a respeito da FSSPX, ainda assim é muito bom que exista um segundo grupo, nem que seja para garantir que o trabalho de D. Lefebvre de transmitir o sacerdócio e mesmo em momentos difíceis o episcopado, permaneça. Levai as mãos aos céus, católicos! Há mais um bispo católico neste mundo!

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  2. O bispo Richard Williamson é um homem inteligente e certamente mediu as consequências de sua ação antes de agir. Ele se distanciou da FSSPX e não teme uma segunda excomunhão. Vale lembrar que o Arcebispo Lefebvre morreu excomungado.
    Sinceramente creio que D. Williamson aceitou de bom grado ser boi-de-piranha do cisma que se aproxima. Quem revogou a excomunhão de D. Williamson foi o Papa Bento XVI, que, hoje já se sabe, foi obrigado a renunciar.
    Não li em nenhum lugar o que vou escrever agora, mas estou convicto de que a ação de D. Williamson faz parte de uma agenda para formalizar o cisma. O Papa Francisco terá de se manifestar e possivelmente irá excomungar D. Williamson. Se a minha hipótese estiver correta, logo após a excomunhão, Bento XVI virá a público defender D. Williamson e o cisma, que está latente, vira à tona.
    Aguardemos, pois, os próximos acontecimentos.

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    1. Continua sonhando, amigo.

      Mas cuidado para não acordar.
      A realidade aqui fora está muito longe disso.

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  3. Uma sagração feita praticamente as escondidas ,no calar da madrugada, quantos casos de seitas e cimas já vimos com tal ato! Se intitulam salvadores da Igreja ,mas plantam um Cisma na mesma .Do mesmo modo que liberais modernos massacram a Igreja cada dia mais , esse grupo massacra a Igreja com orgulho e petulância. Não podemos aceitar que facções como essa em nome da Santa Missa tridentina,possam criar cisma e confusão dentro da Santa Igreja . Parabéns a FSSPX pela nota muito explicativa . De fato esse grupo não reconhece mais o Papa ficando apenas de um modo retórico.

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  4. Está aí uma manifestação sensata, plena de caridade, em união com Roma, embora clara, assertiva e sem olvidar os problemas que existem – e não são poucos. O Espírito Santo vela por sua Igreja!

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  5. “De acordo com eles, tais contatos seriam incompatíveis com o trabalho apostólico do Arcebispo Lefebvre.” Quer dizer que os superiores da FSSPX consideram os contatos hoje compatíveis?

    “É absolutamente impossível no clima atual de Roma, que se torna cada vez pior. Não devemos ter ilusões. Os princípios que dirigem agora a Igreja conciliar são cada vez mais abertamente contrários à doutrina católica. Todas as idéias falsas do Concilio continuam se desenvolvendo, se reafirmam cada vez com mais clareza. Ocultam-se cada vez menos. É, pois, absolutamente inconcebível que se possa colaborar com semelhante hierarquia.” (Dom Marcel Lefebvre, in Fideliter nº 79)

    Reflexão: se com João Paulo II e Joseph Ratzinger a situação era grave como disse Dom Lefebvre, o que dizer de Francisco e Müller?

    “Seu único objetivo era disponibilizar aos fiéis os sacramentos que os padres ordenados pelos bispos iriam oferecer.” Não é a primeira vez que vejo essa releitura “conservadora” da obra de Dom Lefebvre. Onde está o combate ao modernismo?

    O que era para ser motivo de alegria para os grupos tradicionalistas, ainda que uma alegria contida por conta de ser resultado de um grave estado de necessidade, vira motivo de escândalo, reprovação e visível medo de ser identificado com esse grupo. Se Dom Williamson e a União Sacerdotal Marcel Lefebvre seguem o combate ao modernismo à sua maneira, por assim dizer, isso seria motivo para orações pela perseverança deles para que trilhem o bom caminho, mas infelizmente vejo repúdio e intriga por parte de muitos. Certos “tradicionalistas” estão zelando mais pelos conservadores como os Franciscanos da Imaculada do que pelos próprios irmãos mais próximos!

    Rezei meu terço por Dom Williamson e por Dom Faure pedindo ao Sagrado Coração de Jesus, Nossa Senhora Aparecida, São José e São Pio X para que eles sejam iluminados e que façam o melhor pela Santa Igreja. Ainda que discordemos ou não entendamos (ainda vou conversar com meu diretor espiritual sobre esse fato histórico ocorrido hoje em Nova Friburgo/RJ), rezemos para que tudo seja para a maior Glória de Deus.

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  6. FRATRES;

    Diante da “Nota da FSSPX” e especialmente de alguns “comentários” postados aqui, “defendendo a “Tradição” (e concordando com o aconchego romano-modernista) nada resta a não ser as “sapientíssimas palavras” empregadas em um comercial de TV:

    “SABE DE NADA, INOCENTE”!!!

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  7. Todo Católico fiel à Tradição da Igreja sentiu-se sim, ultrajado com esse gesto insano. E aqui eu não incluo como Católicos Tradicionais, nem sedevacantistas e nem aqueles que acham que podem consertar a Igreja saindo dela ou ficando à margem do caminho como cães que só ladram em blogs de internet. Pois nesse ponto eu endosso o que esclareceu o teólogo Ronald Knox em seu Tratado sobre a Fé dos Católicos:

    “Acreditar em Doutrinas Católicas enquanto se ignora aquela infalível autoridade que mantém todas essas doutrinas coesas, não é ter a Fé Católica, mas uma série de opiniões especulativas. E é a primeira infidelidade a que mais conta”.

    É de temer sim, que todas as conquistas do movimento tradicional acabem indo para o ralo, porque queiram ou não, o homem que hoje ocupa a cátedra de Pedro, legitimamente ou ilegitimamente, (só Deus sabe!) tem o condão de por um freio em tudo que já foi conquistado até hoje e ele já demonstrou por todos os meios possíveis que não tem um pingo de simpatia por esse movimento.
    É de temer sim, que aqueles na Cúria e fora dela que atacaram Bento XVI por ter estendido a mão aos Bispos da SSPX visando sanar a divisão, que o acusaram de ter sido insensato ao dar ouvidos a um grupo de lunáticos, finalmente se sintam justificados até pela boicotagem que fizeram ao seu Pontificado.
    Por outro lado, cabia sim um comunicado pra explicar que a SSPX não tem nada a ver com essa insanidade e nem a endossa porque infelizmente os 4 bispos foram sagrados por Dom Lefebvre e igualmente, aos quatro, Bento XVI anulou a sentença de excomunhão sob precisas condições.
    Talvez os arautos da chamada “resistência” não estejam bem a par dessas condições , mas quando no dia dia 21 de Janeiro de 2009 o Cardeal Giovanni Battista Re enviou uma carta à Dom Fellay anunciando a remissão da pena de excomunhão, entre outras coisas a carta mencionava que tal gesto do Papa, era “um sinal pra se promover a unidade na caridade da Igreja Universal e tentar por um fim no escândalo da divisão”.
    É provável que também ignorem o fato de que nas negociações para a anulação das excomunhões, com as quais Dom Williamson concordou, os 4 Bispos da Fraternidade assumiram o compromisso de evitar críticas públicas que desrespeitem a pessoa do Santo Padre e que sejam daninhas à caridade eclesial.
    Daí se explica porque a metralhadora de Dom Williamson só aponta pra Dom Fellay e pelo menos em público evita mirar em Bergoglio. Acusam Dom Fellay de ter arrefecido nas críticas à Igreja, enquanto o próprio mestre que ajuntaram para si faz o mesmo, deixando os ataques para serem feitos apenas “privadamente”.
    “Coincidentemente,” apenas um dia após a remissão das excomunhões, advinha quem entra em cena novamente? No dia 22 de janeiro começa a circular na internet e na mídia uma entrevista de Dom Williamson à TV sueca, que colocou o Papa em saia justa e na mira dos seus piores inimigos, a ponto dele ter que escrever uma carta pública aos revoltosos tentando justificar seu gesto de reconciliação.
    O texto, intitulado oficialmente “Carta de Bento XVI aos Bispos da Igreja Católica, sobre a remissão da excomunhão dos quatro bispos consagrados pelo arcebispo Lefébvre”, destina-se a todos os bispos da Igreja e começou a ser escrita em meados de fevereiro. Nele, o papa faz um forte desabafo sobre as acusações e as pressões geradas pelo caso Williamson:

    http://www.gaudiumpress.org/content/2552-Vaticano-divulga-carta-de-Bento-XVI-sobre-excomunhao-dos-bispos-lefebvrianos

    Dom Williamson então chega ao ponto de invocar o Profeta Jonas em sua carta de desculpas que não foi aceita pelo Vaticano, visto a falta de sinceridade nas intenções: “Tomai-me, disse Jonas, e lançai-me às águas, e o mar se acalmará. Reconheço que sou eu a causa desta terrível tempestade que vos sobreveio”.

    Depois agradece pessoalmente ao Papa por ter anulado sua excomunhão, o que é uma tremenda contradição tanto pra ele como para seus seguidores que batem no peito dizendo que não se importam de serem “excomungados” pela igreja conciliar.
    Se Dom Williamson realmente não se importava com a “primeira excomunhão”, ou não a reconhecia, jamais teria escrito pra Bento XVI agradecendo o gesto, muito pelo contrário, teria vindo a público repudiá-lo, sustentando que “não quer conta” com a Roma Apóstata.
    A SSPX está certíssima quando diz que esse grupo que se formou em torno do Bispo rebelde já deu evidências abundantes de que eles não mais reconhecem as autoridades romanas, exceto de uma forma puramente retórica.
    O repúdio que eles fazem dessa tese é baseada num contorcionismo que não justifica e nem explica coisa alguma. Dizem reconhecer a autoridade de Francisco só da boca pra fora, enquanto na prática não a reconhecem e é por isso que arrogaram para si mesmos o direito até de até sagrar um bispo enquanto a tradição florece no mundo inteiro apesar da antipatia do atual pontífice reinante.
    Muito lamentável tudo isso, pois depois de ter se livrado do estigma do cisma, Dom Williamson se vê outra vez envolvido nele e vencido, tornou-se-lhe o último estado pior do que o primeiro.
    “Deste modo sobreveio-lhe o que por um verdadeiro provérbio se diz: O cão voltou ao seu próprio vômito, e a porca lavada voltou a revolver-se no lamaçal”.
    (2 Pedro 2:20-22)

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    1. Bravo dona Gercione.

      Ninguém pensou que por causa desse gesto o papa pode anular as disposições do Motu Proprio Summorum Pontificum em retaliação?

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  8. Parece que as pessoas não lêem a vida dos santos. Eles também passaram por situações eclesiais adversas, mas souberam ser pacientes, não eram inquietos, afobados e precipitados. Nunca se sentiram um “plano B” para a Igreja, mas confiavam na Divina Providência. Sabiam que quem salva a Igreja é Deus e que a tática do atropelo, do “chutar o balde”, não convém a homens espirituais. Errou Dom Williamson.

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  9. Caro Ferreti,

    Nossa! Quem sou eu, caríssimo, pra corrigir algo que suponho ter sido escrito numa língua que apenas sei o “petit gateau” e depois traduzido para o inglês, que Gercione fez a gentileza de traçar para o português?

    Só coloquei o link do site do Priorado como fonte oficial, sem intenção de corrigir nada, nem no Fratres e nem na tradução de Gercione. Obrigado pela simpatia de sempre e desculpe não ter deixado claro o motivo.

    Abraço meu caro!

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  10. Pelo visto, tem muita gente que “pegou o bonde andando” e só está na FSSPX porque ela não é mais a mesma, a ponto de não mais incomodar os modernistas e ser até agradada pelo demoníaco* Parlamento Europeu (o infeliz caso do Presépio que desapareceu).

    As Sagrações feitas por Dom Marcel Lefebvre em 1988 foram uma “afronta” muitíssimo maior à Roma conciliar do que a realizada ontem por Dom Richard Williamson, pois foram fruto de um ultimato da parte de Dom Lefebvre. Pelo que vejo, o lugar de muitos que se acham “lefebvristas” mas que não passam de “fellayistas” é na Fraternidade São Pedro, formada pelos que não tiveram coragem de dar esse passo a mais por Nosso Senhor.

    Não creio que Dom Williamson tenha motivos para confiar o futuro da USML a algum Bispo da FSSPX ou de alguma “comunidade Ecclesiae Dei”; a nota em questão só justifica sua desconfiança. Ainda mais porque no momento em que mais precisou ao criticar o sustentáculo-mor do sionismo viu Dom Fellay expulsá-lo “à Caifás”, fazendo-o perecer moralmente via expulsão para que não perecesse toda a FSSPX sob as garras do poderosíssimo lobby judaico-maçônico-modernista.

    Não sou membro nem da FSSPX tampouco da USML, mas vejo hoje a União Sacerdotal Marcel Lefebvre como a herdeira da incompreensão, sofrimento e perseguição perpetrados contra Dom Lefebvre, Dom Antônio e os católicos fiéis à Tradição da Igreja. A Sagração de ontem foi prudente? Não sei, mas é compreensível se nos colocarmos na situação da USML.

    Rezemos para que Nosso Senhor ilumine esses Bispos para que tudo que fizerem seja pelo triunfo do Imaculado Coração de Maria.

    Jesus, Maria e José, salvai as nossas famílias!
    São Pio X, rogai por nós!

    * http://flagelorusso.blogspot.com.br/2013/09/primeiro-ministro-hungaro-denuncia-no.html

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  11. Bravo Gercione, bravo!

    Completo apenas dizendo que “pelos frutos se conhece uma árvore”. São as palavras do próprio Cristo para nos fazer discernir o pastor do lobo, o mal do bem, etc. Ora, a sagração de Dom Marcel foi um bom fruto pelos enorme bem que fez na tradição no mundo e a própria Igreja reconheceu isso ao levantar as excomunhões. Um bom pastor é reconhecido até depois de morto.

    Agora, vem esse baque dessa sagração orgulhosa de Dom Williason. Um triste episódio, sem dúvida.

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  12. Só por essa afirmação se vê onde está concentrado todo o afã desses “resistentes” em “salvar a igreja” e as almas:

    “Ainda mais porque no momento em que mais precisou ao criticar o sustentáculo-mor do sionismo viu Dom Fellay expulsá-lo “à Caifás”, fazendo-o perecer moralmente via expulsão para que não perecesse toda a FSSPX sob as garras do poderosíssimo lobby judaico-maçônico-modernista”.

    Então tá explicado! Todo o ressentimento contra Dom Fellay foi porque ele não apoiou o Bispo rebelde em suas estaparfúdias teorias de conspiração políticas que não tem absolutamente nada a ver com religião ou a salvação das almas. Quanta cegueira!
    Mas não se preocupem porque Bispo Williamson não pereceu sob a garra do poderosíssimo lobby judaico-maçônico-modernista!
    Antes mesmo que os arautos da resistência tupiniquim se unissem pra armar uma redinha de proteção e protegê-lo da queda, outro lobby poderosíssimo formado por filo-nazistas, anti-semitas, pro-islamistas e revisionistas como a famosa socialite inglesa Michele Renouf ( que foi pessoalmente recebê-lo no aeroporto de Londres), David Irving, e o anti-semita e racista, Fredrick Toben, já haviam tomado a dianteira:

    http://www.telegraph.co.uk/news/religion/4885781/The-downfall-of-a-Bishop.html

    Com amigos desse quilate financiando advogados e guarda-costas para que ele continue espalhando suas intrigas políticas pela net, em entrevistas, viagens e conferências, quem precisa de FSSPX?
    Informe-se melhor antes de fazer um comentário desses que é um insulto à inteligência das pessoas, pois até um advogado de porta-de-cadeia tem a obrigação de conhecer os antecedentes criminais de seu cliente antes de se propor a fazer sua defesa.
    Dom Alfonso de Galarreta enviou no dia 27 de novembro de 2013 uma carta aos padres do Seminario de La Reja onde ele explica claramente os motivos da expulsão de Dom Williamson:

    “O outro acontecimento ao qual queríamos nos referir e que afetou o Seminário de maneira particular, pois que levou à perda do nosso diretor, é a mais delicada de se tratar e assim faremos uma única observação. Você pode procurar a verdade em vários campos e de diferentes maneiras, ainda mais hoje, quando tudo é posto em discussão. Um cristão fiel pode buscar o esplendor da verdade no terreno científico, político, histórico, na cultura, saúde, sendo diferente em cada caso o grau de certeza com que eles podem alcançar a verdade.
    Nossos padres podem ter trazido de sua formação intelectual ou profissional, interesses diversos e ainda deixar para esses, algum lugar em suas leituras como sacerdotes. Mas o combate da Fraternidade não é a defesa de quaisquer um desses interesses, senão o de defender a Verdade revelada à luz da Fé. Como dissemos, a Fraternidade nasceu para a Igreja, a missão da Fraternidade é lutar no campo teológico, e mais particularmente, tem a missão de apoiar o Magistério tradicional e denunciar os erros modernos infiltrado na Igreja.
    No entanto, esse combate não somente é o principal, pois a teologia é a ciência mais alta e mais segura, já que se apoia na veracidade de Deus, mas é o único que sabemos que triunfará. Porque as únicas verdades capazes de triunfar sobre o poder tenebroso do demônio são aquelas proferidas por nosso Senhor. Só Ele é a Luz do mundo, só a Doutrina revelada por Ele tem o poder de triunfar sobre o mal e a mentira diabólica. Assim, a Fraternidade não entra e nem deve entrar em qualquer discussão que não esteja diretamente envolvida e em estreita colaboração com as verdades da fé. Fora disso ela não será assistida pela força do Alto.
    Por isso, o nosso Superior Geral tem não só o pleno direito, como a obrigação, de proibir a todo e qualquer membro da Fraternidade de entrar em discussões fora do terreno da Fé. Um capitão, por mais valente que seja, não deve deixar-se arrastar para outros combates diferentes daqueles empreendidos por seu General e neste caso, o General ao qual nos referimos nem é o Superior da Fraternidade, mas o próprio Jesus Cristo. Nosso Senhor não ordenou aos seus Apóstolos que saíssem ensinando tudo o que eles podiam ensinar, mas tão somente aquilo que Ele mesmo os havia ensinado.
    Tivemos um capitão no Seminário ao qual somos gratos por muitas coisas que ensinou, mas que em assuntos alheios à sua missão como diretor e Bispo se deixou levar pra muito além do que lhe era devido. E não faltaram inimigos poderosos que souberam tirar partido deste deslize para causar sérios danos à obra e ao apostolado da Fraternidade.
    Se fez então necessário que ele deixasse seu cargo. Ele pediu perdão e todos sofremos pelas consequências de seus atos.
    Que ninguém veja o acontecido como uma uma fraqueza da Fraternidade, mas apenas a clara consciência de sua missão”.

    Essas são as palavras de alguém que viveu toda a situação e tem autoridade pra falar dela. Conjecturas e especulações de quem maliciosamente ataca sem conhecer a verdade é assunto pra o Sacramento da Confissão pois dizem respeito diretamente ao oitavo mandamento da Lei de Deus.
    O interessante na Carta de Dom Galarreta é que ele revela que Dom Williamson pediu perdão pelos graves danos que ele acarretou tanto ao Santo Padre como à Sociedade por sua imprudência, e no entanto continuou fazendo o mesmo!
    Em sua carta de pedido de perdão endereçada ao Vaticano, ele chega a escrever:

    “the events of recent weeks and the advice of senior members of the Society of St Pius X have persuaded me of my responsibility for much distress caused.”
    “To all souls that took honest scandal from what I said, before God I apologise.”

    traduzindo: “os eventos das últimas semanas e os conselhos dos membros mais antigos da Sociedade de São Pio X, me persuadiram da minha responsabilidade por todas as atribulações que eu causei. A todas as almas que se escandalizaram pelas coisas que eu disse, diante de Deus eu peço perdão”.

    Dá pra levar a sério um homem desses? Eu não seguiria o Bispo Williamson nem até ali na esquina pra tomar um cafezinho! Que dirá confiar a salvação de minha alma a um homem que bate e assopra, que não honra a palavra empenhada, que diz uma coisa e faz outra! Que Deus tenha misericórdia dos cegos que se deixam guiar por ele!

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  13. Padre Faure foi a primeira escolha de Dom Lefebvre para a sagração de 1988, ele recusou e indicou Dom Galarreta. É muito significativo que ele tenha recusado a sagração das mãos de Dom Lefebvre e tenha aceitado das mâos do “imprudente” Dom Williamson.

    Já quanto a expulsão de Dom Williamson, ela não encontra embasamento no CDC de 1917 e nem no CDC de 1983, conforme pode se ler:
    Um bispo da Fraternidade pode expressar-se livremente?

    1º CIC 1917, can. 627[1].

    §1. Religiosus, renuntiatus Cardinalis aut Episcopus sive residentialis sive titularis, manet religiosus, particeps privilegiorum suae religionis, votis ceterisque suae professionis obligationibus adstrictus, exceptis iis quas cum sua dignitate ipse prudenter iudicet componi non posse, salvo praescripto can. 628.

    §2. Eximitur tamen a potestate Superiorum et, vi voti obedientiae, uni Romano Pontifici manet obnoxius.

    § 1. O religioso, elevado a Cardeal ou Bispo, residencial ou titular, permanece religioso, participante dos privilégios de sua religião, e sujeito às vontades e a todas as outras obrigações de sua profissão, exceto aquelas que ele considera, em sua prudência, não serem compatíveis com sua dignidade, salvo a prescrição do Can. 628[2].

    § 2º. No entanto, é isento do poder dos Superiores, e, em virtude de seu voto de obediência, permanece sujeito unicamente ao Pontífice Romano.

    2º CIC 1983, Can. 705[3].

    Religiosus ad episcopatum evectus instituti sui sodalis remanet, sed vi voti oboedientiae uni Romano Pontifici obnoxius est, et obligationibus non adstringitur, quas ipse prudenter iudicet cum sua condicione componi non posse.

    O religioso elevado ao Episcopado permanece membro do seu instituto, mas por força do voto de obediência está unicamente subordinado ao Romano Pontífice, e não está sujeito às obrigações que ele próprio prudentemente julgue não se poderem harmonizar com a sua condição.

    3º Carta de Mons. Lefebvre aos futuros bispos, aos 28 de agosto de 1987[4]

    a) “(…) eu me vejo obrigado pela Divina Providência a transmitir a graça do Episcopado católico que eu recebi, para que a Igreja e o sacerdócio católico continuem a subsistir para a glória de Deus e a salvação das almas.

    É por isso que, convencido de cumprir apenas a Santa Vontade de Nosso Senhor, com esta carta vos peço que aceiteis receber a graça do Episcopado católico, como já conferi a outros sacerdotes, em outras circunstâncias.”

    b) “O objetivo principal desta transmissão é o de conferir a graça da ordem sacerdotal para a continuação do verdadeiro Sacrifício da Missa, e para conferir a graça do sacramento da confirmação aos filhos e aos fieis que vos a pedirem.”

    c) “Em fim, eu vos exorto a permanecerem ligados à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, de permanecerem profundamente unidos entre vós, submissos ao seu Superior Geral, na Fé Católica de sempre, lembrai-vos destas palavras de São Paulo aos Gálatas: ‘Sed licet nos aut angelus de coelo evangelizet vobis praeterquam quod evangelizavimus vobis, anathema sit. Sicut praedicimus et nunc iterum dico: si quis evangelizaverit praeter id quod accepistis, anathema sit’! (‘Mas, ainda que alguém – nós ou um anjo baixado do céu – vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema! Repito aqui o que acabamos de dizer: se alguém pregar doutrina diferente da que recebestes, seja ele excomungado’!)”.

    Questão

    Mons. Williamson é bispo auxiliar da Fraternidade de São Pio X e não tem nenhum cargo dentro da Fraternidade de São Pio X. Ele é acusado de livre-expressão em seu blog na Internet (Comentários Eleison) e de ministrar sacramentos (Crismas no Brasil) sem mandato de seu Superior Geral.

    Até que ponto isso é compatível com a obediência devida ao Superior Geral? Sobretudo nas circunstâncias particulares das sagrações episcopais de 1988, em que Mons. Lefebvre exortou à submissão ao Superior Geral os eleitos para o Episcopado (cf. 3c).

    Resposta

    O bispo membro de um instituto não é um membro como os outros. Seu Episcopado, pela dignidade conferida pelo Código de 1917 ou sob condição, pelo Código de 1983, é independente de seus superiores. O Direito Canônico lhe reconhece a isenção das obrigações de seu instituto quando elas forem incompatíveis com o seu Episcopado. E o discernimento desta isenção é afeito à sua prudência[5] (“ipse prudenter”): cf. 1 e 2.

    O governo que este bispo possui ou não possui não muda nada diante desse fato de direito. O Código de 1917 visa o bispo tanto residencial quanto titular, isto é, governante ou não governante uma diocese. O Código de 1983 refere-se ao religioso elevado ao Episcopado, sem especificar. De fato, o direito da Igreja protege o Episcopado, sem reservas.

    As circunstâncias das Sagrações de 1988 também não mudam nada: é, obviamente, o mesmo Episcopado que o seu, e o mesmo Episcopado que ele já transmitiu, que Mons. Lefebvre transmite aos 30 de junho de 1988 (cf. 3a): o Episcopado Católico.

    Este Episcopado não se reduz à transmissão dos sacramentos da ordem e da confirmação: Mons. Lefebvre certamente disse que esta é a sua primeira intenção, seu objetivo principal (cf. 3b) e, portanto, não-exclusivo[6].

    A admoestação de Mons. Lefebvre de serem “submissos ao Superior Geral” (cf. 3c) se exerce, portanto, dentro do quadro do Can. 627 (CIC 1917), reafirmado no Can. 705 (CIC 1983).

    Assim, tendo em vista os cânones 627 e 725 e a admoestação de Monsenhor Lefebvre, o Bispo Williamson está dentro de seu bom direito, e isso priva de efeitos o julgamento da FSSPX sobre o motivo evocado para expulsá-lo!

    http://farfalline.blogspot.com.br/2012/10/fellay-e-o-bom-direito-porque-dom.html

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  14. Gederson, você pode fazer o contorcionismo que quiser, mas não explica e nem convence. Não adianta vir aqui citando o mesmo Código de Direito Canônico que vocês não reconhecem e criticam, para justificar as atitudes insanas de Dom Williamson. Você mesmo cai em contradição quando escreve:

    “O religioso elevado ao Episcopado permanece membro do seu instituto, mas por força do voto de obediência está unicamente subordinado ao Romano Pontífice”.

    Ora, um dia após Bento XVI ter anulado a excomunhão, a qual Dom Williamson concordou sob específicas condições e ainda agradeceu numa carta que é pública, ele deu uma banana para o Romano Pontífice e lá estava ele novamente traindo a palavra empenhada, colocando tanto a Fraternidade da qual fazia parte, como o próprio Sumo Pontífice numa enrascada.
    Essas são as palavras claras do Papa Bento XVI em sua carta ao Episcopado:

    “Uma contrariedade que eu não podia prever foi o facto de o caso Williamson se ter sobreposto à remissão da excomunhão. O gesto discreto de misericórdia para com quatro Bispos, ordenados válida mas não legitimamente, de improviso apareceu como algo completamente diverso […]Disseram-me que o acompanhar com atenção as notícias ao nosso alcance na internet teria permitido chegar tempestivamente ao conhecimento do problema. Fica-me a lição de que, para o futuro, na Santa Sé deveremos prestar mais atenção a esta fonte de notícias. Fiquei triste pelo facto de inclusive católicos, que no fundo poderiam saber melhor como tudo se desenrola, se sentirem no dever de atacar-me e com uma virulência de lança em riste”.

    Ou seja, se o Santo Padre tivesse tido conhecimento prévio das artimanhas e má-fé de Dom Williamson jamais teria anulado sua excomunhão!
    O fato é que essa tão defendida “liberdade de expressão” de Dom Williamson, que se acha no direito de pontificar sobre teorias de conspiração que não tem absolutamente nada a ver com a fé, causou um terremoto na Igreja Católica na Alemanha.
    O fato de Bento XVI ter anulado a excomunhão de um Bispo que zomba de um assunto que ainda é ferida aberta naqule país como o Holocausto, levou o Governo Alemão a ameaçar cortar a galinha dos ovos de ouro da Igreja que é a kirchensteuer.
    Hermann Haering, o famoso teólogo liberal alemão, declarou publicamente que Bento XVI deveria renunciar para “o bem da Igreja”. Werner Thissien, Bispo de Hamburgo, também declarou que a readmissão de Bispo Williamson à Igreja havia gerado uma perda de confiança no Papa. Christoph Schönborn, Arcebispo de Viena e Gerhard Ludwig Müller de Regensburg, declararam ao Der Spiegel que Williamson jamais deveria ter sido readmitido e que não seria bemvindo em suas respectivas dioceses.
    Portanto, Dom Galarreta está certíssimo quando diz que “em assuntos alheios à sua missão como diretor e Bispo se deixou levar pra muito além do que lhe era devido. E não faltaram inimigos poderosos que souberam tirar partido deste deslize para causar sérios danos à obra e ao apostolado da Fraternidade”.
    Eu diria mais; não faltaram inimigos poderosos que souberam tirar partido de seus deslizes para causar sérios danos ao Pontificado de Bento XVI. Assim, se hoje temos um Bergoglio, agradeçam em parte, à imprudência e insubordinação de Dom Williamson.
    Bento XVI em seu discurso pelo início do ministério petrino disse:

    “Orai por mim , para que eu possa não fugir com medo dos lobos”.

    Pois Bispo Williamson o agradeceu pela anulação da excomunhão, jogando-o diretamente nos dentes dos lobos. E ele mesmo o reconhece quando cita o profeta Jonas em seu fingido pedido de perdão:

    “Tomai-me, disse Jonas, e lançai-me às águas, e o mar se acalmará. Reconheço que sou eu a causa desta terrível tempestade que vos sobreveio”.

    A verdade é que Dom Williamson nunca se submeteu ao Sumo Pontífice! Se converteu do anglicanismo protestante e foi recebido na SSPX em 1973 porque é um homem inteligente e sabe que a Doutrina Católica é verdadeira, mas amor pelo Papa e por Roma nunca teve! Apenas viu no movimento de Dom Lefebvre um movimento de resistência contra a Roma Apóstata. Uma visão que é compartilhada por todo protestante.
    Ora, se ele e seus seguidores acham que segundo o Código Canônico, não devem obediência a ninguém, então a Fraternidade está certíssima em tê-lo excluído de seus quadros! Se os próprios padres da chamada “resistência” não admitem em suas capelas quem não comunga de suas “idéias e alianças espúrias”, com que moral criticam Dom Fellay? Só se for a moral dos fariseus.
    É um insulto à inteligência de qulaquer um, vir aqui dizer que o “coitadinho” é acusado injustamente de usar seu direito de livre-expressão em seu blog na Internet (Comentários Eleison), quando é ele mesmo que em sua carta aberta a Dom Fellay, ( pública em toda a internet), admite publicamente que usava seu blog na internet pra atacar seus Superiores e depois reclama das consequencias de suas ações!
    Ele semeou a discórdia, incitou a rebelião, traiu a confiança de seu Superior correndo de comunidade em comunidade ligada à SSPX pra espalhar subversivamente o veneno de suas mentiras e arrebanhar partidários para sua causa e ainda acha que é pouca coisa! Enquanto ele era reitor do Seminário de Winona e La Reja, jamais admitiu conduta semelhante por parte de seus subordinados.
    E por que agora o Superior da Fraternidade deveria admitir sua insubordinação? Dom Fellay foi muito claro em sua última conferência ao dizer que esse espírito de rebelião, ele teve que aturar por anos e anos e não tem absolutamente nada a ver com as discussões com Roma, as quais ele teve que conduzir como quem anda sobre o fio de uma navalha. Há muito tempo que o amante das teorias de conspiração arquitetava por debaixo dos panos uma conspiração que da teoria rapidamente evoluiu para a prática.
    O fato é que seu gesto temerário trará consequências negativas para todo o apostolado em prol da Tradição Católica.
    Mas é claro que para os membros da pseudo-resistência, com seus clubinhos de porta-fechada e comunidades com catraca seletiva para os membros, não faltarão meia duzia de gatos pingados rebeldes e até um Bispo sagrado às escondidas pra administrar sacramentos e o resto da Igreja é que se dane! Grande lição de caridade!
    Ubi caritas et amor, Deus ibi est.

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  15. 
    Gercione Lima, não fiz nenhum contorcionismo, quem está a fazê-lo e demonizando um bispo é você. Um bispo tem o direito de se expressar livremente, tem o direito de opinar sobre qual matéria for. Isso desde que não exista proibição expressa da Santa Sé. Você cita o trecho:

    “O religioso elevado ao Episcopado permanece membro do seu instituto, mas por força do voto de obediência está unicamente subordinado ao Romano Pontífice”.

    Na sequência faz um comentário emotivo e sentimentalista, mas se não existe a ordem, não há que se falar em desobediência. Talvez você poderia nos dar um documento que proíbe um bispo de falar sobre o holocausto (será que Nostra Aetate teria essa proibição?)? Será difícil encontrar, pois ao que me parece não existe lei na Igreja que impeça um Bispo de opinar sobre uma matéria histórica (que como ciência não possui verdade absoluta) como o holocausto que tem desdobramentos teológicos. Se não há tal documento, não há que se falar em desobediência e prevalece o direito canônico. Dom Fellay não é o Prefeito para a Congregação para a Doutrina da Fé para submeter um bispo a silêncio obsequioso e se é submisso ao Papa, como você diz, deveria ter levado o caso para ser julgado Roma (poder para fazer o que fez, só Roma tem). Além disso, quando se fala em holocausto se entra no campo teológico, porque a palavra significa “sacrifício a Deus”.O genocídio dos judeus teve desdobramentos teológicos negativos na teologia católica. Neste sentido, alguns textos que provam o que afirmo:

    Holocaustica Religio, una Contro-Religione in un Mondo alla Rovescia
    http://doncurzionitoglia.net/2013/12/20/holocaustica-religio-una-contro-religione-in-un-mondo-alla-rovescia/

    TEO-“OLOLOCAUSTO”-LOGIA
    http://www.doncurzionitoglia.com/teo_olocausto_logia.htm

    L’olocausto
    http://www.doncurzionitoglia.com/OLOCAUSTO-310120009.htm

    LA FILOSOFIA EBRAICA CONTEMPORANEA ~ Il nichilismo teologico, la cabala di massa, il relazionismo, lo strutturalismo, il sionismo e la religione olocaustica
    http://doncurzionitoglia.net/2014/02/24/la-filosofia-ebraica-contemporanea-il-nichilismo-teologico-la-cabala-di-massa-il-relazionismo-lo-strutturalismo-il-sionismo-e-la-religione-olocaustica/

    Quanto as excomunhões, a FSSPX sempre havia defendido que eram nulas. Ora, se aceita a sua retirada, houve uma mudança, ela aceitou sua validade. A esperança da FSSPX de Dom Lefebvre não era que as excomunhões fossem retiradas, mas que fossem reconhecidas como nulas . Não retirar a excomunhão por conta de opiniões sobre o holocausto, seria um gesto digno de um presidente da Alemanha, não de um Papa. Isso não quer dizer nada de positivo, apenas mostra o nível das autoridades da Igreja, onde temos Cardeais que negam dogmas todos os dias e estariam excomungados se tivéssemos um bom Papa.

    Você fala de atitudes insanas, de má fé e artimanhas de Dom Williamson, você é Deus para julgar e sondar corações? Pode provar o que diz? O que Dom Williamson fez em nada contradiz a prudência. Isso pode ser lido no artigo “Verdadeira e falsa prudência: Resposta a Domenico Savio” de Don Curzio Nitoglia disponível no endereço:

    http://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/1172

    E também outra defesa de Dom Williamson “FSSPX: Caso Williamson, o Vaticano II e o Judaísmo: Dom Curzio” pode ser lida aqui:

    http://farfalline.blogspot.com.br/2013/01/fsspx-caso-williamson-o-vaticano-ii-e-o.html

    O holocausto tem sim muita coisa haver com a fé, pois o único holocausto aceito por Deus é o de Jesus Cristo. Apenas alguém que não leu absolutamente nada sobre o assunto, pode afirmar o que você disse. Mas se as coisas são como você diz, porque tanto alvoroço da parte daqueles que tem fé? Um bispo se manifesta em uma questão histórica que não é dogma de fé e os católicos se juntam publicamente aos mundanos em seu linxamento? A Igreja Católica na Alemanha, já deixou de ser católica a muito tempo, basta ler as notícias dos últimos anos. Dentre outras coisas, o pensamento é o de que ela não é uma filial de Roma. Somente uma questão como essa pode causar terremoto em tal Igreja, porque a fé ela já perdeu há muito tempo. Quanto as personalidades como Hermann Haering, Werner Thissien, Christoph Schönborn (Para atacar Dom Williamson, leva-se a sério tudo! O holocausto para este Cardeal, é dogma de fé: Cardeal Schönborn sobre Williamson: Obviamente, ocorreu um erro neste caso. Alguém que nega o Holocausto e a Schoah não pode ser reabilitado em um ministério eclesial. /https://fratresinunum.com/2009/01/30/cardeal-schonborn-sobre-williamson-obviamente-ocorreu-um-erro-neste-caso-alguem-que-nega-o-holocausto-e-a-schoah-nao-pode-ser-reabilitado-em-um-ministerio-eclesial/) e Gerhard Ludwig Müller (acusado de heresia a bem pouco tempo pela FSSPX), o que eles dizem, significa tanto quanto, as admoestações de Roma dirigidas a FSSPX significou para Dom Lefebvre. O arcebispo de Porto Alegre Dom Dadeus Grings falou que na 2º Guerra morreram mais católicos que judeus (foi publicado aqui no Fratres: https://fratresinunum.com/2009/03/26/dom-dadeus-grings-morreram-mais-catolicos-do-que-judeus-no-holocausto-mas-isso-nao-aparece-porque-os-judeus-tem-a-propaganda-do-mundo/).

    Portanto, Dom Galarreta está errado, não existe qualquer definição da missão episcopal que exclua a participação do Bispo na opinião pública (Todas as ciências estão ordenadas a teologia) e a questão do holocausto mostrou claramente que vivemos em um mundo e uma Igreja onde se pode negar Deus, a divindade de Jesus Cristo, dogmas da Igreja e principalmente a historicidade dos Evangelhos, enquanto não pode se contestar um evento histórico, que se tornou um dogma de fé e afeta diretamente a teologia. A missão do Bispo não é apenas de ser apenas um dispensador dos sacramentos, é antes de tudo um defensor da verdade, seja em que campo for (ainda mais quando se trata de questionar um evento que deu luz a uma religião no ocidente). A história tem um sentido cristão (Como defendeu Dom Guerangguer) e na questão do holocausto existe um sentido histórico escatológico. Será que agora a história é uma ciência totalmente independente da teologia? Mons. Williamson foi professor, deveria renunciar a sua atividade de ensinar?

    Um Pastor não deve temer os lobos, porque como diz o Senhor “o bom pastor da a sua vida pelas suas ovelhas”. Um pastor que teme lobos busca apenas preservar a sua própria vida. Bento XVI foi um pastor que participou de um golpe revolucionário contra o papado. A sua renúncia abriu caminho para a aposentadoria Papal e criou o papado emérito ex nihilo. Ao que parece, Dom Williamson não deveria ter falado nada contra o holocausto, para Bento XVI não temer os lobos… Será também culpa dele, a renúncia de Bento XVI?

    A verdade é que todos os Papas pós-conciliares provém do modernismo. Ninguém da tradição, seja Dom Lefebvre ou Dom Mayer se submeteram a eles, por isso fizeram as sagrações de 1988. Inclusive a ausência de submissão ao Papa é a essência do Motu Proprio Ecclesia Dei. Dom Lefebvre disse publicamente que Roma está em apostasia, como pode alguém acusar apostasia e se submeter ao apostata? Isso você tem que explicar, uma vez que acusou apenas Dom Williamson de não se submeter ao Papa, enquanto Roma acusou e acusa os seis Bispos (Motu Proprio Ecclesia Unitatem).

    Bento XVI em um gesto de misericórdia bergogliano, resolveu parcialmente o problema disciplinar e deixou para trás o problema doutrinal. A boa lógica diz que resolvendo o problema doutrinal, resolve-se o problema doutrinal. Retirar as excomunhões sem resolver o problema doutrinal deixa um vácuo no problema. O curioso é que João Paulo II afirmou no Motu Proprio Ecclesia Dei, que o problema da FSSPX está no conceito de tradição. Nas conversações com Roma, se debateu sobre liberdade religiosa, ecumenismo e colegialidade, mas a questão desembocou para a questão do conceito de tradição, onde pararam-se as conversações e Roma tentou se impor pela autoridade a FSSPX. Resumidamente, quando a questão chegou ao ponto doutrinal, Roma recuou e Bento XVI afirmou no Motu Proprio Ecclesia Unitatem que o problema da FSSPX era doutrinal. Quem pode entender essa lógica?

    Insulto a inteligência, é aceitar que um Bispo submeta a outro a silêncio obsequioso, como se fosse Prefeito da Congregação para a doutrina da fé. Ainda mais em se tratando de FSSPX: Dom Lefebvre não desejou que algum dos Bispos fosse seu superior, Dom Fellay para chegar a ser superior geral foi contra a vontade do fundador. O mesmo superior fez pronunciamentos que vão diretamente contra o que defendia seu fundador. A liberdade religiosa não foi coisa miníma para Dom Lefebvre, para quem o Concílio Vaticano II foi “Um golpe de mestre de Satanás”, enquanto para o atual superior o Concílio não foi uma “super heresia” (em plena comunhão com Ratzinger – serpente romana para Dom Lefebvre – que em um discurso disse que o Concílio não é um super dogma). E quem comeria um bolo 95% bom e com 5% de cicuta? Ainda existem muitas outras coisas que provam a “hermenêutica da ruptura” do atual superior em relação a seu fundador.

    A FSSPX abandonou o combate. Em Itália a pelo menos dois meses Don Ariel Levi S. Gualdo ataca Dom Lefebvre e a FSSPX* e o Distrito Italiano não diz nada. A polêmica deu lugar a irênica, a defesa ao silêncio (que não trará bons frutos para a tradição).

    Por fim, o Bispo sagrado por Dom Williamson é o Padre Faure, que não aceitou a sagração de 1988 das mãos de Dom Lefebvre e aceitou agora em 2015 das mãos de Dom Williamson. Isso fala mais do que qualquer acusação e toda demonização contra Dom Williamson.

    * Alguns textos do site Isola de Patmos contra Dom Lefebvre e a FSSPX:

    L’eresia lefebvriana e lo stato di peccato mortale
    http://isoladipatmos.com/leresia-lefebvriana-e-lo-stato-di-peccato-mortale/

    Altre brevi considerazioni sull’eresia lefebvriana
    http://isoladipatmos.com/altre-brevi-considerazioni-sulleresia-lefebvriana/

    L’elogio dell’eresia di Paolo Pasqualucci
    http://isoladipatmos.com/lelogio-delleresia-di-paolo-pasqualucci/

    Risposta a un articolo di Maria Guarini: “Convertiti e credi al Vangelo”.
    http://isoladipatmos.com/risposta-a-un-articolo-di-maria-guarini-convertiti-e-credi-al-vangelo/

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  16. Você diz: “Gercione Lima, não fiz nenhum contorcionismo, quem está a fazê-lo e demonizando um bispo é você. Um bispo tem o direito de se expressar livremente, tem o direito de opinar sobre qual matéria for. Isso desde que não exista proibição expressa da Santa Sé”.

    Não, um Bispo não tem o direito de ficar metendo os pés pelas mãos, falando em público sobre assuntos que não tem nada a ver com seu ofício, pois como sucessor dos Apóstolos ele está investido da autoridade dada pelo próprio Jesus Cristo. E essa autoridade não foi concedida para ser usada levianamente, portanto Dom Galarreta está certíssimo quando diz:
    “Nosso Senhor não ordenou aos seus Apóstolos que saíssem ensinando tudo o que eles podiam ensinar, mas tão somente aquilo que Ele mesmo os havia ensinado”.

    E eu não estou demonizando ninguém. Estou expondo fatos que são de conhecimento público e contra fatos não há argumento. Daí a ineficácia de seus contorcionismos ao tentar trazer à baila os mesmos sofismas de sites da pseudo-resistência. Não perco meu tempo lendo tais “opiniões”, vou à fonte que são as próprias palavras imprudentes do Bispo rebelde.
    Não preciso voltar ao tema do Holocausto. Para mim como Católica não me interessa se há 70 anos atrás morreram em campos de concentração, seis, sessenta, seiscentos ou seis milhões de judeus. Mesmo porque o número de Católicos que morreu sob regime comunista foi incomparavelmente maior. No momento, ao invés de se interessar por um fato histórico que aconteceu há 70 anos atrás, todos os Bispos da Igreja deveriam estar unidos pra combater o genocídio atual dos cristãos no Iraque e na Síria.
    Mas “judeus e revisionismo histórico” parece que se tornaram dogma de fé para Dom Williamson e foi por causa dessa sua obsessão que em 1980, depois de uma conferência em Quebec, onde ele apoiou abertamente o revisionista neo-nazista Ernst Zundel ( autor dos livros Secret Nazi Polar Expeditions e The Hitler We Loved and Why) ele foi investigado pelo RMCP ( que equivale à Polícia Federal ) acusado de pomover “ discurso de ódio” e suas cartas e publicações da SSPX proibidas de circular no país. O Código Penal Canadense prevê a criminalização daqueles que “knowingly publishing false news that caused or was likely to cause damage to social or racial tolerance.”

    Ora, um simples imigrante ou visitante que infringe essa lei corre o risco de deportação e no caso de um religioso, coloca em sério risco não apenas apostolado de sua congregação como a própria existência dessa congregação dentro daquele território.
    Talvez você poderia nos dar um documento da Igreja ou uma passagem da Bíblia que manda um bispo falar de assuntos alheios ao seu mandato. Pelo que me consta, quando os fariseus tentaram esse jogo com Cristo, Ele disse claramente:
    _ Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.
    (Mateus 22:21)
    Não preciso voltar a repetir aqui o efeito catastrófico dessas declarações sobre o Pontificado de Bento XVI um dia após Bento XVI ter anulado as excomunhões! Isso é fato comprovado e documentado.

    Você diz: “Dom Fellay não é o Prefeito para a Congregação para a Doutrina da Fé para submeter um bispo a silêncio obsequioso e se é submisso ao Papa, como você diz, deveria ter levado o caso para ser julgado Roma (poder para fazer o que fez, só Roma tem”.
    Com efeito, Dom Fellay não é o Prefeito para a Congregação para a Doutrina da Fé, mas é o Superior da Fraternidade da qual Dom Williamson fazia parte. Um superior de uma congregação ou Fraternidade tem autoridade sobre seu próprio Instituto e sobre aqueles que fazem parte dele. Como você mesmo citou no post anterior, Monsenhor Lefebvre em sua carta aos futuros bispos, em 28 de agosto de 1987 havia deixado claro:

    a)eu me vejo obrigado pela Divina Providência a transmitir a graça do Episcopado católico que eu recebi, para que a Igreja e o sacerdócio católico continuem a subsistir para a glória de Deus e a salvação das almas.
    RESUMINDO: Dom Lefebvre não transmitiu a graça do Episcopado para que Dom Williamson, abusando de suas atribuições, saísse metendo os pés pelas mãos, falando abobrinha, fazendo política e atacando seus irmãos no episcopado. Portanto Dom Tissier está certíssimo quando diz que Dom Williamson o retribuiu com uma mentira. Nem em seus piores pesadelos Dom Lefebvre poderia imaginar um Dom Williamson correndo sorrateiramente em tudo que é congregação solidária à SSPX pra dizer o que ele disse aqui em Toronto:
    “O inimigo tá pegando a SSPX, mas esses inimigos não se parecem inimigos, eles se parecem com amigos. Eles são lobos em pele de cordeiro e os líderes da SSPX estão se tornando eles mesmos, sem que eles percebam, sem que eles se deem por conta disso, lobos em pele de cordeiro. Eles ainda pensam que são ovelhas ou pastores, mas eles são lobos. E isso nos mostra onde o combate espiritual está”.

    b)O objetivo principal desta transmissão é o de conferir a graça da ordem sacerdotal para a continuação do verdadeiro Sacrifício da Missa, e para conferir a graça do sacramento da confirmação aos filhos e aos fieis que vos a pedirem.”
    RESUMINDO: Dom Lefebvre jamais imaginou que Dom Williamson iria usar as cerimônias onde são conferidos os sacramento da confirmação aos filhos e aos fieis que o solicitam, para envenenar fiéis e religiosos contra a SSPX como ele fez aqui em Toronto e por todo lugar por onde passou. Aproveitando-se de um evento religioso e da ingenuidade das pessoas que ali se encontravam, ele usou suas homilias pra disseminar veneno e atacar outros Bispos. Se isso não é sacrilégio eu não sei que outro nome posso dar.

    c)“Em fim, eu vos exorto a permanecerem ligados à Fraternidade Sacerdotal São Pio X, de permanecerem profundamente unidos entre vós, submissos ao seu Superior Geral.
    RESUMINDOO, contrariando todos os seus sofimas, essa submissão dos demais Bispos ao Superior Geral da Fraternidade foi exortação direta de Dom Lefebvre a quem Williamson hoje se vangloria de ser fiel até a medula. Tão fiel a ponto de querer destruir a própria Fraternidade que Dom Lefebvre erigiu canonicamente para o bem da Igreja e construir a sua própria com espírito de seita! Graças a Deus, foram poucos os insensatos que o acompanharam em sua loucura.

    Enfim, não mais responderei aos seus sofismas, visto que você é incapaz de justificar ou negar quaisquer fatos públicos que eu expus aqui. Se ainda me dei a esse trabalho é tendo em vista aqueles que não tem conhecimento dos mesmos. Não tenho qualquer esperança de que aqueles que se deixaram enredar pelas mentiras de Dom Williamson possam voltar atrás, mesmo porque isso demandaria um alto grau de humildade pra reconhecer que se deixaram enganar. E assim como no caso de Lúcifer, o orgulho é sempre o princípio da queda.

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  17. Sra. Gercione Lima,

    A maioria de suas argumentações no que diz respeito a atitude de Dom Williamson estão previamente refutadas (coloquei o link para duas defesas de sua atitude que sequer foram consideradas). Concordo com a sra. que contra fatos não existem argumentos, mas contra a interpretação de fatos feitos pela sra. existe a apresentação dos próprios fatos em minha resposta.

    Para mim e para vários teólogos importantes católicos importa saber o que realmente aconteceu na Alemanha. Justamente por causa do sentido cristão da história e de outras razões históricas que levaram a mudança das relações entre Igreja e judaísmo, bem como o sentido escatológico da história (uma ramificação judaica indica exatamente o número de seis milhões de judeus mortos para um evento messiânico…).

    “Judeus e revisionismo histórico” não parecem se tornar dogma de fé para Dom Williamson, em contrapartida o holocausto é um dogma de fé que não pode ser sequer questionado. O que a sra. diz a respeito de criminalizações de revisionistas históricos não quer dizer absolutamente nada para a questão. Parece que a sra. não percebeu até agora a dimensão do problema, ou seja, os revisionistas não criminalizados judicialmente, mas aqueles que negam a Deus podem fazê-lo sem o menor problema. Esse simples fato torna a questão interessante para todo e qualquer católico de bom senso. O próprio Estado defende que a história não é uma verdade absoluta, mas em contrapartida criminaliza historiadores que desejam revisar a história do holocausto? Temos diante de nós a defesa de um evento histórico pelo Estado, como os dogmas de fé eram defendidos pelos reis medievais e isso não quer dizer nada?

    Bispos falam de assuntos alheios a seu mandato o tempo todo e podem falar de uma determinada questão como doutores privados. Não é preciso nenhum documento da Igreja ou uma passagem da Bíblia para saber que o Bispo tem essa liberdade: o episcopado não transforma o homem que se torna bispo em anjo e o bispo também está sujeito a erros e a pecados, mesmo no exercício de seu episcopado (não lhes foi prometido a impecabilidade e a inafabilidade foi prometida somente ao Papa). Muito menos distorcer ensinamentos bíblicos para tentar fazer passar a própria tese. A questão dos fariseus é completamente diferente da questão de Dom Williamson: os fariseus o questionaram face a face e publicamente, não o questionaram em reservado com uma câmera que afirmaram estar desligada e depois usaram isso contra ele. Além disso, é obrigação dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus, o artigo que citei “Verdadeira e falsa prudência: resposta a Domenico Savio”, bem como “FSSPX: Caso Williamson, o Vaticano II e o Judaísmo: Dom Curzio”) mostra claramente que Dom Williamson fez uma e outra coisa.

    Os efeitos dessas declarações são de conhecimento de todos. Em mim e em todos os católicos que acompanharam os acontecimentos aqui no Fratres, foi exatamente a reflexão quanto a liberdade que se tem por uma lado de se atacar a Deus de todas as formas e não se poder opinar de forma contrária a um evento histórico. Isso quer dizer que um evento histórico representa para o mundo e para alguns homens da Igreja uma coisa mais importante do que Deus. Além disso, para os que tem fé não existe razão para essas considerações exageradas que envolvem um bispo que não deveria ser deixado sozinho. As preocupações que a sra. demonstra são preocupações meramente políticas e com a imagem da FSSPX. E as argumentações e o ódio de Dom Williamson são tão evidentes nisto, que sequer a sra. considera a parte da imprensa nisto tudo. Basta recordar que Henrici De Lubac, um teólogo da Nouvelle Theologie, defendeu a tese de que o Concílio foi roubado pelos meios de comunicação dando origem ao Concílio da imprensa e que Bento XVI repetiu essa mesma tese (que não concordo) em seu ultimo discurso como Papa. O mesmo Bento XVI que sofreu em seu pontificado várias manipulações da imprensa (alguém se esqueceu do celeuma das camisinhas?). A participação distorciva da imprensa é um fato e este sequer é considerado pela sra. e ainda vem querer dizer que não quer demonizar Dom Williamson e que não esta fazendo contorcionismo? Bento XVI passou pelos mesmos apuros que Dom Williamson passou com a imprensa, será que a sra. poderia fazer as mesmas considerações sobre ele, que fez sobre Dom Williamson? Será que o Papa jogou os pés pelas mãos ao falar da camisinha e de outros coisas que geraram celeuma promovido pelos meios de comunicação? Teria sido ele imprudente e não deveria falar de coisas que não dizem respeito a sua missão?

    Naquilo que diz respeito a sua argumentação em defesa da atitude de Dom Fellay, de fato, ele tem autoridade no instituto em que é superior, mas essa autoridade é regulada e limitada justamente pelo código de direito que incluem os cânones citados no primeiro comentário e desautorizam por completo a atitude do atual superior da FSSPX. Citei a carta de Mons. Lefebvre em um comentário anterior, mas no mesmo comentário existem mais coisas, não existe apenas a parte que lhe interessa, que repito:

    
    Questão
    Mons. Williamson é bispo auxiliar da Fraternidade de São Pio X e não tem nenhum cargo dentro da Fraternidade de São Pio X. Ele é acusado de livre-expressão em seu blog na Internet (Comentários Eleison) e de ministrar sacramentos (Crismas no Brasil) sem mandato de seu Superior Geral.
    Até que ponto isso é compatível com a obediência devida ao Superior Geral? Sobretudo nas circunstâncias particulares das sagrações episcopais de 1988, em que Mons. Lefebvre exortou à submissão ao Superior Geral os eleitos para o Episcopado (cf. 3c).
    Resposta
    O bispo membro de um instituto não é um membro como os outros. Seu Episcopado, pela dignidade conferida pelo Código de 1917 ou sob condição, pelo Código de 1983, é independente de seus superiores. O Direito Canônico lhe reconhece a isenção das obrigações de seu instituto quando elas forem incompatíveis com o seu Episcopado. E o discernimento desta isenção é afeito à sua prudência[5] (“ipse prudenter”): cf. 1 e 2.
    O governo que este bispo possui ou não possui não muda nada diante desse fato de direito. O Código de 1917 visa o bispo tanto residencial quanto titular, isto é, governante ou não governante uma diocese. O Código de 1983 refere-se ao religioso elevado ao Episcopado, sem especificar. De fato, o direito da Igreja protege o Episcopado, sem reservas.
    As circunstâncias das Sagrações de 1988 também não mudam nada: é, obviamente, o mesmo Episcopado que o seu, e o mesmo Episcopado que ele já transmitiu, que Mons. Lefebvre transmite aos 30 de junho de 1988 (cf. 3a): o Episcopado Católico.
    Este Episcopado não se reduz à transmissão dos sacramentos da ordem e da confirmação: Mons. Lefebvre certamente disse que esta é a sua primeira intenção, seu objetivo principal (cf. 3b) e, portanto, não-exclusivo[6].
    A admoestação de Mons. Lefebvre de serem “submissos ao Superior Geral” (cf. 3c) se exerce, portanto, dentro do quadro do Can. 627 (CIC 1917), reafirmado no Can. 705 (CIC 1983).
    Assim, tendo em vista os cânones 627 e 725 e a admoestação de Monsenhor Lefebvre, o Bispo Williamson está dentro de seu bom direito, e isso priva de efeitos o julgamento da FSSPX sobre o motivo evocado para expulsá-lo!
    http://farfalline.blogspot.com.br/2012/10/fellay-e-o-bom-direito-porque-dom.html

    Dom Fellay não tinha direito de fazer o que fez, isso é fato, não é argumento. O que não é fato é o que a sra. diz, ou seja, Dom Williamson não tinha nenhum cargo dentro da FSSPX, se não tinha nenhum cargo, quais seriam suas atribuições dadas pelo seu superior? Coisa que sempre fez foi fazer os “Comentários Eleison” e até isso o superior queria lhe tirar? Pelo amor de Deus, tenha um pouco mais de bom senso!!!
    Quanto as palavras de Dom Williamson “O inimigo…” ele estava e está completamente certo, pois Dom Fellay assumiu posições de ruptura em relação a seu fundador. Repito trecho do meu comentário anterior que não foi levado em consideração pela Sra.:

    ”Insulto a inteligência, é aceitar que um Bispo submeta a outro a silêncio obsequioso, como se fosse Prefeito da Congregação para a doutrina da fé. Ainda mais em se tratando de FSSPX: Dom Lefebvre não desejou que algum dos Bispos fosse seu superior, Dom Fellay para chegar a ser superior geral foi contra a vontade do fundador. O mesmo superior fez pronunciamentos que vão diretamente contra o que defendia seu fundador. A liberdade religiosa não foi coisa miníma para Dom Lefebvre, para quem o Concílio Vaticano II foi “Um golpe de mestre de Satanás”, enquanto para o atual superior o Concílio não foi uma “super heresia” (em plena comunhão com Ratzinger – serpente romana para Dom Lefebvre – que em um discurso disse que o Concílio não é um super dogma). E quem comeria um bolo 95% bom e com 5% de cicuta? Ainda existem muitas outras coisas que provam a “hermenêutica da ruptura” do atual superior em relação a seu fundador.”

    Dom Lefebvre jamais deu poderes ao superior geral para se elevar acima do Código de Direito Canônico que deve estar submetido a ele e não acima dele. Destruir a Fraternidade é coisa que Dom Fellay já está fazendo, não foi Dom Williamson que entrou em ruptura com os ensinamentos de Dom Lefebvre!!!

    Todas as interpretações que você fez e suas falhas estão expostas em minhas respostas. Inclusive precisando mencionar novamente trechos nesta última resposta. Sofisma mesmo a sra. não demonstrou nenhum, mas os seus e seu julgamento parcial ficaram evidentes. Dou por encerrada minha participação aqui, fazendo um último comentário a frase de Dom Galarreta:

    “Nosso Senhor não ordenou aos seus Apóstolos que saíssem ensinando tudo o que eles podiam ensinar, mas tão somente aquilo que Ele mesmo os havia ensinado”.

    Nosso Senhor não ensinou todas as coisas aos apóstolos, Ele mesmo disse que eles não poderiam suportar toda a verdade e que viria o paráclito e que Ele os ensinaria todas as coisas (Jo 16, 12-13). E Nosso Senhor deu o poder das chaves aos apóstolos dando a eles poder para ligar e desligar, poder do qual são detentores o Papa e os Bispos. Esse poder corresponde a decisão pessoal de seu detentor, desde que se relacione de alguma maneira a revelação divina (poder que inclui o magistério tanto dos bispos, como dos Papas).

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