Cardeal diz que bispos alemães não estão aptos para liderar a Igreja contra o secularismo.

IHU – Um antigo cardeal alemão acusou os bispos de seu país de serem “completamente inaptos para trabalhar contra o crescente secularismo”, depois de o presidente da Conferência dos Bispos dizer que eles não poderiam ficar esperando pela aprovação de Roma para permitir que os católicos recasados ​​civilmente possam receber a Comunhão.

A reportagem é de Abigail Frymann Rouch, publicada na revista The Tablet, 25-03-2015. A tradução é de Claudia Sbardelotto.cardeal-cordes

O cardeal Paul Cordes (foto), presidente emérito do Pontifício Conselho Cor Unum, atacou o cardeal Reinhard Marx depois de ele dizer aos jornalistas, no final de fevereiro, que a Conferência Episcopal Alemã iria seguir com o seu próprio programa de pastoral, independentemente do resultado do Sínodo sobre da família, em outubro.

A questão de remover a proibição aos divorciados novamente casados ​​de receber os sacramentos é uma das questões mais disputadas que serão debatidas no Sínodo. A maioria dos bispos alemães é a favor de permitir os católicos recasados ​​civilmente de receber a Comunhão em certas circunstâncias. Na Inglaterra e no País de Gales, quase 500 padres assinaram uma carta resistindo a qualquer mudança de relaxar a proibição da Comunhão aos divorciados novamente casados.

“Nós não somos um ramo de Roma”, disse Marx em fevereiro numa coletiva de imprensa ao final da reunião plenária dos bispos. “Nós não podemos esperar que um Sínodo nos diga como temos que moldar o cuidado pastoral para o casamento e a família aqui”.

O cardeal Cordes, 80 anos, emitiu uma refutação robusta, segundo relatou a agência de notícias católicas com sede nos EUA, Catholic News Agency, esta semana, em uma carta datada de 7 de março para o jornal nacional católico alemão Die Tagespost. As declarações de Marx causaram confusão e demonstram uma “indefinição teológica que faz você se questionar”, escreveu ele. A linguagem de Marx estava mais adequada para uma conversa de bar do que para uma discussão teológica, e não estava certamente “imbuída do espírito de communio”, disse ele.

Ele disse que estava além da competência do cardeal Marx em decretar qualquer reforma sobre o assunto. “O presidente argumenta sobre o drama dos divorciados novamente casados! … Esse assunto está ligado diretamente ao centro da teologia. Neste campo, nem mesmo um cardeal consegue cortar um nó górdio tão complexo com um único golpe de espada. Ele tem [como referência] a teologia sacramental do Concílio de Trento”.

Cordes chegou a dizer que os bispos alemães não estavam qualificados para oferecer instruções para o mundo católico. Ele apontou para o declínio acentuado do catolicismo na Alemanha e citou uma pesquisa que mostrou que apenas 16% dos católicos afirmam acreditar em um Deus pessoal, concluindo que “não há razão para nos orgulhamos de nossa fé”.

“O aparelho eclesial alemão existente é completamente inapto para trabalhar contra o crescente secularismo”, disse ele.

Foto: CNS

8 Comentários to “Cardeal diz que bispos alemães não estão aptos para liderar a Igreja contra o secularismo.”

  1. A começar, o nome Marx não nos traz boas recordações pelo sofrimento que esse nome e sua infernal ideologia niilista tem imposto a centenas de milhões de infelizes mundo afora – como no Brasil – e se o episcopado alemão seguir as pegadas do Cardeal Marx & Ass., a igreja alemã e os seus seguidores não passarão de um novo cisma, uma reedição da Igreja Ortodoxa e suas dezenas de afiliadas independentes entre si que se estranham e facilitam a formação de subseitas.
    Que diferença praticamente fará das seitas protestantes que têm o relativismo como carro-chefe, onde cada um é o deus da bíblia e constantemente uma seita se separa da outra para montar um novo botequim da fé?
    Persistindo esse escancarado espírito de divisionismo na Igreja,maus presságios para o próximo Sínodo das Familias em outubro; poderia ainda mais aprofundarem essas divisões!
    Cardeais à la Kasper, Marx et alii estariam na lista de Mino Pecorelli…

  2. A Igreja na Alemanha, minoritária no país, amoldou-se há muito ao proclamado diálogo inter-religioso, e sua específica orientação teológica é subalterna ao luteranismo. O próprio Ratzinger, à época do CVII, quando desempenhou como perito assistente, e nos primeiros anos de seu ministério como docente, recebeu forte influência de Rahner e outros. Não surpreende que agora setores influentes da Igreja local – não alemã, mas na Alemanha – façam este esforço em direção às teses da Reforma, visando a formação de uma ” chimia ” geral indiferenciada, na qual já estão imersos.

  3. Cristo deu comunhão até ao seu traidor – Judas. Deve-se incluir, não excluir. Deus é maior que arcaicas e antiquadas regras.

    • Então Cristo foi condizente com a traição de Judas? Ah, poupe-me, Judas, até então, não era um pecador público.

    • Judas Iscariostes não tomou a comunhão caro fulano totalmente perdido. “Aquele que tomar o corpo do senhor indevidamente, será réu do corpo e do sangue do senhor” (I Cor 11, 28- 29). O evangelho não muda nem evolui porque Deus Eh imutavel.

  4. Poucas são as nações de primeira grandeza no mundo. A Alemanha é uma dessas poucas. Mas as magnitudes dessas nações têm um preço. Dali saem muitas coisas boas. Dali saem muitas coisas ruins. Não são os Estados Unidos o berço da civilização hedonista contemporânea? E não foi dali que surgiu o Cardeal Burke? A França não era a primogênita da Cristandade, e dali não surgiu a Revolução Francesa? Pois assim é com a Alemanha, talvez o único país onde sucedeu o entrocamento da civilização romana (ao sul) com a civilização saxônica (ao norte). De fato, essa nação dá-nos prelados modernistas a baciadas. Mas dali tem saído boas posições como a desse Cardeal Cordes, ou como a do Cardeal Müller. Se um austríaco quase acabou com a Alemanha foi dali que surgiu um famoso resistente, o leão de Münster, Cardeal Von Galen. E destas terras surgiu Lutero, mas também surgiu Bento XVI, um exótico para o mundo moderno.

  5. Não, Deunirio, um estudo exegético dos Evangelhos Sinóticos em paralelo com o de João demonstra que Judas saiu do Cenáculo antes da instituição da Eucaristia por Nosso Senhor, pouco depois do Lava Pés.

    De qualquer forma, incluir sem exigir do pecador que se arrependa, que deixe uma relação adúltera ou o homossexualismo, pode ser tudo, menos a verdadeira misericórdia, Pode até mesmo levar a pessoa ao inferno pelo sacrilégio.

    Então, examine a si mesmo e reveja seu conceito de “inclusão” e de “arcaicas e antiquadas regras” pois podes estar trilhando a porta larga que conduz à perdição eterna e seres réu do Sangue do Senhor!.

  6. Livre arbítrio disse Nosso Senhor.Cada um vai ter o seu…

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