Santa Sé encarrega Fellay de julgar um de seus padres.

A Congregação para a Doutrina da Fé nomeou o Superior da Fraternidade São Pio X, fundada por Dom Lefebvre, para ser o juiz de primeira instância no caso de um padre lefebvrista acusado de um crime grave.

Por Andrea Tornielli – La Stampa | Tradução: FratresInUnum.com: Ele mesmo [Dom Fellay] anunciou durante um sermão na igreja Nossa Senhora dos Anjos, em Arcadia, Califórnia, no dia 10 de maio de 2015: a Congregação para a Doutrina da Fé nomeou o Superior Geral da Fraternidade São Pio X (FSSPX), Dom Bernard Fellay, como juiz de primeira instância em um caso envolvendo um padre lefebvrista. O antigo Santo Ofício tem a incumbência de tratar de uma série de “delicta graviora”. O que ocorre mais frequentemente é aquele que diz respeito a abuso sexual de menores. Fellay apresentou esse fato como um exemplo das “contradições” nas relações da Santa Sé com a Fraternidade.

Dom Bernard Fellay“Somos rotulados agora como irregulares, na melhor das hipótese. “Irregular” significa que você não pode fazer nada e, como exemplo, eles nos proibiram de celebrar Missa nas igrejas em Roma para as irmãs Dominicanas que peregrinaram a Roma em fevereiro. Eles dizem: “Não, vocês não podem [celebrar] por que são irregulares”. E os que disseram isso eram pessoas da [Pontifícia Comissão] Ecclesia Dei”.

“Agora, às vezes, infelizmente”, disse Dom Fellay, “também padres fazem coisas insensatas, e precisam ser punidos. E quando é algo muito, muito sério, temos que recorrer a Roma. E assim fazemos. E o que a Congregação para a Doutrina da Fé faz? Bem, eles nomearam a mim como juiz para esse caso. Então, eu fui incumbido por Roma, pela Congregação para a Doutrina da Fé, de fazer julgamentos, julgamentos canônicos da Igreja sobre alguns de nossos padres que pertencem a uma Fraternidade inexistente para eles (para Roma, ed.). E então, mais uma vez, realmente uma bela contradição”.

Essa não é a primeira vez  que a FSSPX recorre a Roma quando diz respeito a “delicta graviora” e dispensas das obrigações sacerdotais. O que é novo nesse caso é que o antigo Santo Ofício, chefiado pelo Cardeal Gerhard Ludwig Müller, decidiu confiar o caso ao próprio Dom Fellay, fazendo-o juiz do tribunal de primeira instância. Uma expressão de ateção. Um sinal de que o caminho em direção à plena comunhão com os lefebvristas continua,  como confirmou em uma declaração a Vatican Insider Dom Guido Pozzo. O arcebispo, que também é Secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, disse: “A decisão da Congregação para a Doutrina da Fé não significa que os problemas existentes foram sanados, mas é um sinal de benevolência e magnanimidade. Não vejo contradição nisso, mas, antes, um passo em direção à reconciliação”.

Os leitores se recordarão que outro importante sinal veio no último mês de abril, quando o Arcebispo de Buenos Aires acendeu a luz verde para que os lefebvristas fossem reconhecidos pelo governo argentino como uma “associação diocesana”. Igualmente, um grande grupo de peregrinos da FSSPX foi autorizado a celebrar a eucaristia na Basílica de Lourdes.

Então, por que Fellay fala em uma contradição? Seu comentário se referia à peregrinação do último mês de fevereiro a Roma, que teve a participação de 1500 fiéis. A peregrinação foi organizada pelas irmãs Dominicanas ligadas à FSSPX. Um pedido foi feito à Pontifícia Comissão Ecclesia Dei para celebrar a Missa no altar da Basílica de São Pedro. Na ocasião, todavia, os responsáveis pela Comissão decidiram que a celebração por um sacerdote lefebvrista, antes que os problemas existentes sejam resolvidos com vistas à regularização canônica e a plena comunhão, lançaria um sinal equivocado. No entanto, o Papa Francisco deu sua aprovação à proposta de que a missa solicitada fosse celebrada na Basílica de São Pedro por um padre da Ecclesia Dei, segundo o rito antigo. Os líderes da Fraternidade recusaram a oferta.

Ainda, a nomeação de Fellay pela Congregação para a Doutrina da Fé como juiz de primeira instância, demonstra o progresso em termos de diálogo entre a Igreja e a FSSPX.

15 Comentários to “Santa Sé encarrega Fellay de julgar um de seus padres.”

  1. E agora lá vamos nós novamente para outra peregrinação “lefebvrista”. Partiremos no dia 15 de junho rumo a Roma e depois Turim para visitar a exposição do Sudário. Já estamos preparados para algumas “portas fechadas”.
    Antes mesmo de partir já começamos a enfrentar alguns dissabores. Enquanto tentávamos obter confirmação para todas as visitas e missas, foi feita com antecedência uma solicitação ao Vatican Excavations Office para a visita ao Scavi ( subterrâneo da Basílica onde foram encontrados os ossos de São Pedro) e já responderam que não será possível.
    Manterei os Frates informados dos passos dessa peregrinação, das alegrias e das decepções que já são mais do que esperadas. Está tudo nas mãos da Providência, que assim como disse Galadriel na Fraternidade do Anel, sabe que:

    “–Nenhum dos feitos de Dom Lefebvre em vida foram desnecessários.Nós ainda não sabemos seu propósito inteiramente. Pois o mundo tornou-se cheio de perigos. E em todas as terras, o amor agora se mistura com dor”.

  2. Prezados Gercione e Ferreti: Seria, penso eu, extremamente importante para todos quantos acompanham este site, que pudéssemos também acompanhar a nova peregrinação a Roma e Turim, como sugere Duarte. Que as bênçãos e graças do Senhor sejam abundantes!

  3. Deve-se recordar que essa contradição apontada pelo bispo Fellay explica-se dada a natureza diferente de cada caso, que não podem ser confundidos.

    É, pois, diferente, delegar um julgamento que não é definitivo a alguém que está mais perto e, portanto, conhecerá melhor os meandros da situação. Trata-se de benevolência e misericórdia; por outro lado, permitir que um grupo da Fraternidade celebre no altar papal seria, no atual momento da história, sinal de uma aprovação incompatível com as linhas que o atual Papado tem assumido, sobretudo em tempos de tamanha confusão midiática, na qual gestos e palavras são tão mal interpretados.

    Pode-se apontar, outrossim, contradição da parte do bispo Fellay, que para determinados assuntos pede auxílio à Santa Sé e, para outros, despreza.

    • Sérgio, o Papa Francisco, preocupado com gestos e palavras sendo mal interpretados? Ahhhhhhhhhhhh tá…

    • Quanta firula a sua, sr. Sérgio. Talvez o sr seja desses que pretendem tapar o sol com a peneira a fim de não chamuscar a própria pele, e, para tanto, culpa a imprensa pela inominável desgraça que foi a eleição de Bergoglio. Seria o sr. favorável também ao concubinato adúltero? Tem notícia de famílias destroçadas e humilhadas por algum cônjuge medíocre e boçal que abandonou esposa/marido e filhos…? O sr. é a favor da sodomia, isto é, daquilo que a Igreja católica designa de “pecado que clama vingança aos céus”? O sr. não consegue entender ou não quer entender o que se passa…? Que motivos o levariam a tanto?

      Pois o que está em jogo com as “linhas do atual Papado” é exatamente o que sobrará da Religião depois dessa desgraça que foi a eleição de Bergoglio. Que sentido terá, por exemplo, falar deste ou daquele Santo viu o inferno, ou se bilocou de um extremo ao outro do mundo para dar absolvição a alguém, ou ressuscitou um menino – um menino ! – que morrera em pecado grave e necessitava se confessar? Tudo isso é estória da carochinha? Tudo isso é falso? Enfim: seria a Igreja é uma fábrica de fábulas ingênuas, demenciais e quiçá criminosas?

      Será que o Sr não percebe que esta é, em temos sociológicos, a última cartada contra o “ethos” católico? Que sentido terá ler Santo Afonso? Que sentido terá todo o monumento doutrinal da Igreja se os atuais e indignos ocupantes da hierarquia continuarem a pisotear, com o gozo e o deboche infernal que lhes é afeito, o Magistério constante da Igreja?

      Perdoe-me dizer-lhe, mas o mero fazer-de-conta-que-não-se-vê toda a imundice que transborda deste esgoto de heresias, parece ser um terrível sinal da reprovação divina. Pense nisso. Quem sabe o sr esteja apostando nesta impostura grotesca por mero respeito humano, e ainda, se for clérigo, por uma deplorável e vil sede de poder. Quem seria o sr para desejar algum poder sobre a terra? Que dirá o senhor quando a morte chegar? Pois ela nunca tarda de fato. Como se escusará de ter abandonado a Igreja aos lobos, serpentes e escorpiões na hora que ela mais precisava? Pois em 30 ou poucos anos mais talvez nem se lembre que o sr existiu.

  4. Sei que não vão gostar do que vou dizer aqui, mas eu acho o dom Fellay muito ingênuo. Até agora é só porrada que está levando.

  5. Essas larguezas e afagos canônicos não devem nos surpreender. Tudo isso faz parte do show “Vaticano Dois, a primavera embalsamada”. Talvez essa contrafação baguncista, inventada nos esgotos da maçonaria, tenha resolvido, enfim, incluir os católicos na sua imensa, colorida e multiforme agenda de coaptações.

    Quem sabe os católicos que não aceitamos essa safadeza toda (elogios ao adultério e afagos à sodomia) tenhamos mais futuro que os atuais mantenedores dessa impostura grotesca que estamos a ver.

  6. A cada dia que passa, tenho a esperança do retorno da Fraternidade a legalidade. Lá dentro de Roma, com certeza ela ajudaria muito na luta contra o clero podre. Mas quando leio: “No entanto, o Papa Francisco deu sua aprovação à proposta de que a missa solicitada fosse celebrada na Basílica de São Pedro por um padre da Ecclesia Dei, segundo o rito antigo. Os líderes da Fraternidade recusaram a oferta.”, me revolto em ver o mesmo orgulho cego que caracteriza os modernistas.

  7. De qualquer forma, D Müller estaria mais próximo de D Fellay que a equipe dos famosos Kasper & Ass., e não custaria, já que oficialmente não pertence à Igreja, um certo “arranje-se junto aos seus”, depois veremos que fazer.
    Saberemos melhor em quantos anos-luz que se distanciam de fato será a ser conferido em outubro no Sínodo das Familias, eventualmente prevalecendo as falsarias misericórdia e condescendencia e incluindo o acolhimento dentro da Igreja em exercimento de funções, como catequizar etc., em favor dos em re-uniões vinculados ao casamento anterior e a S Comunhão aos sodomitas em prática de “uniões estáveis de amor”, mesmo que não se os reconheçam como num casamento, mas os absolveriam, e ensejaria reportar à Sequencia de Corpus Christi em ambos casos: non mittendus canibus!

  8. Sou muito burro mesmo

    Fellay – que não aceita o rótulo de está em situação irregular pelo “simples” motivo de alegar que nunca esteve excomungado – manda o presente-de-grego: padre que supostamente incorreu em delito grave, o mérito, (pois não se sabe a matéria: será a acusação de prática de abuso sexual a menores dentro da FSSPX? Não se sabe. Ao menos pelo post.) para o Santo Oficio julgar.

    O prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, antes, Sacra Congregação do Santo Ofício, devolve o cavalo grego. NT: “toma para ti que o padre é teu”. Mas o que tem dentro do cavalo? Pois ninguém quer ser o troiano da vez. Caso a matéria do mérito seja de abuso sexual praticado a alguém por parte do padre em questão e o fato provado(e isso é caso para chorar muito ou pouco? Para rir não é), então quem vai pagar a conta? As indenizações costumam ser altas nesses casos.

    Outra

    […]Um sinal de que o caminho em direção à plena comunhão com os lefebvristas continua, como confirmou em uma declaração a Vatican Insider Dom Guido Pozzo. O arcebispo, que também é Secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, disse: “A decisão da Congregação para a Doutrina da Fé não significa que os problemas existentes foram sanados, mas é um sinal de benevolência e magnanimidade. Não vejo contradição nisso, mas, antes, um passo em direção à reconciliação”.[…]

    “que o caminho em direção à plena comunhão com os lefebvristas continua”(???). Quem vai em direção à plena comunhão? A Santa Igreja de Cristo? E, que eu saiba, Jesus é a Cabeça Dela e nunca a abandonou e nem vai. Ao que venha o juízo universal com a volta gloriosa Dele. Ou a FSSPX retem as chaves da Igreja?

    Mais

    “Não vejo contradição nisso, mas, antes, um passo em direção à reconciliação”. Então o tal dialogo com os “irmãos” separados não é mais questão de falso ecumenismo? Deva ser só quando se tratar de “irmão” separado de fato?

    Sei que a matéria é de “La Stampa”, mas em terra de sonso sou muito burro mesmo.

    Que a Virgem Santíssima Maria nos acuda!

  9. Isso cala os maliciosos que insistem em dizer que a SSPX está fora da comunhão com Roma. Rezemos pela conversão dos ímpios que estão em Roma, a fim de que voltem a usar da autoridade que lhes foi dada por DEUS.