Recordando o Cardeal Biff: «O anticristo se apresenta como pacifista, ecologista e ecumenista».

Faleceu na última sexta-feira, 10, aos 87 anos, o Cardeal Giacomo Biff, arcebispo emérito de Bolonha. Abaixo, apresentamos matéria de 2007 sobre a pregação realizada pelo cardeal durante os exercícios espirituais de Bento XVI e da cúria romana.

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Cardeal Biffi apresenta anticristo ao Papa e à Cúria

Reduzir o cristianismo a uma ideologia esquecendo o encontro com Cristo salvador

Cardeal BiffCIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007 (ZENIT.org).- O cardeal Giacomo Biffi apresentou a Bento XVI e à Cúria Romana «a advertência profética de Vladimir S. Soloviev» sobre o anticristo. O pregador dos exercícios espirituais fez referência ao filósofo e poeta russo, que viveu entre 1853 e 1900, para explicar que o anticristo, na verdade, consiste em reduzir o cristianismo a uma ideologia, em vez de ser um encontro pessoal com Cristo salvador.

Citando a obra de Soloviev, «Três diálogos» (1899), o arcebispo emérito de Bolonha recordou que «o anticristo se apresenta como pacifista, ecologista e ecumenista».

«Convocará um Concílio ecumênico e buscará o consenso de todas as confissões cristãs, concedendo algo a cada um. As massas o seguirão, menos alguns pequenos grupos de católicos, ortodoxos e protestantes», disse.

Segundo a síntese de sua pregação desta terça-feira pela tarde, oferecida pela «Rádio Vaticano», o cardeal explicou que «o ensinamento que o grande filósofo russo nos deixou é que o cristianismo não pode ser reduzido a um conjunto de valores. No centro do ser cristão está, de fato, o encontro pessoal com Jesus Cristo».

«Chegarão dias nos quais na cristandade se tratará de resolver o fato salvífico em uma mera série de valores», escreveu Soloviev nessa obra.

Em seu «Relato sobre o anticristo» Soloviev prevê que um pequeno grupo de católicos, ortodoxos e filhos da Reforma, resistirá e responderá ao anticristo: «Tu nos dás tudo, menos o que nos interessa, Jesus Cristo».

Para o cardeal Biffi,esta narração é uma advertência. «Hoje, de fato, corremos o risco de ter um cristianismo que põe entre parênteses Jesus com sua Cruz e Ressurreição», lamentou.

O arcebispo explicou que, se os cristãos se «limitassem a falar de valores compartilháveis, seriam mais aceitos nos programas de televisão e nos grupos sociais. Mas desta maneira teriam renunciado a Jesus, à realidade surpreendente da Ressurreição».

Para o purpurado italiano, este é «o perigo que os cristãos correm em nossos dias»: «o Filho de Deus não pode ser reduzido a uma série de bons projetos homologáveis com a mentalidade mundana dominante».

Contudo, precisou o purpurado, «isso não significa uma condenação dos valores, mas que estes devem ser submetidos a um atento discernimento. Há valores absolutos, como o bem, a verdade, a beleza. Quem os percebe e os ama, ama também Cristo, ainda que não saiba, porque Ele é a verdade, a beleza, a justiça».

O pregador dos exercícios precisou na capela «Redemptoris Mater», do Palácio Apostólico do Vaticano, que, por outro lado, «há valores relativos, como a solidariedade, o amor pela paz e o respeito pela natureza. Se estes se convertem em absolutos, desarraigando ou inclusive opondo-se ao anúncio do fato da salvação, então estes valores se convertem em instigação à idolatria e em obstáculos no caminho da salvação».

Ao concluir, o cardeal Biffi afirmou que «se o cristão, para abrir-se ao mundo e dialogar com todos, dilui o fato salvífico, fecha-se à relação pessoal com Jesus e se coloca do lado do anticristo».

Os exercícios espirituais concluirão na manhã do próximo sábado. Durante esta semana o Papa não está mantendo nem audiências públicas nem privadas.

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Outras aparições relevantes do Cardeal em FratresInUnum.com:

A ausência do comunismo no Concílio.

“Se poderia dizer que então o Concílio de Nicéia é hoje mais atual que o Concílio Vaticano II”.

Rito Ambrosiano. O machado do Cardeal Biffi cai sobre o novo lecionário.

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6 Comentários to “Recordando o Cardeal Biff: «O anticristo se apresenta como pacifista, ecologista e ecumenista».”

  1. Ecologista, pacifista e ecumenista…

    Parece que já vi alguém assim…

  2. Só tenho ressalvas com dois pontos mencionados:

    A tal resistência futura ecumênica: obviamente a resistência contra o Anticristo será católica. Haverá conversões de protestantes, cismáticos, judeus e pagãos? Sim, haverá, mas a resistência estará ao redor do Papa e dos santos dos últimos tempos profetizados por São Luís Maria de Montfort;

    A Expressão “um encontro pessoal com Cristo salvador”: ela é muito perigosa. Parece algo vindo do protestantismo e abraçada por muitos carismáticos. Ela foi condenada pelo Concilio Vaticano I. Não sei qual o sentido pelo qual o Cardeal Biff a usou, muito provavelmente não nesse sentido errado, mas o problema é alguém lê – la e entende – la errado.

  3. Nostro papa?
    Queira Deus que não, ou teremos de dizer “Sede vacante!”.

  4. Aos irmãos em Cristo, filhos da Igreja Católica, perdão pelo longo comentário:

    Sejam os seguintes trechos da mensagem do ilustre purpurado:

    «o ensinamento que o grande filósofo russo nos deixou é que o cristianismo não pode ser reduzido a um conjunto de valores. No centro do ser cristão está, de fato, o encontro pessoal com Jesus Cristo».

    «Chegarão dias nos quais na cristandade se tratará de resolver o fato salvífico em uma mera série de valores»

    Em seu «Relato sobre o anticristo» Soloviev prevê que um pequeno grupo de católicos, ortodoxos e filhos da Reforma, resistirá e responderá ao anticristo: «Tu nos dás tudo, menos o que nos interessa, Jesus Cristo».

    Para o cardeal Biffi,esta narração é uma advertência. «Hoje, de fato, corremos o risco de ter um cristianismo que põe entre parênteses Jesus com sua Cruz e Ressurreição»,

    Contudo, precisou o purpurado, «isso não significa uma condenação dos valores, mas que estes devem ser submetidos a um atento discernimento. Há valores absolutos, como o bem, a verdade, a beleza. Quem os percebe e os ama, ama também Cristo, ainda que não saiba, porque Ele é a verdade, a beleza, a justiça».

    «há valores relativos, como a solidariedade, o amor pela paz e o respeito pela natureza. Se estes se convertem em absolutos, desarraigando ou inclusive opondo-se ao anúncio do fato da salvação, então estes valores se convertem em instigação à idolatria e em obstáculos no caminho da salvação».

    Ao concluir, o cardeal Biffi afirmou que «se o cristão, para abrir-se ao mundo e dialogar com todos, dilui o fato salvífico, fecha-se à relação pessoal com Jesus e se coloca do lado do anticristo».

    Pois bem, o modernismo é capaz de encher uma página da mais límpida doutrina católica e na página seguinte o erro se destaca, atacando a fé novamente. As categorias “aberto-fechado” são típicas da teologia da libertação. Os valores relativos “solidariedade, paz e ecologia” podem muito bem não se opor ao anúncio do fato da salvação. E aí, para o Cardeal, tudo bem, pois abrir-se à relação pessoal com Jesus é o que salva”.

    Ocorre que para milhões de católicos do passado e que hoje são 0,01%, a relação pessoal com Jesus se dá na oração (nos exercícios tradicionais de oração vocal, novenas, etc) e na Santa Missa, a inequívoca. E o espírito católico é formado com o exemplo dos santos do passado, as leituras espirituais, que guia inclusive o modo de se fazer caridade hoje.
    Para o purpurado e para a quase totalidade da hierarquia atual, o importante é impor a missa-faça-você-mesmo, cujo único paradigma de uniformidade mantido é Não parecer a Missa Tridentina. Os valores, que existem e são católicos, não adianta alegar que tem. Se você não comunga do credo-vaticano-ii, se você não vê nos irmãos da paróquia da esquina e na RCC e nos movimentos eclesiais o Jesus que ele fala, você fecha-se à relação pessoal com Jesus, pois o Outro tem que ser o rosto de Jesus para mim.

    Ouvi isto milhões de vezes nos movimentos eclesiais, cada um a seu modo. Inclusive na Teologia da Libertação.

    E a Fé Católica continua esquecida nos corações de milhões, reclusa em guetos ou ilhas. Se existe é porque vazou da internet, pois não jorra mais como um manancial da hierarquia modernista, muito menos da nascente, que deveria ser o Supremo Pastor a confirmar a Fé da Igreja.

    Espero que Cristo Jesus apresse sua vinda. Maranata.
    Salve Maria!

  5. O Anticristo, a 1ª Besta, segundo os padres seria o poder político armado de todos os poderes para persuadir ou obrigar aos cidadãos pela autodivinização e flagrantemente desprezando, senão desafiando o Senhor Deus, mais seria o Império Romano.
    Já o Anticristo ou a 2ª Besta procede da terra: tem aparências de cordeiro pela paz dissimulada que apresenta trazer para ela e usará da sedução para atrair as pessoas para si, estando pois a serviço do Anticristo e do Dragão, sendo possível que seja a falsa ciência que afasta do Senhor Deus e em conjunto com o progresso que absorve as mentes e as materializa de forma irreversível.
    Não se parece a 2ª Besta o caso atual apresentado pelo Cardeal Biffi com as ideologias que seduzem e camufladamente impõem todas as aberrações contidas dentro do “politicamente correto”?