Dom Rogelio Livieres e a integração dos tradicionalistas em prol da Nova Evangelização.

Por Manoel Gonzaga Castro* – FratresInUnum.com:  Na última sexta-feira, 14 de agosto, lamentamos o falecimento de Dom Rogelio Livieres, bispo deposto de Ciudad del Este em 2014.

Clérigo da Sociedade Sacerdotal da Santa Cruz , do Opus Dei, Dom Rogelio logrou uma notável renovação da Igreja local a ele confiada por São João Paulo II ao longo dos 10 anos em que permaneceu à sua frente. Conforme atestam os dados publicados em seu site oficial, houve:

  • Aumento de 14 para 83 sacerdotes diocesanos;
  • Aumento de 1 para 7 capelães hospitalares;
  • Aumento de 34 para 51 paróquias;
  • Aumento de 40% para 90% das paróquias com missas diárias;
  • Aumento de 4.679 para 14.665 crismas anuais;
  • Aumento de 1257 para 6277 matrimônios anuais.
  • Aumento de 0 para 5.814 membros de adoração perpétua;
  • Aumento de 203 para 1400 presidiários atendidos espiritualmente;

Segundo parecer de seus apoiadores, esses frutos resultaram do duro combate que Dom Livieres desenvolveu contra o progressismo, corrente predominante na Igreja paraguaia. Esse combate teria ensejado, inclusive, sua deposição por Francisco sob alegação de que Dom Rogelio teria problemas de integração pastoral e de comunhão com sua igreja local — as divergências com a orientação pastoral de Jorge Mario Bergoglio vêm de longa data.

Como ratzingeriano convicto, Dom Rogelio promoveu o avanço da liturgia tradicional em sua diocese, sempre respeitando os limites da hermenêutica da reforma na continuidade em prol de uma Nova Evangelização, conforme preconizaram os últimos papas. Entre suas generosas ações nesse sentido, consta seu acolhimento ao então seminarista Edivaldo Oliveira, filho de consideração do Professor Orlando Fedeli e da atualmente viúva Sra. Ivone Fedeli, fundadores da Associação Cultural Montfort e do Colégio São Mauro.

Dom Rogelio foi a via de ordenação do Pe. Edivaldo, quando não lhe restavam mais esperanças. Uma história digna de ser relatada e que serve de exemplo a muitos, desesperançosos de chegar um dia ao sacerdócio em meio à crise pela qual passa a Igreja.

A trajetória até a ordenação

Edivaldo Oliveira nasceu em 1974 em São Paulo. Menino pobre do Parque Bristol, fez curso técnico em eletrônica na ETEC Getúlio Vargas, ocasião em que passou a frequentar a casa do Professor Fedeli no Cambuci, depois de ter sido convidado por alguns de seus colegas de curso.

Inicialmente relutante, após algumas aulas, o então jovem Edivaldo se rendeu aos argumentos do Professor Fedeli e tomou da decisão de se tornar um católico tradicionalista de linha TFPista, isto é, contrário ao Concílio Vaticano II e à reforma litúrgica pós-conciliar.

Humilde, após alguns anos trabalhando como reparador de fotocopiadoras, sentiu despertar dentro de si um grande desejo de fazer algo mais para Deus e se apresentou à Sra. Ivone Fedeli para trabalhar no então incipiente Colégio São Mauro.

Inicialmente se dedicou a serviços administrativos, mas em pouco tempo recebeu os cargos de professor de música e de catecismo, posto que assumiu por cerca de dez anos, quando, em 2009, foi tomado pelo desejo devorador da vocação sacerdotal.

O regente Edivaldo Oliveira e o Flammula Chorus, 2009

O regente Edivaldo Oliveira e o Flammula Chorus, 2009

Naquele momento, esse desejo de se tornar um sacerdote do Altíssimo tinha uma única via de realização na Montfort. Essa via era o Instituto do Bom Pastor, considerado como o único instituto no mundo a combinar a regularização canônica com o direito de rejeitar o Vaticano II e o Novus Ordo.

Dessa forma, ele partiu para França com mais três de seus alunos no Colégio São Mauro: Pedro Gubitoso, Tomás Parra e José Luiz Zucchi, que, aliás, serão ordenados sacerdotes e diácono amanhã, em São Paulo.

Diferentemente de seus alunos, o então seminarista Edivaldo não foi enviado para Courtalain, mas para a escola Angelus, do IBP, onde, deixando os estudos de lado, passou um ano realizando árduos trabalhos manuais relacionados à reforma da escola.

Após esse um ano, o então seminarista Edivaldo foi dispensado do Bom Pastor por seu superior geral, o Pe. Philippe Laguérie. Atribui-se tal dispensa ao então reitor do seminário, responsável pelo fechamento da casa do IBP no Brasil em 2008. Sem apresentar qualquer problema disciplinar, o motivo residia na desconfiança do IBP em relação a ele, tido como próximo demais do Professor Fedeli e participante ativo na crise que abalaria as relações entre os dois grupos por algum (pouco) tempo.

Retornando ao Brasil, o seminarista Edivaldo teve de lidar com a dupla dor da dispensa e do falecimento de seu pai de consideração, o Professor Fedeli.

Resiliente, começou a travar contato com o Pe. Almir de Andrade, da Fraternidade Sacerdotal São Pedro (hoje, na Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney, de Campos, RJ). Esse fato causou desconforto em parte da Montfort, pois a Fraternidade São Pedro sempre tinha sido considerada pelo grupo como proscrita por não ter apoiado as sagrações episcopais de Dom Lefebvre, em 1988, e por sua não oposição ao novus ordo — fato que não impediu Pe. Almir de, à época, dar conferências em congressos da associação e celebrar Missa diversas vezes no Colégio São Mauro.

Por fim, com a ajuda do Pe. Almir e o apoio decidido da viúva Ivone Fedeli, Pe. Edivaldo partiu para o seminário de Wigratzbad, na Alemanha, onde, após o primeiro ano de espiritualidade, foi convidado a se retirar.

Dessa forma, em 2011, o seminarista Edivaldo estava de volta ao Colégio São Mauro, onde, sem deixar a batina, passou mais de um ano em amargura procurando alguma via de realizar seu chamado sacerdotal.

Quando parecia não haver mais esperanças, surgiu Dom Rogelio Livieres, indicado pelo carmelita Frei Tiago ao então seminarista Edivaldo. E esse bondoso e generoso bispo o acolheu em seu seminário em meados de 2012, depois das devidas conversações, em que Edivaldo solicitou exclusividade para apenas celebrar a Missa Tridentina depois de ordenado.

Visto que, até então, sua formação oficial como seminarista tinha se resumido a um ano de trabalhos manuais e um ano de espiritualidade, Edivaldo foi submetido a um semestre de estudos no seminário de Ciudad del Este, antes de ser ordenado diácono, em 8 dezembro de 2012.

Sua ordenação diaconal foi realizada segundo a forma extraordinária, o que não ocorria há quatro décadas na diocese de Ciudad del Este.

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Na sequência, passados mais oito meses e com um pouco mais de estudos no seminário diocesano, o diácono Edivaldo Oliveira foi ordenado sacerdote, em 17 de agosto de 2013.

A cerimônia de ordenação também ocorreu segundo a forma extraordinária, mas teve a peculiaridade de ser realizada em uma Missa Tridentina versus populum, não se sabe por qual razão, no que ela se assemelhou à forma ordinária.

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Apesar disso, esse foi um dia de grande alegria para os tradicionalistas brasileiros companheiros do Pe. Edivaldo, especialmente para a viúva Ivone Fedeli, que finalmente pôde ver seu filho ordenado depois de tantos sofrimentos.

Pe. Edivaldo é cumprimentado por sua mãe adotiva, Ivone Fedeli

Pe. Edivaldo é cumprimentado por sua mãe adotiva, Ivone Fedeli

Os então diáconos Renato Coelho e Luiz Fernando Pasquotto, assim como demais seminaristas brasileiros do IBP, auxiliaram na celebração da cerimônia.

Dois anos de apostolado do Pe. Edivaldo e sua volta ao Brasil

Uma vez ordenado, Pe. Edivaldo dividiu seu apostolado em duas frentes: uma em Ciudad del Este e outra no Brasil.

No Paraguai, graças à generosidade de amigos brasileiros, Pe. Edivaldo abriu o Centro de Estudos São Mauro, onde morava, dava cursos e celebrava a liturgia tradicional. Embora fosse padre diocesano, Dom Rogelio julgou prudente não instalar Pe. Edivaldo em uma paróquia, pois ele se recusava a participar das celebrações segundo a forma ordinária e não gozava de uma integração mais harmoniosa com o clero local devido a sua sensibilidade litúrgica — o que não foi motivo para o bispo tratá-lo mal, como fazem os ordinários atuais.

Ao mesmo tempo em que atuava no Centro São Mauro, Pe. Edivaldo procurou obter autorização para criar sua Fraternidade São Mauro, que pretendia ser um arcabouço canônico para preservação dos valores do Professor Orlando Fedeli e para o acolhimento de vocações masculinas e femininas voltadas exclusivamente para a liturgia tradicional, o que chegou a obter parcialmente, já que Dom Rogelio não preferia tal exclusividade.

É, entretanto, inegável o perseverante trabalho de integração realizado por Dom Rogelio Livieres, a fim de acomodar essa vocação sincera e verdadeira ao que a Santa Sé espera de um padre em nossos tempos, no contexto da Nova Evangelização desejada pelos Papas pós-conciliares.

Pe. Edivaldo com hábito branco da Fraternidade São Mauro e fiéis paraguaios

Pe. Edivaldo com hábito branco da Fraternidade São Mauro e fiéis paraguaios

No Brasil, por sua vez, onde passava cerca de duas semanas por mês, Pe. Edivaldo desenvolveu viagens apostólicas para São Paulo e para o nordeste, notadamente em Fortaleza. Em São Paulo, atuava juntamente ao Colégio São Mauro, sua primeira casa. Em Fortaleza, Pe. Edivaldo se dedicou a celebrar a sagrada liturgia nas principais igrejas da cidade.

Após a triste deposição de Dom Rogelio Livieres, Pe. Edivaldo julgou mais conveniente deixar seus fiéis paraguaios e voltar ao Brasil, para, junto de sua mãe de consideração, prosseguir com o projeto da Fraternidade São Mauro.

Um mês de Fraternidade São Mauro

De volta ao Brasil, Pe. Edivaldo anunciou, há pouco mais de um mês, a fundação da Fraternidade São Mauro (FSM), confirmando as informações veiculadas por Fratres in Unum, cuja sede está localizada nas cercanias do Colégio São Mauro e da Associação Cultural Montfort.

Os membros do novo instituto religioso recebem formação espiritual dada pelo Pe. Edivaldo e em aulas na Montfort, ao mesmo tempo que a formação filosófica e teológica será fornecida pelo Mosteiro de São Bento, em São Paulo, com quem a FSM teria celebrado um convênio de cooperação. Essa cooperação também se manifesta pela atuação do Pe. Edivaldo como confessor durante as missas tridentinas celebradas aos domingos no mosteiro. Consta que a FSM já recebeu inclusive vocações de Manaus.

Pe. Edivaldo Oliveira celebra Missa no Mosteiro de São Bento, 26 de julho de 2015

Pe. Edivaldo Oliveira celebra Missa no Mosteiro de São Bento, 26 de julho de 2015

Segundo membros da FSM, o Cardeal de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer, teria dado seu aval à obra e permitido ao Pe. Edivaldo atuar recebendo vocações sob sua jurisdição. Pe. Edivaldo também estaria sob autorização de Dom Heinz Wilhelm Steckling, atual diocesano de Ciudad Del Este.

* * *

Por este e muitos outros casos, só temos a agradecer a Dom Rogelio por sua generosidade apostólica e que rezar para Deus todo poderoso o tenha em sua misericórdia.

* Fale com o autor: manoelgonzagacastro@gmail.com

24 Comentários to “Dom Rogelio Livieres e a integração dos tradicionalistas em prol da Nova Evangelização.”

  1. Alguém vai pagar caro pela destruição dessa obra.

    • Vi que muitos comentaram sobre a formação a jato do Pe. Edivaldo.

      Eu já estranhei outra coisa. Como o filho do Prof. Fedeli aceitou ser ordenado versus populum?

      Isso é muito triste.

  2. O Pe Edivaldo não fez Filosofia nem Teologia para ser ordenado? Que formação fureca foi essa? Para ser diácono ele só precisou ter sido aluno de Fedeli, um ano de “árduos trabalhos manuais”, um ano de “espiritualidade” e um semestre (só?) de estudos ?! E depois do Diaconato, mais oito meses (só?) para ser ordenando Padre?

    • Caríssimo, tive a oportunidade de conhecer o padre pessoalmente, posso assegurar-lhe que é um homem muito douto em ambas matérias, e com grande espiritualidade! Tal qual São João Maria Vianney… E outra, você não é bispo para andar contestando, muito menos publicamente, ordenações ou méritos dos padres!

    • Creio que o sr Luis Martins tenha, como eu, ficado um tanto quanto consternado com o descrito pelo texto mas, de maneira educada, endosso o questionamento: é isso mesmo o que li e o que ocorreu, um ano de trabalhos manuais e um semestre de espiritualidade, um período não especificado de Diaconato e depois o Sacerdócio???

      Aguardarei os esclarecimentos,
      Salve Maria.

    • Podes ficar tranquilo, o Padre Edivaldo é muito douto, quem o conhece sabes que nao estou enganado !!! Não há problema algum quanto à ordenaçao dele, aliás fatos como estes (formação extraordinária) acontecem nas mais diversas áreas. Por exemplo: é comum que alguém para receber o título de Doutor(ado) seja graduado na área, (em alguns casos) tenha feito o mestrado e depois alguns anos em algum programa de doutorado, pois bem…é sabido que algumas pessoas nao cumprem (nao necessitam) todas estas etapas e ainda sim, sao muito bem formados !!!
      Como exemplo, menciono o caso do famoso cosmólogo Mosfat, o qual era artista, pintor, e nunca cursara uma faculdade de exatas, física, e no entanto foi indicado por Einstein e Abdu Salam para ingressar em um programa (direto) de Doutorado, pulando assim vários anos de formaçao, ele nao necessitava.
      Nao existe apenas este caso, tem vários, nao ficarei aqui mencionando outros.
      O Prof e Padre Edivaldo possui extrema familiaridade com o tema, muito mais que o brilhante Mosfat possuia em exatas, experiência esta adquirida em anos de fidelidade ao serviço de Nosso Senhor forjada no ensino do catecismo de Sao PIo X, nos estudos de Sao Tomás de Aquino e Sto. Agostinho e na história da Santa Igreja Católica.
      Preocupar-se com formaçao dele, fureca como afirmam, é de uma bobeira e maldade supremas.
      Que Nossa Senhora o abençoe (já o abençoou) !!!

    • Sr V.V.

      Quem cobra tem que dar exemplo. Ninguém está contestando a excelsa e preclara doutrina – adquirida, em parte, com a aquele professor de segundo grau que mantinha um blog e que, como diziam de Ruy Barbosa, era um mar de conhecimento que se atravessa com água pela canela – nem as sublimes e angélicas virtudes do referido padre. O que se espera de todos é que sigam o Direito Canônico em tudo que Igreja dispõe. Se há prazos, interstícios e ratio studiorum para a ordenação, eles devem ser escrupulosamente seguidos (exceto em caso de perseguição, mas isso já é bem outra estória).

    • Ataque frontal ao Código de Direito Canônico, que pede ao menos cinco anos de estudos eclesiásticos e três de residência em seminário.

    • Para qualificar o debate sobre o tempo de formação sacerdotal do Pe. Edivaldo, segue abaixo o Cân. 250 do Código de Direito Canônico de 1983:

      Cân. 250 — Os estudos filosóficos e teológicos ministrados no seminário tanto podem realizar-se sucessiva como conjuntamente, segundo as Normas da formação sacerdotal; DUREM AO MESNO SEIS ANOS COMPLETOS, mas de modo que às disciplinas filosóficas se dedique o tempo de um biénio completo, e aos estudos teológicos um quadriénio também completo.

  3. Isso me motiva a continuar na caminhada de minha vocação.

  4. Achei estranho o título da matéria: “Dom Rogelio Livieres e a integração dos tradicionalistas em prol da Nova Evangelização” com 3 linhas sobre o falecido Prelado e 3000 linhas para apresentar, com golpe de cena, uma nova fundação não-sei-o-que-nem-quem-nem-quando-nem-por-que (como se não bastassem as 3.000.000.000.000.000.000.000.000 de fundações já existentes). Por que não restaurar uma congregação falida antes de o patrimônio ser alienado a preço vil ou doado aos seguidores de Mafoma ?

  5. Independente da virtude do Pe. Edivaldo, causa bastante espécie essa formação “express”. Como todos sabemos, a formação de um padre leva, em média, 8 anos completos (propedêutico – 1 ano; graduação em filosofia – 3 anos; e graduação em teologia (4 anos).
    Até mesmo São João Bosco, cuja biografia impressionante acabo de ler e recomendo a todos, levou quase 10 anos de seminário! Seria o Padre Edivaldo mais vocacionado que o próprio Dom Bosco?…
    Porque a exceção?

    • Exato!

      Como e por que a exceção? E o respeito aos cânons?

    • Laura, o Pe. Edivaldo tem o “tau” fedélico. kkkk

      Entendedores entenderão!

    • Pôxa, que pena….não acredito que estejam questionando a formação do Pe. Edivaldo !!! No lugar de se voltarem para os nefastos padres liberais, como Pe Fabio de Melo (com 18 anos de formaçao, com mestrado e falando apenas besteiras e dando mal exemplo), Padre Alessandro Campos (o padre Sertanejo,outro galã, o qual tascou uma bitoca em uma jovem na TV Aparecida na frente das cameras) e tantos outros…
      Sério que vcs estao preocupados ?!! Se estão tao preocupados, pq nao agendam uma visita ao Pe. Edivaldo, aposto que ele terá um grande prazer em conversar com todos e desfazer estas más impressões??
      Apesar de que, com tantos tendo mal juízo do velho e saudoso Prof. Orlando, parece me dificil que faça alguma diferença.

  6. Não entendi porque o Padre Edivaldo teve uma formação diferenciada dos seus colegas que foram ordenados ontem.

  7. Quando fiquei sabendo aqui pelo Fratres que estava sendo criada a Fraternidade São Mauro, fiquei feliz pois vi que poderia ser uma boa opção para mim, que gostaria de entrar em uma congregação tradicional, mas não largaria tudo aqui para ir para a Europa (onde se encontram os seminários do IBP, FSSP e ICR). Só que agora lendo essa postagem fiquei com a pulga atrás da orelha. O Pe. Edivaldo não aceita o Concílio Vaticano II? A Fraternidade também não vai aceitar? Tenho muitas críticas ao CVII, mas não penso que a solução é simplesmente negá-lo. Até porque um instituto que não o aceita dificilmente seria aprovado pela Ecclesia Dei. Acho que uma posição mais moderada, como a do IBP, é melhor…

    • Claro que o Pe. Edivaldo não aceita o Vaticano II. Ele é o seguidor mais fiel do Professor Fedeli. Só é mais calado, não escreve, nem expõe as opiniões dele em público. Ele também julga que é pecado frequentar o novus ordo.

  8. Excentricíssimo também o fato – se bem o entendi – de o hoje sacerdote, à época da saída do Seminário, continuar a envergar batina, como se ainda permanecesse admitido validamente a um instituto clerical ou religioso…

  9. Se o padre Edivaldo se declarasse simplesmente contra o Concílio Vaticano II, não teria sido ordenado Sacerdote da Igreja Católica. Ele sabe (como todos sabemos) que uma tal negação seria impossível. O Concílio de João XXIII e Paulo VI é um acontecimento da História da Igreja e, como tal, não pode ser apagado.
    Seus efeitos negativos, no entanto, podem ser, na prática, combatidos através da Doutrina Católica Tradicional, clara, enunciada e seguida pelos Concílios infalíveis num grau de autoridade incontestável.
    A letra do Vaticano II, nas suas inovações (como o ecumenismo, por exemplo) pelo menos até agora não foi considerada objeto de correção por parte da Autoridade Suprema da Igreja. Se o será algum dia, só Deus sabe.
    É mais fácil (e creio ser mais correto) pensar que padre Edivaldo segue a linha da hermenêutica da continuidade, inaugurada oficialmente pelo Papa Bento XVI, o qual deu ao IBP a permissão para fazer a crítica aos pontos polêmicos do mesmo Concílio. Inclusive, o discurso do Santo Padre foi publicado com destaque no site Montfort.
    Assim, padre Edivaldo simplesmente segue os mesmos passos do IBP, dentro daquilo que a própria Igreja permite.
    Quanto ao novus ordo, o Professor Orlando Fedeli nunca assistiu à Missa de Paulo VI, mas nos seus escritos também nunca proibiu seus leitores/alunos de assistirem à mesma. Entendeu que não tinha autoridade para isso, e estava certo. Explicava e demonstrava que no rito moderno havia elementos protestantes e deixava a questão à consciência de cada um. Ora, qual o problema do padre Edivaldo seguir a consciência dele, querendo celebrar a Missa somente no Rito Romano Tradicional, o qual é cem por cento católico?
    Longa vida à Fraternidade São Mauro.

    • Volto a dizer. E daí que os filhos do Professor Fedeli não fazem polêmica como ele fazia? E daí? Cada um tem seu jeito e seu chamado para trabalhar na messe do Senhor. Vamos ver o que há de bom no Pe Edivaldo e no seu apostolado. Vamos edificar em vez de destruir e criticar. Satanás nos faz ver apenas o lado humano desses sacerdotes, suas falhas e misérias, porém, com os olhos do Espírito Santo, temos de focar que eles são representantes do Altíssimo, pela graça do mesmo Altíssimo e por nenhum mérito deles próprios.

  10. Muito estranha toda essa história.

  11. Primeiro padre formado por supletivo, e que curioso, funda uma instituição explicitamente para difundir as idéias do OF. Agora sim se entende o que eles queriam com o IBP – fazer dali um vetor de doutrina do OF.