Lex orandi, lex credendi.

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A “lex orandi” está sempre ligada à “lex credendi”. Dependendo do modo em que os homens rezem, bem ou mal, assim também acreditarão, bem ou mal, e se comportarão, bem ou mal. A santa liturgia é, em absoluto, o primeiro acto da nova evangelização. Se não adorarmos a Deus em espírito e verdade, se não celebrarmos a liturgia com a maior fé possível, especialmente nessa acção divina que se desenrola ao longo da missa, então não poderemos ter a inspiração e a graça necessárias para participar na evangelização. Em suma, na santa liturgia está contida a forma da evangelização, na medida em que aquela é um encontro directo com o mistério da fé que nos cabe levar às almas que Deus traz ao nosso encontro.

Ela consegue, por ela mesma, conduzir ao conhecimento dos mistérios da fé. Se a santa liturgia for celebrada de uma maneira antropocêntrica, se ela mais não for do que uma simples actividade social, não terá qualquer impacto duradouro na vida espiritual. Uma das maneiras de conduzir os homens na direcção da fé consiste em restaurar a dignidade da liturgia. Celebrar uma missa com veneração é algo que sempre atraiu os homens para o mistério da redenção. É por isso que me parece que a celebração da missa na forma extraordinária pode ter um papel muito importante no âmbito da nova evangelização, porque ela acentua a transcendência da santa liturgia. Ela sublinha a realidade da união entre o Céu e a terra que a santa liturgia quer exprimir. A acção de Cristo por meio dos sinais do sacramento, por meio dos sacerdotes, instrumentos do próprio Cristo, torna-se muito evidente na forma extraordinária. Além do mais, ela ajuda‑nos a sermos mais respeitadores no modo de celebrar a forma ordinária.

Todos vemos a necessidade dessa evangelização no mundo de hoje, que vive como se Deus não existisse. É importante que se ligue esta nova evangelização à celebração o mais cuidada possível da liturgia. Em muitas pessoas ateias ou não cristãs com quem me encontrei, pude ver que, ao travarem conhecimento com a missa na forma extraordinária, tinham a experiência de estarem realmente na presença da acção de Deus. E em seguida, esta mesma experiência veio a permitir-lhes acolherem os ensinamentos da religião. Os homens devem conseguir compreender que o sacerdote age na pessoa de Cristo. Devem poder compreender que é o próprio Cristo que desce sobre o altar para renovar o sacrifício da Cruz. Devem poder compreender que têm de unir os seus corações àquele Seu Coração que foi trespassado para os purificar do pecado, e para fazer crescer neles o amor de Deus e o amor pelo próximo. Devemos pois catequizar os homens com as realidades profundas da missa, em particular por meio da forma extraordinária do rito romano.

Palavras do Cardeal Raymond Leo Burke em entrevista a Paix Liturgique

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5 Comentários to “Lex orandi, lex credendi.”

  1. Tenho grande admiração por esse cardeal, por sua postura firme na defesa da fé católica.

  2. Dom Burke,

    Um leão que luta em imitação ao Leão da Tribo de Judá.

    Apesar de ser cercado por hienas, por todos os lados, os guinchos dessas não abafarão seus rugidos.

    KYRIE ELEISON!!!

  3. Palavras de uma clareza santa. É sempre inspirador ouvir o Cardeal Burke.

    Fiquem com Deus.

  4. Parabéns cardeal Burke!! Essa ligação entre lei da oração e da fé é genuinamente católica. Parabéns também por ter encabeçado a filial súplica ao Santo Padre pedindo a manutenção da atual disciplina com relação ao matrimônio. Já ultrapassamos meio milhão: 500.000 assinaturas!

  5. Papa Francisco disse que se aposentaria, que não teria problemas com renunciar como fez o Bento … pois, que o faça logo e abra caminho para o Cardeal Burke!!!