Mobilização contra a ideologia de gênero busca a defesa da vida e da família.

Nesta terça-feira, 25, ocorrerá a 2ª e final votação na Câmara Municipal de São Paulo sobre a questão de gênero.

Brasilia, 24 de Agosto de 2015 (ZENIT.org) Thácio Siqueira – Nesta terça-feira, 25, ocorrerá a 2ª e final votação na Câmara Municipal de São Paulo sobre a questão de gênero. Nesta entrevista à ZENIT, o Prof. Hermes Rodrigues Nery, Presidente da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família fala sobre a importância da sociedade estar mobilizada em favor da vida e da família.

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ZENIT: O que esperar da 2ª votação na Câmara Municipal de São Paulo sobre a questão de gênero, nesta terça-feira, dia 25?

Prof. Hermes: Ganhamos com expressiva vitória (42×2) na primeira votação, dia 11 de agosto, e penso que teremos um bom resultado, nesse sentido, rechaçando de vez a inclusão da ideologia de gênero, devido ao trabalho feito de mobilização junto aos vereadores e também a pressão inclusive nas ruas. Penso que esta mobilização se faz necessária, em todos os municípios e estados, porque a ideologia de gênero foi banida do Plano Nacional de Educação, no primeiro semestre de 2014, de maneira que qualquer tentativa em nível municipal e estadual é inconstitucional, porque as legislações locais não podem contradizer o que já foi decidido em âmbito nacional.

ZENIT: De onde vem toda essa ideologia de gênero, quem as promove?

Prof. Hermes: Na verdade, esse processo de desmonte das instituições é de longa data. Cabe lembrar, por exemplo, que os últimos escritos de Marx focaram nessa questão. E tiveram um efeito muito mais devastador do que O Capital. Ele havia percebido e começado a desenvolver a ideia de que a verdadeira revolução seria aquela que destruísse a família, que ele via como uma instituição opressora, idealizando assim uma volta ao matriarcado, que ele supunha que fosse uma sociedade libertária e que seria possível chegar a esta nova utopia. Outros autores posteriormente tomaram essas ideias da fase final da vida de Marx e aprofundaram em análises, partindo de premissas filosóficas equivocadas, teorizando sobre o assunto, para justificar o que Marx havia proposto como realmente revolucionário, estudos esses, como os de Max Horkheimer, Karl Korsch, os da Escola de Frankfurt, e tantos outros, teorizando sobre as mais perversas ideologias do séc. XX [e agora, de modo mais intenso com a ideologia de gênero], que o feminismo radical se apropriou para acentuar o processo e movimento de modificação da estrutura social, que só seria possível com uma profunda revolução cultural e antropológica, teorias essas colocada agora em prática, com força política, de modo mais acelerado, principalmente depois das conferências internacionais promovidas pela ONU, nos anos 90, para impor a agenda de destruição da cultura ocidental, com a destruição do próprio conceito de natureza humana, do direito natural, do sentido de autoridade, com “projetos de reengenharia social”, que a partir destas conferências, como explica o Dr. Jorge Scala, “se põe em marcha na tentativa de construir uma nova sociedade com bases totalmente diferentes das que conhecemos, tratando de neutralizar e anular lenta e discretamente toda visão transcendente do homem para substitui-la por um novo sistema de valores”.

ZENIT: É uma ideologia que se volta contra a realidade natural da pessoa humana…

Prof. Hermes: Para esses autores e ideólogos [a maior parte de influência marxista], “a ideia de libertação”, como ressaltou Joseph Ratzinger, “também se fundiu fortemente com a ideologia feminista. A mulher é considerada o ser oprimido por excelência; por essa razão a libertação da mulher é o núcleo de toda atividade de libertação. Aqui se ultrapassou, por assim dizer, a teologia da libertação política com uma antropológica. Não se pensa apenas na libertação dos vínculos próprios ao papel da mulher, mas na libertação da condição biológica do ser humano. Distingue-se então o fenômeno biológico da sexualidade das suas expressões históricas, às que se chama gênero, mas a revolução que se quer provocar contra toda a forma histórica da sexualidade conduz a uma revolução que também é contra as condições biológicas; já não pode haver dados naturais”. Trata-se de uma revolução tão profunda e tão global, “uma revolta contra a própria condição de criatura”, que não aceita mais nenhuma autoridade e nenhuma ordem, uma revolta anárquica, luciferina contra a condição humana, “o Homem deve ser o criador de si mesmo – uma nova edição, moderna, da velha tentativa de ser Deus, de ser como Deus”, por isso, marxismo, socialismo, comunismo, feminismo, e tantas outras ideologias sem Deus estão na raiz dessa revolta contra a família, uma “revolta metafísica”, contra os fundamentos do ser humano, “contra a sua condição e contra a criação inteira. É metafísica por contestar os fins do homem e da criação”, com reconheceu Camus, em seu livro L´Homme Revoltè.

ZENIT: Uma revolta, portanto, contra a família.

Prof. Hermes: Se a família era o âmbito natural de transmissão da autoridade [daí a sua credibilidade, validade e perdurabilidade como instituição] e dos valores humanos e cristãos, era preciso então destruir a família tradicional, e instituir um novo paradigma [com novos modelos de família], impondo a “perspectiva de gênero” como destaca Scala, com “uma visão anti-natural de sexualidade autoconstruída, a serviço do prazer”, com as ilusões dessa “sexualidade autoconstruída”, e exigindo dos governos alinhados com essa agenda [os governos e partidos de esquerda, aqui no Brasil, principalmente o do PT] ,”como ponto-chave da nova sociedade” que pretendem impor a ideologia de gênero nas escolas, e “o reconhecimento social e jurídico da homossexualidade, o pseudodireito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e a adoção de crianças por parte desses casais” e por aí afora. Por isso se faz necessário toda esta mobilização em favor da família, constituída por homem e mulher, na sacralidade do matrimônio.

ZENIT: Esse também é mais um desafio no âmbito Legislação e Vida”?

Prof. Hermes: Sim. Somados a tantos outros grupos, atuando em várias frentes, também no campo legislativo é preciso estarmos atentos, levando informações aos tomadores de decisão, e buscando deliberações em favor da dignidade da pessoa humana. A lei que favorece, por exemplo, esta abominável ideologia de gênero, é lei que viola o próprio direito, se volta contra a dignidade da pessoa humana, é lei iníqua, que não favorece a vida, pelo contrário, a dificulta e até a aniquila, pois como afirma S. Tomás de Aquino, “se a vida é regulada de maneira contrária à natureza do direito, esse modo de proceder tornará a vida ainda mais difícil de viver”. Por isso, defendemos a legislação em consonância com o direito natural, na defesa da vida e da família.

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