O jesuitismo de Francisco.

Por Padre Cristóvão | FratresInUnum.com

Antigamente, alguns dicionários davam como significado de “jesuitismo” a hipocrisia e a falsidade. Outros, mais moderados, definiam-no como simplesmente uma falta de franqueza ou uma atitude de quem se expressa de forma evasiva, dissimulada. Tal sinonimia se deve àqueles modos tradicionalmente imputados à Companhia de Jesus, típicos, de fazer-se jogos duplos, triplos, sétuplos, múltiplos, alucinantes. Foram os jesuítas que desenvolveram as técnicas de “restrição mental”, em que se responde algo ludibriando-se o interlocutor. “Fulano passou por aqui?”, “Nessa casa, não”, respondia malandramente o jesuíta, passando os dedos pela casa da batina…


Francisco faz jus a este “modus faciendi”?

Castiga Dom Livieres, que morre; faz o mesmo com outros. Supervisiona a destruição dos Franciscanos da Imaculada, mas, agora…

Concede, “misericordiosamente”, aos padres da FSSPX a faculdade de absolverem válida e licitamente. Para estes, tal concessão não se sentia como necessária: sustentando estarmos num “estado de necessidade”, graças à interminável “crise conciliar”, entendem que a jurisdição de suplência lhes seria de direito. Francisco lhes dá aquilo que eles pensam não precisar receber. Mas a impressão é a de que, “misericordiosamente”, os fieis tradicionalistas estão sendo acolhidos de braços abertos, junto com os aborteiros e cia.

Notem a ambiguidade. Dando-lhes a liceidade e validade, o Papa está dizendo que, habitualmente, as suas confissões não são lícitas, nem válidas! Ao mesmo tempo, obrigando a FSSPX a aceitar a concessão que “misericordiosamente” lhes concede (pois, se não aceitassem, estariam na posição de quem “rejeita” a “misericórdia”), busca forçá-los a confessarem que estão objetivamente errados.

A propósito, de que vale confessar-se validamente se o penitente teria que confessar que suas confissões anteriores não eram válidas, nem lícitas (portanto, sacrílegas simulações), e que todos os demais sacramentos seriam igualmente ilícitos e, alguns, inválidos (como o matrimônio), e, portanto pecaminosos?… Então, apenas durante o ano da misericórdia, será possível confessar-se com um padre da FSSPX, mas não ser ordenado no seminário deles, ou assistir suas missas, ou casar-se em seus priorados?

Fazendo desse modo, Francisco abre um enorme precedente. Em nome dessa “concessão”, quantas outras terá em mente, e para quais outros grupos, que eles consideram dissidentes?…

Aliás, enquanto faz tudo isso, Francisco se prepara para comemorar os 500 anos da Reforma Protestante!

Jesuitismo. Esta é a síntese deste pontificado?

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22 Comentários to “O jesuitismo de Francisco.”

  1. Enquanto os canonistas auto-didatas de plantão rasgam vestes e perdem tempo “com discussões tolas e absurdas, que só geram contendas”( II Timoteo 2) Padre Cristóvão como sempre, foi perfeito em sua análise.

    • Prezada Sra. Gercione,

      Como possui conhecimentos razoáveis sobre a FSSPX, entre outros, poderia dar um parecer sobre este Maurrasianismo que outro colega afirmou sobre D. Lefebvre no tópico anterior (que estão relacionados sem dúvida). Grato.
      AMDG

  2. E a FSSPX ainda agradeceu o golpe. Triste!

  3. Uma curiosidade: em sua obra “O homem dos quarenta escudos”, escrita por volta de 1770, Voltaire disse algo que agora, olhando para a situação presente, parece quase uma profecia satânica: “Não acabemos de todo com os jesuítas – melhor é transformá-los do que eliminá-los. Daqui a duzentos anos eles nos serão muito úteis…”

  4. Caro Padre Cristóvão,

    Sua bênção.

    Suponha que houvesse algum pedido para que o Papa, neste Ano da Misericórdia, fosse coerente com o que prega e usasse de misericórdia igualmente para a FSSPX, dando-lhe faculdade universal para administrar o sacramento da confissão.

    Supôs?

    Bem, suponha agora que Francisco NÃO conferisse aos padres da Fraternidade tal faculdade universal.

    O senhor acharia esta negação um sinal bom ou mal?

    Sou um fiel ligado à Tradição. Sou um católico que admira a FSSPX. Luto, dentro de minhas possibilidades pela restauração da Igreja. Não gosto nem um pouco do pontificado de Francisco.

    Mas, perdoe-me, há um ranço em nossas trincheiras que não nos permite ver o bem em algo que objetivamente bom é.

    No caso específico, o gesto do Papa foi bom para com a Tradição. Um gesto no sentido contrário (naquele sentido cuja suposição pedi ao senhor) seria recebido com o mesmo fel que alguns receberam a concessão da faculdade universal para ouvir confissões.

    Parece que, para muitos de nós, Francisco se encontra num jogo de “lose if you do, lose if you don’t”. Não importa o que faça, não importa como o faça.

    E, perdoe-me, isso não é saudável para a alma de ninguém, nem benigno para a causa da Tradição.

    Alexandre.

  5. Concordo contigo Alexandre

  6. Me perdoem, mas isso já foi dito e redito por Dom Richard Williamson nos comentários Eléison e até por Dom Tomás de Aquino. Nada de novo. Dom Williamson ainda vai além: desde quando Bento XVI retirou as excomunhões, a honra de ter sido excluída da Igreja Conciliar foi subtraída da Fraternidade de São Pio X. Isso é tão forte no povo da resistência que os faz ver qualquer aceno ou tentativa de acordo como ofensa. Só há uma possibilidade de acordo: assumir o erro, retomar o Concílio Vaticano I e passar uma borracha em tudo o que foi feito e escrito desde Pio XII pra frente. A Igreja do “subsist in” precisa cair para que a verdadeira se levante. Como isso não vai acontecer sem intervenção direta do Espírito Santo, tudo o que vem da Igreja Conciliar na direção da Tradição, pode ser considerado “Jesuitismo”, não apenas com Francisco, mas com todos os outros.

  7. É interessante a atitude do papa com relação a fsspx, mas já que ele proclamou o ano da misericórdia, por quê não regularizou canonicamente a situação da instituição ao invés de querer agradar com suas ofertas mascaradas de misericórdia, mas que por trás, tenha interesses “nefastos”.

    • Essa é fácil. A própria instituição não quer ser regularizada enquanto a crise na Igreja não for resolvida.
      O fato de que a crise só será resolvida com um clero tradicional lutando desde dentro da Igreja contra o modernismo parece não passar pela cabeça dos responsáveis pela instituição, infelizmente.

  8. Por caridade, gostaria humildemente de lembrar que a expressão “jesuitismo” dando margem a esta conotação pejorativa desta forma, como, no caso, abordado aqui neste artigo,originalmente é um termo cunhado pelos inimigos da Santa Igreja. Aqueles que estavam ferozmente incomodados com o zelo apostólico da Companhia de Jesus… Aqueles cujos interesses escusos eram contrariados pelo brioso espírito missionário dos Jesuítas… Afinal, os Inacianos deram uma contribuição decisiva no sentido de frear a expansão protestante pela Europa, assim como contribuíram enormemente também, quanto a trazer de volta ao seio do Catolicismo numerosíssimas levas de fiéis que jaziam no engano da heresia protestante. No Novo Mundo é bem conhecida sua impressionante epopeia na conversão dos indígenas e na proteção destes ante os que deles queriam se servir como escravos. A comovente trajetória dos Aldeamentos, das Missões e das Reduções Jesuítas retrata um dos mais hercúleos esforços já realizadas pelo empreendimento missionário da Cristandade em toda sua história. Tanto na Europa quanto no Novo Mundo suas Casas de Ensino eram conhecidas pelo elevado padrão de excelência. O exemplar resultado do método pedagógico jesuíta, conhecido “Ratio Studiorum”, alcançou uma eficácia educacional extraordinária. Ora, tudo isso fez com que, dentre todas as Congregações Religiosas da Santa Igreja, a Companhia de Jesus, despontasse entre as que viesse a despertar maior furor de ódio por parte daqueles que integram as fileiras dos que se opõem a Cristo e a Sua Igreja. Foram estes que engendraram esta expressão “jesuitismo” com margem a tal conotação pejorativa, no intuito de depreciar a Companhia de Jesus e seus integrantes. Protestantes, Iluministas, Maçons… Enfim, toda esta casta de gente perversa, capaz de tão maquiavelicamente, se empenhar neste movimento de depreciação, ao ponto de que, por fim, até mesmo nos dicionários, passasse a constar, não só o termo “jesuitismo”, mas também a própria palavra “jesuíta”, com uma menção de um significado desabonador. A verdade irrefutável dos louváveis fatos históricos incontestáveis que marcam a trajetória de heroicidade da Companhia de Jesus (bem como o vultoso número de Jesuítas Santos, Beatos e Bem Aventurados) põe decididamente por terra qualquer tentativa de difamação desta Ordem Religiosa. Mas claro, por favor, sei bem que de modo algum foi intenção do autor do artigo aqui, fazer coro àqueles luciferinos que evocam uma conotação injuriosa aos Jesuítas. A questão é que, se haja algum indigno integrante da Companhia de Jesus, que ao invés dos ideais de Santo Ignácio, tenha a infelicidade de personificar a perversa maneira distorcida pela qual os Jesuítas foram rotulados pelos inimigos da Igreja, aí é um caso a parte…

  9. Já se pode ouvir Missa na FSSPX.

  10. Concordo com o comentário de Alexandre Semedo.
    Eu diria a mesma coisa!

  11. Peço licença para discordar! A S.I. possui uma história de fidelidade à Santa Igreja e legou à história inúmeros missionários, mártires, cientistas.
    Quanto ao “Papa Branco”, é uma aberração do verdadeiro “jesuitismo” à semelhança de Pedro Arrupe e seus comparsas gloriosamente ainda reinantes.
    Rogai por nós, Iñigo de Loyola.

  12. Antes da Carta, tentava-se adivinhar que haveria misericórdia para todas as classes de pessoas por parte de Franciosco, menos para a FSSPX. Quando vem um gesto, ele é ostratizado.

    Ou seja, faça o que fizer, estará sempre errado… E via os papas de plantão!

  13. “Então, apenas durante o ano da misericórdia, será possível confessar-se com um padre da FSSPX, mas não ser ordenado no seminário deles, ou assistir suas missas, ou casar-se em seus priorados?”

    Não entendi a translocação de matéria: no princípio e no fim estava a falar-se de dois sacramento (Confissão e Matrimônio) que requerem jurisdição para validade; no meio do assunto, introduziu outros (Ordem diaconal/presbiteral e Eucaristia), que não prescindem de tal requisito canônico.

    Onde se quer chegar com este raciocínio confuso?

  14. “A questão é que, se haja algum indigno integrante da Companhia de Jesus, que ao invés dos ideais de Santo Ignácio, tenha a infelicidade de personificar a perversa maneira distorcida pela qual os Jesuítas foram rotulados pelos inimigos da Igreja, aí é um caso a parte…”

    Leia o livro OS JESUITAS de Malachi Martin e você verá que Padre Cristovão sabe muito bem do que ele está falando:

  15. Todos os presentes tem alguma coisa de beleza. Havia muita beleza na “caixa de Pandora” e no “cavalo de Tróia”. Ninguém poderia esperar o mal de um “presente de casamento” ou de um “presente para os deuses”, mas os gregos ao darem estes presentes, os deram em vista de um fim, que era o seu próprio benefício. Neste sentido, podemos ler na biografia de Santo Antão (escrita por Santo Atanásio), que “o demônio apresenta o mal com aparência de bem”, ou seja, ele também nos oferece certos presentes, que não são propriamente presentes: quantos pecados não cometemos, seduzidos por uma beleza que depois descobrimos ser falsa?

    Esse é o “modus operandi” da Nouvelle theologie, que trocou a primazia do ser pela primazia do belo. E os presentes servem bem a este propósito de veicular algo através da beleza: tudo o que nos apresentam nos últimos cinquenta anos é apresentado com muita beleza, como se a crise que a Igreja vem atravessando ao longo destes últimos 50 anos, fosse uma maravilha do mundo. Curiosamente, um jesuíta, Urs Von Balthasar, foi um dos que fez uma teologia, que conferiu a primazia ao belo, deixando o ser (essa relação plde ser vista na pastoral e na doutrina. .. a tese de Kasper, pode se dizer, separa o belo e o ser). Neste sentido, em se tratando de jesuitismo, penso que tem razão o Padre Cristóvão e também a Famulus Cordis Mariae: de fato, a ordem dos jesuítas foi uma ordem gloriosa e o jesuitismo foi uma atribuição dos inimigos da Igreja. No entanto, a partir da Nouvelle theologie, o jesuitismo se torna um fato, e contra a própria Igreja. Veja-se por exemplo, o que fizeram no Pontifício Instituto Bíblico, os estragos causados pelo cardeal Bea, a teologia de Karl Rahner, Daniélou, de Lubac, Bouillard, Fessard e Von Balthasar. Coisas que denigrem a honra e não fazem jus a história dos jesuítas.

    No que diz respeito a relação entre a FSSPX e Roma, no pontificado de Bento XVI, houve uma troca de presentes de ambos os lados. Bento XVI presenteou FSSPX com a retirada das excomunhões (apresentando lhe belamente como um ato de misericórdia…) e recebeu de presente as Cruzadas do rosário. A história e as controvérsias são conhecidas por todos… e já fazem quantos anos? Se considerarmos, quantos fiéis morreram de lá para cá na FSSPX, quantos morreram, segundo o Motu proprio Ecclesia Unitatem, em situação de problema doutrinal? Quantas almas não morreram sem respostas sobre questões de fé ou com opiniões, como respostas para essas questões? Se a suprema lei da Igreja é a salvação das almas, como a Igreja pode deixa-las morrer sem resposta para questões de fé? Parece a vocês, que estamos diante da mesma Igreja, que convocou Concílios para responder Ârio, Nestório e outros tantos que tinham questões de fé? Seria isto misericórdia? As dúvidas de uma só alma, valiam um Concílio Ecumênico, mas hoje as dúvidas de milhares de almas, o que valem?

    Possivelmente, todos nós vamos morrer com dúvidas sobre o CVII. Em 21 Concílios Ecumênicos da Igreja, vimos na sequência pessoas que se alinhavam a ortodoxia, a heterodoxia e a heresia, não vemos mais isso no período posterior ao vigésimo primeiro Concílio da Igreja, o que vemos agora são hermeneutas da continuidade e da ruptura, e existe continuidade, nada mudou. Imaginem se tivesse mudado…

    Roma, como mencionei anteriormente, através do Papa acusou problemas doutrinais na FSSPX, mas até agora o que vemos são tentativas de resolver o problema doutrinal através da política e imposição da autoridade. Àquela preocupação doutrinária que existiu até Pio XII, não existe mais. Me parece que anteriormente não havia acusações de problemas doutrinais, eles eram mostrados. Hoje fala se que se tem o problema doutrinal, mas não se mostra mais qual é este problema. Não existe uma preocupação dos fiéis professarem a verdadeira doutrina, o que existe é a preocupação com uma unidade que não leva em conta a doutrina. Como eu disse em comentário anterior, os cardeais Kasper e Burke, não tem a mesma fé, mas tem a mesma liberdade, assim como, o Caminho Neocatecumenal e o Opus Dei. Então, qual é o sentido disso tudo? O que significa comunhão?

    A Igreja sempre mostrou sua misericórdia condenando os erros, mas Leonardo Boff, por exemplo, foi a Roma para ser julgado pelo seu livro “Igreja, carisma e poder”, enquanto já estava possivelmente excomungado por seu marxismo, sobre o qual não ouviu sequer uma palavra. O curioso é que oficialmente até os documentos Libertatis Nuntius e Libertatis Conscientia, foram apresentados como atos de misericórdia para com a TdL, mas extra oficialmente, como Doutor privado, Ratzinger se referiu a TdL, como “uma heresia singular” e “uma falsificação da fé”. Coisa semelhante acontece com a FSSPX, ou seja, as autoridades mostram uma misericórdia para com a FSSPX, não há um julgamento oficial, mas os fiéis não se cansam de chamá-la de cismática e herética. Isto quer dizer que não há comunhão nem mesmo entre pastores e ovelhas, entre mestre e discípulo e senhores e servos….

    A FSSPX pela política que adotou, se colocou em uma posição, que está diante de um presente que não pode recusar, está diante de um presente grego. No fim das contas, nessa troca de presentes, Roma sempre sai ganhando, porque aqueles mesmos Padres que escreveram análises dos documentos de Bento XVI, já não escrevem mais e fica cada vez mais difícil fazer oposição a um benfeitor. Ganha mais liberdade o modernismo, e isso não é motivo para quem é da Resistência “rasgar as vestes”, pois como diziam os gregos ”Se Atenas chora, Esparta não ri”.

  16. Será que haveria comemoração de 500 anos da heresia protestante – embutida a exaltação da Inquisição Protestante, muitas vezes mais cruel e feroz que a católica – com as bênçãos de S Pio se estivesse entre nós?
    Sei não; com ele vivo, ficariam os festejos para após sua morte!
    E nós, prestigiaremos o pecado, o relativismo, a alienação religiosa cristã e espurias alianças à maçonaria com a qual o protestantismo é tão afeito?
    Do lado de lá, certamente, além do acima, está contemplando é de como os sacerdotes anarquistas estão, além de chegarem a muitos protestantes no tal “ecumenismo”, também às celebrações profanando a S Missa, fazendo dela um momento de divertimento e dissipação coletivos: o Sacrificio Incruento de Jesus na cruz de que a S Missa é o Memorial virou motivo de pilheria!”
    Não estariam merecendo mesmo é o abaixo, já que as ovelhas é que estão interpelando os pastores, esse caso?
    “Entretanto, ninguém poderá acusar (o povo), nem o repreender, mas eu censuro a ti, ó sacerdote.
    Tu tropeçarás em pleno dia, assim como o profeta durante a noite. Far-te-ei perecer, porque meu povo se perde por falta de conhecimento; por teres rejeitado a instrução, excluir-te-ei de meu sacerdócio; já que esqueceste a lei de teu Deus, também eu me esquecerei dos teus filhos.
    Quanto mais se multiplicaram, mais pecaram contra mim, transformaram em infâmia o que era a sua glória.” Os 4 4-7.

  17. Palavras do superior do distrito italiano da FSSPX:

    «Quello che ha fatto Papa Francesco è incredibile, è bellissimo, siamo felicissimi, tutti quanti, i cinque sacerdoti, i due frati, i volontari, e anche le cinque suore francesi che stanno qui».Il superiore del distretto italiano della FSSPX: “Felici per il gesto paterno” http://chiesaepostconcilio.blogspot.com.br/2015/09/il-superiore-del-distretto-italiano.html A fonte primária é parte de uma entrevista para o jornal “Il Tempo”:http://www.iltempo.it/cronache/2015/09/02/pierpaolo-petrucci-il-prete-del-caso-priebke-felici-per-il-gesto-paterno-1.1452821

    “Aquilo que o Papa Francisco fez ê inacreditável, é belíssimo, estamos felicíssimos, todos quantos, os cinco sacerdotes, os dois frades, e também as cinco irmãs francesas que estão aqui” O superior do distrito italiano da FSSP: “Felizes pelo gesto paterno”

  18. “No que diz respeito a relação entre a FSSPX e Roma, no pontificado de Bento XVI, houve uma troca de presentes de ambos os lados. Bento XVI presenteou FSSPX com a retirada das excomunhões (apresentando lhe belamente como um ato de misericórdia…) e recebeu de presente as Cruzadas do rosário”.

    Não meu caro, as “cruzadas do rosário”, não foram um presente mas apenas constituem uma prática devocional corriqueira da FSSPX e a retirada das excomunhões, muito longe de ser uma troca de presentes, foi uma troca de compromissos:

    No dia 4 de junho de 2008, apenas seis meses depois, o Cardeal Castrillon-Hoyos estabeleceu várias condições que deveriam ser aceitas pelos 4 Bispos para facilitar a anulação:
    1. The commitment to a response proportionate to the generosity of the Pope.
    TRADUZINDO: O compromisso de responder proporcionalmente à generosidade do Papa.
    2. The commitment to avoid every public intervention which does not respect the person of the Holy Father and which may be negative to ecclesial charity.
    TRADUZINDO: O Compromisso de se evitar qualquer pronunciamento público que desrespeite a pessoa do Santo Padre e que possa ser negativa à caridade eclesial.
    3. The commitment to avoid the claim to a Magisterium superior to the Holy Father and to not propose the Society in contraposition to the Church.
    TRADUZINDO: O compromisso de evitar se outorgar um Magistério acima do Santo Padre e não colocar a FSSPX em contraposição à Igreja.
    4. The commitment to display the will to act honestly in full ecclesial charity and in respect for the authority of the Vicar of Christ.
    TRADUZINDO: O compromisso de demonstrar boa vontade ao atuar com honestidade na mais completa caridade eclesial e respeito à autoridade do Vigário de Cristo.
    5. The commitment to respect the date — fixed for the end of the month of June [2008] — to respond positively. This shall be a condition necessary and required as an immediate preparation for adhesion to accomplish full communion.
    TRADUZINDO: O compromisso de respeitar a data_ fixada como o final do mês de junho de 2008_ para responder positivamente. Esta será a condição necessária e requerida para a imediata preparação para a adesão à plena comunhão
    [Assinado] + Darío Card. Castrillón Hoyos
    https://uvcarmel.wordpress.com/2009/01/24/inside-the-vatican-on-the-lifting-of-the-excommunication/

    Então para aqueles que rasgam vestes procurando pêlo em ovo, acusando a FSSPX de fazer vistas grossas aos escândalos de Bergoglio aí está a chave do entendimento nesse presente de grego. Todos os quatro Bispos da Fraternidade assinaram esse compromisso porque certamente nenhum deles nem de longe sonhava com a renúncia de um Pontífice que era favorável à Tradição e a eleição pra lá de suspeita de outro que é a síntese de todos os modernistas.
    Agradecer pelos “presentes de grego” que vem de Roma está embutido no pacote:” o compromisso de responder proporcionalmente à generosidade do Papa”.
    A verdade é que há forças que movem os acontecimentos desse mundo que estão muito longe do nosso alcance. Então parafraseando Tolkien “Não é nossa função controlar todas as marés do mundo, mas sim fazer o que pudermos para socorrer os tempos em que estamos inseridos, erradicando o mal dos campos que conhecemos, para que aqueles que viverem depois tenham terra limpa para cultivar. Que tempo encontrarão não é nossa função determinar.”

  19. “É historicamente certo que nos primeiros trezentos anos da vida da Sociedade o ideal jesuítico de caráter foi verdadeiramente desenvolvido e vivido por milhares de jesuítas. Estamos falando, aqui, da autenticidade da obediência jesuítica ao papa e da autenticidade da ambição jesuítica de se assemelhar a Jesus em todas as coisas, em especial nas humilhações, nas acusações injustas, nas grosseiras decisões injustas dos tribunais, e dos mal entendidos que Jesus sofreu de bom grado como parte integral de seus sofrimentos a fim de redimir a humanidade do pecado e suas consequências.”

    MARTIN, Malachi. Os Jesuítas. A Companhia de Jesus e a Traição à Igreja Católica. Trad.: Luiz Carlos N. Silva. Rio de janeiro: Record, 1989. pg. 190.

  20. “Ao mesmo tempo, obrigando a FSSPX a aceitar a concessão que “misericordiosamente” lhes concede (pois, se não aceitassem, estariam na posição de quem “rejeita” a “misericórdia”), busca forçá-los a confessarem que estão objetivamente errados.”

    E a FSSPX ainda agradeceu…