Uma ferida no matrimônio cristão.

Por Roberto de Mattei – Corrispondenza Romana | Tradução: FratresInUnum.com – Os dois Motu proprio do Papa Francisco, Mitisiudex Dominus Iesus para a Igreja latina, e Mitis et misericors Jesu para as Igrejas orientais, anunciados em 8 de setembro de 2015, infligem uma grave ferida no matrimônio cristão.

A indissolubilidade do casamento é lei divina e imutável de Jesus Cristo. A Igreja não pode “anular”, no sentido de dissolver, um casamento. Ela pode, com uma declaração de nulidade, verificar a sua inexistência, devido à falta dos requisitos que garantem a sua validade. Isto significa que em um processo canônico a prioridade da Igreja não é o interesse dos cônjuges na obtenção de uma declaração de nulidade, mas a verdade sobre a validade do vínculo matrimonial. Pio XII lembra-nos a esse propósito que “no processo matrimonial o fim único é uma decisão conforme a verdade e o direito a respeito da alegada inexistência do vínculo matrimonial no referido processo de nulidade” (Discurso à Rota Romana, 2 de outubro de 1944).

O fiel pode enganar a Igreja para obter a nulidade, por exemplo, através do uso de testemunha falsa, mas a Igreja não pode enganar a Deus e tem o dever de apurar a verdade de modo claro e rigoroso. No processo canônico deve ser defendido acima de tudo o supremo interesse de uma instituição divina, que é o casamento. O reconhecimento e a proteção desta realidade são formulados no âmbito jurídico com a sintética expressão favor matrimonii, ou seja, a presunção, até prova em contrário, da validade do casamento. João Paulo II explicou bem que a indissolubilidade é apresentada pelo Magistério como a lei comum de todo casamento celebrado, porque se pressupõe a sua validade, independentemente do sucesso da vida conjugal e da possibilidade, em certos casos, de uma declaração de nulidade (Discurso à Rota Romana, 21 de janeiro de 2000).

Quando o Iluminismo tentou ferir de morte o matrimônio cristão, o Papa Bento XIV, com o decreto De miseratione de 3 de novembro de 1741, ordenou que em cada diocese fosse nomeado um defensor vinculi e introduziu, para obter a declaração de nulidade, o princípio da necessária concordância das sentenças nos dois graus de julgamento. O princípio da dupla sentença concordante foi consagrado pelo Código de Direito Canônico de 1917 e incorporado no código promulgado por João Paulo II em 25 de Janeiro de 1983.

No Motu Proprio do Papa Francisco,  tal ótica é invertida. O interesse dos cônjuges tem primazia sobre o do casamento. É o próprio documento que o afirma, resumindo nestes pontos os critérios fundamentais da reforma: abolição das duas sentenças concordantes, substituídas por uma única decisão a favor da nulidade, executável por si só; atribuição de um poder monocrático ao bispo, reputado único juiz; introdução de um processo sumário realmente incontrolável, com a substancial eliminação do papel da Rota Romana.

Como interpretar de outro modo, por exemplo, a abolição da dupla sentença? Quais são os graves motivos pelos quais, depois de 270 anos, esse princípio é revogado?

O Cardeal Burke lembrou a tal propósito uma catastrófica experiência. Nos Estados Unidos, de julho de 1971 a novembro de 1983, entraram em vigor as chamadas Provisional Norms, que efetivamente eliminaram a obrigatoriedade da dupla sentença. O resultado foi que a Conferência Episcopal não negou um só pedido de dispensa entre as centenas de milhares recebidas e, na percepção comum, o processo começou a ser chamado de “divórcio católico” (Permanere nella Verità di Cristo. Matrimonio e comunione nella Chiesa cattolica, Cantagalli, Siena 2014, pp. 222-223).

Mais grave ainda é a atribuição ao bispo diocesano da faculdade de, como único juiz, instruir discricionariamente um julgamento sumário e chegar à sentença. O bispo pode exercer pessoalmente o seu poder ou delegá-lo a uma comissão, não necessariamente composta por juristas. Uma comissão formada à sua imagem, que seguirá naturalmente as suas instruções pastorais, como já é o caso dos “centros diocesanos da escuta”, privados até hoje de qualquer competência jurídica. A combinação entre o cânon 1.683 e o artigo 14 sobre as regras de procedimento a esse respeito tem um alcance explosivo. Sobre as decisões pesarão inevitavelmente considerações de natureza sociológica: os divorciados recasados ​​terão, por razões de “misericórdia”, uma via preferencial. “A Igreja da Misericórdia – observa Giuliano Ferrara – se pôs a correr” (“Il Foglio”, 9 de setembro de 2015). Corre numa estrada não administrativa, mas “judiciária”, na qual de judiciário resta muito pouco.

Em algumas dioceses, os bispos procurarão garantir a seriedade do processo, mas é fácil imaginar que em muitas outras – por exemplo, da Europa Central – a declaração de nulidade tornar-se-á uma mera formalidade. Em 1993, Oskar Saier, Arcebispo de Friburgo em Brisgau, Karl Lehman, Bispo de Mainz, e Walter Kasper, Bispo de Rottenburg-Stuttgart, publicaram um documento em favor daqueles que estavam certos em consciência da nulidade do seu casamento, mas não tinham os elementos para prová-lo no tribunal (Vescovi dell’Oberrhein, Accompagnamento pastorale dei divorziati, “Il Regno Documenti”, 38 (1993), pp. 613-622). A Congregação para a Doutrina da Fé respondeu com a Carta Annus Internationalis Familiae de 14 de setembro de 1994, afirmando que essa via não era percorrível, porque o casamento é uma realidade pública: “não reconhecer este aspecto essencial significaria negar de fato que o casamento existe como realidade da Igreja, quer dizer, como um sacramento”. Mas a proposta foi retomada recentemente pelo serviço diocesano de pastoral de Friburgo em Brisgau (Orientamenti per la pastorale dei divorziati, “Il Regno Documenti”, 58 (2013), pp. 631-639), segundo o qual os divorciados recasados, após a “nulidade de consciência” do casamento anterior, poderão receber os sacramentos e exercer funções nos conselhos paroquiais.

favor matrimonii é substituído pelo favor nullitatis, que passa a constituir o elemento principal do direito, enquanto a indissolubilidade é reduzida a um “ideal” impraticável. A afirmação teórica da indissolubilidade do casamento é de fato acompanhada na prática pelo direito à declaração de nulidade de qualquer vínculo fracassado. Bastará alguém acreditar em consciência que o próprio casamento é inválido para fazê-lo reconhecer como nulo pela Igreja. É o mesmo princípio pelo qual alguns teólogos consideram “morto” um casamento em que, de acordo com ambos os cônjuges ou com um deles, “o amor está morto”.

Em 29 de janeiro de 2010, Bento XVI advertiu o Tribunal da Sagrada Rota Romana para não consentir na anulação de casamentos pela “condescendência aos desejos e às expectativas das partes, ou então aos condicionamentos do ambiente social”. Mas nas dioceses da Europa Central, a declaração de nulidade vai se tornar um ato de mera formalidade, como aconteceu nos Estados Unidos na época das Provisional Norms. Pela conhecida lei segundo a qual “a moeda falsa expulsa a boa”, no caos que virá a impor-se, o “divórcio sumário” está destinado a prevalecer sobre o matrimônio indissolúvel.

Fala-se há mais de um ano de cisma latente na Igreja, mas quem o diz agora é o cardeal Gerhard Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da  Fé, que num discurso em Regensburg evocou o risco de uma divisão na Igreja, convidando a ser muito vigilante e não esquecer a lição do cisma protestante que inflamou a Europa há cinco séculos.

Na véspera do Sínodo sobre a família em outubro, a reforma do Papa Francisco não apaga nenhum incêndio, mas o alimenta e aplaina o caminho para outras desastrosas inovações. “Não é mais possível ficar calado”.

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20 Comentários to “Uma ferida no matrimônio cristão.”

  1. “Francisco vai se encontrar com pares gays e lésbicos e seus filhos em viagem aos EUA”

  2. [..]em um processo canônico a prioridade da Igreja não é o interesse dos cônjuges na obtenção de uma declaração de nulidade, mas a verdade sobre a validade do vínculo matrimonial[…]No Motu Proprio do Papa Francisco, tal ótica é invertida. O interesse dos cônjuges tem primazia sobre o do casamento. É o próprio documento que o afirma”[..]

    Precisa falar mais ou precisa desenhar? Deixo para os canonistas auto-didatas de plantão, que só interpretam Código de Direito Canônico quando o assunto é SSPX.

  3. Acredito que o problema vai além. De fato não creio na validade de boa parte dos matrimônios de hoje, as pessoas não fazem questão do sacramento, mas apenas da festa. Ao invés de celebrar um sacramento, boa parte sobe ao altar para mentir e blasfemar. Já vi gente deixar de casar na Igreja para casar com um “ministro herege” só pelo fato dele se dispor a celebrar o casamento no local da recepção. As pérolas estão sendo jogadas aos porcos, como Nosso Senhor advertiu que não fizéssemos. Essa simplificação da declaração de nulidade só vai aumentar a bagunça. O que deveria acontecer era um maior zelo na hora de administrar os sacramentos, celebrar o casamento de dois ateus praticantes não vai trazer as graças de estado para eles, apenas dará oportunidade para que o sagrado seja pisoteado.

    • Faço minha as suas palavras.
      A igreja tem que parar de querer “pincelar” a verdade para agradar hereges achando que eles vão se converter por proselitismo.

  4. Tamy escreveu “não creio na validade de boa parte dos matrimónio de hoje, as pessoas não fazem questão do sacramento, mas apenas da festa. Ao invés de celebrar um sacramento, boa parte sobe ao altar para mentir e blasfemar”. Tal facto mostra outra chaga negra na Igreja: os padres. Se a formação dos sacerdotes fosse segundo a Tradição Teológica e a Tradição Litúrgica não teríamos casamentos sacrilégios. Infelizmente os padres são formados na Nova Teologia, saída do CVII, que os transformou numa espécie de “assistentes sociais” ou presidentes de paróquias. Do sentido de missão de salvação de almas passou-se para o sentido de “profissão”.

  5. N Senhora do Bom Sucesso:
    “Quanto ao Sacramento do Matrimônio, que simboliza a união de Cristo com a Igreja, será atacado e profanado em toda a extensão da palavra. …. Impor-se-ão leis iníquas com o objetivo de extinguir esse Sacramento, facilitando a todos viverem mal, propagando-se a geração de filhos mal-nascidos, sem a bênção da Igreja. Irá decaindo rapidamente o espírito cristão”.
    A conspurcação do Sacramento do Matrimônio não poderia ter chegado ao seu ápice sem a aprovação, em diversos ex países católicos que se alienaram a fé, caso Brasil, como da adoção do divorcio, do suposto casamento homossexual, incluindo-se até certos “religiosos” que os defenderiam em nome do “amor”!
    E por falar em “amor”, tão entronizado no presente, recordo a frase: “o amor entre nós morreu”. Não seria hora de devolver a pergunta e questionar ao casal se acaso existiu, não foram apenas atrações físicas e passionais, conveniencias de momento, quem sabe?
    O modelo que se implantaria, que dependeria bastante do arbitrio dos casados, se não se considerariam mais vinculados em suas consciências – e se estiverem esclerosadas? – é uma porta larga para certos casamentos com tempo de validade a ser verificado de quando em tempo por cada casal ou por um dos cônjuges no ambiente atual em que se respiram altas doses de relativismo, surgindo inúmeros…
    Está o meu ainda dentro do prazo de validade?

  6. Namorei por 9 anos e fiquei casado sete, Casei sem saber realmente a importancia deste sacramento, no meu primeiro casamento se afastamos da igreja e o mal prosperou. Lamento diariamente, mesmo estando novamente “casado” a 3 anos no civil com uma pessoa maravilhosa, que nao tem culpa dos meus erros anteriores, gostaria muito de nao continuar a ofender meu senhor. Pensei ate em me separar e levar uma vida casta, para minha companheira atual poder ter os sacramentos necessarios a salvação, quanto a nova condição imposta para nulidade, pretendo nao fazer o processo, ja que sei que meu casamento na santa igreja foi valido. Estraguei por ignorancia a vida dos filhos que tive, da ex exposa e tambem da atual. Espero que Deus me perdoe

    • Clayson guerreiro! Que a Virgem Santíssima, São José e São Miguel Arcanjo cuidem de ti para que sejas sempre casto. Graça, paz, força e coragem da parte de Deus!

  7. É são os profissionais do Evangelho, que, estão a comandar as coisas na Igreja. As profecias estão se cumprindo a risca. Salve-se que puder, e cuide para não cair quem ainda esta de pé.
    Salve Jesus e Maria!

  8. Acredito que quase todos os jovens não são preparados Para o casamento ,
    todos precisam aprender na verdade qual a finalidade. e se casou com seu companheiro(a)
    é até que a morte os separe..

  9. “Infelizmente os padres são formados na Nova Teologia, saída do CVII, que os transformou numa espécie de “assistentes sociais” ou presidentes de paróquias. Do sentido de missão de salvação de almas passou-se para o sentido de “profissão”

    EIS O MAIOR DESASTRE PÓS CONCILIAR!!!!

    E Bergólglio não vê isso, afinal, ele é a fina flor do período de descalabro pós conciliar…

  10. Nulidade só na origem ou causal, não existe como consequência ou efeito. Nem o ordenamento civil jamis cometeu esta loucura judiciosa bergogliana. É de uma irresponsabilidade total e prepara apenas o caos. É mais do que uma contradição, é verdadeira agonia anárquica que só pode produzir o caos pela multiplicação desordenada de ficções. Nenhum juiz de direito do mundo permitiria tal coisa sem saber que nada poderia decidir depois, se não teria de jogar tudo pra cima e dizer que cada um faça como quiser. Bergoglio não vai apenas contra o que Cristo proibiu. Em nome de falsa misericórdia, ele promove a “dureza dos corações” que Cristo atacou no sentido de olharem só para os seus interesses e dores individuais e tratarem os demais envolvidos e, inclusive o testemunho de toda uma igreja, com total desprezo. Bergoglio, na sua inconsequência ministerial ou pastoral, deu um passo jurídico em falso largo demais e, se apenas quis agradar o globalismo, agradou-o demais até para os progressistas, porque fulminou a igreja conciliar de um câncer jurídico terminal sem retorno. Igreja que tanto assim contradiz a família deixa rapidinho de aparentar ser igreja…

  11. Tamy, partindo dessa sua lógica poderíamos também dizer :
    _ “não creio na validade de boa parte dos Batismos de hoje, as pessoas não fazem questão do sacramento, mas apenas da festa e de ter padrinhos que vão dar presentes aos seus filhos”.
    Essa é a lógica dos protestantes que vivem se “rebatizando” e rebatizando os apóstatas católicos com a desculpa de que esses ainda eram bebês e não podiam dar o pleno consentimento ou que que não eram o suficientemente convertidos e portanto não tinham idéia do sacramento que estavam recebendo.
    No caso do sacramento do matrimônio, “a Igreja não rejeita a celebração das núpcias a quem é bene dispositus, mesmo se imperfeitamente preparado sob o ponto de vista sobrenatural, sob condição de que tenha a reta intenção de se casar segundo a realidade natural da conjugalidade […] é decisivo ter presente que uma atitude dos noivos que não tenha em conta a dimensão sobrenatural no matrimónio, pode torná-lo nulo unicamente se atenta contra a validade a nível natural no qual é posto o mesmo sinal sacramental. A Igreja católica sempre reconheceu os matrimónios entre os não-batizados, que se tornam sacramento cristão mediante o Baptismo dos cônjuges, e não tem dúvidas sobre a validade do matrimónio de um católico com uma pessoa não batizada se é celebrado com a devida dispensa”.
    http://w2.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/speeches/2003/january/documents/hf_jp-ii_spe_20030130_roman-rota.html
    Bento XVI também em seu discurso à Rota Romana por ocasião da inauguração do Ano Judiciário em 22 de Janeiro de 2011 disse claramente:
    _”É necessário resistir à tentação de transformar as simples faltas dos esposos na sua existência conjugal em defeitos de consentimento”.
    http://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/speeches/2011/january/documents/hf_ben-xvi_spe_20110122_rota-romana.html
    Por incrível que pareça todo o magistério de Bento XVI está indo pro ralo com Bergoglio e Companhia. Tudo que Bento XVI falou veio Bergoglio e está falando o contrário! Haja “hermenêutica da descontinuidade” nesse Pontificado!
    Pegue por exemplo o que disse Bento XVI em seu Discurso à Rota Romana, na Sexta-feira, 29 de Janeiro de 2010 e compare com essa decisão Bergogliana de acelerar processos de anulação de casamento com a desculpa de “misericórdia”:

    “Quem ama os outros com caridade é, antes de mais nada, justo para com eles. A justiça não só não é alheia à caridade, não só não é um caminho alternativo ou paralelo à caridade, mas é “inseparável da caridade” é-lhe intrínseca” (Ibid., n. 6). A caridade sem justiça não é tal, mas somente uma contrafacção, porque a própria caridade exige aquela objectividade típica da justiça, que não deve ser confundida com insensibilidade desumana. A este propósito, como pôde afirmar o meu Predecessor, o venerável João Paulo II, na alocução dedicada às relações entre pastoral e direito: “O juiz […] deve evitar sempre o risco de uma compaixão mal entendida que decairia em sentimentalismo, só aparentemente pastoral” (18 de Janeiro de 1990, in AAS, 82 [1990], pág. 875, n. 5).
    É preciso evitar evocações pseudo-pastorais que situam as questões sobre um plano meramente horizontal, nas quais o que conta é satisfazer as exigências subjectivas para chegar à declaração de nulidade custe o que custar, com a finalidade de poder superar, de resto, os obstáculos à recepção dos sacramentos da Penitência e da Eucaristia. O bem altíssimo da readmissão à Comunhão eucarística depois da reconciliação sacramental exige, ao contrário, que se considere o bem autêntico das pessoas, inseparável da verdade da sua situação canónica. Seria um bem fictício e uma grave falta de justiça e de amor, aplainar-lhes de qualquer modo o caminho rumo à recepção dos sacramentos, com o perigo de os fazer viver em contraste objectivo com a verdade da própria condição pessoal”.

    Olha aí onde mora o perigo, recebem uma sentença de nulidade relâmpago que aos olhos de Deus é nula se o Sacramento foi válido e passam a receber os demais Sacramentos de modo sacrílego. Eu se estivesse em meio a um processo dessa natureza, ao invés de estar comemorando esse motu proprio bergolgiano, estaria com os dois pés atrás e um ninho de pulgas atrás da orelha!!

    Ainda nessa alocução, Bento XVI dá outra cacetada nas falácias Bergoglianas:

    “Só na verdade é que a caridade refulge e pode ser autenticamente vivida […] Sem verdade, a caridade cai no sentimentalismo. O amor torna-se um invólucro vazio, que se pode encher arbitrariamente. É o risco fatal do amor numa cultura sem verdade; acaba prisioneiro das emoções e opiniões contingentes dos indivíduos, uma palavra abusada e adulterada, chegando a significar o oposto do que é realmente” (Ibid., n. 3).
    O problema apresenta-se quando é mais ou menos ofuscada a própria essência do matrimónio, arraigada na natureza do homem e da mulher, que permite expressar juízos objectivos sobre cada matrimónio. Neste sentido, a consideração existencial, personalista e relacional da união conjugal nunca pode ser feita em detrimento da indissolubilidade, propriedade essencial que no matrimónio cristão alcança, com a unidade, uma estabilidade peculiar em virtude do sacramento (cf. CDC, cân. 1056). Também não se deve esquecer que o matrimónio goza do favor do direito. Portanto, em caso de dúvida, ele deve entender-se válido enquanto não for provado o contrário (cf. CDC, cân. 1060). Caso contrário, corre-se o grave risco de permanecer sem um ponto de referência objectiva para as declarações acerca da nulidade, transformando toda a dificuldade conjugal num sintoma de malograda atuação de uma união cujo núcleo essencial de justiça – o vínculo indissolúvel – é de facto negado.
    http://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/speeches/2010/january/documents/hf_ben-xvi_spe_20100129_rota-romana.html

    • Estaria havendo, então, forte oposição entre os dois Papas! Não me lembro quem profetizou isso … Se Nossa Senhora em La Sallete, Akita, Bonsucesso, ou se foi São Francisco …

  12. Pelo artigo de Mattei constata-se que o Papa usou a via jurídica para conseguir o divórcio católico.

  13. Para aqueles que defendem a visão bergogliana, segundo a qual, a formação da intenção matrimonial dos noivos pode ser deturpada pela falta de ou do conhecimento da fé levando à nulidade do Sacramento, eu sugiro que leiam esse artigo do Ricardo Perna que explica com mais detalhes a diferença da posição entre Bergoglio e os Pontífices anteriores:

    “Então qual é a diferença essencial entre ambas as posições? «Há uma ausência da referência à recusa de alguma das propriedades do matrimónio. O Papa afirma que a formação da intenção matrimonial no indivíduo pode ter preponderância como elemento de avaliação sobre a nulidade do matrimónio, ao contrário dos que afirmaram os dois pontífices anteriores», diz o Pe. José Alfredo, que acrescenta que isto levanta outras questões. «A fé não é necessária para a realização dos sacramentos. Dois não batizados podem casar-se que a Igreja reconhece a sua união, no caso do batismo a criança não demonstra ter fé quando o recebe, ou mesmo quando um sacerdote celebra uma missa estando ele próprio em pecado, o sacramento é válido para os fiéis que comungam», exemplifica o canonista de Lamego. «A validade do sacramento não se coloca em causa se não houver fruto», acrescenta.

    As bases para estas posições vêm do Concílio de Trento, que foi o concílio que “organizou” toda a Igreja, ainda no século XVI, e que definiu, segundo diz o Pe. José Alfredo, as condições de validade para todos os sacramentos, exceto para o do matrimónio, onde definiu que «é o consentimento que o torna válido», conforme também defendia Bento XVI.

    Esta argumentação já estava vigente num grupo «minoritário» dentro da Rota Romana. «Há vários anos que um grupo minoritário defende que a falta de fé dos nubentes pode ser enquadrada no cânone 1099 como um erro invalidante da vontade, e o Papa fez hoje sua esta corrente minoritária», considera o sacerdote.

    Uma corrente que, segundo este especialista ouvido pela Família Cristã, pode ser questionada. «O que torna válido o sacramento é o consentimento, que se baseia numa intenção proclamada, não é a oscilação da intenção dos ministros, que neste caso são os nubentes», considera.
    http://pt.aleteia.org/2015/01/27/falta-de-fe-pode-ser-fonte-de-nulidade-matrimonial/

  14. Demorar para chegar ao fim de um processo não torna válido um casamento NULO.
    O meu demorou anos para sair o resultado. Enfim casei na Igreja de novo. Dessa vez validamente.
    Quanto mais rápido melhor.

  15. As semelhanças entre o papa Francisco e a Dilma são enormes! Ambos tentam agradar a todos mas acabam não agradando ninguém! A petista tenta resolver a crise econômica impondo medidas anti-populares, mas que esbarram nos grupos que a apoiam politicamente como a CUT ou o MST. Já o chefe supremo da Igreja tenta com uma medida de “ceder para não perder”, acalmar inquietos que pedem uma urgente liberalização geral dos costumes e da doutrina católica. E encontra muito descontentamento, tanto da parte dos que querem a destruição dela, como dos que querem o triunfo da mesma. Assim, com um Motu proprio que visa “acolher ou resolver a vida dos casais recasados” ele, aparentemente, dá mais uma vez a triste demonstração de que veio para agradar o mundo. Pergunto então: foi dito para estes casais saírem do pecado e mudarem de vida? Disserem para eles que estarem amasiados correm seriamente o perigo de irem para o inferno e ficarem por lá por toda a eternidade? Alguém ai leu algo, ou ouviu qualquer coisa neste sentido? Eu não!

  16. Nulidades que precisam de uma instância, duas instâncias, nenhuma instância; debastes sobre consequências do divórcio, etc e etc… Pra mim é muita conjectura, desculpem se sou simplório. Sinceramente, eu só gostaria de saber como dá para interpretar de modo “criativo” as seguintes falas:

    “Respondeu-lhes Jesus: Não lestes que o Criador, no começo, fez o homem e a mulher e disse:
    Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher; e os dois formarão uma só carne? Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu.”

    “Ora, eu vos declaro que todo aquele que rejeita sua mulher, exceto no caso de matrimônio falso, e desposa uma outra, comete adultério. E aquele que desposa uma mulher rejeitada, comete também adultério.”

    E aí, como faz?