“Depois de Palmira, querem o Louvre”.

Fala Boulad, o jesuíta que soa o alarme ao Ocidente moribundo. O abandono dos cristãos testemunha a crise moral e espiritual do Ocidente.

Padre Henri Boulad, sj. Padre Henri Boulad, sj.De Giulio Meotti, 25 de setembro de 2015, Il Foglio | Tradução: FratresInUnum.com –  Roma. A cada cinco minutos, um cristão no mundo é morto por causa de sua fé. É o que revela um relatório da ONG Christian Freedom International: são duzentos milhões, os cristãos perseguidos. “A Europa tem sangue em suas próprias mãos pelo que ocorre com os cristãos no Oriente Médio”, disse ao jornal Foglio Henri Boulad, padre e teólogo egípcio, ex-reitor do Colégio dos Jesuítas do Cairo, autor de trinta livros traduzidos em todo o mundo. “E o abandono dos cristãos testemunha a crise moral e espiritual que levou o Ocidente a vender seus princípios e valores”.

O epicentro da perseguição aos cristãos hoje são Iraque e Síria, onde, segundo a ONG Christian Freedom International, o Estado Islâmico está transformando as igrejas em centros de tortura. Há mais cristãos martirizados nos séculos XX e XXI do que nos dezenove séculos precedentes.

O avô de Henri Boulad escapou de um massacre em Damasco no ano de 1860, onde dezenas de milhares de cristãos foram massacrados em uma semana. Nascido em Alexandria em 1931, de origem sírio-italiana, padre Boulad concluiu seus estudos de teologia no Líbano, de filosofia na França, de psicologia nos Estados Unidos. Superior dos jesuítas em Alexandria e vice-presidente da Caritas Internacional, Boulad é também conhecido como “o profeta do otimismo”. “A Europa e o Ocidente que se calam sobre as perseguições aos cristãos são cristófobos”, disse ainda Boulad ao Foglio. O Departamento de Estado americano é relutante em emitir vistos aos cristãos enquanto minoria sob ataque. Faith McDonnel, do Institute on Religion & Democracy, denuncia que a postura da diplomacia americana é motivada no fato de não se querer reconhecer a perseguição operada contra os cristãos enquanto tal. Na Inglaterra ocorre o mesmo, tanto que Lord Carey, ex-arcebispo de Canterbury, subscreveu um apelo ao governo Cameron pedindo que “acolhesse os refugiados cristãos e lhes concedesse prioridade como requerentes de asilo”, recordando que “os cristãos iraquianos e sírios têm sido massacrados, torturados e reduzidos à escravidão”. Na França se pôde ouvir o especialista na Síria da Universidade de Tours, Frédéric Pichon, que denunciou no último 11 de setembro na Rádio Courtoisie: “Existem ordens precisas da parte do governo para ignorar o problema dos cristãos do oriente”:

Palmira, cidade histórica semita no centro da Síria, foi tomada e destruída pelo Estado Islâmico.

Palmira, cidade histórica semita no centro da Síria, alvo do Estado Islâmico.

“É a traição da própria Europa”, nos diz Boulad. “Vinte anos atrás, eu escrevi um artigo intitulado ‘Europa, cuidado para não perder tua alma!’. Hoje, [tal perda] é quase completa. O Ocidente perdeu aquilo que lhe permitiu ser o veículo de cultura, civilidade, humanismo, valores espirituais. Aquilo que fez do Ocidente o farol do mundo, que produziu o Renascimento e a Declaração Universal dos Direitos Humanos, Michelangelo, Pascal e Beethoven, está lentamente morrendo diante dos nossos olhos”.

Como explicar a cegueira europeia sobre o islã? “A Europa não faz ideia de que coisa seja o islã e mesmo a Igreja Católica está totalmente inconsciente. Os muçulmanos moderados são uma legião, mas o islã moderado não existe. É um desejo piedoso, uma utopia sob a forma de wishful thinking. Trata-se de uma projeção daquilo que queríamos que fosse o islã e que poderia ter sido se todas as tentativas de reforma não tivessem sido sistematicamente bloqueadas desde o século IX. Tenho um relacionamento de amizade com os muçulmanos. Nas nossas escolas católicas, temos cinquenta por cento de alunos muçulmanos. Nas nossas clínicas, a maior parte dos pacientes é muçulmana. É o islã que é problemático. A grande maioria dos muçulmanos rejeita o islã radical, mas no fim são os extremistas que têm a última palavra e o seu argumento decisivo não é o diálogo, é a lâmina ou a pistola. O islã está destruindo Palmira, mas deseja também o Louvre. Toda a nossa civilização está a ser posta em jogo com a islamização da Europa”.

Henri Boulad, na sua crítica, inclui também a Igreja Católica. “O Papa Francisco em uma mensagem depois do massacre dos cristãos disse que a verdadeira interpretação do islã não prevê a violência, quando ao invés disso é o próprio Corão que prescreve a violência contra os infiéis. Há um complô de politicamente correto atualmente no Ocidente. Esconde-se a verdade, sobretudo através dos meios de comunicação que filtram as informações. A Europa corre o risco de se tornar uma civilização islâmica. O risco é enorme. O Ocidente é estúpido e vende a própria alma ao diabo. Mas é um bumerangue. E penso que já seja muito tarde. O verme está no fruto. Um dia, este magnífico edifício da Civilização Ocidental tombará sozinho”.

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6 Comentários to ““Depois de Palmira, querem o Louvre”.”

  1. Excelente texto, muito lúcido e pertinente. Não podemos fechar os olhos para essa onda de imigração sem precedentes e ignorar o problema de fundo.

  2. Com ligeiras alterações de outro post, se permite o moderador:

    Nada escapa aos olhos de Deus, visto que os astrônomos se glorificam quanto a explicação do figurado “lua-de-sangue”, acontecimento que não deixa de ser da vontade de Deus e da sua onipotência. E não posso deixar de dizer que não é objeto de qualquer superstição, mas sinal de Deus. Pois “lua-de-sangue” não podia dizer mais do que vemos hoje no mundo inteiro: reflexo do presente e do vindouro e, da excelente explanação do texto, do passado. Será o espelho de sangue derramado dos inocentes.

    Possam explicar os cientistas por que as folhas caem dos galhos, mas nunca saberão, sem a virtude teologal da fé; que caem porque Deus o permite.

    ———–

    “…islã moderado não existe. É um desejo piedoso, uma utopia sob a forma de wishful thinking. Trata-se de uma projeção daquilo que queríamos que fosse o islã e que poderia ter sido se todas as tentativas de reforma não tivessem sido sistematicamente bloqueadas desde o século IX.”

    O trecho acima do excelente texto publicado, eu precisava ler isso. Graças a Deus.

    Que mais a cegueira precisa para enxergar?

  3. Para uma europa mais islâmica é só questão de tempo.
    Para a Igreja acordar dessa alienação mental pós conciliar é só a bomba estourando bem no nariz do papa, destruindo toda a basílica de São Pedro… Se for assim, que quebrem tudo, mas que a Igreja não deixe de acordar dessa hibernação apóstata.

    Como diria Zé Geraldo: “Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça, dando milho aos pombos…”

  4. Pe Boulad fala com conhecimento de causa do odio anticristão cultivado nos corações dos muçulmanos, desde tenra idade!
    O Islamismo é uma ideologia totalitarista envernizada de religião, “Politicamente Correta”, relativista; compõe-se de facções que se odeiam entre si desde a fundação, em dezenas de seitas altamente rivais, como xiitas x sunitas, aliadas dos comunistas, de origens pagãs, seguidores de um ente extremista e intolerante guerreiro chamado Maomé – fundada em 622 DC – em nada Maomé se distingue dos comunistas dos quais sempre seus seguidores se associaram, como Stálin, Pol Pot, Mao Tsé, Fidel Castro, etc., pois esses carniceiros e material-ateístas também seguem a mesma religião da intolerancia e morte aos opositores, tais quais os muçulmanos.
    Sendo fanáticos ao extremo, são eles contra todas as outras religiões, particularmente adversários da Igreja católica!
    “O castigo, para aqueles que lutam contra deus (Alá) e contra o seu mensageiro(Maomé) e semeiam a corrupção na terra, é que sejam mortos, ou crucificados, ou lhes seja decepada a mão e o pé opostos, ou banidos. Tal será, para eles, um aviltamento nesse mundo e, no outro, sofrerão um severo castigo”. Alcorão, Surata 5,33
    Nessa ideologia apregoam enganosamente que adoram o Senhor Deus de Israel, mas odeiam os judeus que os antecederam, idem os cristãos, traindo-se, mostrando a todos a face do ódio aos contestadores, enveredando-se no diabolismo característico dos pagãos, além do estelionato religioso e golpismo!
    “Ó fiéis, não tomeis por amigos os judeus nem os cristãos; que sejam amigos entre si. Porém, quem dentre vós os tomar por amigos, certamente será um deles; e Alá não encaminha os iníquos”. “Alcorão, Surata 5,51.
    Que esperar dessa “religião”, se as crianças aparecem nas tvs em uniformes de combate na Palestina e mais lugares, cujos sonhos são de, futuramente, exterminarem judeus e cristãos?

  5. “Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a vós.
    Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como sendo seus. Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi, por isso o mundo vos odeia.
    Lembrai-vos da palavra que vos disse: O servo não é maior do que o seu senhor. Se me perseguiram, também vos hão de perseguir. Se guardaram a minha palavra, hão de guardar também a vossa.
    Mas vos farão tudo isso por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou.
    Se eu não viesse e não lhes tivesse falado, não teriam pecado; mas agora não há desculpa para o seu pecado.
    Aquele que me odeia, odeia também a meu Pai”.(João 15, 18-23)

    A chave pra entender o desprezo do mundo ocidental pelos cristãos mártires do Oriente Médio está no próprio discurso de Bergoglio ao Congresso Americano. O Pontífice comentou que “nenhuma religião é imune ao extremismo ideológico” ( anotem isso aí seus tradicionalistas pelagianos…) e criticou o chamado fundamentalismo religioso.
    Ora, e pode haver algo mais extremo do que preferir a morte, o exílio e a prisão do que trair Cristo ou aceitar uma falsa religião? Ou vocês acham mesmo que ele estava se referindo ao extremismo islâmico depois de ter atacado publicamente Ratzinger pelo discurso de Regensburg?
    Há alguns dias atrás, a oficial de justiça americana Kim Davis ocupou o noticiário internacional e o banco de uma prisão por quase uma semana, por ter se recusado a colocar sua assinatura numa certidão de “casamento gay”.
    Na Europa o movimento em defesa da Família Tradicional, La Manif Pour Tous, vem sendo rotulado até por membros do clero como “organização extremista” e na Itália, o movimento Sentinelle in piedi que faz vigílias silenciosas pelas praças das cidades italianas já foi violentamente atacado várias vezes.
    Diante desse panorama sombrio de ódio contra aqueles cristãos que ainda tentam salvaguardar sua fé, acham mesmo que esses países que se tornaram a sede do Anticristo, iriam permitir mais refugiados cristãos em seu território? “Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a vós”.
    Eles preferem os islâmicos simplesmente porque contanto que ninguém ofenda Maomé ou blasfeme contra sua falsa religião, esses estão pouco se importando com a devassidão que rola no mundo ocidental. Aliás, essa serve pra confirmá-los na ilusão de que estão na religião certa e virtuosa. Vocês já viram algum muçulmano colocar bomba em passeata de orgulho gay ou clínica de aborto?
    Ah não! Quem faz isso são extremistas cristãos e esses devem ser eliminados como na Roma Antiga se eliminavam aqueles fanáticos cristãos!
    Fundamentalismo passou a ser interpretado como fanatismo religioso e a recusa de se dobrar ao politicamente correto.
    Padre Boulard está corretíssimo quando diz que o Ocidente perdeu aquilo que lhe permitiu ser o veículo de cultura, civilidade, humanismo, valores espirituais: CRISTO e a sua Palavra.
    Enfim, perdeu Cristo e enquanto não reencontrá-lo tragédias bem piores acontecerão.

  6. “O Papa Francisco … disse que a verdadeira interpretação do islã não prevê a violência, quando ao invés disso é o próprio Corão que prescreve a violência contra os infiéis. Há um complô de politicamente correto atualmente no Ocidente.”
    Mas o Papa tá sendo bem coerente: afinal faz tempo que a “verdadeira interpretação” católica distorce o texto bíblico. Logo, pra ele, a “verdadeira interpretação” do Corão, tem de fazer o mesmo.

    Pra ilustrar: Hoje fui na missa e a primeira leitura falavra da criação humana “Deus os fez homem e mulher”. O Evangelho dizia que o que Deus uniu o homem não separe, e que quem deixar sua mulher (marido) e se unir a outro(a), peca. Bom, a interpretação extremista, fundamentalista, radical e terrorista diria que Deus fez homem e mulher, não LGBTs. Diria que a segunda união conjugal com ex-cônjuge vivo é pecado. Já a NOVA “verdadeira interpretação”, que aliás foi a pérola da homilia, falou de ecologia, de S.Francisco paz e amor, de florezinhas e passarinhos.
    Pois é, é uma questão de coerência. Se distorcemos nossos próprios Fundamentos e Escrituras, não precisamos dizer às pessoas pra deixarem de seguir deuses falsos e seguirem o Verdadeiro. Basta dizer pra eles manipularem um pouquinho o seu deus, só o suficiente pra caber no politicamente correto, e pronto, tá tudo bem.