Pais de Santa Teresinha, rogai por nós!

Por Hermes Rodrigues Nery | FratresInUnum.com

A Igreja celebra, ao iniciar-se o mês de outubro, a festa de Santa Teresinha, declarada “Doutora da Igreja” por S. João Paulo II, em 1997. Quis a Providência Divina, neste ano de 2015, agraciar Santa Teresinha com a canonização de seus pais, os beatos Louis Martin e Zélia Guérin, num momento em que a Igreja tanto precisa das nossas orações e da intercessão dos santos para haurir luzes no Sínodo da Família, a começar na próxima semana. Todos ansiamos que o Sínodo confirme a doutrina de sempre da sacralidade do matrimônio e da família.

Santa Teresinha e seus pais.

Santa Teresinha e seus pais.

Os pais de Santa Teresinha, beatificados em 19 de outubro de 2008, serão elevados às honras dos altares, em meio aos trabalhos do Sínodo. Eles oferecem a toda a Igreja, sempre inspirado na Sagrada Família, o autêntico modelo cristão de família, cuja história de vida, qualidades e virtudes pessoais, e santidade, devemos não só apreciar, mas servir-nos de ânimo, nos dias difíceis em que vivemos. E pedir mais intensamente, em oração, a graça da fortaleza, para que Deus nos cumule com as bençãos de afirmar os valores e a beleza da família, que os beatos Louis e Zélia são testemunhos edificantes.

Louis Martin e Zélia Guérin se santificaram porque souberam cumprir a vontade de Deus, com a docilidade e a confiança absoluta no Senhor. Ambos desejaram ardentemente abraçar a vida religiosa, mas Deus lhes reservava a missão do matrimônio, ocorrido em 12 de julho de 1858. Tiveram nove filhos, e quando havia nascido as primeiras quatro filhas, oraram com fervor para que Deus lhe desse um filho. O pedido foi atendido e puseram o nome de José Maria, mas faleceu cinco meses depois. Queriam tanto um outro menino, desejando inclusive consagrá-lo ao Senhor. E nasceu outra criança, que puseram o nome de José. Mas também faleceu a criancinha, nove meses depois. Como conta o Pe. João Batista Lehman, em seu livro “Na Luz Perpétua” (Livraria Editora ‘Lar Católico’, 1956), Louis Martin e Zélia Guérin “desistiram então de pedir ao céu outro missionário. Contudo realizou-se-lhes plenamente o desejo na pessoa da última filha, de todas a mais abençoada e privilegiada, alma providencial, a quem Deus deu uma missão grandiosa, verdadeiramente divina”: Santa Teresinha. Aqui no Brasil, é certamente a mais popular de todas as santas, depois de Nossa Senhora.

Lehman também ressalta:

“Nos pais, os filhos viam o exemplo de cristãos santos. Amigos da oração, todas as manhãs se reuniam aos pés do altar e à mesa eucarística. Rigorosamente observavam a lei do jejum e da abstinência, eram escrupulosos na santificação do domingo, faziam com assiduidade as práticas de piedade, com a leitura espiritual e a oração em comum. Não faltavam certamente provações, mas a única resposta que davam a Deus era sempre uma total resignação a tudo o que a alta Providência quisesse determinar. Embora houvesse certo bem-estar na família Martin, ninguém se excedia em luxos desnecessários, e em tudo reinava grande simplicidade. Em família de sentimentos tão cristãos e generosos, a virtude da caridade achava terreno mais amplo de atividade. Das economias o piedoso casal reservava anualmente avultada quantia para a Obra da Propagação da Fé. A casa estava-lhes sempre aberta para os pobres, e grandes eram as esmolas que lá recebiam, na distribuição da caridade, o Sr. Martin não conhecia o respeito humano, e muitos são os casos em que com as próprias mãos servia a pobres desamparados. Não é, pois, caso de estranhar que o nobre homem em suas empresas se visse acompanhado da benção de Deus”. 

Num lar verdadeiramente abençoado, os filhos aprenderam também a enfrentar os sofrimentos com docilidade e confiança absoluta em Deus, como exemplo disso, deram os próprios pais, quando acometidos pela doença. A própria Santa Teresinha relata em sua memorável “História de uma Alma”, o quanto o exemplo dos pais foi imprescindível para refrear seus ímpetos voluntaristas e compreender a pedagogia da santificação. “Com uma índole como a minha, se fosse criada por pais carentes de virtude, ou até se fosse como Celina mimada por Luísa, ter-me-ia tornado bem maldosa e talvez me tivesse perdido… Mas Jesus olhava pela sua esposinha. Quis que tudo redundasse para o bem dela. Seus próprios defeitos, refreados a tempo, serviram-lhe para crescer na perfeição”. O que a fez definir tão bem qual é a perfeição desejada por Deus:

“O mesmo ocorre no mundo das almas, o jardim de Jesus. Ele quis criar grandes santos, que podem ser comparados aos lírios e às rosas; mas criou também outros menores, e estes devem se conformar em ser margaridas ou violetas destinadas a alegrar os olhos de Deus quando contempla seus pés. A perfeição consiste em fazer sua vontade, em ser aquilo que Ele quer que sejamos… Compreendi também que o amor de Nosso Senhor se manifesta tanto na alma mais simples, que não coloca nenhuma resistência a sua graça, quanto na alma mais sublime. É próprio do amor abaixar-se. Se todas as almas se parecessem às dos santos doutores que iluminaram a Igreja com a luz de sua doutrina, parece que Deus não teria que se abaixar bastante para vir a seus corações.”

E mais:

“Não tendo em redor de mim senão bons exemplos, era natural que os quisesse seguir.”

“Quero passar o meu céu empenhada em fazer o bem na terra”

Ao elevar o casal Louis Martin e Zélia Guérin à honra dos altares, canonizando-os em 18 de outubro próximo, temos um sinal evidente de esperança, de que o modelo cristão de família, testemunhado pelos pais de Santa Teresinha, dão eloquência do que precisamos hoje para salvar as famílias dos tantos ataques e forças adversas que querem destruí-la. Por isso, a Igreja apresenta ao mundo o exemplo de santidade vivido por eles, especialmente aos jovens. Como destacou S. João Paulo II, “os jovens de hoje como são, o que buscam? Poder-se ia dizer que são como os de sempre”. E a Igreja é chamada hoje a afirmar com coragem a doutrina de sempre em favor da família, lembrando o que diz o Catecismo da Igreja Católica:

“…para que o ‘sim’ dos esposos seja um ato livre e responsável e para que a aliança matrimonial tenha bases humanas e cristãs sólidas e duráveis, a preparação para o casamento é de primeira importância: O exemplo e o ensinamento dos pais e da família continuam sendo o caminho privilegiado desta preparação”. (CIC, 1632)

Daí que esperamos dos padres sinodais, neste relevantíssimo Sínodo, o enaltecimento, com vigor, da sã doutrina católica, que faz a Igreja ser rocha inconcussa; doutrina ensinada por Nosso Senhor Jesus Cristo, que forjou, ao longo dos séculos, muitos santos; doutrina que traz exigências e desafios, em todas as épocas, mas cuja solidez é que garantiu a Igreja e a instituição da família, a atravessar cada época, e civilizar, buscando salvaguardar a dignidade de cada pessoa humana.

Se a família está fragilizada nos dias de hoje, extenuada por todas as pressões que visam seu aniquilamento, é justamente nesta hora grave que a Igreja é chamada a defender os princípios e valores que a sustentam e podem fazer revigorá-la, para o bem de todos. Daí que doutrina e pastoral devem caminhar juntas, e o desafio do Sínodo é indicar uma pastoral conjugada com a sã doutrina, capaz de combater as causas da fragilização da família, e não os seus efeitos. E uma das exigência atuais, no combate dessas causas, é o de preparar melhor os casais na doutrina daquilo que a Igreja ensina, há séculos, capaz de dar ao mundo, com o realismo cristão, em cada tempo histórico, os melhores exemplos de santidade.

A canonização dos beatos Louis Martin e Zélia Guérin confirma a força da “comunhão dos santos” que rezamos no Credo, comunhão esta que age pela graça de Deus a proteger a Igreja de seus inimigos. A batalha agora é defender a sacralidade do matrimônio e a estrutura natural da família, do que os pais de Santa Teresinha dão um testemunho eloquente. É também Santa Teresinha, pela graça de Deus, zelando por nós, como ela própria desejou, ao afirmar: “Quero passar o meu céu empenhada em fazer o bem na terra”.

4 Comentários to “Pais de Santa Teresinha, rogai por nós!”

  1. A santidade de Santa Teresinha foi alicerçada na santidade de seus pais, Louis Martin e Zélia, Guérin. Os filhos colhem o que os pais plantam. Não é a toa que, num mundo onde há tantas famílias desestruturadas, há tantos jovens problemáticos, drogados e desajustados socialmente. A família é a base de tudo. Uma família bem estruturada e temente a Deus é a base não só para filhos felizes, como santos.
    Que os pais de Santa Teresinha possam inspirar os casais de namorados a buscar o matrimônio segundo a vontade de Deus e não por motivos interesseiros mundanos ou carnais.

  2. Ótimo texto! Em tudo que diz respeito a Sta Teresinha, a providência de Deus é flagrante. Assim sendo, não é à toa que no mês do sínodo da família, os pais dela sejam também agraciados com a honra dos altares.

    Na verdade, vamos rasgar o verbo: isso é já o dedinho Santo de Sta Teresinha no céu. Isso é a cara dela!

    Rogai por nós, ó Santa Familia dos Bussounets!

  3. Grande verbita alemão o Pe. João Baptista Lehmann. Dedicou a maior parte de sua vida ao canto litúrgico no Brasil. Compositor de muitos cânticos sacros piedosos em latim e português para coro. Não sabia que havia escrito sobre S. Teresinha e seus igualmente santos pais.

  4. O diabo sabe o que representa a família cristã para uma sociedade temente ao Senhor Deus e à Igreja, quanto prejuízo lhe causa por cumprir os Mandamentos, gerar santos sacerdotes e similares leigos, caso da família de S Terezinha – daí seu radical ódio a ela por meio de seus asseclas, hoje ativíssimos em a desmontar para instaurar o caos, ideal que ele preconiza!.
    E nesse mundo da alta tecnologia – há defensores da teoria que Satanás a teria inventado para seduzir os povos, por sinal, se analisarmos bem, por estar nas mãos de seus asseclas aproveitando de sua potencialidade, possuiria fundamentação por causar muito mais males que bem, por estar em mãos indevidas!
    Os males gerais não têm vertiginosamente crescido graças à tecnologia de informação manipuladas por interesses escusos, sob poder de agentes diabólicos poderosos e ocultos?
    … “*Assim sendo, vivendo neste mundo de alta tecnologia, podemos perfeitamente entender o que sejam estas ondas imateriais que atravessam os céus (in caelestibus) e que são comandadas pelos poderosos deste mundo de trevas que é o nosso. Parece-me portanto lícito e importante traduzir os termos “principes et potestates” com seu significado próprio que é de “príncipes e poderosos, e incluir nesses “príncipes e poderosos” os que controlam esse mundo da Informação, das ondas que atravessam os céus. Para São Tomás, os únicos nomes de anjos que poderiam servir tanto para os anjos bons como para os demônios seriam os Principados e Potestades, por esta razão nomeados aqui. Mas a explicação do Doutor Angélico confirma a participação dos homens maus nesta passagem de São Paulo:
    “Eles são, portanto, poderosos e grandes e por isso possuem um grande exército contra o qual deveremos lutar, contra os governantes deste mundo de trevas, a saber, dos pecadores.” (São Tomás de Aquino, Comentário sobre Efésios, Cap.VI, leit.3″*.
    *Comentarios de D Lourenço Fleichman OSB