Crônicas do Sínodo – “L’Immacolata Vincerà!”

Por Hermes Rodrigues Nery | FratresInUnum.com

Em direção à Praça de São Pedro, bem cedo, no domingo, dia de São Francisco, desembarquei no Gianicolo, para contemplar a vista de Roma no alto daquela colina. Daquele “ponto mais elevado da cidade”, como se recorda Afonso Arinos de Mello Franco, morou Torquato Tasso e S. Filipe Neri, em meio ao jardim de “glicínias em flor”, e “a estátua de Garibaldi, com a Roma dourada a nossos pés”. Realmente a visão de Roma daquela localidade é indescritível, e mostra a majestade que faz jus ao nome dado de Cidade Eterna.

Descendo pela rampa della Quercia, seguindo pelo lungotevere, às margens do Tibre, percebe-se garrafas jogadas no chão e em cima do muro que ladeia o grande rio, garrafas pequenas de cerveja e de vinho, evidenciando o quanto se bebe por ali. E ainda a decadência dos costumes expressa nas pixações por quase toda a parte, nas paredes das casas, das placas de sinalização, e por tantos outros pontos residenciais ou comerciais. Ao avistar o Castelo de Santo Angelo e entrar pela ponte Vittorio Emanuele II, dobrando à esquina da Via São Pio X com a Via della Conciliazione, com vista da embaixada brasileira até chegar, enfim, à Basílica de São Pedro, não havia tanta gente assim como eu esperava, na expectativa da missa de abertura do Sínodo da Família.

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Pouco antes, uma religiosa indagou se eu tinha um bilhete para assistir a missa na Basílica, mas como eu já havia estado por duas vezes no Vaticano (tendo comungado com o papa S. João Paulo II no interior da Basílica de São Pedro, na missa do Galo, em 1993; e também estado presente na celebração de beatificação de Frei Galvão, em 25 de outubro de 1998, com a praça cheia de brasileiros tremulando bandeirinhas verde e amarelo), disse à religiosa que desta vez preferia estar na praça mesmo, junto ao povo, para sentir o cheiro das ovelhas.

Na Praça de São Pedro, certos espaços estavam ocupados, mas havia muito espaço com cadeiras vazias, com uma mistura de fiéis que foram ali para participar da missa, que estava sendo exibida em quatro telões, abaixo da estátua de São Pedro e abaixo da estátua de São Paulo. Alguns se inquietaram e começaram a perguntar porque eles tinham de ficar de pé se havia tantas cadeiras desocupadas, se podiam sentar-se nelas, mas ninguém pôde adentrar nos espaços das cadeiras vazias. Passada a homilia e o ofertório, o sol começou a ficar um pouco mais forte num pedaço da praça, mas cadeiras permaneceriam vazias durante toda a celebração. Rezou-se o Pai-Nosso e na hora do abraço da paz todos se cumprimentaram. Fui mais para a frente, até chegar na segunda fileira, e estavam ali fiéis que foram participar da missa num domingo, na Praça de São Pedro. Era um momento muito especial na vida de muitas pessoas (muitas delas, a primeira vez vindo a Roma), algumas estavam ajoelhadas, rezavam com devoção profunda, ajoelharam-se na hora da consagração, e felizes por estarem numa celebração tão especial.

E então, ocorreu o impensável. Na hora da comunhão, todos que estavam ali, alguns debaixo do sol, aguardaram com ansiedade que algum sacerdote viesse lhes trazer a Sagrada Comunhão. Enquanto ouviam o canto pelos telões, as pessoas começaram a se voltar para trás, a olhar para a esquerda, para a direita, a entortar o pescoço para os lados, a olhar no afã de que alguém viesse até eles, enquanto a expressão de rosto de muitos deles foi de angústia, desolação, descontentamento, tristeza. E realmente ninguém apareceu para administrar a Comunhão àqueles fiéis, àqueles devotos que num domingo, dia do Senhor, foram até lá, no coração da Cristandade, esperando receber a Hóstia Sagrada. Nenhum cardeal, nenhum bispo, sequer um padre, ninguém apareceu. Houve quem permaneceu debaixo do sol, ajoelhado, penitente, rezando e aguardando. E nada. Estavam todos abandonados, sem terem recebido a Comunhão, enquanto o coro de dentro da basílica, ecoa pelos telões o canto que dizia: “Misericórdia! Misericórdia!” Sinceramente, nunca nenhum daqueles fiéis esperava passar por aquilo um dia, e todos ficaram atônitos, perplexos, desconcertados, sem entender o que havia acontecido. Duas colombianas a minha frente perguntaram: “Mas não vão vir? O que se passa?”, e voltavam a olhar, ao longe, para ver se em algum canto havia alguma fila, algum sinal, alguma movimentação. E nada. Não eram turistas que estavam ali, mas fiéis.. Mais tarde, na Via del Casoletto, conversava com Pe. Pedro Stepien, de que se houve essa desatenção, isso não poderá mais ocorrer, em respeito aos tantos devotos e fiéis católicos que lá estavam. E certamente falaremos disso com as autoridades competentes.

Depois da benção final, a maioria ficou onde estava, indo depois para mais ao centro da Praça, e permaneceram por mais algum tempo, pois era próxima a hora do Angelus, e pela fé e com perseverança, foi aguardada a aparição do papa na janela do Palácio Apostólico, para a oração do meio-dia. Era o dia de São Francisco, padroeiro da Itália, como lembrou o papa no Angelus, e todos receberam mais uma benção do bispo de Roma, que se despediu dizendo: “Buon pranzo!” Olhando para os que estavam na praça, pude ver mais gente, alguns com faixas levantadas, e um grupo com uma delas erguida que dizia: “L’Immacolata Vincerà!”

10 Comentários to “Crônicas do Sínodo – “L’Immacolata Vincerà!””

  1. A Imaculada vencerá! Apesar de Bergoglio, apesar de Kasper, Baldisseri, Irmã Glacy e suas jujubas, sim, a Imaculada vencerá!

  2. Será um sinal de Deus de que deste Sínodo virá desrespeito ao Santíssimo Sacramento?

  3. O mundo está sendo pesadamente devastado por forças imateriais que nunca na historia estiveram tão violentas, ostensivas, envolventes e dominantes das pessoas, como no presente; faltaria pouco dizer que o diabo já se apresenta sob formas humanas: nalgumas delas muito atraentes – na arte de trapacear o diabo é inimitável!
    Dessa vez, porém, a crise que assola a Igreja diferencia-se por os piores conspiradores estarem dentro dela, querendo se passarem como profetas do tempo atual; porém, pelas suas obras, os frutos têm sido apenas de contravalores evangélicos!
    Dentro os incontáveis casos, o escândalo midiático do Pe Kryzsztof – seria uma bem montada farsa dos desafetos da Igreja para tentarem implantar o relativismo a partir de dentro dela – demasiado e parcial apego à ” misericórdia, tolerância acolhimento, compreensão etc.” com os erros, como se fossem um modo de trazerem mais pessoas para a plena comunhão da Igreja e não as “discriminar”; no entanto, sem exigencias formais de mudança de vida!
    L’Immacolata Vincerà – eis o brado consolador!

  4. “um pequeno pormenor?!?! a comunhão do Santissimo Corpo e Sangue Alma e Dinvindade do Senhor Deus do Universo- Nosso Senhor Jesus Cristo – é isso que é para a maior destes religiosos e leigos catolicos hoje em dia é : um insignificante pormenor!

    “Temos que deixar de ser caretas ! apegados a tradiçao! e a essa coisa de sagrada comunhao! na boca! de joelhos! o que que é isso! e depois ficar em adoraçao! esquecendo o irmão que está ao lado de dar beijao e abrçao nele , temos que abrir o coraçao ao outros acolher a diferença ! não pensar que somos mais santos que os outros! temos que abraçar os nossos irmão protestantes de igual para igual! fazer ceia e refeiçao ! porque não com o pão comprado no café da esquina partido, partilhado na mão! para todo o mundo receber é para todos de todos e se cair migalhinha no chão qual é o problema que negocio é esse de patena! Deus é misericordia ninguem vai morrer por pisar e pisotear umas migalinhas desse negocio ai!!”

    “Que negocio é esse de pecado! de confissao! de catolico! , da conmunhao ser restrita , condicionada, essa comunhao é para todo o mundo gente !não podemos julgar , budista , muçulmano ateu ,esoterioco ,espirita, maçon, gay ,terrorista , divorciado,satanico é tudo irmão de Jesus gente , Jesus veio para todo o mundo o que ele quer é que todos nos amemos-peace and love, deixe de ser careta antiquado fariseu ….”

    GENTE SORDIDA E IMUNDA -PEROLAS PARA PORCOS !!! que não sabe distigur a direita da esquerda

    PEROLAS PARA PORCO!! nao sabe distiguir o Ceu do inferno, o bem do mal o justo do injusto

    nao sabe distiguir o Santo dos Santos de um bocado de pão !

    PEROLAS PARA PORCOS!!! nao sabem distinguir Deus do diabo por isso hão de ter o que merecem!

  5. Acho engraçado a tal da “irmã” Glacy ainda estar vindo dar as caras por aqui. Por que ela não vai para o submundo dos blogs supostamente católicos, como o do sr. Genésio Boff? Lá é o lugar dela. Aqui vai continuar passando vergonha toda vez que abrir a boca.
    E sim Rodrigo, apesar deles fazerem de tudo para destruir a Santa Doutrina, a Imaculada vencerá!

  6. No primeiro dia da abertura do Sínodo da Família, o Cardeal Peter Erdo da Hungria que é o relator geral do Sínodo leu o discurso de abertura onde enfatizou no meio de toda a verborréia possível, o ensino tradicional da Igreja: comunhão pra recasados só se viverem em estado de absoluta continência e pessoas afligidas com tendências homossexuais, devem ser tratadas com respeito mas também são chamadas a viver na castidade.
    http://www.catholicnewsagency.com/news/full-text-of-cardinal-erdos-introductory-report-for-the-synod-on-the-family-67404/?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter&utm_campaign=Feed%3A+catholicnewsagency%2Fdailynews+%28CNA+Daily+News%29&utm_term=daily+news
    Acharam que a partida estava decidida a favor da Doutrina da Igreja? Sentem e esperem! Bergoglio entrou na zaga catou a bola e olha quem está de novo na partida? Justamente a Relatio Synodi e o herético Instrumentum Laboris que por vontade expressa de Bergoglio continuarão sendo a base para o Sínodo de cartas marcadas:
    http://voiceofthefamily.com/has-the-intervention-of-pope-francis-returned-synod-to-heterodox-trajectory/
    Resumo da ópera: depois que Peter Erdo reafirmou a Doutrina, Bergoglio fez uma intervenção que não estava programada ontem pela manhã. Ele disse aos padres sinodais que eles devem levar adiante o Sínodo Ordinário em perfeita continuidade com o Sínodo Extraordinário do ano passado. Também disse que eles deveriam considerar apenas três documentos formais do Sínodo e esses são o seu próprio discurso de abertura do Sínodo do ano passado, a Relatio Synodi do ano passado e seu discurso de encerramento do Sínodo Extraordinário do ano passado.
    Ele também disse que o assunto da comunhão aos adúlteros não seria o único assunto a ser tratado nesse sínodo, dando a entender que também não seria excluído da pauta. Pra ele essa é uma questão aberta apesar de tudo que já disse Jesus nas Sagradas Escrituras, na Sagrada Tradição e por seus predecessores.
    Enfim, o que ele fez foi desautorizar Peter Erdo minando a ação de qualquer cardeal que ousar fazer o mesmo. Ele é o pau na roda usando o seu poder como Pontífice pra minar qualquer cardeal que tente dar uma guinada nesse carro de volta à ortodoxia.
    Enquanto isso os lobos fazem a festa, “Rosica o Enfeminado”, em nome da “misericórdia” defende uma mudança de linguagem ao falar dos sodomitas, Bruno Forte saracoteando entre a imprensa mundana enfatizava que a Doutrina permanecerá intacta mas a prática pastoral vai mudar, Bispo canadense pedindo admissão de diaconisas e outros progressistas desmentindo Peter Erdo dizendo que a comunhão aos adúlteros é questão aberta.

  7. Sobre não haver comunhão para os presentes na Santa Missa (faltar).
    Isso ao que eu saiba, e até hoje, é artigo de processo canônico em qualquer igreja católica. O que ocorreu exige reparação.

    AMDG

  8. A crônica está agradável e no tamanho certo para uma leitura confortável.

  9. Jeby, comunhão nesse Pontificado é prioridade só pra adúlteros e sodomitas. O resto pode esperar!

  10. O sínodo trará muita tristeza aos fieis, com certeza. Aguardemos para depois do dia 25 e muita coisa irá mudar em nossa Santa Madre Igreja. Mas é necessário que assim aconteça, para que tudo se cumpra conforme está predito em tantos livros bíblicos. E por certo naquilo que NOSSA MÃE falou: “Meu Imaculado Coração triunfará!”