Existe ainda a noção de pecado entre os Padres sinodais?

Por Roberto de Mattei – Corrispondenza Romana | Tradução: FratresInUnum.com – Os trabalhos do Sínodo estão confirmando a existência, dentro da Igreja Católica, de um forte choque entre duas minorias. De um lado, um punhado de padres sinodais decididos a defender a Moral tradicional; de outro, um grupo de “inovadores” que parecem ter perdido a fé católica. Entre as duas minorias há, como sempre, um centro mole e indeciso, composto por aqueles que não ousam defender nem atacar a verdade e que são movidos por considerações ligadas mais aos próprios interesses pessoais do que ao debate doutrinário.

Os bispos inovadores, na discussão sinodal sobre a primeira parte do Instrumentum laboris, expressaram sua voz especialmente em dois dos 14 círculos menores: o Anglicus C e o Germanicus. Detenhamo-nos por um momento em uma passagem central do relatório do Circulus germanicus, que teve como relator o novo arcebispo de Berlim, Dom Heiner Koch, e como moderador o arcebispo de Viena, cardeal Christoph Schönborn.

Os bispos alemães desejam que no documento final não prevaleça uma linguagem negativa, que distancia e condena, de estilo “forense” (“eine negativ abgrenzende und normativ verurteilende Sprache(forensischer Stil)”), mas uma linguagem positiva e evolutiva da posição cristã, que exprima implicitamente algumas posições que são incompatíveis com a posição cristã (“eine positive, die christliche Position entfaltende Sprache, die damit implizit zur Sprache bringt, welche Positionen christilich inkompatibel sind”). Uma linguagem “que comporte também a disponibilidade (cfr. Gaudium et Spes) de acolher os desenvolvimentos positivos da sociedade” (“Dazu gehört auch die Bereitschaft (cf. Gaudium et Spes), von der Gesellschaft positive Entwicklungen aufzugreifen”).

Para se entender o que está por trás dessa linguagem ambígua, é necessário reler as passagens centrais da entrevista concedida em 26 de setembro pelo cardeal Christoph Schönborn ao Padre Antonio Spadaro para a “Civiltà Cattolica”. O arcebispo de Viena nela afirma que é preciso “tomar consciência da dimensão social e histórica do casamento e da família”. Segundo ele, “muitas vezes nós, teólogos e bispos, pastores e guardiões da doutrina, esquecemos que a vida humana tem lugar nas condições impostas por uma sociedade: psicológicas, sociais, econômicas, políticas, em um contexto histórico. Isto tem faltado no Sínodo. (…). Devemos olhar para as inúmeras situações de convivência não só do ponto de vista do que está faltando, mas também do ponto de vista do que já é promessa, que já está presente. (…) Aqueles que têm a graça e na alegria de viver o matrimônio sacramental na fé, na humildade e no perdão mútuo, na confiança em Deus que age em nossa vida diária, sabem como olhar e discernir em um casal, em uma união de fato, nos que coabitam, elementos de verdadeiro heroísmo, de verdadeira caridade, de verdadeira doação recíproca. Embora devamos dizer: ‘Não é ainda uma realização plena do sacramento’. Mas quem somos nós para julgar e dizer que não existem neles elementos de verdade e santificação? (…) Não escondo, a este propósito, de ter ficado chocado de como uma forma de argumentar puramente formalista maneja o machado do intrinsece malum [intrinsecamente mau] (…).A obsessão com o intrinsece malum empobreceu de tal maneira o debate, que estamos privados de uma vasta gama de argumentos em favor da unicidade, da indissolubilidade, da abertura à vida, do fundamento humano da doutrina da Igreja. Perdemos o gosto de uma reflexão sobre essas realidades humanas. Um dos elementos-chave do Sínodo é a realidade da família cristã, não de um ponto de vista excludente, mas inclusivo. (…) Há também situações em que o sacerdote, o guia, que conhece as pessoas no seu foro interno, pode chegar a dizer: ‘A situação de vocês é tal que, em consciência, na de vocês e na minha consciência de Pastor, eu vejo que vocês têm um lugar na vida sacramental da Igreja’. (…) Eu sei que escandalizo alguns com o que vou dizer… mas sempre se pode aprender alguma coisa com as pessoas que vivem em situações objetivamente irregulares. O Papa Francisco quer nos educar para isso” (Matrimoni e conversione pastorale. Intervista al cardinale Christoph Schönborn, a cura di Antonio Spadaro S.I., in “Civiltà Cattolica”, Caderno n° 3966 de 26/09/2015, pp. 449-552).

Esta entrevista deve ser lida paralelamente com a de outro Padre sinodal, de formação cultural germânica, o arcebispo de Chieti-Vasto, Bruno Forte, secretário especial da Assembleia Geral do Sínodo. Em suas declarações ao “Avvenire” de 19 de Setembro de 2015, Dom Forte disse que o Instrumentum laboris expressa “simpatia para com tudo que é positivo, mesmo quando, como no caso da coabitação, estamos diante de uma positividade incompleta. Os critérios de simpatia para com os concubinos são ditados pela presença na sua união do desejo de lealdade, estabilidade, abertura à vida. E quando se percebe que este desejo pode vir a ser coroado pelo sacramento do matrimônio. É lógico então acompanhar esse processo de maturação.Quando, pelo contrário, a coabitação é episódica, tudo parece mais difícil e torna-se então importante encontrar uma maneira de incentivar novos passos para uma maturação mais significativa. (…) Quando há uma coabitação irreversível, sobretudo com a presença de filhos nascidos da nova união, voltar atrás equivaleria faltar com os compromissos assumidos. E esses compromissos envolvem deveres morais que são cumpridos em espírito de obediência à vontade de Deus, que pede fidelidade a essa nova união. Quando existem esses pressupostos, então se pode considerar uma integração cada vez mais profunda na vida da comunidade cristã. Em que medida? Já o dissemos. Incumbirá ao Sínodo propor e ao Papa decidir.”

Como fica evidente a partir das entrevistas citadas, a abordagem dos problemas da família é puramente sociológica, sem qualquer referência a princípios que trascendem a história. O  casamento e a família, para o cardeal Schönborn e o arcebispo Forte, não são instituições naturais, que acompanham a vida do homem desde os primórdios da civilização: instituições que certamente nascem e vivem na história, mas que estando enraizadas na própria natureza do homem são destinadas a sobreviver, em qualquer época e em qualquer lugar, como a célula básica da sociedade humana. Eles pretendem que a família está submetida à evolução dialética da história, assumindo novas formas em função dos períodos históricos e dos “desenvolvimentos positivos da sociedade”.

A “linguagem positiva” da qual fala o Circulus germanicus significa que a Igreja não deve exprimir nenhuma condenação, porque é preciso colher os aspectos positivos do mal e do pecado. Propriamente falando, para eles o pecado não existe, porque toda forma de mal é um bem imperfeito e incompleto. Essas aberrações se baseiam numa confusão deliberada entre o conceito metafísico e o conceito moral de bem e de mal. Do ponto de vista metafísico, é claro que Deus, que é o Sumo Bem, não criou no universo nada de ruim ou de imperfeito. Mas entre as coisas criadas há a liberdade humana, que torna possível o distanciamento moral da criatura racional em relação a Deus. Esta aversio Deo da criatura racional é um mal chamado corretamente de pecado. Mas a noção de pecado está ausente das perspectivas do cardeal Schönborn e do secretário especial do Sínodo, arcebispo Forte.

Negando a existência do intrinsece malum, o cardeal Schönborn nega verdades morais, como aquela segundo a qual existem “atos que por si próprios e em si mesmos, independentemente das circunstâncias, são sempre gravemente ilícitos, por motivo do seu objeto” (João Paulo II, Exortação Apostólica Reconciliatio et paenitentia, n. 17) e rejeita em sua totalidade a encíclica Veritatis Splendor, promulgada precisamente para reiterar, contra a ressurgente “ética de situação”, a existência de absolutos morais. Nessa perspectiva schönborniana se dissolve não somente a noção da lei divina e natural como raiz e fundamento da ordem moral, mas também a noção de liberdade humana. A liberdade é de fato a primeira raiz subjetiva da moralidade, assim como a lei natural e divina constitui a sua forma objetiva. Sem lei divina e natural, não existem bem e mal, porque é a lei natural que permite à inteligência conhecer a verdade e a vontade de amar o bem. Liberdade e direito são dois aspectos inseparáveis ​​na ordem moral.

Porque existem absolutos morais é que existe o pecado. O pecado é um mal absoluto porque se opõe ao Bem absoluto, e é o único mal, porque se opõe a Deus que é o único Bem. As origens de cada situação de miséria e infelicidade do homem não são de natureza política, econômica e social, mas residem no pecado, original e atual, cometido pelos homens. O homem “peca mortalmente (…) quando, consciente e livremente, escolhe um objeto gravemente desordenado, qualquer que seja o motivo de sua escolha” (Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração Persona humana, de 7 de novembro de 1975, n. 10, parágrafo 6). Entre os pecados existem aqueles que, segundo as Escrituras, clamam vingança ao Céu, como o pecado dos sodomitas (Gênesis, 18, 20; 19,13), mas existem também outras violações do sexto mandamento, que proíbe qualquer união sexual fora do casamento. É inadmissível qualquer “linguagem positiva” para abençoar tais uniões. Pio XII dizia que “talvez hoje o maior pecado do mundo é que os homens começaram a perder a noção de pecado” (Discurso de 26 de outubro de 1946). Mas o que acontece quando são os homens de Igreja os que perdem o sentido de pecado, e com ele, a própria fé?

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11 Comentários to “Existe ainda a noção de pecado entre os Padres sinodais?”

  1. “Os trabalhos do Sínodo estão confirmando a existência, dentro da Igreja Católica, de um forte choque entre duas minorias. De um lado, um punhado de padres sinodais decididos a defender a Moral tradicional; de outro, um grupo de “inovadores” que parecem ter perdido a fé católica. Entre as duas minorias há, como sempre, um centro mole e indeciso…”
    E serão esses, os moles e indecisos, mas que são maioria, que irão decidir toda a questão. Acontece isso na tão elogiada democracia e pode acontecer também na Igreja.
    Só que a Igreja, até agora contou com um eleitor a mais, de peso, o Espírito Santo. Só espero que ele por misericórdia, não falte a esse Sínodo, apesar de talvez merecermos sua ausência.

  2. É um palavrório danado, mas para mim resulta claro: uma boa parte dos homens fantasiados de púrpura não acredita, pura e simplesmente, em vida após a morte, prêmio e castigo, Deus infalível, total criador e pleníssimo organizador/programador, infalível porque Perfeito e Absoluto.Creem que existe um agora em permanente mutação, e que é preciso dizer e fazer tudo aquilo que obtenha apoio de uma mídia dirigida por, estes sim,homens de fé perversa, com ódio sincero, coerente, permanente e absoluto à Ordem Divina.Este conjunto de ‘ medium” de transmissão de posturas e opiniões se compõe dos que dirigem e redigem jornais, TVs, cátedras, universitárias e episcopais.O que cada ” purpurado” ” aggiornato” busca é o poder transitório e vão que traz sintonizar-se com a pretensa, aparente e falsa “opinião publicada dominante”, é o fátuo poder, impotente, alienado, vão e transitório e sua demoníaca aparência de perenidade e eternidade.Sendo inocentes como as pombas mas arguto como as serpentes, os ” bons”, os mística e logicamente sintônicos com o Grande Algoritmo do Universo, desdobramento que é da Secção Áurea, em si e em suas subformas decorrentes, sem julgar o íntimo da alma dos ” sintônicos com a grande mentira”, devem trata-los, estrategicamente, como um grupo de demolidores dissimulados e infiltrados, operacionalmene falsos e insinceros, de má fé, e descontrui-los como grupo de ação ideológica perversa, incrementando suas contradições internas, desqualificando-os, algumas vezes intimidando-os, outras deixando-os se iludirem em suas fantasias surrealistas e demoníacas, usando toda a legítima astúcia dos Filhos de Deus.Isto é possível, como para Santo Antão foi possível ver a falsidade e impotência intrínseca das alucinações que expressavam suas tentações.Ele as venceu, percebeu ter, algumas vezes, exagerado em seus rigores, mas reconheceu que lutou o bom combate, manteve-se fiel, e atingiu a Meta.
    No entretanto, recordados do Ora et Labora, oremos sempre, enquanto combatemos, somos criativos, supreendemos e confundimos o transitório inimigo, o inimigo funcional, pois qualquer grupo humano, mesmo sendo lobos vestindo peles de ovelha, são imagens e semelhanças de Deus, nas quais combatemos as manifestações e aparências, buscando destruir o lobo, mesmo quando isto implicar em atingir a aparência de ovelha.

  3. Um raio sobre a cúpula de São Pedro… Bento XVI solta uma pomba que é atacada por uma gaivota… Antes da fumaça branca, sobre a chaminé reina a gaivota… O franciscano vestido de sacos na Praça de São Pedro, ajoelhado durante o conclave… São sinais do que viria.

  4. Verifica-se no mundo católico, em todos lugares, pessoas destemidas que se reúnem em torno de bispos e padres fiéis à fé da Igreja Católica de sempre para manterem a tradição – a fortaleza de nossa fé – rejeitando e denunciando os lobos em pele de ovelha, os modernistas, infiltrados na Igreja, particularmente bem melhor coordenados desde o Vaticano II adiante, bem mais ostensivos – saíram das tocas – hoje poderiam até ser facilmente nomeados, cujos nomes rolam nas redes e nunca nem se importam em se defenderem, de tão à vontade se sentem!!
    A esquerdista TL, vinculada ao diabólico marxismo, é um dos frutos putrefatos saídos do Vaticano II de grupos antieclesiais infiltrados e atribuindo seus erros ao Vaticano II – como são dissimulados, perversos e chantagistas!
    Dessa forma, certos bispos, padres e fiéis católicos aceitam ser tratados de rebeldes, dissidentes, de desobedientes pelos sedutores que querem se justificarem atacando os outros que discordem deles – tática marxista – caluniarem os outros para se justificarem!
    O Papa Paulo VI citou francamente da autodemolição da Igreja; idem, o Papa São Pio X denunciou-o na sua primeira encíclica, quando escrevia: “Hoje, o inimigo da Igreja não está mais no exterior da Igreja, está no interior”, e o Papa não hesitava em designar os lugares aonde ele se encontrava: “O inimigo se encontra nos seminários”!
    Aliás, o Santo Papa Pio X, na sua primeira encíclica, denunciava a presença de inimigos da Igreja nos seminários – os maçons se preparavam para essas investidas desde os primordios do séc XIX – gerando presentemente no clero muitos membros socialistas, alienados à fé, agentes maçônicos, dentre esses, cada qual contribuindo segundo “seus (diabolistas) dons” para tentarem destruir a Igreja e perverterem os incautos!
    Assim sendo, se esses seminaristas àquele tempo já eram doutrinados no modernismo e se tornaram padres, bispos e entre eles cardeais influentes no Vaticano, com produtividade das safras em ascensão, estão aí cada vez mais “rentáveis e frutuosas”, como os Cardeais Kasper, B Forte, Küng, Schöenborn, Daneels e outros apoiando o relativismo!…

  5. Lendo o que esses senhores bispos falaram, me lembro o que é descrito por São João Evangelista (Ap 16, 13 – 14): “et vidi de ore draconis et de ore bestiæ et de ore pseudoprophetæ spiritus tres inmundos in modum ranarum sunt enim spiritus dæmoniorum facientes signa et procedunt ad reges totius terræ congregare illos in prœlium ad diem magnum Dei omnipotentis”. O que esses homens falam é tão abominável e desprovido da verdade, essas rãs dialéticas em perpétua evolução, que fica claro que eles não possuem mais a fé católica e nem deveria ser mais pastores de almas. Mas isso não é o mais grave! Grave é o papa, que tem como obrigação a proteção do deposito da fé, permitir que tais coisas tenham espaço no Seio da Noiva de Cristo. Quem tem entendimento que entenda! Pois, no versículo 15 que segue a passagem da Revelação posta acima o Nosso Senhor alerta os bons e (principalmente) os maus: “ecce venio sicut fur beatus qui vigilat et custodit vestimenta sua ne nudus ambulet et videant turpitudinem ejus”; esses senhores (e atual papa pode está incluso) estão nus. E nus da mais fundamental das vestimentas: a da verdade!

  6. Quem ainda pensa que esses homens estão mesmo preocupados com um bando de sodomitas ( só se estiverem legislando em causa própria) ou com a falta de misericórdia em relação a um monte de Católicos muito devotos, mas adúlteros, está viajando na maionese.
    O que está em jogo aqui é o próprio conceito de Deus que eles não têm ou perderam. Afinal o próprio Bergoglio disse a Scalfari que não acredita em um Deus Católico.
    Trata-se do “panteísmo” como resultado do Modernismo condenado por São Pio X na Pascendi.
    Tanto os preparativos para o Sínodo como o próprio Sínodo, foram dominados pela proposta feita pelo Cardeal Walter Kasper segundo a qual, aqueles Católicos validamente casados que se divorciaram e contraíram uma nova união civil inválida poderiam ser admitidos à Santa Comunhão sem mudança de vida.
    No dia 17 de março de 2013, apenas quatro dias depois de sua eleição, o Papa Francisco teceu elogios generosos ao livro de Kasper, “Misericórdia: A Essência do Evangelho e a chave da vida cristã”, durante seu primeiro discurso do Ângelus dizendo:

    “Nestes dias, pude ler o livro de um Cardeal – o Cardeal Kasper, um teólogo estupendo, um bom teólogo – sobre a misericórdia. Aquele livro fez-me muito bem. (Não julgueis que estou a fazer publicidade dos livros dos meus Cardeais, porque não é isso…!) É que [o livro] me fez mesmo bem, muito bem… O Cardeal Kasper dizia que a melhor sensação que podemos ter é sentir misericórdia: esta palavra muda tudo, muda o mundo”.
    http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/angelus/2013/documents/papa-francesco_angelus_20130317.html

    O livro em questão, “Misericórdia: A Essência do Evangelho e a chave da vida cristã”, reflete uma oposição de longa data por parte de Kasper à doutrina da imutabilidade de Deus. Em 1967 ele já havia escrito:

    “Esse Deus que reina como um ser imutável por cima do mundo e da história constitui um desafio para o homem. Por amor ao homem é preciso negá-lo, já que reclama para si mesmo a dignidade e a honra que são devidas ao homem. […] Devemos nos defender contra tal Deus, não somente por amor ao homem, mas também por amor a Deus. Esse não é o Deus verdadeiro, é um mísero ídolo. Um Deus, pois, que se acha à margem e por cima da história, que não é Ele mesmo história (grifo nosso), é um Deus limitado. Se designarmos esse ser como Deus, deveríamos, por amor ao Absoluto, fazer-nos ateus. Um Deus assim corresponde a uma visão fixista do mundo; é a garantia das coisas estabelecidas e o inimigo das novidades“.

    Em sua obra de 2013 Misericórdia, ele continua com os mesmos argumentos, mas em uma linguagem mais cautelosa:

    “Com base no seu ponto de partida metafísico, a teologia dogmática tem dificuldade de falar em um Deus compassivo. Ela tem que excluir a possibilidade de um Deus sofre com as suas criaturas em um sentido passivo; ele só pode falar de piedade e misericórdia, naquele sentido ativo em que Deus se opõe ao sofrimento de suas criaturas e fornece-lhes assistência. A questão que permanece é se isto corresponde satisfatoriamente ao entendimento bíblico de Deus, que sofre com as suas criaturas, aquele que, como Misericors tem um coração com os pobres e para os pobres. Pode um Deus que é concebida de forma tão apática ser realmente solidário? Pastoralmente, essa concepção de Deus é uma catástrofe. Um Deus tão abstratamente concebido para a maioria das pessoas parece ser muito distante da sua situação pessoal”.

    Em 1967 Kasper explicitamente casou a imutabilidade de Deus com “uma visão de mundo rígida.” É precisamente porque Deus é imutável, Kasper argumenta, que Ele “é a garantia do status quo e o inimigo do novo.” Se a revolução contra a ordem divina da criação que foi avançando rapidamente no mundo tinha que triunfar também na Igreja, era necessário que a imutabilidade de Deus também fosse negada. Se a própria natureza divina pode ser sujeita a mudanças, logo tudo o mais, incluindo a lei moral, também deve ser considerado mutável. Kasper, portanto, procurou acorrentar Deus à “história” e, portanto, ao “progresso” e à “evolução”. Este erro, repetido em essência em seu livro 2013, está no cerne de toda a agenda “progressista” do Sínodo.

    O elogio dado pelo Santo Padre para este livro não passou despercebido. O próprio Kasper compartilhou uma anedota reveladora durante uma entrevista pública na Universidade Fordham, em maio de 2014. Ele relatou que após o papa Francisco ter elogiado publicamente seu livro um “cardeal mais velho” insistiu: “Santo Padre, você não deveria recomendar este livro. Há muitos heresias nele! ” O Papa então sorriu segundo disse Kasper e assegurou-lhe “que isso entra por um ouvido e sai pelo outro!”

    Aí está o ardil do demônio: estão usando a palavra MISERICÓRDIA pra atacar o próprio Deus Imutável e Misericordioso que perdoa e acolhe o pecador arrependido , mas que diz: “Vá e não peques mais para que seu estado não se torne ainda pior”.
    Convocaram um Sínodo de cartas marcadas pra dar legitimidade à essas idéias heréticas e abomináveis de Kasper. Agora é esperar que os que ainda guardam a Fé de sempre da Igreja se levantem e resistam.

    • Perfeito, Gerciane. Enquanto isso os novos “conservadores” ficam apenas na torcida para os seus bispos “tradicionais”, como um néscio que coloca todas as suas fichas no seu time de futebol para que ele ganhe o campeonato. Enquanto o status quo Conciliar não for calcado aos pés por representantes verdadeiros da Santa Tradição, Burkes, Schneideres, etc. não nos salvarão! A heresia kasperiana já está instalada, resta – nos apenas rezar, fazer penitência e resistir!

  7. Braga, bela observação. De fato, nem me lembrava desses sinais, que para mim não passavam de superstições…

    Bem, se os bispos são relativistas é óbvio que não há pecado algum para eles, já que o que salva é o amor no coração, e o sentido na vida é a busca pela felicidade efêmera. Esse conceito ainda vai dar pano para manga, o pior vai ser quando a geração pe. Zequinha subir no pedestal para ser papa. Já pensou? Já pensaram quando o clube do black power e das calças boca de sino estiverem discutindo a doutrina da Igreja? Já imaginaram quando os hippies de wood stock lá estiverem para iniciar um debate filosófico? Ahhhh, nós ainda temos Bento XVI vivo. Imagina quando ele falecer…

    Faltou um erre R no germanicus onde lê-se: “Detenhamo-nos por um momento em uma passagem central do relatório do Circulus gemanicus, que teve como relator o novo arcebispo de…”

  8. “Os trabalhos do Sínodo estão confirmando a existência, dentro da Igreja Católica, de um forte choque entre duas minorias. De um lado, um punhado de padres sinodais decididos a defender a Moral tradicional; de outro, um grupo de “inovadores” que parecem ter perdido a fé católica. Entre as duas minorias há, como sempre, um centro mole e indeciso…”

    O Sínodo, penso que não seja absurdo dizer, é um encontro entre aqueles que fazem uma hermenêutica da reforma na continuidade e outra da ruptura do sacramento do matrimônio. Leia-se, por exemplo, os trechos do livro do Cardeal Kasper, citados pela sra. Gercione Lima, é possível esperar a defesa da fé católica, por um Cardeal que não a possui? Pode se esperar uma hermenêutica da reforma na continuidade (a reforma pressupõe a continuidade…) de um Cardeal, como Kasper? Melhor dizendo, não deveria haver uma hermenêutica que todos deveriam obedecer?

    A questão da liberdade na Igreja é um problema bastante importante. O que se pode constatar do choque dessas duas minorias, de que fala R. De Mattei, é que ambas possuem a mesma liberdade, mas não a mesma fé. O mesmo podemos observar em movimentos e ordens religiosas, como por exemplo, o Caminho Neocatecumenal e o Opus Dei: possuem a mesma liberdade, mas não a mesma fé. Então, é absurdo pensar, que, a comunhão na Igreja Conciliar se funda na liberdade e não na fé?

    A comunhão aos divorciados recasados foi definida por Nosso Senhor Jesus Cristo e amplamente defendida pela Igreja. Então, qual a liberdade que se tem de discutir tal questão? A Igreja de hoje não deve manter continuidade com a Igreja de ontem? O que observamos no Sínodo não é uma liberdade católica, mas uma liberdade de tipo voltariana: “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las”. Justamente isso, parecem dizer, a Nosso Senhor, quando fazem a separação entre a doutrina e a pastoral ou quando debatem a questão, não é mais a liberdade católica (Pio XII, na Humani Generis, estabeleceu limites para a discussão doutrinária na Igreja). Romano Amério denunciou um magistério dos teólogos, parece que isso afetou a própria autoridade, porque se além de teólogos, houvessem autoridades no Sínodo, Kasper, já teria sido anatematizado. O Sínodo parece uma reunião de livres pensadores iluministas, o que explica coisas do tipo:

    “A “linguagem positiva” da qual fala o Circulus germanicus significa que a Igreja não deve exprimir nenhuma condenação, porque é preciso colher os aspectos positivos do mal e do pecado”.

    Via de regra, isso significa colher aspectos positivos do apostolado do demônio, que sem as condenacões, age em liberdade. O triste é que nenhum Cardeal questionou os aspectos positivos da apostasia da fé que se vê claramente na Igreja da Alemanha. O que parece é que além da perda da noção do pecado, também perderam a noção de Deus e em que colocar a fé. Mas S. Pio X já havia denunciado esse falso “modus operandi” pastoral na Iucunda Sane, que D. Curzio Nitoglia comenta dizendo:

    “São Pio X na Carta Encíclia Iucunda Sane (Março de 1904) explica que, o meio com que os heterodoxos se infiltram na Igreja, consiste em aplicar uma regra de ação prudencial aos princípios ou aos dogmas, confundindo o plano teórico ou da verdade com aquele prático ou do agir humano. Ora, continua papa Sarto, a prudência é uma virtude moral, que ajuda a aplicar os princípios ao caso prático e a resolver este último a luz do princípio, sem rebaixar o princípio, fazendo o válido somente se praticamente útil. Portanto, transpor prudência ou a prática, confundindo-a no nível dos princípios, é baixar o princípio do nível teórico para aquele prático, o que tem consequências desastrosas: do ponto de vista teórico dilui o princípio e corrói o dogma; do ponto de vista prático pode degenerar se em lassidão ou rigorismo como veremos adiante”.” O HOMEM ANIMAL POLÍTICO – http://salveregina.altervista.org/blog/arquivos/67

    O Sínodo não é uma reunião onde se quer aplicar o princípio a situação concreta, como manda a prudência, mas quer fazer da situação concreta um novo princípio. E onde está a autoridade que deveria impedir isso?

  9. Por que essas pessoas estão discurtindo questões mais que óbvias e gastando dinheiro inutilmente.

    O sínodo vai confimar a doutrina de sempre a respeito do Matrimônio e de que só possível entre homem e mulher. Isso está claro. E que de nenhum modo se pode comungar em pecado por está “recasado” – esse termo quer dizer casado duplamente?

    Essa turma está endinheirada mesmo – com tanta gente passando dificuldades – para fazerem vãs discursões nesse lugar bacana aí da foto. Deviam, eles, caçar um jeito de lavar roupa suja debaixo de sol quente – literalmente.