O Papa na tormenta.

Por François Billot de Lochner – Liberté Politique | Tradução: FratresInUnum.com – Durante vários meses, o Papa parece estar preso em uma turbulência que afeta toda a Igreja. O mal-estar está crescendo mês a mês, e o desafio está agora tomando tom público, mesmo no seio da Igreja e entre os seus pastores mais proeminentes, para não mencionar, claro, a mídia, sempre presente para pôr o prego no lugar em que dói mais.

Onde está esse desconforto? Essencialmente, em decisões ou formulações de Francisco que enfrentam um número crescente de dignitários da Igreja, mas, também, claramente, de desorientados católicos.

É importante ressaltar que os textos do Concílio Vaticano II são bastante explícitos: a busca da Verdade confere a cada católico o direito de se posicionar sobre o que a Igreja diz e, portanto, sobre o que o sucessor de Pedro diz. Desde que, evidentemente, esta seja expressa com respeito e com o único propósito de realmente chegar à verdade.

Temos de reconhecer que Francisco tomou posições que, no mínimo, são surpreendentes, como lhe disse um alto e forte número de cardeais e bispos, mas também teólogos e intelectuais. Eis alguns exemplos:

– Na família, a organização e as comunicações oficiais do Sínodo demonstraram amplamente que a linha do muito “liberal” Cardeal Kasper foi aprovada pelo papa. Isto resultou num considerável desconforto em todos os níveis da Igreja. Como ilustração, o cardeal Sarah, em seu último livro, Deus ou nada (Fayard), vigorosamente ataca o presidente da Conferência Episcopal Alemã, o cardeal Marx, muito próximo a Kasper, julgando algumas de suas propostas como “uma ideologia pura que se quer impor à força para toda a Igreja “.

– Em matéria de imigração, as declarações feitas por Francisco em Lampedusa sobre a necessidade de os países europeus abrirem suas fronteiras, foram tão surpreendente que eu mesmo fui a Lampedusa, poucos dias depois da viagem papa. Pude contatar que as instruções eram claras: acolher todos os migrantes com as melhores condições e sem nenhum tipo de controle. É difícil, nestas circunstâncias, culpar os europeus, pedindo-lhes para abrirem suas fronteiras, uma vez que já foram totalmente abertas.

– Sobre ecologia, a Encíclica “Laudato Si” tem um forte viés de aceitação das teorias ecológicas desenvolvidas pelas forças globais de esquerda e de extrema-esquerda, para o deleite dos socialistas-verdes de todos os países, que recomendam a leitura da encíclica papal e, de repente, se descobrem defensores da Igreja; aqueles mesmos que estão trabalhando constantemente para fazê-la desaparecer.

– Sobre a questão da nulidade dos casamentos, as decisões do Papa, poucos dias antes do Sínodo poder discuti-la, não seria precipitada e autoritária, e passar de o processo de nulidade para um processo de anulação não seria estabelecer uma espécie de “divórcio religioso”?

– Em termos de comunicação com a mídia, seria apropriado ou importante dar alguns sinais fortes, como receber, por exemplo, o polêmico bispo Gaillot [ndt: removido do exercício do episcopado por João Paulo II em 1995, por conta de suas posições contrárias ao Magistério da Igreja], grande destruidor da doutrina católica, que ostensivamente abençoou uma feminista lésbica, cujos escritos são um escândalo para todos, e convidando ao Sínodo personalidades conhecidas por suas teorias “desconstrucionistas”?

Boas razões certamente podem ser invocadas para contradizer os exemplos citados, mas eles são muito reais. É claro que estes fatos desapontaram um grande número de dignitários da Igreja, mesmo dentre aqueles mais próximos do Papa, e desorientaram muitos católicos.

O mundo emprega todos os meios para a destruição final da Igreja. Possa cada um de seus membros, no nível que lhe for possível, trabalhar para preservar a sua doutrina com base nos Evangelhos e no respeito à tradição multissecular.

10 Comentários to “O Papa na tormenta.”

  1. “O mundo emprega todos os meios para a destruição final da Igreja.”

    Imaginem quando cada nação, diocese ou paróquia forem senhores da sua própria doutrina, da sua própria Verdade… Será isso o que o Papa Francisco quer dizer com “descentralização saudável” e “conversão do papado”?

    http://www.voanews.com/content/pope-francis-calls-for-decentralization-of-catholic-church/3011982.html

  2. Mais uma vez peço perdão a Deus, mas para o bem da Igreja e a salvação das almas que o ponrificado de Sua Santidade o Papa Francisco seja o mais breve possível. Em – XC

  3. O papa Francisco até que tem boa intenção, mas não sei se passa disso, pois suas idéias são muito superficiais e pessoais, comparadas às de Bento XVI, por exemplo.

  4. 2 relativistas x 2 tradicionais:
    Para defender o Sínodo progressista o Le Point encontrou D Gaillot, recentemente recebido pelo Papa, que lhe daria, acredita-se, uma nova legitimidade para dizer disparates.
    “Não é o casamento gay ou recebimento de divorciados que irá destruir a família tradicional. O que mina os casais é o desemprego, a precariedade, a prisão; o casamento entre homossexuais não é uma ameaça à familia tradicional”.
    … “O papel da Igreja é o de apoiar, aliviar e não impor novos encargos. Nós não estamos lá para promulgar. Precisamos dar uma chance para um segundo casamento. Da mesma forma, a sociedade ofereceu mais espaço para os direitos dos homossexuais, é uma mudança agradável. Os homossexuais não são leprosos, eles têm a cidadania. Há cristãos entre eles que pedem uma bênção. Isto é importante. Este é o reconhecimento. Dois seres que amam, isso é o mais importante. Não se pode ir contra”.
    Na mesma direção…
    ..O Irmão Hervé Janson, Prior Geral dos irmãozinhos dos pobres, um dos dez eleitos superior geral no Sínodo, dia 15 pp na assembléia ridicularizou os ensinamentos dos Papas S João Paulo II e Bento XVI:
    “Sim, eles são divorciados novamente casados, gays, mulheres de famílias polígamas … eles são irmãos e irmãs de Jesus, então eles são a nossa família! (…) A Eucaristia é o alimento dos que estão no caminho para formar o Corpo de Cristo “.
    “Uma nova via emerge: a favor de uma comissão que rediscutiria estas questões, com teólogos, historiadores”.
    No front oposto:
    Após a intervenção do Cardeal Sarah, há outras intervenções sinodais notáveis que denunciam as prevaricações atuais adversarias da família e ao constante ensinamento da Igreja, como Dom Tomasz Peta, arcebispo de Astana (Cazaquistão), em 10/10 pp, referindo-se às famosas palavras de Paulo VI ditas em 1972: “Por alguma fissura o fumo Satanás entrou no templo de Deus”.
    “Estou convencido de que estas eram palavras proféticas do santo Papa, o autor da Humanae Vitae no sínodo ano passado; a fumaça de Satanás” estava tentando entrar na Sala Paulo VI”
    Já D Olivier de Germay, bispo de Ajaccio, no Sínodo dos Bispos sobre a família: “Não se pode acomodar o Evangelho ao sabor do relativismo circundante”!
    Tudo indica que teremos mais uma semana singular das Trevas x Jesus Cristo!

    • Uma semana… Imagina, estamos há dois mil anos nessa loucura de guerra que nunca termina. Rezemos para que “Venha a nós o Vosso Reino” e depressa!!!!

  5. A Paz e a Graça de Jesus,

    O artigo acima intitulado “O Papa na tormenta”, deixa claro, ao menos para mim, que somando-se as 5 (cinco) teses indicadas no artigo, só faltam 90 teses, para que as 95 Teses de Lutero tornem-se obsoletas!

    O dia “D” seria 31 de outubro de 2015, não sei ainda na porta de qual Igreja de Roma – poderiam ser divulgadas até em uma missa na Casa Santa Marta com direito a defesa de cada uma delas… já comemorando os quase 500 anos – para ser exato 498 anos – da ousadia de Lutero, a saber:

    “Em 31 de Outubro de 1517, Martinho Lutero afixou na porta da capela de Wittemberg 95 teses que gostaria de discutir com os teólogos católicos, as quais versavam principalmente sobre penitência, indulgências e a salvação pela fé. O evento marca o início da Reforma Protestante, de onde posteriormente veio a Igreja Presbiteriana, e representa um marco e um ponto de partida para a recuperação das sãs doutrinas. ”

    Seria o início da Reforma Franciscana! Só não sei se sã doutrina…

  6. Aqui está matéria completa feita sobre as palavras de Francisco no que se refere a tal “descentralização” da Igreja e outras questões referentes ao poder petrino (tem inclusive o áudio com trechos das palavras dele):

    http://br.radiovaticana.va/news/2015/10/17/papa_nos_50_anos_do_s%C3%ADnodo_igreja_e_s%C3%ADnodo_s%C3%A3o_sin%C3%B4nimos/1179996

  7. Eu estou achando estranho que esse sínodo não está recendo tanto destaque da mídia, ao contrário do sínodo do ano passado.

    Por que será?

  8. Há dois meses assisti a uma celebração da Santa Missa onde estavam presente trinta divorciados recasados Foi um ECCR – Encontro de Casais com Cristos de Recasados. Ocuparam os primeiros bancos já reservados. Era a missa de encerramento. Na pregação o padre não disse outra coisa senão que eles se sentissem acolhidos.

    Quanta prevaricação. Não dizer aquelas pessoas que estavam em pecado grave. Separados de Deus. Que falta de CARIDADE em nome de um “acolhimento” que mais parece sinônimo de omissão.

    Estou convicto que vá prevalecer – não estou pedindo a ninguém que baixe a guarda – a doutrina que divorciados em segunda união não poderão ter acesso à Divina Hóstia. E que só existe união legítima entre homem e mulher.

    Porém a tese do acolhimento(que Deus não permita) se prevalecer será terrível.

    E a tese da falta de caridade foi proposta:

    “Card. Braz de Aviz: recasados são parte da comunidade

    Cidade do Vaticano (RV) – “A comunhão com Jesus não é só Eucarística”: é o que lembra o Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, Card. João Braz de Aviz.

    Nas intervenções livres dos próximos dias, na Assembleia sinodal, Dom João reforçará meios para que os católicos recasados não se sintam excluídos da Igreja:

    “Nós encontramos nos documentos da Igreja a partir do Concílio, sobretudo, uma colocação em que a presença real de Jesus não é só na Eucaristia. As outras presenças também são reais, segundo uma palavra do Papa Paulo VI na Mysterium Fidei. A presença na Eucaristia, ele diz, é real por antonomásia, isto é, não pode ser diferente. É ‘A’ presença.”

    Outras presenças

    “Porém as outras presenças não são menos reais. Por exemplo, temos uma presença forte de Deus na Sua palavra. Jesus é o Filho de Deus, ele é o verbo feito carne. Então, neste sentido, esta presença da palavra dá a possibilidade de uma comunhão profunda com Jesus. Existe outra presença que o Concílio fala que é a presença nos sete sacramentos. Depois temos uma presença de Jesus que é na comunidade. O Concílio fala, lembrando Mateus 18,20, onde dois ou três estão reunidos em meu nome, eu estou no meio deles. Esta presença de Jesus é uma presença na comunidade. Ele não põe condições para esta presença: se são casados ou não, basta dois ou três que se reúnem no nome de Jesus. Esta é uma presença muito grande e a ser construída. Outra presença: tudo o que fizerem ao menor dos irmãos, vocês o fazem a mim: cada pessoa para mim é Jesus que eu posso amar. E isso põe em comunhão com Jesus de modo real. Há uma presença da Santíssima Trindade dentro de nós, porque pelo batismo recebemos esta presença.”

    Revisão da pastoral

    “Todas essas presenças indicam que a comunhão com Jesus não é só Eucarística, ali claro está uma comunhão completa. Se não se pode chegar a esta comunhão completa, no caso dos recasados, poderão também ter uma comunhão profunda dentro da comunidade. Só que precisamos também retirar muitas orientações que foram dadas no passado, que não são boas. Por exemplo, que uma pessoa não casada na Igreja não pode fazer a leitura da palavra de Deus. Por quê? Que a pessoa que não é casada na Igreja não pode ser padrinho de casamento ou de batismo. Por quê? Isso tudo hoje precisa ser um pouco revisto, porque já outros documentos superaram isso. A pessoa que se sente discípula de Jesus e parte da comunidade deve ser tratada como tal, e não rechaçada. Isso me parece importantíssimo hoje na mudança da nossa posição. Que sintam consolados dentro de si com essas presenças reais de Jesus.”

    (BF)

    http://br.radiovaticana.va/news/2015/10/15/card_braz_de_aviz_recasados_s%C3%A3o_parte_da_comunidade/1179461

  9. Deus no ajude e oriente os bispos a serem fiéis à Igreja