Crônicas do Sínodo – O drama Europeu.

Por Hermes Rodrigues Nery | correspondente de FratresInUnum.com em Roma – Saindo de Roma, seguimos para a Polônia, depois de ter passado uma semana conversando com vários cardeais e bispos, com apelo pela conjugação entre doutrina e pastoral, nas questões do matrimônio e família.

unnamedLembramos que é preciso combater as causas daquilo que vem fragilizando a instituição familiar, e não somente os efeitos, pois a família só será fortalecida quando tais causas forem apresentadas claramente de acordo com a sã doutrina, e combatidos os equívocos e toda ambiguidade que uma pastoral somente emocionalista possa provocar. Para que doutrina e pastoral façam conjugar verdade e caridade, requer a coragem e a solidez da fé. Muitos cardeais e bispos dizem concordar com isso, afirmam que a doutrina não será alterada, apesar dos temores por uma abordagem e metodologia que, na prática, tratem dos problemas existentes na superfície e não na profundidade necessária. A realidade da família tem suas exigências, que não podem ser minimizadas por apelos imediatistas.

Os dias em que ocorrem os trabalhos do Sínodo da Família coincidem com o período eleitoral na Polônia, que deve eleger uma bancada legislativa conservadora no pleito do próximo dia 25 de outubro, dia em que se encerra o Sínodo. Alguns debates ocorridos em Roma, nesses dias, têm refletido nas posições políticas dos poloneses, que concorrem aos cargos públicos. Conversando com autoridades, prelados, e o povo na rua, nas casas, etc, ouvi com atenção o que cada um tem a dizer sobre os temas candentes, enquanto observo como os poloneses driblam o frio intenso, com chás, sopas e caldos quentes, com lingüiça e ovo cozido, chás de framboesa, vodca com pimenta do reino e tudo mais, pois começou a nevar na Polônia, no dia 12 de outubro.

Todos acompanham com interesse as questões políticas, que envolvem também a Igreja. Na Polônia, falou-se mais abertamente do que se pensa, diferente dos dias em que passamos no Vaticano, onde um certo medo pairava sobre quem quisesse expor alguma opinião a respeito. Mas, na Polônia, quando indagados sobre o que consideravam mais problemático, atualmente, então diziam com franqueza o que pensam:

Do ponto de vista político, o problema mais sério, no momento, é a questão dos refugiados, que tem gerado uma angústia para muitos, inclusive do clero, que não sabem no que vai dar essa política que pressiona por abertura das fronteiras, para que as paróquias acolham os imigrantes, estando conscientes do que isso representa de risco, pelas forças políticas que fomentam tal iniciativa.

Houve quem [católico engajado em movimentos e pastorais da Igreja] não deixasse de expressar sua apreensão sobre as posições políticas de Francisco: “O problema de Francisco são suas posições políticas, as apostas que faz nesse campo, muitas delas conflitam, em alguns aspectos, com posições históricas da Igreja, pautadas em seu rico Magistério”, diz um pai de família numerosa, com vários filhos e netos, muito bem informado das coisas e que prefere conversar e refletir com as pessoas sobre o que está acontecendo, do que ficar somente na internet. E prosseguiu: “Televisão, então, é para constatar o nível de manipulação a que se chegou. Foi-se o tempo de apenas ver televisão e aceitar passivamente o que os telejornais dizem. Pelo contrário, muitos sabem que o que se passa nos telejornais são edições de notícias, versões de fatos, mera propaganda, mas é outra a realidade dos fatos, por isso, é preciso haver discernimento, e não está fácil para os católicos discernirem bem as coisas, porque muitos desconhecem, a fundo, o ensinamento da Igreja, que por séculos advertiu dos erros, não se compactuando com o mundo naquilo que é tentação e ilusão. O fato é que – continua — não se engana mais tão facilmente as pessoas  com propagandas de tevê, mas, muitos estão desinformados. Mesmo assim, há muitos que percebem quando alguma coisa não está indo bem, e, em se tratando da Igreja, o sensus fidei sinaliza sempre quando certas atitudes não correspondem ao verdadeiro ensinamento da Igreja. Mas há muitos, inclusive no clero, que prefere a conivência com o erro, por carreirismo, e agem com cinismo até se preciso, por isso prevalece o ceticismo entre tantos. Por isso fazem bem também, no caso da internet, alguns blogs que, saindo do politicamente correto, fazem o apostolado da conscientização”.

Nesse sentido, concordou um padre que celebrou no domingo de manhã, numa igreja em que fiéis se ajoelham para receber a comunhão na boca. Na Polônia tem-se preservado muito esse costume. Na hora do almoço, com novos caldos quentes e ensopados de carne, bem temperados, acrescentou: “Os nossos questionamentos são baseados na realidade e não na retórica”. Disse estar preocupado com a ideologização da fé, que não apenas ocorre na América Latina (quando a teologia da libertação ainda grassa por toda a parte, de diversas formas e com várias expressões), mas também com a instrumentalização da Igreja para fins políticos, em que se teme que poderão num futuro próximo criar mais problemas para os cristãos, especialmente numa Europa cada vez mais secularizada e descristianizada.

“É preciso apoiar iniciativas que reforçassem a identidade cristã no continente europeu e não que a fragilizasse cada vez mais”, recordando ainda que esse foi o tema da conversa de quarenta e seis minutos que teve com Bento XVI em Castel Gandolfo, em 28 de agosto de 2006, tempo de conversa este bastante longo para uma audiência [que geralmente dura quinze minutos], o que significou que para Bento XVI, esse é um x da questão, razão até pela escolha de seu nome como papa, o do santo padroeiro da Europa. “Tudo o que Bento XVI se esforçou em seu pontificado, também nesse sentido, e quis tanto evitar, está hoje desabando sobre todos, com toda intensidade e velocidade. Ele foi odiado pelo que falou em Regensburg, mas a história poderá dar razão a ele”.

E prosseguiu: “Angela Merkel parece que realmente não gostou nada do que Bento XVI expôs a ela naquele encontro, e a Alemanha de Kasper e tantos outros desafetos de Ratzinger apoia-se hoje numa política de pragmatismo e retórica, como um novo engano que pode trazer sérias conseqüências para todo o continente, por exemplo, com a política de abertura das fronteiras a grupos com fins políticos anticristãos”.

Enquanto temperava o ensopado com mais um pouco de pimenta do reino, concluiu: “Certo também estava Bento XVI [do ponto de vista político], quando inicialmente se opôs ao desejo da Turquia em integrar a União Européia, o que fez Ergodan odiá-lo; e hoje tantas forças políticas e religiosas, especialmente da Alemanha, são as que mais colaboram para uma política equivocada tanto em nível de continente europeu, como também dentro da Igreja. O papa alemão padece hoje, sem dúvida, um calvário, foi calado, está isolado e abandonado, pagando caro por suas decisões políticas, a meu ver acertadas. É o que penso a respeito.”

Explicou ainda que S. João Paulo II e Bento XVI tinham a mesma sintonia em relação à necessidade de afirmar e salvaguardar a identidade cristã da Europa. “Foi mesmo providencial que Karol Wojtyla tivesse assumido o trono de Sao Pedro, no final dos anos 70, um papa vindo da Polônia. Ele foi um gigante da fé, um apresença vigorosa e transbordante, por onde passou. A Europa precisava de um papa vindo de um país com um histórico de luta contra o nazismo e o comunismo, e com sólida fé católica”.

Ideologização da fé e instrumentalização da Igreja

A caminho de Niepokalanów, onde viveu S. Maximiliano Maria Kolbe, ficamos hospedados numa paróquia de produtores de maçã, e o pároco nos recebeu na hora do jantar. Conversamos sobre a situação atual da Igreja, manifestou ceticismo e apreensão, acentuando sua preocupação com a orientação política de Francisco. “A sua política em relação aos refugiados não conta com o apoio do povo e também com o de boa parte do clero. Veja, por exemplo, a situação da Dinamarca, lá os imigrantes não se adaptaram à cultura dinamarquesa, não integrando-se ao trabalho formal, mas continuam vendendo coisas nas ruas. É curioso: os europeus é quem têm que se adaptar à cultura dos imigrantes, mas eles não se esforçam em nada para se integrar à nossa cultura. Quem mais se favorece, nesse contexto é, sem dúvida, o Islã, que vai avançando cada vez mais. Com uma estratégia bem calculada de ocupação, avançam por uma Europa que parece estar capitulada. Mas, tenho esperança de que a Polônia, a exemplo do que já fez no passado, poderá resistir e salvar novamente a Europa.”

E ainda acrescentou: “Esse é a meu ver o maior drama europeu da atualidade, pois se a Europa diluir seu patrimônio cristão, sua identidade, que é a sua própria riqueza, então estará em risco toda a civilização, com as conseqüências já conhecidas de tal processo. Só o cristianismo poderá salvá-la a violência e da barbárie. A experiência histórica mostra isso, por isso Bento XVI estava certo quando quis nos advertir em relação a isso. A ideologização da fé [para fins políticos contrários ao cristianismo] e a instrumentalização da Igreja para tais fins, é o que penso ser o maior problema atual.”

Eu havia dito a ele que a minha estada em Roma, em dezembro de 1993, pude conversar com várias autoridades do Vaticano, e vivia-se um clima bem diferente lá. Todos parece que se orgulhavam de fazer parte da história do que criam ser um pontificado glorioso, onde havia disposição de cada um contar alguma peculiaridade, um fato visto edificante, etc. Lembro-me de Monsenhor Expedito Marcondes me apresentando as dependências da redação do L’Osservatore Romano, com a maior naturalidade, ou mesmo Dom Lucas Moreira Neves, com quem estive conversando, ou ainda Dom Geraldo Majella Agnello que me presenteou com uma das encíclicas de S. João Paulo II e com a maior solicitude. O que vi, no entanto, nesses dias do Sínodo da Família, foram funcionários apreensivos, cuidando de seus afazeres técnicos e burocráticos, sem a alegria daqueles tempos, salvo algumas exceções. Na sala coberta por tapetes e cobertores sobre as poltronas, enquanto olhava para uma das imagens de S. João Paulo II, ladeada pelo papa Bento XVI e S. Padre Pio de Pietrelcina, o pároco concluiu dizendo: “Temos medo do que possa fazer Francisco, medo de que ele extingua o celibato, o que seria terrível, e tantos outros motivos nos preocupam. Rezamos, é o que podemos fazer, porque acreditamos na força do Espírito Santo a proteger a Igreja, ontem, hoje e sempre. Os padres sabem que se falarem alguma coisa, haverá retaliação, então muitos se calam. Não sabemos que o poderá vir daqui para a frente, estamos inseguros. S. João Paulo II e Bento XVI nos deram segurança, nos fortaleceram na fé. Mas, não posso dizer o mesmo agora. O fato é que há um sentimento que poderia ser traduzido talvez assim: S. João Paulo II foi amado por todos nós, é amado ainda hoje. Bento XVI foi respeitado, sim, muito respeitado e até admirado. E Francisco é temido”. É o sentimento do momento. Tomara que tudo o que nos preocupa hoje seja dissipado pelos fatos, e que estejamos realmente equivocados. Rezemos!

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7 Comentários to “Crônicas do Sínodo – O drama Europeu.”

  1. Dois grandes papas que viram de perto a 2a Guerra Mundial, o Nazismo, o Comunismo, o Muro de Berlim, o Vaticano II… Tantas coisas. Tantas experiências da realidade que fizeram São João Paulo II e Bento XVI escrever coisas fantásticas sobre a Santa Fé, que agora são completamente desprezadas por uma alienação pessoal desprovida da experiência da realidade vinda da mente de um papa que não vivenciou praticamente nada do que seus antecessores vivenciaram, já que estes eram europeus. Isso chama-se devaneio mental, ou como diz nosso Prof. Olavo: “Masturbação mental”. E para variar, todos temos que engolir a seco todo esse angu criado a toa, sem qualquer necessidade, sem poder sequer dizer “não queremos, obrigado”. Esse autoritarismo desprovido de experiência da realidade, baseado numa teologia deturpada da caridade é um completo retrocesso e uma completa descontinuidade à possível hermenêutica da continuidade.

    Estamos assim: Dominados na mídia e no governo pela maçonaria, com uma cúria vaticana socialista, com uma europa prestes a tornar-se islamizada por estrangeiros, com uma América do sul cada vez mais decadente e protestate, e com a Igreja cada vez mais distante de seu ensinamento. Se outrora a fumaça havia entrado, hoje só não entrou o cachorro que o diabo deixou pra fora. Aliás, como dizia Santa Teresa: “Que isto, Deus meu?”.

    Onde lê-se: “…de fazer parte da história de um criam ser um pontificado glorioso, onde havia…” acho que ficou confuso de interpretar.

  2. “Temo, diz um pároco, que Francisco extinga o celibato”… De há algum tempo venho tendo o mesmo receio. Seria o tiro de misericórdia para a confissão dos pecados, como a facilidade para declarações de nulidade matrimoniais, poderá ser o tiro de misericórdia para o sacramento do matrimônio, para a família. Pelos pecados quanto ao sacramento do matrimônio, este está agonizando em estertores; pelos pecados contra voto de castidade perfeita, o celibato sacerdotal está agonizante, moribundo. Daí vem a “misericórdia modernista”, isto é, o último golpe para acabar de matar logo, o tiro de misericórdia.
    Rezemos e lutemos para que nada disso aconteça!
    Os modernistas desde já há muitos anos vem fazendo em ambos os casos (família e celibato) a aplicação de uma falsa liberdade, para colocar os fatos consumados. E agora, os velhos corifeus modernistas (Kasper, Daneels, Lehman e outros) parecem ver neste sínodo e neste papa, a hora mais azada e, pelo menos para eles, a última oportunidade de modificar a Igreja do “Povo de Deus”.
    Mas, repito sempre: a Santa Madre Igreja é divina. E Nosso Senhor Jesus Cristo, espera muito de nós nestas horas do poder das trevas.

  3. As apreensões do Prof Hermes com relação ao Sínodo das Familias – está sendo realmente direcionado às Famílias? – têm todo sentido, pois parece existir uma nevoa conspiradora dentro do Vaticano, muito poderosa, atuante e de um modelo com nuances típicos de movimentos socialistas!
    Dessa forma, seus apologetas sabem exteriormente encenar que tudo está maravilhoso, simulam aliviar o peso aos mais “prejudicados” pelo rigor das leis da Igreja – a grupos marginalizados, como gays, lésbicas, 2ªs uniões etc., – seria verdade, encenação teatral?
    A interpelação de D Tomasz Peta de dubio direcionamento do Sínodo está bem embasada pois, captadas essas tendências, admitir que a “Fumaça de Satanás” penetrou no Sínodo tem sentido, pois o esforço em se implantar o relativismo via cardeal Kasper e associados, sem repressão até agora do papa Francisco tem sido patente!.
    De fato, tudo indica que os possíveis conspiradores quereriam mesmo é se apresentarem como os salvadores e redentores desses sedizentes oprimidos, com novos modelos de doutrina eclesial, extinguindo ou mudando leis divinas até então vigentes por julgarem em suas mentes niilistas estarem inadequadas a nosso tempo, das quais esses grupos seriam “vítimas”.
    Poderia ter sentido, quem sabe, comparar o que se passa no Vaticano de provaveis ideologistas travestidos de religiosos com a farisaica “Opção Preferencial pelos Pobres” da falsaria Teologia da Libertação-TL, cujo objetivo primordial tem sido manipular os oprimidos e incautos para tomar o poder e depois os subjugar.
    Uma temos visto ostensivamente: pouco ou quase nada concernente à repressão a modelos socialistas radicalmente anticristãos e a aliados dos proponentes dessas ideias totalitaristas, escravagistas, até agora nada a eles se aludiu de forma repressiva; enquanto isso, os inimigos dos dois grandes pontífices anteriores estarem muito entusiastas é péssimo sinal!
    Quanto à recepção de inimigos do cristianismo os diabólicos do Islã nos países europeus ou onde for, seria condenar á morte os futuras gerações pois, além não se adequarem ao Ocidente, expulsarão os anfitriões – criarem serpentes dentro do próprio lar!
    Não caiamos nas propostas políticas de acolhimento do papa Francisco aos pagãos do Islã querendo nos matar e já chegam uivando: Allahu Akhbar”!

    !

  4. “A Igreja, nos últimos tempos, será espoliada da sua virtude. O espírito profético esconder-se-á, não mais terá a graça de curar, terá diminuta a graça da abstinência, o ensino esvair-se-á, reduzir-se-á – senão desaparecerá de todo – o poder dos prodígios e dos milagres.”. (cf Moralia in Job, XXIX – São Gregório Magno).
    A sociedade atual da tecnologia e midia globalista permite um acesso quase irrestrito a todo tipo de informação, divulgação de filosofias, pensamentos ou ideais, daí como uma faca de dois gumes: quem tem firme base filosófica, moral e cultural cristãs mais se solidifica e identifica noutras informações pontos contrários a suas convicções.
    Doutro lado, aos deficientes do acima, pela da torrente de noticiarios são deformados, transformados em simples instrumentos de interesses ideológicos, o que mais existe.
    É o que têm feito com a Igreja – dentro dela os maiores desafetos – cuidando que imploda e se ajuste ao existencialismo atual, como nesse Sínodo, infiltrados relativistas, loquazes e prepotentes planejando massificar os cristãos com uma doutrina alienante, afastando da fé católica para dominarem o mundo por meio de um único governo mundial.
    A Igreja católica é o último obstáculo a ser transposto, particularmente facilitado pelos Judas da Alta Hierarquia!

  5. Tenho que o dizer o seguinte: a grande maioria dos cardeais que rodeiam o papa francisco, são tão frágeis intectualmente, superficiais e de um desconhecimento total da doutrina, da história da igreja e do que se passa por exemplo nas seitas protestantes que perderam os seus fiéis quando decidiram enveredar por um caminho parecido. É difícil de acreditar no que se está a passar…

  6. Lamentavelmente ouso discordar quanto ao Pontificado de João Paulo II: doutrinariamente alinhado com a teologia modernista, moralmente um fracasso do clero, para não dizer que a Congregação da Doutrina da Fé era presidida pelo hoje Papa emérito, um dos corifeus do modernismo no Concílio, aquele que, segundo Karl Rahner, tornou suas teses palatáveis aos padres conciliares. Isso para não falar do famigerado Encontro de Assis.
    O Papa Francisco é a aplicação concreta do pensamento defendido no Concílio Vaticano II.
    Portanto, com todo respeito e consideração que o Prof. Hermes merece pelo seu trabalho, lamentar as consequências de certas idéias sem ir fundo nas causas, é não buscar a solução correta dos problemas.
    A causa de tudo isso tem nome e endereço: Concílio Vaticano II que criou os “Estados Gerais” na Igreja.
    Há um ambiente de permanente Revolução.

  7. É o que eu penso comigo mesmo: Francisco está fazendo de Bento XVI e João Paulo II os maiores Papas, ao menos da era moderna. E o que se falava sobre esses Papas , quando estes reinavam, era completamente diferente do que agora se diz. Antes eram críticas baseadas em ações desses Papas, de doutrinas ambíguas, etc. Agora para esses Papas são só elogios. Eis o que Francisco está conseguindo fazer. Limpar o que houve de errado nos dois reinados anteriores. Até Paulo VI está a se tornar um baluarte da Fé.

    Saudades de Pio XII, São Pio X, São Pio V, Leão XIII, Pio IX. Onde a linguagem e os documentos eram tão claros que não precisava vir ninguém a exigir explicações ou hermenêutica da continuidade. Onde as ações eram tão compatíveis com o evangelho, que não precisava vir nenhum cleaner a nos explicar que não entendemos bem o comportamento do Papa, como se Assis, elogios a Lutero, muro das lamentações, pudessem ter alguma explicação lógica.

    Não estou a demonizar os dois Papas anteriores, que tiveram suas virtudes e defeitos como todos os outros. Mas daí a colocá-los como modelos de papado vai uma grande distância.

    São Pio X, rogai por nós;