Cardeal Burke: Fico feliz por ser chamado de “fundamentalista” se isso significa defender os pilares da Fé.

Por Life Site News | Tradução: Teresa Maria Freixinho – FratresInUnum.com: Se ser “fundamentalista” significa defender os pilares da Fé Católica, então, o Cardeal Raymond Burke fica feliz por ser chamado assim.

“Se fundamentalista significa alguém que insiste nas coisas fundamentais, sou um fundamentalista,” ele disse ao jornal italiano Il Foglio na semana passada.

O Cardeal, ex-prefeito da Assinatura Apostólica, o supremo tribunal do Vaticano, atual patrono da Soberana Ordem Militar de Malta, foi indagado sobre o rótulo que recebeu por sua oposição explícita a mudanças na prática pastoral em relação às pessoas em “uniões irregulares,” como parte da discussão em curso no Vaticano durante o Sínodo Extraordinário da Família.

Em meio ao controverso Sínodo, que está acontecendo em Roma, Burke contou ao LifeSiteNews que acha engraçado ser chamado dessa maneira.

Ao mesmo tempo, ele não tem papas na língua quando se trata do papel da Igreja no mundo e da parte que ele desempenha como um de seus príncipes. O Cardeal afirma que ele não ensina ou age por si, mas por Deus.

“Pertenço a Cristo,” ele disse ao Il Foglio. “Ajo em Sua pessoa. Ensino somente o que Ele ensina em Sua Igreja, porque essa doutrina irá nos salvar.”

O Cardeal Burke rejeitou o uso de rótulos, porque, segundo ele, rotular uma pessoa é desprezar a verdade que essa pessoa apresenta, mas deixou claro o rótulo que efetivamente aceita. “Sou Católico Romano,” afirmou. “Espero sempre sê-lo.” Ele também espera que ao final de sua vida digam que ele morreu nos braços da Igreja.

O Cardeal Burke tem falado com franqueza, tanto no Sínodo do ano passado quanto no deste ano, sobre a importância de preservar a fé na doutrina da Igreja.

Ambas as sessões do Sínodo têm envolvido debates sobre a maneira de ajudar os católicos que se encontram em situações de pecado, como, por exemplo, os divorciados e recasados no civil e os homossexuais. Os prelados liberais no Sínodo defendem a permissão da Comunhão às pessoas nessas situações, enquanto os bispos mais ortodoxos têm defendido a preservação dos princípios da Igreja, segundo os quais a Eucaristia deve ser reservada às pessoas que não se encontram em pecado grave.

O Cardeal Burke participou do Sínodo do ano passado como membro da Cúria Romana, mas, posteriormente, foi destituído pelo Papa Francisco de seu cargo como chefe da Assinatura Apostólica.

Uma tentativa primária por parte daqueles que promovem um desvio do preceito da Igreja acerca da recepção da Comunhão tornou-se conhecida pelo nome de “Proposta Kasper,” por ter sido apresentada pelo cardeal alemão Walter Kasper há algum tempo. Essa proposta visa permitir a Comunhão aos católicos divorciados e recasados sem que precisem renunciar ao pecado.

A proposta suscita uma reação característica do Cardeal Burke – a clareza pastoral. “A posição do Cardeal Walter Kasper não é compatível com a doutrina da Igreja sobre a indissolubilidade do matrimônio e a sagrada comunhão”, ele disse. “Certamente, o Santíssimo Sacramento é para os pecadores – que somos todos nós – mas para pecadores arrependidos.”

A discussão acerca da proposta de Kasper no Sínodo tem criado grande confusão, diz o Cardeal Burke. Agora as pessoas estão supondo que a Igreja mudou sua doutrina, ou que alguns bispos simplesmente estão permitindo que católicos que não estão em estado de graça recebam a Comunhão.

“Não há dúvida de que a confusão já é grande,” ele disse, “e a Igreja, pelo bem das almas e por seu testemunho fiel de Cristo no mundo, deveria afirmar claramente sua doutrina perene sobre a indissolubilidade do matrimônio e a Sagrada Comunhão.”

Autor de um livro dedicado ao Sacramento da Eucaristia Divine Love Made Flesh: The Holy Eucharist as the Sacrament of Charity, o Cardeal Burke diz que a Igreja deve renovar sua catequese sobre a verdade da Eucaristia como pilar da Fé Católica. Ela também deve ensinar a verdade sobre o matrimônio.

“Por sua paixão, morte, ressurreição e ascensão, Cristo também elevou o sacramento natural, como participação do sacramento divino e sobrenatural, conferindo aos casados a graça de viverem fielmente até o fim a verdade do estado conjugal,” ele afirmou. “Se a Igreja mudasse a doutrina sobre a indissolubilidade do matrimônio sacramental, ela atacaria o sacramento do matrimônio como natural, matrimônio como Deus o criou desde o início.”

O Cardeal Burke não se perturba com qualquer crítica que insinue que ele é um fundamentalista, dizendo que de modo algum ele está fechado para o mundo e a crise que ele enfrenta.

“Ele (o mundo) está confuso e equivocado a respeito da verdade mais fundamental: a inviolabilidade da vida humana, a integridade do matrimônio e seu fruto incomparável, a família, assim como a respeito da liberdade religiosa como expressão da relação insubstituível com Deus. Por essa razão, olho para o mundo com compaixão verdadeira, que oferece ao mundo a verdade no amor.”

Os padres da Igreja devem falar a verdade aos seus rebanhos, ele disse. “Um padre que – ao se deparar com a situação da cultura contemporânea – não anuncia a verdade claramente, não pratica a caridade pastoral,” disse o Cardeal Burke, “e está deixando de dar o testemunho inerente ao seu cargo.”

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8 Comentários to “Cardeal Burke: Fico feliz por ser chamado de “fundamentalista” se isso significa defender os pilares da Fé.”

  1. Graças ao Bom Deus, que temos “fundamentalistas”!
    O avanço dos ativismos, e ativistas, infesta todos os níveis da sociedade humana!

  2. Antes fundamentalista do que ativista, conformista e MODERNISTA.

  3. Quem dera que fòssemos todos fundamentalistas do modelo Cardeal Burke!
    Ao menos nos pareceríamos tão fundamentalistas como os primeiros cristãos que enfrentavam os leões e espada; o mundo não seria como està e governos material-ateìstas ferozmente alienando a sociedade não estariam se espalhando mundo afora, a começar dos redutos cristãos, com bènçãos e agua benta justamente dos que deveriam os exorcizar de nosso meio!
    Jà ouvi milhares de homilias onde frequento e noutros locais hà muitos anos e, às vezes, relatandp os problemas atuais – que paradoxo – ao invès de descreverem os AUTORES e CAUSAS, ficam apenas enumerando os MALÈFICOS EFEITOS!
    Exemplo: quanta violência, falta de amor, de misericordia, quanta incompreensão, avidez por dinheiro, sequestros, corrupção na polìtica, assaltos…
    No entanto, onde està a ousadia de quem deveria dos altos dos telhados defender a justiça, proclamar a verdade ao povo: “estamos sob um governo diabòlico do PT, do genocida marxismo, que odeia o Senhor, perseguidor de sua Igreja e doutrina, quer perverter a sociedade, etc etc., assunto e complementos não faltam, sob o comando dos comunistas Lula, Dilma e asseclas principais – nunca, jamais ouvi, duvidando que ainda ouça em homilias às S Missas!
    Em compensação… Estou começando a sentir calos no ouvido de tanto ouvir falar em compreensão, misericórdia, acolhimento (promoção ao pecado), jà que tudo indicaria por desejarem dar status a pecadores refratários dentro da Igreja a nível dos fieis!
    Já imaginou homossexuais e recasados dissertando acerca da virtude da pureza e esses sobre a fidelidade no amor?
    Sò se for na seita do Cardel Kasper e Ass.!

  4. Estão querendo impor uma nova forma de vida, tal qual sucedeu no início dos anos 60. Mas esqueceram que não vivemos no impacto de uma revolução como se deu nesse período, porque vivemos ainda no cauda do cometa dos anos 60. Estamos no fim de um ciclo revolucionário. Não existe mais, pelo menos na mesma proporção, a desconsideração pelo passado. Não há mais um otimismo pelas maravilhas do tempo vindouro. Há, sim, desconfianças. E não há tanta pasmaceira e otimismo como existiram no clero o que possibilitou a vitória dos modernistas no Concílio Vaticano II. Não que o clero fosse inteiramente modernista, mas era descuidado. Hoje surgem algumas vozes fortes, poucas é verdade, mas uma das que mais ecoa é a do Cardeal Burke. Quantos o ouve? Pelo menos a Providência o ouve, o que é muito bom para ele.

  5. Este senhor o Cardeal Burke me representa !!!!
    Que alegria em saber que Ele é um verdadeiro Apóstolo de Cristo, nunca deixou de sê-lo.
    “Sr. Jorge Mário Bergóglio”, Padres Sinodais, Por favor não esperem que as pedras tenham que dizer a VERDADE.

  6. Un giorno il padre cappuccino P. M., che lo accompagnava, dice a Padre Pio: «Ma, Padre, se continuate così, voi svuotate la chiesa». Risposta:

    «Meglio una chiesa vuota che profanata».

  7. “Eu vos pergunto: onde estão os verdadeiros sinais da Igreja? Estão eles na Igreja oficial (não se trata de Igreja visível, mas da Igreja oficial) ou conosco, no que representamos, no que somos? É evidente que somos nós que guardamos a unidade da fé, que desapareceu da Igreja oficial. Um Bispo acredita nisso, outro já não acredita, a fé é diversa, seus catecismos abomináveis estão cheios de heresias. Onde está a unidade da fé em Roma?
    Onde está a unidade da fé no mundo? Fomos nós que a guardamos. A unidade da fé espalhada no mundo inteiro é a catolicidade. Ora, esta unidade da fé no mundo inteiro, não existe mais, não existe mais catolicidade. Existem tantas Igrejas católicas quantos Bispos e Dioceses. Cada um possui sua maneira de ver, de pensar, de pregar, de fazer seu catecismo. Não existe mais catolicidade.
    E a Apostolicidade? Eles romperam com o passado. Se eles fizeram algo, foi exatamente isso. Eles não desejam mais o que é anterior ao Concílio Vaticano II. Vede o Motu proprio do Papa que nos condena, ele diz muito bem: “a Tradição viva é o Vaticano II”: não se deve reportar mais a fatos anteriores ao Vaticano II, isso não significa nada. A Igreja guarda a Tradição de século em século. O que passou passou, desapareceu. Toda a Tradição encontra-se na Igreja de hoje. Qual é esta Tradição? A que ela se liga? Como ela se liga ao passado?
    É o que lhes permite dizer o contrário do que foi dito outrora, sempre pretendendo que somente eles guardaram a Tradição. É o que nos pede o Papa: que nos submetamos à Tradição viva. Nós possuiríamos um conceito equivocado de Tradição, visto que ela é viva e evolutiva. Mas, isto é o erro modernista: o Santo Papa Pio X, na encíclica Pascendi, condenou estes termos: “Tradição viva, Igreja viva, fé viva”, etc, no sentido que os modernistas os entendem, ou seja, da evolução que depende das circunstâncias históricas. A verdade da Revelação, a explicação da Revelação, dependeria das circunstâncias históricas.
    A Apostolicidade: nós nos vinculamos aos Apóstolos pela autoridade. Meu sacerdócio vem através dos Apóstolos; vosso sacerdócio vem através dos Apóstolos. Nós somos filhos daqueles que nos deram o episcopado. Nosso episcopado descende do Santo Papa Pio V e através dele chegamos até aos Apóstolos. Quanto à Apostolicidade da fé, nós cremos na mesma fé que foi a dos Apóstolos. Nós não mudamos nada e nem queremos mudar nada.
    E, enfim, a santidade. Não nos faremos louvores e cumprimentos. Se não quisermos considerar a nós mesmos, consideremos os outros, e consideremos os frutos de nosso apostolado, os frutos vocacionais, de nossas religiosas e também dentro das famílias cristãs. Boas e santas famílias cristãs germinam, graças a vosso apostolado. É um fato, ninguém o pode negar.
    Tudo isso mostra que somos nós que possuímos os sinais da Igreja visível. Se ainda existe uma visibilidade da Igreja hoje em dia, é graças a vós. Estes sinais, não se encontram mais nos outros. Não existe mais neles unidade da fé; ora, é precisamente a fé que é a base de toda a visibilidade da Igreja.
    A catolicidade é a fé no espaço. A Apostolicidade é a fé no tempo, e a santidade é o fruto da fé, que se concretiza nas almas pela graça do bom Deus, pela graça dos sacramentos”.
    ( DOM MARCEL LEFEBVRE)

    E de pensar que muitos conservadores que antes aplicavam pejorativamente aos Bispos da SSPX o rótulo de “fundamentalista”, estão tendo que sofrer na pele perseguição semelhante!