Cardeal Burke: O relatório final sobre o Sínodo é ‘falacioso,’ pois carece de ‘clareza’ sobre a indissolubilidade do matrimônio.

Por LifeSiteNews, 26 de outubro de 2015 | Tradução: Teresa Maria Freixinho – FratresInUnum.com: ROMA – O Cardeal Raymond Burke está levantando graves receios a respeito do relatório final do Sínodo sobre a Família, afirmando que ele é falacioso e carece de clareza sobre uma doutrina católica fundamental.

Em comentários a Edward Pentin, do National Catholic Register, Burke discordou da seção intitulada “Discernimento e Integração” — parágrafos 84-86 — que trata dos católicos batizados que são divorciados e recasados no civil.

Segundo ele, a seção causa “preocupação imediata por causa de sua falta de clareza em um tema fundamental da fé: a indissolubilidade do vínculo matrimonial, ensinada a todos os homens tanto pela razão quanto pela fé.”

O relatório final do Sínodo, que não tem peso magisterial e não altera a doutrina ou a disciplina prévia referente à Comunhão para os divorciados e recasados no civil, exorta os católicos divorciados e recasados no civil a “serem mais integrados nas comunidades cristãs das diversas maneiras possíveis.”

“A lógica da integração é a chave para o acompanhamento pastoral dessas pessoas, de modo que atualmente elas sabem apenas que pertencem ao Corpo de Cristo, que é a Igreja, mas que podem ter uma experiência alegre e frutuosa dessa realidade,” afirma uma tradução inglesa do relatório, acrescentando que os pastores devem “discernir” cada caso de uniões não sacramentais.

Burke disse a Pentin que “integração” é um “termo mundano e teologicamente ambíguo.”

“Não vejo como isso pode ser ‘a chave do acompanhamento pastoral daqueles que estão em uniões matrimoniais irregulares.’ A chave interpretativa do cuidado pastoral deles deve ser a comunhão fundada na verdade do matrimônio em Cristo, que deve ser honrado e praticado, mesmo se uma das partes do matrimônio tiver sido abandonada pelo pecado da outra parte.”

“A graça do Sacramento do Santo Matrimônio fortalece o cônjuge abandonado a viver com fidelidade o vínculo matrimonial, continuando a buscar a salvação do esposo que abandonou a união matrimonial.”

“Desde minha infância conheço — e continuo encontrando — católicos fiéis cujos matrimônios, de alguma maneira, foram arruinados. Eles acreditam na graça do Sacramento, continuam acreditando na fidelidade do seu matrimônio. Eles olham para a Igreja em busca desse acompanhamento, que os ajuda a permanecer fiéis à verdade de Cristo em suas vidas,” disse.

Quando o relatório do Sínodo prossegue e cita o parágrafo 84 da Familiaris Consortio de São João Paulo II sobre a obrigação dos pastores de exercerem o “discernimento cuidadoso de situações” no que tange as uniões irregulares, Burke chamou o uso da citação de “falaciosa.”

“Embora, no nº. 84, o Papa São João Paulo II reconheça as diversas situações daqueles que estão vivendo em uma união irregular e exorte os pastores e toda a comunidade a ajudá-los como verdadeiros irmãos e irmãs em Cristo em virtude do Batismo, ele conclui: ‘Entretanto, a Igreja reafirma a sua prática, que se baseia nas Sagradas Escrituras, de não admitir à Comunhão Eucarística as pessoas divorciadas que se recasaram.’”

“Então, ele recorda o motivo para a prática: ‘o estado e a condição de vida dessas pessoas objetivamente contradiz essa união de amor entre Cristo e a Igreja, que se expressa e realiza pela Eucaristia.’ Ele também observa corretamente que uma prática diversa induziria o fiel a ‘incorrer em erro e confusão com relação à doutrina de Cristo sobre a indissolubilidade do matrimônio,’” ele disse.

O cardeal liberal austríaco Christoph Schönborn afirmou que a palavra “discernimento” é a chave para compreender inteiramente a passagem do relatório final que trata das situações matrimoniais irregulares, dando peso à especulação de que o termo será usado para admitir os divorciados recasados no civil à Comunhão.

Porém, o Cardeal Francis Arinze da Nigéria disse ao LifeSiteNews na semana passada que as pessoas em situações objetivamente pecaminosas não podem receber a Comunhão.

“Existe o mal objetivo e o bem objetivo. Cristo tem uma palavra para aquele que [se divorcia de sua esposa e] se casa com outra, ‘adultério’. Não sou eu que digo isso. É o próprio Cristo, que é humilde e manso de coração, que é a verdade eterna. Portanto, ele sabe o que está dizendo.”

“Esse é o caso que São Paulo mencionou ao dizer: ‘Que cada um se examine a si mesmo, e assim coma desse pão e beba desse cálice. Aquele que o come e o bebe sem distinguir o corpo do Senhor, come e bebe a sua própria condenação [I Cor 11, 28-29].’ Isso é muito severo,” ele acrescentou.

6 Comentários to “Cardeal Burke: O relatório final sobre o Sínodo é ‘falacioso,’ pois carece de ‘clareza’ sobre a indissolubilidade do matrimônio.”

  1. A ordem das atuais ideologias apoiadas pela mídia globalista que tanto combatem a Igreja é apenas uma: lancem a confusão em meio aos fieis, usem todo tipo de eufemismos e dubiedades textuais, provocando uma autêntica LUTA DE CLASSES no âmbito religioso!
    E o verdadeiro pastor de almas D Burke tem toda razão: oportunizará eclodir uma autêntica babel; dessa forma, desde a alta hierarquia até aos fieis, grupos batendo-se entre si, encaixando-se tal qual dentro dos parâmetros nas seitas protestantes que desentendem-se entre si e o relativismo impera absoluto!
    “Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo. 1 Cor 1:12
    A tática fraudulenta é a mesma dos socialistas para subirem e se manterem no poder: quando falam em “democracia” quer dizer “ditadura comunista”; “povo” quer dizer “partido e movimentos sociais” que são suas milícias; “justiça social” equivale a se juntarem aos milionários para expoliarem os pobres e dividirem entre si o fruto da pilhagem e daí prá frente – tudo cenas de teatro para ludibriarem!
    Nosso caso: “integração” significaria receber os recasados – até mesmo os homôs – nas condições em que estão sem os “discriminarem”; acolhê-los, integrá-los na Igreja nas diversas funções paroquiais e eclesiásticas equivalentes aos outros fieis, incl. como catequistas etc.
    Já “discernimento” seria o sacerdote entender mediante as lamurias dos acima que o esse “filho da Igreja” não pode ser jogado às traças, tido como fora da Igreja, como antes, nada disso: merece toda nossa “consideração e respeito”!
    Dessa forma, essa nova Igreja começaria assim, cada um se apresentando como sendo: sou da igreja do grupo do pastor D Küng, ou da igreja do grupo do pastor D Hummes, ou da igreja do grupo do pastor D Schöenborn, ou da igreja do pastor D Kasper, ou um “fiel” dizendo do recém aposentado: eu era da igreja de D Demétrio Valentini…

  2. Ele disse falacioso? Esse cardeal passará rapidamente pelo crivo da “misericórdia”.

  3. Pensando com meus botões…caso o padre q acompanha o “casal recasado” admita-os à comunhão, o casal não será condenado por isso. Se um pastor da Igreja, devidamente ordenado para conduzir as ovelhas assim o faz, se alguém tem que ser condenado, esse alguém é o padre.

  4. Lilian, Nosso Senhor é bastante claro em relação a isso:

    Deixai-os! Eles são guias cegos guiando cegos. Se um cego conduzir outro cego, AMBOS cairão no mesmo buraco”.

    O casal “recasado” sempre soube que não poderia comungar devido ao seu estado de adultério, mas aí sabe-se lá porque motivo viram a “portinha da esperança” se abrir e resolveram procurar aquele padre bem liberal que os admita à comunhão. AMBOS são cegos e guias de cegos e Jesus não diz que será castigado apenas o guia que conduzir um cego para o buraco. AMBOS cairão no mesmo buraco.

  5. É a típica linguagem das últimas décadas. O CV-II inaugura essa linguagem menos masculina, mais adocicada. Isso não é misericórdia; e isso não é bom no sentido em que a intencional ambiguidade gera, na prática, consequências danosas aos fiéis, à comunidade e à Igreja. Sugiro que vocês leiam os documentos dos papas Pio IX, Pio X, Pio XII, Leão XIII para observar o fenômeno. Claros, diretos, precisos, suficientes Sim sim, não não. A verdade não é atacada nem posta numa zona de penumbra.

  6. O que podemos esperar de um Papa falacioso??? Fatos e conclusões falaciosos….