Reflexões sobre temas da Sagrada Escritura: Pedro, Príncipe dos Apóstolos.

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

“… Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja…” (S. Mateus, XVI, 18)

Foi somente a Pedro que Jesus Cristo fez esta promessa insigne: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”. Foi a Pedro que o Senhor falou: a um só, a fim de fundar a unidade por um só. Ouçamos São Cirilo de Alexandria:

“Efetivamente, sem nenhum preâmbulo, Ele designa pelo seu nome tanto o pai do apóstolo como o próprio apóstolo (Feliz és tu, Simão, filho de Jonas), e não mais permite que o chamem Simão, reivindicando-o doravante como seu em virtude do seu poder; depois, por uma imagem muito apropriada, quer que o chamem Pedro [Kefas=pedra], porque ele é a pedra sobre a qual devia Ele fundar a sua Igreja”.

roma-sao pedro

“Segundo este oráculo, –  diz o papa Leão XIII, – é evidente que, pela vontade e por ordem de Deus, a Igreja foi  estabelecida sobre o bem-aventurado Pedro, como o edifício sobre o seu alicerce. Ora, a natureza e a virtude própria do alicerce é dar a coesão ao edifício pela conexão íntima das suas diferentes partes; é ainda ser o liame necessário da segurança e solidez da obra inteira: se o alicerce desaparece, todo o edifício desmorona. O papel de Pedro é, pois, suportar a Igreja e manter nela a conexão, a solidez de uma coesão indissolúvel. Ora, como poderia ele desempenhar semelhante papel se não tivesse o poder de mandar, de proibir, de julgar, numa palavra, se não tivesse um poder de jurisdição próprio e verdadeiro? É evidente que os Estados e as sociedades só podem subsistir graças a um poder de jurisdição. Um primado de honra, ou ainda o poder tão modesto de aconselhar e advertir, que é chamado poder de direção, são incapazes de emprestar a qualquer sociedade humana um elemento bem eficaz de unidade e solidez.

“Ao contrário, esse verdadeiro poder de que falamos é declarado e afirmado nestas palavras: ‘E as portas do inferno não prevalecerão contra ela’. – Comenta Orígenes: ‘Que quer dizer contra ela? Será contra a pedra sobre a qual Cristo edifica a Igreja? A frase fica ambígua; seria para significar que a pedra e a Igreja não são senão uma só e a mesma coisa? Sim, é esta, creio eu, a verdade: porque as portas do inferno não prevalecerão nem contra a pedra sobre a qual Cristo edifica a sua Igreja, nem contra a própria Igreja… A Igreja, sendo, como é, o edifício de Cristo, que sabiamente edificou ‘sua casa sobre a pedra’, não pode estar sujeita às portas do inferno; estas podem prevalecer contra todo aquele que se achar fora da pedra, fora da Igreja, mas são impotentes contra ela'”.

Jesus acrescentou ainda: ‘Eu te darei as chaves do reino dos céus’. É claro que Ele continua a falar da Igreja, dessa Igreja que Ele acaba de chamar sua, e que declarou querer edificar sobre Pedro como sobre o seu fundamento. A Igreja oferece, com efeito, a imagem não só de um edifício, mas de um reino; de resto, ninguém ignora que as chaves são a insígnia comum da autoridade. Assim, quando Jesus promete dar a Pedro as chaves do reino dos céus, promete dar-lhe o poder e a autoridade sobre a Igreja. ‘O Filho lhe deu (a Pedro) a missão de difundir pelo mundo inteiro o conhecimento do Pai e do próprio filho, e deu a um homem mortal todo o poder celeste, quando confiou as chaves a Pedro, que estendeu a Igreja até aos confins do mundo e que a mostrou mais inabalável que o céu’ (S. João Crisóstomo).

“O que se segue ainda tem o mesmo sentido: ‘Tudo o que ligares na terra será ligado também no céu, e tudo o que desligares na terra será desligado também no céu’. Essa expressão figurada: ligar e desligar, designa o poder de estabelecer leis, e também o poder de julgar e de punir. E Jesus Cristo afirma que esse poder terá tal extensão, tal eficácia, que todos os decretos emitidos por Pedro serão ratificados por Deus. Esse poder é, pois, soberano e inteiramente independente, por não ter na terra nenhum poder acima dele, e por abranger a Igreja toda e tudo o que à Igreja está confiado” (Extraído da Enc. “SATIS COGNITUM”, Leão XIII).

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4 Comentários to “Reflexões sobre temas da Sagrada Escritura: Pedro, Príncipe dos Apóstolos.”

  1. Que Jesus Cristo tenha fundado uma, somente uma Igreja, é a verdade que está evidenciada nos Santos Evangelhos e Jesus se referiu à sua Igreja no singular. “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”.(Mt. 16,18); “quem não ouve a Igreja seja tido por gentio e publicano” ( Mt. 18,17), isto é, pecador público.
    A Igreja é a extensão do Corpo de Cristo, conf Cl 1,18; 1, 24 etc.
    Ilógico é o raciocinio sectario-protestante em geral dizer que Jesus, ao dizer: “sobre esta pedra… ”, apontava o dedo para Si mesmo. Todo o contexto desmente essa suposição. Por ex.: “dar-te-ei as chaves… ”; “tudo o que ligares”…
    Assim sendo, apenas e unicamente a Igreja Católica é a verdadeira Igreja de Cristo; fora dela, são seitas de um protestantismo mais clássico ou do ramo recém criado, o carismático – pentecostalista, hoje em dia quase todas – que se infiltrou até na Igreja católica, com cultos muito similares, incl. em momentos muito hilariantes, senão quase histéricos!.
    Aliás, onde já se viu usar a 2ª pessoa do singular numa frase durante um coloquio e apontar para si, senão a outrem?
    A Igreja Católica é historicamente a única apostólica e as outras todas sedizentes cristãs são marginais, humano-fundamentadas, sendo que esses mesmos apóstolos a estabeleceram por toda a parte, agindo conforme a ordem e missão que Jesus lhes dera: “Ide, pois, e pregai o Evangelho a toda criatura”; “…a todas as nações”. Mc. 16,15; Mt 28,19 etc.
    Dessa forma, ela tem realizado essa divina missão, não obstante as guerras movidas pelo Demônio e os seus aliados, promovendo heresias, seitas e falsas religiões opositoras que sempre a assediam; prejudicam, mas não a suprimem sua missão.
    Lamentável que, de décadas para cá, lentamente vem perdendo seu vigor missionário, acuando-se; então, de alguns poucos anos para cá, quase tenha deixado de lado a missão de conversão e, ao inverso, certos membros dela praticamente querendo levarem a Igreja para o sincretismo ou parodiarem seus ensinamentos, como via audaciosos comportamentos relativistas dos inimigos internos – os piores – como os Cardeais Kasper & Ass…

  2. Parabéns ao Padre Élcio por suas profundas reflexões sobre as Escrituras fundamentadas em Patrística!
    Há muito tempo eu havia adotado o mesmo método para ler a Bíblia, ou seja, ao invés de confiar no “livre exame” como fazem os protestantes, sempre procurei me guiar pelos comentários de Santos e Doutores da Igreja sobre os Evangelhos.
    São Cirilo de Alexandria, São Gregório, Santo Agostinho e S. João Crisóstomo estão entre os meus favoritos e eu os recomendo àqueles que ainda tem a infelicidade de ter padres como Himeneu e Fileto em suas paróquias Novus Ordo:

    “Além disso, a linguagem deles corrói como gangrena; entre os quais se incluem Himeneu e Fileto.
    Estes se desviaram da verdade, assegurando que a Ressur­reição já se realizou, e estão perver­tendo a fé de alguns”. (2Tm 2.18)

    Os revolucionários conciliares nos mostram muito claramente que eles já não acreditam mais nas próprias palavras de Nosso Senhor. Porque sua exegese das Escrituras, seja lá qual for, é fundamentada sobre princípios modernistas, que os leva a racionalizar o significado claro das palavras de Nosso Senhor e/ou até a duvidar de que Ele alguma vez as tenha falado em primeiro lugar.
    Nosso Senhor, no entanto, quis dizer muito mais do que cada palavra registrada nas Sagradas Escrituras. Ele mesmo disse que quando viesse o Espírito Santo, esse nos revelaria e nos convenceria do significado de cada passagem, de cada palavra inerrante que se encontra nelas porque cada palavra foi escrita sob a inspiração divina da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, Deus o Espírito Santo.

  3. A corrente biblista que veio do modernismo dentro da Igreja acabou provocando em mim uma certa ojeriza pela leitura direta das Sagradas Escrituras.

    Mas, assim, as leituras dadas por um padre e com seu acompanhamento, me tranquiliza.

    Pois que se faz muito hoje, em várias paróquias do Brasil, é substituir os rudimentos da fé, ou seja, a catequese; por bíblias nas mãos de leigos para ensinar leigos recém chegados.

    E NÃO EXISTE MANEIRA MAIS EFICAZ DE DESTRUIR A DOUTRINA CATÓLICA DO QUE DAR BÍBLIAS PARA O POVO LER E, DESSAS LEITURAS, PERMITIR QUE TIREM SUAS PRÓPRIAS CONCLUSÕES.

    No entanto, no seu método, o senhor, Pe. Élcio; dá-nos o ensino sob a luz do Sagrado Magistério, ensinando-nos as verdades de fé.

    No tema abordado, ensina um dos artigos do Credo – Símbolo dos Apóstolos – sobre a verdadeira Igreja de Cristo, nos mostrando os lugares teológicos dessa verdade nas Sagradas Escrituras.

    O Tema também muito pertinente dado as circunstancias atuais: total desconhecimento do mínimo.

    Nossa Senhora o ajude sempre, Padre Élcio.

    Suas Bençãos.

    • A questão de cada um interpretar a bíblia como fazem os crentes – crêem, mas em si mesmos – cada qual doutrinando segundo as ideias pessoais ou dos fundadores(as), ora nas esquinas, ora indo nas casas, quando a gente pede eles conferirem em 2 Pd 1,26, não apreciam olhar, mudam de assunto ou de lugar, que diz:
      “Antes de mais nada sabei isto: que nenhuma profecia da escritura resulta de uma interpretação particular “.
      Para não cair no engano, deve procurar um sacerdote competente, mesmo um curso bíblico que não seja de viés modernista, socialista, senão leva tudo pro relativismo e, ao invés de aprender e apreender a verdadeira doutrina, sairá pior que entrou!
      O competente exegeta Pe Elcio dando um curso bíblico a cada semana, como acima, é outra historia…