Sínodo: A Igreja Católica está se tornando protestante?

Por Jean-Marie Guénois – Le Figaro, 26/10/2015 | Tradução: Hélio Dias Viana – FratresInUnum.comAo terminar o Sínodo sobre a família, Aline Lizotte julga que se corre na prática o risco de ir não rumo a um “divórcio católico”, mas a uma sorte de concepção protestante da liberdade de consciência.

Aline Lizotte é canonista, doutora em filosofia e diretora do Instituto Karol Wojtyla. De origem canadense, ela é uma das referências internacionalmente reconhecidas na Igreja Católica sobre questões de ética conjugal e sexualidade. Como filósofa, ela analisa os resultados do recente Sínodo sobre a família.

LE FIGARO. – Mesmo não tendo o Sínodo tomado posição, a fim de evitar o voto negativo de uma parte dos bispos, ele sugeriu ao Papa, e isso foi aprovado, que a questão da comunhão dos divorciados recasados não seja mais regulamentada através de um sim ou um não, mas de um “discernimento” de caso por caso, segundo critérios preestabelecidos pela Igreja. Isso é uma evolução notável da teologia moral católica?  

Aline LIZOTTE. – Os números 84, 85 e 86 do relatório sinodal são pelo menos confusos, quando não ambíguos. Neles não se fala diretamente de interdição ou de permissão para comungar, mas de encontrar diversos modos de integração com vistas a uma melhor participação na vida da comunidade cristã.

Entre esses diferentes modos de integração, haveria a permissão de se tornar padrinho, de ensinar o catecismo, de ser leitor durante a missa, em suma, de participar dos atos preparatórios da vida sacramental.

Mas haveria também a possibilidade de comungar. João Paulo II não foi tão longe. Recusando firmemente essa possibilidade, ele havia enfatizado que os divorciados faziam parte da comunidade cristã – eles não estavam excomungados – e deveriam unir-se à oração da Igreja, participar do sacrifício eucarístico e tomar parte nas obras sociais de caridade.

Hoje o número 84 do documento final vai mais longe, pois fala em “superar” as “exclusões” no domínio litúrgico, educativo, pastoral e… “institucional”. Esta palavra é vaga, mas muito importante, pois pode designar tudo dentro da Igreja. Com efeito, o que impediria um divorciado recasado de se tornar diácono…

Quanto ao número 85, ele exagera uma distinção capital, entretanto claramente estabelecida por João Paulo II e que sempre pertenceu à teologia moral: esta distinção, expressa na Veritatis Splendor (nos. 54-64) e na Suma Teológica de São Tomás de Aquino (Ia-IIae,  q. 18, a.3), permite estabelecer, numa decisão moral, uma diferença entre o que é “objetivo” e o que depende das “circunstâncias”.  Mas o documento final dá às circunstâncias uma importância desmesurada que elas não têm no equilíbrio clássico da teologia moral.

Introduz-se, portanto, um desequilíbrio?

Deseja-se doravante abrir mais espaço às circunstâncias. Ora, a distinção clássica deixa claro que existem atos morais que são objetivamente graves, mesmo se, efetivamente, certas circunstâncias próprias à pessoa levem a diminuir a sua responsabilidade, e possam até anulá-la.

Há, pois, uma diferença entre a realidade objetiva de um ato e aquilo que se chama “a imputabilidade” do ato, sua carga moral, por assim dizer, que repousa ou não sobre os ombros daquele que o praticou. É o que ensina o Catecismo da Igreja Católica (nº 1735). João Paulo II aplicou, aliás, essa distinção ao discernimento pastoral dos sacerdotes e dos confessores na direção espiritual das consciências.

E essa distinção – aplicada ao fracasso de um casamento e ao divórcio – ajuda a medir a culpabilidade aos olhos da consciência moral. Porque uma coisa é uma separação que termina num divórcio porque uma das partes fez tudo para abandonar seu cônjuge, relegando-o à solidão com o peso dos filhos, e outra coisa é a condição do cônjuge “repudiado” que tentou tudo para preservar a aliança matrimonial, mas que acaba encurralado em um estado de vida difícil ou quase impossível. Uma situação da qual ele não tem nenhuma responsabilidade. É uma vítima.

Surge então esta questão crucial: essa pessoa – homem ou mulher – casando-se novamente comete um pecado de adultério que, enquanto pecado, leva-a a afastar-se da comunhão? E ela pode ser julgada com a mesma vara que seu cônjuge que a abandonou e se recasou?

O que responde o Sínodo sobre esse ponto?

Sobre esse ponto o relatório sinodal está longe de ser claro… Ele é até ambíguo!

Por quê?

Nós estamos, com efeito, em face de dois atos objetivamente diferentes.  Uma coisa é não se julgar culpado pelo fracasso de seu casamento no foro interno, isto é, na sua consciência e mesmo chegar à conclusão íntima de que esse casamento foi inválido. Outra coisa é apoiar-se apenas nessa íntima convicção – mesmo se assistido por um conselheiro espiritual, e até por um bispo – para tomar a decisão de se recasar. Dizendo-se, em suma: “Eu não sou culpado – em consciência – pelo fracasso do meu casamento, tenho mesmo a convicção íntima de que meu primeiro casamento foi inválido; recasando-me, eu não cometo, portanto, um adultério; assim, eu posso comungar”.

Ora, o fundo do problema está aí: o fato de cometer ou não cometer um adultério não depende unicamente das disposições interiores, do julgamento de consciência, mas da validade ou invalidade do primeiro casamento.

O que não depende unicamente do foro interno de um dos cônjuges, ou, dito de outro modo, apenas de sua convicção profunda, mas do foro externo, isto é, dos critérios objetivos da lei! Portanto, a determinação da validade ou invalidade de um consentimento – ato fundador do casamento – não é uma questão de consciência que concerneria somente um dos cônjuges. São duas as pessoas que se engajaram.

Não se trataria simplesmente de dizer de si para si: “Eu sinto, sempre pensei que meu casamento não era válido”… Tudo bem. A consciência pode estar sendo sincera, mas, ao mesmo tempo, estar objetivamente errada. Nesse sentido, é inexato dizer, como o proclama Dom Cupich, arcebispo de Chicago, que a consciência é sempre inviolável.

Falo, portanto, de ambiguidade, porque os critérios dados no nº 85 do documento final do Sínodo são justamente previstos para ajudar a pessoa, seu confessor, e até seu bispo, a julgar com justiça e retidão de consciência. Mas, lamento dizê-lo, esses critérios são insuficientes para concluir com certeza sobre a validade ou invalidade do primeiro casamento.

Que riscos a senhora vê?

Agir nesse sentido conduzirá a desenvolver uma espécie de sistema de “consultoria espiritual”, de “coaching psicológico” para ajudar as consciências a não mais se sentirem culpadas por um novo casamento. Apoiadas na sua subjetividade, elas julgarão que têm o direito de se recasar em boa e devida forma. Não é por acaso que João Paulo II, para reiterar a proibição da comunhão aos divorciados recasados, havia tomado o cuidado de fazer essa distinção [entre o foro interno e o foro externo], a qual demonstrava que “o exame de consciência” de que fala agora o documento final do Sínodo não é suficiente para avaliar a situação objetiva e a situação do cônjuge lesado.

Essa abertura, reforçada pela simplificação dos processos de declaração de nulidade canônica do vínculo matrimonial decidida pelo Papa Francisco em setembro ultimo, não contribui para criar na opinião pública a ideia de que a Igreja acaba de inventar o “divórcio católico”?

O problema que a Igreja Católica tem de enfrentar não é o dos divorciados recasados, mas o da credibilidade do casamento católico. Em que medida sua doutrina sobre o casamento ainda tem influência na vida das pessoas e até nos seus próprios fiéis… Mas de onde vem o problema? Das impressionantes mudanças nos costumes sociais, ou das insuficiências de uma pastoral inadequada? Pensava-se que a doutrina estava bem assentada, percebeu-se que não. Nessa perspectiva, é preciso compreender que o problema dos divorciados recasados aparece como um caso de escola, a respeito do qual se reflete como sendo um dos casos mais difíceis de resolver. Esperava-se resolvê-lo pela via pastoral… mas sem mudar a doutrina. Mas isso equivale à quadratura do círculo, pois a pastoral decorre da doutrina! Ela é a sua prudente aplicação. Mudar uma pastoral sem mudar a doutrina nos seus pontos essenciais é um problema impossível de resolver. A doutrina da Igreja Católica é, com efeito, clara e firme: um casamento celebrado validamente (ratum) e consumado (consummatum) é indissolúvel. Acrescento que a facilidade proporcionada pelas legislações civis – divórcio por mútuo consentimento, parceirias civis, admissão da simples coabitação – tornam menos tentador o compromisso absoluto e por toda a vida próprio ao casamento. As dificuldades conjugais aumentando, recorre-se, pois, à legislação civil para romper um casamento e mesmo para contratar um segundo ou um terceiro. Mas, na doutrina da Igreja, esses casamentos são “nulos”, no sentido jurídico, e nenhum deles revoga a validade do primeiro casamento, se este for declarado válido.

Com o passo à frente dado por esse Sínodo a respeito do juízo subjetivo da consciência, junto com a facilidade de procedimentos para a obtenção de um decreto de nulidade, a ser implementada pelos Motu Proprio Mitis Iudex Dominus Iesus e Mitis et Misericors Iesus de 8 de setembro de 2015, corre-se o risco de caminhar na prática, não rumo a um “divórcio católico”, mas a uma espécie de livre exame protestante. Porque, como acabo de explicar, a consciência não pode se fundamentar somente na percepção subjetiva, mais ou menos ressentida, da gravidade de seus atos, mas nos critérios objetivos da lei moral.

A Igreja nesse ponto não tem “coração”, como disse o Papa? Ela não é muito dura falando apenas de “lei”? Sobre o que a Igreja se funda exatamente para afirmar que um primeiro casamento, se for válido – portanto, livremente consentido e por toda a vida – é indissolúvel por natureza? E por que Ela não pode evoluir sobre a indissolubilidade do casamento?

A Igreja pode evoluir em questões que decorrem de seu próprio direito eclesiástico. Assim, ela evolui em muitas questões: reformas litúrgicas, reforma dos tipos de penitência durante a Quaresma, mudanças das festas de preceito, reforma sobre o estado clerical, reforma sobre o exercício da autoridade na Igreja (colegialidade), reforma nos processos de declaração de nulidade do casamento, reforma sobre os votos religiosos. Após o Vaticano II, foram impostas uma série de reformas que moldaram nosso comportamento exterior em relação a Deus e nosso agir comunitário com os nossos irmãos. Aliás, as reformas foram tão importantes que foi necessário reescrever e promulgar um novo Direito Canônico (1983).

Mas existem áreas que escapam ao direito da Igreja. Primeiro, porque nenhum Papa fundou nem funda a Igreja. É sempre Jesus Cristo que edifica a sua Igreja. Em segundo lugar, porque Cristo deixou à Igreja em herança os meios para participar de sua vida, de sua oração, de seu mistério de salvação, meios que dependem de sua vontade: são os sacramentos e sua substância, sobre os quais a Igreja não tem nenhum poder. É sempre preciso água para batizar; é sempre preciso pão e vinho para uma consagração eucarística; é sempre preciso uma acusação oral dos pecados – não se pode fazê-lo por correio ou pela internet – para se receber o sacramento da Reconciliação. Finalmente, é preciso que o homem deixe seu pai e sua mãe e se una à sua mulher, para que um consentimento matrimonial tenha valor de sacramento. Esta substância sacramental não pertence à Igreja.

Assim, o casamento instituído por Deus é heterossexual, monogâmico, indissolúvel e aberto à vida. Essas propriedades do casamento a Igreja não as inventa, ela as recebe do próprio Cristo. Se ela pode mudar a disciplina – por exemplo, a idade da primeira comunhão, o ministro do batismo, as condições da unção dos enfermos etc. –, ela não pode alterar a substância do sacramento. Ora, a indissolubilidade é parte essencial do sacramento do matrimônio. E sobre esta questão a Igreja não tem nenhum poder para alterar.

Mas as pessoas, esses casais que experimentaram um fracasso, pode a Igreja ignorar o sofrimento deles? Este foi um pedido constante durante esses vinte dias de Sínodo?

Para a Igreja Católica, este problema dos divorciados recasados é um problema espinhoso. Ele resulta de uma estrutura de pecado, isto é, de uma situação que leva a partilhar o leito conjugal como se estivesse casado quando não se está, pois o primeiro casamento ainda é válido. Contudo, na Igreja essas pessoas não são excluídas da comunidade cristã.  Elas são, como todos os cristãos, convidadas a participar da Missa de domingo. No entanto, não podem comungar. Convocadas para um sacrifício de comunhão, elas não podem participar plenamente dele.

Colocar a questão dos divorciados recasados é, portanto, refletir sobre o caso típico por excelência.

É duro dizê-lo, mas nos planos canônico e filosófico essas pessoas se colocaram voluntariamente, e talvez inconscientemente, numa situação impossível. Elas fazem uso de um direito à intimidade conjugal que não têm porque estão ligadas com outra pessoa por meio de sua palavra dada sacramentalmente. Não somente elas não mais respeitam a palavra dada diante de Deus, mas usurpam o direito do cônjuge, da mulher abandonada, do marido humilhado. Certamente elas se justificam, invocando o fracasso do primeiro casamento e o sucesso do segundo. Por que então lhes seria recusado o direito de “reconstruir suas vidas”? Por que então, já que se diz que não estão excluídas da comunidade cristã, negar-lhes o direito a comungar? Esta comunhão não é o sinal da pertencença à comunidade? Toda a comunidade é convidada à Missa, à festa das Bodas do Cordeiro? Por que não elas? Muitas vezes tais pessoas vivem honestamente, com toda fidelidade e devotamento ao novo parceiro ou parceira, tendo novos filhos, uma nova família? Por que esse endurecimento de uma pastoral que visa acima de tudo ser fiel a uma doutrina, mas que parece faltar principalmente de misericórdia? Este é o dilema que é colocado entre o magisterial e o pastoral! Mas a questão é saber se este dilema é realmente um dilema magisterial a partir de uma pastoral inadequada ou… uma maneira errada de plantear o problema!

E permita-me acrescentar que o fato de ter introduzido o juízo subjetivo da consciência no quiproquó nada esclareceu, pelo contrário, levanta ainda mais problemas. Quais são os cristãos, os católicos, que realmente sabem o que é um juízo reto de consciência, que são capazes do arrazoado moral que ele pede ou que têm de fato a coragem de assumir suas conclusões? Quais são os pastores suficientemente aptos a ajudar o cristão a plantear-se adequadamente a questão de consciência? Porque um juízo de consciência não parte de nosso estado subjetivo, de nossa psique, de nossas aspirações, mas deve sempre partir da lei? Uma esposa abandonada pode ter certeza de que não teve culpa pelo fracasso de seu casamento; é um caso raro, mas quando ela pondera que decisão tomar sobre um novo casamento, sua consciência deve colocar objetivamente a pergunta: em consciência, eu não sou culpada pelo fracasso de meu primeiro casamento; mas se o primeiro casamento é válido, esse fracasso me dá o direito moral de me recasar civilmente?

Entrementes, afirma o Papa Francisco, a Igreja tem como que o dever de procurar uma via nova para ajudar as dificuldades concretas dos divorciados recasados…

A Igreja tem sempre o dever de ajudar todos os seus filhos e a obrigação de não aumentar o jugo que pode constituir a fidelidade aos deveres de um católico. “Meu jugo é doce e o meu fardo leve”  (Mt XI, 30), diz o Senhor. A missão da Igreja não é torná-lo impossível de carregar. Esse jugo é suave e o fardo leve porque o Senhor dá a graça para portá-lo. Mas quais são as verdadeiras dificuldades dos divorciados recasados? As de não comungar? Falam-nos deles como de pessoas felizes que foram bem-sucedidas num segundo casamento, enquanto o primeiro fracassou. Mas esse casamento fracassado, essas crianças balouçadas entre dois lares, essa mulher abandonada, esse homem desprezado, aquele ou aquela a quem se atribuem todos os erros e todas as malevolências, não se chega a esquecer. Embora tenha havido um desquite e era razoável tê-lo pedido, a nova mulher, o novo homem, que vivem num novo leito, não encontram realmente ali um verdadeiro espaço conjugal, porque o passado está sempre presente num ser humano e não pode apagar-se. Esta lamentação surge muitas vezes: eu ainda o amo, mesmo se o prazer sexual o encontro com o outro. E é preciso enfrentar a revolta e o sentimento de vergonha dos filhos. Que se desquite, sim, se necessário, isso é melhor do que os contínuos confrontos, as violências verbais, as mentiras repetidas. Mas que o cônjuge que vai embora se case de novo, isso cria uma revolta surda nos filhos, da qual é um tabu falar em nossa sociedade. Quanto mais os filhos são adultos, tanto mais a situação os revolta. Eles serão agora filhos de divorciados. E isso não se engole facilmente!

O novo caminho não consiste, portanto, na comunhão eucarística. Essa via corre o sério risco de aumentar o sofrimento se a gente, além de enganar sua mulher ou seu marido, quisesse enganar também a Deus.  É terrível dizer, mas cada um sabe, no fundo de si mesmo (se ele tiver um pouco de fé), que não engana a Deus. Por ter acompanhado e aconselhado muitas situações desse gênero, no marco de minhas atividades do Instituto Karol Wojtyla, posso dizer-lhe – não com base em uma teoria, mas na experiência e nos testemunhos dolorosos – que esse sentimento interior, esse sensus fidei que permanece escondido na consciência profunda desses esposos quebrados, é mais forte do que qualquer concessão jurídica, se alguma vez a autorização da comunhão se tornasse uma concessão jurídica.

Entretanto, é a via que Francisco parece querer abrir…

Sim, é preciso uma nova pastoral para os divorciados recasados, como será preciso outra para os concubinos que querem casar-se ou para aqueles que estão casados civilmente e “querem regularizar a sua situação”. É preciso uma pastoral que faça compreender que o casamento sacramental não é uma permissão para “dormirem juntos” sem pecar. Mas que o sacramento do matrimônio é um convite aos esposos para entrarem numa especial participação no mistério da aliança proposta por Deus a toda a humanidade.  Mistério do qual Cristo é o fiador tornando-se Esposo da Igreja. A autenticidade do sacramento do matrimônio deve ser proposta a toda pessoa que passe de uma situação irregular para uma situação de graça.

Para divorciados recasados a questão é mais delicada. O sacramento do matrimônio, o primeiro, o único válido, ainda está vivo, ele não morreu. As graças desse sacramento existem sempre. Como torná-las eficazes? O que fazer para que ambas as partes – o cónjuge ferido e lesado e o cónjuge “unido” invalidamente a outro parceiro – aceitem uma verdadeira reconciliação em Cristo, reconciliação sempre possível através de um verdadeiro perdão, de uma nova fidelidade ao jus corporis do cônjuge abandonado? O jus corporis é no direito romano o “direito do corpo” que cada cônjuge tem sobre o corpo do outro. Chegar a colocar isso em ato seria uma verdadeira pastoral do casamento! Não pode deixar de surpreender que os Padres Sinodais não tenham pensado nisso.

Eles antepuseram a consciência íntima, para justificar esse distanciamento da lei moral objetiva, o que também se pode compreender. A moral da Igreja não era muito centrada no “objetivo” e pouco sobre o “subjetivo”, que constitui o santuário profundo da pessoa?

A consciência íntima nunca é uma tomada de distância em relação à lei moral objetiva. A consciência subjetiva realiza dois atos, segundo São Tomás de Aquino: ela aprova ou desaprova.  Ela julga a bondade moral de um ato particular, pessoal e singular… à luz da lei  moral que está ali para esclarecê-la. E ela deve julgar a partir do direito. Por exemplo: tenho frio e estou sem abrigo. Diante de mim há uma casa abandonada. Eu cometo um roubo se me aproprio dela para morar até encontrar outro alojamento? Não, porque o direito ao uso dos bens materiais – diz a Igreja – prima sobre o direito de propriedade e todo proprietário deve assistir uma pessoa em perigo. Outro exemplo: estou sozinha, privada de afeto, e quero um pai para os meus filhos, porque fui abandonada pelo meu primeiro marido. Tenho o direito de recasar-me civilmente e viver matrimonialmente com esse homem que amo? Se o Pastor a quem coloco a questão responde: “Sim, porque você não é culpada pelo fracasso de seu primeiro casamento”, isso significa que esse pastor não leva em conta a indissolubilidade do casamento. Essa lei da indissolubilidade somente teria força em uma espécie de mundo ideal. Ela não valeria senão para os “felizes”, os “puros”. Cada pessoa que tivesse dificuldades com a lei moral teria, portanto, o direito de derrubar a lei.  Ninguém é obrigado a fazer o que é objetivamente mal para que daí surja um bem subjetivo. Isso pode parecer muito duro… mas o respeito à vontade de Deus e às suas exigências conduz a uma felicidade maior do que construir uma outra felicidade adocicando suas próprias leis sob o pretexto de misericórdia.

Mas a Igreja não tem um verdadeiro problema com a sua moral – que é seguida por muito poucos – e esse sínodo não lhe oferece a possibilidade de mudar essa cultura moral familiar para melhor se adaptar? Não é tempo de fazê-lo?

Um dia tive de aconselhar uma religiosa. Eu lhe perguntei quantos filhos havia em sua casa. Ela me respondeu com um leve sorriso, pressentindo o sobressalto que sua resposta me causaria: “Éramos 22”! Diante da minha surpresa, ela me diz: “Sim, meu pai, que era ministro, tinha três mulheres, e nós, os filhos, sabíamos muito bem quem era a nossa mãe. Nosso pai cuidava de todos nós. Todas as manhãs, antes de partir para o trabalho, ele nos reunia, ensinava-nos o catecismo, e após o beijarmos, íamos cada um para a escola ou o trabalho”. É um verdadeiro modelo de família patriarcal que parecia não funcionar muito mal… Mas nunca vi esse modelo no Ocidente. O que vejo cada vez mais é um homem ou uma mulher que me diz: “Tenho cinco ou até mesmo dez irmãos e irmãs, mas se todos nós temos a mesma mãe, não temos o mesmo pai. E o homem com o qual minha mãe vive hoje não é meu pai…”. Esta é uma família reconstruída. Nunca encontrei felicidade no rosto daqueles ou daquelas que falam desse novo gênero de família… É esta a nova cultura familiar? Encontrei uma menininha que dizia à sua pequena amiga: “Tenho sorte, pois no Natal tenho dois pais que me dão muitos presentes”.  Isso durou até o dia em que a pequena amiga a convidou para um final de semana com sua família, na qual não havia senão um pai que não dava frequentemente presentes, mas que amava sua esposa e seus filhos. E a criança cheia de presentes saiu pensativa desse fim de semana. “Você tem muita sorte”, disse ela à sua amiga!

Mas, eu lhe pergunto então, quando a moral da Igreja foi popular? Em que época histórica se viveu plenamente de acordo com a moral da Igreja? Por acaso a Igreja é feita para amar o mundo, ser do mundo, pensar como o mundo? É essa a sua missão? Quando se lê tudo aquilo que se diz sobre a necessidade da Igreja se colocar no diapasão do mundo, isto é, de aceitar o aborto como um fato normal, o divórcio como uma medida de estabilidade do amor, a homossexualidade como uma forma alternativa de prazer sexual, diz-se que não há nada de novo sob o sol.  A Igreja está aqui para ser a luz das nações.  Ela não está aqui para comprazê-las!

Atrás das aparências do Sínodo não se produziu de fato uma batalha entre escolas teológicas de Moral católica que nunca tinham podido se confrontar até então nesse nível?

Sim, creio que há isso! E acrescento que esse fenômeno não é novo. Nesse Sínodo, duas ou mais teologias morais se defrontaram, muitas escolas se digladiaram. Tratava-se em grande parte de peritos sinodais cujo número nós não sabemos. O problema a resolver não é o dos divorciados recasados, mas o da Veritatis Splendor, a encíclica de João Paulo II! É onde a cangalha machuca. Existem diversas escolas: a  opção fundamental de Joseph Fuchs, S.J., o proporcionalismo de Peter Knauer, S.J., a sistemia de  Xavier Thévenot, SBD e de Edgard Morin, a escola de Tubingen, a escola  argentina de Lucio  Gera,  de Rafael Tello, de Juan Carlos Scannone, S.J.; todas se unem para fazer desaparecer a Veritatis Splendor e a sua teologia moral objetiva!

Uma teologia onde está dito que “o objeto” moral é o ponto de apoio da razão na procura da verdade moral. Ora, recusa-se uma teologia que afirme a existência de uma realidade moral permanente e subjacente à flutuação das circunstâncias. Valoriza-se a intenção subjetiva, valorizam-se as circunstâncias que condicionam a sua posta em prática, mas recusa-se a aplicação objetiva dos princípios da lei moral na procura honesta do bem. Esse choque de ideias, esse embate de conceitos talvez seja a causa de certa confusão de linguagem que corre o risco, a julgar pelos debates atuais, de diminuir a fecundidade do Sínodo. Talvez se tenha o direito de pensar nesta frase do Gênese: “É ali que Javé confunde a linguagem de todos” (Gen.  11,9). Uma presença paradoxal do Espírito Santo!

No quê esse Sínodo seria um fracasso e no quê ele pode ser um sucesso?

O Sínodo é apenas uma Assembleia parcial na Igreja, que existe para aconselhar o Papa em seu papel de Pastor supremo e de governo de toda a Igreja. O Sínodo não é um Concílio, ele não engaja a autoridade magisterial infalível da Igreja, nem a autoridade do Papa em seu magistério ordinário. Tudo depende do que o Papa decida. Mas esperava-se que o Sínodo inaugurasse para toda a Igreja uma verdadeira refundação da Pastoral do Casamento e da Família. Talvez tenha sido um projeto demasiadamente ambicioso e deveremos contentar-nos com um início de orientação. Estamos sempre impacientes e ainda não sabemos, depois de vinte séculos de Cristianismo, dar tempo ao Espírito Santo.

8 Comentários to “Sínodo: A Igreja Católica está se tornando protestante?”

  1. Impressionante como o entrevistador repetidas vezes faz ouvidos moucos e ignorando a clareza das respostas da entrevistada insiste em perguntar o por que da Igreja não aceitar os “recasados”. Para essa raça a resposta óbvia e simples de que a Igreja age por mandato divino e não pode alterar a vontade de Deus não faz diferença. Ô raça demoníaca…

  2. A obsessão de Bergoglio em dar a comunhão aos recasados não tem outro intuito senão levar as alma para o inferno, destruir a Igreja através da “profanação de dois grandes sacramentos, o do Matrimonio e o da Eucaristia”.
    Por acaso se um divorciado recasado não comungar morre? Fica doente? Perde a família? Vai para o inferno por não comungar, ou será o contrario ? Pessoalmente não encontro nenhuma razão forte para que os divorciado recasados tenham direito à comunhão. Antes pelo contrário, encontramos inúmeras razões no novo testamento para que não o façam.
    Tratar-se de uma FALSA QUESTÃO, uma falsa compaixão, que não tem fundamento algum. A dor, isto é, se houver dor numa alma que está pecado mortal, por não comungar, não se compara com a dor daqueles que se perderam no abismo do inferno.
    Hipócritas aqueles que desejam a perda das almas. Porque temos que ter compaixão de uma pessoa que em estado mortal não tem acesso à comunhão? Há alguém que me explique!
    Estamos a viver tempos muito perigosos para as almas, o joio está crescido, está mais alto que o trigo, ao crescer roubou os nutrientes e a água que havia na terra, não permitiu que a fé carecesse nas almas e agora ataca ferozmente para tirar a luz do sol que é Cristo. Mas ao joio ser-lhe-há permitido consumar o seu acto, tal como Judas consumou o seu. Cristo nos mostrou como tudo acontecerá através da sua vida e de parábolas. Deus permitirá que o joio cresça e que a Igreja sofra a paixão tal como Cristo sofreu a Sua. A Igreja será levada a esconder-se para louvar o único Deus a mas esta situação não durará muito tempo, porque a Igreja ressuscitará e o joio será queimado e os perseguidores sofrerão eternamente.

  3. Uma entrevista de aplaudir de pé! Simplesmente MAGISTRAL quando ela diz:

    “O novo caminho não consiste, portanto, na comunhão eucarística. Essa via corre o sério risco de aumentar o sofrimento se a gente, além de enganar sua mulher ou seu marido, quisesse enganar também a Deus. É terrível dizer, mas cada um sabe, no fundo de si mesmo (se ele tiver um pouco de fé), que não engana a Deus”.

    A reação quase desesperada dos discípulos nos Evangelhos da Indissolubilidade e a resposta de Jesus Cristo, são uma das mais fortes evidências de que Nosso Senhor foi muito bem entendido quando negou totalmente a possibilidade de divórcio e novo casamento.
    Os discípulos ficaram desesperados ao se depararem com esse altíssimo padrão de casamento. Estavam tão acostumados com a lei mosaica do repúdio segundo a qual, o divórcio e novo casamento são sempre uma opção, que a única dúvida que eles ainda tinham era se podia ser por qualquer motivo ou apenas em caso de adultério.
    Quando Jesus fechou essas duas portas, eles ficaram pasmos. Para expressar sua frustração, eles partiram para a apelação: de acordo com eles, então seria melhor nem casar! E veja que tem muitos Católicos com essa mesma mentalidade! Se tem que ser “até que a morte nos separe” então é melhor só cohabitar, amasiar, juntar. Ou seja, pra fugir do adultério caem na fornicação! Como se ambos pecados não conduzissem ao mesmo escorregador para o inferno!
    Na cabecinha oca deles, certamente pensaram o mesmo que hoje os católicos mornos dizem da Doutrina da Igreja, ou seja, que Jesus era muito radical, inviabilizando o casamento com essa “descabida” e altíssima exigência.
    Nosso Senhor, então, ao invés de fazer concessões ou tentar enganar seus discípulos escondendo a verdade como fazem esses pastores irresponsáveis que aconselham as pessoas a seguirem “suas consciências” ao invés de seguir a Palavra de Deus, não cedeu um milímetro e afirmou que nem todos tem a competência espiritual para entender o assunto, mas apenas aqueles a quem foi concedido, ou seja, o problema não está no casamento e suas divinas implicações, mas no pecado de rebelião do homem que sempre corrompe o plano de Deus. E nesse ponto a canonista Aline foi brilhante:

    “É duro dizê-lo, mas nos planos canônico e filosófico essas pessoas se colocaram voluntariamente, e talvez inconscientemente, numa situação impossível. Elas fazem uso de um direito à intimidade conjugal que não têm porque estão ligadas com outra pessoa por meio de sua palavra dada sacramentalmente. Não somente elas não mais respeitam a palavra dada diante de Deus, mas usurpam o direito do cônjuge, da mulher abandonada, do marido humilhado.

    E o pior é quando ainda tentam distorcer as Palavras de Jesus para acharem uma “via torta de inclusão”. Note que os discípulos também distorceram o que Deus disse. Em Gn. 2:18, Deus disse “Não é bom que o homem esteja só…”. Mas na discussão com Jesus, os discípulos dizem que então não convém se casar. Exatamente como fez Pedro em Mat. 16:23, para distorcer a Palavra de Deus e desmoralizar o ensino de Jesus, mas Nosso Senhor como o fundador dessa instituição rejeita categoricamente a arrogância humana e reafirma a santidade da instituição divina.
    No Evangelho da Indissolubilidade, a mulher, abandonada pelo marido que se envolveu em outro casamento (adúltero), é teoricamente a “parte inocente” como muitos defendem. Todavia, Jesus nos diz que ela não tem o direito de casar novamente. Se ela assim o fizer será adúltera também, porque esse outro homem que se casa com ela comete adultério. Ninguém comete adultério sozinho: “…e o que casar com a repudiada, também comete adultério”.

    Outra coisa que me chamou atenção é quando ela diz:

    “Não se trataria simplesmente de dizer de si para si: “Eu sinto, sempre pensei que meu casamento não era válido”… Tudo bem. A consciência pode estar sendo sincera, mas, ao mesmo tempo, estar objetivamente errada. Nesse sentido, é inexato dizer, como o proclama Dom Cupich, arcebispo de Chicago, que a consciência é sempre inviolável”.

    Eu acho que já disse aqui que passei por esse dilema. Quando vi aquele “ministro” lá no altar ao invés do Dom Lara Resende que havia me prometido pessoalmente celebrar meu casamento, por muito tempo achei que só o documento civil que eu havia assinado é que dava alguma legitimidade ao meu casamento, mas sacramentalmente não tinha nenhuma validade. Finalmente achei bons sacerdotes que me explicaram claramente que os ministros do casamento são os noivos, que no momento em que eu optei por entrar numa Igreja Católica e dar meu consentimento diante de Deus e das testemunhas, Deus havia aceito esse consentimento e selado aquela união, independente de que tipo de ministro estava ali na minha frente.
    Agora eu fico pensando nessa “nova pastoral bergogliana”e no grande número de Católicos buscando anulação pra se casar “sacramentalmente” pela segunda vez: “Eu sinto, sempre pensei que meu casamento não era válido”.
    Já tem gente dizendo que vai procurar anulação porque só se casou porque a namorada “estava grávida”, só se casou porque tinha que fazer declaração de imposto de renda com dedução de dependente, só se casou porque tinha que se legalizar em outro país, só se casou pra poder matricular os filhos em escola Católica.
    Mas se era só por razões mercenárias tinha que ser na Igreja, tinha que envolver um Sacramento tão sério, tinha que envolver o testemunho da família e de toda a comunidade?
    Essas palavras do impostor Dom Cupincha, arcebispo de Chicago, que “a consciência é sempre inviolável”, justifica desde aborto a relacionamentos homossexuais. E é essa por essa brecha que eles pretendem anular os decretos de Deus e instaurar a abominação entre os Católicos.

  4. … “Mas existem áreas que escapam ao direito da Igreja. Primeiro, porque nenhum Papa fundou nem funda a Igreja. É sempre Jesus Cristo quem edifica a sua Igreja…. “.
    Assim sendo, eclesiástico algum tem a autoridade para mudar os ensinamentos da Igreja, sob que pretexto for, apenas nas partes que não afetam a doutrina são passíveis de adaptações, e a sedizente “misericordia” que se faria a esses em situações maritais irregulares, além de os lançarem no relativismo e induzir a sociedade à alienação à fé, dão-lhes um veneno letal de forma adocicada – candidatos à perdição eterna os acolhedores dessas falsas instruções doutrinarias, pior ainda aos promotores!
    Que hão ostensivos e recorrentes empenhos de protestantizar a Igreja é evidente – eis o vigoroso pentecostalismo protestante RRCista dando uma força adicional – pois adotando-se fórmulas comportamentais e direitos arbitrais particulares sob os particulares “discernimento, casos concretos etc”., tal qual sucede nas seitas já “sob controle”, eis aí o alvo cobiçado para implantação e inserção de todos no “Politicamente Correto” e finalmente todos sob as patas da “Ditadura do Relativismo”!
    Uma das metas desses esquerdistas de tumultuarem a Igreja é a instigação entre os católicos da “luta de classes religiosa”, bem sabemos, e isso se instala em meio ao caos, e gerando divisões no meio católico e incidiria em sectarismos, relembrando: “sou conservador, ou sou liberal, ou sou sedevacantista etc. – ao invés de “sou da DOUTRINA DE JESUS”!
    Não calha bem à questão? “Com isso quero dizer que algum de vocês afirma: “Eu sou de Paulo”; ou “Eu sou de Apolo”; ou “Eu sou de Pedro”; ou ainda “Eu sou de Cristo”. 1 Cor 1,12?
    A Igreja católica é o último reduto a ser vencido e, se transposto, a Religião Universal e seus preceitos serão questão de pouco tempo!
    S João Paulo II ensinava que os recasados não estão separados da Igreja e que poderiam fazer algumas coisas:
    “Em união com o Sínodo, exorto vivamente aos pastores e a toda a comunidade de fieis para que ajudem os divorciados, procurando com solícita caridade que não se considerem separados da Igreja, podendo e ainda devendo, em quanto batizados, participar de sua vida. Exorte-os a escutar a Palavra de Deus, a frequentar o Sacrificio da Missa, a perseverar na oração, a incrementar as obras de caridade, as iniciativas da comunidade em favor da justiça, a educar os filhos na fé cristã, a cultivar o espírito e as obras de penitencia para implorar este modo, diariamente, a graça de Deus. A Igreja reze por eles, anime-os, apresente-se como mãe misericordiosa e assim os sustente na fé e na esperança» (Famiiaris Consortio, 79, d)
    Que paradoxismo das propostas atuais!

  5. Toda a discussão a respeito da modernidade dentro da Igreja Católica tem um enfoque errado, principalmente depois do Concílio Vaticano II, e dos revolucionários anos 60, pois acostumou-se a debater sob o slogan “o mundo mudou”. Então argumenta-se que se o mundo mudou então a Igreja também teve que mudar. Logo, que venham a comunhão para os recasados, o casamento gay, o relaxamento nos sacramentos, nos mandamentos, e assim vai.

    Mas o enfoque não é este. O enfoque é se Deus mudou! É possível Deus mudar seu entendimento a ponto de aceitar as mudanças do mundo?

    O pecado de Adão e Eva teve o condão de mudar o mundo, e como mudou! Deus adaptou-se a nova realidade harmonizando com o homem, sendo tolerante como querem ser o Clero nos dias de hoje, ou continuou o mesmo e sobre a humanidade derramou seu castigo?

    Deus alterou seu entendimento quando pretendeu tirar o povo judeu do cativeiro, adaptando-se à teimosia do faraó, e tolerando os pecados dos egípcios, ou manteve sua posição e castigou parte daquela nação no Mar Vermelho?

    Deus alterou o seu plano quando ficou claro que o povo eleito não aceitaria Jesus, e por tolerância interrompeu a Paixão, ou manteve o seu plano até a consecução completa da missão do Messias?

    Deus evoluiu seus conceitos a ponto de desdizer o que ensinou? Se for verdade então não precisamos mais da Igreja Católica ou qualquer outra religião, porque o que ensinaram logo ficou ultrapassado em paralelo com a suposta evolução dos critérios divinos.

    Mas Deus já nos deu a resposta: Eu sou Aquele que é. Ou seja, Ele revela que ele não evolui. Ele é sempre o que é!

  6. Nestas horas de solidão, para todos nós católicos. Onde sentimos abandonados pelas autoridades da Santa Igreja. Humanamente falando, sem um rumo a seguir. Onde vemos os horizontes cobertos de nuvens negras. Podemos ficar um pouco perplexo, confuso, atônicos como caminhar nesta escuridão. Caso não tivéssemos, uma bagagem sólida de vinte séculos de cristianismo. De doutrina infalível, perene e constante. Nós não precisamos ficar escandalizados com as atitudes do atual Sumo Pontífice. Nós já aprendemos no catecismo. Quando o papa é infalível nas sua palavras. Infelizmente nos tempos atuais, estamos atravessando um “deserto” árido e espinhoso. Os nossos representantes da hierarquia, não estão cumprindo os seus deveres de estado. O “lobo” os os “lobos”, invadiram os campos durante o pastoreio dos rebanhos. Aí, aconteceu o pior! Como vimos atualmente. Toda paz, foi transtornada, eles apossaram dos pontos estratégicos do comando. Estão aí, esfacelando o coração da Santa Igreja. Esta é a hora do Calvário da Santa Igreja. Nosso Senhor, parece vencido! No entanto; Ele tem infinitos meios de triunfar a Igreja. Todos nós temos certeza, que esta crise, é por um “pouco de tempo”. Dias virão, que a Esposa de Cristo. Ressurgirá como sempre, triunfante e gloriosa. Não podemos ter a tentação, de sair fora da Barca de Pedro. Para que não venhamos morrer afogados. É Ela, que nos conduzirá ao céu. Não tem outro caminho. A Tradição da Igreja, é o caminho seguro, constante e infalível da verdade.
    Joelson Ribeiro Ramos.

  7. Estamos vivendo o tempo das Grandes Provações, das Grandes tribulações e dos Grandes Escândalos.
    Devemos, pois, apressar a nossa conversão, visto que dentro de pouco tempo a Santa Eucaristia será retirada. O anticristo já está no mundo, quando ele começar a invadir o templo de Deus na terra que é a Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana
    Saberemos que não foi em vão as advertências dos Céus (Fátima, Akita, Mediugórie…).
    Quem viver, verá!