Peregrinação Summorum Pontificum 2015.

Por Manoel Gonzaga Castro* | FratresInUnum.com

Como anunciamos, outro evento importante relacionado aos católicos tradicionais ocorrido em outubro foi a 4ª edição da Peregrinação Summorum Pontificum. Desde 2012, o evento tem ocorrido sempre no final de outubro em Roma, com seu término marcado por uma Missa Pontifical na própria Basílica de São Pedro.

Essa peregrinação reúne os católicos ligados à Missa Tridentina vinculados à Comissão Pontificia Ecclesia Dei. Em uma promoção da paz litúrgica e deixando de lado as diferenças, fiéis de todo mundo têm ido a Roma uma vez por ano manifestar sua comunhão com o Santo Padre.

Algumas ausências são sentidas: a FSSPX tem preferido não participar por apontar um silêncio dos participantes sobre pontos que considera críticos em relação ao Concílio Vaticano II e à reforma litúrgica pós-conciliar.

O capelão oficial da peregrinação é o sacerdote francês Claude Barthe, que fora ordenado por Dom Marcel Lefebvre em 1979 no seminário de Écône. Posto à margem da FSSPX, ele foi acusado de sedevacantismo e permaneceu em situação canônica irregular até 2005, quando regularizou seu status junto à Comissão Ecclesia Dei.

barthe

União: Pe. Claude Barthe (de pluvial) liderando os peregrinos, ladeado pelos neo-sacerdotes Tomás Parra (esq.) e Pedro Gubitoso (dir.), ambos do IBP e da Montfort, ordenados recentemente no Brasil por Dom Athanasius Schneider, amigo igualmente de Montfort e TFP.

Este ano, a peregrinação contou com a presença de 200 sacerdotes e seminaristas e com cerca de dois mil fiéis, vindos de todo o mundo. Entre os institutos a participar, destacam-se a Fraternidade Sacerdotal São Pedro, o Instituto do Bom Pastor e o Instituto Cristo Rei e Soberano Pontífice.

Do Brasil, os principais participantes são os membros da Associação Cultural Montfort, que, desde o início dessas peregrinações, tem se ocupado em organizar caravanas para a Cidade Eterna com esse propósito. O alto custo das viagens nunca foi dificuldade para o grupo, que, generosamente, não poupa esforços para estar presente, sempre com um número considerável de peregrinos.

Unidade na diversidade

Na peregrinação se irmanam institutos de tendências diversas — por exemplo, o Instituto Cristo Rei, amigo da TFP de longa data, e o IBP, historicamente próximo à Montfort (embora o IBP tenha, no Padre Raffray, superior da América Latina, também um simpatizante da TFP).

Igualmente demonstrando abertura e superação de divergências passadas, a organização da peregrinação, que hoje tem por delegada brasileira a Sra. Lucia Zucchi, em 2013 convidou para celebrar a Missa Solene Pontifical de encerramento, na Basílica de Santa Maria sopra Minerva, o bispo da Administração Apostólica Dom Fernando Arêas Rifan.

É belo ver pessoas que habitualmente que se evitam, reencontrarem-se diante da Sé de Pedro para dar testemunho da plena comunhão. Trata-se da busca sincera da “reconciliação interna no seio da Igreja”, como pediu Bento XVI (Carta aos Bispos que acompanha o motu proprio Summorum Pontificum).

Oxalá mais e mais brasileiros possam participar desse evento, que aumenta a visibilidade da liturgia tradicional e permite a todos uma manifestação visível de fidelidade ao Santo Padre, cum Petro e sub Petro.

* Fale com o autor: manoelgonzagacastro@gmail.com

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11 Comentários to “Peregrinação Summorum Pontificum 2015.”

  1. Seria tão bom se continuasse os encontros do Summorum Pontificum nacional no Brasil como houve três anteriormente.

  2. Cumprimento a Fraternidade São Pio X pelo seu testemunho de fé não participando dessa peregrinação pelos razões alegadas neste artigo.

  3. Realmente um evento como esse aumenta a visibilidade da liturgia tradicional e permite a todos uma manifestação visível da fidelidade ao Santo Padre. Pena que só se divulgue nos próprios meios tradicionais. Não vi uma linha a respeito na página da Santa Sé, muito menos na CNBB, muitíssimo menos nos meios de comunicação, católicos inclusive.
    Sinto que também se tenha interrompido a série de eventos Summorum Pontificum no Brasil. Será que não há mais bispos dispostos a acolhê-los em suas respectivas dioceses? Nesse caso, que se repitam locais, não haveria problema.
    Apesar de tudo, seguindo a lógica do “grão de mostarda”, tão própria das coisas de Deus, estão de parabéns os que o organizaram, mais uma vez e contra tantos obstáculos e resistências.

  4. Prezado Luciano,

    Desista da CNBB e dos meios de comunicação da Igreja Mainstream. ELES NÃO PODEM COEXISTIR COM A TRADIÇÃO PORQUE VIVEM NA IRREGULARIDADE!

    Um abraço!

  5. Parabéns a Fraternidade São Pio X

  6. É curioso.

    Fazer peregrinações à Roma com a bandeira da Missa Tradicional seria uma demonstração de fidelidade ao Santo Padre. Isso acaba por forçar que esta peregrinação seja, em algum tempo, um passaporte para quem queira ser tradicional e fiel ao Santo Padre. A ausência da FSSPX não é notável…é óbvia e totalmente esperada. Qual é a fidelidade do Santo Padre à Tradição?

    É claro que tem boa vontade dos grupos Ecclesia Dei, mas no momento em que eles se calam para os erros, para que não percam a pompa junto às autoridades romanas, estão praticamente a instrumentalizar a Missa e toda a luta da Tradição.

    A FSSPX costuma também ir a Roma, com muitos padres, fieis, freiras e irmãos…em qual dessas vezes o pessoal da Ecclesia Dei tomou parte? É, foram também ausencias notáveis. Se eles se juntassem à FSSPX em eventos como este eles poderiam ser advertidos por Roma…e o apostolado amarrado deles iria por água abaixo. Por que? Por que Roma e o Papa não demonstram fidelidade à Tradição…isto pode apenas ser feito da maneira como eles querem…mas não por eles.

    Que estes que vão em peregrinação demonstrar fidelidade ao Santo Padre, que a demonstrem também nos quase-talvez-semi-ensinamentos do último sínodo.

    Demonstrar fidelidade ao Santo Padre é vago demais. E certamente não depende e não necessariamente é realizado por meio de uma peregrinação, uma peregrinação quieta, com paramentos bonitos, incenso, capas, chapéus-saturno, sobretudos, medalhas de santos tradicionais, mas quieta. Que nada fala. Apenas contempla. Apenas se demonstra. Apenas desfila pela praça do Vaticano e diz “Sua Santidade, aqui estamos…”, e para quê, “para falar (baixinho) que a Tradição é tudo” Um fiel católico modernista, liberal, apensa diria: “Puxa, que interessante, tem um grupo com “carisma” tradicional.Olha que bonito! Quanta beleza!”, e passam a ser apenas mais um grupo com apenas mais uma “OPINIAO” do que é certo na imensa e nova coleção de modos de se louvar a Deus dentro da Igreja. RCC, neo Catecumenato, Opus, Toca de Assis e ah, claro IBP que também enriquece muito a Igreja. Um dia tem peregrinação dos jovens de Schoenstatt, outro dia dos Franciscanos, outro dia da RCC, outro dia da toca e outro dia do IBP, Montfort e etc. Cada um com seu “carisma”…

    A FSSPX não quer entrar nas danças dos carismas, não quer enriquecer diálogo algum. Com a TRADIÇÃO não se negocia. A Tradição não deve ser negociada. Se a Tradiçao se cala por causa dela mesma, ela perde sua razão de existir, sua lógica.

    Mas temos apenas a Missa Antiga!
    Mas temos apenas os sacramentos antigos!
    Não concelebramos!
    Não damos comunhão na mão!
    Não damos eco ao sofismas neo-catolicos de liberdade religiosa!

    E tomamos cuidado para não falar mal do Vaticano II, da Missa Nova, para aproveitar nossa posição canonica dentro da Igreja e não correr o risco de perdê-la.

    Aiii este “E” …

    Amarrados.

    As leis canônicas devem servir à Verdade. A Deus. Devem servir às almas que necessitam de salvação. E não à manutenção de grupos em detrimento da Verdade ou DA PLENA, PÚBLICA E RECORRENTE divulgação dela.
    E divulgar a Verdade é, na maioria das vezes, atacar a mentira. Mas há quem preserve a mentira, entendendo que assim se ajuda a Verdade. E preservam para por consequencia preservar sua posição canônica…há quem convide um Bispo totalmente confuso na Tradição para rezar a Santa Missa de encerramento, para que todos vejam como a Tradição se ama, publicamente.

    Fidelidade ao Santo Padre…o Santo Padre também deve fidelidade ao Santo Padre?

    O primeiro exemplo vem do proprio Papa. E qual fidelidade para com os Santos Padres, tiveram Paulo VI, Joao Paulo II, Francisco I ? Sim, fidelidade ao Santo Padre. Santo Padre Pio X. Santo Padre Pio IX. Santo Padre Pio V. Fidelidade ao depósito de todos os Santos Padres, a ser demonstrada por nós todos, inclusive pelos proprios Papas. Que nossa fidelidade vá além das peregrinações. Que a Tradição surja como remédio total ao mal que toma conta da Igreja, como único remédio, pois o é de fato, e não como mais um movimento pastoral com seu “super-carisma” proprio que faz com que os modernistas pensem “Como é rica minha igreja…tem pra todos os gostos!”. A Ecclesia Dei é a “pastoralização” da Tradição, totalmente coerente com os ventos do Vaticano II.

  7. Prezado Ricardo, permita-me cumprimenta-lo e parabeniza-lo pelo seu claríssimo comentário. Está mais que evidente que o mesmo se trata de uma maquiagem para acobertar uma falsa tolerância e aceitação da Igreja “atual” em relação ao tradicionalismo. O que mais surpreende é todo esforço da Montfort em “condenar a TFP” e nesses encontros “pastorais” os mesmos se toleram, principalmente em enaltecer o IBP que tem em seu Superior um simpatizante da TFP.