Reflexões sobre temas da Sagrada Escritura: “Não separe o homem o que Deus uniu”.

“E criou Deus o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, e criou-os varão e fêmea. E Deus os abençoou, e disse: Crescei e multiplicai-vos…” (Gênesis, I, 27 e 28).

“E da costela, que tinha tirado de Adão, formou o Senhor Deus uma mulher; e a levou a Adão. E Adão disse: Eis aqui agora o osso de meus ossos e a carne da minha carne… Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá à sua mulher; e serão dois numa só carne” (Gên., II, 22-24).

“Foram ter com ele os fariseus para o tentar e disseram-lhe: É lícito a um homem repudiar sua mulher por qualquer motivo? Ele, respondendo, disse-lhes: Não lestes que quem criou o homem no princípio, criou-os homem e mulher, e disse: por isso deixará o homem pai e mãe, e juntar-se-á com sua mulher, e os dois serão uma só carne? Por isso, não mais são dois, mas uma só carne. Portanto, não  separe o homem o que Deus juntou. Por que mandou pois Moisés, replicaram eles, ‘dar-lhe libelo de repúdio e separar-se’? Respondeu-lhes: Porque Moisés, por causa da dureza do vosso coração, permitiu-vos repudiar vossas mulheres, mas no princípio não foi assim. Eu pois digo-vos que todo aquele que repudiar sua mulher, a não ser por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que se casar com uma repudiada, comete adultério. Disseram-lhe os discípulos: Se tal é a condição do homem a respeito de sua mulher, não convém casar” (S. Mateus XIX, 3-10).

Por Padre Élcio Murucci | FratresInUnum.com

2013-06-15-6858-2Atinente ao casamento, o Livro do Gênesis mostra claramente como foi desde o início do mundo segundo o que Deus mesmo fez. Na passagem do Evangelista S. Mateus, acima enunciada, constatamos que a lei evangélica não podia ser expressa mais claramente. E isto é obvio, pois, é o próprio Jesus Cristo, a Verdade Eterna que a expõe. Os próprios Apóstolos o compreenderam tão bem, que, para indicar o rigor da lei da indissolubilidade, chegaram a dizer que era melhor nem casar. Certamente os discípulos de Nosso Senhor Jesus Cristo pensavam assim: Se se é obrigado a suportar os “caprichos e defeitos” da mulher, sem recorrer ao divórcio, não vale a pena casar. Deveriam dizer também: e vice-versa.

Depois veremos São Paulo mostrando como viver bem, malgrado os defeitos que todos têm, homens e mulheres.  Mesmo que pudesse existir, o divórcio nunca seria solução. Antes, pelo contrário. Não obstante, a cláusula colocada por Jesus: “a não ser por causa de fornicação”, tanto a tradução como o alcance da mesma, gerou muita controvérsia entre exegetas e teólogos. Esta passagem era comumente traduzida por “a não ser em caso de infidelidade” (=adultério). E pior, não faltava quem quisesse interpretá-la como significando a permissão de, neste caso embora único, se quebrar o vínculo e, portanto, permitir o divórcio.

Há quase 70 anos, chegou-se à conclusão de que a palavra primitiva usada por Jesus Cristo não designa “adultério, infidelidade”, mas sim “casamento nulo, concubinato”. E é óbvio que, em caso de concubinato, a separação não só pode, mas deve ser feita. Traduzindo a palavra empregada por Jesus no sentido de “adultério”, poderia haver separação não só de leito mas até de casa, mas continuava indissolúvel o vínculo, e, portanto, mesmo nestes casos de infidelidade, nem o cônjuge fiel, poderia
casar-se com outro(a).

Estudamos na Teologia que, ainda que se conserve a tradução: “a não ser em caso de infidelidade”, não lhe podemos atribuir sentido favorável à dissolução do vínculo. Seria contra o bom senso, contra os evangelhos e contra a história. Senão vejamos: Na lei de Moisés o adultério era punido com a lapidação. Ora, se Jesus veio aperfeiçoar a lei, não iria permitir o adultério. E também a hermenêutica exige que os textos menos claros de um evangelho devem ser interpretados à luz dos lugares paralelos mais claros. E pelos textos de Marcos X, 2-12 e Lucas XVI, 18, vemos que Jesus não faz exceção alguma. Além do mais, se, porventura, as palavras de Jesus Cristo incluíssem uma exceção em favor da quebra do vínculo, assim o teriam compreendido os contemporâneos de S. Mateus e principalmente os cristãos de origem judaica, para quem foi escrito o 1º Evangelho. Ora, os cristãos primitivos jamais entenderam que fosse este o ensinamento do divino Mestre.

Resumindo: O Divino Mestre restitui o Casamento à sua virtude primitiva. O casamento é indissolúvel, porque Deus assim o quis. Tirada do homem pela mão de Deus, entra a mulher, pelo casamento, em sua unidade primitiva. Unido à mulher, assegura o homem a perpetuidade de sua raça. Tal é o plano de Deus, criando a distinção dos sexos. O homem não tem, pois, o direito de dissolver um casamento legitimamente contraído. O casamento é uma instituição divina, não pode o homem mudar as leis que Deus estabeleceu sobre esta matéria. Nosso Senhor Jesus Cristo deixou bem claro que em caso algum, mesmo nos casos de adultério, é permitido o divórcio, pois aquele que se casa com uma mulher repudiada comete adultério, o que não seria possível se a primeira união estivesse legitimamente rompida. Portanto, mesmo o adultério não dá faculdade de passar a segundas núpcias.

Comentando as encíclicas dos papas sobre a matéria, faremos, se Deus quiser, muitos outros artigos. Aqui, por exemplo, não tivemos espaço
para falarmos nos casos de casamentos nulos.

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2 Comentários to “Reflexões sobre temas da Sagrada Escritura: “Não separe o homem o que Deus uniu”.”

  1. A questão de nulidade ou não de um casamento realizado tem sido um dos temas mais candentes de uns tempos para cá, devendo-se a certos procedimentos estranhos propostos a partir do Vaticano de entregarem esses casos às decisões de bispos, das mais variadas tendencias, ainda mais nesse mundo das ideologias e, dentre esses, alguns afeitos a elas e/ou infiltrados na Igreja, como os liberalistas e ainda apoiadores de partidos comunistas!
    Imagine questões delicadas como acima cairem as mãos de D Demetrio Valentini, agora (d)emérito e doutros comungantes com suas ideias!
    Alguém desinformado na fé poderia admitir erradamente que, caso o Papa quisesse, ele poderia mudá-lo, adaptá-lo ou outros na Igreja, como no caso de facilitar a “dissolução de um casamento válido.
    A quem pensar dessa forma, eis as sábias palavras do venerável Padre Pio Brunone Lanteri “Mas objetar-se-á que o Santo Padre tudo pode: ‘quodcumque solveris, quodcumque ligaveris etc’. É verdade, mas ele não pode nada contra a divina constituição da Igreja; ele é Vigário de Deus, mas não é Deus, nem pode destruir a obra de Deus” (Scritti e documenti d’Archivio,II, “Polemici-Apologetici”, Edizione Lanteri, Roma-Fermo, 2002, p. 1024).
    Se os eventuais interpeladores conhecessem melhor a doutrina católica, saberia que também o papa, os bispos e os sacerdotes devem, como todos os fieis, serem depositarios e cumpridores das Leis do Senhor Deus, aqueles primeiramente os guardiães-mor deveriam dar o melhor exemplo possível para que os Mandamentos fossem integralmente cumpridos, e jamais afrouxá-los para atendimento de tantos casos pontuais de conveniencias, interesses, comodismo etc., característicos de um mundo ex cristão, agora neo paganizado e apóstata!
    Dessa forma, venha de onde vier, propostas de alterarem os conteúdos doutrinarios expressos no Magisterio e na biblia devem ser desprezados!

  2. A CNBB que é revolucionaria, inimiga da fé cristã católica e do povo brasileiro, porém, amiga dos comunistas da TL e do PT-13, é uma ONG ambientalista dissimulando ser católica – é contra o impeachment da Dilma – estará dia 13 próximo, 3º Domingo do Advento pedindo contribuições para a campanha do EVANGELI.JÁ – Sede Misericordiosos – como anunciam, SUA GENEROSIDADE E DOAÇÃO EVANGELIZAM.
    Esse projeto tem apoio de Sindicatos ligados ao PT, PSOL, PSTU, PC do B, CUT, MST, MTST, UNE, Contag etc., e demais “movimentos sociais”(milicias comunistas), todos compartilhados pelos diversos partidos comunistas.
    Coincidirá dia 13 próximo também com o povão nas ruas pressionando Senadores e Deputados pela saída do azarento 13 PT por impeachment de Dilma!
    Porque não pela cassação da CNBB, sua companheira de lutas?
    Contribuindo com a CNBB v ajuda a financiar o PT!
    Uma ideia de 2013, dessas ajudas aos “pobres” da CNBB foram para diversos encontros da CEBs, de Manaus a Pastoral da Juventude do PT, e mais “pastorais” homenageando Che Guevara, Evo Morales, F Castro e mais comunistas – vejam o FACEBOOK da secretaria nacional esquerdista desse movimento Aline Ogliari – e mais ajudas com seu dinheiro, v ajudando movimentos comunistas, como:
    *MANUTENÇÃO DO SECRETARIADO E AÇÕES DA PASTORAL da Pastoral dos Nômades do Brasil – R$ 21.920,00: Poxa! Não sabia que havia nômades no Brasil!!! Seriam eles yakults siberianos? Ciganos romenos? Tártaros da Criméia? Pastores berberes? Pelas barbas de Átila, o huno, encontraram nômades no Brasil!
    APOIO A ASSEMBLÉIA ELETIVA DA COMISSÃO PASTORAL DA TERRA – REGIONAL NORTE 2 – R$ 15.000,00: Vocês já conhecem a obra da Pastoral da Terra, não? Ou seja, o dinheiro foi para FINANCIAR suas eleições. Dinheiro utilíssimo como gesto concreto da Quaresma.
    27ª ROMARIA DA TERRA DO PARANÁ, Comissão Pastoral da Terra Paraná – R$ 15.000,00: Romaria para onde? Aparecida? Serra da Piedade? Lourdes? Fátima? La Salette? Roma?
    GUERREIRAS NA AUTONOMIA FINANCEIRA, Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Jordânia – R$10.000,00: Que mimoso! Um sindicato recebendo dinheiro da Igreja! Ora, os sindicatos já recebem o roubo que é desconto do Imposto Sindical, vindo da ditadura getulista, em que cada trabalhador é roubado em sua folha de pagamento para financiar sindicatos que na grande maioria dos casos nem se importam. Lula já baixou a regra: os sindicatos recebem este dinheiro público mas não precisam prestar contas dele aos tribunais de conta. E o dinheiro da Igreja, que não é público, muito menos obrigação de prestar contas!!! Para que sindicatos precisam do dinheiro da Campanha da Fraternidade?
    TEATRO SOCIAL NA ESCOLA, Associação Grito dos Excluídos/as Continental: Sem comentários. Eles devem estar ensaiando Shakespeare, Molière e Gil Vicente, certamente!
    APOIO À REALIZAÇÃO DO I ENCONTRO ENTRE POVOS INDÍGENAS E COMUNIDADES QUILOMBOLSA (SIC) NO MARANHÃO: EM DEFESA DA VIDA E DOS DIREITOS, CONSTRUINDO O BEM VIVER. Conselho Indigenista Missionário Regional Maranhão: É por isto que o Maranhão tem os melhores indicadores sociais do Brasil, não? O mais engraçado foi o ato falho da digitação do texto original, ao invés de Quilombola, é QuilomBOLSA. De fato, o bom negócio do tungamento de terras baseados em pedidos precários e suspeitos de quilombolas garantem a bolsa de muita gente.
    PROJETO DE FORMAÇÃO DE JOVENS EM AREAS DE REASSENTAMENTO DE FAMILIAS ATINGIDAS POR BARRAGENS E ASSENTAMENTOS PELA REFORMA AGRARIA DO VALE DO RIO DOCE: Sem comentários.
    PROJETO “Ae jeje ukwa katu ta” Associação do Povo Indígena Ka’apor do Rio Gurupi: Quero pensar que “Ae jeje ukwa katu ta” seja algo bem cristão em tupi. Pelos cabelos brancos de São José Anchieta!
    ENCONTRO REGIONAL DA PASTORAL DA JUVENTUDE NE3, R$ 15.000,00
    ARTICULAÇÃO NACIONAL DO 19º GRITO DO/AS EXCLUIDOS/AS, R$ 40.000,00: Dinheiro da Igreja usado para financiar uma passeata pró-governo. O mais interessante é a tara esquerdopata por mudar a gramática, tem de escrever “excluídos/as” como se as excluídas não estivessem incluídas nos excluídos.
    A lista é longa, leitor. Eu paro aqui, após passar por uma primeira lista. Convido o leitor a ler todas as três listas e colocar a mão na consciência antes de colocar dinheiro no malfadado envelope.(Primeira lista, Segunda lista, terceira lista)
    Acompanhem também o formulário da prestação de contas, na mesma página. Vejam que basta uma nota fiscal para prestar contas do dinheiro do povo gasto. Este controle é fragilíssimo. E leiam os critérios do controle. Não vou comentar, leiam e conheçam, a informação é pública.
    Você que é pároco e está lendo este colega, convenhamos: Vendo esta montanha de dinheiro vindo das coletas, não dá uma dor no coração? Você olha o teto rachado da igreja precisando urgentemente de reformas, os bancos velhos, os vitrais esmaecidos, os paramentos rotos, a pintura caindo… e estes nababos de pastoral levam às mancheias dez, quinze, vinte, quarenta mil!!! O custo do metro quadrado construído médio no Brasil é de R$ 1089 em janeiro de 2014. Vamos dizer que dado os pés-direito das igrejas, seja R$ 1500. Ora, só com o que foi gasto na Articulação do Grito dos Excluídos (40 contos, que é apenas uma pequena fração deste dinheirão todo) poderíamos construir do zero 27m2 de capela! Depois reclamam que falta igreja! Com estes 40.000,00 pelo ralo você paga por um ano com todos os encargos trabalhistas um funcionário diocese que ganhe R$ 1398,00 por mês!
    Fonte: *fidespress.com/brasil/nao-de-um-tostao-na-coleta-da-cnbb