Abertura Jubileu: um fracasso de público.

No máximo, 50 mil pessoas na Praça de São Pedro, segundo dados da polícia. A cidade foi militarizada: faltou, apenas, a anunciada invasão de peregrinos.

Por Mattia Feltri – La Stampa | Tradução: FratresInUnum.comROMA – Diria que os romanos ficaram em casa, assistindo, na TV, uma Roma diferente da que viam, com a cara mais espectral que espiritual, ou ao menos surpresa, perturbada, e todos olhando por trás das cortinas as ruas desertas.

xpr0cifk5356-5525-k0hd-u10602546667684zxe-700x394lastampa-it

Foto da Massimo Sestini, do helicóptero da Polícia de Estado.

Às oito da manhã, em Santa Maria Maior, foi possível curtir um pequeno jogo de lugar: as caminhonetes do exército tinham retirado os táxis do seu estacionamento e os taxistas tinham procurado outro estacionamento de emergência, no lado oposto da rua. No meio do nada. Poucos bares abertos, ninguém andando na rua. Na direção do Vaticano, fizemos uma longa volta em busca de confirmações, que depois conseguimos: forças da ordem ou taxistas, em número reforçado, somente eles percorriam as veias da trimilenária capital. Sinais de vida chegavam do alto: pombos, gaviões e helicópteros. De acordo com as crônicas jornalísticas, deveríamos imaginar os movimentos escondidos de drones, atiradores de elite, mini-telecâmeras e radares, em colisão contra inimigos ocultos. Bem… Havia medo no ar, e muito, mas do bloqueio bíblico mais que do ataque armado, e, de fato, o ato de terrorismo foi inteiramente imputável à informação que há semanas continuava a prever em cifras milionárias a chegada dos peregrinos. E, ao contrário disso, na fila do estreito corredor entre as barreiras da Via della Conciliazione em direção à Praça de São Pedro, os peregrinos somos nós, que conseguimos superar um primeiro controle, com detectores de metal em mãos, e revista, e superamos um segundo, com muita vigilância militar. E nós somos quem somos. Setenta mil, dirão as autoridades vaticanas; cinquenta mil, dirá a polícia, num super clássico desafio da contabilidade.

Melhor assim! Estávamos muito cômodos na Praça! Pena que fizeram uma guerra implacável contra os camelôs!… Um vendedor de imagenzinhas, não, mas um de guarda-chuvas seria muito bem-vindo. Pena que proibiram o desenrolar dos banners e o desfraldar das bandeiras, que dão sempre um pouco de cor, e não apenas do ponto de vista jornalístico; mas, ao menos, foi mais fácil assistir à missa – no fundo, era disso que se tratava – e admirar, nos telões, os cálices de ouro, as vestes preciosas, as decorações refinadíssimas, os linhos e as sedas, os sugestivos paramentos dos prelados, em branco, como brancas eram as vozes do coro, e, depois, o palco das autoridades, em preto, a entrada reluzente na porta santa, empurrada pelo pontífice, a pompa absoluta da qual não é fácil se libertar. Seria o caso de encerrar aqui, o resto se reduziria ao retrato de Roma que, tirando as medidas de segurança, de excepcional tinha apenas a expectativa. Ou, toca-me continuar com descrições de pais com filhos nos ombros, de pequenas freiras comovidas, de mocinhas com o terço entre os dedos, de missionários africanos de sandálias, de velhinhas devotas em cadeiras-de-rodas, de grupos de várias proveniências, que viajaram à noite para não faltar ao evento: a absoluta normalidade de uma fé não mal vivida.

Fomos embora dali do mesmo jeito que chegamos, sem afãs nem complicações. E não considerem uma piada sacrílega, mas o milagre foi atravessar o lungotevere no sinal vermelho do semáforo dos pedestres, fato nunca visto desde a invenção dos motores de combustão interna. Extintos os carros, procurávamos, no rio, os jet skis da polícia; na Rua Borgo Pio, as garçonetes dos restaurantes ofereciam o menu no meio da rua a turistas que não chegavam: os peregrinos romanos comem em casa, os ciganos trazem o lanche. Aproveitamos um ônibus só pra nós! Chegamos à Estação Termini antecedidos por policiais. Os oito ambulatórios distribuídos pela Praça Spagna e Castel Sant’Angelo ocuparam-se de uns vinte casos de “leves mal-estares”, nenhum dos trezentos leitos “por código vermelho” foi útil. Uma jornada perfeita!, a ponto de que não se tinha para reclamar nem dos peregrinos das compras de natal, os nadadores de Via Frattina e Via dei Condotti, dificultados pela passagem vespertina de Francisco rumo à Praça Spagna. Enfim, esperamos que nos agradeçam por lhes termos economizado o parágrafo sobre as selfies, nas inumeráveis declinações consentidas pelas tendências modernas. Se forem apaixonados por isso, talvez um dia vejam os selfistas nos filmes autorais, ontem confiados também a Wim Wenders, convocado pela Santa Sé como consulente de imagens. No momento em que Francisco abriu a Porta Santa, o cineasta alemão coloriu a Basílica com um faixo de luz. Nós, no momento, estávamos convictos de que era o Sol, mas, ao contrário, também o Sol ficou bem onde estava.

Tags:

18 Comentários to “Abertura Jubileu: um fracasso de público.”

  1. Jubileu? que Jubileu?
    Eu não sabia que tinha um Jubileu…
    Pensei que tinham fechado o Vaticano pra inaugurar um cinema IMAX e um estacionamento!

  2. Lamentável.
    O papa Francisco iniciou o Ano Santo da Misericórdia, que iniciou no dia 08/12/2015 (festa da Imaculada Conceição) e encerrará no dia 20/11/2016 (festa de Cristo Rei).
    E a MISERICÓRDIA é a ÚLTIMA TÁBUA DE SALVAÇÃO DA HUMANIDADE (Santa Faustina Kowalska).
    E depois da Misericórdia virá o tempo da JUSTIÇA DIVINA.
    2017 está chegando…

  3. Como como vc amam a igreja catolica. Celebram o fracasso da presença dos fies, tanto como um ateu ou como um musulmano. Que odio voces tem pela santa Igreja e o santo padre.padre manuel monroy Lopez

    • Prezado Pe. Lopez,

      O senhor quer insinuar então que a culpa deste fracasso de público é daqueles que amam e defendem a tradição católica? Ora, faça-me o favor. O Site apenas veiculou uma informação jornalística, a presença de público (ou falta dele) não foi celebrada ou comemorada, apenas constatou-se que a derrocada da fé católica pós vaticano II está a olhos vistos para quem quiser ver.

    • Padre, quem aqui está celebrando? A imagem acima me enche é de tristeza! A descrição satírica do autor também. É pelo amor da Igreja, pelo amor do Santo Padre que eu fico triste.

    • Sem entrar em detalhes, Pe Monroy, se perguntássemos a cardeais como D Burke, D Pell, D de Paolis, D Sarah, D Pavel etc., bispos como D Schneider, D Pagotto etc., esse que saiba entre nós o único, duvido que estariam compartilhando desses acontecimentos inusitados dentro do Vaticano de uns tempos para cá demasiado liberais, tão diferentes dos pontificados anteriores, então antes do Vaticano II, nem falemos!.
      Aliás, nas homilias das S Missas a que assisti depois do Advento adiante, nunca uma única vez versaram acerca das consequencias do pecado, das duras condenações aos pecadores empedernidos e muito menos no palavrão – deve ser – chamado inferno aos refratarios a ser exercido oportunamente pela Justiça Divina após o presente tempo da misericordia para que todos se convertam!
      Mas o tempo todo enfatizando apenas misericordia, misericordia e misericordia sem contrapartida, fica difícil…
      Ao contrario que pensa, creio que todos amam a Igreja lutam para que ela se desarticule de todos os modernismos e invencionices conduzentes ao relativismo!

    • O PT quebra o país e quando se constata que o país quebrou chamam as pessoas de pessimistas, acusam-nas de saborear a derrota do país, não é impressionante o modus operandi?

  4. Pe. Lopez,

    celebramos o fracasso da agenda ecológica da qual as pessoas não aderem como aconteceu em 1900 com o comunismo que hoje também é rejeitado pela imensa maioria.

    Os fiéis rejeitam o modernismo/progressismo mas aderem à Tradição.

    Comemoramos o fracasso da Igreja Conciliar voltados para comemorar o Triunfo do Imaculado Coração de Maria prometido por Nossa Senhora em Fátima.

  5. Padre Manuel Monroy Torpez, de novo por aqui?

    Vais de novo mandar aquela frase “Nós temos Pedro” ?

    Celebramos o fracasso da igreja conciliar, essa mesma igreja que o senhor vem aqui defender de vez em quando.

    A Igreja não precisa de inovações que o senhor tenta defender.

  6. Os Jubileus anteriores sempre recordaram um fato da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo, tais como Encarnação (Ano Santo de 2000), e Redenção (Ano Santo de 1983).

    Mas este Jubileu é diferente. Qual fato da vida de Cristo?

    Outra consideração é o próprio lema do Jubileu: Misericordiosos como o Pai.

    Estamos celebrando a Misericórdia do Pai?

    Ao que me parece, a “Misericórdia” pregada pelos liberais/progressistas, é aquela que não envolve conversão e mudança de vida.

    Isto está me cheirando “misericórdia” para publicar a liberação da comunhão indiscriminada (inclusive para quem está em pecado mortal); e para o próximo alvo de Bergoglio: o celibato clerical.

  7. “Vocês já notaram que o governo russo vem assumindo funções e missões que seriam as do governo americano e as do Papado, esvaziando a ambos? Já notaram que isso seria impossível sem que primeiro estes tivessem sido afastados das suas missões próprias? Já notaram que, por sua vez, isso não teria acontecido sem que agentes hostis tivessem sido colocados na presidência americana e na cátedra de Pedro, para debilitá-las e para escandalizar o mundo, deixando os povos desnorteados, sem guiamento, necessitados urgentemente de uma nova liderança, política e espiritual ao mesmo tempo, que o governo russo então se oferece gentilmente para personificar? Notaram que Vladimir Putin seria um verdadeiro idiota se, assumindo o poder, não tirasse proveito do longo trabalho de infiltração feito pela KGB em Washington e Roma durante setenta anos?”

  8. Nossa…estou perplexa…ainda ontem ouvi na Homilia…”Cuidado para não serdes igual ao irmão mais velho, que ao invés de se alegrar com o pecador que se converte, o irmão que retorna, fica ranzinza achando que não precisar mudar!”
    Concordo que a Tradição é preciosa e Santa…mas a conduta dos pastores e dos próprios fiéis precisa mudar, precisa ser, de fato, misericordiosa e acessível. Pois somos o Corpo dessa Igreja, mas muitas vezes o mundo nos vê “ranzinzas” e damos contra-testemunho do amor de Deus. Não passamos de fariseus e doutores da lei. Irmãos mais velhos que nada querem mudar porque acham que tudo está bom como está. Penso que o Papa proclama esse sinal. Esse vazio só confirma a pouca disposição do coração da maioria.

  9. Não é porque os fiéis Católicos, não aderiram ao evento religioso… É a insegurança que os fizeram ficar em casa e assistir pela TV. Este fato, ao meu ver, é muito sério! O terrorismo está minando a sensação de segurança dos fiéis na praça de Roma. Afinal o Papa foi ameaçado por este grupo.

  10. “Se os Romanos Pontífices sempre precisaram de ajuda externa para o cumprimento da sua missão, essa necessidade tornou-se agora muito mais sensível, dadas as condições dificílimas do tempo em que vivemos, e por causa dos contínuos ataques à qual a Igreja é exposta por seus inimigos. E aqui não há que supor, Veneráveis Irmãos, que queremos aludir aos eventos na França, sem dúvida dolorosos, mas em grande parte compensados pelas consolações preciosas: a união admirável daquele venerável episcopado, o desinteresse generoso do clero, e a firmeza piedosa dos católicos prontos para enfrentar qualquer sacrifício na defesa da sua fé e da glória de sua terra natal. Cada vez mais se tem demonstrado que as perseguições colocam em destaque e provocam admiração por todas as virtudes manifestadas pelos perseguidos … Não, a guerra que realmente aflige a Igreja, a guerra que a faz gritar: “Ecce in pace amaritudo mea amarissima” é a que nasce das aberrações intelectuais em virtude das quais suas doutrinas são maltratadas, e pela qual se repete no mundo o grito de revolta pelo qual foram expulsos dos céus os rebeldes. E, infelizmente, os rebeldes são os que professam e difundem de forma sutil erros monstruosos sobre a evolução do dogma, sobre um retorno ao Evangelho, isto é livre, como se costuma dizer, das explicações de teologia, das definições dos Concílios, das máximas da ascética, sobre a emancipação da Igreja, mas de uma maneira nova, sem se rebelar abertamente para não serem cortados fora, mas ao mesmo tempo sem se sujeitarem para não traírem as suas próprias convicções, e, finalmente, sobre a adaptação de tudo aos tempos : no falar, no escrever e no pregar uma caridade sem fé, muito misericordiosa para os incrédulos mas que infelizmente abre a todos o caminho para a ruína eterna. Vós bem sabeis, Veneráveis Irmãos, se nós que temos de defender com todas as nossas forças o depósito que nos foi confiado, não temos motivo para estarmos angustiados em face deste ataque, que não é uma heresia, mas o compêndio e veneno todas as heresias juntas, que tende a minar os fundamentos da fé e aniquilar o cristianismo, porque a Sagrada Escritura para esses críticos modernos não é a mais confiável fonte de toda a verdade que concerne à fé, mas um livro comum.
    A inspiração para eles se restringe às doutrinas dogmáticas, mas entendidas à sua própria maneira, e por pouco não se diferencia da inspiração poética de Ésquilo e Homero. A intérprete legítima da Bíblia é a Igreja, todavia sujeita às regras da chamada ciência crítica, que é imposta à teologia e a escraviza. No tocante à tradição, finalmente, tudo é relativo e sujeito a mudanças e, portanto, vem reduzida a quase nada até a autoridade dos Santos Padres. E todos estes e milhares de outros erros propagam-se por panfletos, revistas, nos livros de ascese, e até mesmo romances, onde são apresentados em certos termos ambíguos, em certas formas nebulosas, onde têm sempre um escape e uma defesa a fim de evitar incorrer numa condenação aberta e prender os incautos em suas armadilhas.

    Alocução Consistorial 17 de abril de 1907- Papa São Pio X

  11. Matéria boba… não importa a quantidade mas a qualidade assim como os temas deste blog…aff perdi tempo lendo

  12. Muito compreensível, dada a situação de alerta no continente europeu.