“Católico demais”, Dom Negri sob ataque.

Grupo de progressistas pseudo católicos escrevem ao Papa contra arcebispo fiel. De que lado ficará Francisco?

Por Mauro Faverzani – Corrispondenza Romana | Tradução: Gercione Lima – FratresInUnum.com: Mais que um apelo, parece uma sentença: a carta, enviada às pressas ao Vaticano – em particular, ao Papa e à Conferência dos Bispos -, para aproveitar a onda midiática (previsivelmente favorável), deixou várias questões em aberto e às claras.

mons-luigi-negri-468x262Os membros da Associação Pluralismo e a oposição da cidade de Ferrara não gostam de seu bispo, Dom Luigi Negri: ele é Católico “demais”, firme quanto aos princípios e pronto a defendê-los a todo custo.

Com a determinação de quem sabe ter uma “responsabilidade pastoral” específica (CCC, n. 879) em relação aos seus fiéis e mesmo aos não-crentes,  Dom Negri sacode e desperta as consciências e isso não agrada, ao contrário, cria “desconforto”. Daí o novo anátema, lançado pelos signatários da carta: “muitas vezes ele usa palavras que não são inspiradas na misericórdia e caridade”. A misericórdia se tornou o novo mandamento oni-abrangente e ai de quem não se adequar!

Esquecem-se de como o Bispo é chamado a governar sua própria diocese “por seus conselhos, exortações e exemplo, mas também pela autoridade e poder sagrado” (Catecismo da Igreja Católica, n. 894). Isto é, não só com o açúcar, mas quando e onde se faz necessário, mesmo com a vara. São trezentos os signatários do protesto. Quase todos da cidade de Ferrara, como fazem questão de salientar. 300 signatários contra 273.900 batizados daquela diocese de Ferrara e Comacchio. Um número ridículo, insignificante. Mesmo gritando alto e procurando o confronto, eles ainda sustentam que seu bispo desvia “com muita freqüência e em muitas questões das palavras do Papa”,  que se tornou para eles uma referência suprema do “catolicamente correto.”

Daí a acusação: Dom Negri, segundo eles, é “divisivo”. Aqui está o novo insulto, que não indica uma traição doutrinária ou, pior, uma atitude herética. “Divisivo”, dizem eles, é quem combate a laicidade, entendida como sinônimo de “auto-destruição da Europa”;  aqueles que ainda sustentam que as Cruzadas “permitiram a sobrevivência do continente” ao bloquear a ferocidade do avanço turco; aqueles que acusam o Islã de propagar a “violência como orientação teórica e prática” e assim por diante. Em suma, em uma palavra, “divisivo” seria qualquer um que faz e afirma, sem mais nem menos, uma posição cultural, explícita e manifestadamente católica. Mas, há mais.

Existe um problema de  método. A idéia segundo a qual quem deve enfiar a colher e mexer a panela dos Bispos é a “base”, de acordo com seus caminhos mentais próprios e não – o que seria legítimo – o próprio Bispo expressando opiniões amadurecidas à luz da doutrina correta, do Magistério e da Tradição, especificando onde e como, explicando e motivando, mas sim auto-opiniões, subjetivas e epidérmicas, jogadas  na onda do sentimentalismo, ao invés da razão e ainda menos da fé. Essa é uma forma muito perigosa de se proceder, porque na onda da “descentralização” e  das “periferias existenciais”, tenta-se introduzir as sementes de um parlamentarismo em um contexto que lhe é geneticamente alheio. O verdadeiro desafio consiste em substituir o “furor popular” jacobino pela infalível  Palavra de Deus.

Surpreende e causa tristeza constatar, mais uma vez, que os setores da Igreja, tem sido notáveis pela ausência e oficialmente pelo silêncio. Nem sequer uma voz, alta e clara, de solidariedade, nem sequer uma crítica aos autores imprudentes daquela carta ou objeções ao vazio das acusações. Silêncio desconfortável. Consideramos fundamental e honesto, especialmente em circunstâncias como esta, expressar toda a nossa solidariedade. Com força, afeto e gratidão. Reconhecendo o mérito incontestável dele ter sempre agido e falado com autêntico Sensus Ecclesiae. E de fazê-lo por uma razão precisa, para preencher aquela que o próprio Dom Negri recentemente chamou de “a maior pobreza que pode acontecer a um homem, a de não conhecer a verdade de Cristo.” Essa verdade, que ele, como bispo, nunca deixou de proclamar. E que ainda proclama.

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8 Comentários to ““Católico demais”, Dom Negri sob ataque.”

  1. Dentre mais, não bastou D Jan Pawel interpelar a Secretaria de Estado de adentrar nas vias do politicamente correto, sem contarem as mitras episcopais que rolaram por serem “divisionistas”; ao invés de serem maléficos tais prelados, possuem uma excepcional qualidade, como D Negri, quando confrontam os sincrético-pacifistas dentro da Igreja – talvez infiltrados – pretendendo fazer do catolicismo parte de um mix globalista religioso.
    Por falar em divisão: ““Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada, pois vim causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra. Assim, os inimigos do homem serão os da sua própria casa.” Mt 10, 34-35.
    A divisão entre os aderentes a Jesus e os atrelados ao modernismo no clero e na Alta Hierarquia são patentes, e as divisões nesse caso são em dimensões imprevisiveis, por outro lado, previsiveis.
    De repente, agora aparece o Cardeal Zen Ze-Kiun que teria acusado o papa Francisco de a Igreja sob seu pontificado de apoiar o regime comunista chines e potencial perseguidor dos católicos na China; segundo ele, a Igreja Católica, sob o pontificado do Papa Francisco, voltou a adotar com ênfase a política conhecida como “Ostpolitik”, que outrora se rebaixava aos regimes autoritários e ditatoriais, especialmente aos truculentos marxistas!
    Sabemos que no passado resultaram em prisões tradicionais defensores da fé católica, como os cardeais Stefan Wyszynski, Jozsef Mindszenty e Josef Beran!
    Dessa forma, o Vaticano curvando-se a esses déspotas sem lhes apresentar resistencias, deixam mais ainda os católicos à sanha das ferozes hienas que são os comunistas, estariam compartilhando e/ou incentivando a novas incursões contra eles, por omissão!
    Se a Secretaria do Estado do Vaticano se mantiver nesse esquema de abandonar os cristãos às feras selvagens comunistas, mesmo aos muçulmanos, saiam da moita, identifiquem-se, se possível.
    Entendo; se for o caso, permanecendo-se na corda bamba, silentes, sempre deixa dúvidas – assim dá mais dividendos!

  2. Pior do que OS “BONS” SE OMITIREM é quando eles são CONIVENTES.
    Francisco avança como uma avalanche e todos se admiram com o barulho e o espetáculo inusitado, mas não perceberam ou parece não se importar com o que acontecerá com a igreja que, aos pés da montanha aguarda sua fúria.

  3. “O Que é que isso isso significa? Que a lei muda? Não! Que a lei está ao serviço do homem, que por sua vez está ao serviço de Deus. Por isso, o homem deve ter o coração aberto. O termo “sempre foi feito assim” é coração fechado e Jesus nos disse: “Eu enviarei o Espírito Santo e Ele vos conduzirá até à verdade plena”. Se você tiver o coração fechado à novidade do Espírito, jamais chegará à verdade plena! E a sua vida cristã será uma vida metade e metade, remendada de coisas novas, mas sobre uma estrutura que não está aberta à voz do Senhor. Um coração fechado, porque não é capaz de mudar os odres”.

    “Os cristãos obstinados no “sempre foi assim”, este é o caminho, esta é a estrada, pecam: pecam por divinização. É como se fossem a uma cartomante. É mais importante o que foi dito e que não muda; aquilo que eu sinto, de mim e do meu coração fechado, do que a Palavra do Senhor. É também pecado de idolatria. E qual é o caminho? Abrir o coração ao Espírito Santo, discernir qual é a vontade de Deus.”

    http://pt.radiovaticana.va/news/2016/01/18/papa_francisco_em_santa_marta_%E2%80%9Cvinho_novo_em_odres_novos/1201995

    Também, ao ir a Sinagoga de Roma:

    O Concílio, com a Declaração Nostra Aetate, traçou o caminho: “sim” à descoberta das raízes judaicas do cristianismo; “não” a toda forma de antissemitismo e condenação de toda injúria, discriminação e perseguição, que disso derivam”.

    http://pt.radiovaticana.va/news/2016/01/17/papa_francisco_visita_a_sinagoga_de_roma/1201741

    Nostra Aetate:

    “A Igreja católica nada rejeita do que nessas religiões existe de verdadeiro e santo. Olha com sincero respeito esses modos de agir e viver, esses preceitos e doutrinas que, embora se afastem em muitos pontos daqueles que ela própria segue e propõe, todavia, reflectem não raramente um raio da verdade que ilumina todos os homens. No entanto, ela anuncia, e tem mesmo obrigação de anunciar incessantemente Cristo, «caminho, verdade e vida» (Jo. 14,6), em quem os homens encontram a plenitude da vida religiosa e no qual Deus reconciliou consigo todas as coisas (4). “

    http://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_decl_19651028_nostra-aetate_po.html

    Francisco I prática plenamente aquilo que propôs o CV II e os diversos documentos celebrados posterior ao mesmo concílio. Conforme o seu “espírito”.

    • Policarpo, A Quaresma se aproxima e nos convida a estudar ainda mais a doutrina católica para não cairmos na tentação do devaneio e nos ventos de doutrina.

  4. Já que estamos numa maré de ataques vejam este ataque, de Francisco, aos verdadeiros católicos:
    “(Rádio Vaticano) cristãos que dizem “Sempre foi feito assim”, e parar por aí têm corações fechados para as surpresas do Espírito Santo. Eles são idólatras e rebeldes, nunca irão chegar à plenitude da verdade.”
    Palavras para quê?!
    http://www.news.va/en/news/pope-francis-obstinate-christians-are-rebels-and-i

  5. “Nasci e vim ao mundo, disse Jesus a Pilatos, para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve minha voz’ (Jo XVIII, 37). “Quando vier o Paráclito, que eu vos enviarei do Pai, o Espírito da verdade, que procede do Pai, ele vos dará testemunho de mim. Também vós dareis testemunho, porque estais comigo deste o princípio” (Jo XV, 26 e 27) Parabéns D. Negri, ensinais a Teologia “de joelhos” diante da Santíssima Trindade. Infelizes dos kasperianos!!!

  6. O bispo Luigi Negri é oriundo do Comunhão e Libertação, de Mons. Giussani. Não obstante seu modo obscuro de falar, Giussani tinha três ideias muito claras: Cristo é o centro de tudo; a Igreja tem a resposta para tudo; Roma é quem fala para todos. Giussani era corajoso. Enfrentou abertamente o cultíssimo filólogo jesuíta, o Cardeal Martini, de infeliz memória, acusando-o de ter-se bandeado para os “Iluministas”. Martini, é bom lembrar, era peixinho de outro filólogo jesuíta, de infeliz memória, o Cardeal Bea. Oriundo do C.L. é, também, Antonio Socci que contesta o pontificado e até mesmo a eleição de Francisco I, vendendo rios do seu livro “Non è Francesco. La Chiesa nella grande tempesta”.

    O peroníssimo Francisco I é obra do filólogo Martini e seu grupelho de jacobinos.

    Do que foi dito, resta o seguinte: capilaridade. As opções e ações, o apostolado de uma única pessoa (Giussani/Martini) podem influenciar a vida de muitos, milhares, milhões.

    Luigi Giussani ainda fala pela boca de Luigi Negri.

  7. Esse, coitado, está com os dias contados. Bergoglio não suporta bispos bons, corretos e católicos.