Francisco e Kirill: declaração conjunta.

Por Rádio Vaticana – No histórico encontro desta sexta-feira, dia 12 de fevereiro em Cuba o Papa Francisco e o Patriarca de Moscovo Kirill assinaram uma declaração conjunta. Eis o texto integral dessa declaração:

Declaração comum do Papa Francisco e do Patriarca Kirill de Moscovo e de toda a Rússia

“A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós” (2 Cor 13, 13).

1.         Por vontade de Deus Pai de quem provém todo o dom, no nome do Senhor nosso Jesus Cristo e com a ajuda do Espírito Santo Consolador, nós, Papa Francisco e Kirill, Patriarca de Moscou e de toda a Rússia, encontramo-nos, hoje, em Havana. Damos graças a Deus, glorificado na Trindade, por este encontro, o primeiro na história.

Com alegria, encontramo-nos como irmãos na fé cristã que se reúnem para “falar de viva voz” (2 Jo 12), coração a coração, e analisar as relações mútuas entre as Igrejas, os problemas essenciais de nossos fiéis e as perspectivas de progresso da civilização humana

Cuba

2.         O nosso encontro fraterno teve lugar em Cuba, encruzilhada entre Norte e Sul, entre Leste e Oeste. A partir desta ilha, símbolo das esperanças do “Novo Mundo” e dos acontecimentos dramáticos da história do século XX, dirigimos a nossa palavra a todos os povos da América Latina e dos outros continentes.

Alegramo-nos porque aqui cresce, de forma dinâmica, a fé cristã. O forte potencial religioso da América Latina, a sua tradição cristã secular, presente na experiência pessoal de milhões de pessoas, são a garantia de um grande futuro para esta região.

3.         Encontrando-nos longe das antigas disputas do “Velho Mundo”, sentimos mais fortemente a necessidade de um trabalho comum entre católicos e ortodoxos, chamados a dar ao mundo, com mansidão e respeito, razão da esperança que está em nós (cf. 1 Ped 3, 15).

Tradição comum

4.         Damos graças a Deus pelos dons que recebemos da vinda ao mundo do seu único Filho. Partilhamos a Tradição espiritual comum do primeiro milênio do cristianismo. As testemunhas desta Tradição são a Virgem Maria, Santíssima Mãe de Deus, e os Santos que veneramos. Entre eles, contam-se inúmeros mártires que testemunharam a sua fidelidade a Cristo e se tornaram “semente de cristãos”.

5.         Apesar desta Tradição comum dos primeiros dez séculos, há quase mil anos que católicos e ortodoxos estão privados da comunhão na Eucaristia. Estamos divididos por feridas causadas por conflitos de um passado distante ou recente, por divergências – herdadas dos nossos antepassados – na compreensão e explicitação da nossa fé em Deus, uno em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Deploramos a perda da unidade, consequência da fraqueza humana e do pecado, ocorrida apesar da Oração Sacerdotal de Cristo Salvador: “Para que todos sejam um só, como Tu, Pai, estás em Mim e Eu em Ti; para que assim eles estejam em Nós” (Jo 17, 21).

Superar divergências

6.         Conscientes da permanência de numerosos obstáculos, esperamos que o nosso encontro possa contribuir para o restabelecimento desta unidade querida por Deus, pela qual Cristo rezou. Que o nosso encontro inspire os cristãos do mundo inteiro a rezar ao Senhor, com renovado fervor, pela unidade plena de todos os seus discípulos. Em um mundo que espera de nós não apenas palavras mas gestos concretos, possa este encontro ser um sinal de esperança para todos os homens de boa vontade!

7.         Determinados a realizar tudo o que seja necessário para superar as divergências históricas que herdamos, queremos unir os nossos esforços para testemunhar o Evangelho de Cristo e o patrimônio comum da Igreja do primeiro milênio, respondendo em conjunto aos desafios do mundo contemporâneo. Ortodoxos e católicos devem aprender a dar um testemunho concorde da verdade, em áreas onde isso seja possível e necessário. A civilização humana entrou em um período de mudança de época. A nossa consciência cristã e a nossa responsabilidade pastoral não nos permitem ficar inertes perante os desafios que requerem uma resposta comum.

Oriente Médio

8.         O nosso olhar dirige-se, em primeiro lugar, para as regiões do mundo onde os cristãos são vítimas de perseguição. Em muitos países do Oriente Médio e do Norte da África, os nossos irmãos e irmãs em Cristo veem exterminadas as suas famílias, aldeias e cidades inteiras. As suas igrejas são barbaramente devastadas e saqueadas; os seus objetos sagrados profanados, os seus monumentos destruídos. Na Síria, no Iraque e em outros países do Oriente Médio, constatamos, com amargura, o êxodo maciço dos cristãos da terra onde começou a espalhar-se a nossa fé e onde eles viveram, desde o tempo dos apóstolos, em conjunto com outras comunidades religiosas.

9.         Pedimos a ação urgente da Comunidade internacional para prevenir uma nova expulsão dos cristãos do Oriente Médio. Ao levantar a voz em defesa dos cristãos perseguidos, queremos expressar a nossa compaixão pelas tribulações sofridas pelos fiéis de outras tradições religiosas, também eles vítimas da guerra civil, do caos e da violência terrorista.

10.       Na Síria e no Iraque, a violência já causou milhares de vítimas, deixando milhões de pessoas sem casa nem meios de subsistência. Exortamos a Comunidade internacional a unir-se para pôr fim à violência e ao terrorismo e, ao mesmo tempo, a contribuir por meio do diálogo para um rápido restabelecimento da paz civil. É essencial garantir uma ajuda humanitária em larga escala às populações martirizadas e a tantos refugiados nos países vizinhos.

Pedimos a quantos possam influir sobre o destino das pessoas raptadas, entre as quais se encontram os Metropolitas de Aleppo, Paulo e João Ibrahim, sequestrados no mês de Abril de 2013, que façam tudo o que é necessário para a sua rápida libertação.

Acordo de Paz

11.       Elevamos as nossas súplicas a Cristo, Salvador do mundo, pelo restabelecimento da paz no Oriente Médio, que é “fruto da justiça” (Is 32, 17), a fim de que se reforce a convivência fraterna entre as várias populações, as Igrejas e as religiões lá presentes, pelo regresso dos refugiados às suas casas, a cura dos feridos e o repouso da alma dos inocentes que morreram.

Com um ardente apelo, dirigimo-nos a todas as partes que possam estar envolvidas nos conflitos pedindo-lhes que deem prova de boa vontade e se sentem à mesa das negociações. Ao mesmo tempo, é preciso que a Comunidade internacional faça todos os esforços possíveis para pôr fim ao terrorismo valendo-se de ações comuns, conjuntas e coordenadas. Apelamos a todos os países envolvidos na luta contra o terrorismo, para que atuem de maneira responsável e prudente. Exortamos todos os cristãos e todos os crentes em Deus a suplicarem, fervorosamente, ao Criador providente do mundo que proteja a sua criação da destruição e não permita uma nova guerra mundial. Para que a paz seja duradoura e esperançosa, são necessários esforços específicos tendentes a redescobrir os valores comuns que nos unem, fundados no Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.

12.       Curvamo-nos perante o martírio daqueles que, à custa da própria vida, testemunham a verdade do Evangelho, preferindo a morte à apostasia de Cristo. Acreditamos que estes mártires do nosso tempo, pertencentes a várias Igrejas mas unidos por uma tribulação comum, são um penhor da unidade dos cristãos. É a vós, que sofreis por Cristo, que se dirige a palavra do Apóstolo: “Caríssimos, (…) alegrai-vos, pois assim como participais dos padecimentos de Cristo, assim também rejubilareis de alegria na altura da revelação da sua glória” (1 Ped 4, 12-13).

Diálogo e Europa

13.       Nesta época preocupante, é indispensável o diálogo inter-religioso. As diferenças na compreensão das verdades religiosas não devem impedir que pessoas de crenças diversas vivam em paz e harmonia. Nas circunstâncias atuais, os líderes religiosos têm a responsabilidade particular de educar os seus fiéis num espírito respeitador das convicções daqueles que pertencem a outras tradições religiosas. São absolutamente inaceitáveis as tentativas de justificar ações criminosas com slogans religiosos. Nenhum crime pode ser cometido em nome de Deus, “porque Deus não é um Deus de desordem, mas de paz” (1 Cor 14, 33).

14.       Ao afirmar o alto valor da liberdade religiosa, damos graças a Deus pela renovação sem precedentes da fé cristã que acontece na Rússia e em muitos países da Europa Oriental, onde, durante algumas décadas, dominaram os regimes ateus. Hoje as cadeias do ateísmo militante estão quebradas e, em muitos lugares, os cristãos podem livremente confessar a sua fé. Em um quarto de século foram construídas dezenas de milhares de novas igrejas, e abertos centenas de mosteiros e escolas teológicas. As comunidades cristãs desenvolvem uma importante atividade sócio-caritativa, prestando variada assistência aos necessitados. Muitas vezes trabalham lado a lado ortodoxos e católicos; atestam a existência dos fundamentos espirituais comuns da convivência humana, ao testemunhar os valores do Evangelho.

15.       Ao mesmo tempo, estamos preocupados com a situação em muitos países onde os cristãos se debatem cada vez mais frequentemente com uma restrição da liberdade religiosa, do direito de testemunhar as suas convicções e da possibilidade de viver de acordo com elas. Em particular, constatamos que a transformação de alguns países em sociedades secularizadas, alheias a qualquer referência a Deus e à sua verdade, constitui uma grave ameaça à liberdade religiosa. É fonte de inquietação para nós a limitação atual dos direitos dos cristãos, se não mesmo a sua discriminação, quando algumas forças políticas, guiadas pela ideologia de um secularismo frequentemente muito agressivo, procuram relegá-los para a margem da vida pública.

16.       O processo de integração europeia, iniciado depois de séculos de sangrentos conflitos, foi acolhido por muitos com esperança, como uma garantia de paz e segurança. Todavia, convidamos a manter-se vigilantes contra uma integração que não fosse respeitadora das identidades religiosas. Embora permanecendo abertos à contribuição de outras religiões para a nossa civilização, estamos convencidos de que a Europa deve permanecer fiel às suas raízes cristãs. Pedimos aos cristãos da Europa Oriental e Ocidental que se unam para testemunhar em conjunto Cristo e o Evangelho, de modo que a Europa conserve a própria alma formada por dois mil anos de tradição cristã.

Família

17.       O nosso olhar volta-se para as pessoas que se encontram em situações de grande dificuldade, em condições de extrema necessidade e pobreza, enquanto crescem as riquezas materiais da humanidade. Não podemos ficar indiferentes à sorte de milhões de migrantes e refugiados que batem à porta dos países ricos. O consumo desenfreado, como se vê em alguns países mais desenvolvidos, está gradualmente esgotando os recursos do nosso planeta. A crescente desigualdade na distribuição dos bens da Terra aumenta o sentimento de injustiça perante o sistema de relações internacionais que se estabeleceu.

18.       As Igrejas cristãs são chamadas a defender as exigências da justiça, o respeito pelas tradições dos povos e uma autêntica solidariedade com todos os que sofrem. Nós, cristãos, não devemos esquecer que “o que há de louco no mundo é que Deus escolheu para confundir os sábios; e o que há de fraco no mundo é que Deus escolheu para confundir o que é forte. O que o mundo considera vil e desprezível é que Deus escolheu; escolheu os que nada são, para reduzir a nada aqueles que são alguma coisa. Assim, ninguém se pode vangloriar diante de Deus” (1 Cor 1, 27-29).

19.       A família é o centro natural da vida humana e da sociedade. Estamos preocupados com a crise da família em muitos países. Ortodoxos e católicos partilham a mesma concepção da família e são chamados a testemunhar que ela é um caminho de santidade, que testemunha a fidelidade dos esposos nas suas relações mútuas, a sua abertura à procriação e à educação dos filhos, a solidariedade entre as gerações e o respeito pelos mais vulneráveis.

20.       A família funda-se no matrimônio, ato de amor livre e fiel entre um homem e uma mulher. É o amor que sela a sua união e os ensina a acolher-se reciprocamente como um dom. O matrimônio é uma escola de amor e fidelidade. Lamentamos que outras formas de convivência já estejam postas ao mesmo nível desta união, ao passo que o conceito, santificado pela tradição bíblica, de paternidade e de maternidade como vocação particular do homem e da mulher no matrimônio, seja banido da consciência pública.

21.       Pedimos a todos que respeitem o direito inalienável à vida. Milhões de crianças são privadas da própria possibilidade de nascer no mundo. A voz do sangue das crianças não nascidas clama a Deus (cf. Gn 4, 10).

O desenvolvimento da chamada eutanásia faz com que as pessoas idosas e os doentes comecem a sentir-se um peso excessivo para as suas famílias e a sociedade em geral.

Estamos preocupados também com o desenvolvimento das tecnologias reprodutivas biomédicas, porque a manipulação da vida humana é um ataque aos fundamentos da existência do homem, criado à imagem de Deus. Consideramos nosso dever lembrar a imutabilidade dos princípios morais cristãos, baseados no respeito pela dignidade do homem chamado à vida, segundo o desígnio do Criador.

Juventude

22.       Hoje, desejamos dirigir-nos de modo particular aos jovens cristãos. Vós, jovens, tendes o dever de não esconder o talento na terra (cf. Mt 25, 25), mas de usar todas as capacidades que Deus vos deu para confirmar no mundo as verdades de Cristo, encarnar na vossa vida os mandamentos evangélicos do amor de Deus e do próximo. Não tenhais medo de ir contra a corrente, defendendo a verdade de Deus, à qual estão longe de se conformar sempre as normas secularizadas de hoje.

23.       Deus ama-vos e espera de cada um de vós que sejais seus discípulos e apóstolos. Sede a luz do mundo, de modo que quantos vivem ao vosso redor, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está no Céu (cf. Mt 5, 14.16). Haveis de educar os vossos filhos na fé cristã, transmitindo-lhes a pérola preciosa da fé (cf. Mt 13, 46), que recebestes dos vossos pais e antepassados. Lembrai-vos que “fostes comprados por um alto preço” (1 Cor 6, 20), a custo da morte na cruz do Homem-Deus Jesus Cristo.

24.       Ortodoxos e católicos estão unidos não só pela Tradição comum da Igreja do primeiro milênio mas também pela missão de pregar o Evangelho de Cristo no mundo de hoje. Esta missão exige o respeito mútuo entre os membros das comunidades cristãs e exclui qualquer forma de proselitismo.

Não somos concorrentes, mas irmãos: por esta certeza, devem ser guiadas todas as nossas ações recíprocas e em benefício do mundo exterior. Exortamos os católicos e os ortodoxos de todos os países a aprender a viver juntos na paz e no amor e a ter “os mesmos sentimentos, uns com os outros” (Rm 15, 5). Por isso, é inaceitável o uso de meios desleais para incitar os crentes a passar de uma Igreja para outra, negando a sua liberdade religiosa ou as suas tradições. Somos chamados a pôr em prática o preceito do apóstolo Paulo: “Tive a maior preocupação em não anunciar o Evangelho onde já era invocado o nome de Cristo, para não edificar sobre fundamento alheio” (Rm 15, 20).

Greco-católicos

25.       Esperamos que o nosso encontro possa contribuir também para a reconciliação, onde existirem tensões entre greco-católicos e ortodoxos. Hoje, é claro que o método do “uniatismo” do passado, entendido como a união de uma comunidade à outra separando-a da sua Igreja, não é uma forma que permita restabelecer a unidade. Contudo, as comunidades eclesiais surgidas nestas circunstâncias históricas têm o direito de existir e de empreender tudo o que é necessário para satisfazer as exigências espirituais dos seus fiéis, procurando ao mesmo tempo viver em paz com os seus vizinhos. Ortodoxos e greco-católicos precisam de reconciliar-se e encontrar formas mutuamente aceitáveis de convivência.

26.       Deploramos o conflito na Ucrânia que já causou muitas vítimas, provocou inúmeras tribulações a gente pacífica e lançou a sociedade em uma grave crise econômica e humanitária. Convidamos todas as partes do conflito à prudência, à solidariedade social e à atividade de construir a paz. Convidamos as nossas Igrejas na Ucrânia a trabalhar por se chegar à harmonia social, abster-se de participar no conflito e não apoiar ulteriores desenvolvimentos do mesmo.

27.       Esperamos que o cisma entre os fiéis ortodoxos na Ucrânia possa ser superado com base nas normas canônicas existentes, que todos os cristãos ortodoxos da Ucrânia vivam em paz e harmonia, e que as comunidades católicas do país contribuam para isso de modo que seja visível cada vez mais a nossa fraternidade cristã.

28.       No mundo contemporâneo, multiforme e todavia unido por um destino comum, católicos e ortodoxos são chamados a colaborar fraternalmente no anúncio da Boa Nova da salvação, a testemunhar juntos a dignidade moral e a liberdade autêntica da pessoa, “para que o mundo creia” (Jo 17, 21). Este mundo, onde vão desaparecendo progressivamente os pilares espirituais da existência humana, espera de nós um vigoroso testemunho cristão em todas as áreas da vida pessoal e social. Nestes tempos difíceis, o futuro da humanidade depende em grande parte da nossa capacidade conjunta de darmos testemunho do Espírito de verdade.

Testemunhas da verdade

29.       Neste corajoso testemunho da verdade de Deus e da Boa Nova salvífica, possa sustentar-nos o Homem-Deus Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador, que nos fortifica espiritualmente com a sua promessa infalível: “Não temais, pequenino rebanho, porque aprouve ao vosso Pai dar-vos o Reino” (Lc 12, 32).

Cristo é fonte de alegria e de esperança. A fé n’Ele transfigura a vida humana, enche-a de significado. Disto mesmo puderam convencer-se, por experiência própria, todos aqueles a quem é possível aplicar as palavras do apóstolo Pedro: “Vós que outrora não éreis um povo, mas sois agora povo de Deus, vós que não tínheis alcançado misericórdia e agora alcançastes misericórdia” (1 Ped 2, 10).

30.       Cheios de gratidão pelo dom da compreensão recíproca manifestada durante o nosso encontro, levantamos os olhos agradecidos para a Santíssima Mãe de Deus, invocando-A com as palavras desta antiga oração: “Sob o abrigo da vossa misericórdia, nos refugiamos, Santa Mãe de Deus”. Que a bem-aventurada Virgem Maria, com a sua intercessão, encoraje à fraternidade aqueles que A veneram, para que, no tempo estabelecido por Deus, sejam reunidos em paz e harmonia num só povo de Deus para glória da Santíssima e indivisível Trindade!

Havana (Cuba), 12 de fevereiro de 2016.

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Papa: declaração conjunta é pastoral, não sociológica ou política

Cidade do Vaticano (RV) – Durante o voo entre Havana e a Cidade do México, nesta sexta-feira (12/02), Francisco comentou com os jornalistas a bordo do voo papal suas impressões sobre a assinatura da declaração conjunta com o Patriarca Kirill: “Haverão tantas interpretações, tantas”, advertiu o Pontífice.

Em primeiro lugar, Francisco quis agradecer ao Presidente cubano Raúl Castro por ter se disponibilizado a sediar o encontro histórico e facilitar a assinatura da declaração conjunta. A seguir, o Pontífice esclareceu que se tratava de um encontro “entre dois bispos”.

Pastores

“Foi uma conversa entre irmãos: pontos claros que a ambos preocupam. Falamos com toda a franqueza. Eu me senti diante de um irmão, e ele também me disse o mesmo. Dois bispos que falam sobre a situação de suas Igrejas, primeiro. Segundo, sobre a situação do mundo, das guerras, guerras que agora corre-se o risco de não ser mais ‘em partes’, mas que pode envolver tudo, não?”, advertiu Francisco.

A seguir, o Papa destacou o clima de alegria que marcou os colóquios.

“Lhes digo, verdadeiramente, sentia uma alegria interior que era propriamente do Senhor. Ele falava liberalmente e se sentia essa alegria”, frisou o Pontífice.

Unidade

Mudando o tom de voz e afirmando que a  unidade dos cristãos se faz caminhando, não com tratados teológicos, o Papa ponderou: “Haverão tantas interpretações, tantas. Não é uma declaração política ou sociológica, é uma declaração pastoral. Até quando se fala do secularismo e de coisas claras, de manipulação biogenética, todas essas coisas. É pastoral: de dois bispos que se encontram com preocupações pastorais. Estou contente”. (RB)

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35 Comentários to “Francisco e Kirill: declaração conjunta.”

  1. A unidade dos cristãos já se fez. Na Igreja Católica Apostólica Romana. Os que sem culpa nascem em outras confissões cristãs não podem ser acusados pelo hediondo crime da separação, podem se salvar, mas se salvam por sua ignorância invencível, não em virtude da pseudo confissão cristã separada de Roma. Não obstante, também são hereges, pois também a heresia se divide em heresia formal e material. Aqueles que professam doutrinas errôneas dessas seitas, sem culpa de sua parte, é um herege material.

    Com certeza esse Patriarca é um herege formal. E muitos mesmos dentre os cismáticos e protestantes também o são, pois conhecem a doutrina da Igreja e a negam de forma pertinaz.

    Ouvimos muito falar do escândalo da separação. Há também o escândalo da união, quando membros da hierarquia se unem a membros de outras confissões e não exigem o retorno destes para a verdadeira Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. E mais, ainda apregoam que devemos nos unir a membros de outras confissões para dar um testemunho conjunto, pois a separação entre nós é um obstáculo para a evangelização, para que o mundo creia… Uma tremenda tolice contra a verdadeira fé e ortodoxia católicas pregadas até o CV II.

    Não existe união entre católicos e protestantes.
    Não existe união entre católicos e cismáticos.

    O que deve existir é a Igreja voltar a reivindicar, de forma clara e inequívoca, como sendo a única Igreja fundada por Jesus Cristo, tendo Pedro e seus sucessores o primado de jurisdição sobre toda a igreja universal. E exigir o retorno dos dissidentes, pois fora dessa Igreja não há esperança de salvação.

  2. O item 26 foi pedido pelo Puttin: “…abster-se de participar no conflito e não apoiar ulteriores desenvolvimentos do mesmo.”

  3. Apreciei muito as alfinetadas contra a União Européia. Lamentei a traição contra a Igreja Greco-Ucraniana, a condenação do uniatismo.

  4. Ao meu xará,

    A unidade da cristandade, ao que me consta, se dá com à submissão à Igreja Romana, mas nunca foi preciso ser da Igreja Romana para ser verdadeiro católico. Existe a Pentarquia, das Veneráveis Igrejas mais antigas: Romana, Constantinopolitana, Alexandrina, Antioquiana e a de Jerusalém. O Credo diz: Creio na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica.
    Roma preside as outras na caridade.
    O problema não é ser Romano. Mas não se submeter à autoridade de Pedro, da Igreja Romana.

    A Paz

  5. O lugar para o encontro dos dois líderes religiosos, particularmente aceito pelo papa Francisco da nossa Igreja católica, não poderia ter sido pior: Cuba, que é o subproduto do material-ateísmo e do esterco marxista fixado nas mentes de alguns burgueses e capitalistas de Estado, retratados num povo acuado e amordaçado!
    Aliás, o povo cubano é hostilizado ostensivamente pelo regime opressor da ditadura castrista, por sinal, das mesmas bases ideológicas dos abjetos Nazismo e Fascismo, representando à verdade ambos o diabolismo – oposição formal a tudo quanto pertença ao tronco judaico-cristão, também ao Senhor Deus e à sua Igreja!
    …”Alegramo-nos porque aqui cresce, de forma dinâmica, a fé cristã. O forte potencial religioso da América Latina, a sua tradição cristã secular, presente na experiência pessoal de milhões de pessoas, são a garantia de um grande futuro para esta região”.
    Até ao momento, não sabia que em Cuba sucede tal fenômeno do crescimento de uma fé cristã pujante; ao contrario, os cristãos estão amordaçados e existe apenas uma Igreja “Católica” que opera livremente com “religiosos” aderentes ao regime dos ditadores Castro: a reedição na versão caribenha da “Igreja Católica Patriota Chinesa”, essa sim!
    Outra também que tem pleno direito de exercer suas funções “missionarias” em Cuba é a esquerdista Teologia da Libertação, à qual certamente Raúl Castro desejaria se converter: não sabendo ele que já pertence a ela há muito tempo, assim como Fidel Castro e toda a burguesia do partido comunista de opção “cristã católica”, incl. Fidel Castro!
    Dessa mesma modalidade de “fé cristã” é como sucede aqui no Brasil com os petistas vinculados à TL, alguns portando até o anel de tucum!!
    Doutro lado, o patriarca Kirill, que outrora teria sido agente da KGB, desconceituado entre os seus por aprovar os progressistas, de ideias modernistas, que confrontam as tradições particulares da IOR, suspeito portanto, além de amigo pessoal de Putin, o qual usaria a religião cristã para retornar ao que era a Russia nos tempos do pleno comunismo, dessa vez por meio da sedução, como suposto defensor dos cristãos, anti abortista e mais embustes.
    Que frutos provirão desse encontro, não se tem ideia; as previsões poderiam não serem muito otimistas, pois juntar-se ao relativismo da “ortodoxia” cismática, cujo patriarca é “unum inter pares”, cujas dioceses são todas autônomas e há seitas de um cisma às centenas, seria algo como suceder e esperar similarmente de se ajuntar ao relativismo protestante, radicais inimigos da Igreja católica e adeptos de uma doutrina alienante!
    Que vantagens trariam esse “uniões” para a Igreja?
    Não seriam senão acréscimos de mais relativismo e apostasia?

  6. “Por vontade de Deus Pai de quem provém todo o dom, no nome do Senhor nosso Jesus Cristo e com a ajuda do Espírito Santo Consolador, nós, Papa Francisco e Kirill, Patriarca de Moscou e de toda a Rússia, encontramo-nos, hoje, em Havana. Damos graças a Deus, glorificado na Trindade, por este encontro, o primeiro na história”?

    Em Deus não há contradição e a vontade de Deus foi expressa de modo inequívoco por sua mais fiel mensageira em Fátima-Portugal:

    “Para o impedir (as calamidades que desabariam sobre o mundo), virei pedir a consagração da Rússia a Meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a Meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas. Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz”.

    Ora, eu vejo nesse encontro apenas outra tentativa de Satanás de por uma pá de cal nas intenções de Nossa Senhora. Isso está exposto de forma explícita nos seguintes parágrafos:

    “Ortodoxos e católicos estão unidos não só pela Tradição comum da Igreja do primeiro milênio mas também pela missão de pregar o Evangelho de Cristo no mundo de hoje. Esta missão exige o respeito mútuo entre os membros das comunidades cristãs e exclui qualquer forma de proselitismo”.
    RESUMINDO: NADA DE CONVERSÃO DOS CISMÁTICOS RUSSOS À ÚNICA IGREJA SOB UM ÚNICO PASTOR.

    […]Exortamos os católicos e os ortodoxos de todos os países a aprender a viver juntos na paz e no amor e a ter “os mesmos sentimentos, uns com os outros” (Rm 15, 5). Por isso, é inaceitável o uso de meios desleais para incitar os crentes a passar de uma Igreja para outra, negando a sua liberdade religiosa ou as suas tradições. RESUMINDO: NADA DE CONVERSÃO DOS CISMÁTICOS RUSSOS À ÚNICA IGREJA SOB UM ÚNICO PASTOR.

    Esperamos que o nosso encontro possa contribuir também para a reconciliação, onde existirem tensões entre greco-católicos e ortodoxos. Hoje, é claro que o método do “uniatismo” do passado, entendido como a união de uma comunidade à outra separando-a da sua Igreja, não é uma forma que permita restabelecer a unidade. RESUMINDO: NADA DE FIDELIDADE À ÚNICA IGREJA SOB UM ÚNICO PASTOR.

    Enfim, quem estiver esperando a Consagração da Rússia sob o Pontificado de Bergoglio, esperem sentados! Quando João Paulo II fez aquela consagração onde se omitiu o nome da Rússia, muitos se perguntaram: porque o Papa não mencionou a Rússia na cerimônia de consagração que supostamente tinha por objeto a mesma Rússia? A resposta a esta pergunta foi-nos dada por uma fonte altamente colocada no Vaticano: “Roma receia que os Ortodoxos Russos fiquem ofendidos se Roma fizesse uma menção específica da Rússia numa oração deste gênero, como se a Rússia estivesse especialmente precisando de ajuda, quando todo o mundo, incluindo o Ocidente pós-cristão, enfrenta problemas graves”.

    Isto saiu no Inside the Vatican de Novembro de 2000 como tendo sido dito por “um dos assessores mais próximos do Papa”. Era, de fato, o Cardeal Tomko. Foi este, portanto, o conselho que deram ao Papa.
    E assim, Nossa Senhora de Fátima foi ultrapassada pelas exigências da diplomacia do Vaticano e do ecumenismo. Isto foi de fato, o que o Cardeal Tomko disse naquela época

    Agora, pra adicionar insulto à injúria, Bergoglio ainda joga os UNIATAS debaixo do ônbus. Pois entre os “uniatas”, os ucranianos são o maior grupo, com mais de cinco milhões de fiéis à Roma. E são eles também os que tem mais conflitos com a Igreja Ortodoxa. É interesse de Putin que os uniatas ucranianos parem de dar-lhe dor de cabeça e quem melhor poderia auxiliá-lo do que o Bispo de Roma? Em nome da “obediência” à Roma eles terão que se curvar à vontade de Putin. Esqueceram-se das palavras de Bergoglio no vôo de regresso de Constantinopla a Roma, fazendo piadinhas com um importante jornalista russo?

    “Eu vou dizer uma coisa que talvez alguém não consegue entender, mas… As Igrejas Orientais católicas têm o direito de existir, é verdade. Mas uniatismo é uma palavra de uma outra época. Hoje não se pode falar assim. Deve-se encontrar um outro meio”.
    https://fratresinunum.com/2014/12/20/32020/

    Quando Bergoglio solta uma de suas piadinhas dentro de um avião, podem esperar que lá vem um torpedo sobre as nossas cabeças. Engana-se quem pensa que só são palavras ao vento! O meio que ele encontrou foi ignorar a invasão de Putin à Ucrânia, a perseguição sistemática dos uniatas e dizer-lhes que essa mania de querer ficar unido à Roma já é coisa superada! Se o estupro é inevitável, relaxem!
    Outra coisa, diante da crise pela qual passa a família, se dar todo esse trabalho de fazer um encontro na ilha-prisão com um cismático, só pra ficar repetindo: “estamos preocupados, estamos preocupados”…não faz sentido para alguém que ocupa o cargo de Vigário de Cristo!! Sua atitude deveria ser no mínimo parecida com seus predecessores : “estamos ocupados em fazer com que todos respeitem o direito inalienável à vida”.
    Nós Católicos outrossim estamos muito preocupados com o rumo desse Pontificado. A única forma de entendermos o que se passa em Roma atualmente é à luz da mensagem de Fátima.
    Nossa única consolação é saber que apesar desse “Bispo de branco”, que “parece” ser o Santo Padre, “por fim o Imaculado Coração de Maria triunfará. O Santo Padre consagrará a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz”.

    • “Em Deus não há contradição e a vontade de Deus foi expressa de modo inequívoco por sua mais fiel mensageira em Fátima-Portugal”

      Trata-se de uma revelação divina ou de uma aparição? O que dizem os documentos da Igreja a respeito do valor dos ensinamentos emanados de um e de outro?

  7. O que o russo foi fazer em Cuba? Visita pastoral aos “ortodoxos cubanos”?

  8. 1-) Colaciono aqui as declarações do Ten. Gen. Pacepa para que os leitores do Fratres in Unum não tenham dúvida de que Kirill é um agente da KGB (atual FSB):
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    “O Arquivo Mitrokhin, uma coleção volumosa de documentos do serviço secreto de inteligência estrangeiro soviético que foram contrabandeadas para fora da União Soviética em 1992, dá as identidades e os codinomes da inteligência soviética de muitos padres ortodoxos russos despachados, ao longo dos anos, para o Conselho Mundial de Igrejas com o objetivo específico de influenciar a política e as decisões desse órgão. De fato, em 1972 a inteligência soviética conseguiu ter o Metropolita Nikodim (agente “Adamant”) eleito presidente do WCC. Um documento da KGB de 1989 se vangloria: “Mais recentemente, o Metropolita Kirill (agente “Mikhaylov”), o qual fora um representante influente no Conselho Mundial de Igreja desde 1971 e, após 1975, um membro do Comitê Central do WCC, foi em 2009 eleito patriarca da Igreja Ortodoxa Russa” (“Desinformação”, Ion Mihai Pacepa. Vide Editorial, 2015, p. 31).
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    “No dia 11 de abril de 1945, os bispos católicos ucranianos foram presos, incluindo o Arcebispo Josyf Slipyj. De 1920 a 1922, Slipyj estudou no Pontifício Instituto Oriental, em Roma, e na Pontifícia Universidade Gregoriana. Em 1939, com a benção do Papa Pio XII, Slipyj foi sagrado arcebispo de Lviv. Tornou-se o líder da IOGU [Igreja Greco-Católica Ucraniana] em 1944. Então, junto com os outros bispos, foi acusado de colaborar com os nazistas e condenado a trabalho forçado no gulag siberiano.
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    “Em resposta, Pio XII lançou sua encíclica Orientales Omnes, de 23 de dezembro de 1945. Nela, o Papa não apenas condenava o comunismo; ele aberta e especialmente atacava o Patriarca Alexis, de Moscou. A situação ficou pior de 8 a 10 de março de 1946, quando as autoridades soviéticas reuniram à força uma assembleia de 216 padres, e fez-se então o assim chamado Sínodo de Lviv, no qual a Igreja Ortodoxa Grega da Ucrânia foi “reincorporada” à força à Igreja Ortodoxa Russa e obrigada a revogar a sua união com Roma. A IOGU [Igreja Greco-Católica Ucraniana] primeiro se tornou uma “Igreja do Silêncio”, depois uma “Igreja de Mártires”, já que muitos dos católicos ucranianos confinados pelos comunistas eram torturados e/ou assassinados.” (op. cit. p. 131).
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    “Ainda não foi encontrada nenhuma pista concreta da mão da KGB nesta nova guerra secreta contra o mundo cristão, porque os arquivos da KGB, infelizmente, ainda estão fechados. Mas inclinar o Vaticano para que eleja papas anti-americanos simpáticos ao Kremlin (…) há muito é o sonho de Moscou.” (op. cit. p. 264).
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    “No dia 5 de dezembro de 2008, morreu Aleksi II, o 15º. patriarca de Moscou e de toda a Rússia e primaz da Igreja Ortodoxa Russa. Ele tinha trabalhado para a KGB sob o codinome de “Drozdov” e tinha o Certificado de Honra, da KGB, como foi revelado por arquivos da agência de segurança deixados para trás na Estônia quando os russos foram postos fora de lá. Pela primeira vez na história, a Rússia tinha a oportunidade de conduzir a eleição democrática de um novo patriarca, mas isso não seria assim.
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    “Em 27 de Janeiro de 2009, os 700 delegados do Sínodo reunidos em Moscou receberam uma lista de três candidatos: o Metropolita Kirill, de Smolensk (membro secreto da KGB cognominado “Mikhylov”); o Metropolita Filaret, de Minsk (que tinha trabalhado para a KGB com o codinome de “Ostrovsky”); e o Metropolita Kliment, de Kaluga (na KGB com o codinome “Topaz”).
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    Quando os sinos da Catedral de Cristo Salvador dobraram para anunciar que um novo patriarca tinha sido eleito, Kirill/”Mikhaylov” veio a ser vencedor. Indiferentemente de se era o melhor líder para a sua igreja, ele certamente estava em melhor posição para influenciar o mundo religioso no exterior do que os outros candidatos. Em 1971, a KGB mandara Kirill para Genebra como representante da Igreja Ortodoxa Russa naquela máquina de propaganda soviética, o Conselho Mundial de Igrejas (WCC). Em 1975, a KGB o infiltrou no Comitê Central do WCC, que se tornou um peão do Kremlin. Em 1989 a KGB também o designou diretor de relações internacionais do patriarcado russo. Ele ainda detinha estes dois cargos quando foi eleito patriarca.
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    “Em seu discurso de aceite, como novo patriarca, “Mikhaylov” anunciou que planejava fazer uma viagem ao Vaticano em futuro próximo. Também falou sobre sua intenção de estabelecer canais de televisão religiosos na Rússia que também transmitiriam para o exterior.
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    “Na Rússia, quanto mais as coisas mudam, mais parecem ficar as mesmas. A ciência da desinformação se mostrou uma arma tão encantadora, que os russos permanecem viciados nela. […]” (op. cit. pp. 366-367).
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    ***
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    “Documentos há pouco liberados da KGB mostram que metade de todo o clero soviético eram agentes ou empregados disfarçados da KGB até pelo menos o fim da era Gorbachev.” (op. cit. pp. 468, nota no. 5). (http://sputnikputin.blogspot.com.br/2016/02/patriarca-kirill-agente-da-fsbkgb.html)

  9. A Igreja de Roma preside com verdadeira jurisdição sobre toda a Igreja espelhada pelo mundo. Isso já deveria bastar para incluir as Igrejas você citou, que estão em comunhão com Roma.
    Igreja Católica Apostólica Romana é o termo comum e correto para designar a Igreja de Jesus Cristo.

    CATÓLICA, pois espalhada por todo o orbe.
    Apostólica, pois tem como fundamento a doutrina dos apóstolos.
    Romana, pois a Igreja de Roma tem a primazia de jurisdição sobre todas as igrejas espalhadas pelo mundo.

    Mas o seu complemento é muito válido.

  10. 2-) O acordo assinado em Cuba deve ser rejeitado por completo, senão vejamos:
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    A-) Depois da Revolução Comunista na Rússia não há mais Sucessão Apostólica na Igreja Cismática Russa (erroneamente chamada de ortodoxa), pois Stálin construiu esta sua “igreja” a partir de padres que não tinham ordens sacras e bispos sem caráter sacramental.
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    B-) No ponto 24 proibi os católicos ucranianos de fazerem “qualquer forma de proselitismo”, do qual dispenso maiores comentários.
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    C-) No ponto 26: “Convidamos as nossas Igrejas na Ucrânia a trabalhar por se chegar à harmonia social, abster-se de participar no conflito e não apoiar ulteriores desenvolvimentos do mesmo.” Ora, por acaso os russos irão baixar suas armas e sair da Ucrânia? Os russos de Puitn são os agressores.
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    D-)”Há, por exemplo, uma organização chamada Exército ortodoxo russo – são voluntários da Rússia [composto pelos membros da organização neo-nazi russa RNE]. Eles se distinguem pela agressividade especial contra os “infiéis”, ou seja, aqueles que não pertencem à Igreja ortodoxa russa do Patriarcado de Moscovo. [Eles consideram que] “os infiéis” podem ser mortos.” (http://ucrania-mozambique.blogspot.com.br/2016/02/os-crimes-russos-da-guerra-no-leste-da.html).
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    E-) Este acordo é totalmente contrário ao ensinado e proclamado na Encíclica de Papa Pio XII “Orientales Omnes”.

  11. Lucas Janusckiewicz Coletta, você sabia que Pacepa tem artigos publicados pelos perenialistas maçons romenos. Ele não tem credibilidade nenhuma.

    Lucas, você deveria se informa melhor com pessoas que estudam grupos que aparentam estar do lado da Madre Igreja, mas que trabalha para destruí-la.

    As palavras abaixo não são minhas, mas serve como alerta para saber quem é Pacepa:

    “Pacepa além de estar até ao pescoço ligado aos romenos maçons que estamos a denunciar, participou de várias farsas…

    Vejamos :

    1. Ele afirmou recentemente que o terrorismo árabe e citou a Al-Quaeda como exemplo era fruto russo.

    2. Ele afirmou no livro :””Programmed to Kill: Lee Harvey Oswald, the Soviet KGB, and the Kennedy Assassination” que Kennedy foi morto pela KGB, isso quando Kennedy tentava acabar com o poder do FED que estranhamente ele esqueceu de citar.

    3. Ele afirmou que haviam armas atômicas no Iraque e defendeu publicamente a invasão…

    Enfim, mais um agente perenialista com uma agenda clara…”

  12. Foi divulgada em Cuba uma declaração conjunta assinada pelo Papa Francisco e por Kirill, sob as vistas do tirano comunista Raul Castro. Terá sido combinada mais alguma coisa nas tratativas que duraram dois anos entre os russos e os monsenhores do Vaticano e que não foi divulgada? Só com o decurso do tempo se saberá.
    .
    Muita coisa poderia ser comentada sobre essa longa declaração de 30 pontos. Limito-me ao item número 26: “Convidamos as nossas Igrejas na Ucrânia a trabalhar por se chegar à harmonia social, abster-se de participar no conflito e não apoiar ulteriores desenvolvimentos do mesmo”.
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    O que sobretudo está aí dito é que o Vaticano vai pressionar o quanto puder o clero greco-católico ucraniano para que este, por sua vez, induza os ucranianos a cruzarem os braços, a entregarem as armas e cessarem desde já toda e qualquer resistência aos russos, até mesmo quando a capital da Ucrânia foi cercada e chegar a hora da batalha final.
    .
    Se o clero católico ucraniano obedecer a Francisco e seguir os termos dessa vergonhosa e infame declaração conjunta, conduzirá fatalmente o seu rebanho para a degola. Não tenho dúvida de que, sob a dominação russa, os melhores elementos da reação católica ucraniana serão seletivamente assassinados e boa parte dos cinco milhões de ucranianos católicos lá residentes serão com o tempo dizimados. Se porém o clero católico ucraniano resistir a Francisco, então haverá esperança para essa nação. Portanto o estado de resistência pública – aos termos desse acordo e às ordens a serem dadas pelos elementos do clero católico ucraniano que optem por se colocar em consonância com essa declaração conjunta – é indispensável para que a luta contra Putin prossiga na Ucrânia.
    .
    À vista disso, percebe-se que ficaram instaladas duas frentes de combate na Ucrânia. Numa delas há a luta armada. Na outra, há a guerra psicológica revolucionária, empenhada em fazer os resistentes a Moscou baixarem as armas e capitularem em obediência a Francisco. Em última análise, essa segunda frente de batalha não é menos importante do que a primeira. Em ambas o cerne da questão é o mesmo: a completa submissão a Putin.

  13. “Partilhamos a Tradição espiritual comum do primeiro milênio do cristianismo. As testemunhas desta Tradição são a Virgem Maria, Santíssima Mãe de Deus, e os Santos que veneramos.” Já agora vale a pena ver que santos a igreja do Patriarca de Moscovo Kirill venera. Na foto a seguir podemos ver um icon do Santo Putin com uma aura dourada a ser osculado por um soldado russo.


    http://morningoffering.blogspot.pt/2014/07/stooping-low-lengths-some-will-take-to.html

    • Sr. Luis Fernandes,

      A foto que postaste como sendo verdadeira, é inteiramente falsa, mera montagem. Colocá-la aqui para atacar a Igreja Ortodoxa Russa é, salvo se o fizeste por engano, vergonhoso.
      Lamento que não tenhas lido o site de onde retiraste a foto, mas eis a foto verdadeira:

  14. Por que esse acordo foi assinado em Cuba? E desde quando Cuba é a encruzilhada do norte e sul, entre Leste e Oeste. Se tivesse algum país ser desta forma conceituado então esse país deveria ser a Alemanha, terra de Bento XVI, porque ali convive duas expressões culturais/religiosas: o sul católico e o norte protestante, e ali foi o ponto nevrálgico do leste pró-capitalista e o oeste pró-socialista. E foi na Alemanha que se destacaram relevantes fatos dramáticos como o lamentável nazismo que gerou a Segunda Guerra e a divisão ideológica simbolizada pelo Muro de Berlim. Mas os modernistas têm que por Cuba no meio.

  15. Coisas que me incomodam nesse documento (nºs dos parágrafos abaixo):

    2. Cuba, centro do universo (encontro do norte com o sul, o leste com o oeste)?

    Os “centros do mundo” costumavam ser as referências de civilização (Roma, Jerusalém, etc). Quais as referências de Cuba? Por que não se encontraram num local mais próximo? Áustria, Suiça, etc.

    9. Nenhuma palavra sobre a possibilidade dos cristãos voltarem aos seus lares e às suas igrejas.

    É como a moça assediada no metrô? “Ponha só uma mão no meu traseiro, as duas, não” ou seria melhor “tire a sua mão daí e desapareça daqui , seu tarado! lincha, lincha!!!” (slap! = tapaço nas fuças)?

    10. Restabelecer a paz no Oriente Médio com diálogo?

    Os crucificados, decapitados, mortos, torturados, etc bem que tentaram, mas os bombardeios da Força Aérea Russa estão dando melhores resultados (notícias da guerra na Síria que nossos jornalistas não nos deixam saber – a Síria está vencendo a guerra contra terroristas e guerrilheiros apoiados pelos EUA, França, Reino Unido, Arábia Saudita e – pasmem! – Israel: http://syrianperspective.com/ ).

    13. Respeitar outras convicções religiosas? Não condenar justamente os que perseguem e massacram cristãos?

    16. Contribuição de outras religiões para nossa civilização?

    Estupros, pirataria, saques, agressões, invasões, guerras, hostilidades contra os cidadãos dos países que hospedam os “refugiados e imigrantes”, exploração da prostituição, usura, tráfico de drogas? Essas são as contribuições do islamismo (as 5 últimas também são de outra “religião” muito antiga e muito simpatizada pelo Papa Francisco…deve ser isso).

    26. Abster-se da guerra? Já sei, o negócio é apanhar calado. Tipo mulher de malandro.

    Por falar em guerra, ninguém sabe que as guerras no Oriente Médio têm um objetivo: a Terceira Guerra Mundial e o “Grande Israel” do Nilo ao Eufrates?

    Vejam (ignorem a “contra-inteligência” dos que dizem ser isso uma “teoria da conspiração” – argumento típico de gente sem argumento):

    http://www.globalresearch.ca/greater-israel-the-zionist-plan-for-the-middle-east/5324815

    O anticredo: a Igreja, una, santa, católica, apostólica existe em todo o mundo desde o tempo dos apóstolos. Igreja nacional não faz parte disso: não é una, nem mais santa (clero da KGB), nem é católica (fundaram essa coisa num cisma) e só Deus sabe se alguém ali segue uma sucessão apostólica.

    “Não conheço esse homem”. Estamos na Quaresma e Pedro já nega a Cristo, nem espera a Semana Santa chegar…

    Só faltaram as assinaturas da CNBB e as da de Cuba.

    Aliás, nenhuma condenação ao comunismo e à ditadura sanguinária da ilha-prisão, muito bem!!!

    Nenhuma palavra de solidariedade aos encarcerados e torturados pelos psicopatas Castro e seus cães de guarda. Nenhum repúdio à violência ditatorial comunista, nada, nada, nada!!!

    A cara do cristão covardão contemporâneo cheio de crendices e superstições ideológicas. Se fosse mulher, além disso, estaria “esbanjando sensualidade” durante a Missa.

  16. Considero este acontecimento preocupante. Porquê em Cuba? Não deixa de ser estranho….

  17. Não merecem consideração os comentários do leitor Renato (qual deles???), que procura desacreditar as citações postadas acima pelo Dr. Lucas Janusckiewicz Coletta (advogado militante que reside em Araraquara e católico tradicionalista modelar) através da conhecida técnica esquerdista de desacreditar a obra e desqualificar a pessoa de um anticomunista, no caso, o Tenente-General Ion Mihai Pacepa.
    .
    Com efeito, é inaceitável e insuportável para os comunistas que o General Pacepa, o chefe do serviço secreto de inteligência de um país satélite da URSS, a Romênia, tenha fugido para o Ocidente em 1978 e buscado abrigo nos Estados Unidos. E que tenha escrito inúmeros artigos publicados na mídia e seis livros denunciando os métodos e metas comunistas. O ditador romeno Nicolae Ceausescu sentenciou-o à morte e estabeleceu uma recompensa de dois milhões de dólares pela sua morte ou captura.
    .
    A afirmação leviana e mentirosa veiculada pelo Renato sobre o Pacepa – “Ele não tem credibilidade nenhuma” –, é absolutamente ridícula, e reverbera esse mal estar e ódio dos comunistas. Já o primeiro livro publicado em 1987 pelo general Pacepa, “Horizontes Vermelhos: crônicas de um espião comunista chefe”, foi em seguida contrabandeado para a Romênia, e publicada uma edição não autorizada na Hungria pelas autoridades desse país então comunista. Em 1988 virou programa seriado na Rádio Europa Livre. As ruas ficavam vazias na Romênia no horário dessa transmissão. Uma foto na edição da revista Time de 13 de março de 1989 mostrou esse livro na mesa do presidente George Bush. Foi publicado em 27 países, e em 2010 o Washington Post recomendou que fosse incluído na lista de livros que deveriam ser lidos nas escolas, ao lado de Testemunha, de Whittaker Chambers. Em dezembro de 1989 o tirano romeno Nicolae Ceausescu e sua mulher tentaram fugir do país, mas foram capturados, julgados e executados pelo seu próprio povo. Nesse julgamento, o libelo acusatório veio quase palavra por palavra do segundo livro do general Pacepa: “Horizontes vermelhos: a verdadeira história dos crimes, estilo de vida e corrupção de Nicolae e Elena Ceausecu”.
    .
    Ademais, quero prevenir os leitores do Fratres in Unum, para que tenham cautela com pessoas que consciente ou inconscientemente fazem o trabalho de desinformação. É sabido que trolls e MAVs navegam pela internet, procuram semear a confusão, desacreditar as obras editadas que contrariam os interesses comunistas e desqualificar os bons autores anticomunistas.

    • Pelo teor do comentário do tal Renato ele parece fazer de um conhecido grupo de autointitulados católicos tradicionalistas, mas que veneram a Rússia de Vladmir Putin e a consideram a salvaguarda moral deste mundo corrompido, incidindo no mesmo erro de parte da chamada extrema direita europeia. Assim deixam-se desencaminhar pelo falso Cristianismo de Putin e de seu sinintro mentor, o ocultista Alexander Duguin, promotor do famigerado Eurasianismo, ou nacional-bolchevismo. São conhecidos nas redes sociais pelos ataques ao filósofo Olavo de Carvalho e seus seguidores, acusando de “perenialistas” todos os seus desafetos. Acusam-nos assim de seguir o ocultista islâmico René Guénon, mas eles mesmos aliam-se ao diabólico Alexander Duguin na difusão dos erros da Rússia pelo mundo. Esses erros da Rússia vão mudando de forma externa e de nome com o passar do tempo, o que é próprio da seita comunista. Atualmente assumem a falsa aparência de defensores da moral cristã e dos bons costumes, na figura de Vladmir Putin, mas continuam sendo a velha seita comunista promovida pela KGB,esperando para dar o bote. André tem toda razão, é preciso nos acautelarmos contra esse tipo de gente. Que Nossa Senhora de Fátima nos proteja.

  18. Eu gostei. Vejo na Igreja Ortodoxa uma esperança pra nós. Uma influência boa, especialmente litúrgica, que muito nos falta.

  19. Sobre a consagração da Rússia, faço duas observações:

    1 – A nova postura da Igreja em relação aos erros, incluem os erros da Rússia

    Antes de tudo, a Igreja ao longo de sua história sempre enfrentou as heresias e os erros, e venceu. Antes da aparição e da mensagem de Fátima, Nossa Senhora nunca havia feito uma aparição pedindo uma condição (consagração da Rússia) para a contenção de um erro a ser enfrentado. Nem mesmo contra o modernismo que até hoje é a pior de todas as heresias enfrentadas pela Igreja. São Pio X enfrentou o modernismo e o venceu, por que para enfrentar os erros da Rússia, havia a necessidade da consagração? Essa, para mim, é uma pergunta fundamental sobre Fátima. Existe algo mais nessa aparição de Nossa Senhora, que parece não ter sido ainda percebido.

    Nossa Senhora pediu a consagração da Rússia, prometeu a sua conversão, mas também disse que se ela não se convertesse espalharia seus erros pelo mundo. Também foi dito que a partir de 1960 as coisas ficariam mais claras. Bem, quando o Papa João XXIII pegou o texto do terceiro segredo, segundo Mons. Capovilla, ele disse: “Eu não faço nenhum julgamento” e conclui “pode ser uma manifestação do divino e pode não ser.” É um comportamento estranho para um Papa, se omitir a fazer o que é próprio de sua função, pois se há alguém que poderia julgar ser ou não a manifestação do divino, esse alguém seria ele próprio, o Papa. Além disso, sabe-se que João XXIII quando ainda era Cardeal, era peregrino de Fátima. Sendo assim, como ao se tornar Papa evita qualquer julgamento, ainda mais quando os dois primeiros segredos haviam se cumprido?

    Repito o que disse Nossa Senhora:

    “Para o impedir (as calamidades que desabariam sobre o mundo), virei pedir a consagração da Rússia a Meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a Meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará os seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas. Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz”.

    Agora vejamos o que disse o Papa João XXIII no discurso de abertura do Concílio sobre os erros:

    “A Igreja sempre se opôs a estes erros; muitas vezes até os condenou com a maior severidade. Agora, porém, a esposa de Cristo prefere usar mais o remédio da misericórdia do que o da severidade. Julga satisfazer melhor às necessidades de hoje mostrando a validez da sua doutrina do que renovando condenações. Não quer dizer que faltem doutrinas enganadoras, opiniões e conceitos perigosos, contra os quais nos devemos premunir e que temos de dissipar; mas estes estão tão evidentemente em contraste com a reta norma da honestidade, e deram já frutos tão perniciosos, que hoje os homens parecem inclinados a condená-los, em particular os costumes que desprezam a Deus e a sua lei, a confiança excessiva nos progressos da técnica e o bem-estar fundado exclusivamente nas comodidades da vida. Eles se vão convencendo sempre mais de que a dignidade da pessoa humana, o seu aperfeiçoamento e o esforço que exige é coisa da máxima importância. E o que mais importa, a experiência ensinou-lhes que a violência feita aos outros, o poder das armas e o predomínio político não contribuem em nada para a feliz solução dos graves problemas que os atormentam””.

    Houve uma mudança na relação da Igreja com os erros, e o que disse João XXIII, na abertura do Concílio, se aplica ao que foi pedido por Nossa Senhora em Fátima, ou seja, para o Papa e para o Concílio, o homem moderno guiado por uma reta norma desconhecida de honestidade, pareciam inclinados a condená-los… Nada mais falso! E muitos católicos valorosos, ainda esperavam do Concílio uma condenação veemente do comunismo, mas essa não veio e não poderia vir levando em consideração o que acima pode ser lido. Observo ainda que, enquanto Nossa Senhora pediu a consagração da Rússia para conter os erros do comunismo, a Igreja através do Concílio Vaticano II, ofereceu a eles misericórdia. Podemos notar aqui, que ao se ter a consagração como um meio de remediar o problema da Rússia, não ter condenado e não ter feito a consagração, foi uma mesmo uma opção de aplicação da misericórdia aos erros da Rússia. Também nota-se nisso certo antagonismo entre Nossa Senhora e o Concílio, ela pede a consagração e o Vaticano muda a sua postura em relação aos erros. Essa mudança de postura da Igreja em relação aos erros, deu liberdade aos erros da Rússia, mas não só a eles, a erros de todos os tipos. De forma que os católicos a partir do Concílio Vaticano II já não tinham mais apenas que combater apenas os erros da Rússia, mas também aos erros oriundos do Concílio. Isto faz pensar na oportunidade de se convocar um Concílio atípico, quando se tem um inimigo como a Rússia, que provocou uma aparição extraordinária de Nossa Senhora. Para alguns o principal desafio da década de 1960 era o aggiornamento, mas para Nossa Senhora, ainda hoje são os erros da Rússia.

    E note-se bem, Nossa Senhora fala de erros da Rússia, não fala apenas do comunismo…

    2 – Não se pode esperar a Consagração da Igreja e sua conversão sem a restauração da Igreja

    Se João XXIII, Paulo VI, João Paulo I e II, Bento XVI tivessem feito a consagração da Rússia, a que a Rússia se converteria?

    Essa, para mim, é uma pergunta que responde porque a consagração da Rússia não foi feita no contexto conciliar e não será feita enquanto não houver uma pequena restauração na Igreja. Na realidade conciliar estamos quase (ou totalmente) em um obscurecimento completo da Igreja. Certamente não é a isso que Nossa Senhora quer que a Rússia se converta, porque ao prometer a conversão da Rússia, acredito, até que me provem o contrário, que está pressuposto um Estado Católico, coisa que a hierarquia conciliar não deseja. A Hungria recentemente ofereceu a sua escola a Igreja, mas ela não aceitou, por querer o ensino laico. No mínimo uma consagração da Rússia a Nossa Senhora, significaria uma conversão da Rússia a essa confusão de 50 anos e a aprovação de Nossa Senhora ao Concílio Vaticano II, mas será que é isto mesmo que ela quer?

    Por fim, neste contexto pode ser feita uma leitura bastante interessante do encontro entre o Papa e o Patriarca Kirill: se o Papa faz a consagração da Rússia, ela se converte, mas o Papa tira, como podemos ler, tira liberdade da Igreja greco-católica. A mensagem de Fátima não é ecumênica e é antagônica, em vários pontos, ao Concílio Vaticano II.

  20. Esta frase deixou-me perplexo:

    «Hoje, é claro que o método do “uniatismo” do passado, entendido como a união de uma comunidade à outra separando-a da sua Igreja, não é uma forma que permita restabelecer a unidade.»

    http://br.radiovaticana.va/news/2016/02/12/papa_e_patriarca_russo_assinam_hist%C3%B3rica_declara%C3%A7%C3%A3o_conjunta/1208122

    Mas estarão eles a rejeitar o “uniatismo” do passado? O uniatismo, conforme sempre o conhecemos, significa viver os ritos e tradições orientais e, simultaneamente, acreditar na fé Católica e obedecer à autoridade papal. Mas então é o próprio Papa quem desvaloriza a função de verdadeiro vigário de Cristo na Terra? A nossa fé deixa de ser a verdadeira? Nomeadamente nas suas particularidades teológicas, dogmas posteriores a 1054, doutrina moral, aparições marianas medievais e modernas… Mas onde é que já chegámos? E a doutrina dogmática da Imaculada Conceição de Maria, é afinal uma verdade de fé necessária para a salvação ou uma mera heresia? Por fim o seu “Imaculado Coração Triunfará” mas não será certamente desta maneira.

    O que fazer a enormes listas de mártires católicos orientais da era soviética?

    No fundo, parece que a “conversão da Rússia” pedida em Fátima está a ser trocada por uma espécie de “cultura del encuentro”. Está tudo doido…

  21. Estava ansioso por essa declaração. Quando fiquei sabendo do encontro imaginei que de uma vez por todas pudesse ser resolvida a situação da Igreja Católica Ucraniana. Mas devo dizer que fiquei um tanto decepcionado. Apesar de Kiril concordar que os greco-católicos “têm direito de existir”, ele não se compromete que a igreja russa deixe de perseguir os greco-católicos e de se intrometer em seus assuntos. Acho que essa igreja mártir que é a ucraniana católica, merecia mais apoio por parte de Roma, pois durante a União Soviética, centenas de greco-católicos preferiram morrer a abrir mão de sua união com Roma.

    • Das encíclicas papais, desde o século XIII até a Orientale Omnes de Pio XII, não se pode duvidar NUNCA das verdadeiras caridade, afeição e abertura ao retorno, das igrejas orientais cismáticas, da parte dos Romanos Pontífices.

      Infelizmente, na prática, o que subsiste até hoje é preconceito e tratamento de terceira classe aos orientais católicos (seja na dúvida da “catolicidade” dos seus ritos, seja na “validade” das suas tradições).

      Sempre houve e persiste uma dissonância do discurso retórico vaticano e da prática nos pequenos detalhes do cotidiano. Na prática, a realidade é muito triste.

      (eu sou testemunha material disso!)

      Os católicos orientais são discriminados e desprezados pelos latinos e pelos ortodoxos.
      Ainda são “bichinhos exóticos” e não continuadores de tradições apostólicas e antiquíssimas… Antioquia, Jerusalém e Alexandria.

      Mais infelizmente ainda, os russos observaram e capitalizam com estes fatos de desprêzo.

      Essa declaração, tristemente, faz deboche e escárnio dos orientais católicos a partir dessa dissonância e incoerência (interna e externa).

      Afinal, a Igreja veio do Oriente para Roma… E não o contrário!!!
      Corte sua raiz e morrerá a árvore!!!

      E ainda não se concede a dom Shevchuk o patriarcado ucraniano.
      E ainda não se ouve aos apelos dos patriarcas católicos sírios.

      E se moderniza… E se dialoga…

      Concretamente (e não apenas retoricamente), NÃO EXISTE reconhecimento da igual dignidade (apesar, para citar um caso, do exemplo do Venerável Fulton Sheen) das igrejas orientais católicas.

      E enquanto a fidelidade dessas igrejas continuar sendo retribuída com preconceito e estranhamento, assistiremos a estes espetáculos medonhos, como o de hoje.

      Na época da Grande Quaresma peço a intercessão da Santíssima Mãe de Deus + e de nosso santo pai, São Basílio Magno +, para que sejamos poupados do perigo, ira e aflição que se dobram sobre a Igreja Católica.

      Possamos assistir à consagração da Rússia ao Imaculado Coração da Mãe de Deus + e ao seu triunfo.

      Kyrie Eleison +, Kyrie Eleison +, Kyrie Eleison +.

  22. Tudo parece um grande delírio, um quadro surrealista qualquer. O “pontificado” de PF se me assemelha a uma cracolandia doutrinal tendo ao fundo o grito desesperado e lancinante dos que se precipitam no abismo.

    Usquequo, Domine?

  23. Esse é um acordo político-ideológico assinado pelo Papa e pelo Patriarca (ex KGB). Esse acordo irá prejudicar muito a Ucrânia, a Igreja e a sua tentativa de se livrar das garras ditatoriais da Rússia e de seu presidente Vladimir Putin, além de dar mais apoio a ditadura comunista da família castro de mais de cinquenta anos. Como eu já disse uma vez vou repetir, eu fico abismado com a proximidade entre o Papa e a família castro, o sorriso de ela dá ao ver o Raul, os elogios que ele faz a cuba e a o ditador. A afinidade que o Papa tem com ditadores (todos claro de esquerda) me assusta muito. O Papa não demonstra a mínima preocupação com o povo cubano, mostrando assim o quanto ele é ideológico e político, em nem um momento ele se propôs a receber o povo e nem a oposição ao regime comunista.

  24. O que torna preocupante a nossa época, imbuída de crescente de relativismo, é justamente os católicos irem aceitando “verdades religiosas” (no plural, como indicado no ítem 13 da declaração), em vez de serem exortados a anunciar e a viver a verdadeira sã doutrina católica.

  25. Mais um lance da guerra psicológica comunista a que Francisco I se dispõe a colaborar.
    -prestigiar os sanguinários assassinos, os irmãos castro;
    -passar a idéia que em Cuba não há ditadura. Ele esteve lá e nada falou contra o comunismo….;
    -passar a mensagem de que não adianta lutar contra o comunismo e os erros de hoje, pois ele F.1 está do lado de lá;
    -agradar a putin, fazendo de conta que está se tratando só de questões religiosas – a “união” espúria com a igreja herética e nefanda – mas a meta é liquidar com a heróica resistência católica ucraniana, que o tirano não consegue dobrar. F.1 se dispõe a dobrar para colaborar com Kremlin a expandir o ateísmo que faz os discursos para ingênuos acreditarem falando sobre milhares de igrejas etc, contra o aborto. É o comunista se fazendo de conservador… acreditem os tolos;
    -liquidar com os corajosos e bons católicos anticomunistas ucranianos empurrando-os para as jaulas de hienas da I.O. russa;
    -o pior: NÃO ESTARÁ EM VISTA ATÉ EXCOMUNHÃO (SIM EXCOMUNHÃO CONTRA OS BONS EXISTE SRS!!!!) CONTRA OS CATÓLICOS UCRANIANOS QUE SE RECUSAREM A APOSTASIA ENTRANDO NO NINHO DE COBRAS DA IGREJA DA KGB RUSSA. IGREJA ESSA UM IGNÓBIL DEPTO. DE ESTADO ATEU;
    -Essa declaração conjunto é a mais poderosa arma que putin precisa para impor o comunismo no mundo e entregue por um Papa.

    Por fim, sugiro lerem um excelente artigo que vi no Catolicismo fevereiro de 2016, de Plínio Correa de Oliveira contra o ecumenismo e a “infatigável e vão tagarelagem” dos ecumênicos e taxando-os de “Religião dos mediocratas”. Isto é, o ecumenismo é de um tal relativismo que é uma forma de ateísmo,pior que o ateu sofista. Enfim, leiam o artigo que é de uma atualidade única e espantosa, embora tenha sido escrito em 20/6/1981, 35 anos atrás!

  26. É espantoso ver, como ainda no Brasil e no mundo, persiste uma imensa ignorância com relação aos inimigos bimilenários da Igreja, e como tem sido, essa ignorância, fatal para a Igreja e para as almas. Um inimigo se torna tão mais perigoso quando ,aqueles que o deveriam combater, perdem a percepção de que é ele o inimigo. Ora, quem são esses inimigos? Eles sempre atuaram nas sombras, não se expõe, ardilosamente põe outros para executarem seus crimes. E como fazem isso? Criam um falso antagonismo de forças, que na aparência são antagônicos mas na essência são absolutamente iguais. E qual é essa essência? O ódio à Nosso Senhor Jesus Cristo e à sua santa Igreja. Assim estão por trás do sistema usurário capitalista e ao mesmo tempo, acusando esse sistema de ser o responsável pelas mazelas do mundo, criaram o comunismo.
    Esse jogo esquerda e direita não passa disso: uma farsa. Assim também foi a guerra fria, e assim o é esse aparente conflito entre Ocidente e Oriente, com seus “Olavos” trabalhando para uns e os ” “Alexandr Dugins” trabalhando para outros. Assim também, sempre foi falsa essa oposição entre EUA e Cuba, Israelenses e árabes, Igreja Conciliar e Igreja Ortodoxa Russa. São todos tentáculos do mesmo polvo, suas diferenças são apena acidentais e não comprometem seu projeto anticristão, todos concorrem para que satanás leve todas as almas para o inferno, através desses que, voluntariamente rejeitaram à Deus . Os erros da Rússia e não dos russos já se espalharam pelo mundo.

  27. O resumo desse acordo tem nome:

    Pacifismo.

  28. …Nenhum crime pode ser cometido em nome de Deus, “porque Deus não é um Deus de desordem, mas de paz” (1 Cor 14, 33).
    De fato, o nosso Deus e Senhor é de paz total, mas achei muito relativo o acima, pois o conceito de Deus é cada religião é ou pode ser bastante distante do outro, em geral é o primeiro caso, como os muçulmanos!
    Como o Islã concordará com isso se o deus deles – dizem falsamente que é o de Israel – não tolera outro que não seja Alá?
    Nesse caso estão colocando o Senhor Deus Verdadeiro de Israel, Jesus também, a nível de deuses pagãos!
    Proposta falsa e rejeitável, a meu ver, mais dúvidas, como na estranheza de escolher como avalizadores desse acordo a casa dos comunistas, os maiores genocidas da humanidade!
    A Igreja se enfiando na estrebaria e pior, ainda comendo no cocho com os animais?

  29. Sinal dos tempos!
    Este é o meu papa e esta é a minha Igreja! A unidade dos cristãos virá em breve, com um novo Pentecostes. O papa é o pai espiritual de todos (e não somente dos católicos), mas o bastão do Pastor foi partido, não apenas em duas partes, mas esmigalhado e o corpo e sangue, alma e divindade foi mutilado, dilacerado, paralisado em razão dos dolorosos cismas.Em breve, tb virá a UNIIFICAÇÃO DAS DATAS DA PÁSCOA (Latinos e Ortodoxos).
    No fim, somente um “pequeno rebanho”, formado pelos bispos, sacerdotes, religiosos e fieis conservarão fortemente unidos ao papa.
    Somente este “pequeno rebanho” será fiel a Cristo, ao Evangelho e a toda Verdade.
    Somente sobre Pedro, Cristo fundou a Igreja.
    Somente a Pedro, o Senhor confiuo a tarefa de confirmar na fé os irmãos.
    Somente por Pedro, Jesus orou, para que a sua fé ficasse sempre íntegra.