Declaração conjunta. Fala o patriarca greco-católico.

O Arcebispo-Mor de Kiev-Halytch, Dom Sviatoslav Shevchuk, chefe da Igreja Greco-Católica, fala sobre a declaração conjunta entre o Papa Francisco e o chefe da Igreja Ortodoxa Russa. 

Sviatoslav tem o título patriarca outorgado por seu próprio povo, embora, por razões ecumênicas, não o tenha reconhecido pelo Vaticano. 

Os greco-católicos, chamados pejorativamente de “uniatas” por terem reconhecido a primazia Papal, pagam um alto preço por sua fidelidade – além de massacrados na Ucrânia por Putin, agora se mostram decepcionados com o Papa Francisco . 

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Por Opus Publicum | Tradução: Gercione Lima – FratresInUnum.com: Sua Beatitude Sviatoslav, Patriarca de Kyev-Halych e Toda Russia, emitiu uma declaração oficial sobre a Declaração Conjunta assinada ontem pelo Papa Francisco e o Patriarca Kirill, em Havana, Cuba. O texto completo das declarações do Patriarca -em ucraniano – está disponível a partir do site oficial da Igreja Greco-Católica ucraniana. «Зустріч, яка не відбулася?» – Блаженніший Святослав

Enquanto Sviatoslav oferece palavras de elogio à Declaração Conjunta, esse louvor é diminuído pelo fato de que ele não foi consultado sobre o texto, apesar de ser membro do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

Novembro de 2013: o Arcebispo Maior dos Greco Católicos é recebido pelo Papa Francisco na Basílica de São Pedro.

Novembro de 2013: o Arcebispo Maior dos Greco Católicos é recebido pelo Papa Francisco na Basílica de São Pedro.

Padre Atanásio McVay, um padre católico-grego, gentilmente concedeu-nos permissão para postar no Opus Publicum a sua tradução dos três parágrafos finais da declaração de Sua Beatitude Sviatoslav. Além disso, acrescentou as referências bíblicas no final. Esperamos que uma tradução completa das palavras do Patriarca Sviatoslav estejam disponíveis em breve.

“Sem dúvida, este texto está causando profunda decepção entre muitos dos fiéis de nossa Igreja e entre os cidadãos conscientes da Ucrânia. Presentemente, muitos me contataram sobre isso e disseram que se sentem traídos pelo Vaticano, desapontados com as meias-verdades contidas neste documento, e até mesmo chegam a vê-lo como apoio indireto da Sé Apostólica à agressão russa contra a Ucrânia. Certamente, eu posso entender esses sentimentos.

Não obstante, eu procuro encorajar os nossos fiéis a não dramatizar muito sobre essa declaração e não exagerar sua importância para a vida da Igreja. Nós já passamos pela experiência de mais do que uma declaração desse tipo e sobrevivemos a todas. Nós sobreviveremos a essa também. Precisamos lembrar que nossa unidade e comunhão plena com o Santo Padre, o Sucessor do Apóstolo Pedro, não é o resultado de um acordo político ou compromisso diplomático, ou que se deve à clareza do texto de uma declaração conjunta. Esta unidade e comunhão com o Pedro de hoje é uma característica essencial da nossa fé. É a ele, o papa Francisco, e a cada um de nós hoje, que Cristo dirige aquelas palavras do Evangelho de Lucas: ” Simão, Simão, eis que Satanás pediu insistentemente para vos peneirar como trigo; eu, porém, roguei por ti, a fim de que tua fé não desfaleça. E tu, quando te converteres, confirma teus irmãos…”

É por esta unidade com a Sé Apostólica de Roma que os mártires e confessores da fé da Igreja do século XX deram as suas vidas e selaram o seu sangue. Precisamente na comemoração do 70º aniversário da Pseudo-Sínodo de Lviv compartilhamos a força do testemunho, de seu sacrifício que, em nossos dias, muitas vezes parece ser uma pedra de tropeço – A pedra que os construtores das relações internacionais muitas vezes rejeitaram.

Mas é o Cristo, a rocha estabelecida na fé de Pedro, que o Senhor colocou como pedra angular para o futuro de todos os Cristãos. E vai ser “uma maravilha aos nossos olhos.” (Salmo 118: 22; Mt 21:42; Lc 20: 17L Act 04:11; Ep 02:20; 1 Pedro 2: 7)

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13 Comentários to “Declaração conjunta. Fala o patriarca greco-católico.”

  1. Outra análise do encontro feita por um padre greco-católico ucraniano. Vale muito a pena a leitura: http://www.cruxnow.com/church/2016/02/11/as-pope-and-russian-patriarch-meet-ukraine-fears-shaky-vatican/

  2. Lamentável a posição de Sua Santidade o Papa Francisco, Sua Santidade se mostra mais preocupado com aqueles que estão fora (luteranos, anglicanos, ortodoxos) do que com aqueles que estão dentro (Os Greco Católicos Ucranianos), (FSSPX). Há décadas o Arcebispo Maior dos ucranianos busca o reconhecimento da Igreja Greco Católica Ucraniana como patriarcado, e por razões ecumênicas esse título ainda não dado à Igreja Greco Católica Ucraniana e ao arcebispo Sviatoslav. Continuemos a orar e pedir a Deus muita paz aos greco católicos ucranianos que por sua fidelidade ao Romano Pontífice quase foram dizimados;

  3. PF a todo vapor com a sua devastadora presença de burocrata-mor. Ele é a síntese perfeita e irretocável do “clero” da sua geração: gente frustada e sem formação, sem piedade, poço de amargura e de rancor. contra aquilo que chamam “passado da Igreja”. A especialidade dessa gente sempre foi (tentar) desalentar os católicos e promover tudo o que mais nos fere e cansa, humilhando continuamente o símbolos e o patrimônio espiritual da Religião (lembremos do foicefixo).

    Se ao menos PF, dado o posto que OCUPA, tivesse algum tipo de refinamento ou sutileza na implementação de seus desígnios personalistas, teríamos todos os católicos mais prazer em afrontar essa instalação paranoica que, com ele, se apossou da Sé Apostólica. Mas tudo que PF gera é tédio e desalento; o que ele fala não dá pega, não dá liga, não atrai de lugar comum ou tão ruim. Quando diz algo que preste, não lhe cai nem nos lábios, não combina com ele, não parece sincero.

    Desde o clamoroso afastamento do Santo Padre o Papa Bento XVI – longa vida ao Papa! – que estamos entregues a esse marasmo sufocante e a essa desordem infernal, com PF flertando com o diabo e todo mundo, enquanto humilha e desdenha os verdadeiros filhos da Igreja, gente disposta a dar o sangue por Ela, como os fidelíssimos ucranianos, cuja colônia noutros tempos conheci. Os Orientais católicos, todos eles, embelezam a Igreja inteira com seu testemunho de fidelidade até o sangue e com sua piedosa e sublime sua Liturgia: “ex Orientis lux”. Esperemos.

  4. “além de massacrados na Ucrânia por Putin, agora se mostram decepcionados com o Papa Francisco .”
    Católicos massacrados na Ucrânia, e ainda por cima por Putin? Poderiam dar algum exemplo, mostrar alguma foto de uma igreja católica ucraniana destruída? O que estamos vendo na Ucrânia são as forças da Nova Ordem Mundial tentando anexar o país às custas da população ortodoxa – essa, sim, sendo massacradas pelos neonazis no poder em Kiev. Busquem e verão, há várias fotos de igrejas ortodoxas destruídas, íconos e livros sagrados queimados.
    Isso sim, que foram perseguidos pelos comunistas, é uma verdade inegável. Mas que sejam perseguidos, hoje, pela Rússia, é uma mentira que só favorece as forças anticristãs. Há muitíssimo mais cristianismo entre os nossos irmãos separados ortodoxos – que, pese ao cisma, mantém o depósito da fé e têm sacramentos válidos – que nos pagãos neonazis e os liberais pró-UE de Kiev ou Lvov (ou seja, favoráveis ao aborto, à sodomia e várias outras perversões). O único país com um regime mínimamente cristão hoje em dia é a Rússia, e deveríamos aprender de sua experiência, de um país onde o cristianismo foi quase exterminado e hoje em dia floresce. Felizmente, vários católicos estão começando a percebê-lo.

    • Carlo, o seu comentário é assustador. Já lestes algo sobre a perseguição aos greco-católicos durante a União Soviética? Já ouvistes falar da apropriação de templos católicos para serem entregues aos ortodoxos? Já lestes algo sobre Josyf Slipyj e outros bispos católicos encarcerados neste período?
      Você então poderia dizer-me: “Ah… mas tudo isso são coisas do passado”. Passado? Tem certeza? Leia esta declaração do patriarcado de Moscou datada do final de janeiro e me diga se as perseguições aos greco-católicos ucranianos são coisa do passado: https://mospat.ru/it/2016/01/28/news127356/

    • Carlos, leia novamente meu comentário, eu disse explicitamente que os católicos foram perseguidos pela URSS, jamais neguei nem negaria essa verdade histórica. A perseguição contra os católicos foi inclusive pior que contra os ortodoxos. Mas nada disso se aplica à Rússia de hoje, faz um quarto de século que os russos se livraram do comunismo. Os ortodoxos são nossos irmãos de fé, infelizmente teimam em manter o cisma, mas fora isso temos tudo em comum com eles. Acho um erro enorme vê-los como inimigos, que termina nos distraindo (e portanto facilitando o trabalho) dos verdadeiros adversários.

    • Carlo
      Vários católicos progressistas, tipo MST, sim está simpático ao Putin, assim como Dilma, Fidel Castro, Maduro e cia. Bom, devem ser simpáticos ao Putin por ele ser muito cristão…
      Perseguição aos católicos vc. desconhece o que fizeram com as igrejas católicas na Criméia? Ha muito mais fé cristão na russia, um dos países que mais – senão o mais – realiza o aborto no mundo? E é bom que se diga que a sodomia é promovida no Ocidente pelos esquerdistas simpatizantes dele, Putin. Prova disso é que ninguém de partidos ou intelectuais de esquerda, ou movimento de homossexuais o ataca por Putin ser contra isso tudo. Confiar que putin vai restaurar a fé!? É de estarrecer a ingenuidade de acreditar que o sujeito que foi homem de confiança dos comunistas por décadas a fio, chefiando o mais importante depto. que era a KGB, chegou ao mais alto cargo nessa sinistra organização, nunca foi importunado pelos tiranos de então e de repente aparece como paladino da fé?! Sinceramente vc. acredita nisso? E aliado daqueles cismáticos/hereges e da política de Francisco I para demolir a igreja? Lembre-se que ele – serviçal de um regime ateu – declarou-se favorável ao socialismo, diz que vai restaurar a URSS é o chefe daquela seita, IO, e que por razões raciais e étnicas quer que os eslavos sejam anexados àquela seita. Aliás o tal patriarca de Moscou não tem autoridade sobre os próprios seguidores da IO.
      Mas, dirá o ingênuo que ele se converteu…. apoiando Fidel Castro, Maduro, China etc.

  5. Me parece que Francisco, com essa declaração em conjunto com o comunista Kriril, quer jogar às garras e presas dos ursos do leste esses católicos ucranianos. A questão é complexa. Devemos rezar para que as almas de lá, independente do que vá ocorrer, não percam a fé!

  6. A Igreja, desde os primordios, sempre foi vitimizada por cruéis perseguições e vivendo em apuros, assim temos santos sacerdotes caluniados e até depostos, posteriormente reabilitados, como Pe Pio. Condenaram-nos ao ostracismo por longos períodos: sabemos de antemão que dentro da Igreja existem diversos conspiradores contra a fé católica autêntica e, nesse mundo, essas hienas jamais desaparecerão.
    Então, os bispos e sacerdotes da imensa Russia estão vacinados contra perseguições; são verdadeiros sobreviventes de recorrentes tragedias; dessa forma, serem desprezados ou acossados de mais uma ou menos uma, pouco ou em nada lhes faz diferença – faz parte do dia a dia dos missionarios da Igreja em defesa da fé nessas paragens inóspitas.
    A Ucrania é vítima de recorrentes tentativas de anexação pelos russos, e os católicos pertencentes à Uniata são-lhes serios obstáculos – quem sabe o papa Francisco poderia facilitar-lhes as ações e os cerceando?…
    “Eu sei que, logo após minha partida, lobos ferozes se infiltrarão por entre a vossa comunidade e não terão piedade do rebanho” At 20,29.
    Teria sido por isso que D Sviatoslav teria minimizado o ocorrido de não defesa dos componentes da Uniata, para não prejudicar o tal ecumenismo, parecendo-nos que esse já estaria estaria antecipadamente comprometido, se assim procedesse. No entanto, as previsões de êxito o ecumenismo seriam sombrias, a começar que teria sido sob as bênçãos de Putin e doutros carniceiros vermelhos, como os tais quais da dinastia ditatorial da familia Castro e da disseminadora do marxismo nas Américas, a asquerosa Cuba!
    Baseando-se no que sucede com os católicos da Uniata, desafetos da relativista IOR, aqui se poderia equiparar aos católicos conservadores, os bolas da vez do Vaticano!

  7. Prezado Fratres in Unum.
    Salve Maria!

    Um ucraniano traduziu para o português mais declarações de Sua Beatitude Sviatoslav, Patriarca de Kyev-Halych e Toda Russia, o qual penso ser de grande importância, transcrevendo algumas partes a seguir:

    1-) “Com os nossos largos anos de experiência, podemos dizer que quando o Vaticano e Moscovo organizam os encontros ou assinam os textos conjuntos, não devemos esperar disso nada de bom.”

    2-) “ (…)os pontos [25 e 26] sobre Ucrânia, em geral, e sobre a Igreja Greco-Católica em particular, me levantam mais perguntas do que as respostas. […] Falando disso, como líder da igreja [ucraniana], sou membro oficial do Conselho Pontifício para a Unidade dos Cristãos, nomeado ainda pelo Papa Bento XVI. Mas ninguém me pediu para expressar os meus pensamentos e, de fato, como acontecia no passado, falaram sobre nós mas sem nós, sem nós dar o direito da opinião.”

    3-) “Moscovo exigia ao Vaticano, praticamente, a proibição da nossa existência e limitação das nossas actividades. Mais, este requisito, de forma de ultimato, foi colocado como a condição para a possibilidade do encontro entre o Papa e o Patriarca [russo] . Éramos acusados de “expansão no território canónico do Patriarcado de Moscovo” e agora nós reconhecem o direito de cuidar de nossos fiéis, onde quer que eles necessitam disso. Presumo que isto também se aplica ao território da federação russa, onde até hoje não temos a possibilidade de existência jurídica livre ou ao território anexado da Crimeia, onde após um “novo registo” segundo a legislação russa, somos liquidados de facto”

    4-) “Tem-se a impressão de que o Patriarcado de Moscovo ou não admite teimosamente que é uma parte do conflito, ou seja, apoia abertamente a agressão da Rússia contra a Ucrânia. (…) A própria palavra “conflito” é um termo obscuro e seduz o leitor a pensar que temos um “conflito civil” ao invés de agressão externa de um estado vizinho. ”

    5-) “A Igreja Greco-Católica Ucraniana nunca apoiou, nem promoveu a guerra. Em vez disso, sempre apoiamos e apoiaremos o povo da Ucrânia! Nós nunca estivemos ao lado do agressor, pelo contrário, estávamos com a nossa gente na Maydan, quando eles eram assassinados pelos representantes do “mundo russo”. Os nossos sacerdotes nunca pegaram em armas, ao contrário daquilo que acontecia do outro lado. Nossos capelães, como construtores de paz, apanham o frio com os nossos soldados na linha de frente, com as suas mãos levam os feridos do campo de batalha, enxugando as lágrimas de mães que choram os seus filhos mortos. Nós cuidamos dos feridos e atingidos em resultado dos combates, independentemente da sua origem étnica, pertença religiosa ou política. Hoje, mais uma vez, as circunstâncias ditam que o nosso povo não tem a outra protecção e socorro, para além da sua Igreja. É a consciência pastoral nós chama para sermos a voz do povo, para despertarmos a consciência da comunidade cristã do mundo, mesmo quando essa voz não é entendida ou tem sido negligenciada pelos líderes religiosos das igrejas modernas.”

    6-) “Sem dúvida, este texto tem causado profunda decepção entre muitos dos fiéis de nossa Igreja e mesmo entre os cidadãos conscientes da Ucrânia. […] No entanto, incentivo os nossos fiéis à não dramatizar a presente Declaração e não exagerar a sua importância para a vida da Igreja. Sobrevivemos várias declarações semelhantes, sobreviveremos essa também.”

    (Fonte: http://ucrania-mozambique.blogspot.com.br/2016/02/o-encontro-que-nao-aconteceu.html)

  8. Se calhar não interpretei bem, mas isto parece uma recusa oficial à necessidade de conversão da Rússia pedida em Fátima… Ou será que a Rússia já se converteu e, nesse caso, a quê?

    E os Católicos de Rito Oriental, principalmente os ucranianos, o que devem pensar disto tudo?

  9. Haja vista a desinformação que circula na mídia e nas redes sociais, é oportuno que se desmitifique a farsa da Igreja Ortodoxa Russa, fraude gerada nos tempos do ditador comunista Stálin, veiculada hoje em dia pelos meios de propaganda a serviço de Vladimir Putin, e que acaba de ser prestigiada pelo Papa Francisco. Também é pertinente recordar as perseguições sofridas pela Igreja Católica ucraniana.

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    1-) O Pe. Pavlo Vyshkovskyy no seu livro “o Martírio da Igreja Católica na Ucrânia”, pormenorizadamente trata de toda a perseguição feita pelo regime do Kremlin contra a Igreja Católica Ucraniana desde a revolução comunista na Rússia. Com efeito, o Pe. Pavlo relata, na página 15, que seu avô foi enterrado vivo por que recitava o rosário. Relata também que ele mesmo, como era o único que frequentava a igreja, era motivo de escárnio na escola. “Me colocavam de joelhos defronte ao quadro de Lenin, me ameaçavam, me batiam e, repetidamente, me diziam ‘Você nunca será um sacerdote’”. E conta ainda: “Aos 11 anos, em 1986, foi-me dito que eu era ‘inimigo de meu país’, porque, na noite de Natal, fui para a igreja assistir a Santa Missa”. (1)

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    2-) Segundo o texto da Encíclica de Pio XII “Orientales omnes Eclesia”, publicada em 23/12/1945, verifica-se que a perseguição contra os católicos ucranianos remonta ao século XV, quando Isidoro, então Metropolita de Kiev, no Concílio Ecumênico de Florença (1439), assinou o decreto pelo qual a Igreja greco-bizantina ucraniana abandonou o cisma e foi solenemente reunida à Igreja Latina. Mas mesmo sendo perseguida por Moscou desde essa época, a Igreja Católica Ucraniana nunca deixou de existir, ao contrário da dita “igreja ortodoxa russa”, que sob o regime comunista perdeu a sucessão apostólica, do que logo passo a tratar.
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    3-) Os russos, desde a sua conversão, não permaneceram nem 100 anos dentro da Igreja Católica. Há mil anos que eles vêm causando problemas para a Cristandade. Além do cisma, também caíram em heresia. No século XX, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, nas páginas do jornal católico Legionário, acompanhou atentamente os acontecimentos envolvendo a igreja cismática russa e fez uma sintética descrição histórica, como veremos a seguir.

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    “Aos poucos a hierarquia cismática se foi dividindo em pequenas igrejas nacionais, todas elas dependentes do poder temporal. Entre outras igrejas cismáticas nacionais, formou-se a da Rússia. Assim, pois, não pensemos que a imensidade de Bispos e Sacerdotes de vistosa e singular indumentária, que vemos espalhada por todo o mundo eslavo, nos Balcãs, na Ásia, constitua um corpo homogêneo. Além de que muitos deles são católicos, apostólicos, romanos, em união e comunhão com a Santa Sé, os outros se fragmentaram em numerosas unidades religiosas “autocéfalas” – empreguemos o termo clássico – isto é, que se governam por sua própria cabeça. Mas, quando os homens se governam só por sua própria cabeça, desprezado o pastoreio sobrenatural e suave de Roma, de fato caem no desgoverno. O espírito humano, trincado pelo pecado original, não é mais capaz de “autocefalia”. Ou o governa o Espírito Santo por meio de Roma, ou o governa o despotismo de suas paixões, ou o governam os tiranos deste mundo”.(2)
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    4-) Stálin primeiro perseguiu implacavelmente a igreja cismática russa. Por ordem dele, 168.300 clérigos ortodoxos russos foram presos só durante os expurgos de 1936 a 1938, dos quais 100.000 foram mortos”.(3) Sob a perseguição comunista, a igreja cismática russa que tinha mais de 55 mil paróquias em 1914, passou a ter 500.(4)

    Nesse mesmo tempo em que Stálin liquidava a igreja cismática russa, Dr. Plinio Corrêa de Oliveira, nas páginas do Legionário, comentou: “Foi nessa atmosfera de suprema tensão de espírito para alguns raros cismáticos sinceramente anticomunistas, e de franca conivência dos outros com o comunismo, que se operou uma transformação imensa: Stalin cessou de certo modo a perseguição, flertou descaradamente com a igreja cismática, e, sob pretexto de a reorganizar, colocou nela suas mais devotadas criaturas. Eram um ‘ersatz’ [substitutivo] religioso. Padres de fancaria, que não tinham ordens sacras nem estudos, bispos postiços, sem caráter sacramental… nem moral, antigos agitadores, aventureiros, de permeio com alguns renegados das antigas fileiras cismáticas. É essa a composição humana da ‘igreja’ do Sr. Stalin, nas quais os aventureiros tem ainda maior influência que os renegados. Stalin ainda não se ‘converteu’ a esta ‘igreja’. Mas está como Voltaire que, certa vez, passou diante de uma igreja católica, descobriu-se, e disse a um amigo: ‘Deus e eu ainda não nos falamos, mas já nos cumprimentamos’. Stalin e os cismáticos ‘já se cumprimentam’ e daqui a pouco estarão se falando, e daqui a pouco mais estarão se abraçando”.(5)

    5-) À vista do que foi referido, a igreja cismática russa passou por tal aniquilamento que se pode duvidar até mesmo que tenha havido a continuidade da sucessão apostólica, porquanto foi criada uma hierarquia nova, instituída, nomeada e dirigida pelos comunistas. O prof. Plinio Corrêa de Oliveira, também nos deixou a descrição do processo deletério ao qual ela foi submetida por Stálin:

    “Desde o início, isto é, de 1917, as perseguições não visaram só o objetivo difícil e quase inverossímil, de extirpar a religião na Rússia. Diante do sucesso altamente improvável desse empreendimento, elas tiveram em mira também um resultado mais modesto, mais provável, e por isto mesmo, mais sólido: aterrorizar, dividir, desorganizar a Igreja greco-cismática, extenuar pela brutalidade e pela confusão o maior número de adeptos dessa Igreja, e por fim obter que eles aceitassem uma hierarquia nova, instituída, nomeada e dirigida pelos sem-Deus. Fazer da religião e de seus ministros, os agentes da irreligião, tal era o estratagema supremamente hábil que o maquiavelismo cremliniano teve em vista.” (6)

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    NOTAS:
    (1) http://www.lucisullest.it/il-martirio-della-chiesa-cattolica-in-ucraina.
    (2) http://www.pliniocorreadeoliveira.info/LEG%20440702_CatolicosII.htm#.VsIzsvkrIdU.
    (3) Cf. Alexander N. Yakovlev, A Century of Violence in South Russia, New Haven, CT: Yale University Press, 2002, p. 165.
    (4) Country Studies: Russia – The Russian Orthodox Church, U.S. Library of Congress, ˂ http://countrystudies.us/russia/38.htm˃.
    (5) http://www.pliniocorreadeoliveira.info/LEG%20440702_CatolicosII.htm#.VsIzsvkrIdU.
    (6) http://www.pliniocorreadeoliveira.info/FSP%2071-09-12%20Sobre%20Pimen.htm#.VsJN10BGT5d

  10. E a consagração da Rússia que não vem?