Vaticano afirma que Papa falava de contraceptivos contra Zika.

ROMA, 19 de fevereiro, 2016 – LifeSiteNews | Tradução: Gercione Lima – FratresInUnum.com: O porta-voz do Vaticano Padre Federico Lombardi afirmou que o Santo Padre estava realmente falando de “preservativos e contraceptivos”, no vôo de volta do México, quando disse que casais poderiam certamente “evitar a gravidez” devido ao perigo do vírus Zika.

Padre Lombardi disse à Rádio Vaticano hoje: “o contraceptivo ou preservativo, em casos particulares de emergência ou gravidade, poderia ser objeto de discernimento em um sério caso de consciência. Isto é o que disse o Papa”.

De acordo com Lombardi, o Papa falou da “possibilidade de usar o recurso da contracepção ou preservativos em casos de emergência ou situações especiais. Ele não está dizendo que essa possibilidade é aceita sem discernimento, de fato, ele disse claramente que pode ser considerado em casos de urgência especial “.

Lombardi reiterou o exemplo que o Papa Francisco fez de uma suposta “autorização do uso da pílula para as religiosas que corriam um risco muito grave de estupro” dada pelo Papa Paulo VI. Segundo Lombardi: “Isso nos faz entender que não se tratava de uma situação normal aquela em que isso foi contemplado.”

O porta-voz do Vaticano prosseguiu: “o contraceptivo ou preservativo, em casos particulares de emergência ou gravidade, poderia ser objeto de discernimento em um sério caso de consciência. Isso é o que disse o Papa”.

No avião, na quinta-feira, o papa foi perguntado por um repórter se a Igreja poderia “levar em consideração o conceito de “mal menor” quando se trata da questão da prevenção da gravidez para evitar a transmissão do vírus.

O papa abriu sua resposta condenando categoricamente o aborto como uma solução para o vírus Zika, mas sobre a questão de se evitar a gravidez, ele acrescentou: “estamos falando em termos do conflito entre o quinto e o sexto mandamento.”

“Paulo VI, o grande, em uma situação difícil na África autorizou as freiras a utilizar métodos contraceptivos para os casos de estupro”, disse ele aos repórteres.

“Evitar a gravidez não é um mal absoluto”, acrescentou o Papa. “Em certos casos, como no presente, tal como no que eu referi do Beato Paulo VI, ficou claro”.

A resposta do papa, em particular, o aparente paralelo que ele traçou entre o caso do uso de contracepção pelas freiras e os casos do vírus Zika, levou amplamente à interpretação de que o papa estava aprovando o uso da contracepção em alguns casos.

Em sua famosa encíclica de 1968 Humanae Vitae, o Papa Paulo VI reiterou o longo e definitivo ensinamento da Igreja, segundo o qual a contracepção artificial é “intrinsecamente errada”, ou seja, que é sempre e em todos os casos um mal, porque contradiz o propósito do sexo que é a procriação.

Alguns teólogos morais têm dito que os contraceptivos não-abortivos poderiam ser usados em casos de estupro como um meio de auto-defesa contra um agressor. Esta distinção não seria aplicável no caso de relacionamento sexual voluntário entre casais preocupados com o vírus Zika.

Além da referência das freiras no Congo, Lombardi ainda destacou os comentários do Papa Bento XVI sobre os preservativos em seu livro-entrevista de 2010 “A Luz do Mundo”. Nesse sentido, disse Lombardi, Bento XVI “falou sobre o uso de preservativos no caso de risco de contágio pela Aids.”

No livro, o Papa Bento disse ao jornalista Peter Seewald que, em alguns casos, como o de um prostituto, o uso do preservativo “pode ser um primeiro passo na direção de uma moralização, um primeiro ato de responsabilidade, no caminho para se recuperar a consciência de que nem tudo é permitido e que não se pode fazer o que se quer. Mas essa não é realmente a maneira de se lidar com o mal da infecção pelo HIV. Isso só pode realmente ser feito com uma humanização da sexualidade”. O Papa Bento XVI, prosseguindo com os comentários disse que a Igreja” não considera isso como uma solução real ou moral, mas, neste ou naquele caso, pode haver no entanto, a intenção de reduzir o risco de infecção, um primeiro passo em um movimento em direção a um novo caminho, uma forma mais humana de viver a sexualidade “.

A Congregação do Vaticano para a Doutrina da Fé (CDF) corrigiu as más interpretações daquelas declarações que falsamente foram apresentadas como justificando a contracepção. Na sua declaração, a CDF disse: “Um certo número de interpretações errôneas surgiram” que têm causado “confusão no que diz respeito à posição da Igreja Católica em relação a determinados questões de moralidade sexual.”

“A idéia de que alguém poderia deduzir das palavras de Bento XVI que de alguma forma é legítimo, em certas situações, usar preservativos para evitar uma gravidez indesejada é completamente arbitrária e não é de forma alguma justificada por suas palavras ou seu pensamento,” acrescentou o comunicado.

A declaração da CDF também rejeitou a sugestão de que o uso de preservativos por prostitutos infectados pelo HIV pode constituir um “mal menor”. Esta interpretação, “é errada” uma vez que, “uma ação que é objetivamente um mal, mesmo se for um mal menor, nunca pode ser licitamente desejado”.

A CDF resumiu a intenção dos comentários do Papa: “A Igreja ensina que a prostituição é imoral e deve ser evitada. No entanto, aqueles que estão envolvidos na prostituição, que são HIV positivo e que procuram diminuir o risco de contágio pelo uso de um preservativo podem estar dando o primeiro passo em respeitar a vida do outro – ainda que o mal da prostituição permaneça em toda a sua gravidade. “

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28 Comentários to “Vaticano afirma que Papa falava de contraceptivos contra Zika.”

  1. Um correspondente de Roma acaba de afirmar no seu Twitter que Lombardi deixa a direccção da Rádio Vaticano Santa Sé no fim deste mês de Fevereiro. Mas continua a ser porta-voz papal…

    https://twitter.com/sacroprofano

  2. Quando vi esse comentário do Papa fiquei pensando: e eu, que sempre defendi e propaguei o ensinamento de Paulo VI a esse respeito, fico com cara de tacho a partir de agora? Sempre fui ridicularizado sobretudo por boa parte dos católicos, que ignoram o ensinamento da Igreja a esse respeito, agora o próprio Papa fala uma coisa dessas…

  3. Pessoas com HIV não deveriam nem ter mais vida sexual, quanto mais continuar e se valer de preservativos que já há provas de que não são 100% seguros. Realmente, depois do Vaticano II a fé e a moral mudou, já que nenhum papa pré-conciliar foi mencionado nesse caso.

  4. A encíclica Humanae Vitae de Paulo VI ensina o seguinte: “nunca é lícito, nem sequer por razões gravíssimas, fazer o mal, para que daí provenha o bem; isto é, ter como objeto de um ato positivo da vontade aquilo que é intrinsecamente desordenado [como a contracepção] e, portanto, indigno da pessoa humana, mesmo se for praticado com intenção de salvaguardar ou promover bens individuais, familiares, ou sociais”.

    Desse modo, é realmente uma incoerência o fato do Papa Francisco estar sugerindo essa possibilidade. Ele desconhece a própria doutrina da Igreja sobre um tema tão delicado?

    E isso não tem nada a ver com o caso das freiras que corriam risco de serem estupradas. Estupro não é um “ato conjugal” (a expressão usada na encíclica), não é uma relação sexual normal. Não se pode dizer que exista uma obrigação de estar “aberto à vida” durante um estupro!

  5. Agora, o “Deus Lo Vult” vai dizer que a Sala de Imprensa do VATICANO distorceu as palavras do Papa.

  6. Começou a “auto-demolição” do ensino tradicional a esse respeito.

    Incrível como perto de Francisco, até Paulo VI, “o grande”, é ortodoxo.

  7. Quer dizer, vocês acham que os “fiéis” vão usar contraceptivos e PRESERVATIVOS, para evitar o suposto zika ou vão aproveitar para se afundar mais no promiscuidade e dentro do próprio matrimônio? Não acredito na microcefalia por causa do zika, não é mais fácil, vamos assim dizer ou francisco dizer: caros fiéis, para evitarem no momento esse perigo numa futura gestação, pratiquem a castidade conjugal!!!!! Será que um casal católico que busca a santidade não pode fazer um pouco de abstenção sexual ou de fato devemos confiar na proteção Divina? Fico com a segunda opção. Termos nossos relacionamentos normalmente para gerar nossa prole, pois Deus Nosso Senhor assim o quer? Fins dos tempos mesmo. “Erguei-Vos Senhor, por que pareceis dormir? Erguei-Vos. (Ps. 43, 24)

  8. Não sei porque, quando vejo essas coisas acontecendo, lá no cume da Hierarquia, só me lembro de Nossa Senhora em La Salette, dizendo que a Igreja seria eclipsada e que Roma perderia a Fé, e o resto a gente já sabe.

  9. Não Carlos! Pra emenda ficar pior do que o soneto, Paulo VI jamais disse o que Bergoglio está atribuindo a ele! Não passa de uma lenda urbana que está sendo usada pra justificar o uso de anticoncepcionais.
    Saiu hoje no blog do Magister e eu já estou providenciando a tradução:
    http://magister.blogautore.espresso.repubblica.it/2016/02/22/paolo-vi-e-le-suore-violentate-in-congo-cio-che-quel-papa-non-disse-mai/

    • Olá Gercione, essa história das freiras violentadas eu nunca tinha ouvido falar… quando me referi ao ensinamento de Paulo VI estava me referindo à Humanae Vitae mesmo.

  10. Oi, cleaners! Tudo bem? Qual o cardápio de hoje?

  11. Pra quem presidiu o “sínodo” em que se proclamou os pretensos valores dos “masculorum concubitores”, falar, com ternura, da utilidade e oportunidade dos preservativos é mera consequência ou, talvez, premissa. Não resta dúvida de que, para tal ambiente, Montini é mesmo um grande santo, um exemplo a ser seguido e imitado de perto.

  12. Não apenas isso, mas pelo que tenho lido esta dita autorização do Papa Paulo VI para o uso de preservativos nunca realmente aconteceu.

  13. Primeiro: Não existe comprovação científica da relação de causa e efeito entre o vírus Zika e a microcefalia.
    Segundo: Se há o temor de infecção não seria bom recomendar que os casais também busquem momentos de continência, afinal, somos homens e não simplesmente animais.
    Terceiro: Tristes tempos em que a mera possibilidade de um casal vir a ter um filho deficiente já faz com este se utilize de todos os meios para isso aconteça. Um repulsa a seres humanos deficientes, ao peso de uma cruz etc. NEOEUGENIA.

  14. E a gente vendo o desespero dos bons padres tentando salvar a lavoura insistindo no discurso que a midia distorce as coisas…..

  15. O papa Bento XVI, sempre muito coerente e objetivo com tudo que proclamou, num caso em que se envolvem profissionais do sexo – sob todas as hipóteses irão se manter no métier – nada melhor que cometam um mal menor nos adulterios, e essa degradação ético-moral não deixaria de ser até mesmo um ato de caridade para um incauto – menos disseminação e infectação pela AIDS!
    Jamais o papa Bento XVI deu qualquer sinal de atenuar esse pecado, mas nessa circunstancia foi excelente ideia!
    O caso das freiras é particular por se manterem celibatarias e, em caso de serem violentadas, defenderem-se, e os pecados pelos possíveis abortos ocultos recairiam sobre os agressores – elas as vítimas; eventual assassinato em legítima defesa!
    Já a questão do Zika Vírus e demasiado entronizado na midia geral como ultra perigoso – serão os resultados disso e daquilo manipulados para atenderem as fundações abortistas internacionais, encomendas delas? – ainda mais que vão na defesa da anti concepção!
    Ressalte-se que nós estamos em plena adoção da contracepção e do aborto promovidos por elas; quem sabe seria o Zika Vírus criação de laboratorio, que daria a ABERTURA INICIAL de futuro liberô da contracepção por surgimento de ainda mais gerações agressivas dos nascituros e gestantes?
    Não seria o Zika Vírus algo laboratorial, falsa bandeira, gerador de caos na população, sei não; dá para se desconfiar de algo por detrás disso dada sua evidencia…
    Nada que proclamam e defendem na midia geral em principio merece credibilidade alguma, pois as mentiras, os estelionatos, as fraudes e as chantagens gerais estão institucionalizadas!

  16. Um bispo da minha inteira confiança, já falecido, me disse uma vez que o texto original da “Humanae Vitae” autorizava o uso de contraceptivos em casos extraordinários (inclusive por razões econômicas), tais como agora diz Francisco.
    Graças, porém, a uma intervenção sobrenatural do Pe. Pio de Pietrelcina, que recebeu de Paulo VI o esboço da encíclica e não o apreciou absolutamente, mas lho devolveu sem ousar uma correção, quando o esboço chegou às mãos de Montini estava mudado conforme a doutrina verdadeira.
    Embora Paulo VI estivesse convencido do contrário, acabou acatando a intervenção sobrenatural do Pe. Pio.
    Entretanto, ao longo de seu pontificado permitiu que a sua encíclica se tornasse letra morta e alvo de chacotas, piadas e sarcasmos vindos da boca de cardeais, bispos e professores de teologia imoral.

  17. A newsletter da FSSPX disse que a história das freiras congolesas seria um mito, algo como uma alegação feita por um padre jesuíta em 1993 em uma revista jesuíta. Será que o Papa leu o tal artigo e acreditou? Onde estariam outras referências ao mesmo caso? O tal padre teria ouvido o relato diretamente das supostas freiras?

    A única coisa que ouvi que mais remotamente possa evocar um tratamento pós estupro moralmente aceitável foi a possibilidade de lavagens. Esse assunto foi levantado após uma série de estupros a freiras na Sérvia. Porém, lavagens após o estupro para impedir o acesso de espermatozoides ao óvulo é muito diferente de já praticar contracepção em vista de um possível estupro. Não seria lavagem superficial. Seria preciso consultar padres de boa cepa para confirmar essa prática. Até agora nunca li alguma recomendação da CDF sobre tratamentos lícitos em casos assim, apenas especulações de teólogos. Talvez o padre Murucci que acompanha o blogue pudesse falar sobre isso.

    Fiquei imaginando se elas estavam em situação de guerra tal que não poderiam deixar o convento. Mas se estavam sitiadas em guerra até mesmo a hipótese de encontrar uma farmácia aberta para comprarem e começarem a tomar os anticoncepcionais na perspectiva de serem estupradas é bizarra. E se não estavam em guerra, mas em região de conflito e com possibilidade de serem estupradas a qualquer momento, não seria mais viável enviar um comboio imediatamente para resgatá-las? Tirar o Sacrário e as freiras, fechar a missão por absoluta falta de segurança e levar todo mundo para um local mais seguro?

    Em todo caso a história é bizarra e precisa ser pesquisada.

  18. Nesses tempos que correm é primordial manter a doutrina, pois nesses tempos que correm fazem como ato primordial sacrificar a verdade em prol do agrado e da bajulação, do prazer fulgaz e passageiro.
    O que vemos nesses tempos que correm é a alta hierarquia sacrificar o perene em prol do populismo teológico. Substitui-se a quantidade pela qualidade e acham que isso é ser atual e acessível…
    O que esperar de alguém que diz uma coisa (a salvaguarda do dogma) e prega o seu oposto – mesmo que em doses homeopáticas, quase anestésicas?
    A mentalidade latino-americana, intoxicada de um comodismo acomodatício, está fazendo o seus estragos.
    Ao fim e ao cabo as mudanças, o aggiornamento, será tanto mais profundo quanto definitivo na Igreja. As mudanças serão mais, digamos, gramscianas do que se possa reverter – humanamente falando, é claro.

  19. A Gercione está atenta para a camuflagem das palavras.
    O Saulo M. faz uma pergunta intrigante: com qual alvejante semântico os cleaners irão tentar embelezar aquelas afirmações?

    • Simplesmente lamentáveis e gravíssimas essas afirmações imponderadas e contrárias à moral católica. Primeiro, uma ação má jamais pode ser objeto de uma escolha moral, e isto sem nenhuma qualificação de mal absoluto ou mal relativo, mal maior ou mal menor. O mal é sempre mal, e a liberdade humana se afirma apenas quando orientada para o bem e a verdade. Dizer o contrário, significa negar, em sua raiz, a própria liberdade humana, como se, em alguma situação, a pessoa fosse constrangida irresistivelmente a escolher o mal, restando-lhe apenas optar por um mal menor. Ora, se acreditamos que a redenção de Cristo nos salvou do mal e do pecado, então devemos afirmar que uma tão situação não existe para o cristão, que pode e deve, com o auxílio da graça divina, escolher sempre o bem e a verdade, mesmo quando uma tal opção exija renúncias e sacrifícios, por vezes heroicos. Este é o testemunho de todos os mártires ao longo da história da Igreja, que não temeram perder a própria vida para dar testemunho de Jesus Cristo e do Evangelho.

      Segundo, como rezamos em um Salmo, “a Lei do Senhor Deus é perfeita”, ou seja, não se pode falar absolutamente de contradição entre os mandamentos divinos, em oposição entre as exigências do quinto mandamento e as do sexto mandamento do decálogo. Se encontramos alguma oposição ou contradição na Lei de Deus, é simplesmente porque a deturpamos com nossa interpretação relativista. Muito ao contrário, segundo o ensinamento da Igreja, desobedecer em matéria grave a um só mandamento, significa, de certa forma, opor-se a toda a vontade de Deus. Por isso, a Igreja ensina que por um só pecado grave (mortal), do qual não se arrepende sinceramente ainda que no momento derradeiro, um pecador poderá sofrer a condenação eterna do Inferno.

      Finalmente, relevando a veracidade histórica do caso das religiosas do Congo, o exemplo não tem absolutamente nada a ver com contracepção, simplesmente porque um ato de violência sexual é totalmente diverso do ato conjugal, no qual não se podem separar a dimensão unitiva e a dimensão procreativa, segundo o magistério da Encíclica Humanae Vitae de Paulo VI.

  20. Seria bom alguém que saiba inglês traduzir esta explicação:

    https://zenit.org/articles/catholic-teaching-on-contraception-for-married-couples-only/

    Condemnation of Contraception Is a Universal Norm

    “If contraceptive acts were wrong for married persons, but legitimate for unmarried persons, they would not be wrong per se, would not be intrinsically evil, but circumstantially evil. Although some Catholics hold this, the view seems clearly to be inconsistent with both the Church’s theological and doctrinal traditions.”

    Seria desejável a tradução do texto completo, para que os católicos saibam a real posição da Igreja.

  21. De agora em diante começarei a desconfiar de tudo que falar na midia a respeito de facilitações desse ou daquele item de papas anteriores, pois podem estar falseando certas falas para facilitarem implantações de relativismos, até que eu comprove com certeza do fato!
    O que que já teve de desmentidos não foram poucos, e os laboratorios de engenharia social são doutores em trapacear, sempre facilitando as ideologias e relaxamentos doutrinarios, não tem sido sempre umas dessas?
    Pois o que já houve de dossiês e atribuições falsas a papas e luminares da Igreja para justificar relaxamentos e falsas atribuições não são poucos, caso da Inquisição, e recentemente S Tomaz de Aquino tem sido vítima desses engenheiros sociais!

  22. “O contraceptivo (…) “poderia ser objeto de discernimento”. Não poderia. Eu explico, de um forma científica: os anticoncepcionais são feitos de estrógeno (para impedir o útero de ovular) e de progestágeno (para criar um ambiente desfavorável à implantação do zigoto no útero). E se a dose de estrógeno não for suficiente para, naquela dada mulher, impedir a ovulação? Simples, a mulher ovula, e se o espermatozoide conseguir fecundar o ovócito forma-se um novo ser humano – que não conseguirá se implantar no útero devido à ação prejudicial do progestágeno. Enfim, um anticoncepcional oral, na verdade, pode agir como um abortivo de um ser humano recém formado. Em consequência: o contraceptivo nesse grupo hipotético de freiras é tremendamente mais nefasto que o preservativo, pois pode ser realmente abortivo.
    Esse é o motivo porque eu, sendo médico, nunca mais receitei contraceptivo.

  23. Embora essa questão dos contraceptivos seja a que mais está dando pano pra manga na entrevista de Bergoglio, a parte que realmente me escandalizou e que fala volumes a respeito da posição pessoal de Bergoglio a respeito da contracepção é essa:

    “Por exemplo – agora não tanto, mas há alguns anos – na minha Pátria, havia o costume de… se chamava “casamento em apuros”: casar rapidamente, porque vem um filho. E para cobrir socialmente a honra da família…. Ali, não eram livres, e tantas vezes estes matrimônios são nulos. E eu, como bispo, proibi os sacerdotes de fazerem isto… Que nasça a criança, que continuem namorados, e quando sentem que é para toda a vida, que sigam em frente”.

    Então ele como Bispo proibiu os sacerdotes de casar pessoas que estavam esperando um filho? Preferiu que essa criança nascesse sem um lar estável? Quer dizer que ele como Bispo incentivou os casais de namorados a viverem em fornicação? Então só quando sentirem que o relacionamento é pra sempre que devem se casar?E se sentirem que não é pra sempre? A criança deveria crescer sob a guarda de um segundo ou terceiro “pai” que não é seu pai biológico? E o que o Bispo Bergoglio entende por “namoro” entre um casal que já tem um relacionamento sexual? Acha mesmo que vão ficar “só namorando” de mãozinhas dadas, olhando pra lua, na mais aboluta castidade?
    Meu Deus! Como ele teve coragem de fazer isso e ainda se vangloriar depois de ocupar o cargo de Pontifice? Quantos desses casais morreram nesse estado? Quantos filhos se viram privados de sua família original que poderia muito bem ter encontrado estabilidade e propósito se tivessem sido melhor aconselhados e acompanhados? Será que ele não pensa que terá que prestar contas a Deus por cada uma dessas pessoas que se perdeu devido à sua “proibição”?
    Ainda nesse último domingo, que foi o segundo domingo da Quaresma, a leitura da Epístola de São Paulo aos Tessalonicenses foi bem clara a esse respeito:

    “Finalmente, irmãos, vos rogamos e exortamos no Senhor Jesus, que assim como recebestes de nós, de que maneira convém andar e agradar a Deus, assim andai, para que possais progredir cada vez mais.
    Porque vós bem sabeis que mandamentos vos temos dado pelo Senhor Jesus.
    Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação; que vos abstenhais da fornicação;
    Que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e honra;
    Não na paixão da concupiscência, como os gentios, que não conhecem a Deus.
    Ninguém oprima ou engane a seu irmão em negócio algum, porque o Senhor é vingador de todas estas coisas, como também antes vo-lo dissemos e testificamos.
    Porque não nos chamou Deus para a imundície, mas para a santificação.
    1 Tessalonicenses 4:1-7

    Ora, a fornicação ou seja relacionamento sexual entre um homem e uma mulher fora do casamento é chamado claramente por São Paulo de “imundície”, porque o sexo é disassociado de sua função procriadora e unitiva. Torna-se apenas um ato derivado da “paixão da concupiscência, como os gentios, que não conhecem a Deus”.
    E essa não é a vontade de Deus para um cristão, porque não nos chamou Deus para a imundície, mas para a santificação.
    Mas se dessa fornicação vier uma criança, um ato que antes era desordenado poderia vir a se tornar ordenado e santificado mediante o Sacramento do matrimônio, a menos que um ou ambos já sejam casados.
    Então como se explica um Bispo proibir seus sacerdotes de fazer um casamento quando inicialmente se trata de casos de gravidez não planejada? E como ele pode dizer que tantas vezes estes matrimônios são nulos? Com base em quê? Quer dizer que qualquer um que tenha antecipado o casamento porque a namorada ficou grávida agora pode ir num desses tribunais bergoglianos de anulação expressa e obter uma anulação?
    Eu nunca pensei na minha vida que iria ver um Bispo incentivando as pessoas a viverem em estado de pecado! E o que é pior, confessando isso publicamente como se fosse motivo pra se vangloriar!

    • Gercione, ele poderia apenas ter acrescentado que os casais de namorados deveriam passar a viver a castidade. Mas não há nada de errado de proibir esses casamentos às pressas. Até porque muitos desses jovens namorados não têm a menor condição psicológica e espiritual de formar uma família. Sem falar que muitos nem católicos são direito. Acontece a gravidez, e os pais ou avós querem que casem para não passar vergonha.

  24. Achei a história sobre as lavagens como possibilidade de recurso em caso de estupro. Como disse acima, esta também é uma especulação de teólogos. Não há na verdade nenhum documento magisterial a esse respeito. E, em todo caso, não há qualquer permissão da Igreja para preservativos em casos de estupro. O cardeal Palazzini e mais dois outros teólogos escreveram um artigo na publicação Catholic Studies, em 1961, e se indagaram hipoteticamente o que religiosas, como as freiras do Congo, poderiam fazer em caso de estupro para prevenir gravidez. Eles se indagaram se elas poderiam recorrer a duchas imediatamente após o estupro, a fim de impedir a concepção. Eles mesmos responderam que sim. Esse artigo foi escrito antes da eleição do arcebispo Monitini, portanto, antes da Humanae Vitate, mas também não foi refutado posteriormente. Esse silêncio fez com que alguns entendessem que as duchas imediatamente após o estupro seria aceitável nesses casos.

    “What historians do allude to is a 1961 position paper published in the journal Catholic Studies, long before Paul VI ascended to the See of Peter. The paper was written by three theologians asking the hypothetical question whether missionary sisters in danger of being of raped — like those in the Congo of Africa — could morally protect themselves with the use of douches after a rape had occurred. The authors’ answer was in the affirmative.

    The position paper was never publicly corrected, which led some to believe it had gained tacit approval by the Vatican. But as noted, the paper was written two years before Abp Giovanni Montini became Pope Paul VI. Pope St. John XXIII was actually the Roman Pontiff at the time, thus it goes without saying that Paul VI shouldn’t be viewed as the one whose silence meant consent — a principle to which some theologians take exception.

    One of the three theologians who co-authored the 1961 position paper was the late Cdl. Pietro Palazzini. In a 1993 article published in La Repubblica, Cdl. Palazzini explained the point of the paper.

    “What I argued many years ago in Catholic Studies, and I repeat today,” he wrote, “is that women victims of violence, whether nuns or laity, may prevent pregnancy by acting in the hours immediately after the rape, prior to new life being born.” In such cases, he advocated the use of douches to eliminate the rapist’s sperm from the victim’s body.

    In the same article, when asked about this very topic, then-Vatican spokesman Msgr. Piero Pennacchini affirmed, “The Holy See has never published any texts authorizing religious to take contraceptives, even though they run the risk of being raped.”

    http://www.churchmilitant.com/news/article/no-congo-contracepting-nuns

  25. Cara Paloma, eu lhe recomendo ler e reler a Epístola de São Paulo que eu postei pelo menos umas 10 vezes. Se não entender, leia de novo até que fiquem gravadas na sua mente as seguintes palavras:

    “Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação; que vos abstenhais da fornicação;
    Que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e honra;
    Não na paixão da concupiscência, como os gentios, que não conhecem a Deus”.

    Então note bem, assim como o Apóstolo, minhas palavras são endereçadas àqueles que se dizem Católicos e não aos ” gentios, que não conhecem a Deus”.
    O que os pais Católicos ensinavam antigamente aos filhos era uma palavrinha chamada RESPONSABILIDADE.
    Se algum filho roubava um chaveiro na lojinha, os pais o faziam voltar lá, devolver e pedir desculpas. Se quebrava ou perdia algo que pediu emprestado, tinham que trabalhar e ressarcir e se caiam na fornicação e daí veio uma criança, o mais certo era fazer com que se casassem porque a criança não tem culpa da fornicação dos pais, uma criança precisa de um lar estável e a referência de um pai e de uma mãe pra poder crescer equilibrada e prosperar.
    Mas quando o egoísmo e o bem-estar do adulto passou a ser colocado no lugar da criança, o resultado sabemos bem! O grande drama de nosso tempo são aqueles que se dizendo Cristãos insistem em viver como pagãos!
    Novamente o que me perturbou profundamente foi um Bispo Bergoglio “PROIBIR O CASAMENTO e aconselhar que um casal permaneça na fornicação ( namoro) numa corda bamba que poderia lhes custar a vida eterna, caso a morte os viesse surpreender nesse estado!
    São nessas horas que me vem à mente aquela outra profecia paulina a Timóteo:

    “O Espírito diz expressamente que, nos tempos vindouros, alguns hão de apostatar da fé, dando ouvidos a espíritos embusteiros e a doutrinas diabólicas, de hipócritas e impostores que, marcados na própria consciência com o ferrete da infâmia, PROIBIRÃO O CASAMENTO […]

    Gravidez “imprevista” nunca foi IMPEDIMENTO para casamento! Muito pelo contrário! Aos jovens namorados que não têm a menor condição psicológica e espiritual de formar uma família, mas que não falta fogo pra cairem na fornicação, São Paulo diz claramente que é melhor casar-se do que abrasar-se!
    O Catecismo Maior de São Pio X, também ensina que para contrair VALIDAMENTE o Matrimônio cristão, é necessário apenas estar livre de qualquer impedimento matrimonial dirimente, e dar livremente o próprio consentimento ao contrato do Matrimônio na presença do próprio pároco ou de um Sacerdote devidamente autorizado e de duas testemunhas.
    Se no momento em que estiverem diante do sacerdote e das testemunhas um dos noivos disser que não quer se casar, não tem casamento e pronto! Mas se deu seu consentimento, o que Deus uniu que ninguém ouse separar!
    Impedimentos dirimentes são, por exemplo, a consangüinidade até ao terceiro grau, o parentesco espiritual, o voto solene de castidade, a diversidade de culto entre batizados e não batizados.
    Interessante é que não vejo Bergoglio citar jamais a diversidade de culto entre batizados e não batizados, como motivo pra um casamento ser inválido…só a imaturidade dos nubentes!