Dom Galarreta: “Creio que o Papa se inclinará a um reconhecimento unilateral”.

Dom  Galarreta deu uma conferência em Bailly, perto de Versalhes, no dia 17 de janeiro de 2016. Ele expôs a situação atual na Igreja e informou à audiência presente sobre o estado atual das relações entre Roma e a Fraternidade São Pio X. Foi ele que dirigiu a Comissão de teólogos da SSPX durante as discussões doutrinais com Roma entre  2009 a 201. Aqui estão os trechos mais importantes de sua conferência, transcrita por DICI.

Por DICI | Tradução: Gercione Lima – FratresInUnum.com

A crise da Fé se agrava e desperta reações públicas

Dom GalarretaNa primeira parte da sua conferência, Dom Galarreta explicou que “a vontade de tirar as conseqüências contidas nos princípios do Concílio Vaticano II” está em pleno desenvolvimento em Roma. Agora que as ideias conciliares de ecumenismo, liberdade religiosa e colegialidade foram consolidadas, de acordo com as autoridades em Roma, chegou a vez da moralidade ser infectada com uma nova forma de evolucionismo:”este já é o caso com o dogma e com a verdade (de acordo com o progressistas); já é o caso com o ecumenismo, a liberdade religiosa, a colegialidade, com todo o espírito revolucionário liberal… então por que não aplicá-lo também à moralidade? No final, seria incoerente não aplicar o princípio da evolução também à moralidade, pois “ela também é chamada a adaptar-se à “vida do homem, hábitos, leis e a evolução das coisas…”

Não obstante, o prelado argentino reconheceu que em face do desastre, há uma reação: “agora estamos começando a ver reações na Igreja atual, oficial. E reações profundas, pois alguns começaram a perceber que há um problema doutrinário, um problema de fé. Eles percebem que há um problema entre o magistério conciliar e pós-conciliar. Estão começando a questionar e isso é muito importante, eles entendem que para se opor a essa completa ruptura com a tradição, eles têm que reagir e necessariamente contra as autoridades que espalham esses erros. Assim, vemos cardeais, bispos, sacerdotes e leigos começando a reagir, e no caminho certo, mesmo de forma excelente, por vezes, muito firmemente”.

Uma dupla proposta por parte de Roma: Doutrinal e canônica.

Dom Galarreta, em seguida, relatou que, no verão de 2015, a Congregação para a Doutrina da Fé ofereceu uma Prelazia pessoal, juntamente com uma declaração doutrinária. E ele explicou que o “Superior Geral enviou ambos os textos de Roma a todos os superiores maiores e alguns teólogos da Fraternidade, bem como aos bispos, para que eles pudessem analisá-los e dar-lhe o nosso parecer”.

Sobre a declaração doutrinária, o bispo argentino admitiu: “O que vemos na declaração doutrinária é que não há mais a profissão de fé exigida pelo Cardeal Ratzinger. As autoridades Romanas nos pedem para fazer a profissão de fé de Pio IV, ou seja, a profissão de fé do Concílio de Trento. Além disso, na profissão anterior, havia um parágrafo sobre a liberdade religiosa. Eles suprimiram esse requisito. O ecumenismo foi removido. No tocante à nova Missa, nos pediam para reconhecer a sua validade e a legitimidade. Agora eles nos pedem para reconhecer a validade dos novos sacramentos e da nova Missa de acordo com a edição típica, a edição original em latim. A Fraternidade sempre reconheceu isso. Como podem ver, eles estão removendo as suas condições num esforço para serem bem sucedidos”.

Então, Dom Galarreta explicou que o Superior Geral achou importante responder à oferta de Roma, ou seja, a proposta de reconhecer a Fraternidade “como ela é” com uma resposta preliminar que está muito longe de ser vaga: “Dom Fellay disse-nos: ‘antes de responder a esta proposta da Congregação da Doutrina da Fé, eu vou enviar-lhes uma explicação exaustiva para deixar muito claro como somos e como atuamos, o que pregamos, o que fazemos, o que não fazemos, e o que não estamos dispostos a fazer’, – a fim de descobrir se a Fraternidade realmente será aceita  “como ela é”.

O prelado argentino, em seguida, expressou suas reservas por uma razão doutrinária profunda: “Eles ainda desejam acima de tudo fazer-nos aceitar, mesmo que apenas vagamente, apenas em princípio, o Concílio Vaticano II e os seus erros”. E acrescentou que este desejo de Roma pode ser visto no nível prático na proposta canônica: “Há sempre, de uma maneira ou de outra, a submissão aos Dicastérios Romanos ou aos bispos”, o que consequentemente o leva a declarar que, pessoalmente, ele recusaria as propostas das autoridades Romanas: “para mim, um acordo com a Roma de hoje está fora de questão”. Ele ainda acrescentou que esta é uma recusa prudencial, ditada pelas circunstâncias – na ausência das garantias necessárias para a vida da Fraternidade – e ele teve o cuidado de distinguir-se daqueles que fazem disso uma recusa absoluta.

“Nós não recusamos, vejam bem, de forma absoluta e teórica, a possibilidade de um acordo com Roma. Isso é o que nos distingue da  chamada ‘Resistência’. Para eles, é um princípio, é uma questão doutrinária: você não pode admitir a possibilidade de um acordo com a Roma sem ser liberal. Essa não é a nossa posição. É importante que se repita: esta não era a posição de Dom Lefebvre. Ele assinou um Protocolo para um acordo com Roma. E, naquele tempo, mesmo depois de ter rompido com o Protocolo, o Arcebispo disse: ‘é porque as condições necessárias para nossa proteção, para a nossa sobrevivência, não estão lá. É porque eles querem nos enganar, porque não desejam nos dar a Tradição, porque desejam nos arrastar para o Vaticano II. É porque as condições não estão lá’. Ele disse: ‘Se eles tivessem me concedido as condições, as condições que eu tinha pedido, eu teria assinado”. Dom Lefebvre disse isso após a sagração dos Bispos e explicou: ‘Se eu assinasse um protocolo de acordo, seria porque não havia nada nele contra a fé’. Nem no conteúdo, nem no ato de assinatura. Isto é óbvio. Então, nós continuamos nessas mesmas linhas” .

Rumo a um reconhecimento unilateral da Fraternidade?

Na segunda parte da sua conferência, e para além das propostas da Congregação para a Doutrina da Fé, Dom Galarreta publicamente confidenciou que ele, pessoalmente, crê que o Papa pode em breve conferir um status à Fraternidade de São Pio X:

“Eu creio que esse é outro aspecto das coisas, que este Papa que diz a quem quiser ouvir que somos Católicos, que diz e repete que a Fraternidade é Católica, que nós somos Católicos, nunca vai nos condenar, e que ele quer tomar conta do nosso caso. Eu acho que ele já começou esse caminho – que quando ele perceber que não podemos concordar com a Congregação da Doutrina da Fé, eu acho que ele vai passar por cima de qualquer condição doutrinária, teórica, prática, ou qualquer condição… Ele vai tomar seus próprios passos para o reconhecimento da Fraternidade. Ele já começou; e ele simplesmente vai continuar. E eu não estou dizendo que é o que eu desejo, mas o que eu prevejo. Prevejo, eu creio, que o Papa irá inclinar-se para um reconhecimento unilateral da Fraternidade e isso mais por atos do que por qualquer abordagem jurídica ou canônica”.

Dom Galarreta admitiu que “este reconhecimento de fato teria um bom efeito, um efeito benéfico: seria por sua vez uma abertura apostólica extraordinária, e teria um efeito extraordinário”.  Mas ele acrescenta em seguida que haveria, então, dois riscos: o de criar uma divisão interna na Fraternidade e do cerceamento de nossa pregação em determinadas circunstâncias. E ele se perguntou: “Seria preciso uma sabedoria extraordinária e prudência, uma grande firmeza e clareza. Será que somos capazes disso? “

O bispo argentino respondeu, pedindo à sua audiência para manter uma confiança sobrenatural em face dessas eventualidades: “Se é isso o que a Providência nos envia, então teremos as graças necessárias para superar as dificuldades e lidar com elas como deveríamos, mas naturalmente, apenas na medida em que não parta da nossa vontade, mas que seja imposto sobre nós. Se nossas idéias são claras, poderemos sempre tirar alguma vantagem disso e tirar algum bem disso. Mas neste caso hipotético, – estou apenas dando a minha opinião com base em conjecturas, certo? – neste caso, eu acho que teremos as graças necessárias para perseverar e fazer o bem que devemos fazer para nossa Santa Mãe, a Igreja. Deus nunca nos negará ou deixará de dar-nos os meios de perseverar na fé e no bom combate, se permanecermos firmes na fé, na esperança, na caridade, na forte confissão de fé e em nossa santificação diária”.

Medo de riscos e confiança na Divina Providência

E concluiu depois de levantar uma objeção: “então vocês me dirão: nesses casos há um risco! – Sim, é claro.  Na vida existem muitos riscos; numa guerra há ainda mais. Estamos em guerra. Então que seja como Deus quiser. Mas tenho confiança na Providência. Tenho completa confiança no amor de Nosso Senhor Jesus Cristo para com a Sua Santa Igreja. Então, contanto que não sejamos nós a buscar esse reconhecimento, mesmo se isso vier a acontecer, eu acho que não devemos entrar em pânico. Nada muda. É o mesmo combate que continua, nas mesmas linhas. Devemos simplesmente aproveitar esses espaços de liberdade que são deixados para nós. Em uma guerra, se o inimigo abandona as trincheiras, temos que ocupá-las; se o inimigo cai para trás, temos de ir para a frente. Nós não ficamos trancados em casa porque lá fora há riscos. Temos que agir com prudência e temos que ter coragem. E acima de tudo, temos que ter confiança em Deus. É a luta por Deus. Nossa confiança está em Deus e na Bem Aventurada Virgem Maria.

Pessoalmente, não estou nada preocupado com o futuro da Fraternidade ou da Tradição. No entanto, com relação ao futuro da sociedade como um todo, das nossas nações que outrora eram católicas e até mesmo da Igreja oficial, sim, eu estou preocupado e pessimista. Podemos prever que as coisas estão evoluindo para o pior. E é quando estamos chegando a uma situação muito mais desesperadora e extrema que a Providência Divina intervém. Deus, que sempre usa meios divinos, intervém. Nosso Senhor é sempre o Senhor dos eventos e da história. E não só em termos gerais, mas também em particular. Portanto, se o Evangelho nos diz que nem um fio de cabelo de nossa cabeça cai, que todos os fios de cabelo da nossa cabeça estão contados, que nem um pardal cai sem a permissão de Deus, acho que devemos permanecer tranquilos. É assim que mantemos um julgamento equitativo sobre realidades objetivas e perseveramos em uma atitude que não é apenas equilibrada, mas também Católica, Cristã e Santa. Essa é a sabedoria que o Arcebispo Lefebvre transmitiu para nós, esta atitude Católica. Certamente que podemos continuar nestas linhas na presente situação da Igreja de hoje, e em face de todas as eventualidades que em breve nos serão apresentadas.

 

17 Comentários to “Dom Galarreta: “Creio que o Papa se inclinará a um reconhecimento unilateral”.”

  1. “Para mim, um acordo com a Roma de hoje está fora de questão”

    O que o pessoal da Resistência diria vendo uma posição tão clara?

    • Essa “resistência” já começou a se desintegrar. O padre X se desentendeu com o bispo Y. Os blogueiros que defendem o padre X estão dizendo que o bispo Y já tá virando modernista e tão sentando a peia no bispo, e por aí vai a esculhambação. Ninguém se entende mais por lá.

    • “Nós não recusamos, vejam bem, de forma absoluta e teórica, a possibilidade de um acordo com Roma. Isso é o que nos distingue da chamada ‘Resistência’. Para eles, é um princípio, é uma questão doutrinária: você não pode admitir a possibilidade de um acordo com a Roma sem ser liberal.”

      “Porém, se vivo um pouco ainda e supondo que daqui a determinado tempo Roma nos chame, que queira voltar a ver-nos, retomar o diálogo, nesse momento seria eu quem imporia condições. Já não aceitarei estar na situação em que nos encontramos durante os colóquios. Isso terminou.
      Eu apresentaria a questão no plano doutrinal: Estais de acordo com as grandes encíclicas de todos os papas que vos precederam? Estais de acordo com a Quanta Cura de Pio IX, com a Immortale Dei e a Libertas de Leão XIII, com a Pascendi de Pio X, com a Quas Primas de Pio XI, com a Humani Generis de Pio XII? Estais em plena comunhão com estes papas e com suas afirmações? Aceitais ainda o juramento antimodernista? Sois a favor do reinado social de Nosso Senhor Jesus Cristo?
      Se não aceitais a doutrina de seus antecessores, é inútil falarmos. Enquanto não tiverdes aceitado reformar o Concílio considerando a doutrina destes papas que vos precederam, não há diálogo possível. É inútil. As posições ficariam, assim, mais claras. Não é algo pequeno o que nos opõe. Não basta que nos seja dito: podem rezar a missa antiga, mas é necessário aceitar isto. Não, não é somente isso o que nos opõe, é a doutrina. Está claro.” (Dom Levebvre, in Fideliter nº 66, 1988)

      Não escrevo mais nesse site mas vou abrir uma exceção por conta da gravidade do que vejo. Não sou da Resistência da USML (sou um “resistente” na Adm. Apostólica), mas o fato é de que muitos outros já caíram e Dom Galarreta está dizendo que com a FSSPX será diferente. Eu já vi grandes sacerdotes, tanto em conhecimento quanto em exemplo de santidade, caírem de forma triste e hoje cantam hinos protestantes durante a Missa ou mesmo celebram o Novus Ordo.

      Longe de querer fazer juízo de valor, mas infelizmente a História não corrobora o otimismo de Sua Eminência.

  2. Assim como o protestantismo existe para difamar e combater a Igreja católica, assim a Resistência existe para difamar e combater a FSSPX. A Resistência desintegrar-se-á nas suas próprias contradições e confusões.

  3. tomara que a fraternidade não aceite esse acordo….traiçoeiro.

  4. Sra. Ana Maria

    1. Quem gosta de unidade na diversidade é a seita pós conciliar. Na Resistência, quem não estiver satisfeito, tem a liberdade de sair.

    Por analogia, me responda: Os padres A, B, C, D, E, etc.. ao saírem da SSPX também não se desentenderam com o bispo F? Vários blogueiros que defendem os Padres A, B, C, D, E, etc.. também não passaram a criticar o bispo F? A SSPX também é uma esculhambação?

    At. Francisco

  5. Para tudo devemos pedir as luzes do Divino Espírito Santo. Rezar e fazer penitência! E, em se tratando de algo que diz respeito à salvação eterna das almas, não podemos dar um passo, dizer uma palavra, sem antes, pela oração e penitência, implorar humildade e confiantemente as luzes e força do Espírito Santo. Uma coisa é certa, tudo o que é feito sem humildade, é rejeitado por Deus: “Deus RESISTE aos soberbos”. Deixa-os se confundirem.
    Admiro a humildade de D. Fellay. O humilde tem fortaleza; o orgulhoso tem rebeldia.
    Concordo com a decisão de D. Fellay. Peçamos ao Divino Espírito Santo que ilumine D. Fellay, que seja assim simples como uma bomba; mas prudente como uma serpente. Que haja na FSSPX a união na caridade, para que o seu zelo seja realmente segundo Deus.

  6. Com a confusão imperante, é difícil estimar quais seriam as consequências práticas de um reconhecimento unilateral da FSSPX. Pois, a primeira delas seria a de que a dita Fraternidade precisaria tratar com os Ordinários locais para ereção de seus priorados, e o episcopado, salvo nobres exceções, tem dado, à saciedade, prova de prevaricação e omissão seja na doutrina, seja na dispensação dos sacramentos. Como seria? Chega-se na diocese e abre-se uma casa religiosa, escola etc e envia-se um cândido email comunicando ao Bispo o sucedido? E que Bispo, mesmo benévolo à causa, iria enfrentar o “conselho presbiteral” para pedir-lhe anuência? Pois uma das consequências da colegialidade na Igreja foi transformar o governo em governo partilhado. Os padres dependem do conselho paroquial, os bispos do conselho presbiteral e a Santa Sé anda de pires na mão. Tudo é lindo no papel e Platão é uma desgraça.

  7. Padre Élcio foi simplesmente perfeito em seu comentário!
    As intenções de Bergoglio com esse provável “reconhecimento unilateral” são manifestas pelo modo como os Católicos tradicionalistas são referidos em seu “Pequeno Compêndio de Insultos”:

    “CuentaRosarios!” – Contadores de rosários
    “Ensimismado, prometeico neo-pelagiano!”- Cheios de si, prometeicos e neo-pelagianos
    “Restauracionista!”- Restauracionistas
    “Liturgista obsesivo!”- Obsecados por liturgia
    ”Buscador de certezas en todo! ” – Caçadores de certezas em tudo.
    “Cristianos con cara de pepinillos en vinagre!”- Cristãos com cara de vinagre.

    Ora, não basta ser cientista pra analisar os fatos e entender a estratégia. A charge que saiu na capa da revista inglesa The Spectator de Novembro de 2015 é o retrato fiel dessa estratégia de demolição:
    http://www.spectator.co.uk/2015/11/pope-francis-is-risking-a-catholic-civil-war/
    Uma bola de demolição presa por um cabo à um guindaste, foi muito usada durante as décadas de 60 e 70 para a demolição de grandes edifícios e a técnica consiste em repetir os procedimentos quantas vezes forem necessárias até a estrutura ser reduzida a ruínas.
    Voltando agora à história da Fraternidade é de se admirar como ela ainda se sustenta em pé, depois de aguentar o impacto da bola demolidora por mais de quatro décadas de existência! Suspenderam seu status canônico, suspenderam seu fundador “a divinis”, excomungaram seus Bispos, aliciaram padres que viraram a casaca iludidos por promessas de status canônico e independência financeira, suspenderam as excomunhões e ainda fizeram ofertas que custaram à Fraternidade defecções importantes, colocaram Bispo contra Bispos causando um sério prejuízo à sua frágil unidade interna.
    Eu me pergunto agora: por que Roma não fez nenhum pronunciamento referente às novas sagrações episcopais de Dom Williamson? Simplesmente, porque miséria pouca é bobagem! Quanto mais divisão houver dentro da SSPX, mais frágil fica o edifício da Tradição, facilitando assim o trabalho da bola demolidora.
    Dom Galarreta admitiu que “este reconhecimento de fato teria um bom efeito, um efeito benéfico: seria por sua vez uma abertura apostólica extraordinária, e teria um efeito extraordinário”. Mas ele acrescenta em seguida que haveria, então, dois riscos: o de criar uma divisão interna na Fraternidade e do cerceamento de nossa pregação em determinadas circunstâncias. E ele se perguntou: “Seria preciso uma sabedoria extraordinária e prudência, uma grande firmeza e clareza. Será que somos capazes disso? “
    Sabedoria e prudência, grande firmeza e clareza foram as armas usadas na primeira rodada de negociações para a suspensão das excomunhões. E os frutos foram colhidos em abundância pela Igreja como um todo! Foi graças à essas negociações que hoje temos o Summorum Pontificum!
    Rezemos então para que a bola demolidora se volte contra o maquinista do guindaste e que ao invés de demolir o edifício da SSPX, essa derrube os muros que ainda impedem que muitos fiéis venham se unir a nós na celebração do verdadeiro Sacrifício.

    • O que impede isso é o fato q a Fsspx não está bastante espalhada e bastante divulgada. Houvesse isso e teria muitos fiéis.

  8. PW,

    Se o reconhecimento for unilateral, uma série de regras serão colocadas mas elas serão simplesmente ignoradas pela FSSPX. Se ela precisar pedir licença para um Bispo modernista para atuar, ela estaria compactuando com o acordo unilateral e seria, portanto, bilateral. Se for unilateral, a FSSPX ficará feliz, é claro, mas continuará funcionando como se não houvesse reconhecimento algum. Fazendo sua parte como católica e tradicional sem se sujeitar às autoridades modernistas. Com o proprio Papa é assim: Ela se sujeitaria ao Papa mas nao ao modernismo do Papa. Se for unilateral, na prática, nada ocorrerá. Afinal, hoje o Papa ja diz e ja dizia desde Buenos Aires, inclusive desde os tempos de Dom Williamson quando era Superior em La Reja, que a FSSPX é catolica, que são catolicos e pronto. Isso já não é um reocnhecimento unilateral mais do que suficiente? E isso em nada mudou a forma de apostolado da FSSPX e seu crescimento.

    Dom Fellay já disse claramente e ao vivo diante de fieis em São Paulo – BR, recentemente quando esteve lá, que não há mudança de posição, não haverá aceitação da Missa NOVa, nem dos erros do Vaticano II, nem havera concelebração, haverá ordenação sub conditione dos sacerdotes que quiseram ir para a FSSPX….e Dom Galarreta também, claramente deixa isso claro. E eles não pediram sigilo aos fieis em nenhuma das ocasiões, significa que eles querem mesmo que todos fiquem sabendo que a posição da FSSPX é irredutivel e isso é importante demais visto que todos acham que o fim da FSSPX será o mesmo da ADM APOSTOLICA por exemplo. Os Bispos não são bobos e sabem muito bem o quanto as autoridades em Roma querem trair…os Bispos da FSSPX não querem fazer uma troca, uma negociação, não é mercado financeiro. É a fé. Eles vão no maximo aceitar o reconhecimento desde que eles não tenham que deixar de ser catolicos o que seria o caso se precisassem aceitar o Vaticano II e etc. A aceitação da FSSPX e oficialização canonica, sem nenhuma contrapartida é uma questão de justiça e nao de favor. A justiça se faz sem exigir nada das partes. Claro, um agradecimento, orações, uma ajuda proativa em varias situações, por respeito filial, mas não em troca do reconhecimento. E claro, quem cuida de ovelhas não permitirá que suas ovelhas sejam submetidas a lobos de vez em quando, por isso, parece-me que liberdade total de expansão e independencia dos Bispos locais é algo básico para a FSSPX.

    • Também pensava assim, sr. Vladimir, mas basta olhar a situação das atuais comunidades “Ecclesiae Dei”, os grupos conservadores, como os Franciscanos da Imaculada, e mesmo o sofrimento de Bento XVI em seu Pontificado para sabermos que na prática não é possível tolerarem à Tradição ou mesmo simpatias e inclinações por esta.

      A confiança não pode virar imprudência e Dom Lefebvre e Dom Antônio foram muito claros acerca de apartar-nos dos modernistas, sendo o que os fatos demonstram que a atual direção da FSSPX não preza por essa advertência. Reiterando meu comentário acima, a aproximação para com a Roma modernista nunca foi benéfica para os que abandonaram o combate ao modernismo e antes mesmo de um acordo a chamada “neo-FSSPX” está nem mais tão sutilmente se transformando em uma comunidade “Ecclesiae Dei”, onde já não mais se encontram sermões contundentes contra o modernismo. A própria entrevista de Dom Galarreta já aponta para isso, que já é bem divergente da postura firme de Dom Lefebvre expressa na “Fideliter” nº 66 de 1988.

      São José, Padroeiro da Igreja, rogai por nós!
      São Pio X, rogai por nós!

  9. Vladimir,

    Nemo laeditur nisi a se ipso. “Ninguém fere senão a si mesmo”.

    Se a FSSPX e outros institutos não tomarem sobre si o opróbrio de Cristo, então certamente irão dispersar e cair. O grande perigo é mesmo, como sugere o comentário de Pedro Rocha, é abandonar o combate pela acomodação. Que D. Antônio Mons Lefebvre eram muito mais aguerridos, isso é certo. Basta ver seus escritos e ouvir suas palavras de fogo.

  10. Corrigindo um erro de digitação: em lugar de bomba é pomba. Desculpem-me!

  11. Caro Pedro Rocha,

    O problema é esse: Aproximar-se de Roma modernista. O senhor, como muitas pessoas, até da Resistencia, acham que, o fato de ocorrer uma aceitação UNILATERAL significaria aproximar-se de Roma modernista. o fato de conversar com os modernistas significa aproximar-se de Roma modernista. E se o papa Francisco dissesse: “Gosto muito dos sermões de Dom Williamson no Youtube e tambem de Dom Tomas…a partir de hoje eles tem liberdade de pregar em qualquer diocese do mundo!”. Isso seria aproximar-se de Roma? ora claro que não! E se o papa Francisco chama-se dom Williamson para conversar…ele iria? Claro que eu penso que sim, afinal, ele não se diz sedevacantista. E se fosse conversar…seria aproximar-se de Roma?

    Ora, o fato de voce falar com um assaltante, com um delinquente, não faz de você imediamente um delinquente, senão ninguem poderia se aproximar de um pecador pois isso logo seria aproximar-se do pecado. Aproximar-se de um modernista significaria então aceitar o modernismo. Isso é loucura. Pura loucura. Se um padre do IBP cumprimentar um rabino judeu na rua já significaria que o IBP tem influencia judaizante. Isso é logica de grupelhos tradicionais, principalmente do Brasil…pura loucura. Não é a toa que a resistencia mais do que nunca esta crescendo e se desenvolvendo no Brasil onde este espirito traidcional que causa confusão parece ter sua terra natal.

    Dom Fellay e Dom Galarreta eles chegam a ser ironicos quase quando falam sobre esta situação. Eles são claros ao dizerem (eu ouvi ao vivo!): Não vamos concelebrar, não vamos rezar a missa nova, vamos dizer às pessoas “NÃO VÃO Á MISSA NOVA!”, a Missa NOva é ruim, o Vaticano II tem erros terriveis, não vamos abandonar o latim, não vamos aceitar o CVII, vamos “re”-ordenar os padres que quiserem se unir a nós, desconfiaremos das consagrações nas Missas NOvas…

    caramba, vou acreditar mais no padre Ernesto e no Dom Williamson, no Dom Tomas, por que? Se a dirigencia da FSSPX nos frustrar…maravilha, não terá sido a primeira frustração na Tradição (sobretudo em terras brasileiras) e vamos depois ver o que fazemos. Por enquanto, qualquer atitude contraria a eles é partidarismo. As palavras de Dom Fellay de ultimo Novembro em SP, Dezembro em Zagreb, de Dom Galarreta em Janeiro…eles deixam totalmente claro a posição da FSSPX…e conversam sim com Roma deixando isso claro…e mesmo assim os Bispos buscam a fraternidade para ajudar na formação fraternidade….o Papa os quer…e isso faz deles modernistas traidores? Isso é tolice. Quando escuto que eles são acordistas, depois do que escuto pessoalmente deles, é dou risada da mesma forma quando escuto que Dom Tomas será sagrado Bispo.